Mega Man: The Wily Wars (Sega Mega Drive)

Mega Man (ou Rockman no Japão), foi uma das séries mais populares da Capcom que surgiu originalmente em 1987 na NES. São tipicamente jogos de acção/plataforma em 2D com um setting futurista, não fossem os principais protagonistas, heróis e vilões, cientistas ou robots. A série foi tão popular que só a NES recebeu 6 jogos da mesma, entre 1987 e 1993. A partir desse ano começaram no entanto a surgir várias outras subséries dentro do mesmo universo como Mega Man X, Legends, Zero ou ZX, já para não referir os inúmeros Battle Networks. Por acaso nunca tinha trazido cá nenhum jogo da série original até agora, até porque todos o que possuo na colecção compilações, pelo por enquanto. Este The Wily Wars acaba também por ser uma conversão musculada dos primeiros 3 Mega Man da NES, mas com algum conteúdo adicional que irei detalhar mais à frente. Este artigo fará então uma análise muito breve aos jogos aqui incluídos e às novidades que foram sendo introduzidas a nível de jogabilidade de título para título.

Collectors Edition da retro-bit com inúmeros extras

Em relação ao The Wily Wars em si, este foi o primeiro lançamento da série Mega Man a chegar a um sistema da Sega, nomeadamente a Mega Drive. Aparentemente a Capcom terceirizou o seu desenvolvimento que acabou por se tornar bastante atribulado, o que levou a que o próprio Keiji Inafune (criador da série) a envolver-se pessoalmente no processo. Esta compilação acabou então por ser lançada em 1994 nos vários mercados, embora nos Estados Unidos o jogo tenha sido lançado exclusivamente no serviço do Sega Channel. Este era uma subscrição em que os consumidores de televisão por cabo poderiam ter acesso a vários jogos da Mega Drive que seriam descarregados para a consola. Era um sistema inovador para a época mas ainda muito primitivo, até porque os jogos descarregados seriam apagados sempre que a consola fosse desligada, por exemplo. Ora isso levou a que esta compilação se tornasse bastante coleccionável, particularmente pelos norte-americanos que não chegaram a ter acesso a este jogo por vias de retalho normal, inflaccionando bastante seu o preço nos círculos habituais. Felizmente que a empresa norte-americana retro-bit, que já há alguns anos que tem vindo a relançar, de forma legítima, certos jogos para sistemas retro, relançaram, no final de 2021, uma nova edição física deste título. Naturalmente, sendo devidamente licenciada pela Capcom, tornou-se numa óptima maneira de ter acesso a este lançamento de forma legítima e bem mais económica. O meu exemplar foi-me cedido por um amigo que por engano comprou 2 unidades. Custou-me 75€, sendo esta uma das edições limitadas da retro-bit que inclui muito conteúdo adicional.

Podemos escolher quais dos 3 Mega Man jogar em qualquer ordem. Uma vez terminado todos, desbloqueamos a Wily Tower

Os jogos da série Mega Man decorrem no futuro, algures nos anos 20XX, onde o brilhante cientista Dr. Light criou uma série de robots que ajudam a humanidade a progredir. No entanto, a certa altura todos esses robots passam a ser hostis para com os humanos, com o rival Dr. Wily a estar por detrás desse ataque. O Dr. Light cria então um novo robot super poderoso, o tal Mega Man, que iremos protagonizar. No primeiro jogo, teremos primeiro de enfrentar 6 Robot Masters, para depois enfrentar o próprio Wily em seguida. Esta trama vai-se repetindo de forma algo idêntica nas suas sequelas.

Num dos níveis do MM1 poderemos encontrar o Magnet Beam, que nos dará um jeitaço nalguns desafios

A jogabilidade é simples, com um botão para saltar e um outro para que Mega Man dispare com a sua arma, o mega buster. O jogo tem um progresso inicialmente não linear, pois podemos escolher livremente a ordem pela qual queremos jogar cada nível e enfrentar os seus robot masters no final dos mesmos. Outra particularidade chave é que, após derrotar um robot master herdamos as suas habilidades, nomeadamente as suas armas. Estas podem ser escolhidas através de um terceiro botão que lança um menu com o nosso inventário disponível no momento, onde poderemos escolher que habilidades equipar. O mega buster, a tal arma que temos por defeito, possui munições infinitas. Já qualquer outra das habilidades gasta energia, visível através de uma barra de energia no canto superior esquerdo e que pode ser restabelecida ao apanhar uns certos power ups para o efeito. Neste MM1 poderemos ainda encontrar o Magnet Beam, uma arma que não causa dano, mas permite-nos criar algumas plataformas temporárias, uma habilidade que nos dará imenso jeito em certas ocasiões.

Tal como as versões da NES, não esperem por sprites lá muito grandes.

Um detalhe interessante que é válido para todos os Mega Man presentes nesta compilação é o facto de os bosses serem susceptíveis ao dano inlfligido por uma arma específica de um outro boss. Por exemplo, a arma que herdamos do Elecman causa muito mais dano se a usarmos no Iceman, que por sua vez a sua arma causa bastante dano no Fireman. Portanto atacar os níveis por uma certa ordem pode ser muito vantajoso! Uma vez derrotados todos os Robot Masters teremos alguns níveis adicionais com novos bosses, inclusivamente os próprios Robot Masters que teremos de enfrentar novamente, algo que se repetirá nos jogos seguintes. Só mesmo no fim é que iremos enfrentar o Dr. Wily. De resto, por norma todos os Mega Man são jogos desafiantes, que exigem um platforming preciso pois os níveis estão repletos de inimigos e outros perigos que nos retiram uma vida imediatamente, como cair em abismos sem fundo ou tocar em espinhos nas superfícies. Segmentos como aqueles onde teremos plataformas que aparecem e desaparecem dentro de uma sequência própria sempre foram frustrantes!

A partir do MM2, podem contar com 8 Robot Masters em vez de 6. A ordem pela qual os atacamos continua ser inteiramente de livre escolha

O Mega Man 2 mantém a mesma jogabilidade base, aumentando o número de Robot Masters de 6 para 8, aumentanto portanto o número de diferentes armas que teremos acesso. Derrotando alguns Robot Masters específicos dá-nos também acesso a outros equipamentos adicionais, os Item 1, 2 ou 3. Estes permitem-nos criar diferentes tipos de plataformas, habilidades que darão imenso jeito para atravessar certas secções, ou apanhar alguns power ups que são de outra forma inatingíveis. A partir deste Mega Man 2 poderemos também passar a encontrar e armazenar Energy Tanks, capazes de restabelecer toda a nossa barra de vida. O Mega Man 3 leva-nos uma vez mais a enfrentar 8 novos Robot Masters. É aqui que é introduzido o Proto Man, um protótipo criado antes do Mega Man e que aqui surge como um rival, mas não necessariamente um vilão. O cão robot Rush também é introduzido e tal como os Item 1, 2 e 3 do jogo anterior, o Rush aparece como dando-nos habilidades adicionais como um jetpack, por exemplo. O Mega Man 3 introduz também a habilidade de slide, sendo activada ao pressionar baixo e o botão de salto, sendo uma habilidade que também dará muito jeito, particularmente no confronto contra os bosses.

Como é habitual nesta série, contem com vários desafios de platforming. Usar o equipamento que vamos encontrando de forma inteligente será também uma grande ajuda em certos momentos.

Uma vez terminados todos os jogos (e se jogarem em emulação tenham em conta que nem todos os emuladores suportam saves para EEPROM – algo que a versão original europeia do jogo contém, pelo que é melhor usarem uma ROM modificada) teremos então acesso ao conteúdo inteiramente novo, a Wily Tower. Esta é composta por 3 níveis com novos robot masters e posteriormente mais uma Wily Tower onde iremos percorrer mais alguns níveis e defrontar novamente o cientista maléfico. Não temos no entanto nenhumas armas ou equipamento novo para descobrir. O twist é que, antes de começar cada nível, poderemos escolher livremente um conjunto de 8 armas e 3 itens dos jogos anteriores!

Depois de derrotar os Robot Masters temos sempre a base do Dr. Wily para explorar que é naturalmente bem mais desafiante

No que diz respeito aos audiovisuais, não esperem que esta compilação seja um remake, pois acaba mais por ser uma conversão dos originais da NES com algum conteúdo extra à mistura. Com isto quero dizer que não esperem por sprites e cenários super bem detalhados como os Mega Man X da SNES, mas sim por sprites com mais ou menos as mesmas dimensões e detalhe dos lançamentos originais de NES, o que é pena. Os cenários estão mais coloridos e têm mais detalhe que os originais, mas a Mega Drive é capaz de muito melhor. É uma pena que este título não tenha sido mesmo desenvolvido pela própria Capcom e sim por um outro estúdio anónimo e subcontratado, pois a Mega Drive merecia melhor. Até a performance por vezes leva uma grande pancada, com muita lentidão quando há mais inimigos no ecrã do que é habitual. Aparentemente este lançamento da retro-bit corrige, ou atenua esse problema, mas lá está, eu usei mesmo a ROM PAL original para o jogar, pelo que não posso comentar. As músicas dos títulos originais estão também aqui presentes e, apesar de não serem más, eu sou um fã confesso das capacidades chiptune da NES, mas também das da Mega Drive, quando usadas devidamente, conseguem produzir algumas músicas avassaladoras. Infelizmente também não é esse o caso, mas as músicas não são más de todo e a Wily Tower traz também músicas novas.

Digam isso às inúmeras sequelas…

Portanto estamos aqui perante uma compilação interessante que inclui 3 clássicos absolutos da NES, mais a Wily Tower, um conjunto de níveis inteiramente novo. O pessoal mais purista não gosta muito destas versões da Mega Drive por existir algum input lag, ou a já referida lentidão ocasional (que aparentemente foi atenuada neste relançamento da retro-bit). O facto de a performance não ser a melhor e os audiovisuais, apesar de não serem maus, estarem muito aquém do que a Mega Drive consegue fazer, particularmente para um lançamento de 1994, não deixam de salientar uma oportunidade perdida de se fazer algo muito melhor. Ainda assim não deixa de ser um óptimo título, atenção.

Battlefield 1 (PC)

Lançado em 2016, 100 anos após a primeira guerra mundial, este Battlefield 1 é um first person shooter que retrata precisamente várias frentes de guerra desse grande conflito. Apesar de não ter sido o primeiro first person shooter a abordar esse tema, muito menos o primeiro videojogo, é provavelmente a primeira grande produção a fazê-lo. De resto, tal como tenho vindo a fazer com os últimos Battlefield que cá tenho trazido, este artigo irá-se focar apenas na vertente singleplayer. Já não consigo precisar quando e onde comprei o meu exemplar, mas certamente não terá custado mais de 15€.

Jogo com caixa, papelada e 5 discos

E esta campanha é composta por 6 capítulos distintos, protagonizados por diferentes soldados em múltiplas frentes de guerra. O primeiro capítulo, que serve de prólogo a todos os horrores que os soldados enfrentaram nos combates de trincheiras, leva-nos precisamente a encarnar num conjunto de diferentes soldados norte-americanos durante uma feroz batalha em solo francês. O jogo avisa-nos, não somos supostos sobreviver muito tempo, e durante esse prólogo iremos precisamente encarnar em diversos soldados que encabeçam uma ofensiva contra posições alemãs. O capítulo seguinte coloca-nos no papel de um soldado britânico, onde teremos de controlar um tanque e tentar alcançar a cidade francesa de Cambrais, passando por várias posições ocupadas por alemães, no entanto. O terceiro capítulo coloca-nos no papel de um piloto americano que se infiltra na força aérea britânica, pelo que iremos participar numa série de batalhas aéreas, incluindo um confronto épico contra vários zepellins alemães. O quarto capítulo já decorre nas montanhas italianas, onde teríamos de enfrentar as forças do Império Austro-Hungaro. O soldado que controlamos possui uma armadura quase medieval, pelo que ele próprio é também uma espécie de tanque humano, isto pelo menos nos primeiros níveis. O quinto capítulo já nos leva para a frente de guerra de Gallipoli no mediterrâneo, onde controlamos um soldado australiano. Por fim, o último capítulo já nos leva para a frentede guerra do médio oriente, onde controlamos uma guerreira feminina, liderada pelo famoso “Lawrence of Arabia”, onde iremos confrontar os soldados do império Otomano no deserto e arranjar forma de destruir um comboio blindado.

O terror dos combates de trincheiras das frentes oeste é apenas um dos vários palcos de guerra que poderemos explorar

Portanto vamos participar em várias frentes de guerra, com combates em trincheiras, travessias da terra de ninguém, combates mais urbanos, bem como algum combate de veículos. Tal como o Battlefield Hardline, no entanto, há aqui também um certo foco numa jogabilidade furtiva, principalmente quando estamos sozinhos e o nosso objectivo é o de explorar/invadir ou simplesmente atravessar zonas inimigas. Nessas alturas poderemos usar o botão Q para identificar e “tagar” soldados, veículos ou armas fixas inimigas que ficarão sempre assinaladas no mapa. Se procurarmos bem poderemos inclusivamente encontrar algumas armas silenciosas ou até, tal como no Hardline, atirar cápsulas de balas para o chão para chamar a atenção de alguns inimigos, de forma a que os consigamos contornar sem ser identificados, ou assassiná-los de surpresa. Podem então contar com uma grande variedade de armas, desde diferentes tipos de revólveres, espingardas, caçadeiras ou já umas quantas metralhadoras. Muito deste equipamento até que achei bastante surpreendente já existir na primeira guerra mundial, como lança rockets, os soldados blindados ou mesmo o facto de os aviões já possuírem alguns mísseis primitivos. Apesar de haver alguma fantasia à mistura, aparentemente a maioria deste equipamento (senão todo) de facto existiu e foi utilizado nessa guerra.

Um dos capítulos leva-nos a controlar um soldado de elite do exército italiano, um homem blindado, munido de uma metralhadora pesada

Graficamente achei o jogo muito bem feito e como já referi anteriormente acho mesmo que o motor gráfico Frostbite 3 foi dos mais poderosos da geração passada. O jogo possui um excelente nível de detalhe gráfico e de física também, pois poderemos destruir edifícios e estruturas se tivermos armas de fogo poderosas o suficiente. A narrativa também é interessante, mostrando diferentes palcos da grande guerra (embora muita coisa poderia ainda ser abordada), e nota-se perfeitamente que, ao contrário da segunda guerra mundial onde os objectivos eram bem definidos por parte das forças aliadas: derrotar regimes governados por tiranos, aqui, principalmente nas batalhas em solo europeu, continua a haver aquela incerteza do porquê de toda aquela carnificina.

Também poderemos conduzir alguns veículos como estes tanques algo primitivos que foram introduzidos precisamente neste conflito

Portanto devo dizer que gostei bastante deste Battlefield 1, e uma vez mais aviso que apenas me estou a referir à campanha singleplayer. Sei bem que o forte da série Battlefield sempre foram os modos multiplayer (e estou certo que haverá muito bom conteúdo para explorar aqui) mas tenho muito mais jogos para jogar. Ainda assim, gostava que a DICE voltasse a explorar este conflito pois muitos outros palcos de guerra poderiam ter sido explorados, como todas as frentes leste a solo europeu.

The Legendary Axe (Turbografx-16)

Continuando pela PC-Engine / Turbografx-16, mas agora com um jogo bem melhor, este The Legendary Axe, produzido pela Victor Entertainment, foi um dos títulos de lançamento da consola no mercado norte-americano. E muitos norte-americanos referem que este sim, deveria ser o jogo incluído com a consola no seu lançamento, ao invés do Keith Courage, que sinceramente ainda não joguei. Nós, Europeus, recebemos a Turbografx com o Blazing Lazers, que também foi uma óptima escolha. O meu exemplar foi comprado a um particular algures em Janeiro, tendo-me custado pouco mais de 20€.

Jogo com caixa e manual embutido na caixa

Este The Legendary Axe é um jogo de acção 2D sidescroller onde controlamos um guerreiro bárbaro, Gogan. É uma espécie de clone do Rastan portanto, mas a meu ver joga-se muito melhor. O objectivo é então o de Gogan salvar a sua amiga Flare que se preparava para servir de sacrifício humano por parte de um poderoso culto que tomou controlo da sua terra.

Ao longo dos níveis vamos encontrar vários mini bosses, inimigos mais poderosos que os demais que ainda vão demorar um pouco a derrotar

A jogabilidade é super simples, com um botão para saltar e o outro para atacar com o seu machado. Temos uma barra de vida algo generosa e à medida que vamos avançando no jogo poderemos encontrar vários itens que poderemos coleccionar. Uns são meras pedras preciosas que nos aumentam a pontuação. Outros são esferas vermelhas que nos vão regenerando a barra de vida, mas poderemos também encontrar vidas extra, asas que melhoram a agilidade dos nossos ataques ou, mais importante que todos, há uns power ups dourados que melhoram o nosso poder de ataque. Temos 4 para coleccionar ao longo de 6 níveis e por cada item desses que coleccionemos, há uma barra de energia que vai sendo expandida. Com essa barra no máximo, os nossos ataques dão mais dano, com a mesma a ser regenerada automaticamente a cada ataque. Quanto maior for a barra de energia, mais poderosos os nossos ataques são, mas também mais tempo a mesma demora a ser restabelecida, pelo que quando enfrentarmos os inimigos mais poderosos teremos de ter isso em conta. De resto é um jogo algo linear, embora possua alguns caminhos alternativos que nos levem a becos sem saída, mas com itens de bónus para coleccionar. A notável excepção vai no entanto para o quinto nível, que é um autêntico labirinto dividido por várias salas, muitas delas com mais que uma saída, pelo que teremos de ter alguma preserverança até encontrar o caminho certo.

Graficamente é um jogo interessante, bastante colorido mas por vezes ainda se nota bem que é um título que transita entre as gerações 8 e 16bit.

A nível audiovisual, nota-se bem que este é um jogo do início de vida da Turbografx-16, pois ainda está ali num híbrido entre um jogo tipicamente 8bit, mas muito mais rico em cor e algum detalhe gráfico que já antecipa o que a geração das 16bit seria capaz. Os cenários vão variando entre selvas, florestas, cavernas, montanhas ou ruínas/edifícios em pedra. As músicas são agradáveis, mas é engraçado que em algumas não consigo deixar de notar algumas semelhanças com o som que a Master System é capaz de produzir, como é o caso das músicas das cavernas. Essas parecem-me que utilizam apenas o PSG e nenhuma das funcionalidades PCM que a PC-Engine/TG16 também traz de raiz, daí me ter lembrado a Master System.

Eventualmente vamos encontrar power ups que nos permitam ter uma barra de energia (no topo do ecrã) que pode ser expandida até 4 unidades. Sempre que esteja no máximo, os nossos ataques dão muito mais dano

Portanto este The Legendary Axe até que se revelou uma excelente surpresa. É um jogo de acção 2D bastante sólido que, apesar de ir buscar muito da moda dos guerreiros bárbaros que vimos nos anos 80, tal como aconteceu com Golden Axe ou Rastan, acaba por se controlar muito melhor que este último, por exemplo. A Victor produziu uma sequela que chegou dois anos depois (1990) também a este sistema. Estou curioso em jogá-la um dia destes, a ver se a arranjo.

Kickball (PC-Engine)

Continuando pelas rapidinhas e agora para mais um jogo de desporto da PC-Engine, este Kickball, publicado pela NCS/Masaya foi um jogo que me surpreendeu pela negativa pelo que irei comentar a seguir. Tal como a maior parte dos outros jogos de desporto desta consola que trouxe recentemente/vou trazer no futuro, este veio num lote de 15 jogos que importei directamente do Japão algures no passado mês de dezembro a um preço muito convidativo, cerca de 5€ já a contar com portes e alfândega.

Jogo com caixa, manual embutido na capa e registration card

Este Kickball era então, dos jogos de desporto daquele lote, o que me despertava maior curiosidade pois pela sua capa pensei que fosse um jogo de futebol meio maluco, ou um híbrido de jogo de futebol e do jogo do “mata”, que é muito popular no Japão também. Mas não, este é na sua essência um jogo de baseball, mas com elementos de futebol e do tal jogo do mata. Basicamente pensem que estão numa partida de baseball, mas em vez de o batedor usar um taco, usa os seus pés para pontapear a bola o mais longe possível. Para além disso, enquanto os jogadores da equipa que deu o pontapé se vão movimentando entre as bases, a equipa adversária, assim que tiver a bola em sua posse, pode atirá-la a “matar” para esses mesmos corredores, evitando que eles alcancem a base seguinte.

As equipas são completamente bizarras!

Basicamente podemos jogar partidas de um ou 2 jogadores, onde poderemos escolher uma de 7 equipas bastante bizarras. Para terem uma ideia, temos equipas de focas, polvos gigantes, lutadores de sumo, gajos bombados e carecas, entre outras personagens. Cada equipa tem um poder especial no momento de atirar a bola de forma a dificultar a vida a quem tiver de a pontapear. Por outro lado, quem estiver a pontapear também o poderá fazer com bastante força de tal forma que atordoe por breves momentos quem apanhar a bola a seguir, o que poderá facilitar a transição entre bases. Agora como fazer isso é que sinceramente nunca entendi, pois o google lens não foi de grande ajuda a traduzir o manual.

O jogo até que possui algumas animações bastante cómicas, o que assenta bem perante toda a bizarrice

Graficamente até que é um jogo colorido e bem detalhado. As personagens super bizarras também vão tendo algumas animações cómicas que resultam bem num jogo que aparenta ser sempre bem humorado. As músicas também são agradáveis, pena mesmo é que eu continuo sem entender muito bem o que tenho de fazer num jogo de baseball, e por muitos floreados que o jogo tenha, não deixa de ser um jogo de baseball na sua génese.

Dr. Robotnik’s Mean Bean Machine (Sega Game Gear)

Continuando pelas rapidinhas mas apontando agora as baterias para a Game Gear, vamos ficar com uma das iterações 8bit do reskin de Puyo Puyo com personagens do universo Sonic the Hedgehog, nomeadamente com as personagens de uma das séries de animações do ouriço que me lembro de dar na TV portuguesa nos anos 90. O meu exemplar veio parar à minha colecção através de um amigo meu já no final do mês passado de Fevereiro.

Cartucho solto

E Puyo Puyo é uma série de jogos puzzle onde teremos de juntar uma série de slimes coloridas (aqui neste jogo chamadas de feijões) que descem no ecrã aos pares e cada vez que consigamos juntar conjuntos de 4 ou mais puyos da mesma cor, estes desaparecem e fazem com que os puyos que eventualmente estivessem acima de si desçam, potenciando eventuais combos. Combos esses que darão muito jeito pois fazem com que mandemos “lixo” para o nosso oponente, que são na verdade puyos transparentes que apenas desaparecem caso algum conjunto de puyos que lhes sejam adjacentes desapareça também. Naturalmente o nosso oponente também poderá fazer o mesmo.

No modo história teremos todos estes opontentes para enfrentar

Esta versão da Game Gear possui dois modos de jogo distintos. O principal é o Scenario Mode onde iremos defrontar vários dos robots do Dr. Robotnik e que apareciam nessa série de animação, até que enfrentaremos o próprio Robotnik também. O segundo modo de jogo é um Puzzle Mode, que nos apresenta uma série de desafios onde o ecrã já se encontra parcialmente preenchido com alguns puyos e que teremos de ultrapassar no menor número de jogadas possível. Por exemplo, limpar o ecrã de todos os puyos de uma cor, conseguir obter uma série de combos, entre outros. No que diz respeito ao multiplayer, esta versão Game Gear tem um modo para dois jogadores que obriga ao uso de um cabo de ligação para duas Game Gears e que naturalmente não cheguei a experimentar.

A jogabilidade é simples, porém viciante e é dos jogos que se adequam perfeitamente a portáteis

Graficamente é naturalmente um jogo muito mais simples que a sua versão Mega Drive. Ainda assim, sendo um puzzle game não é necessário grande detalhe gráfico e a Game Gear sendo uma portátil a cores já representa uma boa vantagem em relação à Game Boy clássica onde os Puyos teriam de ser representados em diferentes tonalidades de cinzento. Já no que diz respeito às músicas, bom a banda sonora não é muito extensa e devo dizer que também não é das mais agradáveis.

Para além do modo história, o modo puzzle oferece-nos uma série de desafios adicionais

Portanto este Dr. Robotnik’s Mean Bean Machine para a Game Gear é um óptimo puzzle game para quem estiver cansado do Columns. A Game Gear, no Japão, ainda recebeu ainda mais uns quantos outros jogos Puyo Puyo que infelizmente nunca chegaram a sair no ocidente, o que é pena.