Hudson Hawk (ZX Spectrum)

Hudson HawkHoje é dia para mais uma rapidinha, agora para mais um dos jogos do velhinho ZX Spectrum que acabei por encontrar, numa da minhas idas à feira da Ladra em Lisboa, algures durante o mês de Maio. Este Hudson Hawk, assim como a esmagadora maioria dos videojogos desenvolvidos pela mítica Ocean, é mais uma adaptação de um filme, de mesmo nome do jogo, com a participação de Bruce Willis. Sinceramente não conhecia o filme de lado nenhum, mas ao preço que foi, tendo em conta que é um jogo 100% original e confiando na Ocean acabei por trazê-lo. Este exemplar ficou-me a menos de 2€.

Hudson Hawk - ZX Spectrum
Jogo completo com caixa, manual e saquinho protector da cassete.

Pelo que entendi rapidamente do IMDB e pelo que fui vendo ao longo do jogo também, o filme Hudson Hawk centra-se na personagem de mesmo nome, interpretada por Bruce Willis e que é um notório ladrão que tinha acabado de sair da prisão. Entretanto coisas acontecem e Hudson Hawk terá de fazer mais um importante assalto a um museu, para roubar o Da Vinci Codex, onde acabamos por nos envolver em teorias da conspiração, sociadades secretas e afins. O jogo, tal como muitos da Ocean dessa época, acaba por ser um jogo de plataformas. E como jogo de plataformas até que nem é mau de todo.

Apesar de simples, graficamente é um jogo que tira bom partido das poucas cores que o ZX Spectrum pode apresentar em simultâneo
Apesar de simples, graficamente é um jogo que tira bom partido das poucas cores que o ZX Spectrum pode apresentar em simultâneo

É um jogo de plataformas bem razoável, onde iremos atravessar diferentes locais, evitando alguns inimigos que por sua vez podem ser atacados ao atirar-lhes com umas bolas em cima. Existem também alguns elementos de puzzle, onde em algumas alturas teremos de arrastar caixas de um lado para o outro de forma a poder alacançar locais previamente inacessíveis. Existe uma barra de vida bem grandinha, o que acaba por ser algo generosa na quantidade de dano que podemos receber antes de perder uma vida, mas a mesma não é regenerada ao longo dos vários stages no mesmo nível, pelo que chega a uma altura em que teremos de ter mais algum cuidado adicional para não sofrer dano em demasia.

É certo que o ZX Spectrum 48K é um micro computador bem modesto tecnicamente, sendo impossível apresentar muitas cores em simultâneo no ecrã. No entanto a Ocean deu bem a volta à questão, com as poucas cores disponíveis a serem bem distribuídas nos cenários, resultando num jogo graficamente bem clean. Para os donos das variantes 128K poderão ouvir algumas chiptunes bem agradáveis.

Existem vários inimigos que teremos de defrontar, os mais chatos são uns que nos sobrevoam de balão
Existem vários inimigos que teremos de defrontar, os mais chatos são uns que nos sobrevoam de balão

No fim de contas, apesar do Hudson Hawk não ser um filme lá muito conhecido e o videojogo muito menos, acho que a Ocean fez um bom trabalho ao apresentar um videojogo de plataformas tecnicamente bem competente e com uma jogabilidade também aceitável.

NARC (ZX Spectrum)

NARC_FrontVamos lá a mais uma rapidinha, agora para mais um jogo de ZX Spectrum que cá veio parar à colecção. Na realidade tenho aqui 2 sacos cheios de tapes que ainda não cataloguei pois tenho de as filtrar. Enquanto isso não acontece, aproveito para escrever sobre a conversão deste NARC, um jogo incrivelmente violento nas arcades e cujo meu exemplar (100% original) foi encontrado na Feira da Vandoma do Porto há coisa de uns meses atrás por 2.5€.

Jogo original com caixa e manual
Jogo original com caixa e manual

O jogo originalmente lançado nas arcades pela mão da Williams, era um sidescroller bastante colorido e bem detalhado, onde encarnamos num agente especial da brigada de narcóticos, equipado com uma metralhadora com lança granadas, com a missão de fazer um street cleaning, aos gangues locais, onde vamos passando por vários ghettos, becos obscuros, casas com meninas da noite e até estufas de cultivo de cannabis. Aqui a moral da história sempre foi shoot first, ask questions later, apesar de ser possível prender os inimigos em vez de os arrebentar em pequenos pedaços com um tiro certeiro do rocket launcher incorporado.

Os polícias de capacete fazem lembrar de certa forma os assassinos mascarados de Hotline Miami
Os polícias de capacete fazem lembrar de certa forma os assassinos mascarados de Hotline Miami

E na sua essência, essas mecânicas de jogo foram também reproduzidas no velhinho ZX Spectrum, embora claro, sem todo aquele grafismo impressionante para a época. Aqui os níveis são monocromáticos e embora as coisas se tenham simplificado nos visuais, isso não impede que surjam imensos inimigos no ecrã ao mesmo tempo, mesmo bom para testar o nosso rocket launcher! E mesmo em visuais monocromáticos não deixa de apresentar gore quanto baste, ao vermos torsos e membros a voarem pelo ecrã juntamente com a explosão. Alguns inimigos são também bastante chatos, como os cães que por algum motivo são difíceis de atingir e uns bandidos que teimam em disparar para baixo, pois toparam o nosso esquema de andar agachados para esquivarmo-nos do fogo inimigo. De resto temos 12 níveis que se podem tornar algo repetitivos por estarmos a fazer sempre o mesmo, com uma excepção onde conduzimos um carro a certa altura.

O dinheiro, drogas que apanhamos e apreeensões que fazemos traduzem-se em mais pontos no final do nível
O dinheiro, drogas que apanhamos e apreeensões que fazemos traduzem-se em mais pontos no final do nível

Mas mesmo assim devo dizer que esperava algo ainda um pouco melhor, até porque este é um jogo desenvolvido a pensar no 128K, e a falta de música durante o jogo foi algo que desapontou (apenas a podemos ouvir no ecrã título). Para além disso é um daqueles jogos com multiload, pelo que se o estiverem a jogar no hardware verdadeiro contem com várias pausas para carregarem novamente no play de forma ao Spectrum carregar a memória com mais conteúdo.

 

Shadow of the Beast (ZX Spectrum)

Shadow of the BeastO artigo de hoje vai ser mais uma rapidinha a um jogo que sempre teve algum misticismo para mim. A primeira vez que joguei o Shadow of the Beast foi a versão Mega Drive e apesar de achar o jogo bem difícil, também havia ali um certo charme que sempre me chamou à atenção, no mundo que o jogo nos levava a visitar. Mas deixarei um artigo mais completo um dia que me venha parar às mãos essa mesma versão de Mega Drive ou, embora não tenha grandes planos de coleccionar Amiga, essa mesma versão original. Esta conversão para o ZX Spectrum é muito mais modesta mas ainda assim consegue capturar esse misticismo que o jogo deixou em mim. É uma bootleg do nosso mercado cinzento e custou-me uma bagatela, tendo sido comprada em bundle na feira da Ladra em Lisboa por 10€.

Shadow of the Beast - ZX Spectrum
Versão bootleg com instruções impressas no verso

A história por detrás deste jogo é estranha. Aliás, esta é daquelas obras em que se quisermos saber alguma coisa do que estamos para ali a fazer teríamos mesmo de ler o manual, mas como sendo uma bootleg esta não o tem, deixarei essa parte para o tal artigo futuro mais completo. Shadow of the Beast é então um side scroller em 2D, onde controlamos um estranho monstro que teremos de explorar um mundo sinistro e repleto de outros monstros hostis. É um jogo que tem também uma componente importante de exploração, onde seremos obrigados a procurar itens que nos desbloqueiem outras zonas a explorar, como cavernas subterrâneas, ou castelos cheios de perigos. Também temos de combater muitos inimigos que vão surgindo de vários pontos do ecrã, tanto da esquerda, como da direita, outros pelo ar e temos também de em certos pontos ter cuidado com espinhos de rocha que saem disparados do chão ou do tecto. Cada toquezinho que levamos faz com que se perca uma vida, mas felizmente, para quem tiver paciência e jogar com cuidado, poderemos encontrar muitas vidas que irão certamente dar uma ajuda. Até porque há um ou outro boss em que é quase impossível não sofrer dano.

screenshot
A decisão de apresentar este jogo em várias escalas monocromáticas pareceu-me acertada.

A versão original de Amiga era um portento técnico, apresentando gráficos bastante coloridos e com muitos níveis de paralaxe, o que lhe dava uma sensação incrível de profundidade. Naturalmente a versão Spectrum é muito mais modesta, e apenas reparei na paralaxe nos níveis exteriores, onde o sol se mantém na mesma posição, à medida que o restante background se move connosco. Como devem saber, a reduzida paleta de cores do Spectrum não lhe permite apresentar muitas cores ao mesmo tempo, pelo que a Gremlin decidiu optar por apresentar o jogo de uma forma monocromática, e mediante as zonas em que estamos, tudo é apresentado em escalas monocromáticas azuis, roxo, vermelho ou amarelo. Sinceramente prefiro assim do que misturas muito estranhas de cores que muitas vezes se vê nos jogos de Spectrum. Assim ao menos conseguiram apresentar sprites e backgrounds bem detalhados e sem grande poluição visual com cores a entrar em conflito umas com as outras. A música é agradável se o jogarem num 128K.

screenshot
No ecrã título ou noutros de transição entre áreas podemos ver alguma da artwork que sempre adorei neste jogo.

Assim sendo, acho esta versão do Shadow of the Beast bastante competente para o hardware do Spectrum, e fico bem ansioso por um dia encontrar a versão Mega Drive deste jogo… ou mesmo a versão Master System já me deixava um nadinha contente!

Treasure Island Dizzy (ZX Spectrum)

TreasureIslandDizzyMais uma rapidinha de ZX Spectrum, desta vez sobre o segundo jogo da saga Dizzy da Codemasters, o ovo andante que muito gosta de nos dar trabalho a carregar com objectos de um lado para o outro. Tal como o primeiro, a minha cópia é uma bootleg do nosso mercado cinzento e ficou-me muito barata pois veio num grande bundle que comprei por 10€ na feira da Ladra em Lisboa.

Treasure Island Dizzy - ZX Spectrum
Versão bootleg com caixa

Apesar do título do jogo referir uma ilha do tesouro e o mesmo realmente existir, o nosso objectivo principal é o de arranjar um barco para conseguirmos escapar dessa ilha e voltar aos nossos amigos, os Yolkfolk. Na verdade mesmo depois de conseguirmos escapar da ilha ainda teremos um entrave adicional, mas já o refiro mais à frente. As mecânicas de jogo na sua essência são similares: este é um jogo de plataformas onde a exploração é muito importante pois precisaremos de econtrar e carregar vários objectos que nos possam abrir caminhos para explorar outras áreas. Mas também mudaram muitas coisas face ao anterior. Apesar de haverem menos inimigos no ecrã, o jogo é mais difícil pois só temos uma única vida e basta o mínimo deslize para ir tudo por água abaixo. Outra das mudanças está no sistema de inventário. No primeiro jogo poderíamos apenas carregar com um objecto de cada vez. Nesta sequela temos um inventário de 3 slots, mas a sua implementação ainda é algo rudimentar.

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Pelo menos no que diz respeito à apresentação do jogo, a Code Masters fez um óptimo trabalho

Não podemos escolher qual dos slots utilizar, basicamente funciona como um buffer first in, first out, ou seja quando apanhamos 3 objectos e vamos apanhar o quarto, é sempre o que está no topo da lista que é largado. Para além de nos causar chatices desnecessárias com manutenção de inventário, também pode gerar um gameover injusto. Isto porque há algumas secções subaquáticas em que só conseguimos explorar se tivermos encontrado equipamento de mergulho. No entanto, se ao apanharmos os objectos que estão no fundo do mar e por algum motivo perdermos o equipamento de mergulho somos presenteados com um gameover. Por fim, o tal desafio final que temos de completar se quisermos completar o jogo consiste em procurar e coleccionar 30 moedas de ouro. No entanto muitas delas estão escondidas por detrás dos cenários, o que será uma chatice para as encontrar.

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Abaixo do título do jogo, nas 3 linhas de texto é-nos indicado quais os objectos que possuímos

A nível gráfico é um jogo bem colorido e detalhado, tendo em conta as grandes restrições do sistema. Muitos assets me parecem ser reaproveitados da aventura anterior, mas continua a ter boas animações dentro dos possíveis. E desta vez há também suporte à versão 128k do Spectrum, o que significa música bem mais agradável e até algumas vozes digitalizadas.

No fim de contas, este segundo Dizzy continua a não ser um mau jogo, apesar de ter algumas mudanças que não resultaram muito bem, mas que acabaram por ser melhoradas no futuro e fazem parte de um processo evolutivo. Para já não tenho mais nenhum Dizzy, o que é pena pois ainda existem uns quantos da série principal a terem saído no Spectrum.

Dizzy (ZX Spectrum)

Dizzy ZXais uma rapidinha, agora voltada para o mítico computador de Sir Clive Sinclair, o ZX Spectrum. Dizzy, ou Dizzy – The Ultimate Cartoon Adventure, foi o primeiro videojogo desta antiga mascote do estúdio britânico da Codemasters, mais precisamente da autoria dos “Oliver Twins”. É uma série que eu sempre tive alguma curiosidade em conhecer as suas raízes, em especial após eu ter jogado o único jogo da série existente na Mega Drive. Este meu exemplar, apesar de ser uma bootleg, foi extremamente barato, pois foi comprado em bundle com umas 40 outras cassetes por 10€, na Feira da Ladra em Lisboa.

Dizzy - ZX Spectrum
Jogo em versão bootleg com caixa

Dizzy é um pequeno ovo com uma cara, braços e pernas e que está constantemente à procura de novas aventuras. A sua primeira aventura consiste em derrotar um poderoso feiticeiro que atormentava um determinado reino, mas primeiro é preciso lá chegar, bem como coleccionar as ferramentas necessárias para o derrotar. É aqui que entram as mecânicas de jogo em acção! Se por um lado Dizzy é um jogo de plataformas onde teremos de ultrapassar uma série de obstáculos como saltar entre plataformas (quem diria??) ou esquivar de inimigos ou outros perigos, também teremos de procurar, carregar e utilizar diversos objectos que iremos encontrar. Por exemplo, para desbloquear caminho num sítio  precisamos de um certo item que encontramos na outra ponta do jogo. Ou para fazer uma certa poção num caldeirão mágico teremos de recolher uma série de ingredientes.

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Em cada ecrã temos uma mensagem que identifica “a sala” ou até nos dá algumas dicas

Isto faz com que tenhamos de percorrer os mesmos locais vezes sem conta, andando para trás e para a frente e carregar vários itens, que nem sempre saberemos muito bem para que servem e onde os utilizar. Mas “nos antigamentes” as coisas eram assim! E claro, como não poderia deixar de ser perdemos uma vida ao mínimo toque de algum inimigo ou outro obstáculo, como gotas de chuva. Começamos com apenas 3 vidas, mas felizmente poderemos ir encontrando algumas mais à medida que vamos explorando os cenários. Ainda assim, não deixa de ser um jogo difícil, juntando o facto de passarmos muito tempo de um lado para o outro sem saber ao certo o que usar onde, a menos claro que usemos um guia. Abençoada internet!

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Nesta primeira aventura do Dizzy apenas podemos carregar com um objecto de cada vez.

Graficamente é um jogo interessante, apesar das restrições de hardware inerentes ao ZX Spectrum, como a impossibilidade de apresentar muitas cores em ecrã em simultâneo. Ainda assim conseguiram criar um mundo bonitinho e detalhado dentro dos possíveis, mas também bastante variado entre si, com zonas na floresta, cemitérios, cavernas, castelos, lagos, entre outros. No que diz respeito à música, bom a mesma só existe no início e no final do jogo e achei-a muito má, até porque utiliza apenas as capacidades reduzidas da versão 48K do Spectrum. Mas gostei deste Dizzy! E pelo que joguei nesta primeira aventura e pela última da Mega Drive, parece-me utilizar sempre os mesmos conceitos chave de jogabilidade. A ver se arranjo os outros no futuro!