Tekken 3 (Sony Playstation)

Tekken 3Até ao Tekken 2, devo dizer que sempre preferi os Virtua Fighters da Sega Saturn. Mas a Namco com este Tekken 3 consegui inverter completamente a balança. Já a versão arcade deste jogo me parecia impressionante, e conseguiram fazer um excelente trabalho ao trazê-la para a consola, pois para além de tecnicamente ser um jogo excelente, a Namco deu-se ao trabalho de incorporar uma série de extras que os outros ports de arcade não costumam trazer. E este jogo lá deu entrada na minha colecção algures durante o ano passado, tendo sido comprado a um particular por algo em torno dos 5 ou 6€.

screenshot
Jogo com caixa e manual, versão platinum

Confesso que me cansa um pouco ter de escrever sobre a história de jogos de luta, pois para além de estar sempre repleta de clichés, no fim de contas acaba por não ser uma coisa a que demos assim muita importância. Mas muito resumidamente, após Heihachi ter vencido o torneio anterior e recuperado o controlo do seu poderosíssimo grupo empresarial, Heihachi tenta fazer um favor ao mundo e utiliza a sua riqueza para obter paz mundial. Meanwhile, Jun Kazama engraviou do filho de Heihachi, Kazuya Mishima, quando este estava possuído por um demónio. De Jun e Kazuya nasce Jin Kazama, a nova estrela da série Tekken que teve aqui a sua estreia. Entretanto após umas escavações arqueológicas algures no méxico, Heihachi descobre um ser bastante poderoso e tenta utilizá-lo novamente para tentar dominar o mundo. Fica assim aberto o novo torneio dos King of Iron Fist. O jogo decorre assim 19 anos após o jogo anterior, com todas as personagens conhecidas a aparentarem ser mais velhas.

screenshot
Jin é a nova coqueluche da série

A jogabilidade herda as mesmas mecânicas dos jogos anteriores da série, na medida em que cada botão facial representa um golpe de um membro (braço esquerdo ou direito e o mesmo para as pernas). A grande novidade está mesmo na inclusão do movimento de sidestepping que outrora era exclusivo de alguns movimentos especiais de algumas personagens, agora todos dispõem dessa habilidade, bastando carregar ligeiramente no direccional para cima ou baixo. Desta vez para além dos tradicionais modos de jogo como o arcade, versus e os outros modos de jogo vistos em Tekken 2, temos ainda mais 2 extras. Do Tekken 2 lá herdou o Practice onde podemos praticar os movimentos especiais de cada personagem, o survival onde teremos de sobreviver uma série de combates seguidos e o Time Attack, onde temos de vencer uma série de combates seguidos dentro de um certo limite de tempo e o Team Battle, onde podemos escolher uma equipa e lutar em combates 1 contra 1 até todos os lutadores adversários terem sido derrotados.

screenshot
Tekken sempre teve alguns lutadores para a parvalheira e este não é excepção

Os novos modos de jogo existentes nesta conversão são os Tekken Ball e Tekken Force. O primeiro é um mini-jogo algo parecido com o voleibol de praia e o jogo do “mata”. O objectivo para marcar pontos tanto pode ser ao atacar o adversário, ao atirar-lhe com a bola em cima, ou fazer com que a bola caia ao chão do lado do campo do adversário. Mais divertido que isto é o modo Tekken Force, que é nada mais nada menos que um pequeno tributo aos beat ‘em ups de outrora. Infelizmente é um jogo curto, com apenas 5 níveis bastante simples. No final de cada nível temos sempre um combate contra um boss, que vai sendo diferente mediante a personagem escolhida. No entanto, o boss final é sempre Heihachi. Estes 2 modos de jogo não são propriamente grande coisa por si só, mas não deixam de ser alternativas interessantes que a Namco deu-se ao trabalho de fazer. Nos jogos seguintes este Tekken Force ainda foi mais aprimorado, pois era um modo de jogo com muito potencial, mas isso será assunto para outra altura.

screenshot
Tekken Force, apesar de curto é uma homenagem aos beat ‘em ups de outrora

No campo audiovisual, Tekken 3 é excelente. Obviamente que tem menos eye-candy que a sua versão arcade, cuja corre num hardware mais poderoso, mas ainda assim não deixa de ser impressionante o detalhe que conseguiram manter nos lutadores na versão PS1. Já na altura quando via screenshots deste jogo em revistas ficava bastante impressionado, já ao vê-lo ao vivo e a cores era ainda melhor. Os lutadores têm bastantes polígonos e boas texturas e o mesmo pode ser dito dos cenários, embora os backgrounds não estejam tão bons como na versão arcade. As animações são também bastante fluídas e os golpes especiais estão repletos de efeitos especiais. Sinceramente em jogos de porrada em 3D prefiro o maior realismo de Virtua Fighter, mas não deixa de ser verdade que Tekken 3 é um jogo impressionante em todos os aspectos.

Até na música, que anteriormente achei bastante aborrecida, sempre com passagens electrónicas de mau gosto, desta vez eles esmeraram-se, apresentando uma banda sonora bem mais variada, e com algumas boas rockalhadas à mistura, como eu gosto. Para quem gosta das “electroniquices”, o género não foi esquecido e acho que neste jogo melhoraram bastante as composições também.

screenshot
A CG de abertura está muito boa e Yoshimitsu está cada vez mais estranho

Posto isto tudo, é impossível não recomendar o Tekken 3 como um dos melhores jogos da biblioteca da Playstation, pelo menos de tudo o que eu tenha jogado até agora. O jogo apresenta um lineup bem sólido de personagens, muitas desbloqueáveis como de costume, e bastantes modos de jogo que nos deixavam entretidos durante muito tempo. A série Tekken não se poderia ter despedido da Playstation original de uma maneira melhor.

Ninja Shadow of Darkness (Sony Playstation)

Ninja Shadow of DarknessEste jogo foi mais um daqueles que comprei como se estivesse em 1994, ou seja, completamente às cegas sem o conhecer de lado nenhum. Tinha uma vaga ideia de a capa do jogo me ser algo familiar, provavelmente vi nalguma revista ou catálogo da época, mas ao ver os nomes de Eidos e Core, resolvi arriscar e trazer este jogo para casa. Tal como muitos outros desde que me mudei para a zona de Lisboa, foi comprado na feira da Ladra, por uma quantia entre os 2 e os 3€ se a memória não me falha.

Ninja Shadow of Darkness - Sony Playstation
Jogo completo com caixa e manuais

A história do jogo é simples, duas facções distintas de lordes feudais japoneses andavam em guerra já há muitos anos, mas as suas forças eram bastante equilibradas e a guerra não chegou a lugar nenhum. Então lá decidiram assinar umas tréguas de forma a trazer a paz ao Japão novamente. Mas um desses lordes feudais, o espertinho lá do sítio, tenta tirar partido da situação, ao invocar demónios para lutarem ao lado dele. O plano saiu furado e os demónios invadiram por completo o Japão. O outro lorde lá envia o seu melhor ninja para resolver a situação e o resto não será difícil de adivinhar.

screenshot
Os níveis são consideravelmente longos e não é possível fazer save durante os mesmos. Felizmente existem vários checkpoints (o leque voador da figura)

O jogo mistura os conceitos de um beat ‘em up em 3D, com elementos de platforming. A jogabilidade é simples, mas a dificuldade é elevada. O jogo está dividido em vários níveis grandinhos e obriga-nos muitas vezes a derrotar todos os inimigos de forma a progredir, inimigos esses que teimam em nos cercar e atacar “aos magotes”. Como beat ‘em up, podemos executar algumas combos de pontapés e murros e temos também um ataque de longo alcance, onde podemos atirar kunais/shurikens. Mas voltando aos ataques melee, nos cestos que encontramos ao longo do jogo, ou nas lojas que visitamos entre cada nível, podemos encontrar/comprar outras armas (e demais powerups). Existem várias armas diferentes como katanas ou machados, sendo umas mais fortes que outras. Dos outros powerups disponíveis, para além de itens que restabelecem saúde, vidas e powerups de ataque, dispomos também de outros items especiais como as bombas ou ataques mágicos, bastante úteis em lutas contra bosses ou grupos de inimigos.

screenshot
O jogo vai tendo algumas cutscenes renderizadas em CG, que até têm boa qualidade

Como referi acima, estes itens podem ser comprados em lojas que visitamos no final de cada nível, onde também podemos fazer savegame, ou podem ser encontrados em cestos espalhados ao longo dos níveis. Este cestos podem também ter chaves necessárias para abrir portas de forma a que consigamos progredir no jogo, ou então podem também estar armadilhados, pelo que é sempre recomendada caução ao abri-los. Para além da vertente beat ‘em up, o jogo tem também um grande foco no platforming, onde temos também de nos esquivar das mais variadas armadilhas, como no Tomb Raider. Mas isto tem uma grande desvantagem face à câmara do jogo que passo a explicar: O jogo tem maioritariamente uma perspectiva isométrica com uma câmara que não podemos controlar. A câmara vai-se movimentando de forma simples, fazendo scroll em várias direcções à medida em que vamos avançando no caminho e vai mudando o ângulo mediante a complexidade do nível. Ora isto dificulta bastante o platforming, pois o ângulo muitas vezes não é o melhor. Quem jogou o Landstalker sabe do que falo.

screenshot
Se há coisa que não falta, são armadilhas para nos esquivarmos

Graficamente é um jogo minimamente competente. O jogo utiliza o mesmo motor gráfico visto nos Tomb Raiders, embora isso possa não ser imediatamente perceptível devido à câmara ser mais fixa e não ser possível de controlar. No entanto ao olhar com atenção dá para perceber algum clipping nos polígonos do chão e plataformas, todos eles blocos “quadrados”, tal como em Tomb Raider. Os cenários vão tendo alguma variedade, desde bosques, cavernas, fortalezas até chegar às profundezas da terra, onde a lava é um perigo constante. Não gostei muito do design tanto da personagem principal como dos próprios inimigos (excepto aqueles com trajes mais samurai ou ronin, esses gostei). Os efeitos sonoros também não são nada de especial e a música, apesar de ter alguma variedade, não é algo que fique na memória.

No fim de contas, este é um jogo que na minha opinião não envelheceu muito bem. Não propriamente pela dificuldade elevada, que muitos jogadores mais hardcore até possam apreciar, mas pela “linearidade” e simplicidade que nos acompanha ao longo de todo o jogo. É sempre “arroz”durante todo o jogo, não há grande variedade, e por isso não fica a vontade de lhe voltar a pegar. A Core já fez jogos muito melhores.

Final Fantasy VII (Sony Playstation)

Na passada PUSHSTART #40 tive o prazer de dar a minha opinião acerca do Final Fantasy VII, aquele que é muito provavelmente o JRPG mais mediático de todos os tempos. É um jogo que apesar de não ser perfeito, consigo perceber perfeitamente o porquê de ter tido tanto sucesso na crítica como pelos fãs. E só o joguei pela primeira vez de forma séria neste ano de 2014. O jogo entrou na minha colecção algures durante o ano de 2012, após ter sido comprado no ebay UK por uma quantia próxima dos 20€.

Jogo completo com caixa e manual

Podem ler a análise na íntegra aqui.

Tekken 2 (Sony Playstation)

Tekken 2 - PS1Da era das consolas 32bit, o que mais nostálgico me traz é sem dúvida as adaptações caseiras de vários jogos arcade em 3D, como Daytona USA, Virtua Fighter, Ridge Racer ou Time Crisis. E de facto nessa altura não haviam gigantes maiores das arcades que a Sega e a Namco. A Sega ia suportando a Saturn da maneira que podia com as suas conversões dos maiores hits, na Playstation era a Namco a grande referência do género. Tekken é o grande concorrente de Virtua Fighter no mercado dos jogos de pancadaria 1 contra 1 em 3D e Tekken 2 é uma boa evolução face à sua prequela. O jogo entrou na minha colecção algures no ano passado, tendo sido comprado a um particular por um valor não superior a 6€ salvo erro.

Tekken 2 - Sony Playstation
Jogo com caixa e manual, versão Platinum

A história é o cliché do costume nestes jogos de luta que ninguém leva a sério. Ou melhor, pelo menos eu certamente que não dou importância. Essencialmente Tekken 2 decorre na segunda edição do torneio King of the Iron Fist, onde se oferece um prémio de um trilião de dólares ao vencedor. Mas como a entidade organizadora é a Mishima Zaibatsu, uma poderosíssima empresa japonesa envolvida em imensas actividades ilícitas, é porque há marosca por detrás. E mais uma vez o grande conflito está entre Kazuya e o seu pai Heihachi Mishima, novamente a lutar pelo controlo da empresa. Os outros lutadores também vão tendo os seus próprios motivos para participar no evento e como sempre há bons e maus da fita. Mas no fim de contas o que interessa é andar à pancada e vencer todos os combates…

screenshot
Inicialmente estas são as personagens que podemos escolher

Este Tekken 2 é um jogo que traz bem mais conteúdo para além da versão arcade do que a sua prequela. Para além do modo arcade, temos também um Practice Mode cujo nome é auto-explanatório. Outros modos de jogo como o Survival, Team Battle, Time Attack ou o tradicional Versus para 2 jogadores também estão presentes, sendo actualmente modos de jogo frequentemente presentes nos jogos de luta, mas na altura deste Tekken 2 se calhar nem por isso. O Survival mode é o modo de sobrevivência, onde o jogador tem de sobreviver a combates seguidos, onde no final de cada combate a vida apenas se regenera um bocadinho. A ideia está em sobreviver o máximo de combates possível. Team Battle permite jogar em combates de equipas até 8 lutadores, com a vida de cada lutador a manter-se de round em round. Time Attack é semelhante à versão arcade, mas com um objectivo de se obter os melhores tempos possíveis.

screenshot
Apesar de o jogo ser em 3D, as arenas apresentam um background fixo

De resto a jogabilidade de Tekken mantém-se fiel a si mesma, com cada um dos 4 botões faciais a corresponder a um ataque de cada membro (pontapé esquerdo, direito e por aí fora). Claro que existem botões para bloqueio ou agarrar e atirar o adversário, conjungando-se em vários combos e golpes especiais como não poderia deixar de ser. Tal como no jogo anterior, existem imensos lutadores que podem ser desbloqueados. O boss final de cada lutador no modo arcade, é o Devil (Kazuya), mas antes disso lutamos sempre contra um sub-boss, geralmente rival directo da personagem em questão (Anna, rival de Nina ou Kunimitsu, rival de Yoshimitsu), sendo que desbloqueamos esse lutador no final. Desta vez, apesar de herdarem muitos golpes dos rivais, estes bosses têm também alguns golpes especiais próprios. Para além desses sub-bosses ainda existem mais uns quantos lutadores especiais que podemos desbloquear, pelo que pelo menos no quesito “extras”, o Tekken 2 é uma boa aposta.

Tal como Virtua Fighter 2 o foi para a Sega Saturn, este Tekken 2 é um jogo que é uma boa evolução gráfica do seu antecessor. O jogo continua com arenas com backgrounds fixos, ao contrário dos Virtua Fighter nas Arcades, que tiravam o melhor partido possível das placas Model da Sega. Os lutadores de Tekken 2 estão bem melhor detalhados que no primeiro jogo, embora no geral acho que Virtua  Fighter 2 é um jogo muito mais bem conseguido, quer no aspecto gráfico em bruto, quer na própria estética no geral. As músicas também são no seu geral músicas mais electrónicas, sempre com uma toada “dance music” que sinceramente não me agrada. Já não me agradou no Tekken original, neste a Namco decidiu ir pelo mesmo caminho. Óbvio que as músicas do jogo não são todas assim, há algumas com influências mais tradicionais, mas eu prefiro de longe as bandas sonoras mais rockeiras que a Sega sempre fez muito bem.

screenshot
Antes de conhecer melhor a série, sempre achei que o Heihachi fosse dos bons da fita

Sinceramente prefiro Virtua Fighter a Tekken. Para além de a jogabilidade ser mais complexa e difícil de “masterizar“, mesmo as próprias personagens me parecem muito mais realistas e credíveis. Ainda assim, acho Tekken um rival de peso e pelo menos em conteúdo extra e segredos, é um jogo muito mais completo que Virtua Fighter. A Sega lançou um Virtua Fighter Kids, que era essencialmente um Virtua Fighter 2 com as personagens representadas no estilo “super deformed”, com aquelas mega-cabeçorras. Tekken 2 tem um cheat code que torna qualquer lutador nessa forma, e tem ainda um outro que torna o nosso lutador num aglomerado de vectores, essencialmente o modelo poligonal sem qualquer preenchimento. Tekken 2 é assim um jogo bem mais completo, mas pessoalmente achei o Tekken 3 algo ainda bem mais impressionante para a máquina 32bit da Sony.

Medal of Honor Underground (Sony Playstation)

Medal of Honor UndergroundO Medal of Honor original, também lançado para a PS1 foi uma lufada de ar fresco nos FPS por alturas em que saiu, atingindo assim um sucesso considerável para que no ano seguinte este MoH Underground acabasse por sair para o mercado, bem como no futuro ainda despoletou uma nova “moda” de shooters sobre a 2a Guerra Mundial, incluindo a série Call of Duty, ou o actual FIFA/PES Militar como lhe gosto de chamar. Tal como Medal of Honor, este MoH Underground também entrou na minha colecção após ter sido comprado ao Mike do blog Gamechest (vão ali aos links na parte direita!) por 2.5€. Apesar de ser a versão platinum, que não levo a mal na PS1, está completo e em bom estado.

Medal of Honor Underground - Sony Playstation
Jogo completo com caixa e manual, versão platinum.

O jogo anterior colocava Jimmy Patterson, como agente da OSS a lutar pelos aliados em diversas missões de infiltramento e sabotagem ao longo de vários teatros de guerra na europa. Antes de cada nível, recebíamos um ligeiro briefing de uma tal Manon Batiste, membro da Resistência Francesa e também da OSS. E é essa Manon Batiste com que jogamos este jogo, onde mais uma vez teremos várias missões de sabotagem por essa europa fora (e Norte de África também), culminando na liberação de Paris, repleta de confrontos “rua a rua”. No final do jogo, ainda podemos jogar uma missão bónus composta por 3 níveis, em que voltamos a encarnar no Jimmy Patterson. Essa missão é completamente hilariante e não tem nada a ver com qualquer evento histórico, sendo talvez uma sátira ao clássico Wolfenstein 3D. Aí temos de investigar um antigo castelo no meio das florestas alemãs que serviu de base para um cientista nazi realizar as suas experiências. Já estão a ver no que isto vai dar, não estão? O resultado é hilariante, com cães dançantes, outros equipados com metralhadoras ou a conduzir half-tracks, soldados zombies, mecânicos ou mesmo armaduras medievais animadas.

screenshot
As velhas catacumbas que serviam de base para a resistência francesa são um dos primeiros cenários que exploramos

Os controlos são os mesmos do jogo anterior, onde temos um esquema por defeito algo arcaico, mas é possível optar entre vários outros esquemas de controlo que melhor se adequam aos shooters modernos nas consolas. O jogo continua também sem uma mira, a menos que apertemos o botão para mirar. Aí surge uma mira no centro do ecrã, que por sua vez fica estático, e apenas podemos mover a mira livremente. Isto não é um aiming down the sights, e este esquema para ter maior precisão apesar de ser mais realista, o facto de termos de estar estáticos não é uma vantagem. De resto, a nível de novidades temos o facto de podermos utilizar alguns veículos, uma das missões andamos num sidecar de uma moto, onde podemos disparar uma metralhadora pesada com munição infinita, por outro lado nalgumas missões de infiltração e sabotagem temos mais uma vez de utilizar artimanhas para passar despercebidos. No jogo anterior tinhamos de nos apropriar das id’s de alguns oficiais nazis, desta vez Manon assume o papel de uma repórter de guerra alemã, equipada com uma máquina fotográfica que podemos até utilizar para fotografar nazis em poses estúpidas.

screenshot
A máquina fotográfica é aqui utilizada como ferramenta de infiltração e para tira fotos a nazis em fotos idiotas.

Visualmente é um jogo bem competente tal como a prequela. Os cenários são bastante variados, com a aventura a começar por catacumbas francesas, passando pelo norte de áfrica, grécia e os seus monumentos históricos, o monte Cassino em Itália, instalações de produção de mísseis V1, ou o regresso a Paris para a sua Liberação, onde locais como o Moulain Rouge podem ser observados. O detalhe gráfico é óptimo tendo em conta o hardware da Playstation. No entanto, como utiliza o mesmo motor gráfico do seu antecessor, o jogo herda também os seus defeitos. A draw distance em locais mais abertos pode ser traiçoeira, pois numa questão de passos deixamos de ver inimigos, mas eles nem por isso deixam de nos ver, e apesar de me ter parecido melhor neste aspecto, ainda presenciei alguns problemas de clipping que sinceramente não me incomodam assim tanto, eram coisas banais na era dos 32-bits. A inteligência artificial mais uma vez tem os seus altos e baixos, com os inimigos capazes de nos emboscar em algumas situações, noutras apenas correm para nós, noutras ainda mais bizarras ficam a correr em círculos sem sequer disparar.

screenshot
Exemplo de algum do artwork que podemos desbloquear

Mas o trabalho de audio está mais uma vez de parabéns. Já o jogo anterior tinha excelente voice-acting para a época, os efeitos sonoros também muito bons e a banda sonora épica foi algo bem cinemático, novidades bem agradáveis para a altura. Esta sequela mantém o mesmo padrão de qualidade em todos esses campos. Para além da música e dos efeitos sonoros das armas, o ruído de fundo em vários níveis está também muito bem implementado.

screenshot
Podemos desbloquear algumas personagens invulgares para o Multiplayer

De resto, fica apenas faltar mencionar o modo multiplayer existente neste jogo e os extras que podemos desbloquear. Falando do primeiro, este consiste num deathmatch para 2 jogadores em split-screen, onde dispomos de vários níveis para jogar e algumas opções para customizar, a sua maioria limites de tempo. Em relação aos extras, para além de desbloquear a missão secreta com Jimmy Patterson, podemos desbloquear vários cheat codes, personagens extra para o multiplayer e material do making-of do jogo, nomeadamente artwork. Também podemos rever os clips de vídeo utilizados no jogo, com várias cenas de documentários da 2a Guerra Mundial.

Assim sendo, Medal of Honor Underground é um óptimo jogo tendo em conta o hardware da PS1. O original foi excelente e revolucionário, este utiliza a mesma fórmula, introduzindo apenas uma ou outra novidade. Mas não deixa de ser um óptimo FPS no catálogo da PS1.