Grand Theft Auto 2 (Sony Playstation)

GTA2Tempo para mais uma rapidinha a um jogo que continua a ser bastante divertido, mas sinceramente me decepcionou um pouco num ou noutro ponto. O Grand Theft Auto original era presença obrigatória no PC de toda a gente e passávamos imensas tardes só a criar o caos na cidade, as missões sempre ficavam para segundo plano. Mas hoje em dia, com o backlog gigantesco que tenho, acabo sempre por dar mais importância à história dos jogos mesmo que sejam sandbox, e infelizmente o GTA2 não traz grandes melhorias nesse ponto. Este meu exemplar veio da Cash Converters de Alfragide já há uns bons meses atrás. Não sei quanto me custou, mas não terá sido mais de 3€.

Grand Theft Auto 2 - Sony Playstation
Jogo com caixa, manual e mapa

GTA2 utiliza a mesma fórmula base que o primeiro jogo e o GTA London introduziram: temos uma (ou mais) cidades para explorar livremente numa perspectiva vista de cima onde podemos fazer tudo e mais alguma coisa com os veículos e pessoas que por lá vão passeando. Ao fazer asneiras também ficamos com a polícia à perna, cujo conflito pode vir a ser escalado por mais asneiras que continuamos a fazer. Isto até levarmos o nosso carro a uma oficina onde lhe mudam a pintura e aí já fica tudo bem. Para além dessa liberdade temos uma série de missões a cumprir para um ou mais gangues, desde silenciar certas pessoas, transportar bens ilícitos, roubar alguns carros especiais, raptos, entre outras tarefas não muito dignas de um moço de recados. A diferença é que neste GTA2 temos apenas uma única cidade para explorar (se bem que dividida em 3 áreas distintas) e em cada uma dessas áreas temos 3 gangues rivais, onde vamos acabar por fazer missões para os três. Para isso incutiram um sistema de “respeito”. Apenas quando um gang nos respeita minimamente é que nos deixam fazer missões para eles. Como ganhar respeito? Bom, basta matar uns quantos membros dos gangues rivais!

Desta vez para salvar o jogo basta dirigir-nos a uma igreja e ter 50000$ no bolso!
Desta vez para salvar o jogo basta dirigir-nos a uma igreja e ter 50000$ no bolso!

E ao longo do jogo vamos fazendo sempre essa dança de gangue em gangue caso queiramos fazer todas as missões, o que não faz muito sentido, pois para sermos elegíveis a fazer as missões do gangue A, temos de matar vários membros do gangue B, mas depois para fazer missões do gangue B basta matar membros do gangue C, a nossa reputação em infernizar a vida desses bandidos quando trabalhávamos para o gangue anterior parece que não importa para nada. E esta lógica ainda se agrava mais sendo que o gangue Zaibatsu está presente nas 3 diferentes áreas da cidade. Mas isto sou eu a complicar demasiado as coisas, um videojogo não é suposto ter lógica, este em particular está repleto de humor negro e há missões bem divertidas, como usar um camião de bombeiros que na verdade tem um lança chamas acoplado em vez de um canhão de água. E os gangues no geral são bastante originais, incluindo um de rednecks, outro de esquizofrénicos, cientistas malucos,  religiosos hindus ou até “comunistas” pró-soviéticos com direito a uma fábrica de hot dogs com carne de origem duvidosa.

Tal como no original, as missões são dadas ao atender telefones públicos. Mas só as podemos fazer se tivermos "respeito" suficiente pelo gangue em questão
Tal como no original, as missões são dadas ao atender telefones públicos. Mas só as podemos fazer se tivermos “respeito” suficiente pelo gangue em questão

O problema é que isto acaba por inviabilizar um pouco uma narrativa mais séria como a que a Rockstar passou a adoptar nos seus jogos. É claro que não estava à espera de uma narrativa à lá L.A. Noire, até porque mesmo nos GTAs que se seguiram sempre houve um pouco de bom humor, mas esperava que já houvesse alguma narrativa que conduzisse uma história com princípio e fim. Até porque o jogo começa logo com uma cutscene em full motion vídeo, repleta de acção e perseguições policiais, mas já o final… bom, é melhor não dizer nada.

De resto, para quem jogou o GTA original a jogabilidade mantém-se muito idêntica. É verdade que prefiro a versão PC a esta da Playstation devido aos controlos, mas talvez seja só uma questão de hábito. Continuamos a ter imensos veículos para conduzir, desde pequenos “mata-velhos” até tanques de guerra e as armas também são ainda mais variadas. Os conflitos policiais podem agora ser escalados de tal forma que temos carrinhas SWAT, agentes federais especiais ou até o exército norte-americano atrás de nós com tanques e soldados fortemente armados. Podemos também equipar os nossos carros com armadilhas como soltar óleo na estrada para despistar os polícias ou mesmo equipar metralhadoras. É uma novidade interessante, mas dado à fragilidade dos carros não me pareceu que compensasse muito. O conceito dos diferentes gangues também acrescenta algumas novas possibilidades, pois mediante as nossas relações com cada grupo, eles podem ser inofensivos e até ajudarem-nos nos confrontos com as forças da Lei, ou por outro lado também nos podem atacar. Outros extras como os Kill Frenzy ou mesmo algumas missões bónus também existem nesta sequela e aqui é possível fazer save game a qualquer momento, bastando para isso procurar uma igreja que costuma estar em território neutro no mapa e ter pelo menos 50000 dólares na nossa conta. É melhor que não haver save nenhum, e excepto as missões finais de cada capítulo, estas também as podemos repetir caso as falhemos à primeira.

Para nos auxiliar, existem vários marcadores com a direcção que devemos seguir. Se não estivermos com nenhuma missão de momento, os apontadores indicam a localização de telefones dos diferentes gangues.
Para nos auxiliar, existem vários marcadores com a direcção que devemos seguir. Se não estivermos com nenhuma missão de momento, os apontadores indicam a localização de telefones dos diferentes gangues.

A nível gráfico não é um jogo assim tão diferente do primeiro no aspecto, embora já usem polígonos em 3D para representar a cidade, as sprites estão um pouco mais detalhadas e existem alguns efeitos de luzes que são melhores notados caso estejamos a jogar a versão PC, onde podemos jogar durante a noite. Creio que a versão Dreamcast também permite jogar à noite, mas aqui na Playstation joga-se sempre de dia, o que a meu ver até dá outro brilho ao jogo, pois durante a noite as coisas ficam muito iguais. A banda sonora continua excelente, com cada carro a tocar diferentes músicas ou diálogos nos seus rádios, consoante a estação sintonizada. A música varia do country, jazz, pop, rock, electrónica e até gospel, mas o que mais piada achei foram precisamente naqueles pequenos detalhes nos diálogos das rádios patrocinadas pelos gangues: o sotaque sulista da rádio dos rednecks a falarem de bounties em prisioneiros que se escaparam da prisão, as dificuldades técnicas dos soviéticos em transmitir, ou bizarrices em japonês na rádio patrocinada pelos Yakuza.

O nível máximo de alerta aumenta consoante o nosso progresso no jogo. Na ultima área, até o exército pode ser chamado. E vai ser, mesmo se jogarmos as missões direitinhas
O nível máximo de alerta aumenta consoante o nosso progresso no jogo. Na ultima área, até o exército pode ser chamado. E vai ser, mesmo se jogarmos as missões direitinhas

Em suma, este é um bom jogo para quem gostou do GTA original, na medida em que podemos continuar a causar o caos na cidade da mesma forma, simplesmente temos mais armas e veículos à nossa disposição para o fazer. Para quem quiser jogar de uma forma mais séria, cumprindo as várias missões da campanha, não gostei muito da introdução de gangues rivais, pelo menos não desta forma. Estava à espera que houvesse uma narrativa mais forte neste jogo, o que não aconteceu e seria difícil fazê-lo visto que podemos ir saltando de gangue em gangue à nossa vontade. Fora isso, continua a ser um jogo bem divertido e com um toque de humor negro como a Rockstar bem o sabe fazer.

Final Fantasy IX (Sony Playstation)

Final Fantasy IXÉ inegável que os Final Fantasy da era PS1 sejam clássicos importantíssimos dentro do género dos JRPGs, quanto mais não seja por popularizarem definitivamente o género por terras ocidentais, especialmente as europeias já que antes do Final Fantasy VII poucos JRPGs recebíamos. E apesar de não ter jogado nenhum desses 3 jogos na altura em que sairam, não acho que o Final Fantasy VII seja um jogo assim tão bom (embora compreenda perfeitamente o porquê de ter recebido tanto sucesso) e o Final Fantasy VIII, apesar de possuir gráficos excelentes, tem uma história com personagens ainda mais lamechas, algo que também não me agradou nada. Estava um pouco reticente a começar finalmente o Final Fantasy IX, mas felizmente este já se revelou uma belíssima surpresa. Este meu exemplar foi comprado num de dois negócios que agora a memória já não me recorda. Ou foi na Feira da Vandoma ou na Feira da Ladra em Lisboa, pois houve tanto num local como no outro já comprei bundles de jogos PS1 em estado impecáveis e dos quais vieram 1 ou mais Final Fantasies. Tanto num caso como no outro os jogos ficaram a cerca de 4€.

Final Fantasy IX - Sony Playstation
Jogo completo com caixa, manual e 4 discos

O herói principal desta aventura é Zidane (não, não é o jogador de futebol), um jovem com uma misteriosa cauda que pertencia ao grupo de teatro Tantalus. Mas os Tantalus não eram um grupo de teatro normal, eram também ladrões nas horas vagas e o jogo começa precisamente com o grupo a preparar-se para uma cerimónia muito peculiar, no reino de Alexandria. Ali, a jovem princesa Garnet celebrava os seus 16 anos, sem saber que estava prestes a ser raptada pelo grupo de Tantalus. A primeira parte do jogo é passada precisamente com o grupo a escapar-se de Alexandria, algo que ganhou contornos épicos! Depois lá nos apercebemos que a princesa Garnet há muito que se queria escapar de Alexandria pois a sua mãe, rainha de Alexandria, estava a ficar cada vez mais estranha e com comportamentos agressivos. Eventualmente chegamos ao reino vizinho de Lindblum, encontramos um Cid muito peculiar e as coisas acabam por escalar de tal forma que é despoletada uma guerra entre várias nações, com as coisas a escalar ainda mais ao longo do jogo. Não me vou alongar mais nisto, mas devo dizer que gostei muito mais da história deste Final Fantasy que a dos seus 2 antecessores para esta consola.

A rainha Brahne. Com uma cara destas, como é que ninguém suspeitava que estaria a tramar alguma coisa?
A rainha Brahne. Com uma cara destas, como é que ninguém suspeitava que estaria a tramar alguma coisa?

As mecânicas de jogo permanecem algo parecidas à de outros Final Fantasy, com as batalhas a serem aleatórias e uma vez mais por turnos, com cada turno a ser ditado por uma barra de tempo individual para cada personagem em batalha. Aí, quando essa barra é preenchida é que poderemos escolher as acções, como atacar, defender, fugir, usar magias ou outras skills, etc. Aqui temos também o “Trance Mode” que nos permite desencadear ataques poderosíssimos, um pouco à semelhança dos Limit Breaks do FF VII. De resto, este acaba por ser um jogo bem mais parecido aos Final Fantasy clássicos, na medida em que por exemplo o conceito de classes é uma vez mais reintroduzido. No Final Fantasy VII a introdução das materia dava-nos liberdade para customizar livremente as skills de todas as personagens, deixando-as algo genéricas no que nas batalhas diz respeito. Aqui já sabemos que Vivi é um Black Mage e por conseguinte tem maior aptidão para a magia do que ataques físicos, Eiko é uma summoner e Steiner é um cavaleiro que pode equipar espadas. Aqui a novidade está nas abilidades que podem ser usadas quando equipamos uma certa arma ou armadura. Estas, ao fim de alguns combates acabam por ser aprendidas definitivamente, podendo ser usadas mesmo que deixamos de usar esse item.

Mais uma referência aos Final Fantasy clássicos, esta vestimenta temporária de Garnet
Mais uma referência aos Final Fantasy clássicos, esta vestimenta temporária de Garnet

Depois temos também um outro mini-jogo de cartas chamado Tetra Master, que também achei interessante e que, em conjunto com outras side quests ou outros eventos interessantes como a casa de leilões de Treno nos vão consumir muito do nosso tempo para além dos eventos da história principal. Para além disso, foi ainda introduzida uma nova mecânica de jogo que a meu ver resulta bem para a narrativa, os Active Time Events. Quando estamos a explorar livremente localidades como cidades ou aldeias e a nossa party se encontra dispersa, por vezes recebemos este pop-up no ecrã que algures está a acontecer algo com outras personagens do jogo, e temos a possibilidade de espreitar esses acontecimentos.

Se me perguntarem qual a minha personagem preferida neste jogo... é claro que é o Steiner, ou Rusty como por vezes é chamado
Se me perguntarem qual a minha personagem preferida neste jogo… é claro que é o Steiner, ou Rusty como por vezes é chamado

Mas não é só nas mecânicas de jogo que este Final Fantasy IX pisca o olho aos clássicos. Também nos seus visuais, que abandonaram o setting futurista dos dois predecessores e retornam a um ambiente practicamente medieval, com os seus castelos, cavaleiros e navios voadores – claro que tinha de haver elementos fantasiosos, não? E claro, o visual do Vivi e respectivos Black Mages que é idêntico aos mesmos do primeiro Final Fantasy, com a sua vestimenta azul, um chapéu pontiagudo e uns olhos amarelos brilhantes na sua cara negra e escondida. Para além disso, e isto foi decisivamente a coisa que mais me agradou, é que a narrativa não é tão dramática, com personagens lamechas como era o Cloud e o Squall. Aqui o Zidane é um pequeno traquinas bem disposto e destimido e todas as personagens têm um charme muito próprio que me agradou bastante. Só a troca de galhardetes entre Zidane e o Steiner em grande parte do jogo já me tinha rendido a este Final Fantasy.

Mais um momento de boa disposição e notem como os gráficos são bem bonitos para uma máquina de 1995.
Mais um momento de boa disposição e notem como os gráficos são bem bonitos para uma máquina de 1995.

De resto a nível de audiovisuais estamos certamente perante um jogo que puxa a Playstation aos seus limites. As cidades continuam a ser cenários pré-renderizados, é verdade, mas não deixam de ser belíssimas e com um traço bem distinto. Mas passando para as batalhas que já usam gráficos completamente em 3D, aí vemos as personagens e monstros muito bem detalhados e claro, os golpes especiais e magias cheias de efeitos coloridos e brilhantes. E claro, não fosse este um Final Fantasy, o que não faltam são cutscenes em CGI. Estas estão ainda mais bem detalhadas e em maior número, o que também justifica o facto de o jogo possuir 4 CDs. As músicas são também bastante variadas e bem cativantes, desde melodias mais folk quando visitamos locais mais rurais, a outras mais épicas quando necessário. Mais uma categoria que este jogo marca pontos!

Como não poderia deixar de ser, o que não faltam são belíssimas cutscenes em CGI
Como não poderia deixar de ser, o que não faltam são belíssimas cutscenes em CGI

É então por todas estas razões que para mim o Final Fantasy IX é facilmente o melhor dos 3 jogos clássicos desta série na Playstation 1. A nível de história propriamente dita para já ainda nenhum bate a do Final Fantasy VI, mas até agora devo dizer que este jogo como um todo está certamente nos tops. Mas atenção que ainda não joguei nenhum outro Final Fantasy mais recente que este da série principal, se bem que pelo menos dado à sua fama por essas internetes, não estou à espera que os Final Fantasy X em diante sejam assim tão bons. Mas veremos!

Battle Arena Toshinden (Sony Playstation)

Battle Arena ToshindenSe tudo correr bem, amanhã, dia de Natal, conseguirei publicar aqui um artigo mais trabalhado. Hoje é tempo de mais uma rapidinha, antes da ceia de Natal que se prepara na sala ao lado. E o jogo que cá vos trago é o Battle Arena Toshinden da Playstation, um dos primeiros jogos de luta em 3D, a par de outras séries como Virtua Fighter ou Tekken. Esta é a conversão original das arcades e um dos primeiros lançamentos da máquina de 32bit rival da Sega, que mais tarde viria a receber uma conversão/remake na Sega Saturn, intitulada de Battle Arena Toshinden Remix. Este meu exemplar foi comprado na cash converters de Alfragide por 2.5€ se a memória não me falha. É a versão Platinum.

Jogo em caixa, na sua versão platinum. Gosto bastante desta artwork!
Jogo em caixa, na sua versão platinum. Gosto bastante desta artwork!

A série Battle Arena Toshinden desde cedo se demarcou de Virtua Fighter ou Tekken pelo facto de ser baseada em lutas com armas brancas, à semelhança de Last Bronx ou do que viria a ser a série Soul Blade/Calibur. Para além disso, de forma a tirar algum partido do facto de ser um jogo tridimensional, para além dos habituais golpes e especiais que é habitual ver em jogos de luta, temos também a possibilidade de dar alguns passos laterais de forma a que nos consigamos esquivar dos ataques do adversário. Isso é feito através dos botões de cabeceira L/R.

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A versão PS1 é graficamente superior ao “remake” da Saturn. Olhem estas transparências!

Agora, entre esta e a versão Saturn, ambas têm as suas vantagens e desvantagens. A vantagem da versão Saturn é o facto de ter uma personagem extra e um modo história mais completo, com direito a algumas cutscenes entre batalhas, que nos vão dando mais informações das relações que cada lutador tem entre si, algo que nestes jogos acaba sempre por ser deixado um pouco de lado durante o jogo em si, apesar se espreitarmos o manual de instruções e ler a biografia de cada lutador se veja que cada um tem os seus motivos para estar ali e geralmente têm relações fortes com mais um ou outro oponente, por vários motivos. A vantagem da versão Playstation é mesmo a componente gráfica que acaba por ser mais fiel à versão arcade. Todos sabemos que a Saturn é um sistema polémico no que diz respeito à sua arquitectura de hardware e às suas capacidades para o 3D, mas a verdade é que em muitos jogos se notam realmente diferenças entre ambas as versões. Aqui a versão Playstation possui os backgrounds em 3D real, ao contrário da versão Saturn que como background tem uma imagem estática. Os efeitos especiais de transparências e luzes são também muito melhores na versão Playstation. Isso é facilmente denotado ao observar o vestido transparente da Ellis.

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Como habitual, temos também uma série de golpes especiais para aprender, incluindo os Desperation Moves que apenas se podem executar quando estamos mesmo “a soro”

No fim de contas, esta é uma série que para mim não tem o mesmo charme de Virtua Fighter. Também não sou o maior fã das personagens do Tekken, mas ainda assim acabo também por preferir essa série da Namco. De qualquer das formas, mesmo não tendo o mesmo carisma que as 2 séries acima mencionadas, não deixa de ser um bom jogo, capaz de entreter qualquer fã de jogos de luta em 3D. E foi uma série que gerou 3 sequelas na mesma plataforma, pelo que impõe também algum respeito.

Dracula 2: The Last Sanctuary (PC / Sony Playstation)

Dracula 2Hoje teremos direito a um artigo sobre um jogo que possuo em dois sistemas diferentes. Dracula 2: The Last Sanctuary é uma aventura gráfica na primeira pessoa que, tal como o primeiro jogo também aqui analisado tanto para PC como Playstation, continua a saga do romance de Bram Stoker sobre o príncipe das trevas mais famoso do mundo do entretenimento. Tal como o primeiro jogo, este também teve um lançamento inteiramente em português, onde se traduziu tudo, incluindo o voice acting. Felizmente que desta vez arranjei a versão inglesa. A versão PC deu entrada na minha conta steam há coisa de um ou 2 anos, através de algum bundle. A versão PS1 veio de umas trocas e vendas que fiz com um particular há coisa de um mês atrás.

Dracula 2 The Last Sanctuary - Sony Playstation
Jogo com dois discos, caixa e manual

E tal como o seu predecessor, este é também uma jogo de aventura gráfica point and click, jogado na primeira pessoa. A acção decorre logo após recordarmos os acontecimentos finais do último jogo, onde Jonathan regressa a Londres para defrontar Dracula de uma vez por todas. E após passarmos algum tempo em Londres em busca de Drácula, ao visitar a sua propriedade em Carfax Abbey, ou o asilo do Dr. Seward, coisas acontecem e teremos de voltar uma vez mais à transsilvânia para resgatar a nossa noiva/esposa Mina uma vez mais.

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Mais uma vez acaba por ser Mina a ficar no centro das atenções

A nível de mecânicas de jogo há muita coisa que se mantém idêntica à prequela e a muitos outros jogos do mesmo género em que a Cryo Interactive tenha acabado por lhes deitar as mãos. Jogamos numa perspectiva de primeira pessoa em que o movimento é dado com cliques do rato, transitando numa série de ecrãs estáticos, mas que os podemos explorar livremente em practicamente 360º. O resto é o típico de jogos point and click onde a exploração dos cenários, interacção com objectos, pessoas e resolução de alguns puzzles são o prato do dia. Ao explorar os cenários, o nosso cursor do rato vai mudando de figura. Se for uma seta, quer dizer que podemos avançar nessa direcção. Se for uma mão, podemos apanhar esse objecto, se for uma roda dentada, então teremos de procurar no nosso inventário por um objecto para colocar nesse local. Se escolhermos o objecto certo, o cursor ganha contornos verdes, caso contrário fica vermelho. Comandos simples e só pelo facto de termos uma pista visual se certo item serve para aquela posição ou não, já é uma ajuda. Mas há aqui algumas novidades também, sendo que a maior a meu ver são aqueles momentos onde de facto temos a vida em risco ao ser atacados por criaturas ou armadilhas e vemos no ecrã uma barra a esvaziar-se com o tempo. Pois, esse é o tempo que temos para nos safar, seja a interagir com alguns objectos para criar armadilhas a quem nos persegue, ou até sacar um revólver do nosso inventário e dispará-lo quase como se fosse um first person shooter.

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Parece um first person shooter mas não é!

Em relação a pormenores técnicos, felizmente nem a versão PS1 nem a PC que eu possuo foram integralmente traduzidas para português. Digo isto pois já na altura quando comprei o primeiro Dracula, sabia perfeitamente que os diálogos seriam completamente falados em português, mas tinha uma certa curiosidade mórbida em ver como foi feito esse trabalho de tradução, que naquela época ainda não era nada habitual. Mas felizmente desta vez veio tudo com o voice acting em inglês que, apesar de não ser nada por aí além, sempre é tolerável. Graficamente é um jogo com gráficos pré-renderizados, onde é a versão PC que leva a melhor pois apresenta-os com uma resolução maior. Mas é a arte e design das personagens, aliados a uns diálogos não lá muito convincentes que me retiram alguma da piada ao jogo, pois apesar de o mesmo até ter uns gráficos bonitinhos para a altura, não achei que fizessem justiça à malvadez de Drácula e suas concubinas.

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O inventário é semelhante ao do jogo anterior e permite interagir com objectos entre si

Resumindo, para mim Dracula 2: The Last Sanctuary não deixa de ser um jogo de aventura minimamente competente, capaz de entreter qualquer fã do género, ainda para mais se gostam destes com uma temática mais para o Oculto. No entanto, é também um jogo que me deixou um pouco a desejar, principalmente pelos seus diálogos pobres e design/caracterização de personagens que de assustadores não têm muito, tal como referi no parágrafo acima. Os restantes jogos desta série parece que já iniciam um novo arco de história, pelo que me deixaram bastante curioso para os experimentar. Em breve!!

Gekioh: Shooting King (Sony Playstation)

GekiohQuando vi este jogo na Cash Converters de Alfragide, não sabia muito bem o que esperar. Vi que era um shmup às antigas, e se isso é algo que me chama à atenção pois é um género de nicho que eu tenho curiosidade em querer conhecer melhor, foi mesmo o nome da Natsume na caixa que me fez levá-lo para casa. A Natsume é uma empresa japonesa que desenvolveu imensos jogos de qualidade, muitos deles que se ficaram apenas pelo Japão e são algo obscuros nos dias de hoje. E nem é um mau jogo de todo! Creio que me custou 2€.

Gekioh Shooting King - Sony Playstation
Jogo com caixa e manual

Originalmente este era um jogo arcade que apenas tinha saído no Japão com o nome Shienryu e posteriormente convertido para a Saturn e Playstation. Por algum motivo, quando decidiram lançá-lo no ocidente como um título budget na PS1, decidiram mudar-lhe o nome para algo provavelmente ainda mais estranho para nós ocidentais. Entre Shienryu e Gekioh Shooting King venha o diabo e escolha. Mas o que interessa é que uma vez mais somos só nós contra uma invasão alienígena, onde começamos por os combater no nosso planeta e vamos entrando em pleno espaço sideral até os correr de vez daqui para fora.

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Esta arma eléctrica é excelente!

A jogabilidade não é nada complicada, afinal apenas podemos escolher uma nave e dispomos de um ataque normal, e outro especial capaz de provocar dano a practicamente tudo o que estiver no ecrã. Claro que o especial é para ser usado com moderação, embora em certos níveis até não seja muito difícil encher um stockzinho com essas munições. Depois temos também para além do pea shooter normal vários outros tipos de armas. Uma com mísseis teleguiados, o vulcan shot que se vai abrindo em leque e por fim a minha preferida, uma arma que lança raios eléctricos que são atraídos pelas naves inimigas, conseguindo com um só disparo atingir uma grande parte das naves no ecrã. De resto, é um jogo com uma jogabilidade simples conforme já referi, em que naturalmente a dificuldade vai aumentando à medida em que vamos progredindo no jogo. Para além do modo normal de história, poderemos encontrar outros modos de jogo de bónus, em que alguns até alteram completamente as coisas.

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Que coisa marada este Pocket Mode! Um bónus muito interessante!

Um deles é o Pocket Mode, onde parece que estamos a jogar num VMU de Dreamcast, ou na Pocketstation da Sony, tal é reduzido o ecrã. Depois temos o Ancient Mode onde o ecrã ganha contornos de sepia e o som como se estivesse a sair de um rádio mal sintonizado, algures no fundo de um poço, outro modo mais cómico torna todas as explosões em risadas e por aí fora em diversas variantes estapafúrdias, mas são pequenos pormenores como esse que por vezes fazem a diferença.

A nivel técnico é um jogo competente. É verdade que os gráficos, se não fosse por um ou outro efeito como as explosões ou a arma eléctrica, em certos momentos quase que poderia passar por um jogo de Super Nintendo, mas sinceramente eu prefiro um shmup em 2D bem definido, do que uma mixórdia de polígonos. Os efeitos sonoros e a música cumprem o seu papel, nada a apontar.

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Gosto bastante dos inimigos gigantes e bem detalhados!

Gekioh Shooting King foi uma agradável surpresa e é interessantíssimo ver como a PS1 e PS2 receberam imensos jogos budget que nos poderão ter passado ao lado. É verdade que muitos deles podem ser shovelware, mas por vezes temos pequenas pérolas deste género.