Final Fantasy IX (Sony Playstation)

Final Fantasy IXÉ inegável que os Final Fantasy da era PS1 sejam clássicos importantíssimos dentro do género dos JRPGs, quanto mais não seja por popularizarem definitivamente o género por terras ocidentais, especialmente as europeias já que antes do Final Fantasy VII poucos JRPGs recebíamos. E apesar de não ter jogado nenhum desses 3 jogos na altura em que sairam, não acho que o Final Fantasy VII seja um jogo assim tão bom (embora compreenda perfeitamente o porquê de ter recebido tanto sucesso) e o Final Fantasy VIII, apesar de possuir gráficos excelentes, tem uma história com personagens ainda mais lamechas, algo que também não me agradou nada. Estava um pouco reticente a começar finalmente o Final Fantasy IX, mas felizmente este já se revelou uma belíssima surpresa. Este meu exemplar foi comprado num de dois negócios que agora a memória já não me recorda. Ou foi na Feira da Vandoma ou na Feira da Ladra em Lisboa, pois houve tanto num local como no outro já comprei bundles de jogos PS1 em estado impecáveis e dos quais vieram 1 ou mais Final Fantasies. Tanto num caso como no outro os jogos ficaram a cerca de 4€.

Final Fantasy IX - Sony Playstation

Jogo completo com caixa, manual e 4 discos

O herói principal desta aventura é Zidane (não, não é o jogador de futebol), um jovem com uma misteriosa cauda que pertencia ao grupo de teatro Tantalus. Mas os Tantalus não eram um grupo de teatro normal, eram também ladrões nas horas vagas e o jogo começa precisamente com o grupo a preparar-se para uma cerimónia muito peculiar, no reino de Alexandria. Ali, a jovem princesa Garnet celebrava os seus 16 anos, sem saber que estava prestes a ser raptada pelo grupo de Tantalus. A primeira parte do jogo é passada precisamente com o grupo a escapar-se de Alexandria, algo que ganhou contornos épicos! Depois lá nos apercebemos que a princesa Garnet há muito que se queria escapar de Alexandria pois a sua mãe, rainha de Alexandria, estava a ficar cada vez mais estranha e com comportamentos agressivos. Eventualmente chegamos ao reino vizinho de Lindblum, encontramos um Cid muito peculiar e as coisas acabam por escalar de tal forma que é despoletada uma guerra entre várias nações, com as coisas a escalar ainda mais ao longo do jogo. Não me vou alongar mais nisto, mas devo dizer que gostei muito mais da história deste Final Fantasy que a dos seus 2 antecessores para esta consola.

A rainha Brahne. Com uma cara destas, como é que ninguém suspeitava que estaria a tramar alguma coisa?

A rainha Brahne. Com uma cara destas, como é que ninguém suspeitava que estaria a tramar alguma coisa?

As mecânicas de jogo permanecem algo parecidas à de outros Final Fantasy, com as batalhas a serem aleatórias e uma vez mais por turnos, com cada turno a ser ditado por uma barra de tempo individual para cada personagem em batalha. Aí, quando essa barra é preenchida é que poderemos escolher as acções, como atacar, defender, fugir, usar magias ou outras skills, etc. Aqui temos também o “Trance Mode” que nos permite desencadear ataques poderosíssimos, um pouco à semelhança dos Limit Breaks do FF VII. De resto, este acaba por ser um jogo bem mais parecido aos Final Fantasy clássicos, na medida em que por exemplo o conceito de classes é uma vez mais reintroduzido. No Final Fantasy VII a introdução das materia dava-nos liberdade para customizar livremente as skills de todas as personagens, deixando-as algo genéricas no que nas batalhas diz respeito. Aqui já sabemos que Vivi é um Black Mage e por conseguinte tem maior aptidão para a magia do que ataques físicos, Eiko é uma summoner e Steiner é um cavaleiro que pode equipar espadas. Aqui a novidade está nas abilidades que podem ser usadas quando equipamos uma certa arma ou armadura. Estas, ao fim de alguns combates acabam por ser aprendidas definitivamente, podendo ser usadas mesmo que deixamos de usar esse item.

Mais uma referência aos Final Fantasy clássicos, esta vestimenta temporária de Garnet

Mais uma referência aos Final Fantasy clássicos, esta vestimenta temporária de Garnet

Depois temos também um outro mini-jogo de cartas chamado Tetra Master, que também achei interessante e que, em conjunto com outras side quests ou outros eventos interessantes como a casa de leilões de Treno nos vão consumir muito do nosso tempo para além dos eventos da história principal. Para além disso, foi ainda introduzida uma nova mecânica de jogo que a meu ver resulta bem para a narrativa, os Active Time Events. Quando estamos a explorar livremente localidades como cidades ou aldeias e a nossa party se encontra dispersa, por vezes recebemos este pop-up no ecrã que algures está a acontecer algo com outras personagens do jogo, e temos a possibilidade de espreitar esses acontecimentos.

Se me perguntarem qual a minha personagem preferida neste jogo... é claro que é o Steiner, ou Rusty como por vezes é chamado

Se me perguntarem qual a minha personagem preferida neste jogo… é claro que é o Steiner, ou Rusty como por vezes é chamado

Mas não é só nas mecânicas de jogo que este Final Fantasy IX pisca o olho aos clássicos. Também nos seus visuais, que abandonaram o setting futurista dos dois predecessores e retornam a um ambiente practicamente medieval, com os seus castelos, cavaleiros e navios voadores – claro que tinha de haver elementos fantasiosos, não? E claro, o visual do Vivi e respectivos Black Mages que é idêntico aos mesmos do primeiro Final Fantasy, com a sua vestimenta azul, um chapéu pontiagudo e uns olhos amarelos brilhantes na sua cara negra e escondida. Para além disso, e isto foi decisivamente a coisa que mais me agradou, é que a narrativa não é tão dramática, com personagens lamechas como era o Cloud e o Squall. Aqui o Zidane é um pequeno traquinas bem disposto e destimido e todas as personagens têm um charme muito próprio que me agradou bastante. Só a troca de galhardetes entre Zidane e o Steiner em grande parte do jogo já me tinha rendido a este Final Fantasy.

Mais um momento de boa disposição e notem como os gráficos são bem bonitos para uma máquina de 1995.

Mais um momento de boa disposição e notem como os gráficos são bem bonitos para uma máquina de 1995.

De resto a nível de audiovisuais estamos certamente perante um jogo que puxa a Playstation aos seus limites. As cidades continuam a ser cenários pré-renderizados, é verdade, mas não deixam de ser belíssimas e com um traço bem distinto. Mas passando para as batalhas que já usam gráficos completamente em 3D, aí vemos as personagens e monstros muito bem detalhados e claro, os golpes especiais e magias cheias de efeitos coloridos e brilhantes. E claro, não fosse este um Final Fantasy, o que não faltam são cutscenes em CGI. Estas estão ainda mais bem detalhadas e em maior número, o que também justifica o facto de o jogo possuir 4 CDs. As músicas são também bastante variadas e bem cativantes, desde melodias mais folk quando visitamos locais mais rurais, a outras mais épicas quando necessário. Mais uma categoria que este jogo marca pontos!

Como não poderia deixar de ser, o que não faltam são belíssimas cutscenes em CGI

Como não poderia deixar de ser, o que não faltam são belíssimas cutscenes em CGI

É então por todas estas razões que para mim o Final Fantasy IX é facilmente o melhor dos 3 jogos clássicos desta série na Playstation 1. A nível de história propriamente dita para já ainda nenhum bate a do Final Fantasy VI, mas até agora devo dizer que este jogo como um todo está certamente nos tops. Mas atenção que ainda não joguei nenhum outro Final Fantasy mais recente que este da série principal, se bem que pelo menos dado à sua fama por essas internetes, não estou à espera que os Final Fantasy X em diante sejam assim tão bons. Mas veremos!

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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2 respostas a Final Fantasy IX (Sony Playstation)

  1. Mike diz:

    Excelente Review! Sabias que ias gostar bastante deste Final Fantasy. Por acaso é-me dificil escolher uma personagem difícil mas acho que o Zidane Tribal dá um excelente protagonista. Não sei se chegaste as explorar as side quests do chocobobo mas também é muito boa tal como a dos muggles. Bem de resto já sabes… it’s my favorite game =)

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