Deathtrap Dungeon (PC/Sony Playstation)

Deathtrap DungeonSó de olhar para a capa do jogo e ver a sua arte e o título, Deathtrap Dungeon soava-me a um RPG da primeira pessoa, algo à semelhança de jogos como Dungeon Master, Ultima Underworld ou Eye of the Beholder, onde a exploração de cavernas labirínticas e cheias de perigos e armadilhas eram o prato do dia. Mas não. Deathtrap Dungeon é na verdade uma espécie de Tomb Raider dos clássicos, passado num mundo fantasioso, e com muitas doses de sadismo à mistura. O meu exemplar da Playstation foi comprado algures há quase 2 anos na feira da Ladra em Lisboa, por cerca de 5€. A versão digital do steam veio nalguma promoção de natal por uma ninharia.

Deathtrap Dungeon - Sony Playstation
Jogo completo com caixa, manuais, papelada e um interessante bestiário

Este Deathtrap Dungeon, ou Ian Livingstone’s Deathtrap Dungeon é na verdade uma adaptação para videojogo de um dos livros da série Fighting Fantasy, que eram na verdade gamebooks, pequenos RPGs de tabuleiro na forma de livro. Mas ao contrário do The Forest of Doom que realmente pegou nesse conceito e traduziu-o para um videojogo, aqui foi adaptado a um jogo de acção/aventura. A história aqui é muito simples: encarnamos num bárbaro (chaindog) ou numa guerreira amazonas que mais parece saída de uma sessão de bondage (Red Lotus), com o objectivo de exploramos estes calabouços, enfrentando os seus perigos e encontrar preciosos tesouros no final.

O sistema de inventário permite-nos alternar de itens/power ups livremente
O sistema de inventário permite-nos alternar de itens/power ups livremente

Quando traço estes paralelismos à série Tomb Raider é porque o Deathtrap Dungeon é também um jogo de acção e exploração na terceira pessoa, foi também publicado pela Eidos e possui os mesmos tank controls do Tomb Raider clássico. A grande diferença é o maior foco nos combates e nas armadilhas, muitas vezes resolvidas em puzzles por vezes mais discretos. Alçapões, cenas que disparam setas ou fogo em todas as direcções, blocos de pedra que nos esmagam, inimigos que surgem teleportados vindos do nada, são algumas das coisas que teremos de nos preocupar. Algo que até se pode adivinhar só ao ver a cutscene de apresentação. Até coisas como “o que faz  esta alavanca? só há uma maneira de saber… e morri” fazem parte da experiência que é ultrapassar estes perigos. Por vezes temos pistas do que poderá acontecer ao ver esqueletos humanos próximos de algum local suspeito, outras vezes vemos esqueletos em sítios completamente inofensivos só para nos chatear. Basicamente este é um jogo em que morremos muito. Muito mesmo. E com saves apenas em certos locais irá certamente frustrar os mais impacientes. Não só pelas armadilhas, mas pelos combates também. Felizmente poderemos encontrar um grande arsenal de armas desde armas brancas a coisas como lança rockets e granadas “medievais”, ou magias como as fiéis bolas de fogo.

Armadilhas são coisas que não faltam...
Armadilhas são coisas que não faltam…

Infelizmente Deathtrap Dungeon não envelheceu bem. A nível técnico a maior prova disso seria a forma muito rudimentar como o jogo é corrido em sistemas operativos mais recentes, mas vamo-nos focar mais na versão Playstation pois foi a que joguei mais. Os controlos de tanque muito popularizados por jogos como Tomb Raider ou Resident Evil nunca foram propriamente boas coisas, a câmara também nem sempre a melhor e apesar de o jogo nos permitir alternar temporariamente para uma visão em primeira pessoa, por vezes o tempo que perdemos em ver o que queremos em primeira pessoa pode ser demasiado e lá se vai mais uma morte.

Screenshot
Alguns itens, como a Strength potion devem ser usados nas alturas certas, especialmente contra bosses.

De resto, a nível mais técnico, este Deathtrap Dungeon também é um jogo algo simples, mesmo para os padrões da Playstation 1. O facto de ser todo jogado em calabouços e cavernas, nunca chega a haver realmente lá muita variedade de cenários, já que nem tão pouco dá para vislumbrar a luz do dia. Os inimigos possuem poucos polígonos, os cenários texturas simples, embora por vezes ainda se vejam algumas gravuras interessantes. No PC as coisas não melhoram muito, apesar de poder ser jogado naturalmente a resoluções mais altas que a versão PS1. As músicas e efeitos sonoros sinceramente passaram-me um pouco ao lado.

No fundo, este Deathtrap Dungeon não deixa de ser um jogo interessante e com potencial, agora que há um certo interesse em jogos difíceis como a série Souls ou Bloodborne. Se fosse  mais polido, com melhores controlos e jogabilidade, acho que acabaria por ser um jogo mais bem sucedido do que o que se tornou.

 

Necronomicon: The Dawning of Darkness (PC/Playstation)

NecronomiconJá há algum tempo que não trazia cá nenhuma aventura gráfica, pelo que aproveitei estes últimos dias para jogar o Necronomicon, que tinha por cá já há algum tempo. Tal como os primeiros Dracula (sequela aqui), que já por cá trouxe, este é também um jogo de aventura na primeira pessoa, com temática do oculto, mais um jogo europeu com lançamento duplo para o PC e Playstation 1. E com versão integralmente em português também, para quem se interessar nisso. O meu exemplar da Playstation foi comprado na cash converters de Alfragide algures durante o mês passado por 2€. A versão PC, que já tenho no steam há algum tempo, deverá ter vindo de algum indie bundle a preço muito reduzido.

Necronomicon - Sony Playstation
Jogo completo com 2 discos, caixa e manual

E o jogo decorre nos Estados Unidos, na vila de Providence algures durante os anos 20. A nossa personagem é o jovem William H. Stanton, cujo dia começa com uma estranha visita do seu amigo de infância Edgar que, aparentemente transtornado, nos entrega uma estranha pirâmide e nos pede para a guardar e não a entregar a ninguém. Muito menos devolver ao Edgar caso ele a peça novamente. Como se isto não fosse estranho o suficiente, recebemos logo de seguida a visita do Dr. Egleton, amigo dos pais de Edgar e psiquiatra que se demonstra preocupado com o comportamento errático de Edgar, estando quase a decidir interná-lo num manicómio. Por isso, começamos nós também a investigar o porquê de Edgar estar a ficar maluquinho, com a história a levar-nos para o oculto trazido pelas obras de H.P. Lovecraft (daí também o nome de Necronomicon).

Tal como muitos jogos deste género, a movimentação é dada passo a passo, nas direcções indicadas pelo ponteiro do rato
Tal como muitos jogos deste género, a movimentação é dada passo a passo, nas direcções indicadas pelo ponteiro do rato

A jogabilidade é bastante característica destes jogos de aventura na primeira pessoa. Podemos olhar livremente para o que nos rodeia, mas o movimento é dado “passo a passo”, sempre que o ícone do rato mudar para uma seta, permitindo-nos mover para essa direcção. A interacção com os cenários e pessoas também é dada por diferentes ícones do rato que representam diferentes acções, como falar, investigar, apanhar, ou usar item. Como sempre teremos vários puzzles para resolver, alguns deles nada simples, que nos obrigam a ter uma grande atenção a pequenos detalhes nos cenários e nos textos que vamos lendo. E os puzzles requerem manipulação de objectos, revirar todos os recantos em busca de chaves escondidas, e por aí fora.

Esta é talvez das melhores cenas do jogo!
Esta é talvez das melhores cenas do jogo!

Graficamente é um jogo que deixa um pouco a desejar. É certo que para os padrões de 2001, e comparando com os 2 Dráculas que são da mesma época, este Necronomicon até possui cenários e cutscenes mais bem detalhados, no entanto peca um pouco pela forma por vezes algo atabalhoada das suas expressões faciais e os movimentos no geral. No entanto, a música mais tensa e o voice acting mais competente são pontos bem positivos quando comparando com os mesmos Dráculas. E sim, também existe a versão portuguesa, mas essa sinceramente nem experimentei. Já fiquei bem vacinado com a dublagem horrível que fizeram no primeiro Drácula.

A partir de certa altura vamos poder usar o mapa e o mecanismo de "fast travel" para nos deslocarmos rapidamente para várias localizações.
A partir de certa altura vamos poder usar o mapa e o mecanismo de “fast travel” para nos deslocarmos rapidamente para várias localizações.

No fim de contas pareceu-me um jogo competente para quem é fã do género. Talvez um pouco melhor que os primeiros 2 Dráculas pelas personagens serem mais convincentes, mas ainda assim, para um jogo baseado nas obras de H. P. Lovecraft esperava por algo mais aterrador do que o que acabou por se revelar.

Dead or Alive (Sony Playstation)

Dead or AliveO primeiro Dead or Alive tem uma história algo curiosa. Foi desenvolvido originalmente para o sistema Model 2 da Sega, apresentando gráficos excelentes e que até ultrapassavam os do Virtua Fighter 2, muito devido às físicas mais “realistas” de objectos leves que se abanavam, como as roupas e cabelos ao sabor do vento, ou no caso das meninas, outras coisas também se abanavam bastante, de forma não muito natural. Essa versão acabou por sair também para a Sega Saturn apenas em território japonês e mesmo não tendo todo o detalhe gráfico do original, acabou também por ser um dos jogos 3D mais competentes da consola. Algum tempo depois a Tecmo decidiu lançar também este jogo na Playstation, mas o mesmo acabou por ser não uma conversão directa, mas quase um remake, apresentando uma série de melhorias, novos modos de jogo e gráficos ainda mais detalhados. Este meu exemplar veio de um negócio do OLX que me custou cerca 2.5€, embora infelizmente não tenha manual.

Dead or Alive - Sony Playstation
Jogo com caixa

E o Dead or Alive é um fighter em 3D com uma jogabilidade fluída, onde as mecânicas core de jogo assentam num princípio algo pedra-papel-tesoura, onde os counters têm vantagem sobre os ataques normais, que por sua vez perdem para os throws e estes são suplantados pelos ataques normais. A nível de modos de jogo, para além do tradicional arcade (que aqui se chama tournament) e do versus para 2 jogadores, temos também outros modos que acabam por não ser estranhos aos fãs de jogos de luta. Um é o Team Battle, onde podemos fazer equipas de até 5 lutadores que defrontam outros 5 lutadores de forma sequencial. Outro é o Survival onde vamos enfrentando vários oponentes com a nossa vida a ser apenas ligeiramente restabelecida entre cada round. Temos também o Kumite, onde teremos de defrontar 100 inimigos no menor tempo possível, o time attack é mais um modo de jogo contra-relógio, e por fim temos o Danger Zone (não consigo deixar de trautear a melodia do Top Gun sempre que vejo estas duas palavras juntas) onde todo o ring está armadilhado com explosivos que detonam sempre que um lutador é mandado ao chão. Na verdade, nos modos de jogo normais, a parte de “ring out” é explosiva. E claro que temos também um training mode para irmos treinando os movimentos das personagens.

Ouch! Deve ter doído!
Ouch! Deve ter doído!

A nível gráfico este Dead or Alive é de facto um jogo bem bonito para uma consola desta geração. Os lutadores estão muito bem detalhados e o que não faltam são uniformes alternativos para serem desbloqueados, especialmente para as meninas e os seus atributos especiais (este Itagaki nunca enganou ninguém). Detalhes como os cabelos ou os vestidos a abanarem ao vento estavam muito à frente do seu tempo. Depois claro, temos a sensualidade das lutadoras, algo que sempre ficou patente nesta série. A banda sonora vai sendo bastante diversa, indo buscar algumas faixas mais rock que me remetem logo para aquela fase da Sega nas arcades que sempre me agradou. E tirando as mamocas a abanar, este Dead or Alive parece mesmo algo inspirado pela série clássica da Sega nos seus visuais e de certa forma, na jogabilidade também.

Por muito tarado que o Itagaki seja, também temos algumas vestimentas estranhas para desbloquear. Mas talvez ele goste de furries...
Por muito tarado que o Itagaki seja, também temos algumas vestimentas estranhas para desbloquear. Mas talvez ele goste de furries…

Posto isto, e apesar de continuar a preferir a série Virtua Fighter por tudo e mais alguma coisa, este Dead or Alive para mim até se acabou por revelar uma óptima surpresa! E tem o Ryu Hayabusa da série Ninja Gaiden que sempre achei uma personagem bem metida para um jogo deste género (se bem que também temos o Kage Maru no VF). Um bom jogo de luta sem dúvida, e em breve hei-de escrever aqui algo sobre ambas as versões do Dead or Alive 2 na minha colecção.

Grand Theft Auto 2 (Sony Playstation)

GTA2Tempo para mais uma rapidinha a um jogo que continua a ser bastante divertido, mas sinceramente me decepcionou um pouco num ou noutro ponto. O Grand Theft Auto original era presença obrigatória no PC de toda a gente e passávamos imensas tardes só a criar o caos na cidade, as missões sempre ficavam para segundo plano. Mas hoje em dia, com o backlog gigantesco que tenho, acabo sempre por dar mais importância à história dos jogos mesmo que sejam sandbox, e infelizmente o GTA2 não traz grandes melhorias nesse ponto. Este meu exemplar veio da Cash Converters de Alfragide já há uns bons meses atrás. Não sei quanto me custou, mas não terá sido mais de 3€.

Grand Theft Auto 2 - Sony Playstation
Jogo com caixa, manual e mapa

GTA2 utiliza a mesma fórmula base que o primeiro jogo e o GTA London introduziram: temos uma (ou mais) cidades para explorar livremente numa perspectiva vista de cima onde podemos fazer tudo e mais alguma coisa com os veículos e pessoas que por lá vão passeando. Ao fazer asneiras também ficamos com a polícia à perna, cujo conflito pode vir a ser escalado por mais asneiras que continuamos a fazer. Isto até levarmos o nosso carro a uma oficina onde lhe mudam a pintura e aí já fica tudo bem. Para além dessa liberdade temos uma série de missões a cumprir para um ou mais gangues, desde silenciar certas pessoas, transportar bens ilícitos, roubar alguns carros especiais, raptos, entre outras tarefas não muito dignas de um moço de recados. A diferença é que neste GTA2 temos apenas uma única cidade para explorar (se bem que dividida em 3 áreas distintas) e em cada uma dessas áreas temos 3 gangues rivais, onde vamos acabar por fazer missões para os três. Para isso incutiram um sistema de “respeito”. Apenas quando um gang nos respeita minimamente é que nos deixam fazer missões para eles. Como ganhar respeito? Bom, basta matar uns quantos membros dos gangues rivais!

Desta vez para salvar o jogo basta dirigir-nos a uma igreja e ter 50000$ no bolso!
Desta vez para salvar o jogo basta dirigir-nos a uma igreja e ter 50000$ no bolso!

E ao longo do jogo vamos fazendo sempre essa dança de gangue em gangue caso queiramos fazer todas as missões, o que não faz muito sentido, pois para sermos elegíveis a fazer as missões do gangue A, temos de matar vários membros do gangue B, mas depois para fazer missões do gangue B basta matar membros do gangue C, a nossa reputação em infernizar a vida desses bandidos quando trabalhávamos para o gangue anterior parece que não importa para nada. E esta lógica ainda se agrava mais sendo que o gangue Zaibatsu está presente nas 3 diferentes áreas da cidade. Mas isto sou eu a complicar demasiado as coisas, um videojogo não é suposto ter lógica, este em particular está repleto de humor negro e há missões bem divertidas, como usar um camião de bombeiros que na verdade tem um lança chamas acoplado em vez de um canhão de água. E os gangues no geral são bastante originais, incluindo um de rednecks, outro de esquizofrénicos, cientistas malucos,  religiosos hindus ou até “comunistas” pró-soviéticos com direito a uma fábrica de hot dogs com carne de origem duvidosa.

Tal como no original, as missões são dadas ao atender telefones públicos. Mas só as podemos fazer se tivermos "respeito" suficiente pelo gangue em questão
Tal como no original, as missões são dadas ao atender telefones públicos. Mas só as podemos fazer se tivermos “respeito” suficiente pelo gangue em questão

O problema é que isto acaba por inviabilizar um pouco uma narrativa mais séria como a que a Rockstar passou a adoptar nos seus jogos. É claro que não estava à espera de uma narrativa à lá L.A. Noire, até porque mesmo nos GTAs que se seguiram sempre houve um pouco de bom humor, mas esperava que já houvesse alguma narrativa que conduzisse uma história com princípio e fim. Até porque o jogo começa logo com uma cutscene em full motion vídeo, repleta de acção e perseguições policiais, mas já o final… bom, é melhor não dizer nada.

De resto, para quem jogou o GTA original a jogabilidade mantém-se muito idêntica. É verdade que prefiro a versão PC a esta da Playstation devido aos controlos, mas talvez seja só uma questão de hábito. Continuamos a ter imensos veículos para conduzir, desde pequenos “mata-velhos” até tanques de guerra e as armas também são ainda mais variadas. Os conflitos policiais podem agora ser escalados de tal forma que temos carrinhas SWAT, agentes federais especiais ou até o exército norte-americano atrás de nós com tanques e soldados fortemente armados. Podemos também equipar os nossos carros com armadilhas como soltar óleo na estrada para despistar os polícias ou mesmo equipar metralhadoras. É uma novidade interessante, mas dado à fragilidade dos carros não me pareceu que compensasse muito. O conceito dos diferentes gangues também acrescenta algumas novas possibilidades, pois mediante as nossas relações com cada grupo, eles podem ser inofensivos e até ajudarem-nos nos confrontos com as forças da Lei, ou por outro lado também nos podem atacar. Outros extras como os Kill Frenzy ou mesmo algumas missões bónus também existem nesta sequela e aqui é possível fazer save game a qualquer momento, bastando para isso procurar uma igreja que costuma estar em território neutro no mapa e ter pelo menos 50000 dólares na nossa conta. É melhor que não haver save nenhum, e excepto as missões finais de cada capítulo, estas também as podemos repetir caso as falhemos à primeira.

Para nos auxiliar, existem vários marcadores com a direcção que devemos seguir. Se não estivermos com nenhuma missão de momento, os apontadores indicam a localização de telefones dos diferentes gangues.
Para nos auxiliar, existem vários marcadores com a direcção que devemos seguir. Se não estivermos com nenhuma missão de momento, os apontadores indicam a localização de telefones dos diferentes gangues.

A nível gráfico não é um jogo assim tão diferente do primeiro no aspecto, embora já usem polígonos em 3D para representar a cidade, as sprites estão um pouco mais detalhadas e existem alguns efeitos de luzes que são melhores notados caso estejamos a jogar a versão PC, onde podemos jogar durante a noite. Creio que a versão Dreamcast também permite jogar à noite, mas aqui na Playstation joga-se sempre de dia, o que a meu ver até dá outro brilho ao jogo, pois durante a noite as coisas ficam muito iguais. A banda sonora continua excelente, com cada carro a tocar diferentes músicas ou diálogos nos seus rádios, consoante a estação sintonizada. A música varia do country, jazz, pop, rock, electrónica e até gospel, mas o que mais piada achei foram precisamente naqueles pequenos detalhes nos diálogos das rádios patrocinadas pelos gangues: o sotaque sulista da rádio dos rednecks a falarem de bounties em prisioneiros que se escaparam da prisão, as dificuldades técnicas dos soviéticos em transmitir, ou bizarrices em japonês na rádio patrocinada pelos Yakuza.

O nível máximo de alerta aumenta consoante o nosso progresso no jogo. Na ultima área, até o exército pode ser chamado. E vai ser, mesmo se jogarmos as missões direitinhas
O nível máximo de alerta aumenta consoante o nosso progresso no jogo. Na ultima área, até o exército pode ser chamado. E vai ser, mesmo se jogarmos as missões direitinhas

Em suma, este é um bom jogo para quem gostou do GTA original, na medida em que podemos continuar a causar o caos na cidade da mesma forma, simplesmente temos mais armas e veículos à nossa disposição para o fazer. Para quem quiser jogar de uma forma mais séria, cumprindo as várias missões da campanha, não gostei muito da introdução de gangues rivais, pelo menos não desta forma. Estava à espera que houvesse uma narrativa mais forte neste jogo, o que não aconteceu e seria difícil fazê-lo visto que podemos ir saltando de gangue em gangue à nossa vontade. Fora isso, continua a ser um jogo bem divertido e com um toque de humor negro como a Rockstar bem o sabe fazer.

Final Fantasy IX (Sony Playstation)

Final Fantasy IXÉ inegável que os Final Fantasy da era PS1 sejam clássicos importantíssimos dentro do género dos JRPGs, quanto mais não seja por popularizarem definitivamente o género por terras ocidentais, especialmente as europeias já que antes do Final Fantasy VII poucos JRPGs recebíamos. E apesar de não ter jogado nenhum desses 3 jogos na altura em que sairam, não acho que o Final Fantasy VII seja um jogo assim tão bom (embora compreenda perfeitamente o porquê de ter recebido tanto sucesso) e o Final Fantasy VIII, apesar de possuir gráficos excelentes, tem uma história com personagens ainda mais lamechas, algo que também não me agradou nada. Estava um pouco reticente a começar finalmente o Final Fantasy IX, mas felizmente este já se revelou uma belíssima surpresa. Este meu exemplar foi comprado num de dois negócios que agora a memória já não me recorda. Ou foi na Feira da Vandoma ou na Feira da Ladra em Lisboa, pois houve tanto num local como no outro já comprei bundles de jogos PS1 em estado impecáveis e dos quais vieram 1 ou mais Final Fantasies. Tanto num caso como no outro os jogos ficaram a cerca de 4€.

Final Fantasy IX - Sony Playstation
Jogo completo com caixa, manual e 4 discos

O herói principal desta aventura é Zidane (não, não é o jogador de futebol), um jovem com uma misteriosa cauda que pertencia ao grupo de teatro Tantalus. Mas os Tantalus não eram um grupo de teatro normal, eram também ladrões nas horas vagas e o jogo começa precisamente com o grupo a preparar-se para uma cerimónia muito peculiar, no reino de Alexandria. Ali, a jovem princesa Garnet celebrava os seus 16 anos, sem saber que estava prestes a ser raptada pelo grupo de Tantalus. A primeira parte do jogo é passada precisamente com o grupo a escapar-se de Alexandria, algo que ganhou contornos épicos! Depois lá nos apercebemos que a princesa Garnet há muito que se queria escapar de Alexandria pois a sua mãe, rainha de Alexandria, estava a ficar cada vez mais estranha e com comportamentos agressivos. Eventualmente chegamos ao reino vizinho de Lindblum, encontramos um Cid muito peculiar e as coisas acabam por escalar de tal forma que é despoletada uma guerra entre várias nações, com as coisas a escalar ainda mais ao longo do jogo. Não me vou alongar mais nisto, mas devo dizer que gostei muito mais da história deste Final Fantasy que a dos seus 2 antecessores para esta consola.

A rainha Brahne. Com uma cara destas, como é que ninguém suspeitava que estaria a tramar alguma coisa?
A rainha Brahne. Com uma cara destas, como é que ninguém suspeitava que estaria a tramar alguma coisa?

As mecânicas de jogo permanecem algo parecidas à de outros Final Fantasy, com as batalhas a serem aleatórias e uma vez mais por turnos, com cada turno a ser ditado por uma barra de tempo individual para cada personagem em batalha. Aí, quando essa barra é preenchida é que poderemos escolher as acções, como atacar, defender, fugir, usar magias ou outras skills, etc. Aqui temos também o “Trance Mode” que nos permite desencadear ataques poderosíssimos, um pouco à semelhança dos Limit Breaks do FF VII. De resto, este acaba por ser um jogo bem mais parecido aos Final Fantasy clássicos, na medida em que por exemplo o conceito de classes é uma vez mais reintroduzido. No Final Fantasy VII a introdução das materia dava-nos liberdade para customizar livremente as skills de todas as personagens, deixando-as algo genéricas no que nas batalhas diz respeito. Aqui já sabemos que Vivi é um Black Mage e por conseguinte tem maior aptidão para a magia do que ataques físicos, Eiko é uma summoner e Steiner é um cavaleiro que pode equipar espadas. Aqui a novidade está nas abilidades que podem ser usadas quando equipamos uma certa arma ou armadura. Estas, ao fim de alguns combates acabam por ser aprendidas definitivamente, podendo ser usadas mesmo que deixamos de usar esse item.

Mais uma referência aos Final Fantasy clássicos, esta vestimenta temporária de Garnet
Mais uma referência aos Final Fantasy clássicos, esta vestimenta temporária de Garnet

Depois temos também um outro mini-jogo de cartas chamado Tetra Master, que também achei interessante e que, em conjunto com outras side quests ou outros eventos interessantes como a casa de leilões de Treno nos vão consumir muito do nosso tempo para além dos eventos da história principal. Para além disso, foi ainda introduzida uma nova mecânica de jogo que a meu ver resulta bem para a narrativa, os Active Time Events. Quando estamos a explorar livremente localidades como cidades ou aldeias e a nossa party se encontra dispersa, por vezes recebemos este pop-up no ecrã que algures está a acontecer algo com outras personagens do jogo, e temos a possibilidade de espreitar esses acontecimentos.

Se me perguntarem qual a minha personagem preferida neste jogo... é claro que é o Steiner, ou Rusty como por vezes é chamado
Se me perguntarem qual a minha personagem preferida neste jogo… é claro que é o Steiner, ou Rusty como por vezes é chamado

Mas não é só nas mecânicas de jogo que este Final Fantasy IX pisca o olho aos clássicos. Também nos seus visuais, que abandonaram o setting futurista dos dois predecessores e retornam a um ambiente practicamente medieval, com os seus castelos, cavaleiros e navios voadores – claro que tinha de haver elementos fantasiosos, não? E claro, o visual do Vivi e respectivos Black Mages que é idêntico aos mesmos do primeiro Final Fantasy, com a sua vestimenta azul, um chapéu pontiagudo e uns olhos amarelos brilhantes na sua cara negra e escondida. Para além disso, e isto foi decisivamente a coisa que mais me agradou, é que a narrativa não é tão dramática, com personagens lamechas como era o Cloud e o Squall. Aqui o Zidane é um pequeno traquinas bem disposto e destimido e todas as personagens têm um charme muito próprio que me agradou bastante. Só a troca de galhardetes entre Zidane e o Steiner em grande parte do jogo já me tinha rendido a este Final Fantasy.

Mais um momento de boa disposição e notem como os gráficos são bem bonitos para uma máquina de 1995.
Mais um momento de boa disposição e notem como os gráficos são bem bonitos para uma máquina de 1995.

De resto a nível de audiovisuais estamos certamente perante um jogo que puxa a Playstation aos seus limites. As cidades continuam a ser cenários pré-renderizados, é verdade, mas não deixam de ser belíssimas e com um traço bem distinto. Mas passando para as batalhas que já usam gráficos completamente em 3D, aí vemos as personagens e monstros muito bem detalhados e claro, os golpes especiais e magias cheias de efeitos coloridos e brilhantes. E claro, não fosse este um Final Fantasy, o que não faltam são cutscenes em CGI. Estas estão ainda mais bem detalhadas e em maior número, o que também justifica o facto de o jogo possuir 4 CDs. As músicas são também bastante variadas e bem cativantes, desde melodias mais folk quando visitamos locais mais rurais, a outras mais épicas quando necessário. Mais uma categoria que este jogo marca pontos!

Como não poderia deixar de ser, o que não faltam são belíssimas cutscenes em CGI
Como não poderia deixar de ser, o que não faltam são belíssimas cutscenes em CGI

É então por todas estas razões que para mim o Final Fantasy IX é facilmente o melhor dos 3 jogos clássicos desta série na Playstation 1. A nível de história propriamente dita para já ainda nenhum bate a do Final Fantasy VI, mas até agora devo dizer que este jogo como um todo está certamente nos tops. Mas atenção que ainda não joguei nenhum outro Final Fantasy mais recente que este da série principal, se bem que pelo menos dado à sua fama por essas internetes, não estou à espera que os Final Fantasy X em diante sejam assim tão bons. Mas veremos!