Ridge Racer Type 4 (Sony Playstation)

Ridge Racer Type 4Eu não sou o maior fã de jogos de corrida, é verdade. As grandes excepções são os futuristas como Wipeout ou F-Zero, ou então aqueles tipicamente arcade,para jogatanas sem grande compromisso e com uma óptima jogabilidade. Sega Rally ou Daytona USA são dos nomes mais sonantes nesse campo e sempre tive algum interesse também pela série Ridge Racer, a série rival da Namco para quem não tinha uma Sega Saturn nessa altura. E a Namco foi evoluindo a série de uma jogabilidade meramente arcade com os primeiros 2 títulos na Playstation, até chegarem a algo mais sério nos últimos dois para a mesma consola. E neste Type 4 a Namco esmerou-se mesmo a sério, ao apresentar um dos melhores jogos de corrida de um sistema 32bit. Este meu exemplar foi comprado há uns meses a um particular no OLX, está completo e em óptimo estado, creio que me custou uns 6€.

Ridge Racer Type 4 - Sony Playstation
Jogo com caixa, manual e cd extra com Ridge Racer Hi-Spec

Como seria de esperar, temos vários modos de jogo para experimentar, mas vamo-nos para já focar no principal, o Grand Prix. Aqui somos convidados a escolher em qual equipa queremos participar e posteriormente o fabricante de carros. São tudo coisas fictícias como é habitual na série, mas esta escolha vai variar a dificuldade do jogo e o estilo de condução necessário. Por exemplo, a equipa americana Lizard é uma equipa que vem de uma série de derrotas, então o jogo será mais difícil se os escolhermos. Os diferentes fabricantes também possuem carros que são mais ou menos dotados para velocidade de ponta ou mais “manobráveis”. Depois somos convidados em participar definitivamente no tal campeonato que se divide em 3 etapas: a primeira ronda de 2 corridas, onde para nos qualificarmos para a equipa seguinte apenas temos de terminar cada corrida em terceiro lugar. A segunda etapa também contém 2 corridas, mas para nos qualificarmos devemos terminar pelo menos em segundo. Por fim, a etapa final possui 4 circuitos, onde obrigatoriamente temos mesmo de terminar em primeiro lugar em cada circuito. Os saves apenas são possíveis fazer em alguns pontos chave, não no final de cada circuito, pelo que temos mesmo de jogar de uma forma algo cuidadosa se queremos ter sucesso no jogo. A nossa performance também influencia os carros que nos vão sendo presenteados. Ao terminar constantemente em primeiro lugar vamos tendo os carros de topo do fabricante, enquanto se a nossa performance for inferior também vamos ressentir nos “upgrades” que nos dão.

Para quem gosta de coisas Retro... muitos dos carros (e circuitos) estão repletos de referências a clássicos da Namco
Para quem gosta de coisas Retro… muitos dos carros (e circuitos) estão repletos de referências a clássicos da Namco

Ora isto tudo faz com que existam dezenas e dezenas de carros para desbloquear, o que mesmo sendo todos fictícios, é um bom incentivo para continuar a jogar. Ainda neste modo Grand Prix, há uma história por detrás de cada equipa, onde entre cada circuito vamos tendo vários diálogos com o nosso manager que nos vai dando algumas dicas e revelando pouco a pouco o seu passado e as suas motivações para estarem naquela competição. Achei um pormenor interessante! Para além do modo Grand Prix que nos tirará muitas horas da nossa vida se o quisermos completar a 100%, temos também o habitual time attack para quem gostar tentar fazer os tempos mais rápidos possível nos vários circuitos. No multiplayer temos o versus para 2 jogadores em split screen, embora tenha lido por aí que aparentemente, para quem possuir o Playstation Link Cable é possível ligar 2 PS1 entre si e jogar com até 4 pessoas. Também podemos customizar todos os carros que tenham sido desbloqueados.

Embora não sejam obras primas na literatura, a inclusão de uma história em cada equipa pareceu-me uma boa ideia
Embora não sejam obras primas na literatura, a inclusão de uma história em cada equipa pareceu-me uma boa ideia

A nível estético, este é um jogo realmente excelente. Desde o design dos menus que é bastante atractivo, rico em cores garridas e linhas dinâmicas, onde até na selecção do circuito vemos pormenores muito interessantes, como a preview ao circuito em si. Os gráficos propriamente ditos são também excelentes para uma Playstation 1. Nem sei se os de Gran Turismo 2 serão realmente melhores, pois a Namco esmerou-se bastante neste jogo. Para além dos circuitos serem variados, mostrando áreas urbanas, rurais com diferentes paisagens ou outros mais industriais como as docas de Yokohama, esses mesmos circuitos estão muito bem detalhados, assim como os carros. Os efeitos gráficos como a iluminação dos circuitos e mesmo dos carros estão também excelentes! Coisas como o rasto de luz dos faróis traseiros foram pormenores muito bons. A banda sonora é igualmente excelente. Bastante variada, com temas que misturam a música electrónica e o jazz, ou outros mais rock. Acho que está realmente um tema notável e convido-vos a procurarem as músicas por esse youtube fora, acho que vão gostar.

Este jogo em movimento possui excelentes gráficos para uma Playstation, em especial os efeitos de luz
Este jogo em movimento possui excelentes gráficos para uma Playstation, em especial os efeitos de luz

Depois, como se tudo isto já não fosse mais que suficiente para um excelente jogo de corrida, a Namco presenteou-nos ainda com um CD extra. Não sei se o mesmo está incluido em todas os lançamentos mesmo dentro do mercado europeu, mas felizmente o meu está incluído. Aqui temos uma nova conversão do Ridge Racer original, agora com gráficos numa resolução maior e um framerate de 60 fps, o que faz com que este Ridge Racer Hi-Spec seja realmente a versão definitiva desse clássico. Também nesse disco temos algumas mensagens dos developers, contando o porquê de incluirem este bónus no jogo, bem como uma breve história dos Ridge Racers caseiros lançados até ao momento na família Playstation.

Os menus e a interface no geral são também todos estilosos.
Os menus e a interface no geral são também todos estilosos.

Assim sendo, por tudo isto, quer sejam fãs de jogos de corrida mais arcade como eu, ou fãs de jogos mais “sérios”, continuo a achar que este é um título obrigatório na Playstation original. Infelizmente, os Ridge Racers que lhe seguiram já não tiveram o mesmo impacto em mim, mas planeio pegar em breve no Ridge Racer V para a PS2, que já está há imenso  tempo na prateleira à espera de ser jogado.

Deathtrap Dungeon (PC/Sony Playstation)

Deathtrap DungeonSó de olhar para a capa do jogo e ver a sua arte e o título, Deathtrap Dungeon soava-me a um RPG da primeira pessoa, algo à semelhança de jogos como Dungeon Master, Ultima Underworld ou Eye of the Beholder, onde a exploração de cavernas labirínticas e cheias de perigos e armadilhas eram o prato do dia. Mas não. Deathtrap Dungeon é na verdade uma espécie de Tomb Raider dos clássicos, passado num mundo fantasioso, e com muitas doses de sadismo à mistura. O meu exemplar da Playstation foi comprado algures há quase 2 anos na feira da Ladra em Lisboa, por cerca de 5€. A versão digital do steam veio nalguma promoção de natal por uma ninharia.

Deathtrap Dungeon - Sony Playstation
Jogo completo com caixa, manuais, papelada e um interessante bestiário

Este Deathtrap Dungeon, ou Ian Livingstone’s Deathtrap Dungeon é na verdade uma adaptação para videojogo de um dos livros da série Fighting Fantasy, que eram na verdade gamebooks, pequenos RPGs de tabuleiro na forma de livro. Mas ao contrário do The Forest of Doom que realmente pegou nesse conceito e traduziu-o para um videojogo, aqui foi adaptado a um jogo de acção/aventura. A história aqui é muito simples: encarnamos num bárbaro (chaindog) ou numa guerreira amazonas que mais parece saída de uma sessão de bondage (Red Lotus), com o objectivo de exploramos estes calabouços, enfrentando os seus perigos e encontrar preciosos tesouros no final.

O sistema de inventário permite-nos alternar de itens/power ups livremente
O sistema de inventário permite-nos alternar de itens/power ups livremente

Quando traço estes paralelismos à série Tomb Raider é porque o Deathtrap Dungeon é também um jogo de acção e exploração na terceira pessoa, foi também publicado pela Eidos e possui os mesmos tank controls do Tomb Raider clássico. A grande diferença é o maior foco nos combates e nas armadilhas, muitas vezes resolvidas em puzzles por vezes mais discretos. Alçapões, cenas que disparam setas ou fogo em todas as direcções, blocos de pedra que nos esmagam, inimigos que surgem teleportados vindos do nada, são algumas das coisas que teremos de nos preocupar. Algo que até se pode adivinhar só ao ver a cutscene de apresentação. Até coisas como “o que faz  esta alavanca? só há uma maneira de saber… e morri” fazem parte da experiência que é ultrapassar estes perigos. Por vezes temos pistas do que poderá acontecer ao ver esqueletos humanos próximos de algum local suspeito, outras vezes vemos esqueletos em sítios completamente inofensivos só para nos chatear. Basicamente este é um jogo em que morremos muito. Muito mesmo. E com saves apenas em certos locais irá certamente frustrar os mais impacientes. Não só pelas armadilhas, mas pelos combates também. Felizmente poderemos encontrar um grande arsenal de armas desde armas brancas a coisas como lança rockets e granadas “medievais”, ou magias como as fiéis bolas de fogo.

Armadilhas são coisas que não faltam...
Armadilhas são coisas que não faltam…

Infelizmente Deathtrap Dungeon não envelheceu bem. A nível técnico a maior prova disso seria a forma muito rudimentar como o jogo é corrido em sistemas operativos mais recentes, mas vamo-nos focar mais na versão Playstation pois foi a que joguei mais. Os controlos de tanque muito popularizados por jogos como Tomb Raider ou Resident Evil nunca foram propriamente boas coisas, a câmara também nem sempre a melhor e apesar de o jogo nos permitir alternar temporariamente para uma visão em primeira pessoa, por vezes o tempo que perdemos em ver o que queremos em primeira pessoa pode ser demasiado e lá se vai mais uma morte.

Screenshot
Alguns itens, como a Strength potion devem ser usados nas alturas certas, especialmente contra bosses.

De resto, a nível mais técnico, este Deathtrap Dungeon também é um jogo algo simples, mesmo para os padrões da Playstation 1. O facto de ser todo jogado em calabouços e cavernas, nunca chega a haver realmente lá muita variedade de cenários, já que nem tão pouco dá para vislumbrar a luz do dia. Os inimigos possuem poucos polígonos, os cenários texturas simples, embora por vezes ainda se vejam algumas gravuras interessantes. No PC as coisas não melhoram muito, apesar de poder ser jogado naturalmente a resoluções mais altas que a versão PS1. As músicas e efeitos sonoros sinceramente passaram-me um pouco ao lado.

No fundo, este Deathtrap Dungeon não deixa de ser um jogo interessante e com potencial, agora que há um certo interesse em jogos difíceis como a série Souls ou Bloodborne. Se fosse  mais polido, com melhores controlos e jogabilidade, acho que acabaria por ser um jogo mais bem sucedido do que o que se tornou.

 

Necronomicon: The Dawning of Darkness (PC/Playstation)

NecronomiconJá há algum tempo que não trazia cá nenhuma aventura gráfica, pelo que aproveitei estes últimos dias para jogar o Necronomicon, que tinha por cá já há algum tempo. Tal como os primeiros Dracula (sequela aqui), que já por cá trouxe, este é também um jogo de aventura na primeira pessoa, com temática do oculto, mais um jogo europeu com lançamento duplo para o PC e Playstation 1. E com versão integralmente em português também, para quem se interessar nisso. O meu exemplar da Playstation foi comprado na cash converters de Alfragide algures durante o mês passado por 2€. A versão PC, que já tenho no steam há algum tempo, deverá ter vindo de algum indie bundle a preço muito reduzido.

Necronomicon - Sony Playstation
Jogo completo com 2 discos, caixa e manual

E o jogo decorre nos Estados Unidos, na vila de Providence algures durante os anos 20. A nossa personagem é o jovem William H. Stanton, cujo dia começa com uma estranha visita do seu amigo de infância Edgar que, aparentemente transtornado, nos entrega uma estranha pirâmide e nos pede para a guardar e não a entregar a ninguém. Muito menos devolver ao Edgar caso ele a peça novamente. Como se isto não fosse estranho o suficiente, recebemos logo de seguida a visita do Dr. Egleton, amigo dos pais de Edgar e psiquiatra que se demonstra preocupado com o comportamento errático de Edgar, estando quase a decidir interná-lo num manicómio. Por isso, começamos nós também a investigar o porquê de Edgar estar a ficar maluquinho, com a história a levar-nos para o oculto trazido pelas obras de H.P. Lovecraft (daí também o nome de Necronomicon).

Tal como muitos jogos deste género, a movimentação é dada passo a passo, nas direcções indicadas pelo ponteiro do rato
Tal como muitos jogos deste género, a movimentação é dada passo a passo, nas direcções indicadas pelo ponteiro do rato

A jogabilidade é bastante característica destes jogos de aventura na primeira pessoa. Podemos olhar livremente para o que nos rodeia, mas o movimento é dado “passo a passo”, sempre que o ícone do rato mudar para uma seta, permitindo-nos mover para essa direcção. A interacção com os cenários e pessoas também é dada por diferentes ícones do rato que representam diferentes acções, como falar, investigar, apanhar, ou usar item. Como sempre teremos vários puzzles para resolver, alguns deles nada simples, que nos obrigam a ter uma grande atenção a pequenos detalhes nos cenários e nos textos que vamos lendo. E os puzzles requerem manipulação de objectos, revirar todos os recantos em busca de chaves escondidas, e por aí fora.

Esta é talvez das melhores cenas do jogo!
Esta é talvez das melhores cenas do jogo!

Graficamente é um jogo que deixa um pouco a desejar. É certo que para os padrões de 2001, e comparando com os 2 Dráculas que são da mesma época, este Necronomicon até possui cenários e cutscenes mais bem detalhados, no entanto peca um pouco pela forma por vezes algo atabalhoada das suas expressões faciais e os movimentos no geral. No entanto, a música mais tensa e o voice acting mais competente são pontos bem positivos quando comparando com os mesmos Dráculas. E sim, também existe a versão portuguesa, mas essa sinceramente nem experimentei. Já fiquei bem vacinado com a dublagem horrível que fizeram no primeiro Drácula.

A partir de certa altura vamos poder usar o mapa e o mecanismo de "fast travel" para nos deslocarmos rapidamente para várias localizações.
A partir de certa altura vamos poder usar o mapa e o mecanismo de “fast travel” para nos deslocarmos rapidamente para várias localizações.

No fim de contas pareceu-me um jogo competente para quem é fã do género. Talvez um pouco melhor que os primeiros 2 Dráculas pelas personagens serem mais convincentes, mas ainda assim, para um jogo baseado nas obras de H. P. Lovecraft esperava por algo mais aterrador do que o que acabou por se revelar.

Dead or Alive (Sony Playstation)

Dead or AliveO primeiro Dead or Alive tem uma história algo curiosa. Foi desenvolvido originalmente para o sistema Model 2 da Sega, apresentando gráficos excelentes e que até ultrapassavam os do Virtua Fighter 2, muito devido às físicas mais “realistas” de objectos leves que se abanavam, como as roupas e cabelos ao sabor do vento, ou no caso das meninas, outras coisas também se abanavam bastante, de forma não muito natural. Essa versão acabou por sair também para a Sega Saturn apenas em território japonês e mesmo não tendo todo o detalhe gráfico do original, acabou também por ser um dos jogos 3D mais competentes da consola. Algum tempo depois a Tecmo decidiu lançar também este jogo na Playstation, mas o mesmo acabou por ser não uma conversão directa, mas quase um remake, apresentando uma série de melhorias, novos modos de jogo e gráficos ainda mais detalhados. Este meu exemplar veio de um negócio do OLX que me custou cerca 2.5€, embora infelizmente não tenha manual.

Dead or Alive - Sony Playstation
Jogo com caixa

E o Dead or Alive é um fighter em 3D com uma jogabilidade fluída, onde as mecânicas core de jogo assentam num princípio algo pedra-papel-tesoura, onde os counters têm vantagem sobre os ataques normais, que por sua vez perdem para os throws e estes são suplantados pelos ataques normais. A nível de modos de jogo, para além do tradicional arcade (que aqui se chama tournament) e do versus para 2 jogadores, temos também outros modos que acabam por não ser estranhos aos fãs de jogos de luta. Um é o Team Battle, onde podemos fazer equipas de até 5 lutadores que defrontam outros 5 lutadores de forma sequencial. Outro é o Survival onde vamos enfrentando vários oponentes com a nossa vida a ser apenas ligeiramente restabelecida entre cada round. Temos também o Kumite, onde teremos de defrontar 100 inimigos no menor tempo possível, o time attack é mais um modo de jogo contra-relógio, e por fim temos o Danger Zone (não consigo deixar de trautear a melodia do Top Gun sempre que vejo estas duas palavras juntas) onde todo o ring está armadilhado com explosivos que detonam sempre que um lutador é mandado ao chão. Na verdade, nos modos de jogo normais, a parte de “ring out” é explosiva. E claro que temos também um training mode para irmos treinando os movimentos das personagens.

Ouch! Deve ter doído!
Ouch! Deve ter doído!

A nível gráfico este Dead or Alive é de facto um jogo bem bonito para uma consola desta geração. Os lutadores estão muito bem detalhados e o que não faltam são uniformes alternativos para serem desbloqueados, especialmente para as meninas e os seus atributos especiais (este Itagaki nunca enganou ninguém). Detalhes como os cabelos ou os vestidos a abanarem ao vento estavam muito à frente do seu tempo. Depois claro, temos a sensualidade das lutadoras, algo que sempre ficou patente nesta série. A banda sonora vai sendo bastante diversa, indo buscar algumas faixas mais rock que me remetem logo para aquela fase da Sega nas arcades que sempre me agradou. E tirando as mamocas a abanar, este Dead or Alive parece mesmo algo inspirado pela série clássica da Sega nos seus visuais e de certa forma, na jogabilidade também.

Por muito tarado que o Itagaki seja, também temos algumas vestimentas estranhas para desbloquear. Mas talvez ele goste de furries...
Por muito tarado que o Itagaki seja, também temos algumas vestimentas estranhas para desbloquear. Mas talvez ele goste de furries…

Posto isto, e apesar de continuar a preferir a série Virtua Fighter por tudo e mais alguma coisa, este Dead or Alive para mim até se acabou por revelar uma óptima surpresa! E tem o Ryu Hayabusa da série Ninja Gaiden que sempre achei uma personagem bem metida para um jogo deste género (se bem que também temos o Kage Maru no VF). Um bom jogo de luta sem dúvida, e em breve hei-de escrever aqui algo sobre ambas as versões do Dead or Alive 2 na minha colecção.

Grand Theft Auto 2 (Sony Playstation)

GTA2Tempo para mais uma rapidinha a um jogo que continua a ser bastante divertido, mas sinceramente me decepcionou um pouco num ou noutro ponto. O Grand Theft Auto original era presença obrigatória no PC de toda a gente e passávamos imensas tardes só a criar o caos na cidade, as missões sempre ficavam para segundo plano. Mas hoje em dia, com o backlog gigantesco que tenho, acabo sempre por dar mais importância à história dos jogos mesmo que sejam sandbox, e infelizmente o GTA2 não traz grandes melhorias nesse ponto. Este meu exemplar veio da Cash Converters de Alfragide já há uns bons meses atrás. Não sei quanto me custou, mas não terá sido mais de 3€.

Grand Theft Auto 2 - Sony Playstation
Jogo com caixa, manual e mapa

GTA2 utiliza a mesma fórmula base que o primeiro jogo e o GTA London introduziram: temos uma (ou mais) cidades para explorar livremente numa perspectiva vista de cima onde podemos fazer tudo e mais alguma coisa com os veículos e pessoas que por lá vão passeando. Ao fazer asneiras também ficamos com a polícia à perna, cujo conflito pode vir a ser escalado por mais asneiras que continuamos a fazer. Isto até levarmos o nosso carro a uma oficina onde lhe mudam a pintura e aí já fica tudo bem. Para além dessa liberdade temos uma série de missões a cumprir para um ou mais gangues, desde silenciar certas pessoas, transportar bens ilícitos, roubar alguns carros especiais, raptos, entre outras tarefas não muito dignas de um moço de recados. A diferença é que neste GTA2 temos apenas uma única cidade para explorar (se bem que dividida em 3 áreas distintas) e em cada uma dessas áreas temos 3 gangues rivais, onde vamos acabar por fazer missões para os três. Para isso incutiram um sistema de “respeito”. Apenas quando um gang nos respeita minimamente é que nos deixam fazer missões para eles. Como ganhar respeito? Bom, basta matar uns quantos membros dos gangues rivais!

Desta vez para salvar o jogo basta dirigir-nos a uma igreja e ter 50000$ no bolso!
Desta vez para salvar o jogo basta dirigir-nos a uma igreja e ter 50000$ no bolso!

E ao longo do jogo vamos fazendo sempre essa dança de gangue em gangue caso queiramos fazer todas as missões, o que não faz muito sentido, pois para sermos elegíveis a fazer as missões do gangue A, temos de matar vários membros do gangue B, mas depois para fazer missões do gangue B basta matar membros do gangue C, a nossa reputação em infernizar a vida desses bandidos quando trabalhávamos para o gangue anterior parece que não importa para nada. E esta lógica ainda se agrava mais sendo que o gangue Zaibatsu está presente nas 3 diferentes áreas da cidade. Mas isto sou eu a complicar demasiado as coisas, um videojogo não é suposto ter lógica, este em particular está repleto de humor negro e há missões bem divertidas, como usar um camião de bombeiros que na verdade tem um lança chamas acoplado em vez de um canhão de água. E os gangues no geral são bastante originais, incluindo um de rednecks, outro de esquizofrénicos, cientistas malucos,  religiosos hindus ou até “comunistas” pró-soviéticos com direito a uma fábrica de hot dogs com carne de origem duvidosa.

Tal como no original, as missões são dadas ao atender telefones públicos. Mas só as podemos fazer se tivermos "respeito" suficiente pelo gangue em questão
Tal como no original, as missões são dadas ao atender telefones públicos. Mas só as podemos fazer se tivermos “respeito” suficiente pelo gangue em questão

O problema é que isto acaba por inviabilizar um pouco uma narrativa mais séria como a que a Rockstar passou a adoptar nos seus jogos. É claro que não estava à espera de uma narrativa à lá L.A. Noire, até porque mesmo nos GTAs que se seguiram sempre houve um pouco de bom humor, mas esperava que já houvesse alguma narrativa que conduzisse uma história com princípio e fim. Até porque o jogo começa logo com uma cutscene em full motion vídeo, repleta de acção e perseguições policiais, mas já o final… bom, é melhor não dizer nada.

De resto, para quem jogou o GTA original a jogabilidade mantém-se muito idêntica. É verdade que prefiro a versão PC a esta da Playstation devido aos controlos, mas talvez seja só uma questão de hábito. Continuamos a ter imensos veículos para conduzir, desde pequenos “mata-velhos” até tanques de guerra e as armas também são ainda mais variadas. Os conflitos policiais podem agora ser escalados de tal forma que temos carrinhas SWAT, agentes federais especiais ou até o exército norte-americano atrás de nós com tanques e soldados fortemente armados. Podemos também equipar os nossos carros com armadilhas como soltar óleo na estrada para despistar os polícias ou mesmo equipar metralhadoras. É uma novidade interessante, mas dado à fragilidade dos carros não me pareceu que compensasse muito. O conceito dos diferentes gangues também acrescenta algumas novas possibilidades, pois mediante as nossas relações com cada grupo, eles podem ser inofensivos e até ajudarem-nos nos confrontos com as forças da Lei, ou por outro lado também nos podem atacar. Outros extras como os Kill Frenzy ou mesmo algumas missões bónus também existem nesta sequela e aqui é possível fazer save game a qualquer momento, bastando para isso procurar uma igreja que costuma estar em território neutro no mapa e ter pelo menos 50000 dólares na nossa conta. É melhor que não haver save nenhum, e excepto as missões finais de cada capítulo, estas também as podemos repetir caso as falhemos à primeira.

Para nos auxiliar, existem vários marcadores com a direcção que devemos seguir. Se não estivermos com nenhuma missão de momento, os apontadores indicam a localização de telefones dos diferentes gangues.
Para nos auxiliar, existem vários marcadores com a direcção que devemos seguir. Se não estivermos com nenhuma missão de momento, os apontadores indicam a localização de telefones dos diferentes gangues.

A nível gráfico não é um jogo assim tão diferente do primeiro no aspecto, embora já usem polígonos em 3D para representar a cidade, as sprites estão um pouco mais detalhadas e existem alguns efeitos de luzes que são melhores notados caso estejamos a jogar a versão PC, onde podemos jogar durante a noite. Creio que a versão Dreamcast também permite jogar à noite, mas aqui na Playstation joga-se sempre de dia, o que a meu ver até dá outro brilho ao jogo, pois durante a noite as coisas ficam muito iguais. A banda sonora continua excelente, com cada carro a tocar diferentes músicas ou diálogos nos seus rádios, consoante a estação sintonizada. A música varia do country, jazz, pop, rock, electrónica e até gospel, mas o que mais piada achei foram precisamente naqueles pequenos detalhes nos diálogos das rádios patrocinadas pelos gangues: o sotaque sulista da rádio dos rednecks a falarem de bounties em prisioneiros que se escaparam da prisão, as dificuldades técnicas dos soviéticos em transmitir, ou bizarrices em japonês na rádio patrocinada pelos Yakuza.

O nível máximo de alerta aumenta consoante o nosso progresso no jogo. Na ultima área, até o exército pode ser chamado. E vai ser, mesmo se jogarmos as missões direitinhas
O nível máximo de alerta aumenta consoante o nosso progresso no jogo. Na ultima área, até o exército pode ser chamado. E vai ser, mesmo se jogarmos as missões direitinhas

Em suma, este é um bom jogo para quem gostou do GTA original, na medida em que podemos continuar a causar o caos na cidade da mesma forma, simplesmente temos mais armas e veículos à nossa disposição para o fazer. Para quem quiser jogar de uma forma mais séria, cumprindo as várias missões da campanha, não gostei muito da introdução de gangues rivais, pelo menos não desta forma. Estava à espera que houvesse uma narrativa mais forte neste jogo, o que não aconteceu e seria difícil fazê-lo visto que podemos ir saltando de gangue em gangue à nossa vontade. Fora isso, continua a ser um jogo bem divertido e com um toque de humor negro como a Rockstar bem o sabe fazer.