Uncharted 2: Among Thieves (Sony Playstation 3 / Playstation 4)

Depois de ter terminado o primeiro Uncharted, acabei por pegar também na sua sequela logo no dia seguinte. Vinha com algumas expectativas pois gostei do primeiro jogo (atenção que joguei a sua versão remasterizada na PS4) e o Uncharted 2 é um dos títulos mais bem conceituados da Playstation 3, mesmo pelos próprios fãs. Tal como o primeiro, possuo-o para a PS3, cuja minha cópia foi comprada em 2013 na Cash Converters de Alfragide por 10€, mas acabei por me focar na versão remasterizada da PS4, cujo meu exemplar foi comprado algures no passado mês de Abril por 15€.

Jogo com caixa, manual e um folheto publicitário de filmes blu ray que não faço ideia como foi lá parar

A história decorre 2 anos após os acontecimentos do primeiro Uncharted, com Nathan Drake a envolver-se uma vez mais numa caça ao tesouro, com a “competição saudável” de um exército de mercenários. O seu objectivo desta vez é o de procurar a mítica pedra de Cintamani, referida algures nas expedições de Marco Polo ao Oriente. Para além de um assalto a um museu de história em Istambul, iremos percorrer novamente selvas e templos antigos em ruínas, desta vez em Borneo, mas grande parte do jogo é passada mesmo no Nepal, desde uma pequena cidade em pleno estado de guerra, passando por localizações remotas nas montanhas.

Colectânea Nathan Drake Collection para a PS4, no seu lançamento original, com papelada e sem manual como habitual em jogos PS4

No que diz respeito às mecânicas de jogo e controlos, as coisas são muito idênticas às do primeiro Uncharted. Mais uma vez, afirmo que joguei o primeiro Uncharted na sua versão remasterizada para a PS4. As versões PS3 apenas tinha jogado os seus demos na altura em que comprei a consola, algures em 2011. Pelo que li em várias críticas, os controlos do Uncharted 1 foram melhorados no seu remaster, que por sua vez nivelaram os controlos de igual forma nos 3 jogos presentes nessa compilação. Portanto, não senti dificuldade nenhuma ao pegar nesta sequela, que, tal como o seu antecessor, é um misto de exploração e platforming, com acção na terceira pessoa, repletos de tiroteios empolgantes e imensos abrigos para usar. Aliás, os tiroteios até me pareceram mais dinâmicos neste jogo, pois consegui alternar de abrigo em abrigo de uma forma bem mais rápida e natural. A parte do platforming é mais do mesmo, com alguns segmentos onde teremos de escalar paredes e saltar entre plataformas instáveis. Também teremos alguns puzzles ocasionais para resolver, cujas pistas estão presentes no scrapbook que Nate preparou para esta aventura. Aliás, todo o detalhe e bom humor presente nesse mesmo scrapbook foi uma agradável surpresa.

Por vezes podemos usar o elemento surpresa a nosso favor

A nível de jogabilidade creio que a grande novidade introduzida por este Uncharted 2 foi mesmo a inclusão de um modo multiplayer online, que possuía diferentes modos de jogo cooperativos e competitivos. Infelizmente não posso adiantar grandes detalhes pois os servidores foram desligados algures em 2019 e os remasters para a PS4 não incluiram qualquer modo multiplayer. Como todos os DLCs que saíram posteriormente para o Uncharted 2 estavam relacionados com o modo multiplayer (corrijam-me se estiver errado), para mim não se perdeu então nada de especial na transição para o remaster.

No que diz respeito aos audiovisuais, o Uncharted 2 era de facto um jogo excelente, ao apresentar áreas muito bem detalhadas e repletas de bonitos efeitos de luz. Mesmo a nível de performance, é um jogo bem mais estável que o seu predecessor. Portanto, nesta transição para o remaster, parece-me ter um salto qualitativo menor, quando comparado com o primeiro Uncharted, mas ainda assim o jogo corre agora a 60fps numa resolução full HD e com gráficos ligeiramente melhorados no geral face ao original da PS3. Tal como referi acima, vamos explorar diferentes áreas, a começar por um museu de história em Istambul, para depois visitar mais uma selva tropical e com algumas ruínas misteriosas. De seguida somos levados para o Nepal, com uma série de níveis que decorrem numa pequena cidade devastada pela guerra, com o jogo a prosseguir posteriormente para as montanhas nos Himalaias, onde iremos explorar povoações remotas e mais cavernas e templos antigos. Todas estas localizações estão representadas de uma forma muito convincente e confesso que me deixaram com vontade de visitar o Nepal no futuro.

Para além de ter pistas para resolver alguns puzzles, o scrapbook também tem alguns apontamentos bem humorados

Tal como o primeiro jogo, este está também representado com uma narrativa muito aliciante, e uma vez mais as personagens estão muito carismáticas e bem representadas, com um excelente voice acting. A banda sonora possui também vários temas épicos e orquestrais que representam muito bem as emoções que o jogo tenta passar. Devo dizer que gostei ainda mais do pacing deste jogo quando comparado com o primeiro. Vamos ter alguns níveis fora do comum, como mais perseguições em veículos ou um grande tiroteio num comboio, mas desta vez sinto que todos os níveis foram igualmente agradáveis de jogar, com mais ou menos desafios, mas não tão frustrantes como o nível em que tivemos de subir um rio no primeiro Uncharted. De resto, esta versão remasterizada traz o mesmo tipo de extras que no remaster do primeiro Uncharted, nomeadamente mais níveis de dificuldade (um extremamente fácil e outro extremamente difícil), mais alguns troféus, mais extras adicionais como a possibilidade de desbloquear alguns cheats como munições infinitas ou câmara lenta, ou mesmo um modo de jogo dedicado aos speedrunners, algo que me esqueci de mencionar no artigo anterior.

Tal como no primeiro jogo temos alguns momentos parkour e escalada.

Portanto, devo dizer que este Uncharted 2 me agradou bastante. A sua narrativa empolgante e com personagens carismáticas, aliado a bons controlos e uns visuais que continuam a ser bastante agradáveis deixaram-me uma vez mais agarrado ao comando. Foi mais uma excelente viagem, e compreendo o porquê de toda a gente ter gostado do jogo. Como o joguei na sua versão remaster, já não senti um grande salto qualitativo face ao primeiro jogo, mas ainda assim parece-me ser uma excelente sequela. E também tal como o primeiro remaster, este também pode ser comprado numa versão standalone.

Uncharted: Drake’s Fortune (Sony Playstation 3 / Playstation 4)

Depois de Crash Bandicoot na Playstation e Jak & Daxter na PS2 (série que planeio jogar algures no futuro), para a geração seguinte a Naughty Dog decidiu apostar num estilo de jogo diferente, mais realista e repleto de acção, tendo resultado neste Uncharted: Drake’s Fortune, lançado originalmente no final de 2007. Mas a versão que acabei mesmo por jogar é a que veio incluida na compilação Uncharted: The Nathan Drake Collection para a Playstation 4. O original joguei apenas o demo back in the day, mas depois de ter visto todos os melhoramentos que receberam na PS4, especialmente o primeiro jogo da trilogia, optei mesmo por jogá-lo na PS4. Esta minha compilação foi comprada algures no passado mês de Abril a um particular por 15€. Já o original de PS3, custou-me uns 7€ algures no início de 2016, numa das minhas visitas à CeX.

Versão original black label para a PS3, com caixa e manual

Neste Uncharted controlamos então Nathan Drake, supostamente descendente do famoso corsário Inglês Sir Francis Drake, que procura um tesouro escondido pelo seu antepassado, o mítico El Dorado. E após um breve nível algures no mar da costa do Panamá, que serve não só de introdução da história em si, mas também um tutorial básico das mecânicas de jogo, iremos posteriormente explorar templos na floresta amazónica, bem como uma grande colónia hispânica em ruínas numa ilha abandonada, em busca do mítico tesouro. Mas claro que teremos alguma concorrência, pelo que iremos enfrentar piratas modernos, mas também mercenários altamente treinados e equipados.

Colectânea Nathan Drake Collection para a PS4, no seu lançamento original, com papelada e sem manual como habitual em jogos PS4

A nível de mecânicas de jogo, esta é uma excelente mistura entre a exploração e platforming de títulos como os Tomb Raiders clássicos (se bem que com controlos bem mais agradáveis), bem como a acção e o cover-based-shooting de títulos como Gears of War. Já joguei o demo do original na PS3 há muito tempo, pelo que já não me lembro dos seus controlos, mas todas as críticas que vi à compilação The Nathan Drake Collection mencionam que os controlos nos tiroteios ficaram muito melhores face ao lançamento original. E de facto o jogo acabou por se tornar bastante agradável nos seus combates, cuja dificuldade vai aumentando à medida que vamos avançando no jogo, com os oponentes a estarem não só mais fortemente armados, bem como mais protegidos e a adoptarem tácticas inteligentes para nos flanquear. Teremos então de estar constantemente à procura de abrigos, onde nos podemos “colar” às paredes ao pressionar o botão do círculo e, com os botões L2 e R2, poderemos espreitar, apontar e disparar. Soltando o L2 voltamos à posição de abrigo. Mas lá está, também não convém estar demasiado confortável nos abrigos pois alguns podem ser destruídos por fogo inimigo e estes também nos tentam flanquear ou atirar com granadas. De resto, teremos um arsenal relativamente extenso para experimentar, com vários tipos de pistolas, metralhadoras, shotguns, sniper rifles e lança granadas ou lança rockets, sendo que apenas poderemos equipar 2 armas de fogo, uma ligeira e uma “pesada” em simultâneo, mais umas quantas granadas.

Como um bom filme de acção, o jogo está repleto de momentos emocionantes!

No que diz respeito à exploração, por vezes temos alguns puzzles para resolver, que nos obrigam a espreitar o diário de Francis Drake, que obtemos logo no início do jogo, para aprender algumas pistas de como os resolver. São puzzles intuitivos assim que observamos essas dicas. Muitas outras vezes temos também alguns segmentos de platforming, que tipicamente nos obrigam a escalar paredes, saltar entre plataformas, balancear em lianas e devo dizer que as mecânicas dos saltos são um pouco estranhas. Basicamente, a menos que seja suposto nós conseguirmos saltar do ponto A para o ponto B, Nathan executa saltos muito curtos. O que é estranho por vezes nós saltarmos e Nathan avança por aí meio metro, mas quando são saltos que é suposto acontecerem, Nathan já consegue saltar uns 2 ou 3 metros na boa. De resto, Uncharted não é só tiroteios e exploração, também teremos alguns níveis interessantes onde temos perseguições de jipe em plena selva, ou conduzir uma moto de água. Devo dizer que o último nível da moto de água, onde temos de subir um rio e esquivar de barris explosivos e outros bandidos foi um dos níveis que achei mais frustrantes.

Para resolver os puzzles que nos vão aparecendo, podemos consultar o diário de Drake

A nível audiovisual, este Uncharted era realmente impressionante para um título de 2007, com níveis muito bem detalhados, excelentes efeitos de luz e água para a época, uma narrativa com voice acting competente, personagens bem carismáticas e, acima de tudo, um pacing bastante aliciante que agradava não só a quem estivesse a jogar, mas também para quem estivesse simplesmente a ver jogar, o que foi o que aconteceu aqui em casa. A minha namorada por vezes estava bem mais entusiasmada a ver-me jogar do que eu próprio, principalmente nalguns momentos mais desafiantes, como os combates na catedral, ou a subida do rio em moto de água. Já este remaster na PS4 apresenta ainda melhores efeitos de luz, cenários com ainda mais detalhe e, acima de tudo, uma performance bem mais fluída, pois o original tinha várias quebras de frame rate e alguns problemas na renderização das texturas.

O platforming e escaladas impossíveis fazem parte do ADN de Uncharted

Para além do notório update gráfico (e uniformização dos controlos e aparência de Drake ao longo dos 3 jogos desta compilação), o remaster da PS4 incluiu ainda dois novos níveis de dificuldade (um muito fácil e outro muito difícil), alguns trophies adicionais e outros bónus como a possibilidade de activar alguns tweaks, como o modo câmara lenta. Podemos também desbloquear um modo de jogo próprio para speedrunning, e uma série de estatísticas que comparam as nossas skills com as dos nossos amigos da PSN, como número de inimigos derrotados, com que armas usadas e por aí fora. São coisinhas interessantes, mas poder jogar uma versão com controlos melhorados e audiovisuais refinados foram sem dúvida os principais motivos que me levaram a pegar neste Uncharted precisamente neste remaster da PS4.

Um dos bónus do jogo é o Photo Mode, onde podemos tirar alguns screenshots e embelezá-los

Portanto devo dizer que gostei bastante deste Drake’s Fortune, excepto pelas mecânicas de salto por vezes frustrantes (provavelmente poderá ser problema da minha TV mas achei o jogo bastante escuro em certas partes que acabou por atrapalhar um bocado) e, desculpem lá os spoilers a quem não jogou este jogo ainda, a introdução dos Descendants já na recta final do jogo. Estava a adorar todo o realismo e a Naughty Dog decidiu borrar um pouco a pintura ao introduzir aquela espécie de zombies já perto do final do jogo, é uma pena. Mas tanto eu como a minha namorada ficamos cheios de vontade de começar o segundo jogo, que é o que iremos fazer já de seguida. Antes disso convém também referir que esta versão remastered (bem como o Uncharted 2 e 3) estão também disponíveis standalone para quem preferir.

Flashback 25th Anniversary (Sony Playstation 4)

Aquando dos 15 e 20 anos após o lançamento do clássico Another World, foram sendo lançadas algumas conversões/remasters para sistemas modernos. Quando Flashback fez 25 anos também teve direito a um lançamento especial, que é o que vos trago agora. Confesso que nunca tinha pegado em nenhuma das reedições do Another World, mas, quando comprei esta edição, estava na expectativa que fosse muito mais do que uma simples conversão com alguns extras, pelo que me desiludiu um pouco. Só depois vim a descobrir que, em 2013, foi lançado, de forma exclusivamente digital, um verdadeiro remake deste clássico. O meu exemplar foi comprado na Worten no final de Abril, tendo-me custado 10€.

Jogo com caixa, manual (!!!),, sleeve e autocolantes

Ora mas em que é que consiste este Flashback, portanto? Já cá abordei a versão Mega Drive no passado e esta reedição traz exactamente o mesmo jogo, mas upscaled para resoluções HD, com a opção de incluir alguns filtros gráficos, bem como novos efeitos sonoros. A nível de jogabilidade em si, a única novidade está mesmo na função do rewind, ou seja, sempre que morrermos poderemos voltar um pouco atrás no tempo (creio que o máximo são 2 minutos) e tentar novamente, sem precisarmos de recarregar o nosso save. E visto que não melhoraram os controlos face ao original, esta adição do rewind acaba por ser muito benvinda. É que o Flashback e Another World originalmente possuem controlos arcaicos e com timings muito próprios, tornando alguns saltos ou mesmo combates algo frustrantes. Naturalmente que com práctica as coisas vão lá, mas seria interessante que aproveitassem estes remakes para também oferecer opções alternativas de controlo, pelo que o rewind foi muito benvindo e usado (e abusado) na playthrough que fiz.

O jogo não possui suporte a widescreen, mas podemos desactivar aquelas barras laterais manhosas

No que diz respeito aos audiovisuais, tanto o Another World como o Flashback eram impressionais. Tal como no Prince of Persia usaram técnicas de captura de movimentos semelhantes para ilustrar as animações das personagens e os cenários eram também muito interessantes e bem detalhados. O jogo possuía também uma série de cutscenes incríveis tendo em conta que em muitas plataformas que os receberam, o armazenamento de um cartucho era extremamente limitado. Não temos voice acting, mas as músicas surgem com um certo peso e medida, com pequenas melodias a surgirem em certos momentos chave do jogo, resultando numa experiência bastante atmosférica e cinematográfica. E tudo isso está aqui representado tal como os criadores ambicionaram originalmente. Como já referi acima temos a possibilidade de alternar entre as músicas e efeitos sonoros modernos e os originais, bem como definir uma série de filtros gráficos. Confesso que no caso desses filtros apenas mantive o das scanlines e desactivei todos os outros, pois apresentavam uma imagem mais “borratada” e eu gosto de apreciar um bom pixel art.

Os filtros gráficos por defeito suavizam os pixeis mas prefiri desactivar essas opções pois não gostei do resultado final.

Portanto tudo isto é muito giro, mas confesso que, para o jogo que é, estava à espera de outro tipo de tratamento. Esperava um remaster com um sistema de controlo mais fluído, e talvez com gráficos 2D mais detalhados, mas sempre com a opção de podermos também jogar uma representação mais fiel ao original. Os filtros gráficos que adicionaram são a meu ver practicamente inúteis tirando as scanlines, já os controlos continuam arcaicos e com timings muito específicos. É sem dúvida uma questão de prática e esta versão física até possui um manual que explica os controlos extensivamente (o mesmo também pode ser visto a qualquer momento no menu do ecrã de pausa), mas a adição do rewind foi sem dúvida muito benvinda. Portanto esta reedição do Flashback é sem dúvida um título feito a pensar nos fãs do original, e não tanto para atrair novos fãs. Confesso que fiquei curioso com o remake lançado digitalmente em 2003.

Last Rebellion (Sony Playstation 3)

Ora cá está um JRPG que foi tão criticado após o seu lançamento (aparentemente até responsáveis da NIS, Nippon Ichi Software, pediram desculpa pela sua péssima qualidade), que o seu preço acabou por cair a pique. Lembro-me de o ver novo na FNAC há uns valentes anos a ser despachado por algo entre os 7 e os 10€ e eu na altura acabei por não aproveitar, mas vim a comprá-lo mais tarde numa Cash Converters a um preço semelhante. E é verdade que é um jogo muito pouco polido e com imenso potencial desperdiçado, mas também já joguei muito pior.

Jogo com caixa e manual

Começando pela história, esta é mediocre. Basicamente somos levados para o mundo de Junovald, governado pelos deuses Formival e Meitilia. Formival é o responsável por trazer vida ao mundo, enquanto Meitilia é a deusa da morte. Tudo estava bem, o balanço entre vida e morte estava equilibrado, mas um dos deuses decidiu tramar alguma e quebrou o balanço. Certamente pensaríamos que Meitilia estava por detrás disso, mas não, foi Formival, o deus da vida que quebrou esse equilibrio, ao ressuscitar as almas de quem morre, muitas vezes em monstros e demónios e lançando aquele mundo num caos de várias guerras e conflitos. Para tentar restaurar o equilíbrio natural entre vida e morte, e para defrontar as forças de Formival, as nações de Junovald apoiam-se nos talentos de 2 tipos de guerreiros, os Blades e os Sealers. Os primeiros são guerreiros de elite, enquanto os sealers têm o poder de destruir almas, evitando que sejam ressuscitadas. Pois bem, nós vamos acabar por controlar ambos, nomeadamente o blade Nine, e a sealer Aisha, mas com a particularidade de ambos serem almas distintas que partilham o mesmo corpo físico. É que coisas acontecem logo no início do jogo e Nine acaba por ser assassinado durante um ataque surpresa, mas Aisha consegue ressuscitá-lo recorrendo a um feitiço proibido, com ambas as almas a partilharem o mesmo corpo. Sinceramente até achei este conceito bastante original e interessante, mas a narrativa acaba por ser mesmo muito medíocre e a história não evolui grande coisa.

O sistema de batalha é interessante e se for explorado em nosso proveito, pode-nos facilitar imenso todo o grinding

A jogabilidade, principalmente a dos combates, também é interessante mas infelizmente mais uma vez ficou ali muito potencial desperdiçado. Quando estamos fora de combate, podemos alternar entre a forma física de Nine ou Aisha, sendo que forma de Aisha vamos regenerando os pontos de vida, enquanto que na forma de Nine regeneramos os pontos de mana. Tanto numa forma como noutra poderemos também aceder ao menu e usar itens ou magias, como regenerativas, ou outras úteis como run ou float, que nos premitem andar bem mais rápido ou flutuar durante algum tempo. Agora o problema aqui é que cada personagem possui um set de magias distintas, mas quando abrimos o menu das mesmas, vemos as magias de ambas as personagens, mas apenas podemos executar as da personagem que estamos a encarnar no momento! Era um problema de fácil solução, digo eu…

Mas passando para o sistema de combate, este é um RPG com combates por turnos, embora os combates não sejam aleatórios, pois os inimigos estão visíveis enquanto navegamos pelo mundo. Temos um turno para os inimigos e um turno para nós, onde aqui já conseguimos controlar Nine e Aisha separadamente, e onde poderemos seleccionar as magias de cada um isoladamente, sem confusões. Mas o foco do jogo está precisamente no sistema de stamping e seus combos. Os ataques físicos são stamp attacks, onde poderemos definir que zonas do corpo dos adversários queremos atingir e por qual ordem, sendo que cada zona do corpo seleccionada consumimos um Chain Point, cuja reserva é tipicamente muito mais reduzida quando comparada com a barra de vida ou de mana. Ora à medida que vamos atacando (e acertando!) nas diferentes partes do corpo dos adversários, estas ficam marcadas por alguns turnos (número visível no ecrã), sendo que depois poderemos activar as stamp magic, ou seja, magias ofensivas que irão atingir todas as zonas previamente marcadas. Ora isto vai resultando numa grande sequência de pontos de dano!

Os inimigos estão todos visíveis nas zonas que exploramos, excepto aqueles que temos de desmascarar com o feitiço True Sight

Para além disso, se acertarmos nas partes do corpo dos inimigos por uma certa ordem, para além de darmos mais dano, o jogo vai também activando um sistema de combos que irá resultar num multiplicador de pontos de experiência no final da batalha. É certo que adivinhar as fraquezas de cada inimigo deveria ser um sistema de tentativa erro, mas a informação está toda na internet. Então por cada inimigo novo, podemos memorizar a ordem pela qual atacamos as suas partes do corpo com o botão L1 e posteriormente basta chamá-las com o botão R1 nos combates seguintes. Facilmente conseguimos chegar a combos de 999 pontos bónus, o que nos vai dando boosts de experiência astronómicos, tornando o jogo muito fácil do início ao fim. À medida que vamos subindo de nível, os inimigos vão-nos dando cada vez menos (ou nenhuma!) experiência, pelo que os multiplicadores deixam de fazer sentido até conseguirmos encontrar inimigos mais fortes na zona seguinte. Mas tirando o facto de podermos explorar este sistema para tirar muita vantagem a nosso proveito, mais uma vez há aqui coisas que não fazem muito sentido, como por exemplo muitas das magias ofensivas que vamos desbloqueando. É que tirando as magias elementais de fogo, gelo e electricidade, todas as outras que experimentei não funcionaram uma única vez. Depois de ter investigado na internet, aparentemente essas magias foram feitas para funcionar apenas num ou noutro tipo de inimigos, que tipicamente aparecem numa zona e depois nunca mais. Mais um desleixo da Hitmaker!

Tipicamente devemos aproveitar os bosses para conseguir multiplicadores de 999 pontos bónus e ganhar milhares de pontos de experiência no final

Mas ainda no sistema de combate, apesar de aqui podermos controlar Nine e Aisha separadamente, ambos continuam a partilhar o mesmo corpo, pelo que a barra de vida, mana e chain points é comum a ambos. Ou seja, se um sofrer pontos de dano, ambos são afectados. Para além disso, se um for envenenado, paralizado ou sofrer outra alteração de estado qualquer, ambos são uma vez mais afectados, o que pode dificultar um pouco as coisas se não explorarem o sistema de combate para tornarem as vossas personagens overpowered ao longo de todo o jogo. E convém também referir que uma vez derrotados os inimigos, a batalha ainda não terminou. É esta a altura de usar as habilidades especiais de Nine ou Aisha, com Aisha a poder selar as almas dos inimigos derrotados, absorvendo alguns pontos de vida no processo. Já Nine pode absorver pontos de magia, mas isto não derrota os inimigos completamente, pelo contrário acelera o seu processo de ressuscitamento, caso Aisha não os sele atempadamente.

As áreas que iremos explorar vão-se tornando algo labirínticas na segunda metade do jogo, mas nada de muito confuso

Já no que diz respeito aos audiovisuais, vamos por partes e começar pelo som. A banda sonora parece-me variada e com algumas músicas bem agradáveis até. Temos voice acting em inglês em todas as cutscenes e apesar deste até ser minimamente decente, com Nine a ser uma personagem bastante sarcástica, a verdade é que a narrativa no geral é muito pobre, pelo que os talentos dos actores também nunca são propriamente aproveitados. Gostaria de ter a possibilidade de ouvir o voice acting em japonês, mas aparentemente a versão japonesa nem voice acting tem pelo que li por aí (corrijam-me se estiver errado), o que acaba por ser um ponto positivo para esta versão ocidental. Agora o problema é que os volumes estão completamente desregulados e apesar de ser possível ajustar o volume de vozes, músicas e efeitos sonoros nas opções, na verdade mesmo sem mexer em nada vamos ter volumes distintos para as mesmas coisas em diferentes partes do jogo. Logo a começar na cutscene inicial de apresentação que está num volume bem mais baixo do que todo o restante jogo. Mais um sinal de desleixo!

A história vai sendo ilustrada com uma série de imagens estáticas desenhadas e pintadas à mão

Agora a nível gráfico… bom… quase que me atrevo a dizer que já vi jogos de PS2 mais bonitos. Na verdade não deve ser bem assim, mas sinceramente é o que parece. Os mundos possuem tão pouco detalhe gráfico, texturas tão manhosas e inimigos com tão poucos polígonos e detalhe que sinceramente é a impressão que dá. E para além disso o próprio mundo é um local desinteressante para explorar, não temos grandes NPCs para interagir, nem cidades ou outras lojas para explorar… Depois todas as cutscenes são também muito pobres na sua apresentação. Não há cá clips em CG, nem sequer com o motor gráfico do jogo, mas sim uma série de ilustrações estáticas das personagens intervenientes na história. São tipicamente ilustrações muito genéricas apenas com os seus retratos, mas ocasionalmente lá aparecem algumas outras ilustrações com mais algum contexto. É verdade que são desenhos pintados à mão e tal, mas a nível de apresentação esperava mais algum esforço. E mesmo assim, embora isto já seja meramente uma questão de gostos pessoais, nos ecrãs de loading vamos vendo algumas ilustrações de artistas convidados e devo dizer que acho algumas destas ilustrações bem superiores face às do artista principal.

Portanto este Last Rebellion acaba por ser um jogo que até tem algumas ideias interessantes, como o seu sistema de batalha, ou o facto de controlarmos 2 personagens distintas que habitam no mesmo corpo. Mas o seu enorme desleixo na apresentação, ou nalguns detalhes das suas mecânicas de jogo, fazem plena justiça a todas as críticas que recebeu. Mas não é propriamente um jogo injogável, até que é um RPG bastante curto e bem simples de terminar a 100%, pelo que se o apanharem baratinho, dêem-lhe uma oportunidade, mas não esperem nenhuma obra prima.

Hogs of War (Sony Playstation)

roduzido pela Infogrames Sheffield, o mesmo estúdio conhecido anteriormente por Gremlin Interactive, este Hogs of War é um divertidíssimo jogo de estratégia por turnos que sempre me passou um pouco ao lado pois eu achava que era um RTS. Na verdade, pensem neste jogo como um Worms, totalmente em 3D, mas com porcos militares em vez de minhocas, e um óptimo sentido de humor! O meu exemplar foi comprado algures em Setembro de 2018, numa das minhas idas à feira da Vandoma no Porto. Já não me recordo do preço mas foi certamente barato, menos de 5€.

Jogo com capa e manual, versão Best Of Infogrames que planeio substituir assim que houver oportunidade

O jogo é sem dúvida inspirado pela primeira Guerra Mundial, não só pelos uniformes das nações envolvidas no conflito, mas também por muitas das armas que poderemos utilizar, incluindo os bombardeamentos aéreos que podemos invocar, com bombas largadas por Zeppelins que sobrevoam os campos de batalha. No modo de campanha, começamos precisamente por escolher qual a nação que queremos representar: O Reino Unido está representado pelos Tommy’s Trotters, com uniformes verde escuro, a França pelos Garlic Grunts e uniformes azuis escuros, a Alemanha pelos Sow-A-Krauts e seus uniformes cinzentos, os Estados Unidos pelos Uncle Ham’s Hogs e seus uniformes azuis claros, a Rússia pelos Piggystroika e uniformes vermelhos e por fim o Japão pelos Sushi Swine e uniformes amarelos. E sim, o jogo está repleto de esteriótipos de diferentes nações, desde os nomes dos próprios soldados (o Japão tem um chamado Raw Fish) mas também pelos diálogos e pronúncias dos diferentes exércitos, com muitos americanos com sotaque sulista, ou Russos alcoolizados. Se o Hogs of War fosse um jogo recente, certamente iria ser muito criticado pelos paladinos do teclado que vemos hoje em dia, mas eu sinceramente não vejo nada de errado com aqueles esteriótipos, quando todos são usados com sentido de humor e não há nenhuma nação aqui representada que não os tenha!

Antes de começarmos a campanha temos direito a um tutorial extensivo que nos ensinam os controlos e as mecânicas base

Mas pronto, depois de termos escolhida a nação que queremos representar, somos levados a um campo de treino, onde aprenderemos os controlos do jogo. Uma vez passado, começamos a verdadeira campanha: todas as nações acima mencionadas procuram controlar as ilhas do arquipélago de Saustralasia, conhecidas pelas suas reservas naturais de lavagem, bastante cobiçadas por todas as nações suínas. E aqui vamos tendo um esquadrão de 5 porcos (mais 3 de reserva), que iremos gerir ao longo das mais de 2o missões que teremos de jogar no modo campanha, onde em cada uma conquistaremos território ocupado por forças inimigas. Inicialmente cada porco é um soldado raso, com pouca vida e um equipamento limitado a uma espingarda mais respectiva baioneta, ou granadas. Mas à medida que vamos avançando na campanha e também cumprindo objectivos secundários (como destruir artilharia inimiga) vamos sendo recompensados com os promotion points, que poderemos usar para evoluir as nossas tropas.

O maior desafio será mesmo calcular o ângulo e força necessária para a maior parte dos projécteis explosivos

De soldado raso poderemos depois especializar-nos em 4 ramos distintos, que irão influenciar o equipamento que cada soldado carrega ao iniciar cada missão. Teremos então os heavy weapons, onde poderemos vir a utilizar bazookas, morteiros ou lança chamas, os engineers, que vão mantendo um arsenal com vários tipos de explosivos e minas, para além de serem uma classe que consegue identificar a localização das minas em campos minados. A classe de espionage vai-nos dando sniper rifles, bombas de gás venenoso, a possibilidade de se camuflarem ou roubarem itens a soldados inimigos. Os espiões têm também a vantagem da sua posição não surgir no mini-mapa, pelo que teremos de a memorizar sempre que os vemos em movimento. Por fim temos a classe médica, cujo armamento, para além do arsenal básico dos soldados rasos, vai tendo vários itens para regenerar vida dos restantes soldados. Cada uma destas classes tem 3 níveis de patentes, com os pontos de vida a incrementar entre si e o armamento que carregam também. Mas depois todas estas opções de carreira convergem nas últimas duas patentes: os Commandos e Heroes, que vão buscar um bocadinho dos arsenais das classes anteriores, mais a possibilidade de nadar em corpos de água sem perder vida e usar jetpacks. A classe dos Heroes, sendo a mais avançada que podemos alcançar, é a que tem um máximo de pontos de vida e a única que possui no seu armamento base a possibilidade de chamar um raid aéreo. No entanto, ao longo do jogo vamos recebendo alguns air drops contendo munições especiais, ou mesmo medkits, que tanto podem ser apanhados e usados por nós, como pelos soldados inimigos.

No final de cada missão vamos recebendo promotion points de acordo com a nossa performance, que podem ser gastos ao promover as nossas tropas, adquirindo novas habilidades e mais pontos de vida.

Tal como nos Worms, as missões são jogadas por turnos, com cada turno a alternar entre soldados de facções diferentes. Aqui teremos alguns segundos para nos movimentarmos à vontade, apanhar pick-ups e finalmente atacar os adversários, que irá finalizar o nosso turno. Tal como no Worms também, atirar granadas, ou qualquer outro explosivo com uma trajectória parabólica será sempre algo tentativa-erro, pois teremos de não só escolher o ângulo, mas também a força do lançamento. E claro, podemos sempre atingir soldados da nossa equipa (sim, temos friendly fire) e mesmo quando conseguimos matar um soldado inimigo, temos de ter cuidado pois eles explodem depois de morrer, o que nos pode causar dano se estivermos muito próximos. De resto, para além do modo campanha, teremos também uma vertente multiplayer com algumas variações de deathmatch, mas confesso que não as experimentei.

Ocasionalmente lá teremos algumas cutscenes cheias de bom humor!

A nível audiovisual devo dizer que este é um título interessante. De um ponto meramente técnico, é um jogo simples, pois cada área de jogo é um mapa relativamente pequeno e com pouco detalhe gráfico, com algumas montanhas e terrenos distintos, algumas peças de artilharia ou outros edifícios básicos. Mas se os gráficos em si são simples e banais, é precisamente na apresentação, nas animações e falas repletas de um bom sentido de humor que este Hogs of War marca todos os seus pontos. Tal como referi anteriormente, é um jogo repleto de esteriótipos de todas as nações intervenientes, mas sempre com bom humor na minha opinião. Acho que se alguém se sentir ofendido com coisas tão banais e sem maldade, deve ser simplesmente uma pessoa muito triste. De resto, contem também com algumas cutscenes ocasionais repletas de bom humor, bem como inúmeras falas também bem humoradas, como já referi anteriormente.

Portanto, devo dizer que fiquei agradavelmente surpreendido com este Hogs of War. Na minha opinião um óptimo clone de Worms em 3D, muito antes de ter saído o primeiro Worms em 3D também! Para além da versão Playstation, o jogo tinha saído também no PC, cuja versão acabou por ser adaptada para correr em sistemas operativos mais recentes, estando disponível tanto no steam e GOG, mas confesso que não as conheço, nem sei se trazem algum extra face à versão PS1.