Last Rebellion (Sony Playstation 3)

Ora cá está um JRPG que foi tão criticado após o seu lançamento (aparentemente até responsáveis da NIS, Nippon Ichi Software, pediram desculpa pela sua péssima qualidade), que o seu preço acabou por cair a pique. Lembro-me de o ver novo na FNAC há uns valentes anos a ser despachado por algo entre os 7 e os 10€ e eu na altura acabei por não aproveitar, mas vim a comprá-lo mais tarde numa Cash Converters a um preço semelhante. E é verdade que é um jogo muito pouco polido e com imenso potencial desperdiçado, mas também já joguei muito pior.

Jogo com caixa e manual

Começando pela história, esta é mediocre. Basicamente somos levados para o mundo de Junovald, governado pelos deuses Formival e Meitilia. Formival é o responsável por trazer vida ao mundo, enquanto Meitilia é a deusa da morte. Tudo estava bem, o balanço entre vida e morte estava equilibrado, mas um dos deuses decidiu tramar alguma e quebrou o balanço. Certamente pensaríamos que Meitilia estava por detrás disso, mas não, foi Formival, o deus da vida que quebrou esse equilibrio, ao ressuscitar as almas de quem morre, muitas vezes em monstros e demónios e lançando aquele mundo num caos de várias guerras e conflitos. Para tentar restaurar o equilíbrio natural entre vida e morte, e para defrontar as forças de Formival, as nações de Junovald apoiam-se nos talentos de 2 tipos de guerreiros, os Blades e os Sealers. Os primeiros são guerreiros de elite, enquanto os sealers têm o poder de destruir almas, evitando que sejam ressuscitadas. Pois bem, nós vamos acabar por controlar ambos, nomeadamente o blade Nine, e a sealer Aisha, mas com a particularidade de ambos serem almas distintas que partilham o mesmo corpo físico. É que coisas acontecem logo no início do jogo e Nine acaba por ser assassinado durante um ataque surpresa, mas Aisha consegue ressuscitá-lo recorrendo a um feitiço proibido, com ambas as almas a partilharem o mesmo corpo. Sinceramente até achei este conceito bastante original e interessante, mas a narrativa acaba por ser mesmo muito medíocre e a história não evolui grande coisa.

O sistema de batalha é interessante e se for explorado em nosso proveito, pode-nos facilitar imenso todo o grinding

A jogabilidade, principalmente a dos combates, também é interessante mas infelizmente mais uma vez ficou ali muito potencial desperdiçado. Quando estamos fora de combate, podemos alternar entre a forma física de Nine ou Aisha, sendo que forma de Aisha vamos regenerando os pontos de vida, enquanto que na forma de Nine regeneramos os pontos de mana. Tanto numa forma como noutra poderemos também aceder ao menu e usar itens ou magias, como regenerativas, ou outras úteis como run ou float, que nos premitem andar bem mais rápido ou flutuar durante algum tempo. Agora o problema aqui é que cada personagem possui um set de magias distintas, mas quando abrimos o menu das mesmas, vemos as magias de ambas as personagens, mas apenas podemos executar as da personagem que estamos a encarnar no momento! Era um problema de fácil solução, digo eu…

Mas passando para o sistema de combate, este é um RPG com combates por turnos, embora os combates não sejam aleatórios, pois os inimigos estão visíveis enquanto navegamos pelo mundo. Temos um turno para os inimigos e um turno para nós, onde aqui já conseguimos controlar Nine e Aisha separadamente, e onde poderemos seleccionar as magias de cada um isoladamente, sem confusões. Mas o foco do jogo está precisamente no sistema de stamping e seus combos. Os ataques físicos são stamp attacks, onde poderemos definir que zonas do corpo dos adversários queremos atingir e por qual ordem, sendo que cada zona do corpo seleccionada consumimos um Chain Point, cuja reserva é tipicamente muito mais reduzida quando comparada com a barra de vida ou de mana. Ora à medida que vamos atacando (e acertando!) nas diferentes partes do corpo dos adversários, estas ficam marcadas por alguns turnos (número visível no ecrã), sendo que depois poderemos activar as stamp magic, ou seja, magias ofensivas que irão atingir todas as zonas previamente marcadas. Ora isto vai resultando numa grande sequência de pontos de dano!

Os inimigos estão todos visíveis nas zonas que exploramos, excepto aqueles que temos de desmascarar com o feitiço True Sight

Para além disso, se acertarmos nas partes do corpo dos inimigos por uma certa ordem, para além de darmos mais dano, o jogo vai também activando um sistema de combos que irá resultar num multiplicador de pontos de experiência no final da batalha. É certo que adivinhar as fraquezas de cada inimigo deveria ser um sistema de tentativa erro, mas a informação está toda na internet. Então por cada inimigo novo, podemos memorizar a ordem pela qual atacamos as suas partes do corpo com o botão L1 e posteriormente basta chamá-las com o botão R1 nos combates seguintes. Facilmente conseguimos chegar a combos de 999 pontos bónus, o que nos vai dando boosts de experiência astronómicos, tornando o jogo muito fácil do início ao fim. À medida que vamos subindo de nível, os inimigos vão-nos dando cada vez menos (ou nenhuma!) experiência, pelo que os multiplicadores deixam de fazer sentido até conseguirmos encontrar inimigos mais fortes na zona seguinte. Mas tirando o facto de podermos explorar este sistema para tirar muita vantagem a nosso proveito, mais uma vez há aqui coisas que não fazem muito sentido, como por exemplo muitas das magias ofensivas que vamos desbloqueando. É que tirando as magias elementais de fogo, gelo e electricidade, todas as outras que experimentei não funcionaram uma única vez. Depois de ter investigado na internet, aparentemente essas magias foram feitas para funcionar apenas num ou noutro tipo de inimigos, que tipicamente aparecem numa zona e depois nunca mais. Mais um desleixo da Hitmaker!

Tipicamente devemos aproveitar os bosses para conseguir multiplicadores de 999 pontos bónus e ganhar milhares de pontos de experiência no final

Mas ainda no sistema de combate, apesar de aqui podermos controlar Nine e Aisha separadamente, ambos continuam a partilhar o mesmo corpo, pelo que a barra de vida, mana e chain points é comum a ambos. Ou seja, se um sofrer pontos de dano, ambos são afectados. Para além disso, se um for envenenado, paralizado ou sofrer outra alteração de estado qualquer, ambos são uma vez mais afectados, o que pode dificultar um pouco as coisas se não explorarem o sistema de combate para tornarem as vossas personagens overpowered ao longo de todo o jogo. E convém também referir que uma vez derrotados os inimigos, a batalha ainda não terminou. É esta a altura de usar as habilidades especiais de Nine ou Aisha, com Aisha a poder selar as almas dos inimigos derrotados, absorvendo alguns pontos de vida no processo. Já Nine pode absorver pontos de magia, mas isto não derrota os inimigos completamente, pelo contrário acelera o seu processo de ressuscitamento, caso Aisha não os sele atempadamente.

As áreas que iremos explorar vão-se tornando algo labirínticas na segunda metade do jogo, mas nada de muito confuso

Já no que diz respeito aos audiovisuais, vamos por partes e começar pelo som. A banda sonora parece-me variada e com algumas músicas bem agradáveis até. Temos voice acting em inglês em todas as cutscenes e apesar deste até ser minimamente decente, com Nine a ser uma personagem bastante sarcástica, a verdade é que a narrativa no geral é muito pobre, pelo que os talentos dos actores também nunca são propriamente aproveitados. Gostaria de ter a possibilidade de ouvir o voice acting em japonês, mas aparentemente a versão japonesa nem voice acting tem pelo que li por aí (corrijam-me se estiver errado), o que acaba por ser um ponto positivo para esta versão ocidental. Agora o problema é que os volumes estão completamente desregulados e apesar de ser possível ajustar o volume de vozes, músicas e efeitos sonoros nas opções, na verdade mesmo sem mexer em nada vamos ter volumes distintos para as mesmas coisas em diferentes partes do jogo. Logo a começar na cutscene inicial de apresentação que está num volume bem mais baixo do que todo o restante jogo. Mais um sinal de desleixo!

A história vai sendo ilustrada com uma série de imagens estáticas desenhadas e pintadas à mão

Agora a nível gráfico… bom… quase que me atrevo a dizer que já vi jogos de PS2 mais bonitos. Na verdade não deve ser bem assim, mas sinceramente é o que parece. Os mundos possuem tão pouco detalhe gráfico, texturas tão manhosas e inimigos com tão poucos polígonos e detalhe que sinceramente é a impressão que dá. E para além disso o próprio mundo é um local desinteressante para explorar, não temos grandes NPCs para interagir, nem cidades ou outras lojas para explorar… Depois todas as cutscenes são também muito pobres na sua apresentação. Não há cá clips em CG, nem sequer com o motor gráfico do jogo, mas sim uma série de ilustrações estáticas das personagens intervenientes na história. São tipicamente ilustrações muito genéricas apenas com os seus retratos, mas ocasionalmente lá aparecem algumas outras ilustrações com mais algum contexto. É verdade que são desenhos pintados à mão e tal, mas a nível de apresentação esperava mais algum esforço. E mesmo assim, embora isto já seja meramente uma questão de gostos pessoais, nos ecrãs de loading vamos vendo algumas ilustrações de artistas convidados e devo dizer que acho algumas destas ilustrações bem superiores face às do artista principal.

Portanto este Last Rebellion acaba por ser um jogo que até tem algumas ideias interessantes, como o seu sistema de batalha, ou o facto de controlarmos 2 personagens distintas que habitam no mesmo corpo. Mas o seu enorme desleixo na apresentação, ou nalguns detalhes das suas mecânicas de jogo, fazem plena justiça a todas as críticas que recebeu. Mas não é propriamente um jogo injogável, até que é um RPG bastante curto e bem simples de terminar a 100%, pelo que se o apanharem baratinho, dêem-lhe uma oportunidade, mas não esperem nenhuma obra prima.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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Uma resposta a Last Rebellion (Sony Playstation 3)

  1. Helinux diz:

    Show de bola!!! Bela analise!!!!

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