Yakuza 4 (Sony Playstation 3 / Playstation 4)

Continuando pela série Yakuza/Like a Dragon, chegou agora a vez de finalmente jogar este Yakuza 4. E tal como no seu predecessor, este foi um jogo saído inicialmente e em exclusivo para a Playstation 3, tendo posteriormente recebido uma versão remastered disponível nas consolas da geração seguinte e foi precisamente essa versão remastered que acabei por jogar. A minha versão PS3 foi comprada em Março de 2013 numa Mediamarkt por 20€, lembro-me de ter visto o jogo 10€ mais barato no ano seguinte no mesmo local, mas ainda assim tinha achado um bom preço. A versão remastered veio precisamente na Yakuza Remastered Collection que comprei em pre-order em 2020 para a PS4.

Jogo com caixa, manual e papelada

Ao contrário do Yakuza 3 que teve originalmente um processo de localização para o ocidente bastante atribulado, de tal forma que a versão PS3 chegou a ter muito conteúdo opcional removido. Felizmente na sequela a Sega manteve o jogo largamente intacto perante o lançamento original (excepto a inclusão do mini-jogo Answer X Answer mas sinceramente acho que não se perdeu muito ali) e esta versão remastered também manteve a mesma linha. A única diferença relevante desta versão remastered é o facto de um actor diferente dar a cara a uma das personagens principais. Isto porque o actor original viu-se envolvido num escândalo de consumo de drogas e, mesmo depois de ter sido declarado inocente, acabou por abandonar a carreira de actor e a Sega neste remaster lá mudou a sua aparência para outro actor. No Japão estes escândalos são levados muito a sério!

Edição limitada da remastered collection com sleeve exterior de cartão, caixa de cartão desdobrável com uma arte interessante, um pequeno manual, autocolante e uma caixa vazia do Yakuza 5 para a PS3, cujo lançamento físico ocidental nunca se concretizou.

A história decorre então um ano após os acontecimentos do terceiro jogo e pela primeira vez na série jogamos com alguém que não o Kiryu. Na verdade este jogo tem a particularidade de ter 4 personagens jogáveis, sendo eles: Shun Akiyama, um excêntrico agiota que empresta largas quantias dinheiro a qualquer pessoa sem taxas de juro logo que estas passem num teste à sua escolha, Taiga Saejima, o bro de Majima e cujo background é revisitado no Yakuza 0, Masayoshi Tanimura, um detective de Kamurocho e finalmente o Kiryu. Cada personagem vai ter uma secção do jogo inteiramente dedicada a ela e com 4 capítulos cada, sendo que teremos também um capítulo final (que por sinal é excelente) que nos obriga a jogar com toda a gente novamente. Não me vou alongar muito com a história, mas digamos que tudo começa com um assassinato entre membros de facções rivais dos Yakuza. Cada personagem começa por ter todo um subplot próprio, mas rapidamente todas as coisas se começarão a interligar umas com as outras e a narrativa vai evoluindo de um simples homicídio para uma grande conspiração que irá envolver muitas caras novas e outras já conhecidas da série. Para além do capítulo final que achei excelente, props também para o capítulo do Saejima. Depois de ter visto o que Majima sofreu nos eventos pré-Yakuza 0, fiquei contente por esta personagem ter sido introduzida. Sem grandes spoilers, Saejima estava no corredor da morte à espera de ser executado, após ter cumprido 25 anos de pena por um crime grave e o seu primeiro capítulo será passado precisamente para escapar da sua prisão! Em suma, a narrativa continua interessante e sempre com coisas novas e plot twists a acontecer, como é habitual nesta série.

A única diferença notável a nível de conteúdo para a versão remastered é a nova cara e voz de Tanimura, visto que o actor original foi envolvido num escândalo que o levou a desaparecer da praça pública

No que diz respeito à jogabilidade, esperem pelo habitual dos Yakuza clássicos. Temos toda uma secção de Tokyo para explorar livremente e, para além de avançar na história temos toda uma série de sidequests e mini jogos que são completamente opcionais para completar se assim o desejarmos. Casinos ilegais, arcades da Sega (infelizmente sem nenhum clássico conhecido), pescar, jogar golfe, bowling, mandar umas tacadas de baseball, engatar miúdas em clubes ou participar em torneios de luta ilegais são apenas alguns dos passatempos que teremos acesso. O sistema de combate é muito similar ao do Yakuza 3, na medida em que o quadrado é o botão principal de ataque, o triângulo para golpes mais poderosos (incluindo as famosas heat actions), o círculo serve para agarrar/atirar outros oponentes ou objectos espalhados pelas ruas, L1 para bloquear, R1 para nos focarmos apenas num inimigo em específico. Os analógicos controlam o movimento e câmara. Cada personagem pode ter equipada até um máximo de 3 armas cujas podem ser utilizadas em combate ao pressionar uma certa direcção no botão direccional. De resto, vencer combates, comer em restaurantes e acima de tudo cumprir sidequests dá-nos pontos de experiência e de cada vez que subimos de nível poderemos evoluir a nossa personagem e aprender novas técnicas. Algumas técnicas precisam de treinos especiais, sendo que cada personagem possui um mestre distinto que as pode ensinar.

Cada personagem possui técnicas de combate próprias, embora os controlos sejam idênticos

Como seria de esperar, no entanto, cada personagem possui diferentes estilos de luta. O Akiyama é bastante ágil e ataca principalmente com pontapés, já o Saejima é um tanque fortíssimo mas é bastante lento nos seus golpes e requer muito os “charging attacks“, ou seja, manter o botão triângulo pressionado durante alguns segundos após um combo de golpes normais. Infelizmente isto não resulta muito bem e nalguns combates mais desafiantes (o boss da prisão é horrível) vão se tornar algo frustrantes. Saejima, sendo também um prisioneiro que foge da prisão, terá também de ter cuidados acrescidos quando explora Kamurocho e evitar qualquer contacto com polícia, o que também nos pode frustrar um pouco. O Tanimura é também uma personagem ágil e o seu sistema de combate é mais focado em agarrar inimigos bem como um sistema de parrying que os deixa vulneráveis a um contra ataque. Jogar com o Kiryu foi um prazer, porque felizmente a maior parte das suas habilidades são fáceis de desbloquear e acaba por ser uma personagem bem mais directa no seu combate. Cada personagem tem também um “mini-jogo/sidequest” próprio. O Akiyama sendo um gajo rico, naturalmente que tem também um clube nocturno. Então temos aqui um mini jogo de recrutar e treinar miúdas giras para trabalharem lá no clube, o Hostess Maker, que já conhecia do Yakuza 3. O Saejima tem o Fighter Maker onde ajudamos um dojo a treinar jovens lutadores, onde teremos de lhes criar um plano de treino e levá-los a alguns combates regulares para que melhorem a sua técnica, força, resistência física, entre outros parâmetros. O Tanimura e o Kiryu têm uma side quest mais simples. O Tanimura sendo um polícia irá receber pedidos de ajuda por rádio que podemos investigar ou não. Investigar resulta sempre numa luta ou perseguição e uma recompensa monetária no final. Já o Kyriu tem uma série de gangues de rua para combater e derrotar.

Visualmente já o original de PS3 era uma boa evolução perante o Yakuza 3. Para além dos modelos poligonais das personagens serem mais avançados, as texturas, efeitos de luz e partículas eram também superiores.

No que diz respeito aos audiovisuais, o Yakuza 4 original é um título da PS3, pelo que utiliza o mesmo motor gráfico do seu antecessor. Ainda assim notei algumas melhorias nos modelos poligonais, particularmente os das personagens principais e principalmente quando vemos alguma cutscene onde os mesmos estão mais aproximados. A cidade de Kamurocho está também mais bem detalhada e com melhores efeitos de luz, particularmente à noite. A versão remastered foi toda uspcaled para 1080p e tirando a maior resolução não parece ter havido grandes melhorias gráficas. O voice acting é inteiramente em japonês como é habitual e parece-me muito bom, até porque o pessoal da Ryu Ga Gotoku Studios tem investido em actores minimamente famosos no Japão para dar a cara e voz às personagens principais. A banda sonora é também bastante eclética, com músicas com melodias calmas de piano, outras mais jazzy e claro, quando temos de andar à porrada muitas vezes toca uma música mais rock e enérgica. Eu adoro rock e metal, mas confesso que as músicas desse estilo neste jogo em particular não me agradaram tanto.

Subir de nível faz com que possamos desbloquear novas habilidades. Combater, comer em restaurantes ou completar sidequests são tudo exemplos de actividades que nos dão experiência.

Portanto este Yakuza 4 é mais um título bem decente da série Yakuza / Like A Dragon. A introdução de novas personagens jogáveis foi muito benvinda, embora o Saejima seja um pouco mais frustrante de controlar nos combates e durante a exploração normal também ter de fugir à polícia constantemente. De resto, apesar das novas personagens, infelizmente a Sega não investiu muito em novos locais para visitar. A esmagadora maioria do jogo é passada em Kamurocho que já é mais do que familiar nesta altura. Outras localizações como a tal prisão que escapamos com o Saejima ou as praias de Okinawa onde Kiryu vive são zonas que visitamos apenas em certas fases da história. De realmente novo temos aqui toda uma série de subterrâneos e terraços para explorar em Kamurocho, no entanto estas novas áreas não são assim tão vastas quanto isso e não acrescentam muito ao jogo em si, o que é pena.

King of Fighters: Maximum Impact (Sony Playstation 2)

Vamos voltar à Playstation 2 para mais um dos seus jogos de luta, desta vez para este KOF Maximum Impact. Apesar de a SNK já ter tido alguma experiência com jogos de luta 3D, todos eles desenvolvidos para o sistema arcade Hyper Neo Geo 64 que acabou por ser um fracasso comercial, este é o primeiro KOF desenvolvido como um jogo de luta em 3D e foi desde logo pensado como sendo um spin-off à série principal, tal como acontece nos Street Fighter EX. O meu exemplar foi comprado em 2015 quando visitei a cidade de Oslo na Noruega. Na altura descobri uma interessante loja de videojogos e, apesar dos seus preços serem maioritariamente elevados, ainda descobri alguns títulos bem em conta, como foi o caso deste Maximum Impact que foi comprado selado por um valor que não chegou aos 15€.

Jogo com caixa, sleeve exterior de cartão, manual com instruções rápidas, disco bónus e um manual adicional bem mais luxuoso

No que diz respeito aos modos de jogo, os controlos base usam os mesmos 4 botões faciais do comando da PS2 para executar socos ou pontapés, fracos e fortes. Temos também uma barra de specials que se vai enchendo à medida que vamos distribuindo porrada e que nos permitirá executar alguns golpes poderosos. Apesar dos seus visuais completamente em 3D poligonal, na sua essência este jogo mantém as mesmas mecânicas de um jogo de luta em 2D, embora também nos permita de certa forma mover-nos num plano tridimensional. Para isso teremos de pressionar os botões soco e pontapé fracos em simultâneo, em conjunto com uma direcção. Esquerda ou direita activa os rolls evasivos que já estávamos habituados, enquanto que cima ou baixo nos permitem desviar à volta do nosso oponente. De resto, para além desta transição para o 3D, a maior mudança a nível de jogabilidade é a de, pelo menos no modo história, este ser um jogo inteiramente de lutas 1 contra 1, ao contrário dos restantes KOF que nos obrigam a usar equipas de 3 lutadores, podendo ainda ter acesso a mecânicas de tag. A nível de personagens temos aqui 19 personagens ao todo mais uma desbloqueável (o boss Duke). Dessas 20, 6 foram especialmente criadas para esta subsérie Maximum Impact e, que eu saiba, ainda não surgiram em mais nenhum KOF da série principal.

Tal como nos Street Fighter EX, nesta série são apresentadas várias novas personagens que nunca mais ouviremos falar

No que diz respeito os modos de jogo, temos aqui o modo história que nos leva a lutar contra 6 oponentes mais um boss final, o tal Duke. A história em si sinceramente não é nada de especial pois leva-nos a participar em mais um torneio King of Fighters realizado por uma organização criminosa com algum plano macabro por detrás. Isto é-nos dito por uma personagem que mais parece um palhaço e que também nos apresenta o próximo adversário entre cada round. A história é então completamente genérica para a maioria das personagens e apenas 3 das 6 novas personagens nos darão acesso a alguns diálogos adicionais que enriquecem um pouco mais a história. É o caso dos irmãos Meira e da femme fatale Lien Neville. Para além do modo história temos também um modo versus que tanto pode ser jogado sozinho ou contra um amigo e aqui já temos a possibilidade de criar equipas de 3 assim como o modo practice que dispensa apresentações. Para além disto temos também um modo challenge que se subdivide nos mission mode e time attack, onde neste último o objectivo é o de obter o melhor tempo possível. O mission mode apresenta-nos uma série de desafios como fazer um certo número de combos, derrotar um oponente dentro de um certo tempo limite, usar algum golpe especial, entre muitos outros. Completar missões desbloqueiam-nos novas arenas e fatos para as personagens.

Por vezes os uniformes alternativos de certas personagens remetem-nos para outros jogos, como é a vestimenta de Terry Bogard do Mark of the Wolves

A nível audiovisual sinceramente não acho o jogo mau de todo. As arenas vão sendo bastante variadas entre si e consideravelmente bem detalhadas. As personagens são todas em 3D poligonal e apesar de não serem propriamente mal detalhadas, há, a meu ver, uma grande perda de qualidade no design e animações das personagens quando estas transitaram para o 3D poligonal. Mas isto é mesmo uma questão de gosto pessoal, que sempre achei as sprites da SNK extremamente boas! E sinceramente acho a maior parte das novas personagens desinteressantes, acho que só mesmo a Lien Neville se aproveita (e não, não é devido ao seu decote e atributos femininos). A banda sonora vai sendo também algo eclética, abrangendo géneros como o rock, pop e electrónica e é de forma geral agradável de se ouvir. O mesmo não pode ser dito do voice acting que foi todo regravado para inglês no lançamento ocidental e sinceramente fica muito a desejar na sua qualidade.

O jogo abre com uma cutscene em CGI que por acaso acho muito bem trabalhada.

Portanto este KOF Maximum Impact é um jogo de luta bastante competente e divertido de se jogar, embora, por gosto pessoal, prefira de longe o design artístico dos clássicos em 2D da Neo Geo. Ainda assim o jogo deverá ter tido algum sucesso, pois a SNK Playmore ainda lançou pelo menos dois sucessores. Esta edição europeia vem acompanhada de um disco adicional com um making of do jogo, bem como um manual inteiramente a cores que é de tão boa qualidade que nem cabe dentro da caixa do jogo, obrigando assim que o mesmo viesse acompanhado de uma sleeve exterior de cartão para comportar ambos.

Alien Hominid (Sony Playstation 2)

Vamos agora voltar à Playstation 2 para um jogo muito curioso. Surgindo originalmente em 2002 no site Newgrounds como um pequeno jogo baseado na tecnologia Flash (lembram-se??), esse pequeno jogo acabou por ser um sucesso tremendo, tendo sido jogado várias milhões de vezes. Então a dupla que criou essa versão original acabou mais tarde por arriscar e criar um título mais completo, tendo-o convertido para todas as consolas domésticas daquela geração (embora a versão GC se tenha mantido como um exclusivo norte-americano) mais uma versão GBA, produzida por um estúdio diferente. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu algures em Março do ano passado, tendo custado uns 10€.

Jogo com caixa e manual

Mas então o que é mesmo este Alien Hominid, para além de ter como suas origens um jogo flash? É um run-and-gun muito semelhante a nível de mecânicas a títulos como o Metal Slug, mas onde controlamos um pequeno extraterrestre cuja nave é atingida por um míssil assim que se aproxima do nosso planeta e ele só quer é voltar à sua vida, mas o FBI, exército vermelho e exército norte-americano não o deixam!

O que não faltam aqui são diferentes habilidades que poderemos desencadear!

Esperem então por um jogo de acção frenético e com visuais muito particulares, com uma direcção artística muito própria daqueles jogos flash dessa época. A nível de controlos, estes são explicados logo antes de começarmos a aventura, mas o direccional controla a personagem, X salta, o quadrado ataca, triângulo é usado para entrar/sair de veículos, os L1/R1 para evadir para a esquerda ou direita e o círculo para atirar granadas (estas disponíveis em números limitados). Existem no entanto muitas mais manobras que poderemos fazer, como nos enterrarmos temporariamente na terra e assim evadir de fogo inimigo, podendo inclusivamente matar alguns inimigos mais fracos a partir do chão. Outra técnica que poderemos fazer é a de saltar para cima de alguns desses inimigos mais básicos e controlá-los, podendo a qualquer momento comer-lhes a cabeça com o botão de ataque. A nossa arma principal possui munições ilimitadas, sendo que se mantivermos o botão de ataque pressionado durante alguns segundos conseguimos disparar uma bola de energia bem mais destrutiva! Existem também toda uma série de power ups a apanhar, desde diferentes armas ou escudos.

Tal como no Metal Slug, também podemos controlar alguns veículos

Apesar de não ser tão bom quanto os Metal Slugs, este é um shooter bastante divertido e os níveis até vão tendo bastante variedade nos seus desafios. Por exemplo, logo no segundo nível jogamos numa auto estrada onde teremos de saltar de carro em carro enquanto somos atacados por todos os lados, há outro segmento onde controlamos um pequeno disco voador e podemos sugar e atirar os inimigos para uma máquina picadora gigante e os últimos níveis dos mundos 1 e 2 até assumem algumas mecânicas de shmup, pois são todos combates aéreos/espaciais onde controlamos uma nave. E claro, o jogo vai tendo toda uma série de bosses e mini bosses, todos distintos entre si.

Confesso que inicialmente não gostei muito da arte deste jogo, mas acabou por crescer em mim

De resto, para além de poder ser jogado em multiplayer cooperativo, o jogo tem também toda uma série de desbloqueáveis, como diferentes chapéus que poderemos desbloquear para as personagens, bem como uns quantos mini-jogos. Os PDA Games já vêm desbloqueados desde o início e são um conjunto de níveis de plataformas monocromáticos, um pouco a simular o Game Boy original talvez. O modo challenge é uma espécie de score attack para certos desafios, o Super Soviet Missile Mastar já é um jogo com gráficos de Atari 2600 onde controlamos um míssil soviético e o objectivo é o de controlar durante a maior distância possível, sem colidir com nenhum outro objecto. O Neutron Ball é uma mini jogo de desporto e por fim temos o Piñata Boss que é uma espécie de boss rush, onde para além dos bosses vemos uma piñata voadora e o objectivo é o de sobreviver, atacar a piñata e apanhar o máximo número de doces possível. Basicamente qualquer um destes modos de jogo poderia ser um mini jogo flash!

O que não falta aqui é conteúdo de bónus ou desbloqueável

A nível audiovisual este é um jogo muito simples, porém com uma direcção artística fora do comum, pelo menos no que estaríamos habituados a ver nas consolas naquela época. Sim, o jogo tem mesmo um aspecto de jogo flash, mas ao mesmo tempo a direcção artística até que resulta bem e vamos tendo também alguns momentos de bom humor nos cenários de fundo. Estes que vão variando entre zonas urbanas (primeiro mundo), o interior da Rússia (segundo mundo) e uma base secreta norte americana em Roswell. As músicas são também bastante diversificadas nos seus géneros, pelo que a banda sonora até que tem alguns momentos agradáveis.

Posto isto, este Alien Hominid até que foi uma boa surpresa, particularmente para quem gostar de títulos como Contra ou Metal Slug. Aliás, em relação a este último as referências são bastante notórias, desde possibilidade de conduzir veículos, o facto de termos um ataque melee quando atacamos alguém a curta distância, ou até a maneira em como obtemos os power ups é bastante semelhante. Para além destas versões PS2, Xbox e GC, existe também uma versão para a Game Boy Advance que supostamente é também bastante bem conseguida. Nos anos seguintes foram também sendo relançados alguns remasters em HD para sistemas mais modernos.

NeoGeo Battle Coliseum (Sony Playstation 2)

Tempo de voltar à Playstation 2 para mais um jogo da SNK convertido para este sistema. Seguindo o King of Fighters Neowave, a SNK Playmore continuou a apostar no sistema Atomiswave da Sammy (que por sua vez é baseado no sistema Naomi/Dreamcast da Sega) para produzir vários títulos arcade, com este NeoGeo Battle Coliseum a ser um desses casos. Sinceramente já não me recordo quando e onde comprei o meu exemplar, mas terá sido seguramente barato.

Jogo com caixa e manual

Ora este é então mais um jogo de luta em 2D repleto de personagens da SNK, sim, ainda mais que a saga King of Fighters que para além de possuir os seus personagens próprios, sempre incluiu personagens de séries como Fatal Fury, Art of Fighting, Ikari Warriors ou Athena. Aqui para além de muitas caras já conhecidas por essas bandas, temos ainda personagens da saga Samurai Shodown, The Last Blade, World Heroes, Metal Slug, Savage Reign ou até do King of Monsters! Mesmo no caso de séries habituais, algumas personagens foram retiradas de títulos mais incomuns como é o caso do Mark of the Wolves (Fatal Fury), ou a versão do Ryo Sakazaki ser a do Buriki One, um jogo 3D do malfadado Hyper Neo Geo 64, na sua persona de Mr. Karate II.

Para além de personagens de todas as séries já mencionadas, a SNK criou ainda duas novas

Em relação ao jogo em si, este possui combates em formato tag team com equipas de 2 jogadores e onde poderemos alternar entre a personagem activa a qualquer momento, com aquela que ficar em standby a recuperar alguma vida passado alguns segundos. O esquema de controlo básico remete-nos para os botões faciais a servirem para socos e pontapés, fracos ou fortes, com o L1 a servir para provocar o nosso oponente e o R1 para trocar de parceiro, sendo no entanto possível desencadear toda uma série de golpes especiais, muitos deles que necessitam da barra de special que se vai enchendo à medida que distribuímos pancada. Um pormenor interessante nesse departamento são os ataques double assault, que usam ambas as personagens da nossa equipa em simultâneo para desferir um ataque poderoso. No caso de algumas equipas específicas (Kyo e Iori ou Haohmaru e Genjuro, por exemplo), teremos acesso a alguns golpes especiais adicionais deste género!

É um pouco estranho ver o Marco representado desta forma, mas os seus specials valem a pena!

No que diz respeito aos modos de jogo, podem contar aqui com um modo arcade, versus para 2 jogadores, modo tag, survival challenge e um modo treino. O modo arcade é, no entanto um pouco diferente do que estava à espera. Basicamente o conceito é o seguinte, durante 300s teremos de derrotar o máximo de oponentes possível. No fim desse tempo, mediante a nossa performance, iremos enfrentar um de 4 bosses distintos. Cada combate (com a excepção do último) é composto com equipas de 2 contra 2, mas apenas temos de derrotar apenas um dos membros da equipa para avançar para a fase seguinte. Ao fim de 3 lutas, muda o cenário, onde antes que isso aconteça poderemos também escolher um de 3 bónus disponíveis, seja dar-nos mais tempo extra, recuperar alguma vida ou a barra de special. O modo de jogo Tag é um pouco mais parecido ao modo arcade mais tradicional, onde temos um tempo limite mais apertado, somos obrigados a derrotar ambos os membros da dupla adversária e cada combate decorre numa arena distinta. O modo survival é um desafio onde teremos de derrotar o máximo de duplas de oponentes possível, até que ambas as nossas personagens sejam derrotadas. Por fim o modo practice dispensa apresentações pois é onde todas as técnicas podem ser aprendidas e practicadas.

Apesar de no geral eu gostar mais do pixel art dos clássicos de Neo Geo, os cenários neste jogo ficaram bem melhor conseguidos que no KOF Neowave

A nível audiovisual este é um jogo que me agrada mais que o KOF Neowave, particularmente as suas arenas. Aqui estas estão bem detalhadas, bem mais polidas do que o hardware da Neo Geo poderia fazer e mesmo assim mantém um feeling mais 2D, em linha com os jogos de luta tradicionais da SNK. Mas claro, continuo a preferir de longe uns visuais mais pixel art, mas isso é uma mera opção pessoal. E isso é o que acontece com as sprites dos lutadores, que são extremamente bem animadas e detalhadas como é habitual na SNK. No entanto, as mesmas continuam a ter um aspecto muito Neo Geo (o que é bom!) mas tal continua a destoar um pouco com os cenários mais realistas. Pontos bónus no entanto para todas as outras personagens SNK que vão surgindo em plano de fundo! Já a nível de som, nada de especial a apontar aos efeitos gráficos e vozes digitalizadas, que continuam óptimos. A banda sonora também me soou de forma agradável enquanto joguei, possuindo uma boa variedade de estilos.

Kudos para as referências a outras personagens!

Portanto este NeoGeo Battle Coliseum até que é um jogo de luta bastante agradável, apesar do seu modo arcade possuir mecânicas não lá muito convencionais. Foi interessante ver algumas personagens de outras séries aqui representadas, com pontos extra para as do Metal Slug, cujas sprites foram inteiramente redesenhadas para terem as mesmas proporções dos restantes lutadores. A SNK ainda lançou mais uns quantos títulos na Atomiswave, felizmente todos com conversões para a PS2 ou outros sistemas, incluíndo o KOF XI que sai inclusivamente no mesmo ano que este. Curioso em ver!

Rule of Rose (Sony Playstation 2)

Há uns meses atrás fui desafiado pelos meus colegas do podcast The Games Tome na nossa rubrica Backlog Battlers para jogar o Rule of Rose, um survival horror da PS2 que ficou infame pelas alegações de conter conteúdo de violência e erotismo infantil, o que fez soar toda uma série de alarmes antes do seu lançamento, levando a que o jogo acabasse mesmo por ser banido no Reino Unido pouco depois do seu lançamento. Isso tornou as versões britânicas do jogo bastante raras e toda essa infame história acaba também por se alastrar às restantes versões europeias do jogo, cujo preço também tem vindo a subir em flecha nos anos seguintes. A minha versão (francesa) foi comprada na vinted algures em Maio deste ano. Ficou-me por cerca de 50€, depois de ter lá vendido umas quantas coisas repetidas. Poderão assistir ao vídeo onde falo um pouco deste jogo aqui:

Bom, é difícil escrever sobre a história deste jogo visto ser tão única e por vezes algo desconcertante, mas digamos que anda à volta da jovem Jennifer e dos sádicos colegas do orfanato onde cresceu. Estes formaram um clube aristrocático com vários rankings sociais onde practicamente toda a gente é nobreza excepto a Amanda por ser gordinha e claro, a Jennifer, que está no fundo da escada social e é frequentemente vítima de bullying e humilhações por parte dos seus colegas. O clube aristrocático tem também uma série de regras, onde uma vez por mês os seus membros devem procurar um certo objecto para oferecer ao clube e a primeira vez que temos de o fazer é uma borboleta. Bom, digamos então que o jogo irá estar dividido ao longo de vários capítulos que decorrem ao longo de vários meses do ano de 1930 e é frequente a narrativa andar para trás e para a frente no tempo. Cada capítulo tem um certo tema, muitos deles inspirados nos contos clássicos dos irmãos Grimm e à medida que vamos jogando vamos descortinando um pouco mais do que se passa naquela sociedade insana e o passado de Jennifer.

Jogo com caixa e manual

Curiosamente achava que o jogo se passaria todo no orfanato, mas a maior parte da história é mesmo passada a bordo de um grande dirigível, onde o orfanato foi convidado a fazer parte da sua viagem inaugural. A jogabilidade é então a típica de um survival horror desta geração, onde teremos de explorar muito bem os cenários à nossa volta, encontrar chaves que nos desbloqueiem certas zonas, interagir ocasionalmente com outras personagens e claro, combater criaturas macabras. A parte da exploração é toda ela enriquecida com o facto de desde cedo encontrarmos o Brown, um cão da raça labrador que nos irá acompanhar ao longo de practicamente todo o jogo e a sua ajuda será precisosa. Isto porque os cães têm um excelente sentido de faro e para resolver muitos dos puzzles que envolvam tarefas do género “encontra a pessoa X ou o objecto Y” teremos de obrigar o cão a farejar um objecto que lhes esteja relacionado e depois apenas temos de o seguir pelos cenários até que este encontre o seu alvo. Estas mecânicas de jogo podem também serem utilizadas para encontrar toda uma série de objectos secretos, desde comida que nos regenere vida, coleccionáveis e muitos outros itens que poderão posteriormente serem trocados na sede do clube e que nos desbloquearão algum conteúdo extra, como armas poderosas ou roupas alternativas.

O pior deste jogo é mesmo o combate que não é nada bom. Felizmente são poucos os momentos onde somos mesmo obrigados a fazê-lo!

Infelizmente no entanto o combate não é o melhor. Também tal como muitos survival horrors desta época para atacar é necessário entrarmos numa postura de ataque (R1), para depois pressionar o botão de acção para atacar (X). Infelizmente no entanto, Jennifer é uma jovem rapariga, pelo que os seus ataques não são lá muito fortes. Mas o pior é mesmo quando entramos num postura de ataque ficamos completamente trancados no movimento, sendo impossível corrigir a nossa direcção (caso os ataques falhem o alvo) a menos que entremos novamente na postura normal, corrigir posição e activar a postura de ataque novamente. Ora enquanto fazemos isto seguramente já sofremos dano e como devem calcular os itens regenerativos não são tão abundantes assim (na verdade até podem ser se utilizarmos o Brown para os procurar regularmente). Para além disso, o próprio Brown nos pode ajudar no combate. Não podemos ordená-lo para atacar algum inimigo (como acontece no Haunting Ground por exemplo), mas o cão poderá morder e segurar temporariamente algum inimigo para nos dar mais algum espaço. Mas o cão não é invencível e se sofrer demasiado dano fica inanimado, onde teremos de lhe dar algum item regenerativo também (comida de cão) e esses sim, são mais raros. Ora tudo isto resultou no seguinte: apenas lutei quando a isso era mesmo obrigado, até porque quando não somos, os inimigos tipicamente fazem respawn constante, então acaba por ser bem mais proveitoso fugir.

O nosso companheiro Brown pode ser usado para procurar itens escondidos ao longo do jogo, muitos deles que nos darão acesso a alguns extras

A nível audiovisual este é no entanto um jogo muito interessante. Apesar da originalidade de grande parte do jogo se passar a bordo de um dirigível, também peca por os cenários aí não serem tão variados quanto isso. As criaturas estranhas que nos atacam não são propriamente assustadoras, mas todo o jogo tem uma atmosfera pesada, com cenários escuros acompanhados de uma música ambiental repleta de suaves, porém bastante melancólicas e por vezes sinistras, melodias de piano e/ou violino, o que acaba por resultar muito bem até tendo em conta que o jogo se passa em 1930. A acompanhar tudo isto vamos ter também algumas cut-scenes CGI muito boas para a época e repletas de cenas algo perturbadoras!

Foi por cenas como esta que o jogo acabou por ser banido nalguns locais

Portanto este Rule of Rose acaba por ser um jogo bastante interessante, com uma componente visual forte e muito bem definida pela Punchline que, com um catálogo de jogos bem reduzido antes de produzirem este Rule of Rose, conseguiram criar um jogo bem interessante, apesar dos seus defeitos. O maior defeito para mim é o sistema de combate e se calhar fiquei também um pouco decepcionado por todo o hype que se gerou em volta do jogo e do seu cancelamento no Reino Unido. Consigo entender bem o porquê de alguns alarmes terem soado na Europa em 2006, mas apesar de perturbador, o jogo não tem nada que seja verdadeiramente escandaloso e que justificasse o seu banimento no UK.