Star Ocean: Second Evolution (Sony Playstation Portable)

Vamos voltar aos jRPGs para um jogo que eu já havia começado há umas boas semanas atrás, entretanto parei de o jogar e recomecei-o há coisa de uma semana, tendo-o levado finalmente até ao fim. Refiro-me claro a este Star Ocean: Second Evolution, uma conversão (com extras) do Star Ocean: The Second Story lançado originalmente para a primeira Playstation entre 1998 e 2000, mediante o território. O meu exemplar foi comprado há já uns bons anos atrás, tendo vindo da feira da Ladra em Lisboa por 5€.

Jogo com caixa e manual

E este jogo é então uma sequela do primeiro Star Ocean, lançado originalmente (e de forma exclusiva) para a Super Famicom, tendo posteriormente sido convertido e refeito para a PSP sob o nome de Star Ocean: First Departure, herdando o estilo gráfico deste segundo jogo. Aliás, a Square Enix aproveitou e relançou ambos os títulos para a portátil da Sony na mesma altura, algures durante o ano de 2008/2009. Muito mais recentemente (há meros meses atrás), a Square Enix relança novamente este segundo Star Ocean para todas as plataformas actuais sob o nome de Star Ocean: The Second Story R, sendo este título um remake mais a sério, embora mantenha o aspecto gráfico de mundos 3D com personagens 2D e presumo que acrescente toda uma série de novas coisas. Visto que já tinha esta versão PSP por jogar (ainda por cima tendo sido tão barata), decidi que não iria comprar este novo remake.

Esta versão PSP traz toda uma série de novas cut-scenes anime. Pena que a direcção artística não tenha sido a melhor.

Bom, na verdade este é então um JRPG que utiliza todas as mecânicas do seu predecessor, na medida em que apesar de as batalhas serem encontros aleatórios, estas são travadas como um action RPG se tratasse, visto os combates decorrerem em arenas fechadas e onde poderemos controlar uma personagem livremente, enquanto as restantes são controladas automaticamente. Um pouco como na série Tales, portanto, o que não é de estranhar porque a tri-Ace foi precisamente formada por pessoas que trabalharam no Tales of Phantasia. As personagens controladas automaticamente poderão ter os seus padrões de comportamento alterados ao definir uma série de estratégias, como evitar combate, conservar MP, focar em curar, entre outros. De qualquer das formas, a qualquer momento poderemos pausar a acção com o botão círculo e passar a controlar qualquer uma das outras nossas personagens. Pressionar o botão X fazem com que estas ataquem fisicamente, sendo possível no entanto mapear algumas acções especiais para os botões L e R. Ao pressionar o triângulo no entanto podemos seleccionar outro tipo de acções como utilizar um item, magias ou modificar a estratégia de combate automático dessa personagem.

Tudo o que é diálogo importante está narrado em inglês e com retratos a acompanhar

Para além disso, o jogo tem um interessante sistema de evolução de personagens bem como um complexo sistema de crafting. Ao ganhar experiência vamos subindo de nível, ficando automaticamente mais fortes e ocasionalmente aprender novos golpes especiais/magias. Até aqui tudo normal, mas vamos ganhando também skill points, que poderão ser gastas em evoluir toda uma série de skills que poderão ser adquiridas ao longo do jogo. Algumas apenas nos melhoram certos atributos das personagens, outras vão-nos dando múltiplas habilidades de crafting desde criar itens que nos regenerem vida, saúde ou nos curem, criar armas, armaduras e acessórios, cozinhar pratos que também nos poderão curar, escrever livros que podem posteriormente serem vendidos em livrarias e dar-nos algum dinheiro extra, compor e interpretar canções que terão diversos efeitos nas batalhas, ou mesmo outras acções como identificar itens secretos que ocasionalmente poderemos encontrar. Cada personagem terá mais ou menos aptidões para desenvolver cada habilidade e até poderemos evoluir algumas destas habilidades em conjunto com outras personagens, as tais “super especialidades”. Em suma, é um sistema vasto e complexo, porém é necessário ser utilizado. O melhor equipamento e acessórios apenas podem ser criadas através deste sistema e tendo em conta que as últimas dungeons são bastante difíceis, vamos precisar de utilizar todos estes sistemas à nossa disposição (nota: a habilidade mirror blade do Claude faz milagres).

Apenas a exploração do mapa mundo nos leva a gráficos em 3D poligonal, que por sua vez estão ligeiramente superiores aos originais

Outra particularidade desta série e este Star Ocean não foge à regra é alguma não linearidade, a começar pelo facto de podermos escolher representar uma de duas personagens principais possíveis: Claude C. Kenny ou Rena Lanford. Eu escolhi o Claude e a história começa então desta forma: Claude é o filho de Ronyx, uma das personagens principais do primeiro jogo, e que decidiu seguir as pisadas do seu pai, agora Almirante de uma armada militar, servindo inclusivamente sob o seu comando. Ronyx e Kenny investigam uma suspeita fonte de energia que surge num planeta nas suas imediações acabando por descobrir um artefacto estranho. Kenny decide investigar e acaba sendo teletransportado para o planeta Expel, um planeta sub-desenvolvido tecnologicamente é encontrado por Rena, que o confunde como o salvador de uma profecia. Isto porque o planeta Expel está em perigo desde que um estranho meteorito lá caiu, trazendo consigo inúmeros monstros que colocam toda a população em perigo. Em busca de uma maneira de conseguir sair daquele planeta e eventualmente voltar para o seu pai, Kenny decide ajudar Rena e investigar o que está por detrás desses acontecimentos também. A história em si é idêntica independentemente se decidirmos controlar Claude ou Rena, existindo no entanto pequenas diferenças inerentes aos pontos de vista de cada uma das personagens.

As batalhas são em tempo real, permitindo-nos mover livremente pela área de combate. Apenas controlamos uma personagem directamente, com as restantes a serem controladas pelo CPU.

Para além disso temos também a hipótese de recrutar várias personagens distintas para a nossa party. Algumas, como o caso do Leon e Diaz, apenas se juntam a nós se escolhermos mediante se tivermos escolhido incialmente controlar o Claude ou a Rena. Recrutar algumas personagens inibe-nos de recrutar certas outras, como é o caso do Ashton, uma das potenciais primeiras personagens que poderemos recrutar. Se aceitarmos recrutar o Ashton para o nosso grupo, personagens como o Ernest ou a Opera nunca poderão ser recrutadas. Para além disso, a nossa party é constituída por 4 personagens activas mais 4 suplentes, de um total de 12 (ou 13 no caso desta versão PSP), pelo nunca poderemos ter mais de 8 personagens de qualquer das formas. Para além disso, em certas localizações como cidades ou aldeias, poderemos explorar as private actions, que nos levam a certos eventos onde poderemos melhorar a relação que temos com as diversas personagens do nosso grupo. Tudo isto somado (personagens recrutadas e as relações entre todos) resultam em pequenas variações dos finais que poderemos obter (supostamente nesta versão PSP são cerca de 100). Sinceramente não me preocupei muito com isto e sempre que tive a oportunidade de recrutar alguém fiz-lo, assim como em todas as private actions que encontrei.

O facto de termos tanta coisa para comprar não é por acaso pois o jogo tem um complexo sistema de skills e crafting.

Indo agora para os audiovisuais, vamos abordar primeiro os gráficos. O jogo utiliza o mesmo aspecto gráfico da versão original da Playstation 1, na medida em que dentro das localizações como aldeias, cidades e dungeons, os cenários são imagens pré-renderizadas, enquanto que o mapa mundo já é apresentado em 3D poligonal. Infelizmente no entanto, alguns dos cenários pré-renderizados (aqueles que não fazem scroll) tiveram de ser esticados para caberem no ecrã da PSP, em vez de terem sido redesenhados. As personagens são também sprites em 2D dignas de um RPG de Super Nintendo, o que sinceramente não me desagrada de todo, embora infelizmente estas estejam algo desfocadas, o que supostamente foi propositado para esconder um pouco o facto de serem bastante pixelizadas. Sinceramente preferiria ter as sprites tal como elas foram desenhadas! O jogo tem também novas cut-scenes todas num estilo anime e sempre que há diálogos com personagens importantes surge no ecrã um retrato da mesma, com a mesma arte anime utilizada nesta conversão. Sinceramente achei o desenho muito genérico… Já no que diz respeito ao som, não tenho nada de especial a apontar à banda sonora, visto que sinceramente não lhe dei muita atenção. A outra grande novidade desta versão perante o lançamento original de PS1 é tudo o que é diálogo importante está agora narrado, embora apenas tenhamos direito ao voice acting em inglês nesta versão.

As private actions são o que irá contribuir para fortalecer (ou não) as relações entre as várias personagens, levando-nos a um de muitos finais distintos.

Portanto devo dizer que até gostei deste Star Ocean 2, precisamente pelos seus inúmeros sistemas de customização e crafting que teremos acesso. Não gostei muito da direcção artística que utilizaram nesta conversão PSP com todas as personagens a terem agora um aspecto de anime bem mais genérico. A história sinceramente até a estava a achar um bocado aborrecida, até que mais ou menos a meio há ali um acontecimento que me apanhou completamente de surpresa e me deu o fôlego que precisava para voltar a pegar neste jogo e levá-lo de uma assentada até ao seu final. As múltiplas personagens jogáveis, suas sidequests e diferentes private actions que poderemos vir a descobrir são também formas de lhe dar uma maior longevidade, pois precisaríamos de várias playthroughs para ver tudo o que o jogo nos teria para oferecer. Mas para quem nunca jogou este título recomendo vivamente que experimentem o seu recente remake para os sistemas actuais. Para além dos visuais lindíssimos (que mantêm o mesmo conceito do original), existem toda uma série de melhorias de qualidade de vida que o tornam na versão definitiva deste jogo. Um melhor sistema de batalha sem encontros aleatórios, crafting mais intuitivo, um sistema de fast travel são apenas alguns dos melhoramentos trazidos nessa versão mais recente. Quase que me dá vontade de o jogar novamente! O que se calhar vai acabar por acontecer daqui a uns bons anos.

Alone in the Dark: The New Nightmare (Sony Playstation 2)

Vamos voltar agora para a Playstation 2 para um jogo de uma série que há muito que não trazia cá, a Alone in the Dark. Embora os seus primeiros títulos tenham sido importantíssimos para construir as fundações dos survival horrors que se viriam a popularizar imenso nos finais dos anos 90, foram precisamente séries como Resident Evil ou Silent Hill que acabaram por ficar com todos os louros. E foi precisamente nesse auge de popularidade que os franceses da Infogrames lá decidiram voltar a pegar nesta série com um novo título que acabou por sair para diversas plataformas durante o ano de 2001, incluindo a Playstation 2, cuja versão acabou por se tornar exclusiva do mercado europeu. O meu exemplar sinceramente já não me recordo quando ou onde o comprei, mas terá sido seguramente bastante barato.

Jogo com caixa e manual

Enquanto a trilogia original decorria algures nos anos 20, este quarto jogo já nos leva aos tempos modernos, onde poderemos encarnar numa de duas personagens: o detective Edward Carnby que procura investigar o assassinato de um seu colega, ou a professora universitária Aline Cedrac, especialista em culturas indígenas norte-americanas. Ambos viajam para a misteriosa ilha Shadow Island, cuja é propriedade de uma antiga, porém riquíssima família e também envolta em polémica pois muita gente já havia morrido e/ou desaparecido daquela ilha de forma misteriosa. Ora durante a viagem para a ilha ambos são atacados por estranhas criaturas, pelo que acabam por saltar do avião em pleno voo com Edward e Aline a aterrarem em zonas completamente distintas. Apesar de a jogabilidade entre ambas as personagens ser essencialmente a mesma, existem zonas exclusivas para cada uma pelo que a história terá contornos ligeiramente diferentes com ambas as personagens.

Sabemos que estamos perante um jogo especial quando o que têm a dizer de uma das personagens é o facto de terem uma arma grande.

A jogabilidade é a de um survival horror clássico daquela geração. Ou seja, tank controls, botão R1 para apontar a arma e o X para disparar ou para servir de botão de acção geral caso não tenhamos a arma equipada. O triângulo abre o menu onde poderemos investigar, seleccionar ou combinar itens, armas, mapas ou gravar o progresso no jogo. O quadrado serve para correr e o círculo para ligar ou desligar uma lanterna. Apenas um dos analógicos (o esquerdo) é utilizado e para controlar a direcção para onde apontamos a lanterna, pelo que o movimento é todo feito com recurso aos botões direccionais. No que diz respeito à lanterna, essa mais vale estar sempre ligada, pois sempre que a apontamos para algum objecto que pode ser coleccionado como chaves, medkits ou munições eles acabam sempre por brilhar. E no combate também pode ser útil, particularmente no caso da Aline que começa a aventura sem qualquer arma de fogo e os primeiros inimigos que enfrentamos são particularmente sensíveis à luz.

Aline começa a aventura sem qualquer arma. Felizmente as primeiras criaturas que nos aparecem são vulneráveis à luz, pelo que basta lhes ir apontando a lanterna para eventualmente as derrotar.

De resto à medida que vamos explorando e avançando no jogo iremos encontrar muitos documentos que vão enriquecendo a história, assim como outros NPCs que nos vão dando algumas dicas. Sempre que há algum evento importante Edward e Aline falam entre eles através de um walkie talkie e lá vão decidindo o que fazer em seguida. Ocasionalmente temos também alguns pequenos puzzles como descobrir certas combinações para desbloquear passagens ou destrancar certos cofres. No que diz respeito às armas de fogo, se explorarmos bem as munições não são assim tão escassas quanto isso e à medida que vamos avançando iremos também descobrir armas mais tecnologicamente avançadas como armas eléctricas ou de plasma.

Apesar do inventário ser ilimitado, a maneira como o interagimos é muito parecida com os Resident Evils da vida. E sim, é bem mais rápido recarregar armas nos menus do que durante o combate. Usem e abusem!

A nível audiovisual este jogo não é nada do outro mundo mas cumpre bem o seu papel. É todo passado durante a noite como é habitual neste tipo de jogos e teremos toda uma gigante mansão para explorar, a floresta à sua volta, imensos subterrâneos ou até uma grande fortaleza antiga. A banda sonora que nos acompanha é principalmente composta por certas melodias mais tenebrosas e ambientais como seria de esperar, embora não seja um jogo particularmente assustador. No que diz respeito ao voice acting confesso que este é um jogo que me deixa um pouco dividido. Por um lado o talento das vozes não é tão mau como em muitos outros jogos da época, por outro lado, a maior parte das vezes que Edward e Aline vão falando entre si os seus diálogos por vezes são bastante sarcásticos, o que por um lado é algo que eu aprecio, mas não num contexto de um jogo de terror, muito menos entre duas personagens que se tinham acabado de conhecer. De resto a nível gráfico contem com os típicos ângulos de câmara fixos e cenários pré-renderizados. Esta versão da PS2 possui modelos poligonais e uma resolução superior à da versão PS1, mas parece ficar uns furos abaixo (nada de especial atenção) da versão Dreamcast, principalmente nos efeitos de luz.

No fim de contas este é um clone de Resident Evil bastante competente, embora não seja nenhuma obra prima do género.

Portanto este Alone in the Dark: The New Nightmare é um survival horror decente. Não traz nada de muito novo para cima da mesa quando comparado a outros jogos do mesmo estilo que haviam no mercado (e sinceramente nem tinha grande obrigação de o fazer visto que foi a série que fundou todo este subgénero), mas é sim uma grande evolução quando comparado com os seus predecessores. Não achei a história incrível, mas acho que no geral foi um bom esforço por parte da infogrames. No entanto presumo que o jogo não tenha vendido tanto quanto a Infogrames esperaria, pois apenas voltamos a ver um novo Alone in the Dark 7 anos depois e sob um enorme chorrilho de críticas.

Call of Duty: WWII (Sony Playstation 4)

Ultimamente não tenho tido muito tempo para jogar, pelo que depois do Yakuza 4 quis jogar um título mais curto e mesmo assim ainda demorei bastante até o conseguir terminar. Refiro-me claro a este Call of Duty WW2 de 2017, onde quase 10 anos depois, a Activision volta ao tema da segunda guerra mundial, depois dos Call of Duty World at War e Final Fronts de 2008. O meu exemplar foi comprado numa Cex algures em Dezembro passado por 12€.

Jogo com caixa e papelada

Este artigo irá focar-se inteiramente no modo campanha, visto que a série Call of Duty sempre apresenta modos multiplayer bastante robustos e competitivos, mas nem sequer os ousei experimentar. Também como em muitos outros jogos da série, temos aqui também um modo zombies de multiplayer cooperativo, algo que também não experimentei. A campanha então foca-se inteiramente no teatro de guerra Europeu, detalhando toda uma série de batalhas desde o desembarque da Normandia no dia D, culminando na batalha onde os aliados conquistam a única ponte ainda disponível para atravessar o rio Reno e assim conseguirem finalmente penetrar o território Alemão. Practicamente toda a aventura irá levar-nos a encarnar no papel de Ronald Daniels, um soldado da primeira divisão de infantaria norte-americana. Nalguns momentos iremos no entanto controlar outras personagens como condutores de tanques, aviões ou até uma membro da resistência francesa.

Uma das novidades aqui introduzida é o facto de vários nossos colegas terem habilidades próprias que poderemos tirar partido, como pedir medkits, munições ou assinalar posições inimigas para ataques de artilharia

A jogabilidade tem no entanto algumas particularidades interessantes. A primeira e mais notória é mesmo o facto de o jogo já não ter um sistema de vida regenerativa, requerendo o uso de medkits para nos curarmos. No entanto, ao contrário de first person shooters da velha guarda, continuamos a poder carregar apenas duas armas de fogo, bem como dois tipos de granadas, tanto de fumo, como de fragmentação. De resto, como já referi acima ao longo da maior parte da história vamos jogar no papel do mesmo soldado, mas este está na sua maior parte das vezes acompanhado pelos restantes membros do seu pelotão, que nos podem auxiliar de várias formas. Um dos nossos colegas pode-nos dispensar medkits, outro munições, outro granadas, outro consegue assinalar os inimigos à nossa volta, aparecendo em seguida com maior relevo e por fim temos também um colega que nos dá granadas de fumo colorido, que podem ser utilizadas para sinalizar equipas de artilharia que ataquem aquele local. Estas habilidades vão sendo “recarregadas” com o tempo e basta nos aproximarmos da personagem respectiva e pressionar o direccional para cima para activar a tal habilidade de suporte.

Nalguns momentos do jogo, particularmente quando equipamos armas sniper podemos usar o focus, que nos permite, durante alguns segundos, abrandar o tempo

Vamos ter também alguns níveis mais focados na acção furtiva, onde teremos de nos esgueirar território inimigo sem sermos detectados. Como em muitos jogos furtivos do género, sempre que um inimigo nos vê, surge um indicador visual acima das suas cabeças e que se vai enchendo gradualmente enquanto nos mantivermos a descoberto. Se chegar ao máximo, o indicador muda a cor para vermelho e é lançado um alerta que irá chamar mais forças inimigas para o local. Há um nível relacionado com a libertação de Paris onde encarnamos numa mulher da resistência francesa e que, disfarçada de militar nazi, nos infiltramos no quartel-general nazi de Paris. Aí temos de ter algum cuidado em não chamar muito à atenção e ocasionalmente poderemos até ser interrogados por alguns oficiais que nos pedem os documentos e nos fazem algumas questões. Pareceu mesmo que estava num filme de espiões! De resto, tirando estas particularidades, contem este jogo como um first person shooter bastante sólido na sua jogabilidade e mecânicas.

Como é habitual, ocasionalmente poderemos conduzir certos veículos como um tanque Sherman

Focando-nos agora nos audiovisuais, foi um prazer jogar este jogo. Isto porque a geração de consolas da PS4 e Xbox One já tinham um poderio gráfico bastante bom, o que permitiu à Sledgehammer produzir um videojogo sobre a segunda guerra mundial com visuais excelentes. Logo no primeiro nível do desembarque da Normandia deu bem para ver o quanto caótico aquele desembarque foi e as dificuldades que muitos soldados aliados tiveram de ultrapassar logo naquelas primeiras horas. Em suma, todo o jogo está graficamente muito bom e que nos leva a atravessar várias cidades em ruínas, a imponente e ainda intacta cidade de Paris e várias paisagens mais naturais como florestas e montanhas ao longo de várias estações do ano. No que diz respeito à banda sonora esta é, como seria de esperar, mais épica e orquestral, o que se adequa bem aos combates que vamos ter de travar ao longo da campanha. O voice acting está óptimo e a história tem uma boa dose de drama à mistura (às vezes até demais), mas como um todo achei este um jogo muito bem conseguido.

Visualmente o jogo está fantástico e Paris não foi esquecida

Portanto foi um prazer voltar a jogar um Call of Duty que decorra na segunda guerra mundial. Uma pena a campanha em si ser bastante curta e practicamente inteiramente focada naquele grupo de soldados norte-americanos. Felizmente no entanto não foi necessário voltar a esperar tanto tempo por mais um jogo desta série neste conflito, pois em 2021 tivemos o Vanguard que planeio comprar e jogar em breve.

Yakuza 4 (Sony Playstation 3 / Playstation 4)

Continuando pela série Yakuza/Like a Dragon, chegou agora a vez de finalmente jogar este Yakuza 4. E tal como no seu predecessor, este foi um jogo saído inicialmente e em exclusivo para a Playstation 3, tendo posteriormente recebido uma versão remastered disponível nas consolas da geração seguinte e foi precisamente essa versão remastered que acabei por jogar. A minha versão PS3 foi comprada em Março de 2013 numa Mediamarkt por 20€, lembro-me de ter visto o jogo 10€ mais barato no ano seguinte no mesmo local, mas ainda assim tinha achado um bom preço. A versão remastered veio precisamente na Yakuza Remastered Collection que comprei em pre-order em 2020 para a PS4.

Jogo com caixa, manual e papelada

Ao contrário do Yakuza 3 que teve originalmente um processo de localização para o ocidente bastante atribulado, de tal forma que a versão PS3 chegou a ter muito conteúdo opcional removido. Felizmente na sequela a Sega manteve o jogo largamente intacto perante o lançamento original (excepto a inclusão do mini-jogo Answer X Answer mas sinceramente acho que não se perdeu muito ali) e esta versão remastered também manteve a mesma linha. A única diferença relevante desta versão remastered é o facto de um actor diferente dar a cara a uma das personagens principais. Isto porque o actor original viu-se envolvido num escândalo de consumo de drogas e, mesmo depois de ter sido declarado inocente, acabou por abandonar a carreira de actor e a Sega neste remaster lá mudou a sua aparência para outro actor. No Japão estes escândalos são levados muito a sério!

Edição limitada da remastered collection com sleeve exterior de cartão, caixa de cartão desdobrável com uma arte interessante, um pequeno manual, autocolante e uma caixa vazia do Yakuza 5 para a PS3, cujo lançamento físico ocidental nunca se concretizou.

A história decorre então um ano após os acontecimentos do terceiro jogo e pela primeira vez na série jogamos com alguém que não o Kiryu. Na verdade este jogo tem a particularidade de ter 4 personagens jogáveis, sendo eles: Shun Akiyama, um excêntrico agiota que empresta largas quantias dinheiro a qualquer pessoa sem taxas de juro logo que estas passem num teste à sua escolha, Taiga Saejima, o bro de Majima e cujo background é revisitado no Yakuza 0, Masayoshi Tanimura, um detective de Kamurocho e finalmente o Kiryu. Cada personagem vai ter uma secção do jogo inteiramente dedicada a ela e com 4 capítulos cada, sendo que teremos também um capítulo final (que por sinal é excelente) que nos obriga a jogar com toda a gente novamente. Não me vou alongar muito com a história, mas digamos que tudo começa com um assassinato entre membros de facções rivais dos Yakuza. Cada personagem começa por ter todo um subplot próprio, mas rapidamente todas as coisas se começarão a interligar umas com as outras e a narrativa vai evoluindo de um simples homicídio para uma grande conspiração que irá envolver muitas caras novas e outras já conhecidas da série. Para além do capítulo final que achei excelente, props também para o capítulo do Saejima. Depois de ter visto o que Majima sofreu nos eventos pré-Yakuza 0, fiquei contente por esta personagem ter sido introduzida. Sem grandes spoilers, Saejima estava no corredor da morte à espera de ser executado, após ter cumprido 25 anos de pena por um crime grave e o seu primeiro capítulo será passado precisamente para escapar da sua prisão! Em suma, a narrativa continua interessante e sempre com coisas novas e plot twists a acontecer, como é habitual nesta série.

A única diferença notável a nível de conteúdo para a versão remastered é a nova cara e voz de Tanimura, visto que o actor original foi envolvido num escândalo que o levou a desaparecer da praça pública

No que diz respeito à jogabilidade, esperem pelo habitual dos Yakuza clássicos. Temos toda uma secção de Tokyo para explorar livremente e, para além de avançar na história temos toda uma série de sidequests e mini jogos que são completamente opcionais para completar se assim o desejarmos. Casinos ilegais, arcades da Sega (infelizmente sem nenhum clássico conhecido), pescar, jogar golfe, bowling, mandar umas tacadas de baseball, engatar miúdas em clubes ou participar em torneios de luta ilegais são apenas alguns dos passatempos que teremos acesso. O sistema de combate é muito similar ao do Yakuza 3, na medida em que o quadrado é o botão principal de ataque, o triângulo para golpes mais poderosos (incluindo as famosas heat actions), o círculo serve para agarrar/atirar outros oponentes ou objectos espalhados pelas ruas, L1 para bloquear, R1 para nos focarmos apenas num inimigo em específico. Os analógicos controlam o movimento e câmara. Cada personagem pode ter equipada até um máximo de 3 armas cujas podem ser utilizadas em combate ao pressionar uma certa direcção no botão direccional. De resto, vencer combates, comer em restaurantes e acima de tudo cumprir sidequests dá-nos pontos de experiência e de cada vez que subimos de nível poderemos evoluir a nossa personagem e aprender novas técnicas. Algumas técnicas precisam de treinos especiais, sendo que cada personagem possui um mestre distinto que as pode ensinar.

Cada personagem possui técnicas de combate próprias, embora os controlos sejam idênticos

Como seria de esperar, no entanto, cada personagem possui diferentes estilos de luta. O Akiyama é bastante ágil e ataca principalmente com pontapés, já o Saejima é um tanque fortíssimo mas é bastante lento nos seus golpes e requer muito os “charging attacks“, ou seja, manter o botão triângulo pressionado durante alguns segundos após um combo de golpes normais. Infelizmente isto não resulta muito bem e nalguns combates mais desafiantes (o boss da prisão é horrível) vão se tornar algo frustrantes. Saejima, sendo também um prisioneiro que foge da prisão, terá também de ter cuidados acrescidos quando explora Kamurocho e evitar qualquer contacto com polícia, o que também nos pode frustrar um pouco. O Tanimura é também uma personagem ágil e o seu sistema de combate é mais focado em agarrar inimigos bem como um sistema de parrying que os deixa vulneráveis a um contra ataque. Jogar com o Kiryu foi um prazer, porque felizmente a maior parte das suas habilidades são fáceis de desbloquear e acaba por ser uma personagem bem mais directa no seu combate. Cada personagem tem também um “mini-jogo/sidequest” próprio. O Akiyama sendo um gajo rico, naturalmente que tem também um clube nocturno. Então temos aqui um mini jogo de recrutar e treinar miúdas giras para trabalharem lá no clube, o Hostess Maker, que já conhecia do Yakuza 3. O Saejima tem o Fighter Maker onde ajudamos um dojo a treinar jovens lutadores, onde teremos de lhes criar um plano de treino e levá-los a alguns combates regulares para que melhorem a sua técnica, força, resistência física, entre outros parâmetros. O Tanimura e o Kiryu têm uma side quest mais simples. O Tanimura sendo um polícia irá receber pedidos de ajuda por rádio que podemos investigar ou não. Investigar resulta sempre numa luta ou perseguição e uma recompensa monetária no final. Já o Kyriu tem uma série de gangues de rua para combater e derrotar.

Visualmente já o original de PS3 era uma boa evolução perante o Yakuza 3. Para além dos modelos poligonais das personagens serem mais avançados, as texturas, efeitos de luz e partículas eram também superiores.

No que diz respeito aos audiovisuais, o Yakuza 4 original é um título da PS3, pelo que utiliza o mesmo motor gráfico do seu antecessor. Ainda assim notei algumas melhorias nos modelos poligonais, particularmente os das personagens principais e principalmente quando vemos alguma cutscene onde os mesmos estão mais aproximados. A cidade de Kamurocho está também mais bem detalhada e com melhores efeitos de luz, particularmente à noite. A versão remastered foi toda uspcaled para 1080p e tirando a maior resolução não parece ter havido grandes melhorias gráficas. O voice acting é inteiramente em japonês como é habitual e parece-me muito bom, até porque o pessoal da Ryu Ga Gotoku Studios tem investido em actores minimamente famosos no Japão para dar a cara e voz às personagens principais. A banda sonora é também bastante eclética, com músicas com melodias calmas de piano, outras mais jazzy e claro, quando temos de andar à porrada muitas vezes toca uma música mais rock e enérgica. Eu adoro rock e metal, mas confesso que as músicas desse estilo neste jogo em particular não me agradaram tanto.

Subir de nível faz com que possamos desbloquear novas habilidades. Combater, comer em restaurantes ou completar sidequests são tudo exemplos de actividades que nos dão experiência.

Portanto este Yakuza 4 é mais um título bem decente da série Yakuza / Like A Dragon. A introdução de novas personagens jogáveis foi muito benvinda, embora o Saejima seja um pouco mais frustrante de controlar nos combates e durante a exploração normal também ter de fugir à polícia constantemente. De resto, apesar das novas personagens, infelizmente a Sega não investiu muito em novos locais para visitar. A esmagadora maioria do jogo é passada em Kamurocho que já é mais do que familiar nesta altura. Outras localizações como a tal prisão que escapamos com o Saejima ou as praias de Okinawa onde Kiryu vive são zonas que visitamos apenas em certas fases da história. De realmente novo temos aqui toda uma série de subterrâneos e terraços para explorar em Kamurocho, no entanto estas novas áreas não são assim tão vastas quanto isso e não acrescentam muito ao jogo em si, o que é pena.

King of Fighters: Maximum Impact (Sony Playstation 2)

Vamos voltar à Playstation 2 para mais um dos seus jogos de luta, desta vez para este KOF Maximum Impact. Apesar de a SNK já ter tido alguma experiência com jogos de luta 3D, todos eles desenvolvidos para o sistema arcade Hyper Neo Geo 64 que acabou por ser um fracasso comercial, este é o primeiro KOF desenvolvido como um jogo de luta em 3D e foi desde logo pensado como sendo um spin-off à série principal, tal como acontece nos Street Fighter EX. O meu exemplar foi comprado em 2015 quando visitei a cidade de Oslo na Noruega. Na altura descobri uma interessante loja de videojogos e, apesar dos seus preços serem maioritariamente elevados, ainda descobri alguns títulos bem em conta, como foi o caso deste Maximum Impact que foi comprado selado por um valor que não chegou aos 15€.

Jogo com caixa, sleeve exterior de cartão, manual com instruções rápidas, disco bónus e um manual adicional bem mais luxuoso

No que diz respeito aos modos de jogo, os controlos base usam os mesmos 4 botões faciais do comando da PS2 para executar socos ou pontapés, fracos e fortes. Temos também uma barra de specials que se vai enchendo à medida que vamos distribuindo porrada e que nos permitirá executar alguns golpes poderosos. Apesar dos seus visuais completamente em 3D poligonal, na sua essência este jogo mantém as mesmas mecânicas de um jogo de luta em 2D, embora também nos permita de certa forma mover-nos num plano tridimensional. Para isso teremos de pressionar os botões soco e pontapé fracos em simultâneo, em conjunto com uma direcção. Esquerda ou direita activa os rolls evasivos que já estávamos habituados, enquanto que cima ou baixo nos permitem desviar à volta do nosso oponente. De resto, para além desta transição para o 3D, a maior mudança a nível de jogabilidade é a de, pelo menos no modo história, este ser um jogo inteiramente de lutas 1 contra 1, ao contrário dos restantes KOF que nos obrigam a usar equipas de 3 lutadores, podendo ainda ter acesso a mecânicas de tag. A nível de personagens temos aqui 19 personagens ao todo mais uma desbloqueável (o boss Duke). Dessas 20, 6 foram especialmente criadas para esta subsérie Maximum Impact e, que eu saiba, ainda não surgiram em mais nenhum KOF da série principal.

Tal como nos Street Fighter EX, nesta série são apresentadas várias novas personagens que nunca mais ouviremos falar

No que diz respeito os modos de jogo, temos aqui o modo história que nos leva a lutar contra 6 oponentes mais um boss final, o tal Duke. A história em si sinceramente não é nada de especial pois leva-nos a participar em mais um torneio King of Fighters realizado por uma organização criminosa com algum plano macabro por detrás. Isto é-nos dito por uma personagem que mais parece um palhaço e que também nos apresenta o próximo adversário entre cada round. A história é então completamente genérica para a maioria das personagens e apenas 3 das 6 novas personagens nos darão acesso a alguns diálogos adicionais que enriquecem um pouco mais a história. É o caso dos irmãos Meira e da femme fatale Lien Neville. Para além do modo história temos também um modo versus que tanto pode ser jogado sozinho ou contra um amigo e aqui já temos a possibilidade de criar equipas de 3 assim como o modo practice que dispensa apresentações. Para além disto temos também um modo challenge que se subdivide nos mission mode e time attack, onde neste último o objectivo é o de obter o melhor tempo possível. O mission mode apresenta-nos uma série de desafios como fazer um certo número de combos, derrotar um oponente dentro de um certo tempo limite, usar algum golpe especial, entre muitos outros. Completar missões desbloqueiam-nos novas arenas e fatos para as personagens.

Por vezes os uniformes alternativos de certas personagens remetem-nos para outros jogos, como é a vestimenta de Terry Bogard do Mark of the Wolves

A nível audiovisual sinceramente não acho o jogo mau de todo. As arenas vão sendo bastante variadas entre si e consideravelmente bem detalhadas. As personagens são todas em 3D poligonal e apesar de não serem propriamente mal detalhadas, há, a meu ver, uma grande perda de qualidade no design e animações das personagens quando estas transitaram para o 3D poligonal. Mas isto é mesmo uma questão de gosto pessoal, que sempre achei as sprites da SNK extremamente boas! E sinceramente acho a maior parte das novas personagens desinteressantes, acho que só mesmo a Lien Neville se aproveita (e não, não é devido ao seu decote e atributos femininos). A banda sonora vai sendo também algo eclética, abrangendo géneros como o rock, pop e electrónica e é de forma geral agradável de se ouvir. O mesmo não pode ser dito do voice acting que foi todo regravado para inglês no lançamento ocidental e sinceramente fica muito a desejar na sua qualidade.

O jogo abre com uma cutscene em CGI que por acaso acho muito bem trabalhada.

Portanto este KOF Maximum Impact é um jogo de luta bastante competente e divertido de se jogar, embora, por gosto pessoal, prefira de longe o design artístico dos clássicos em 2D da Neo Geo. Ainda assim o jogo deverá ter tido algum sucesso, pois a SNK Playmore ainda lançou pelo menos dois sucessores. Esta edição europeia vem acompanhada de um disco adicional com um making of do jogo, bem como um manual inteiramente a cores que é de tão boa qualidade que nem cabe dentro da caixa do jogo, obrigando assim que o mesmo viesse acompanhado de uma sleeve exterior de cartão para comportar ambos.