Shellshock (Sega Saturn)

A Core Design, dentro dos estúdios europeus da década de 90, sempre foi dos que mais apoiou as consolas da Sega, não só com conversões dos seus jogos desenvolvidos originalmente para computadores como o Commodore Amiga, bem como com lançamentos inteiramente novos. Este Shellshock, a par do Firestorm: Thunderhawk 2, foram os seus lançamentos de estreia para a então nova geração de consolas, com o jogo a estar disponível na Saturn, Playstation e também PC. O meu exemplar foi comprado algures no verão passado, tendo vindo de um grande bundle de jogos e consolas que comprei a um vendedor particular. Ficou-me portanto muito barato.

Jogo com caixa

Neste jogo encarnamos numa equipa de mercenários muito peculiar, os Da Wardenz, pois são todos grandes fãs de hip-hop. O nosso propósito é o de controlar um tanque em diversas partes do globo para combater o terrorismo. As missões consistem maioritariamente em destruir uma série de alvos inimigos, ou resgatar reféns. Ora este não é um simulador de guerra, pelo que os controlos acabam por ser simples. O d-pad move o tanque, depois temos um botão para seleccionar a arma a usar, outro para disparar, um outro botão para activar o mapa e outro para fazer lock-on da metralhadora nos adversários à nossa volta. Os botões de cabeceira servem para rodar o canhão principal para a esquerda ou direita.

Os inimigos são ainda representados como sprites em 2D

À medida que vamos cumprindo missões vamos recebendo dinheiro como recompensa. Se destruirmos mais alvos inimigos para além dos primários, como outros edifícios ou veículos inimigos, também somos recompensados com dinheiro extra. Esse dinheiro pode depois ser usado não só para reparar a armadura do tanque do dano que tenha sofrido entre missões, bem como comprar novos upgrades para o mesmo. Estes consistem em melhorias na sua armadura, na sua mobilidade, melhorar as armas existentes (como o tempo de recarga entre cada disparo do canhão principal), ou mesmo acoplar armas novas como um lança mísseis. Um dos melhores upgrades que teremos pela frente é a possibilidade de chamar um avião de suporte, que nos destrói uma grande parte dos inimigos à nossa frente, embora apenas o possamos usar uma vez por missão.

Entre missões podemos gastar o dinheiro que amealhamos em diversos upgrades

No que diz respeito aos audiovisuais, antes de jogarmos cada missão podemos explorar a base dos Da Wardenz como se um jogo de aventura point and click se tratasse, ao navegar entre vários ecrãs e interagir com os nossos colegas para falarmos um pouco com eles, ou interagir com outros objectos, que nos permitem gravar o progresso do jogo ou entrar na tal loja para comprar upgrades. Antes de cada missão temos direito a um briefing narrado, por vezes acompanhado de pequenas cutscenes em CGI. Nas missões em si, estas são apresentadas num misto entre 3D poligonal algo primitivo e sprites em 2D. Tudo é terra plana, não existem quaisquer desníveis e as missões podem ser passadas em desertos, em zonas florestais, ou em plenas cidades e portos. Mas não há grande variedade de sprites, todas as àrvores são iguais, todos os tanques inimigos ao longo de todo o jogo são iguais, pelo que o jogo acaba por se tornar repetitivo rapidamente. Já no que diz respeito ao som, bom, sendo os Da Wardenz todos grandes fãs de hiphop, o que se nota até pela maneira como vestem, não é de admirar que a banda sonora é toda à volta desse género musical. Não é um género musical que me agrade particularmente, mas não deixa de ser um conceito original. Ao longo das missões os restantes mercenários vão-nos mandando algumas dicas, mas também é cansativo ouvi-los dizer exactamente as mesmas frases de cada vez que somos atingidos por fogo inimigo, ou pelo contrário, quando destruimos algum veículo ou edifício inimigo.

Para além de resgatar reféns ou destruir coisas, também teremos algumas missões ocasionais de escolta

Portanto este Shellshock é um jogo que até acaba por ser agradável de jogar na primeira hora. Inicialmente o nosso tanque é muito fraco, pelo que teremos de jogar de forma mais cautelosa, mas à medida que vamos gastando dinheiro em upgrades, este começa a tornar-se numa verdadeira máquina de guerra. Mas com tanta missão genérica, o jogo começa a ficar repetitivo muito rapidamente. Graficamente é um jogo fraco, é verdade, mas temos de ver que é um título de 1995 e a Core ainda se estava a habituar à plataforma. Prefiro jogos híbridos 2D/3D com alguma qualidade, do que jogos inteiramente em 3D poligonal mas que tenham envelhecido horrivelmente.

UEFA Euro 96 England (Sega Saturn)

A única memória que tenho do Europeu de 96 é a de estar numa grande festa da empresa onde o meu pai trabalhava e, a certo ponto, aparecerem uma série de homens chateados pela selecção nacional ter perdido um jogo que os eliminou da prova. Lembro-me bem mais deste jogo para a Saturn, que tinha sido lançado pouco antes do torneio começar. Produzido pela Gremlin Interactive, esta é uma adaptação do seu Actua Soccer (até então, exclusivo da Playstation), mas inteiramente dedicado ao torneio Europeu, tendo obtido as devidas licenças. A Sega aproveitou e incorporou o jogo na sua linha Sega Sports, tornando este lançamento exclusivo para a Saturn (e PC) e apenas lançado em solo Europeu. De certa forma percebe-se o porquê, até porque os únicos jogos de futebol que estavam disponível até à data eram ainda o International Victory Goal e FIFA 96, com outros jogos de futebol a sairem mais tarde no ano de 1996. O meu exemplar foi comprado num bundle de vários jogos para a Saturn algures em Lisboa, há uns bons meses atrás.

Jogo com caixa e manuais

Dispomos aqui de vários modos de jogo, desde partidas amigáveis, um modo treino e a competição oficial, onde poderemos escolher qualquer uma das selecções que tinham sido qualificadas para o evento. Teoricamente os controlos são simples, com um botão para passar, outro para rematar, outro para correr e um outro para alternar de jogador quando não temos a posse da bola. Uma das coisas que achei engraçado é a maneira como o indicador do jogador seleccionado muda conforme a situação. Se não tivermos a posse da bola o indicador é circular. A partir do momento que temos a posse da bola o indicador torna-se triangular, começando a piscar se o CPU detectar que estamos numa boa posição para rematar à baliza. Se por acaso o indicador se tornar na forma de quadrado, quer dizer que estamos numa boa posição para cruzar para a área, bastando para isso pressionar o botão de passe. A bola irá então automaticamente sendo cruzada para a área e, caso haja algum jogador da nossa equipa pronto para receber a bola, o seu indicador surge como uma estrela, onde depois de pressionar o botão de remate, o jogador irá fazer-se à jogada e rematar de primeira ou cabecear. É um conceito interessante, embora demore um pouco a habituar. Ah, e aqui também temos o after touch para remates e passes longos, onde depois da bola ser disparada podemos arquear a sua trajectória ao pressionar o botão direccional na direcção pretendida. De resto contem com uma série de opções habituais, como alterar a formação táctica das equipas e os seus jogadores. Ao longo de cada partida podemos também alternar entre diferentes ângulos de câmara, alguns bastante dinâmicos mas que nos prejudicam a área visível de jogo, outros mais amplos que já nos dão maior controlo.

O jogo possui uma série de ângulos de câmara mais dinâmicos que até podem parecer bonitos em movimento, mas não dão muito jeito

A nível audiovisual, convém referir que este é dos poucos jogos que conheço na Sega Saturn que possui menus em português. De resto, graficamente era um jogo minimamente detalhado, embora naturalmente que tenha envelhecido bastante mal com o tempo. Possui comentários em inglês durante as partidas, embora não sejam nada do outro mundo. Mas é engraçado que o comentador tenha gravado o nome de cada jogador, e o enuncie com entoações diferentes consoante o contexto. Os restantes efeitos sonoros são competentes, desde os ruídos e cânticos do público, como os restantes barulhos normais de cada partida. As músicas são agradáveis, embora apenas toquem fora das partidas, como seria de esperar.

Graficamente é um jogo que envelheceu muito mal, como seria de esperar

Este UEFA Euro 96 é então um Actua Soccer inteiramente dedicado ao campeonato Europeu desse ano, com muitas mecânicas de jogo a serem herdadas do seu lançamento original na Playstation. Não é um jogo que tenha envelhecido bem, mas na altura até que era divertido quanto baste.

Dead or Alive (Sega Saturn)

Tempo de trazer mais uma conversão arcade, desta vez o primeiríssimo lançamento da série de jogos de luta da Tecmo em consolas domésticas. Dead Or Alive foi desenvolvido originalmente para o sistema arcade Sega Model 2, o mesmo onde corre Virtua Fighter 2. Em 1997 a Tecmo decidiu converter o jogo para a Sega Saturn, e sinceramente o resultado acabou por ser muito bom. Mais tarde a Tecmo lançou também uma conversão para a Playstation onde para além de aprimorarem a jogabilidade, refizeram também o motor gráfico e incluiram novas personagens. O meu exemplar foi comprado em Dezembro na loja Mr. Zombie, tendo-me custado uns 13€.

Jogo com caixa, manual e spine card.

A nível de controlos temos um botão para socos, outro para pontapés e um outro para agarrar o adversário. Este último, se usado no timing certo, pode servir para quebrar combos e deixar o adversário aberto a um contra ataque nosso. A jogabilidade é fluída e a IA é desafiante o suficiente, pelo que convém irmos practicando. Tal como noutros fighters, temos um modo de jogo precisamente para isso, onde seleccionamos uma personagem e practicamos os golpes contra um oponente inerte. De resto, ainda nos combates, este jogo possui também as danger zones nas arenas,  que são geralmente as áreas mais exteriores de cada arena. Estas são zonas “armadilhadas”, onde se formos atirados para o chão (ou se o fizermos ao nosso oponente), sofremos dano adicional.

Apesar de a jogabilidade não ser tão aprimorada quanto o upgrade lançado depois para a PS1, não deixa de ser um óptimo jogo de luta

De resto, os outros modos de jogo resumem-se aos habituais arcade e versus para 2 jogadores, bem como temos também o Time Attack ou Survival. O primeiro, tal como o nome indica, é uma corrida contra o relógio e o Survival também não é estranho nos jogos de luta, onde o objectivo é precisamente o de ir enfrentando oponentes de forma consecutiva, sem grande regeneração de vida entre rounds, até finalmente perdermos um combate. Por fim temos o modo kumite, onde podemos optar por combater 30, 50 ou mesmo 100 oponentes seguidos. Aparentemente este é o modo de jogo que mais nos recompensa para desbloquear as roupas extra de cada personagem (são 6 roupas por personagem, um número bastante elevado para a altura!). Ainda no que diz respeito a desbloqueáveis, poderemos também desbloquear Raidou, o principal antagonista do jogo. Aumentando para 9 o leque de personagens jogáveis nesta primeira versão, onde se incluem Kasumi, uma das protagonistas principais e Ryu Hayabusa, da série Ninja Gaiden.

A nível gráfico é um dos melhores que a Saturn apresentou com 3D poligonal

No que diz respeito aos audiovisuais, o Dead or Alive original da arcade foi um marco no seu lançamento, apresentando personagens muitíssimo bem detalhadas, em particular nos detalhes dos cabelos e roupas abanarem com o vento. A conversão para a Sega Saturn está excelente, apesar de naturalmente terem sido feitos alguns sacrifícios tendo em conta as diferenças de hardware. As arenas já não são tão detalhadas quanto a versão arcade, com os cenários de fundo a possuir no entanto interessantes efeitos de paralaxe que lhe dão na mesma a sensação de profundidade. Os polígonos dos lutadores apesar de não serem tão detalhados quanto no original, não ficam muito atrás. No geral os gráficos são muito bons para uma Sega Saturn e o jogo corre a uns belíssimos 60fps, que lhe dá uma excelente fluídez. Claro que as meninas possuem boobie physics exageradas, mas isso já faz parte da identidade desta série. No que diz respeito às músicas, bom este jogo parece ter sido produzido pela Sega, pois as músicas possuem o mesmo feeling que muitas das suas conversões arcade na segunda metade dos anos 90. Músicas com uma toada mais rock, portanto!

É uma pena que esta versão não tenha saído no ocidente. Aparentemente haviam planos pela Acclaim a trazer cá em 1997, mas o declínio da consola no ocidente acabou por os dissuadir. Na minha opinião, acho que a própria Sega deveria ter intervido e publicado eles mesmos esta versão no ocidente. Mesmo a versão Saturn está quase toda em inglês, com alguns detalhes como os atributos de cada personagem a ficarem em japonês. Era só traduzir essa parte, fazer um manual meio amanhado como de costume e estava feito. Dead or Alive é um excelente jogo de luta na Saturn e um lançamento ocidental teria sido muito benvindo.

Gale Racer (Sega Saturn)

Hoje trago cá a conversão para a Sega Saturn do Rad Mobile, um jogo de corridas arcade da própria Sega lançado originalmente em 1991, tendo sido conhecido não só por ser o primeiro videojogo que marca uma aparição de Sonic the Hedgehog, antes da futura mascote da Sega ter o seu primeiro videojogo oficialmente lançado, bem como sendo o primeiro jogo 32bit da empresa nipónica, tendo sido lançado originalmente no sistema System 32. Ainda assim era um jogo maioritariamente em 2D, apresentando no entanto sprites com muita melhor definição que os seus esforços anteriores. Em 1994, por alturas do lançamento Japonês da Sega Saturn, a Sega acabou por lançar uma conversão deste jogo sob o nome de Gale Racer. Infelizmente não é muito boa, pelo que o jogo acabou por ficar em solo japonês apenas. O meu exemplar veio da loja Mr. Zombie no mês passado, tendo-me custado 6€.

Jogo com caixa, manual e papelada

Rad Mobile foi um dos primeiros jogos arcade que eu alguma vez joguei. O primeiro foi o Out Run, numa máquina que ficava à entrada de um hipermercado onde os meus pais faziam compras no início dos anos 90. O segundo estou na dúvida se terá sido o Insector X ou o Rad Mobile, que tinha eventualmente substituído a máquina do Out Run que mencionei anteriormente. Este era um jogo onde, tal como o Out Run, teríamos de atravessar os Estados Unidos, desde a sua costa Oeste à Leste, garantindo no entanto que fossemos ultrapassando uma série de rivais pelo caminho, de forma a chegar a Nova Iorque em primeiro lugar. Aqui o objectivo mantém-se idêntico, com o número de rivais a bater a aumentar de 14 para 21, no entanto. E se na arcade a experiência era non-stop, aqui o jogo vai estando dividido em diversos segmentos separados por ecrãs de loading. Sinais dos tempos!

Curvas inclinadas! Parece que são lombas mas é mesmo assim, do motor do jogo

Ao longo do jogo teremos então não só de garantir que vamos atravessando cada checkpoint antes que o nosso tempo se esgote, bem como ultrapassar  todos os rivais que vão surgindo. Para além disso teremos de ter em atenção ao restante trãnsito que vamos vendo na estrada, inclusivamente para carros que venham em sentido contrário. Ocasionalmente vamos encontrar alguns rivais mais agressivos que servem também de bosses do jogo, como um camião gigante, porém rapidíssimo a subir uma estrada na encosta de uma montanha, onde temos de ter cuidados adicionais para não cair no desfiladeiro. Para além do modo arcade temos também um versus para 2 jogadores em split screen, bem como um modo time attack onde o objectivo é fazer o melhor tempo possível. Um detalhe interessante é o boneco do Sonic que temos pendurado no carro e que vai abanando. Esta foi a primeira aparição oficial do ouriço num videojogo, visto que Rad Mobile foi lançado em Janeiro de 1991, com o primeiro jogo oficial de Sonic a ser lançado mais tarde nesse mesmo ano. Nesta conversão, no entanto, quanto mais formos jogando este Gale Racer, vamos desbloqueando novas bonecos que vão substituindo o Sonic, como é o caso do Tails, Knuckles, Eggman, Metal Sonic ou outros elementos mais desconhecidos do universo Sonic, como o Mighty the Armadillo e Ray the Flying Squirrel.

O versus para 2 jogadores coloca-nos a competir um contra o outro em split screen

Originalmente este era um jogo inteiramente em 2D, no entanto o sistema System 32 possuía um hardware mais poderoso que os seus antecessores, disponibilizando sprites com melhor qualidade, alguns efeitos gráficos interessantes como a chuva a cair e os carros a levantar água da estrada molhada. As estradas em si eram também bem mais dinâmicas, apresentando não só as já habituais lombas, bem como se inclinando em curvas mais apertadas. Ora os efeitos metereológicos e as curvas inclinadas estão aqui presentes, mas as sprites foram substituídas por polígonos muito simples, assim como as suas texturas. Infelizmente a performance não é tão boa quanto no original arcade, e mesmo os polígonos aqui presentes serem muito simples e com texturas de baixa qualidade, a draw distance dos circuitos é muito reduzida. As mecânicas de detecção de colisões também deixam um pouco a desejar, vemos carros a atravessarem uns aos outros como se fossem fantasmas! No que diz respeito aos restantes audiovisuais, a Sega incluiu algumas cutscenes em CGI e as músicas apesar de não serem propriamente desagradáveis, ficam aquém do que mais tarde conseguiram fazer em jogos como Sega Rally, por exemplo.

No início e fim de jogo temos direito a uma cutscene em CGI – a nova geração prometia!

Portanto este Gale Racer foi uma oportunidade perdida de fazerem uma conversão decente de um jogo arcade lançado originalmente 3 anos antes. O sistema System 32 apesar de poderoso para a época, era um sistema lançado ainda com jogos 2D em mente. Gale Racer por sua vez foi lançado em 1994, tendo sido o primeiro jogo de corridas na plataforma. Creio que a Saturn seria capaz de correr uma conversão mais fiel ao arcade se mantivessem o mesmo estilo gráfico. No entanto, tendo sido um jogo de lançamento, é possível que o seu desenvolvimento tenha sido apressado e a Sega quisesse fazer uma conversão em 3D total para melhor mostrar as capacidades da consola, pelo que infelizmente o resultado não foi o melhor. A Saturn possui jogos de corrida inteiramente em 3D bem mais competentes que este Gale Racer e talvez por isso, por altura dos lançamentos ocidentais da consola, tenhamos recebido apenas o Daytona USA e este Gale Racer se tenha ficado apenas no Japão.

Slam ‘n Jam ’96 (Sega Saturn)

Continuando pelas rapidinhas a jogos desportivos, vamos ficar agora com este Slam ‘n Jam 96, que foi lançado nesse ano para a Saturn e Playstation. Desenvolvido pela Left Field, a mesma empresa que chegou a estar associada à Nintendo durante alguns anos, tendo desenvolvido os NBA Courtside e Excitebike 64, este é um jogo de basquetebol 2D que me faz lembrar de certa forma a série NBA Jam. O meu exemplar foi comprado num pequeno bundle de outros jogos Saturn e Mega Drive que comprei algures em Outubro numa feira de velharias. Ficou-me por 2.5€ portanto!

Jogo com caixa e manuais

Apesar de Magic Johnson e Kareem Abdul-Jabbar serem estrelas da NBA que foram patrocinadas pelo jogo, este não tem licença sobre as equipas NBA, pelo que os jogadores restantes possuem todos nomes fictícios. Com isso em mente, podemos optar por jogar partidas individuais, um campeonato (desde uma temporada completa com 82 jogos, ou outras mais curtas) ou saltar directo para os playoffs típicos do final da temporada.

No que diz respeito aos modos de jogo não há muito mais a acrescentar, até porque o modo temporada pode ser bastante extenso

O jogo é apresentado numa perspectiva frontal para os cestos, com as personagens, público todos completamente em 2D. Sinceramente até prefiro assim, pois esta geração sempre deixou algo a desejar no 3D, mas jogos com um 2D bem feito envelheceram muito melhor. E é o que me parece ser neste jogo! Confesso que não sou o maior conhecedor de jogos de basquetebol, mas a jogabilidade aqui parece-me bastante simples e divertida, oferecendo no entanto algumas possibilidades adicionais, como activar a fatiga, faltas (ao contrário de NBA Jam, onde vale tudo) e substituir jogadores com base nas suas estatísticas. Mas tal como o NBA Jam, o jogo possui um ritmo muito elevado, com a possibilidade também de tentarmos encestar as bolas de forma estilosa (embora não tão exageradamente como no NBA Jam). Há também a possibilidade de optar pelo multiplayer para várias pessoas com recurso ao multitap, o que me parece ser uma boa ideia.

Visualmente é um jogo com um 2D muito competente e um bom sprite scaling

A nível audiovisual o jogo apenas possui músicas nos menus e afins, embora estas até sejam agradáveis. Durante as partidas só temos os ruídos do jogo, o barulho emotivo do público e os comentadores desportivos que vão soltando algumas larachas. Graficamente acho que é um jogo bastante apelativo, pois todas as sprites estão desenhadas no 2D muito bem detalhado e animado, portanto acho que acabou por envelhecer muito melhor que outros jogos desportivos da época. A única coisa em 3D são os contornos da arena desportiva que também são simples, portanto também não envelheceram lá muito mal.

Portanto este Slam ‘n Jam até que se revelou numa óptima surpresa, dos poucos jogos de basquetebol que joguei na Saturn este parece-me ser o mais divertido e de longe o mais apelativo visualmente pelo seus visuais em 2D muito bem detalhados. Antes deste havia o Slam ‘n Jam 95, lançado para a 3DO apenas e pelo menos a nível visual parece-me muito similar. Já depois deste jogo a Left Field entrou numa parceria com a Nintendo onde, no meio de outros jogos, começou a série NBA Courtside, que já possui uma toada mais realista.