Battle Arena Toshinden URA (Sega Saturn)

Battle Arena Toshinden URAO artigo de hoje é mais uma rapidinha pois o tempo infelizmente tem sido escasso. E será uma rapidinha pois o jogo que escreverei hoje é apenas uma conversão infelizmente não muito boa de um jogo de Playstation. Battle Arena Toshinden URA, assim como o Remix foi a conversão do primeiro jogo da série, este Ultimate Revenge Attack é uma conversão do segundo jogo para a Saturn, mas mais do que uma conversão, tem algumas personagens diferentes, assim como a própria história que me parece que não é a mesma do original da Playstation. Este jogo foi-me oferecido por um amigo de infância, há alguns anos atrás, infelizmente não está no melhor estado…

Battle Arena Toshinden URA
Jogo com caixa e manual pt.

Infelizmente, tal como é habitual, a própria história também não é a melhor coisa de sempre e como de costume existe uma organização misteriosa que organiza um torneio mundial de artes marciais com segundas intenções, acabando por atrair lutadores de todo mundo, todos com diferentes backgrounds e motivos para estarem ali. E aqui não é muito diferente, embora antes do torneio muitos lutadores de artes marciais em todo o mundo começaram a desaparecer misteriosamente.

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Achei uma certa piada ao look propositadamente retro da cutscene inicial. Propositadamente, acho eu.

Battle Arena Toshinden foi dos primeiros jogos que imitou o sistema de combate 3D introduzido pelo Virtua Fighter, no entanto acabaram por colocar armas brancas nos lutadores para não parecer exactamente a mesma coisa. Os controlos são simples, com botões para pontapés fortes e fracos, ataques com as armas fortes e fracos e botões para ataques especiais. Podemos também rodar na arena, resultando num movimento inteiramente 3D. Como normal, todos os lutadores têm diferentes golpes especiais, mas todos eles possuem golpes overdrive e secret attack. Os primeiros podemos desencadeá-los sempre que enchemos uma barrinha no fundo do ecrã, já os segundos apenas quando estivermos mesmo encostados às cordas e quase a morrer é que podem ser executados. De resto os modos de jogo são bastante simples: temos o tradicional arcade e duas vertentes do versus, uma contra um amigo, e uma outra onde podemos lutar contra o CPU mais uma vez.

Graficamente é um jogo algo pobre para a Saturn. Os lutadores em si até que nem estão mal, o problema está mesmo nas arenas muito pouco detalhadas. E onde a versão arcade ou mesmo a de Playstation tem os backgrounds inteiramente em 3D, na Saturn são imagens 2D que vão sendo “rodadas” à medida que a arena gira. Mas isto já era algo que acontecia no primeiro port para a Saturn e mesmo em jogos como os Virtua Fighter ou Fighting Vipers convertidos pela própria Sega também sofreram desse mal. A CG de abertura também a achei algo engraçada, por ter as personagens todas poligonizadas, quase ao mesmo nível da conversão saturn do primeiro Virtua Fighter. Mas vai-se a ver ingame e… aparecem com mais detalhe. Os efeitos sonoros são OK, assim como a música que é bastante variada, tendo temas de diversos géneros musicais incluindo alguns mais rockalhados que eu aprecio mais.

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Os lutadores em si até que nem estão maus de todo, mas as arenas e backgrounds deixam um pouco a desejar

No fim de contas acho este um jogo interessante, mesmo para os fãs da série na Playstation, as versões Saturn devem ser sempre tidas em conta pelo seu conteúdo diferente, seja a nível de história, seja mesmo nos lutadores. Isso faz o jogo ter a sua própria identidade e não apenas uma conversão que possivelmente a Takara já sabia de antemão que não ficaria tão boa como a versão original.

D (Sega Saturn)

D - SaturnVamos voltar às rapidinhas para uma breve análise a um jogo muito bizarro que infelizmente não envelheceu nada bem. D é um jogo do já falecido Kenji Eno, a mesma pessoa que nos trouxe o já referido Enemy Zero e também o próprio D2 que eventualmente comprarei para a Sega Dreamcast. Este é um jogo de aventura na primeira pessoa com um ambiente de terror e muita bizarrice. Foi comprado há umas semanas atrás na Pressplay do Porto por 14€, estando num estado pristino. Eu já há algum tempo que o queria comprar e eventualmente até o poderia arranjar mais barato, mas procurar na internet por um jogo chamado apenas “D” é uma tarefa ingrata.

D - Sega Saturn
Jogo completo com 2 discos e capa internacional

Neste jogo encarnamos no papel de Laura Harris, filha de um competente médico chamado Dr. Ritcher Harris que, sem que nada o fizesse prever, barricou-se no hospital onde trabalhava e chacinou todos os que lá ficaram. Laura decide ir até ao hospital e investigar o que terá acontecido com o seu pai. Mal lá chega e vê todos os cadáveres, é meio que transportada para um estranho mundo dentro de um castelo medieval. Curiosa, levaremos Laura a explorar todas as divisões do castelo e fazer os possíveis para encontrar o seu pai e tentar resolver todo esse mistério. Resumidamente é isto, mas devo dizer que mesmo enquanto vamos jogando a história não se desenvolve de uma forma muito fluída e, embora se chegarmos ao final fiquemos a saber o que aconteceu com o pai de Laura, e outras coisas sobre o passado da protagonista que prefiro não revelar, a história não é lá muito bem contada. E o jogo tem de ser terminado em 2h, o que mesmo com alguns puzzles a resolver, não é assim tão difícil.

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Mesmo sendo todo em CG, é fácil ver que envelheceram muito mal

As mecânicas de jogo são quase as de um point and click na primeira pessoa, o problema é que a movimentação é muito lenta e o jogo tendo algum backtracking não melhora nada a situação. Isto porque com o comando escolhemos a direcção onde queremos deslocar e para cada movimento é passado um clipe de vídeo em CG com os lentos passos e movimentos de Laura. Um pouco como foi feito nas partes de exploração do Enemy Zero. E para além disso temos também alguns puzzles simples que tal como manda o género, consistem na sua maioria em procurar objectos ou chaves que nos permitam abrir portas ou resolver outros puzzles para irmos avançando no jogo e explorar novos recantos do misterioso castelo. Coisas como armadilhas para desarmar também são outro dos exemplos do que temos pela frente.

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Como nos jogos de aventura normais, vamos tendo um inventário onde podemos interagir com items e objectos

Graficamente é um jogo mau, creio que não há outra volta a dar ao esquema, isto porque apesar de ser todo jogado como se uma CG gigante se tratasse, em 1995 ainda não haviam CGs de qualidade como começou a ser vista em jogos como Final Fantasy VII e então as personagens e os cenários têm muito pouco detalhe. Ainda assim não deixa de ser um jogo bastante competente nesse quesito tendo em conta o estado da arte de 1995, até porque este foi também um jogo criado de raíz para a consola 3DO. O voice acting infelizmente também não era o melhor mas mais uma vez em 1995 nunca se gastou muito budget com voice actings decentes. As músicas, na sua maioria são músicas ambiente ou bem sinistras, contrastando por completo da música dos créditos finais, que é uma faixa bem heavy metal, com guitarradas e uma bateria agressiva em especial na recta final da música, mesmo como eu gosto.

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Por vezes vemos alguns flashbacks bem bizarros que contam o mistério por detrás do passado de Laura

Concluindo, para mim este é um jogo que vale unicamente pelo seu valor histórico, pois a sua jogabilidade muito travada tira-lhe toda a piada e mesmo a nível gráfico apesar de ter sido um jogo competente em 1995, hoje em dia envelheceu muito mal. Ainda assim o Kenji Eno não deixou de ser um designer bastante irreverente que infelizmente deixa saudades destes jogos bizarros que o mercado japonês por vezes nos brinda.

Sonic 3D Flickie’s Island (Sega Saturn)

Sonic 3D SaturnVoltando aos jogos da mascote da Sega para um bastante peculiar e com alguma polémica à mistura. O Sonic X-Treme seria o derradeiro jogo do Sonic em 3D muito ansiado para a Sega Saturn, mas diversos problemas de desenvolvimento, incluindo desentendimentos entre a Sonic Team e a Sega Technical Institute, estúdio norte-americano responsável pelo desenvolvimento do malfadado jogo acabaram por cancelar o projecto. Com a concorrência  com jogos de plataforma 3D como Crash Bandicoot, Mario 64 ou Banjo Kazooie, os Bug, Clockwork Knights ou mesmo o excelente Nights não seriam suficientes e um jogo em 3D do Sonic era algo indispensável para o ano de 1996, altura em que a Saturn começou a perder terreno no ocidente de forma considerável. Ora o Sonic 3D era inicialmente um jogo que seria lançado apenas na Mega Drive, com o seu desenvolvimento a cargo do estúdio britânico Traveller’s Tales. Este jogo com a sua perspectiva isométrica seria mesmo para ser apenas um spin off, enquanto o Sonic X-Treme seria mesmo o próximo principal da série. Como isso não aconteceu, a Sega resolveu trazer o Sonic 3D para a Saturn também, cuja conversão levou apenas 7 semanas. Este jogo foi comprado algures durante este ano e se não estou em erro custou-me 5€ na feira da Ladra em Lisboa.

Sonic 3D - Sega Saturn
Jogo com caixa e manual europeu

A história mais uma vez coloca-nos como o Sonic na sua eterna luta contra o Dr. Eggman/Robotnik e os seus planos maquiavélicos de dominação mundial. Desta vez o bigodaças viajou para a Flickie’s Island, terra nativa dos estranhos pássaros que para além de já terem tido o seu próprio jogo, parece que possuem uma tecnologia de teletransporte na sua ilha. Eggman transforma-os então em robots para que o ajudem a procurar as esmeraldas caóticas, mais uma vez tema central nos jogos do ouriço.

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Knuckles ou Tails apenas servem para nos levar para os níveis especiais

Tal como referi acima, o jogo de 3D tem muito pouco pois é todo jogado numa perspectiva isométrica que, conforme já se pode ter visto em vários outros jogos, não é a melhor das perspectivas para um jogo de plataformas, pois os ângulos para saltar são muitas vezes traiçoeiros e todos aqueles níveis “rollercoaster” foram sacrificados, até porque o foco deste jogo está todo na exploração. À medida que destruimos os robots que têm um flicky aprisionado, este começa a seguir-nos. Em cada secção de um determinado nível temos sempre 5 Flickies para descobrir e depositá-los num dos tais anéis de teletransporte, de forma a que fiquem em segurança. Apenas após este passo é que nos deixam avançar para a etapa seguinte do mesmo nível e é habitual termos pelo menos umas 3 etapas deste género em cada nível. Se sofrermos dano quando tivermos passarinhos seguirem-nos, os mesmos acabam por dispersar e temos de ir atrás deles na mesma, para além de recuperar os anéis perdidos.

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Alguns níveis apresentam efeitos gráficos interessantes que naturalmente não existem na versão Mega Drive

Claro que temos na mesma os power-ups do costume, como invencibilidade ou velocidade extra temporária, bem como os escudos protectores. Aqui temos mais uma vez 3 categorias de escudos, embora diferentes do que foi introduzido nos Sonic 3 & Knuckles. Temos o escudo perfeitamente banal, usado nos primeiros 2 jogos, um escudo laranja/vermelho que nos protege do fogo e um escudo dourado que acaba por ser a primeira introdução de algo similar ao homing attack, onde ao pressionar o botão de salto enquanto estamos no ar, Sonic é disparado ao inimigo mais próximo, se o houver. E os amigos de Sonic? Tails e Knuckles? Eles também estão no jogo, mas como NPCs apenas. Servem de “porteiros” para os níveis especiais onde podemos apanhar as esmeraldas caóticas e tal como nos jogos anteriores, precisamos de coleccionar pelo menos 50 anéis para lhes poder aceder. Esses níveis especiais já são totalmente renderizados em 3D e assemelham-se muito aos níveis especiais do Sonic 2 da Mega Drive, sendo jogados em circuitos cilíndricos onde teremos de apanhar um determinado número de anéis e evitar sofrer dano. Desta vez, sendo numa Sega Saturn, a Sonic Team tentou aproveitar as capacidades desta consola melhor, com esses níveis a serem mais detalhados e os próprios circuitos bem mais variados, com zonas abertas onde temos de saltar com atenção ou mesmo algumas fazes mais “serpenteadas”. Infelizmente desta vez coleccionar todas as esmeraldas não nos deixa transformar em Super Sonic, o que é pena.

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Os níveis especiais fazem lembrar bastante os mesmos do Sonic 2, sendo também diferentes da versão Mega Drive

De resto graficamente devo dizer que é um jogo impressionante… para a Mega Drive pois tal como Donkey Kong Country da SNES são usados modelos 3D poligonais digitalizados para sprites, o que dá logo ao jogo a impressão de ser realmente em 3D, em conjunto com a perspectiva isométrica. Mas como a conversão deste jogo para a Saturn foi um “tapa buracos” feito às pressas, os visuais não são assim tão diferentes da versão Mega Drive, tirando claro está a maior resolução e alguns efeitos gráficos o que, num jogo com 3D no nome se exigiria muito mais numa Saturn. As músicas por sua vez não são más, mas sendo muito sincero prefiro a versão chiptune da Mega Drive, até porque nesta versão Saturn temos loadings para as músicas, como por exemplo quando adquirimos o power-up de invencibilidade, esperamos sempre uns segundos antes de trocar de música, acontecendo a mesma coisa depois quando o powerup expirar. Os special Stages em 3D são bem mais interessantes que os mesmos na Mega Drive e aí já dá para realmente ter um cheirinho de 3D a sério.

No fim de contas, Sonic 3D é um jogo muito diferente do que a fórmula tradicional o deixou famoso, colocando um foco muito maior na exploração e a perspectiva isométrica que nunca é muito boa amiga quando é preciso ter precisão de saltos em jogos de plataformas. Ainda assim, se pensarmos neste jogo não como uma sequela de Sonic mas sim como uma sequela espiritual do clássico da Sega de 1984 “Flicky”, as coisas ficam mais fáceis de digerir e na verdade este nem é um jogo tão mau assim. De qualquer das formas recomendo a versão Mega Drive por ser a versão original deste jogo, e onde o conceito resulta muito melhor.

Sonic Jam (Sega Saturn)

Sonic JamVamos voltar às rapidinhas para mais uma breve análise a um jogo do ouriço azul da Sega. Na verdade, uma compilação. Sonic JAM traz conversões da série clássica da Mega Drive e muito mais conteúdo, pelo que aconselho a leitura dos artigos do Sonic 1, Sonic 2, Sonic 3 e Sonic & Knuckles para análises mais detalhadas sobre esses jogos, pois este artigo irá incidir nas novidades. E esta compilação entrou-me na colecção há uns meses de trabalho após ter-me sido oferecida por um colega de trabalho a quem muito agradeço. Está completa e em óptimo estado.

Sonic Jam - Sega Saturn
Jogo completo com caixa, manuais e papelada

Ora e o que traz este jogo de diferente? Para começar é notável que os jogos clássicos foram convertidos para o hardware da Saturn e não simplesmente emulados, conforme pode ser visto em muitas outras compilações lançadas no futuro. E para além de converterem os jogos originais ainda lhes adicionaram algumas funcionalidades senão vejamos: nos 4 jogos, podemos jogá-los na sua versão original, ou a dificuldade “normal” que acrescenta alguns anéis e muda ligeiramente a disposição de alguns cenários, ou ainda o easy, que vai ainda mais longe e remove alguns níveis do jogo. Mas qual a piada de fazer isso? Os clássicos são para serem jogados sem estas adulterações na minha opinião. Para os 4 jogos temos ainda o modo “time attack” que vai gravando os melhores tempos a completar cada acto, ou o modo de jogo que nos deixa jogar os níveis de bónus apenas. No Sonic 1, incluiram também a habilidade de o Sonic fazer o spin dash, que só tinha sido introduzida no segundo jogo. Seleccionando o Sonic & Knuckles, podemos também escolher qualquer uma das combinações possíveis com este jogo e um dos cartuchos dos restantes jogos, permitindo-nos jogar o Sonic 3 & Knuckles completo, por exemplo. Para cada um destes jogos também podemos ver digitalizações dos seus manuais.

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Os quatro clássicos, aqui com os cartuchos na sua versão americana

Para além do mais, temos um nível especial que foi uma autêntica carta de amor aos fãs, ou um pedido de desculpa pelo Sonic X-Treme nunca se ter concretizado. Existe um nível totalmente renderizado em 3D chamado Sonic World. Nesse nível podemos fazer várias coisas, desde cumprir pequenas missões, a visitar uma série de edifícios com conteúdo bónus para ver, como uma pequena história de toda a cronologia do Sonic com os lançamentos até 1997 e outros factos interessantes, diverso artwork das personagens da série, música e efeitos sonoros dos clássicos ou mesmo pequenos clips publicitários ou as cutscenes de animes e do Sonic CD, agora numa melhor resolução e cor do que o permitido pelo hardware da própria Mega CD. Sem dúvida conteúdo de peso, pelo menos para mim o era. Mas tal como referi atrás, é também neste nível que podemos cumprir algumas missões em “time attack”, como coleccionar x anéis, activar uma série de postes de checkpoints, ou mesmo partir alguns monitores escondidos. Sabe a pouco, é verdade, e apesar de a jogabilidade nesse modo ser um pouco lenta e o nível não ter os loopings do costume e outros marabalismos, para ser sincero até gostei do que vi e um bom jogo do Sonic de plataformas em 3D era algo mesmo obrigatório para a Sega Saturn naquela altura. Reza também a lenda que foi a partir dessa engine que a Sonic Team começou a fazer o Sonic Adventure…

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Poderia ter sido assim o primeiro jogo em 3D “a sério” do Sonic.

De resto os jogos clássicos têm os gráficos 16bit do costume, e era mesmo isso que seria o esperado. Quanto aí nada a apontar. No nível em 3D as coisas são bastante coloridas e o mapa tem um bom nível de detalhe. Também nada a apontar neste campo e nas músicas e efeitos sonoros, em equipa que vence não se mexe, portanto algo que também não falhou. No fim de contas acho este Sonic Jam uma excelente compilação, pois traz todos os clássicos e mais uma série de conteúdo bónus muito interessante. É certo que temos outras compilações mais recentes como a Sonic Mega Collection ou Sonic Gems, mas nenhuma tem o carisma que este Sonic Jam tem na minha opinião.

Last Bronx (Sega Saturn)

Last BronxLast Bronx é o último bastião dos jogos de luta em 3D, pelo menos da Sega, para a sua consola 32bit. É uma espécie de sucessor espiritual de Fighting Vipers pelo menos no seu conceito urbano com os combates armados à lá Soul Edge. É tambem produto original da Sega AM#3, o mesmo estúdio da Sega que nos trouxe pérolas das arcades como Sega Rally, Manx TT ou Virtual On: Cyber Troopers. A minha cópia foi comprada algures no ano passado por 5€ a um particular e está em óptimo estado.

Last Bronx - Sega Saturn
Jogo completo com caixa e manuais

O conceito por detrás de Last Bronx leva-nos a uma cidade de Tóquio em decadência, onde vários gangues começaram a lutar violentamente entre si de forma a garantir o seu poder nas actividades ilícitas da capital nipónica. Até que surge uma espécie de convite/ameaça em juntarem os líderes de todos os gangues num torneio, torneio esse cujo vencedor ganharia o direito de controlar o submundo de Tóquio com o seu gang. O resto é a porrada do costume, mas desta vez com algumas armas “brancas”, como bastões, nunchaku’s, cacetetes e mais bastões.

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Infelizmente a selecção de lutadores não é muita e apenas temos um lutador secreto a desbloquear.

E em Last Bronx temos vários modos de jogo já habituais em jogos de luta 3D, nomeadamente o arcade, que é uma representação fiel à vertente singple-player nas máquinas de arcadas, o versus que nos coloca à porrada contra um amigo e outros modos de jogo como o survival, onde defrontamos uma série de inimigos após cada round e sem a nossa vida regenerar, ou o time attack, onde o objectivo é chegar ao fim do jogo no menor tempo possível. Também temos o Saturn mode que é uma variante do modo arcade, onde os combates tomam uma ordem aleatória excepto o combate final, que nos coloca sempre contra o rival da nossa personagem escolhida. Antes e depois desse combate temos direito a pequenas cutscenes com diálogos entre as personagens, sendo que podemos chamar a este modo de jogo o modo “história”. Para além desses ainda temos dois modos de jogo distintos para treinarmos os nossos movimentos. Enquanto o “Free Practice Mode” deixa-nos à vontade para espancar um coitado indefeso, o “Aerial Combo Practice Mode” tal como o seu nome indica, serve para treinarmos os combos aéreos, antes de o nosso oponente cair ao chão. Infelizmente o tutorial completo existente na versão japonesa sob a forma de um disco extra, repleto de conteúdo com tradução necessária, não foi incorporado na edição ocidental.

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Os aerial combos são uma parte importante das mecânicas de jogo e tiveram direito a um modo de treino exclusivo para as mesmas

Os controlos são algo semelhantes aos Virtua Fighters da Saturn, com os três primeiros botões faciais a servirem para defender, dar murros ou pontapés, e os restantes são combinações de outros botões, não deixando claro de dar jeito para desencadear alguns combos ou outros golpes especiais. E Last Bronx é um bastante agressivo: O timer de cada round tem por defeito uma duração de 30s e os ataques com armas dão um dano bem considerável, o que se juntarmos ao pacing elevado com que os combates decorrem, temos aqui um jogo bem emocionante de se jogar.

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Cutscenes com as vozes originais e legendas em inglês? A única coisa boa em não haver budget suficiente para traduções totais de um jogo.

Graficamente é um jogo bem interessante. Naturalmente o original lançado para uma das revisões do sistema Model 2 está repleto de detalhes que a versão Sega Saturn não tem, como gráficos em “alta resolução” com lutadores e arenas bem modelados. Ainda assim não deixa de ser um bom jogo 3D na consola de 32bit da Sega. As personagens têm detalhe quanto baste, embora ainda esteja algo longe do detalhe alcançado pelo Virtua Fighter 2. No entanto o jogo não deixa de ter uma resolução alta e um bom framerate, conseguindo algo que Virtua Fighter não conseguiu: os backgrounds completamente poligonais. Mas deixando esses aspectos mais técnicos de fora, Last Bronx foi um jogo que fez sucesso no Japão pelos seus cenários serem inspirados em localidades reais de Tóquio, fazendo com que todas as arenas sejam em áreas urbanas. Infelizmente é tudo à noite… Outro aspecto interessante de ser referido é que, tal como Soul Blade/Edge, este foi um dos primeiros jogos de luta a utilizar técnicas de captura de movimentos nas personagens, o que explica a fluidez das animações. Existe até a circular no Japão uma espécie de documentário que evidencia esse processo.

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A versão caseira também conseguiu manter o efeito gráfico das armas em movimento

E tal como referi anteriormente o jogo tem algumas cutscenes, em especial no “Saturn Mode”. Antes do embate contra o nosso arqui-rival temos direito a uma pequena cutscene falada com o próprio motor gráfico do jogo, mas depois de vencermos essa última batalha teremos direito a pequenas cutscenes anime, que têm um bom voice acting e pecam unicamente por serem pequenas. As músicas têm o feeling inconfundível das obras da Sega nas arcades daquele período, embora sinceramente já não sejam tão do meu agrado devido a serem na sua maioria techno/electrónica.

No fim de contas, este é mais um óptimo jogo de luta 3D que infelizmente não recebeu o seu merecido sucesso, e por isso mesmo não ouvimos mais nada sobre uma eventual sequela, o que é pena. Ainda assim, e embora não tenha o carisma de um Virtua Fighter ou Fighting Vipers, é mais uma excelente alternativa aos fãs do género que possuam a malfadada e incompreendida consola de 32bit da Sega.