Battle Arena Toshinden Remix (Sega Saturn)

Battle Arena Toshinden

Vamos lá a mais uma rapidinha a uma conversão de mais um jogo da série Battle Arena Toshinden para a Sega Saturn. Esta série, produzida pela Takara, foi um dos primeiros clones de Virtua Fighter, o mítico jogo de luta que deu início aos primeiros videojogos de luta 1 contra 1 completamente em 3D poligonal, contrastando com todos os clones de Street Fighter e Mortal Kombat que haviam por aí. Mas Battle Arena Toshinden é mais que um clone pois é um dos primeiros, senão o primeiro mesmo, jogo de luta 3D com armas brancas, muito à semelhança do que veio posteriormente a ser popularizado com Soul Blade / Soul Calibur. Mas antes disso, Battle Arena Toshinden foi também o primeiro jogo de luta a sair na Playstation, uns meros meses antes de Tekken, portanto foi também concorrente directo ao Virtua Fighter nessa consola. Mas poucos meses depois também foi relançado como Battle Arena Toshinden Remix na Sega Saturn. O meu exemplar foi trocado com um particular por um outro jogo que eu tinha aqui repetido.

Jogo com caixa e manuais

BAT Remix é mais que uma mera conversão, pois traz algum conteúdo extra, como uma nova personagem jogável, exclusiva desta versão Sega Saturn, bem como um modo história repleto de cutscenes que nos enquadram melhor na história. Isto porque o BAT Remix segue o cliché de muitos outros jogos de luta, na medida em que existe algures um grande torneio de artes marciais, organizado por gente duvidosa e com segundas intenções e todos os lutadores têm as suas próprias razões para competir, sejam boas ou más. Bom, esse modo história ao menos dá-nos um pouco do background de cada personagem, as suas motivações e relações com os outros lutadores que nos apareçam à frente. Temos também o modo arcade para um ou dois jogadores, bem como um modo de treino onde poderemos lutar contra o computador. A jogabilidade em si é simples, com 2 botões para ataques com a arma e outros 2 para pontapés (fracos mas rápidos e fortes mas lentos). Como não poderia deixar de ser há uma série de especiais e se escolhermos as dificuldades mais baixas até dá para mapear alguns golpes especiais num ou 2 botões do comando.

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Battle Arena Toshinden é uma das primeiras séries de luta em 3D. E com armas brancas!

Tecnicamente o jogo não é nada de especial. Tanto a versão Saturn como Playstation apresentam modelos poligonais com pouco detalhe, bem característicos desta altura em que os jogos inteiramente em 3D ainda davam os primeiros passos. Mas a versão Saturn ficou um pouco inferior – sim, pois a consola 32bit da Sega apresentava um hardware muito complexo e era um trabalho colossal colocar um jogo tão bonito numa consola e noutra e com o mesmo rendimento, já todos sabemos, ou deveríamos saber dessas “limitações” da Saturn. O que é inferior aqui, para além de alguns efeitos de transparências como é habitual, os próprios backgrounds das arenas são muitas vezes imagens estáticas ao contrário da versão arcade ou PS1, que apresentam cenários também poligonais. A música e efeitos sonoros no geral não me deixaram lá muitas lembranças pelo que nem os comento, já o voice acting das cutscenes entre cada combate no modo história… esse… esse é tão horrível que até se torna bom! Vocês sabem! Quase no nível do House of the Dead 2!

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Este modo história não está no original arcade e playstation. Mas a qualidade também não é de todo a melhor.

Battle Arena Toshinden é uma série que por acaso nunca foi daquelas que mais me marcou. No entanto os seus 4 jogos na Playstation terão deixado as suas marcas nos fãs da Sony, até porque o primeiro antecedeu-se ao Tekken por uns quantos meses. Para esses fãs, considerem também esta conversão para a Sega Saturn assim como o Battle Arena Toshinden URA pois apesar de serem tecnicamente inferiores, ambas apresentam conteúdo extra que poderá ser uma mais valia.

Bug! (Sega Saturn)

BugVamos lá para mais uma rapidinha a uma consola que já não visitava há muito tempo. E o jogo que cá trago hoje é um daqueles bons exemplos em como um jogo de plataformas em 3D primitivo envelhece mal. Bug! em conjunto com Clockwork Knight foi uma das pseudo-mascotes da Sega na era da Sega Saturn, enquanto um novo jogo de plataformas do Sonic inteiramente em 3D não chegava (e na verdade nunca chegou a aparecer). Foi também um dos jogos daquela era pré-Super Mario 64 em que ninguém ainda sabia muito bem como fazer um jogo de plataformas em 3D, por isso o resultado foi um pouco estranho. Este meu exemplar foi comprado por 10€ na Cash Converters do Porto, há coisas de umas semanas atrás.

Jogo com caixa e manuais

E o que se faz em Bug? Bom, encarnamos no pequeno insecto verde de mesmo nome que tenta resgatar os seus amigos após terem sido aprisionados por uma aranha gigante. Mas tudo se passa como um filme, pois entre cada “mundo” vemos uma cutscene do Bug a passar de set em set de gravação. Mas o que interessa aqui é a jogabilidade e sinceramente a de Bug deixa um pouco a desejar. Apesar de os níveis serem em 3D, os mesmos são apresentados como um “labirinto” e apenas podemos andar nas direcções que os caminhos nos levam. Um pouco como no primeiro Crash Bandicoot, mas aqui os caminhos são mesmo mais apertados e apenas podemos seguir ao longo de um eixo. E isso sinceramente nem me chatearia nada, o problema é que achei o design dos níveis muito fraquinho e por vezes confuso demais, até porque por vezes há uma falsa sensação de profundidade que nos dificulta as coisas, como fugir/atacar inimigos ou apanhar alguns itens que pareçam que estão ao nosso alcance.

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Como uma imagem vale mais que mil palavras com este screenshot já dá para ter uma ideia do quão 3D é este jogo

Depois Bug não é propriamente um jogo fácil por essas coisas e por estr repleto de outros insectos que só nos atrapalham. Podemos atacá-los de várias formas, a mais comum acaba por ser ao saltar para cima deles, como em muitos outros jogos de plataforma. Existem claro outros power-ups que nos dão alguns poderes temporários, como um ataque eléctrico a partir das nossas antenas (também de curto alcance), ou umas cuspidelas tóxicas – sendo este ataque de maior alcance. Os inimigos vão sendo mesmo muito variados e surgem literalmente de todo o sítio. Uma das coisas engraçadas neste Bug! é mesmo a possibilidade de andarmos em “paredes” quando o caminho assim o indica, ou mesmo nos tectos de cabeça para baixo, temos é de evitar saltar pois ao saltar caímos mesmo para o chão, ou para a falta dele – o mais comum. Existem também vários níveis de bónus onde podemos ganhar vidas extras, um deles ficou-me gravado na memória, a possibilidade de correr contra o Sonic (e eventualmente ganhar mesmo com o nosso passo de caracol).

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No fim de cada zona temos sempre um boss para enfrentar

Graficamente é um jogo um pouco ultrapassado. Por um lado gosto do design do Bug e dos seus amigos pois é bastante cartoony. Já da maioria dos inimigos ou mesmo a maneira como os níveis são desenhados ou os seus backgrounds, aí já não acho lá muita piada. Os efeitos sonoros são competentes, embora por vezes o Bug tenha algumas tiradas um pouco chatas – em especial quando sofremos algum dano. As músicas não são más, fazem-me lembrar bastante os desenhos animados norte-americanos típicos de canais como o Nickelodeon ou o Cartoon Network, são alegres e adequam-se bem a uma atmosfera agradável que o jogo tenta capturar.

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Por vezes lá temos umas cutscenes em CG que por acaso nem estão tão más, tendo em conta a qualidade geral das mesmas em outros jogos da mesma época na Saturn

Tal como já referi, para mim o maior problema do Bug é mesmo o seu design de níveis que acaba por ser bastante confuso e entediante e como se não bastasse temos sempre montes de outros insectos prontos a nos atordoar. Mas pronto, depois a Nintendo lá lançou o Super Mario 64 e toda a gente já passou a ver a fórmula que um jogo de plataformas 3D deveria seguir. Mas ainda assim queria ver se arranjava um Bug Too!

Shinobi X (Sega Saturn)

shinobixDe volta para a Sega Saturn, para uma análise aquele que foi o único jogo da série Shinobi a chegar à consola e o último até à própria Sega ter descontinuado a Dreamcast e abandonar por completo o ramo de fabricante de consolas. Shinobi X é uma espécie de um reboot da série, contando a história de um novo ninja chamado Sho e é também um jogo que utiliza actores reais em cutscenes e mesmo no próprio jogo, um pouco como foi feito nos primeiros Mortal Kombat. E este jogo entrou na minha colecção algures durante o mês anterior, após ter sido comprado na cash de S. Sebastião em Lisboa por 7.5€, faltando-lhe infelizmente o manual.

Shinobi X - Sega Saturn
jogo apenas com caixa

E a trama do jogo conta-nos a história de Sho e Kazuma, dois irmãos pupilos de um mestre ninja que em conjunto com a sua filha Aya lhes tentava passar todos os seus ensinamentos. Contudo Kazuma começou a ficar obcecado pelo poder, de tal forma que até acabou por abandonar o seu mestre e irmão e jurar vingança pelos seus desejos não terem sido ouvidos. Passam-se vários anos, o mestre morreu e Kazuma tinha arranjado um exército ninja e a sua própria fortaleza e foi tempo de colocar o seu plano de vingança em acção: raptar Aya e obter os poderes secretos do seu antigo mestre que estariam latentes no corpo da sua filha. Claro que Sho não achou muita piada e partimos assim para a acção.

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Ao longo do jogo vamos tendo sempre muitos ninjas para cortar ao meio

Numa primeira vista este Shinobi X parece semelhante aos anteriores, tirando claro está os visuais digitalizados de actores reais. Mas a jogabilidade é parecida, Sho pode dar duplos saltos, disparar kunais, usar ninjutsus mágicos e saltar de parede em parede. Mas aqui é dado um foco maior à luta de espadas, com as kunais a estarem disponíveis em menor número do que o habitual e o seu poderio ofensivo ser também mais fraco. Assim sendo, o jogo obriga-nos a tomar uma postura de maior ataque corpo-a-corpo, oferecendo-nos imensos golpes e combos que podemos executar, mas obrigando-nos também a defender constantemente e desviar os projécteis inimigos com a nossa própria espada. Mas infelizmente o movimento do ninja não está tão “on the spot” como vimos no Shinobi III, aqui as coisas são um pouco mais lentas. Os ninjutsus estão de volta, e vemos muitos poderes familiares a marcar o seu regresso, embora desta vez de forma diferente. Dois deles são logo usados automaticamente mal sejam apanhados como power-up, tal como a invencibilidade temporária, onde Sho deixa um rasto de vários shadow clones no seu caminho, ou o novo poder de Bishamon, adquirido quando encontramos uma espada especial. Isso vai fazer com que uma poderosa entidade nos dê mais poder  nos nossos ataques e cada vez que atacamos alguém, surge uma silhueta de Bishamon, provocando dano nos inimigos que lhe toquem. O único poder que temos liberdade de escolha de quando o utilizar é o do Fire Dragon, que mata todos os inimigos presentes no ecrã e dá também um bom dano nos bosses.

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Bishamon, um dos novos ninjutsu que teremos à nossa disposição

De resto este não é um jogo propriamente fácil como seria de esperar. As zonas estão divididas por vários níveis grandinhos, ao contrário dos outros jogos da série onde veríamos 2 níveis curtos mais um boss. Nesses níveis tanto teremos designs relativamente simples sem grande platforming envolvido como teremos precisamente o contrário, onde para além de saltos precisos no meio de abismos temos também que lidar com imensos inmigos ao mesmo tempo. Os níveis são variados entre si, mas também não são propriamente originais para quem já conhecer bem a série Shinobi. Zonas como aldeias de um japão feudal, zonas mais industriais ou militares, as docas de alguma cidade oriental ou cavernas (incluindo viagens em carrinhos de mineiros) são alguns locais que já nos são muito familiares. Os bosses infelizmente também não são muito impressionantes, precisamente por na sua maioria serem também actores reais digitalizados.

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Alguns níveis são bem mais exigentes no platforming.

Graficamente até que considero o jogo interessante, precisamente pelo facto de utilizarem bem os actores digitalizados e mesmo nos próprios níveis, com backgrounds fotográficos e texturas também mais realistas. Mas tal como referi atrás, isso trouxe o preço de termos menos bosses, inimigos e temas sobrenaturais. Outro aspecto muito importante a referir são as cutscenes que dão entre cada nível, contando a história com mais detalhe. Como seria de esperar essas são completamente filmadas com actores reais e também como seria expectável, os actores não são lá muito bons. Mas dá para entreter, e os temas de filmes de série B asiáticos até que dão um ar engraçado à coisa, mesmo com o mau voiceacting e legendagem. Sim, porque temos na mesma as vozes originais em japonês (ainda bem!!) com legendas em inglês, porém com um ou outro erro ortográfico. As músicas também não são nada de especial. Existindo uma ou outra que vai buscar influências ocidentais e também aos temas de Yuzo Koshiro nas suas obras-primas da Mega Drive. No entanto esta não é a banda sonora original do jogo, pois a Sega of Europe achou a banda sonora original muito fraca e decidiram mudar. Tendo em conta que apesar de esta banda sonora não ser desagradável de todo não ser propriamente brilhante, fiquei mesmo com curiosidade de ouvir a original.

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As cutscenes são mazinhas mas é isso que as torna boas, na minha opinião

No fim de contas este Shinobi X pode ser considerado por muitos uma ovelha negra na série, mas achei que teve umas boas ideias, especialmente no campo da jogabilidade, com muitos mais golpes e movimentos que podemos desencadear. Infelizmente os controlos poderiam ser um pouco mais fluídos e preferia termos a liberdade de escolha ao decidir que ninjutsu queremos usar e em que momento o fazer. De resto é um jogo divertido como sempre e mesmo o mau acting ou as vestimentas mais aparvalhadas que eles usem, para mim satisfez-me bem.

Atlantis: The Lost Tales (Sega Saturn)

Atlantis the Lost Tales

O jogo que trago cá hoje é mais uma “rapidinha”. Atlantis: The Lost Tales é o primeiro jogo de uma série que conta as aventuras de uma mítica civilização há muito perdida. Desenvolvida pelos franceses da Cryo Interactive, este é uma aventura gráfica algo influenciada pelo Myth, com os seus bonitos gráficos pré-renderizados. No entanto infelizmente a versão Saturn apresenta esses backgrounds em muito menor resolução, daí a versão Sat possuir apenas 2 discos, ao contrário da versão PC que se bem me lembro possui uns 4. E esta cópia entrou na minha colecção há umas semanas atrás, após ter sido comprada na cash converters de S. Sebastião em Lisboa por 8€.

Jogo completo com caixa, manual e 2 discos

Tal como se pode supor pelo título, este jogo coloca-nos no meio da civilização perdida da atlântida, que desde cedo sempre foram uma civilização muito avançada, graças aos seus cristais mágicos que lhes permitiam construir majestosas máquinas voadoras. A sociedade da Atlântida era pacífica, tendo por base 2 deuses, a deusa da lua Ammu e o deus-sol Sa’at. Por alguma razão era Ammu a deusa predilecta e por esse motivo quem os governou foi sempre uma Rainha. Mas o companheiro da rainha também tinha algum poder, sendo responsável pelo regime militar lá do sítio, sendo que a sua posição teria sempre de ser revalidada a cada 7 anos através de um desafio contra o campeão de uns certos jogos que eles lá faziam. Rhea e Creon são a rainha e companheiro respectivamente e nós encarnamos no jovem Seth, acabado de se apresentar ao serviço como lacaio da rainha. Por algum motivo a rainha desaparece e Seth desconfia que Creon está por detrás do seu desaparecimento. Ao longo do jogo vamos ter a oportunidade de melhor explorar esta sociedade da Atlântida, a sua religião, posições sociais e claro, o lado mágico. E na minha opinião a história tem alguns óptimos momentos.

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O cursor apenas aparece quando podemos interagir com algo ou mover-nos numa determinada direcção

A jogabildade é a de um jogo de aventura gráfica que decorre na primeira pessoa. Os gráficos são um misto de pré-renderizados com 3D, pois podemos mover o nosso ponto de vista livremente, contudo o movimento é feito sempre através de “cliques” em certos locais que nos mostram depois uma pequena cutscene com esse movimento. O restante e o habitual em aventuras gráficas: falar com pessoas, recolher objectos e interagir com os mesmos de forma a avançar na história, ou alcançar novos locais que de outra forma seria impossível, bem como um ou outro puzzle para resolver. Tirando o puzzle que simula uma máquina de pinball, os outros não são assim tão difíceis, mesmo os sliders puzzles que eu tanto abomino. Mas é noutra coisa que eu não gostei nada da jogabilidade. Por vezes temos algumas situações em que temos de agir muito rapidamente caso contrário somos mortos ou aprisionandos, traduzindo-se num gameover. Situações como lutas ou perseguições, contudo com os cenários estáticos as personagens ficam realmente estáticas no ecrã até uns segundos depois, onde caso não tenhamos feito o que seria suposto (e muitas vezes isso não é propriamente fácil de adivinhar), somos finalmente atacados ou apanhados.

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Todo o artwork deste jogo está realmente muito bonito e cheio de potencial

Graficamente é um jogo que tinha um potencial enorme. Quem quer que tenha idealizado o mundo de Atlantis, a arquitectura da grande cidade, as paisagens e especialmente as máquinas voadoras tinha uma óptima imaginação. Infelizmente a versão Saturn apresenta esses backgrounds em muito baixa resolução e embora nas cutscenes as coisas já sejam mais bonitas, na versão PC são decididamente superiores. A versão PS1 não tenho nada a dizer. Mas o que está mesmo bom é a parte sonora. O voice acting é competente, apenas numa personagem (um chefe tribal) é que achei a voz bastante deslocada da personagem. As músicas são mesmo o melhor que o jogo tem para oferecer, na minha opinião. São bastante variadas, com diferentes temáticas mediante a localização onde nos encontramos. As músicas que tocam enquanto estamos na atlântida têm um certo feeling mesopotâmico, as restantes ou têm um ar mais tribal, ou folclórico de certas regiões. Ou outras mais acústicas mas também com belas melodias. Não é por acaso que decidiram lançar um álbum com a banda sonora deste jogo.

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Ah, o jogo tinha também uma tecnologia revolucionária de lip-sync, mas não dei por ela…

De resto considero este Atlantis um jogo que envelheceu muito mal com o tempo. Se o tiverem de comprar, apenas recomendo a versão Saturn por motivos de coleccionismo, visto a mesma aparentemente ser algo rara. A versão PC com os seus gráficos numa maior resolução certamente é uma melhor alternativa. E mesmo as mecânicas deste jogo serem bastante antiquadas, o mesmo deixou-me bastante curioso para um dia destes espreitar as sequelas.

Sonic R (Sega Saturn)

Sonic RMais uma análise de Saturn, para aquele que muito provavelmente será o último artigo de um jogo do Sonic para os próximos tempos. Apesar de ter aí mais uns quantos na colecção, estou com zero vontade para os jogar a médio prazo, com muitas coisas bem mais interessantes que ainda nem lhes toquei. E este Sonic R acabou também por ser o último jogo da franchise para a consola Sega Saturn e apesar de ser um jogo inteiramente em 3D, estava longe de ser o tão pedido jogo de plataformas pelos fãs. Sonic R é um jogo de corridas com os personagens da série e foi mais uma vez produzido pela Traveller’s Tales, tal como o já analisado Sonic 3D. Este jogo foi comprado a um amigo por 5€ se a memória não me falha, estando em óptimo estado.

Sonic R - Sega Saturn
Jogo completo com caixa e manuais

A história em qualquer jogo do Sonic tem sido sempre practicamente irrelevante. E apesar de existir uma “história” por detrás deste jogo, a mesma é igualmente descartável. Essencialmente parece que irá haver um torneio para quem será o melhor corredor do mundo e Sonic, inicialmente sem interesse nenhum em participar no tal torneio, muda de imediato de opinião quando descobre que Robotnik irá partcipar, temendo que o vilão estaria a tramar alguma. E de facto Robotnik pretende usar a desculpa das corridas para encontrar as sete esmeraldas caóticas e derrotar Sonic ao mesmo tempo, com a sua nova “rapidíssima” nave. Juntamente a Sonic e Robotnik, outros amigos participam no torneio, como os já familiares Tails, Knuckles e Amy. Mas eles não serão os únicos a correr…

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Infelizmente existem muito poucos circuitos

Podemos dividir este Sonic R em 3 modos distintos de jogo: o Grand Prix, sendo o modo principal e que detalharei em seguida, o Time Attack, onde o objectivo principal é terminar cada corrida no menor tempo possível, mas no entanto este modo de jogo acaba por ser também uma espécie de tutorial, obrigando-nos a conhecer bem cada circuito e os seus atalhos e esconderijos. Nesse modo de jogo podemos competir por 4 objectivos: corrida “normal”, corrida reversa, o “baloon” onde devemos descobrir 5 balões espalhados nos circuitos no menor tempo possível e por fim o “Tag Battle”, onde temos de apanhar os nossos oponentes que partiram uns segundos antes de nós. Por fim temos ainda uma vertente multiplayer para 2 jogadores onde podemos optar por corridas normais, ou as tais de procurar balões. No modo de jogo principal o objectivo é chegar ao fim de cada circuito em primeiro lugar. Mas no entanto para desbloquearmos o circuito final, bem como outras personagens jogáveis devemos explorar cada circuito ao máximo.

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Os cenários estão repletos de efeitos de transparências que sempre foram o calcanhar de aquiles do HW da Saturn

Espalhados pelos circuitos vamos apanhando anéis, ou powerups que se resumem a 2 tipos de escudos: os dourados que atraem anéis e os azuis que nos deixam andar sobre a água que nem um messias. Os anéis podem ser utilizados para abrir alguns atalhos ou outras passagens secretas. Nesses atalhos (e vários estão disponíveis desde o início da partida) vamos poder descobrir várias coisas, sejam as esmeraldas, ou os Sonic Tokens. Existem 4 circuitos e 7 esmeraldas, pelo que em alguns dos circuitos teremos mais que uma esmeralda para descobrir. Existem também em cada circuito 5 Sonic Tokens para encontrar. Enquanto que ao descobrir todas as esmeraldas desbloqueamos o circuito final que se assemelha algo à Rainbow Road dos Mario Kart, ou no caso do Sonic, desbloqueamos também a sua personagem jogável de Super Sonic, ao coleccionar os 5 tokens em cada circuito e se chegarmos ao fim do mesmo numa posição de topo, então seremos desafiados por uma outra personagem como Metal Sonic, Metal Knuckles, Tails Doll ou Eggrobo. Se os vencermos nesse desafio desbloqueamos essa personagem também. Cada personagem tem características diferentes, umas mais rápidas, outras mais lentas mas com habilidades de voar ou planar na água, por exemplo.

Infelizmente o jogo tem vários problemas, desde os controlos que não são os melhores, especialmente quando vamos a correr em velocidade de ponta e temos de virar bruscamente, ou apanhar uma esmeralda/token nalgum sítio apertado. Perdemos o lanço todo… De resto apesar de existirem atalhos e a exploração dos circuitos ser algo bem encorajado, o que sinceramente até me agradaria, infelizmente em alguns circuitos esses atalhos ou caminhos alternativos acabam por se tornar bastante confusos, deixando-nos por vezes sem saber ao certo por onde ir.

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Estas transparências com o efeito de fade-in reduzem o popin brusco presentes em vários outros jogos de corrida

Graficamente é um jogo interessante. Apesar de não ter o nível de detalhe 3D de alguns jogos da PS1, nomeadamente os modelos poligonais de Sonic e companhia serem bastante simples, os cenários são bem melhores. Para além de reduzirem o pop-in ao camuflar o jogo com efeitos de fade-in, colocaram também alguns efeitos interessantes de transparâncias ou luz, algo que o hardware de Saturn nunca fez nativamente, ao contrário da sua concorrência directa. Este Sonic R tem provavelmente a água mais “realista” de um jogo 3D na Saturn. Os circuitos são também visualmente variados, indo buscar temas urbanos ou industriais, outros mais “green hill“, ruínas místicas ou o tal circuito secreto bastante colorido e luminoso, onde todos esses efeitos especiais servem como uma chapada de luva branca a quem duvida das capacidades da consola da Sega. No entanto nada é perfeito e para além dos problemas de jogabilidade já referidos, existe algum clipping. As músicas foram todas compostas por Richard Jacques, o mesmo que trabalhou na banda sonora de Sonic 3D. Infelizmente as músicas são todas pop, o que não me agradou. Mesmo com a oportunidade de poder ouvir as mesmas músicas com ou sem voz, não me satisfez. O outro grande defeito que ponho ao jogo é mesmo os poucos circuitos existentes. Mais uns dois ou três não faria mal nenhum, mas também era bom que fossem bem planeados e pensados, evitando algumas confusões existentes nos circuitos existentes quando os decidimos explorar.