Brian Lara Cricket (Sega Mega Drive)

Quando fundei este blog, a minha ideia sempre foi a de documentar os jogos que iam entrando na minha colecção, à medida que os fosse jogando. O texto poderia ser longo, bem como apenas meras linhas, embora nunca tenha escrito tão pouco a menos que o artigo em si fosse de alguma versão/conversão de algo que já cá tenha trazido anteriormente. Com este Brian Lara Cricket apetece-me mesmo resumir “Eu não percebo nada deste desporto, mas tecnicamente até que é um jogo bonito”. Na altura era muito mais selectivo com os jogos que comprava, portanto nunca me passaria pela cabeça em comprar um jogo de cricket, ou outros desportos mais estranhos para nós portugueses, como futebol americano, basebol ou rugby. Actualmente vejo as coisas de forma diferente, talvez até por a oferta ser muito menor. Para algumas consolas que me digam mais, como é o caso das Sega e retro-Nintendo, se me aparecer algo à frente barato o suficiente, adiciono à colecção. Continuo sem a pretensão de fazer um fullset, mas para certos sistemas deixei de ser tão selectivo. Foi o que aconteceu com este Brian Lara Cricket, que veio junto de um bundle de vários jogos de Mega Drive que comprei algures no mês atrás.

Jogo com caixa e manual

Pelo pouco que percebi do cricket, possui algumas semelhanças com o baseball, na medida em que alguém lança uma bola, e outro jogador com um taco esquisito tem de lhe acertar. Enquanto a bola vai no ar, dois jogadores da mesma equipa correm entre si, trocando de posição. Quando alguém agarra a bola, terá de a atirar de volta para essa àrea principal de jogo, onde se houver alguém dos que estavam a correr, fora das suas posições, contará como pontos da equipa adversária. Por outro lado, para quem atirar a bola, se conseguirem atingir a estrutura de madeira que fica atrás dos batters, também se ganha qualquer coisa. Certamente que existirão mais regras, mas confesso que não tive a paciência necessária para aprender mais.

Graficamente o jogo até que é bem detalhado… o desporto é que é mesmo desinteressante.

Do ponto de vista técnico, no entanto, pareceu-me ser um jogo muito bem conseguido, em particular no foco que é dado na parte dos lançamentos da bola. Aí vemos os jogadores bem detalhados e animados! No que diz respeito aos menus e interfaces com o jogador, as coisas também são visualmente agradáveis e funcionais. Nada a apontar aos efeitos sonoros, e as músicas, que habitualmente apenas ocorrem nos menus e afins, não são memoráveis, mas não deixam de ser agradáveis.

Portanto este Brian Lara Cricket obrigou-me a perceber um bocadinho mais do desporto, mas sinceramente não me deixou com vontade de o explorar mais. Pelo que se um dia apanhar o Brian Lara Cricket 96 baratinho, não me estou a ver a escrever um artigo mais elaborado que este.

NHL 97 (Sega Mega Drive)

Vamos a mais uma rapidinha a um jogo desportivo, eu avisei que este mês iriamos ter vários, principalmente na Mega Drive, pois arranjei no mês passado um bundle considerável de jogos, a maioria de desporto. O que cá trago hoje é o NHL 97, mais uma iteração da já longa série de desporto da Electronic Arts. O primeiro jogo NHL na Mega Drive era simplesmente intitulado de NHL Hockey, tendo sido lançado exclusivamente no mercado norte-americano em 1991. Este já saiu 5 anos depois e nota-se bem a evolução que o desporto teve na Mega Drive.

Jogo com caixa

Aqui dispomos de vários modos de jogo, desde partidas amigáveis, passando por diversos tipos de outras competições mais longas, como um modo temporada completo, ou outros torneios por playoff. Dispomos de um número considerável de equipas norte-americanas e canadianas para jogar e, pelo menos no modo temporada, temos também uma vertente de team management, onde poderemos contratar e dispensar jogadores da nossa equipa. Também incluido, como práctica, são uma série de minijogos feitos precisamente para testar as nossas skills no jogo. O puck control relay obriga-nos a manobrar o disco por uma série de obstáculos, passá-lo ao jogador seguinte e repetir. O puck blast, é simples, simplesmente temos de rematar à baliza e o jogo informa-nos posteriormente da velocidade do disco. O reaction time coloca-nos no controlo do guarda-redes, onde teremos de defender 10 remates sequenciais (por defeito podemos controlar o guarda-redes durante as partidas normais). Por fim temos o accuracy shooting, onde o objectivo é rematar a bola e atingir uma série de alvos, o máximo número de vezes dentro de um tempo limite. São pequenos desafios que ajudam a dominar o controlo do jogo e sinceramente foram uma surpresa muito benvinda!

Os skill challenges são uma maneira interessante de aprendermos os controlos do jogo

A nível audiovisual, sinceramente acho este jogo muito apelativo, mas não tenho o NHL 96 para servir de comparação. Os movimentos dos jogadores estão muito bem animados, bem como o seu detalhe das sprites. A acção é fluída e bom, no que diz respeito ao som, este foi uma óptima surpresa! Por um lado as músicas que vamos ouvindo nos menus são excelentes e bem apelativas, por outro lado, durante as partidas em si, o som também está bem conseguido. Conseguimos ouvir todos os grunhidos dos jogadores quando colidem entre si, a excitação do público, e aquelas pequenas melodias em orgão que habitualmente ouvimos durante as partidas.

Durante as temporadas, podemos não só criar jogadores de raiz, bem como contratar jogadores de outras equipas

O jogo possui também uma versão 32bit, para PC, Saturn e Playstation, que naturalmente possui um nível de detalhe maior, embora sinceramente acho que esta versão 16bit, pela sua jogabilidade fluída e visuais 2D bem aprimorados, tenha resistido bem melhor ao teste do tempo. É também o último NHL da EA a sair oficialmente para a Mega Drive na Europa. Os norte americanos ainda receberam, exclusivamente o NHL 98, que pelo que vi, pouco de novo traz.

UEFA Euro 96 England (Sega Saturn)

A única memória que tenho do Europeu de 96 é a de estar numa grande festa da empresa onde o meu pai trabalhava e, a certo ponto, aparecerem uma série de homens chateados pela selecção nacional ter perdido um jogo que os eliminou da prova. Lembro-me bem mais deste jogo para a Saturn, que tinha sido lançado pouco antes do torneio começar. Produzido pela Gremlin Interactive, esta é uma adaptação do seu Actua Soccer (até então, exclusivo da Playstation), mas inteiramente dedicado ao torneio Europeu, tendo obtido as devidas licenças. A Sega aproveitou e incorporou o jogo na sua linha Sega Sports, tornando este lançamento exclusivo para a Saturn (e PC) e apenas lançado em solo Europeu. De certa forma percebe-se o porquê, até porque os únicos jogos de futebol que estavam disponível até à data eram ainda o International Victory Goal e FIFA 96, com outros jogos de futebol a sairem mais tarde no ano de 1996. O meu exemplar foi comprado num bundle de vários jogos para a Saturn algures em Lisboa, há uns bons meses atrás.

Jogo com caixa e manuais

Dispomos aqui de vários modos de jogo, desde partidas amigáveis, um modo treino e a competição oficial, onde poderemos escolher qualquer uma das selecções que tinham sido qualificadas para o evento. Teoricamente os controlos são simples, com um botão para passar, outro para rematar, outro para correr e um outro para alternar de jogador quando não temos a posse da bola. Uma das coisas que achei engraçado é a maneira como o indicador do jogador seleccionado muda conforme a situação. Se não tivermos a posse da bola o indicador é circular. A partir do momento que temos a posse da bola o indicador torna-se triangular, começando a piscar se o CPU detectar que estamos numa boa posição para rematar à baliza. Se por acaso o indicador se tornar na forma de quadrado, quer dizer que estamos numa boa posição para cruzar para a área, bastando para isso pressionar o botão de passe. A bola irá então automaticamente sendo cruzada para a área e, caso haja algum jogador da nossa equipa pronto para receber a bola, o seu indicador surge como uma estrela, onde depois de pressionar o botão de remate, o jogador irá fazer-se à jogada e rematar de primeira ou cabecear. É um conceito interessante, embora demore um pouco a habituar. Ah, e aqui também temos o after touch para remates e passes longos, onde depois da bola ser disparada podemos arquear a sua trajectória ao pressionar o botão direccional na direcção pretendida. De resto contem com uma série de opções habituais, como alterar a formação táctica das equipas e os seus jogadores. Ao longo de cada partida podemos também alternar entre diferentes ângulos de câmara, alguns bastante dinâmicos mas que nos prejudicam a área visível de jogo, outros mais amplos que já nos dão maior controlo.

O jogo possui uma série de ângulos de câmara mais dinâmicos que até podem parecer bonitos em movimento, mas não dão muito jeito

A nível audiovisual, convém referir que este é dos poucos jogos que conheço na Sega Saturn que possui menus em português. De resto, graficamente era um jogo minimamente detalhado, embora naturalmente que tenha envelhecido bastante mal com o tempo. Possui comentários em inglês durante as partidas, embora não sejam nada do outro mundo. Mas é engraçado que o comentador tenha gravado o nome de cada jogador, e o enuncie com entoações diferentes consoante o contexto. Os restantes efeitos sonoros são competentes, desde os ruídos e cânticos do público, como os restantes barulhos normais de cada partida. As músicas são agradáveis, embora apenas toquem fora das partidas, como seria de esperar.

Graficamente é um jogo que envelheceu muito mal, como seria de esperar

Este UEFA Euro 96 é então um Actua Soccer inteiramente dedicado ao campeonato Europeu desse ano, com muitas mecânicas de jogo a serem herdadas do seu lançamento original na Playstation. Não é um jogo que tenha envelhecido bem, mas na altura até que era divertido quanto baste.

Doom (Sega 32X)

Vamos ficar agora com mais uma rapidinha, não que o jogo não mereça uma análise mais detalhada, mas já o fiz numa versão largamente superior a esta, para o PC. Esta versão para a 32X estava a ser desenvolvida em paralelo com a versão da Atari Jaguar, mas o seu desenvolvimento teve de ser apressado para coincidir com a janela de lançamento do add-on nos Estados Unidos. Como a própria 32X também teve um lançamento algo atribulado, não poderia dar bom resultado. O meu exemplar veio de uma CeX no interior do país, tendo-me custado 10€. Edit: recentemente adquiri uma versão completa por menos de 30€.

Jogo com caixa e manuais

Este é um daqueles jogos que dá jeito usar um comando de 6 botões, que nos permite mapear cada acção directamente a um botão. Se usarmos um comando de 3 botões, para algumas acções teremos de usar uma combinação de botões em conjunto com o Start. O botão B dispara, o C é o botão de acção onde podemos abrir portas e outras passagens secretas. O botão A serve para correr. Pressionando o D-pad em conjunto com o C serve também para o strafing, ou seja, a movimentação lateral, muito útil para escapar do fogo inimigo. Os botões X e Y servem para escolher as armas a usar e, por fim o botão Z serve para abrir o mapa. A nível de controlos as coisas até que ficaram interessantes, portanto.

Ao longe as sprites são muito pixelizadas

Antes de abordar a questão da performance, gráficos e afins, convém também abordar um pouco mais a fundo a questão desta versão ter tido mesmo muito conteúdo cortado. O lançamento original de Doom no PC trazia 3 episódios, o primeiro passado na lua Marciana de Phobos, o segundo em Deimos e por fim o último no próprio Inferno. Esta versão 32X corta o último episódio por completo, bem como alguns níveis dos primeiros dois. Para além disso, a BFG-9000 não está aqui disponível (a não ser que usem alguma batota), bem como a partir do momento que desbloqueamos a motoserra, não podemos voltar a usar os punhos. Inimigos como o Spectre (talvez pelas suas transparências?), Cyberdemon e Spiderdemon também foram cortados, este último certamente por apenas ter surgido já no episódio 3 que também tinha sido cortado. Certamente que terão sido restrições de espaço para caber num cartucho de 24megabit (3MB).

Apesar do gore ainda estar lá, muitos detalhes foram perdidos.

A nível técnico, bom o jogo é apresentado num ecrã reduzido, certamente para evitar problemas de performance. As texturas também foram altamente simplificadas e os inimigos apenas possuem animações frontais, provavelmente também para economizar espaço no cartucho. As sprites dos inimigos aparecem altamente pixelizadas quando vistas ao longe, não escalam tão bem quanto na versão PC. As cores dos níveis e menus no geral, aparecem também um pouco deslavadas, o que já não compreendo pois a 32X já suporta uma paleta de cores bem superior à original da Mega Drive. Mas se por um lado algum compromisso no departamento gráfico seria expectável, até porque o desenvolvimento do jogo foi bastante apressado para coincidir com o lançamento da 32X, o que já não estava à espera era de as músicas serem tão más. O hardware da 32X também inclui algumas melhorias de som, mas a id decidiu utilizar apenas o chip de som normal da própria Mega Drive. O problema é que não o usaram nada bem. As conhecidas músicas do original estão aqui representadas, mas sem a mesma força. Outras músicas que não me lembro de ter ouvido na versão PC estão também aqui presentes, mas são francamente más.

Claro que a motoserra não poderia faltar

Portanto este Doom para a 32X acaba por ser uma desilusão. Por um lado, graficamente é uma versão competente, embora acho que a 32X conseguiria fazer melhor, e melhor que a versão SNES nesse aspecto. Por outro lado, o seu desenvolvimento apressado é bastante notório, com muita coisa cortada e que poderia (e deveria) ter sido incluida, assim como o som que deveria ser melhor. A versão SNES possui menos níveis por episódio, mas ao menos inclui os 3 episódios.

Rugby World Cup 1995 (Sega Mega Drive)

Voltando às rapidinhas a jogos desportivos, hoje venho-vos falar do primeiro jogo de Rugby que veio parar à minha colecção. Produzido pela Electronic Arts (como seria de esperar), este Rugby World Cup 1995 aborda o campeonato do Mundo desse mesmo desporto,  que em 1995 se deu na África do Sul. O meu exemplar foi comprado num bundle de vários jogos de Mega Drive no passado flea market no Porto, tendo-me custado 8€.

Jogo com caixa e manual

Aqui dispomos de diferentes modos de jogo, desde as partidas amigáveis, um campeonato com 8 equipas, e dois modos de jogo baseados no esquema de campeonato do mundo, um genérico, e outro com todas as selecções que se qualificaram para o Campeonato do Mundo de 1995. No que diz respeito aos controlos, bom, eu ainda não conheço todas as regras do Rugby pelo que senti algumas dificuldades. Os três botões faciais do comando da Mega Drive servem para sprintar, chutar a bola ou passá-la a um dos nossos colegas de equipa que, como devem saber, no caso do Rugby as bolas passadas pela mão nunca devem ser passadas para a frente, pelo que acabamos na maior parte das vezes a fazer passes laterais e ligeiramente mais para trás da nossa posição actual. Caso não tenhamos a posse de bola, podemos alternar entre jogadores, sprintar e derrubar o adversário. Sendo o Rugby um desporto de contacto, ocasionalmente vamos ver os jogadores todos a monte a disputarem a bola. Aí já não percebia muito bem o que tinha de fazer! Ocasionalmente temos a possibilidade de marcar uns “pontapés livres”, onde temos um medidor de energia que me faz lembrar as tacadas que temos de dar nos simuladores de golf. Só que nem sempre conseguimos ver a baliza, pelo que nem sempre sei bem para onde tenho de rematar a bola.

Tal como no futebolk, usamos a moeda ao ar para decidir quem sai a jogar e de que lado do campo.

No que diz respeito aos audiovisuais, este jogo parece usar o mesmo motor gráfico do primeiro FIFA, apesentando uma perspectiva isométrica. O campo está bem detalhado, sendo que poderemos alternar as condições do relvado nas opções de jogo. E tal como nos primeiros FIFAs, sempre que pontuamos de alguma forma, surge no ecrã uma animação alusiva, com aquelas animações típicas dos ecrãs dos estádios nos anos 90. O som parece-me competente e as músicas apenas existem nos menus e afins. Estas já não são nada de especial, mas cumprem o seu papel.

Tudo ao molho! Por vezes a Mega Drive dá alguns soluços com tantas sprites em campo.

Portanto cá está, o meu primeiro jogo de Rugby. Não é que seja de todo o meu desporto preferido, mas confesso que até lhe acho alguma piada e quem sabe, se um dia não o jogarei de forma amadora? Mas pronto, este parece-me ser mais um jogo sólido por parte da EA Sports, embora eles não tenham apostado tanto no Rugby como noutras modalidades.