Super Hydlide (Sega Mega Drive)

A série Hydlide, desenvolvida pela T&E Soft, é uma daquelas séries de RPGs seminais nipónicos, com a sua origem em computadores japoneses. Possui muitas mecânicas de jogo típicas de RPGs old-school ocidentais e, ao longo dos anos, foram saindo alguns dos seus jogos em versões localizadas em Inglês, distribuidas em algumas consolas e computadores como o MSX2. Mas depois de ter cá trazido o Virtual Hydlide da Saturn, torna-se um pouco ingrato falar de jogos anteriores da série. Mas já lá vamos! Este Super Hydlide é na verdade uma conversão musculada do Hydlide 3 que havia sido lançado originalmente para o sistema MSX em 1987. O meu exemplar foi comprado no facebook algures em Dezembro de 2018, creio que me custou algo à volta dos 12€.

Jogo com caixa e manual

A história é simples, onde tudo estava bem no reino de Fairyland, a vida era perfeita e as pessoas felizes, até que um dia dá-se uma grande explosão, abre-se uma grande fenda na terra, e monstros começam a aparecer a vaguear pelo mundo. “É o regresso do Mal, como dizia a profecia“, dizem os anciãos lá do sítio. E a profecia diz também que um herói valente irá enfrentar essas criaturas infernais e sair vitorioso. Adivinhem, esse é o nosso papel.

Tal como noutros RPGs da velha guarda, quase que temos de pedir permissão para subir de nível

Passando para a jogabilidade, este é um RPG de acção, mas tal como referi acima este jogo inclui uma série de conceitos típicos de alguns RPGs ocidentais da velha guarda. Antes de começar a aventura, no entanto, somos convidados a escolher qual classe queremos assumir, com o jogo a oferecer 4 à escolha: warrior, thief, priest ou monk. O primeiro é uma classe típica, que oferece uma quantia considerável de pontos de vida e força, mas não teremos acesso a todos os feitiços no jogo. O Thief é o mais forte fisicamente, mas é uma classe mal vista, com má pontuação de moralidade. Por outro lado temos os Priest e Monks, que conseguem aprender todos os 12 feitiços do jogo. O priest possui atributos balanceados em todos os departamentos, enquanto o monk possui bons atributos no geral, mas com menos pontos de vida. Mas voltando então a esse design da velha guarda, um dos conceitos que temos de ter em conta é o peso. Por exemplo, tudo o que carregamos no inventário, desde o equipamento que temos no corpo, passando por todos os outros itens e mesmo o dinheiro que carregamos, tem o seu peso. Cada personagem (e respectiva classe) tem um peso limite que pode carregar livremente, limite esse que vai aumentando à medida que vamos evoluindo. Poderemos carregar mais itens do que o imposto pelo limite, mas se o fizermos o nosso personagem torna-se mais lento, inclusivamente durante os combates, o que não é bom pois deixa-nos mais susceptíveis de sofrer dano. Um dos itens que poderemos encontrar logo no início do jogo é um “Money Changer” que faz precisamente o que o nome diz: troca conjuntos de moedas de valor pequeno em moedas de valor maior para melhor optimizar o tal peso do inventário.

Sábios conselhos!

Outro dos conceitos interessantes introduzidos pelo jogo é o seu relógio interno e a necessidade de comer. Existem 4 alturas no dia onde o herói tem de comer alguma coisa, às 7 da manhã, 13h, 19h e 01h. Para isso teremos de ir comprando rações em lojas nas cidades que vamos descobrindo, que vão sendo consumidas sempre que chegar a essa hora certa. Não tendo rações disponíveis, somos penalizados com perda de pontos de vida e de força por cada refeição dispensada. Por outro lado, para além da necessidade de comer, a nossa personagem precisa também de dormir, com o jogo a penalizar o jogador com perda de pontos de vida e de força a partir das 23h. Outras das mecãnicas antiquadas prendem-se com a subida de níveis e aprendizagem de feitiços. À medida que vamos combatendo inimigos, ganhamos pontos de experiência, dinheiro e ocasionalmente outros itens. Para subir de nível, precisamos no entanto de ir à cidade e falar com um NPC que, se tivermos reunido pontos de experiência suficientes, subimos de nível, com os nossos stats a aumentarem, incluindo a capacidade para carregar com mais peso. Para aprender feitiços novos, temos de falar com um outro NPC que nos vende, a troco de pontos de experiência. Cada vez que subimos de nível, os inimigos passam a dar menos pontos de experiência, pelo que teremos de encontrar um balanço no grinding que vamos fazendo, entre usar os pontos de experiência para subir de nível ou gastá-los para aprender novos feitiços. É que alguns feitiços são bastante úteis, como é o caso do flash que ilumina cavernas escuras ou o move que nos teletransporta entre cidades.

Infelizmente as dungeons possuem um design bastante confuso

Quanto à aventura em si, este é acima de tudo um jogo de exploração, pois tal como muitos RPGs primitivos, os NPCs têm pouco para dizer, pelo que devemos falar com todos e tentar anotar algumas pistas que nos vão indicando: quais dungeons teremos de explorar e outras cidades para encontrar. A nível audiovisual, é um jogo algo simples, com sprites pequenas e cidades pouco detalhadas. Tem no entanto um detalhe interessante, a sprite do nosso herói muda de aparência consoante o equipamento que estejamos a usar. Não era nada comum em RPGs nas consolas! Por outro lado a música é excelente, foi uma óptima surpresa e é sem dúvida um dos pontos mais fortes do jogo. O chip de som da Mega Drive é usado muito bem, apresentando músicas com um som bem nítido. As músicas em si são muito influenciadas pelo típico rock dos anos 80, o que é algo que me agrada bastante.

Portanto este Super Hydlide é um jogo que acabou por me surpreender pela positiva. Não é um jogo para qualquer fã de JRPGs, devido às suas mecânicas de jogo algo arcaicas e influenciadas pelos RPGs ocidentais da velha guarda, como Ultima ou Wizardry. No entanto, e mesmo fechando os olhos a alguns outros problemas, como uma interface de menus algo confusa, gráficos demasiado simples, poucas animações e muitos NPCs inúteis, o balanço que retiro daqui é bastante agradável.

Shellshock (Sega Saturn)

A Core Design, dentro dos estúdios europeus da década de 90, sempre foi dos que mais apoiou as consolas da Sega, não só com conversões dos seus jogos desenvolvidos originalmente para computadores como o Commodore Amiga, bem como com lançamentos inteiramente novos. Este Shellshock, a par do Firestorm: Thunderhawk 2, foram os seus lançamentos de estreia para a então nova geração de consolas, com o jogo a estar disponível na Saturn, Playstation e também PC. O meu exemplar foi comprado algures no verão passado, tendo vindo de um grande bundle de jogos e consolas que comprei a um vendedor particular. Ficou-me portanto muito barato.

Jogo com caixa

Neste jogo encarnamos numa equipa de mercenários muito peculiar, os Da Wardenz, pois são todos grandes fãs de hip-hop. O nosso propósito é o de controlar um tanque em diversas partes do globo para combater o terrorismo. As missões consistem maioritariamente em destruir uma série de alvos inimigos, ou resgatar reféns. Ora este não é um simulador de guerra, pelo que os controlos acabam por ser simples. O d-pad move o tanque, depois temos um botão para seleccionar a arma a usar, outro para disparar, um outro botão para activar o mapa e outro para fazer lock-on da metralhadora nos adversários à nossa volta. Os botões de cabeceira servem para rodar o canhão principal para a esquerda ou direita.

Os inimigos são ainda representados como sprites em 2D

À medida que vamos cumprindo missões vamos recebendo dinheiro como recompensa. Se destruirmos mais alvos inimigos para além dos primários, como outros edifícios ou veículos inimigos, também somos recompensados com dinheiro extra. Esse dinheiro pode depois ser usado não só para reparar a armadura do tanque do dano que tenha sofrido entre missões, bem como comprar novos upgrades para o mesmo. Estes consistem em melhorias na sua armadura, na sua mobilidade, melhorar as armas existentes (como o tempo de recarga entre cada disparo do canhão principal), ou mesmo acoplar armas novas como um lança mísseis. Um dos melhores upgrades que teremos pela frente é a possibilidade de chamar um avião de suporte, que nos destrói uma grande parte dos inimigos à nossa frente, embora apenas o possamos usar uma vez por missão.

Entre missões podemos gastar o dinheiro que amealhamos em diversos upgrades

No que diz respeito aos audiovisuais, antes de jogarmos cada missão podemos explorar a base dos Da Wardenz como se um jogo de aventura point and click se tratasse, ao navegar entre vários ecrãs e interagir com os nossos colegas para falarmos um pouco com eles, ou interagir com outros objectos, que nos permitem gravar o progresso do jogo ou entrar na tal loja para comprar upgrades. Antes de cada missão temos direito a um briefing narrado, por vezes acompanhado de pequenas cutscenes em CGI. Nas missões em si, estas são apresentadas num misto entre 3D poligonal algo primitivo e sprites em 2D. Tudo é terra plana, não existem quaisquer desníveis e as missões podem ser passadas em desertos, em zonas florestais, ou em plenas cidades e portos. Mas não há grande variedade de sprites, todas as àrvores são iguais, todos os tanques inimigos ao longo de todo o jogo são iguais, pelo que o jogo acaba por se tornar repetitivo rapidamente. Já no que diz respeito ao som, bom, sendo os Da Wardenz todos grandes fãs de hiphop, o que se nota até pela maneira como vestem, não é de admirar que a banda sonora é toda à volta desse género musical. Não é um género musical que me agrade particularmente, mas não deixa de ser um conceito original. Ao longo das missões os restantes mercenários vão-nos mandando algumas dicas, mas também é cansativo ouvi-los dizer exactamente as mesmas frases de cada vez que somos atingidos por fogo inimigo, ou pelo contrário, quando destruimos algum veículo ou edifício inimigo.

Para além de resgatar reféns ou destruir coisas, também teremos algumas missões ocasionais de escolta

Portanto este Shellshock é um jogo que até acaba por ser agradável de jogar na primeira hora. Inicialmente o nosso tanque é muito fraco, pelo que teremos de jogar de forma mais cautelosa, mas à medida que vamos gastando dinheiro em upgrades, este começa a tornar-se numa verdadeira máquina de guerra. Mas com tanta missão genérica, o jogo começa a ficar repetitivo muito rapidamente. Graficamente é um jogo fraco, é verdade, mas temos de ver que é um título de 1995 e a Core ainda se estava a habituar à plataforma. Prefiro jogos híbridos 2D/3D com alguma qualidade, do que jogos inteiramente em 3D poligonal mas que tenham envelhecido horrivelmente.

Steel Talons (Sega Mega Drive)

Voltando às rapidinhas na Mega Drive, vamos ficar com mais uma conversão de um título arcade da Atari Games, cujo foi trazido pelo seu braço especializado em jogos de consola, a Tengen. Por esta altura, eles andavam a fazer algumas experiências com jogos em 3D poligonal nas arcades, como o Hard Drivin, por exemplo. Este Steel Talons é um jogo de acção onde controlavamos um helicóptero numa série de missões de guerra, onde teríamos de abater uns quantos objectivos inimigos. Long story short, esta versão Mega Drive ficou muito aquém do original. O meu exemplar foi comprado num bundle de vários jogos de Mega Drive em Janeiro, ficou-me a 7€.

Jogo com caixa

Aqui dispomos então de várias missões onde teremos de percorrer um mapa e destruir uma série de objectivos assinalados no mapa, sejam estes tanques inimigos, posições de artilharia, bases militares, silos de petróleo ou mesmo outros helicópteros ou aviões. Nós temos um tempo e combustível limitados, sendo que este sofre um grande rombo cada vez que somos atingidos por fogo inimigo. Portanto, teremos de aproximar-nos de cada alvo de forma cuidada e disparar sobre eles antes de estarmos no alcance do seu fogo. Os controlos são relativamente simples, com o botão direccional a servir para andar para a frente, para trás e strafing para os lados. Os botões faciais servem para disparar rajadas de metralhadora e mísseis (estes também em número limitado. O botão C serve para desempenhar outras funções, em conjunto com o D-Pad, permitindo-nos controlar a altitude ou rodar o helicóptero para a esquerda ou direita. Supostamente o jogo teria também uma vertente multiplayer, onde um segundo jogador nos ajuda a controlar o helicóptero, mas não cheguei a experimentar.

Antes de começar a campanha podemos e devemos explorar a missão de treino para nos habituarmos aos controlos

Isto é tudo muito bonito, mas como é que se comporta um jogo poligonal deste género na Mega Drive? Geralmente nunca se comportam muito bem, pois a Mega Drive não possui suporte nativo por hardware a renderizar imagens em 3D poligonal, tudo tem de ser feito por software, sendo a grande excepção o Virtua Racing pois inclui um chip adicional no cartucho para esse efeito. Mas temos vários jogos com 3D poligonal na Mega Drive, a maior parte simulações, e este parece-me ser sinceramente o pior de todos. Graficamente é um jogo simples, com polígonos sem qualquer textura e imenso pop-in, mas o pior é mesmo o framerate que é muito mau e anda na casa de um dígito. A sério, já vi apresentações de powerpoint mais fluídas que isto! De resto, no som, é um jogo minimamente competente, com algumas vozes digitalizadas, e algumas pequenas músicas, mas estas já não as achei nada de especial.

O número de refuels acaba por ser as vidas restantes

Portanto este Steel Talons é um jogo para fugir. A conversão para a Super Nintendo é algo diferente. O Super FX ainda era uma miragem, pelo que a Left Field decidiu fazer um misto de backgrounds em 2D com alguns polígonos ocasionais. O frame rate é um bocadinho superior, mas não muito. Mas ao menos as vozes digitalizadas possuem muito melhor qualidade. Ainda assim é também uma versão a evitar.

The King of Route 66 (Sony Playstation 2)

Desenvolvido originalmente para as arcades no sistema NAOMI2, este The King of Route 66 é uma sequela do 18 Wheeler, onde uma vez mais teremos de conduzir enormes camiões por estradas e cidades cheias de trânsito, competindo contra outros camionistas que só nos vão complicar a vida. Nas arcades, o jogo foi lançado algures em 2002. Nesta altura, apesar de ainda serem lançados alguns jogos esporadicamente para a Dreamcast, a plataforma já estava bem enterrada a nível global, pelo que a única conversão doméstica que o jogo recebeu até então foi para a Playstation 2, algures no ano seguinte. O meu exemplar foi comprado há coisa de 2 anos atrás, na Player Entertainment Exchange do Maia Shopping, que entretanto fechou portas. Já não me recordo quando custou, mas não terá sido mais do que 7€.

Jogo com caixa, manual e papelada

Nesta conversão para a PS2 dispomos de vários modos de jogo, mas vamos primeiramente abordar o “King of Route 66” que é a adaptação directa do original arcade. Aqui  temos de escolher um de vários camionistas estilosos, cada qual com o seu camião com diferentes estatísticas. Uns são mais rápidos, outros manobram melhor, bem como o seu peso é diferente. Uma vez escolhido o camionista, iremos percorrer os vários Estados Norte Americanos por onde a mítica Route 66 atravessa, desde a cidade de Chicago no estado de Illinois, culminando na Califórnia, na costa Oeste. Em cada um destes locais teremos várias missões pela frente, onde iremos defrontar os camionistas da empresa Tornado, que atormentam todos os outros camionistas de boas famílias que percorrem a mítica estrada Norte Americana.

A selecção de camionistas é uma vez mais divertidamente bizarra

Tipicamente, o fluxo das missões decorre da seguinte forma: chegar à empresa que nos vai dar trabalho dentro de um curto intervalo de tempo e/ou garantindo também que chegamos à frente dos camionistas da Tornado. Uma vez lá geralmente poderemos escolher um de 2 trabalhos com dificuldades “easy” e “hard”. A diferença entre ambas as dificuldades está no peso da carga e a distância/caminho necessário percorrer para a entregar ao seu destino, bem como os pontos/dinheiro que ganhamos no final. Mas antes de partir para as entregas, temos um mini-jogo de bónus onde teremos de engatar o atrelado. Aqui teremos de conduzir o camião em marcha-atrás até ao atrelado, travando em segurança mesmo no seu ponto de encaixe para não danificar a carga. Se o conseguirmos fazer em meros segundos, ou seja acelerar bastante no início e travar atempadamente, somos recompensados com dois nitros que poderemos usar posteriormente. E o que acontece a seguir é a tal missão onde teremos de entregar a carga em segurança ao seu destino. O problema é que temos um camionista rival a dificultar-nos a vida e temos de assegurar que chegamos ao destino antes dele.

Os diálogos são sofríveis mas faz parte do charme

Mas conduzir um camião a alta velocidade não é tarefa fácil e o nosso oponente conduz de forma muito agressiva e recupera rapidamente caso se despiste, ao contrário de nós. Então somos obrigados a jogar sujo, seja a aproveitar o túnel de vento do seu camião para ganhar mais velocidade, mas também procurar atalhos, mesmo que para isso tenhamos de sair fora da estrada e levar pela frente algumas estruturas pelo caminho. Há pouco referi os nitros e estes devem ser usados de forma inteligente, especialmente quando cortamos caminho. Para além dos nitros que possamos ter antes de começar a corrida, poderemos também encontrar outros espalhados ao longo do circuito, bem como símbolos da Route 66 que nos irão aumentar a pontuação no final.

O modo de jogo seguinte já é exclusivo desta versão PS2 e intitula-se Queen of Route 66. Aqui também teremos de escolher um camionista e iremos uma vez mais percorrer a estrada ao longo de todos aqueles estados Norte Americanos. A diferença é que participamos numa espécie de concurso em cada estado, onde teremos de cumprir uma série de objectivos para conquistar a miss lá do sítio. Esses objectivos podem ser coleccionar ou destruir um certo número de objectos espalhados pelos mapas, num determinado tempo limite, completar algumas corridas com tempos apertados sem destruir nada à nossa volta, participar em battle royales, ou seja, destruir os camiões adversários, entre outros. Aqui, com o dinheiro que vamos ganhando, poderemos também modificar o camião, ao comprar novas peças que lhe melhorem a sua performance, o que irá certamente ajudar para cumprir alguns objectivos. Finalizando este modo de jogo, desbloqueamos uma discoteca onde podemos ver as meninas a dançar com pouca roupa. Inclusivamente podemos vê-las só em bikini, se apanharmos emblemas da Route 66 suficientes neste, e noutros modos de jogo.

Um dos desafios do Route 66 challenge é o de destruir uma série de carros dentro de um tempo limite

O modo de jogo seguinte é o Route 66 Challenge, onde, sem qualquer narrativa manhosa por detrás, teremos uma vez mais de completar vários desafios diferentes, como coleccionar os tais símbolos da Route 66, destruir camiões ou carros ou escoltar outra camionista. Por fim temos também o Rival Chase, onde teremos alguns circuitos mais longos para competir contra outros camionistas. Para além disto temos naturalmente uma vertente multiplayer, que sinceramente nunca cheguei a experimentar.

A nível audiovisual, este jogo é muito especial nesse aspecto. Os gráficos como um todo não são nada do outro mundo, mas competentes para a altura em que o jogo saiu. Os circuitos em cada estado parecem-me representar bem as zonas por onde passam, desde pequenas cidades típicas do interior norte-americano ou outras localizações mais afastadas da civilização, diferentes condições atmosféricas, incluindo todas aquelas zonas mais áridas dos estados mais a sul. As personagens no entanto são muito bizarras, a começar pelos motoristas. E se por um lado esta faceta mais absurda é algo que me agrada, aquelas personagens supostamente mais “normais” também estão representadas de forma algo estranha. Já no que diz respeito ao som, bom a banda sonora agrada-me, sendo na sua maioria baseada em rock, mas com um cheirinho a country. e que assenta que nem uma luva ao estilo do jogo. O voice acting é terrível. Por um lado acho que a Sega se esforçou ao introduzir personagens com diferentes sotaques de cada região, algo bem notório no modo Queen, mas por outro lado temos muitas personagens com vozes irritantes, como é o caso do velhote Noisy Duck e de alguns dos antagonistas. A história como um todo é algo cringe, mas sinceramente isso também acaba por contribuir para o jogo ter um certo charme.

O interior dos camiões está top!

Portanto este The King of Route 66 acaba por ser uma interessante sequela do 18 Wheeler. Para quem gostou de jogar o original, irá certamente apreciar este jogo, pois a Sega esforçou-se en incluir muitos mais modos de jogo e desafios adicionais nesta versão doméstica. Mas não é um jogo que irá certamente agradar a todos, pois a sua jogabilidade é bastante peculiar e vai-nos obrigar a investir muitas horas para dominar a condução de cada camião. A sua história, voice acting e o design bizarro de várias personagens também poderá alienar algumas pessoas, mas sinceramente, por muito estranho que seja, até que gostei.

Gunblade NY and LA Machineguns (Nintendo Wii)

Se há coisa que a Wii e os seus comandos estranhos me agradou, é a facilidade que oferecem para jogar light gun shooters. E várias empresas perceberam isso, com a Sega a , maproveitar para relançar na plataforma vários dos seus light gun shooters. Alguns que nunca haviam sido lançados antes, como foi o caso do Ghost Squad, e desta compilação que contém os Gunblade NY e LA Machineguns. É pena que a Namco não tenha seguido a mesma ideia com os seus Time Crisis clássicos ou Point Blank! O meu exemplar foi comprado há uns anos atrás numa CeX do norte do país, tendo-me custado uns 6€ se bem me recordo.

Jogo com caixa e papelada

Se não se recordam de nenhum destes jogos em particular, devem-se recordar mais facilmente de ver em centros arcade algumas máquinas com enormes metralhadoras pesadas montadas na sua cabine. Bom, a probabilidade do jogo ser um destes dois é elevadíssima. Gunblade NY foi lançado ainda no velhinho sistema Sega Model 2, o mesmo sistema que nos trouxe clássicos como Daytona USA, Sega Rally, Virtua Fighter 2, Virtua Cop 1 e 2, etc. Já o LA Machineguns saiu mais tarde, creio que em 1998, já no sistema Sega Model 3, que possuía gráficos muito, muito mais avançados para a época.

Gun

O Gunblade NY presenteia-nos com 2 séries de níveis completamente distintas para escolher, bem como um modo de jogo adicional que mistura as áreas de ambos

Mas vamos a um jogo de cada vez, começando pelo primeiro, Gunblade NY. Aqui encarnamos num de dois polícias a bordo de um helicóptero, enquanto que a cidade de Nova Iorque é atacada por um bando de terroristas cyborgs, munidos de bazookas, e outros robots ameaçadores. O objectivo é o de limpar as ruas de todos estes inimigos, sendo que perdemos uma vida caso sejamos atingidos por um dos seus mísseis. Sabemos que um inimigo está prestes a disparar quando lhe surge um círculo vermelho à sua volta e mesmo quando disparam mísseis contra nós, podemos abatê-los antes de sermos atingidos. Inicialmente dispomos de 2 percursos diferentes para percorrer, um easy e o hard, que nos levam a diferentes níveis e bosses, embora todos decorram nas ruas de Nova Iorque, ou nas águas à sua volta. A jogabilidade em si é mesmo só apontar o wiimote e manter o botão de disparo pressionado, sem mais preocupaçãos. Não há reloads, não há armas que sobreaquecem, é mesmo só assentar chumbo nos inimigos que nos aparecem à frente! Mas claro, este é um jogo bastante frenético e apesar de acção ser on-rails, ou seja, sem qualquer controlo de câmara ou do caminho a seguir, a acção em si é bastante frenética, com o helicóptero a mover-se constantemente, por vezes passando em caminhos tão estreitos que nem sei como é possível, e claro, com inimigos a surgirem por todos os lados. Para além destes dois percursos, Gunblade NY possui também um modo Score Attack, onde dispomos de 1 ou 2 minutos para completar cada zona, sem direito a quaisquer continues. Se a nossa performance for boa, avançamos para um nível na campanha Hard, se não for tão boa quanto isso, já avançamos para um nível no Easy. É um modo de jogo feito para os profissionais que procurem um desafio maior.

O Gunblade NY foi um jogo lançado originalmente para o sistema Model 2, não envelheceu muito bem.

Já o LA Machineguns decorre não só em Los Angeles, mas sim em toda a Costa Oeste norte americana, pois teremos  também níveis em Las Vegas ou na prisão de Alcatraz, que fica perto de San Francisco. Aqui não temos diferentes campanhas, mas sim 5 diferentes níveis que podem ser jogados em qualquer ordem. E no que diz respeito à jogabilidade, contem com o mesmo shooting on rails bastante caótico, com uma câmara frenética e inimigos a surgir de todos os lados. Temos é agora um sistema de combos que nos permite pontuar mais ao derrotar uma série de inimigos sem sofrer dano, bem como teremos de evitar disparar sobre alguns civis inocentes que são apanhados no meio da confusão. Não temos o modo Score Attack aqui. De qualquer das formas, tanto num jogo como no outro, à medida que os vamos jogando, iremos subir de ranking policial, onde poderemos desbloquear novas armas (rapid fire, spread shot, por exemplo) que podem ser assignadas ao D-Pad do Wiimote. Para além disso tínhamos também a possibilidade de consultar os leaderboards na internet e ver onde a nossa pontuação se encaixava. Considerando todos os extras que a Sega incluiu no Ghost Squad, sinceramente achei que pudessem incluir mais qualquer coisa.

O LA Machineguns é um jogo mais aprimorado e com um sistema de combos

A nível audiovisual, o Gunblade NY é de longe o jogo que envelheceu pior. Os gráficos são muito quadrados, com poucas texturas e poucos ambientes destrutíveis, ficando apenas algumas marcas como se fossem autocolantes de buracos de balas. Pode ser a nostalgia a pregar-me partidas mas era capaz de jurar que o original arcade é mais colorido, ou pelo menos com cores mais vivas. Aqui até o azul predominante parece muito deslavado. Já o LA Machineguns, sendo um jogo de Model 3, possui gráficos bem mais modernos, com edifícios e inimigos mais polígonose e texturas mais detalhadas. A banda sonora, tanto num jogo como no outro é bastante acelerada, embora preferia que incidisse mais no rock como em muitos outros clássicos da Sega nas arcades da época. Aqui é mais sintetizadores e música electrónica.

Portanto, esta pequena compilação com estes 2 shooters arcade acaba por ser muito benvinda, até porque, até à data, é a única forma que temos de jogar legitimamente ambos os jogos em casa, a menos que comprem as máquinas arcade. Para além dos leaderboards e armas extra, poderíamos talvez esperar outros extras, o que não aconteceu. Ainda assim achei de louvar que a Sega tivesse tido o cuidado de lançar na Wii uma boa parte do seu catálogo de light gun shooters, embora jogos como Confidential Mission, a série Virtua Cop (principalmente pelo Virtua Cop 3 que nunca saiu fora das arcades) e outros menos conhecidos também pudessem ter recebido o mesmo tratamento.