Super Hydlide (Sega Mega Drive)

A série Hydlide, desenvolvida pela T&E Soft, é uma daquelas séries de RPGs seminais nipónicos, com a sua origem em computadores japoneses. Possui muitas mecânicas de jogo típicas de RPGs old-school ocidentais e, ao longo dos anos, foram saindo alguns dos seus jogos em versões localizadas em Inglês, distribuidas em algumas consolas e computadores como o MSX2. Mas depois de ter cá trazido o Virtual Hydlide da Saturn, torna-se um pouco ingrato falar de jogos anteriores da série. Mas já lá vamos! Este Super Hydlide é na verdade uma conversão musculada do Hydlide 3 que havia sido lançado originalmente para o sistema MSX em 1987. O meu exemplar foi comprado no facebook algures em Dezembro de 2018, creio que me custou algo à volta dos 12€.

Jogo com caixa e manual

A história é simples, onde tudo estava bem no reino de Fairyland, a vida era perfeita e as pessoas felizes, até que um dia dá-se uma grande explosão, abre-se uma grande fenda na terra, e monstros começam a aparecer a vaguear pelo mundo. “É o regresso do Mal, como dizia a profecia“, dizem os anciãos lá do sítio. E a profecia diz também que um herói valente irá enfrentar essas criaturas infernais e sair vitorioso. Adivinhem, esse é o nosso papel.

Tal como noutros RPGs da velha guarda, quase que temos de pedir permissão para subir de nível

Passando para a jogabilidade, este é um RPG de acção, mas tal como referi acima este jogo inclui uma série de conceitos típicos de alguns RPGs ocidentais da velha guarda. Antes de começar a aventura, no entanto, somos convidados a escolher qual classe queremos assumir, com o jogo a oferecer 4 à escolha: warrior, thief, priest ou monk. O primeiro é uma classe típica, que oferece uma quantia considerável de pontos de vida e força, mas não teremos acesso a todos os feitiços no jogo. O Thief é o mais forte fisicamente, mas é uma classe mal vista, com má pontuação de moralidade. Por outro lado temos os Priest e Monks, que conseguem aprender todos os 12 feitiços do jogo. O priest possui atributos balanceados em todos os departamentos, enquanto o monk possui bons atributos no geral, mas com menos pontos de vida. Mas voltando então a esse design da velha guarda, um dos conceitos que temos de ter em conta é o peso. Por exemplo, tudo o que carregamos no inventário, desde o equipamento que temos no corpo, passando por todos os outros itens e mesmo o dinheiro que carregamos, tem o seu peso. Cada personagem (e respectiva classe) tem um peso limite que pode carregar livremente, limite esse que vai aumentando à medida que vamos evoluindo. Poderemos carregar mais itens do que o imposto pelo limite, mas se o fizermos o nosso personagem torna-se mais lento, inclusivamente durante os combates, o que não é bom pois deixa-nos mais susceptíveis de sofrer dano. Um dos itens que poderemos encontrar logo no início do jogo é um “Money Changer” que faz precisamente o que o nome diz: troca conjuntos de moedas de valor pequeno em moedas de valor maior para melhor optimizar o tal peso do inventário.

Sábios conselhos!

Outro dos conceitos interessantes introduzidos pelo jogo é o seu relógio interno e a necessidade de comer. Existem 4 alturas no dia onde o herói tem de comer alguma coisa, às 7 da manhã, 13h, 19h e 01h. Para isso teremos de ir comprando rações em lojas nas cidades que vamos descobrindo, que vão sendo consumidas sempre que chegar a essa hora certa. Não tendo rações disponíveis, somos penalizados com perda de pontos de vida e de força por cada refeição dispensada. Por outro lado, para além da necessidade de comer, a nossa personagem precisa também de dormir, com o jogo a penalizar o jogador com perda de pontos de vida e de força a partir das 23h. Outras das mecãnicas antiquadas prendem-se com a subida de níveis e aprendizagem de feitiços. À medida que vamos combatendo inimigos, ganhamos pontos de experiência, dinheiro e ocasionalmente outros itens. Para subir de nível, precisamos no entanto de ir à cidade e falar com um NPC que, se tivermos reunido pontos de experiência suficientes, subimos de nível, com os nossos stats a aumentarem, incluindo a capacidade para carregar com mais peso. Para aprender feitiços novos, temos de falar com um outro NPC que nos vende, a troco de pontos de experiência. Cada vez que subimos de nível, os inimigos passam a dar menos pontos de experiência, pelo que teremos de encontrar um balanço no grinding que vamos fazendo, entre usar os pontos de experiência para subir de nível ou gastá-los para aprender novos feitiços. É que alguns feitiços são bastante úteis, como é o caso do flash que ilumina cavernas escuras ou o move que nos teletransporta entre cidades.

Infelizmente as dungeons possuem um design bastante confuso

Quanto à aventura em si, este é acima de tudo um jogo de exploração, pois tal como muitos RPGs primitivos, os NPCs têm pouco para dizer, pelo que devemos falar com todos e tentar anotar algumas pistas que nos vão indicando: quais dungeons teremos de explorar e outras cidades para encontrar. A nível audiovisual, é um jogo algo simples, com sprites pequenas e cidades pouco detalhadas. Tem no entanto um detalhe interessante, a sprite do nosso herói muda de aparência consoante o equipamento que estejamos a usar. Não era nada comum em RPGs nas consolas! Por outro lado a música é excelente, foi uma óptima surpresa e é sem dúvida um dos pontos mais fortes do jogo. O chip de som da Mega Drive é usado muito bem, apresentando músicas com um som bem nítido. As músicas em si são muito influenciadas pelo típico rock dos anos 80, o que é algo que me agrada bastante.

Portanto este Super Hydlide é um jogo que acabou por me surpreender pela positiva. Não é um jogo para qualquer fã de JRPGs, devido às suas mecânicas de jogo algo arcaicas e influenciadas pelos RPGs ocidentais da velha guarda, como Ultima ou Wizardry. No entanto, e mesmo fechando os olhos a alguns outros problemas, como uma interface de menus algo confusa, gráficos demasiado simples, poucas animações e muitos NPCs inúteis, o balanço que retiro daqui é bastante agradável.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
Esta entrada foi publicada em Mega Drive, SEGA. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.