The King of Route 66 (Sony Playstation 2)

Desenvolvido originalmente para as arcades no sistema NAOMI2, este The King of Route 66 é uma sequela do 18 Wheeler, onde uma vez mais teremos de conduzir enormes camiões por estradas e cidades cheias de trânsito, competindo contra outros camionistas que só nos vão complicar a vida. Nas arcades, o jogo foi lançado algures em 2002. Nesta altura, apesar de ainda serem lançados alguns jogos esporadicamente para a Dreamcast, a plataforma já estava bem enterrada a nível global, pelo que a única conversão doméstica que o jogo recebeu até então foi para a Playstation 2, algures no ano seguinte. O meu exemplar foi comprado há coisa de 2 anos atrás, na Player Entertainment Exchange do Maia Shopping, que entretanto fechou portas. Já não me recordo quando custou, mas não terá sido mais do que 7€.

Jogo com caixa, manual e papelada

Nesta conversão para a PS2 dispomos de vários modos de jogo, mas vamos primeiramente abordar o “King of Route 66” que é a adaptação directa do original arcade. Aqui  temos de escolher um de vários camionistas estilosos, cada qual com o seu camião com diferentes estatísticas. Uns são mais rápidos, outros manobram melhor, bem como o seu peso é diferente. Uma vez escolhido o camionista, iremos percorrer os vários Estados Norte Americanos por onde a mítica Route 66 atravessa, desde a cidade de Chicago no estado de Illinois, culminando na Califórnia, na costa Oeste. Em cada um destes locais teremos várias missões pela frente, onde iremos defrontar os camionistas da empresa Tornado, que atormentam todos os outros camionistas de boas famílias que percorrem a mítica estrada Norte Americana.

A selecção de camionistas é uma vez mais divertidamente bizarra

Tipicamente, o fluxo das missões decorre da seguinte forma: chegar à empresa que nos vai dar trabalho dentro de um curto intervalo de tempo e/ou garantindo também que chegamos à frente dos camionistas da Tornado. Uma vez lá geralmente poderemos escolher um de 2 trabalhos com dificuldades “easy” e “hard”. A diferença entre ambas as dificuldades está no peso da carga e a distância/caminho necessário percorrer para a entregar ao seu destino, bem como os pontos/dinheiro que ganhamos no final. Mas antes de partir para as entregas, temos um mini-jogo de bónus onde teremos de engatar o atrelado. Aqui teremos de conduzir o camião em marcha-atrás até ao atrelado, travando em segurança mesmo no seu ponto de encaixe para não danificar a carga. Se o conseguirmos fazer em meros segundos, ou seja acelerar bastante no início e travar atempadamente, somos recompensados com dois nitros que poderemos usar posteriormente. E o que acontece a seguir é a tal missão onde teremos de entregar a carga em segurança ao seu destino. O problema é que temos um camionista rival a dificultar-nos a vida e temos de assegurar que chegamos ao destino antes dele.

Os diálogos são sofríveis mas faz parte do charme

Mas conduzir um camião a alta velocidade não é tarefa fácil e o nosso oponente conduz de forma muito agressiva e recupera rapidamente caso se despiste, ao contrário de nós. Então somos obrigados a jogar sujo, seja a aproveitar o túnel de vento do seu camião para ganhar mais velocidade, mas também procurar atalhos, mesmo que para isso tenhamos de sair fora da estrada e levar pela frente algumas estruturas pelo caminho. Há pouco referi os nitros e estes devem ser usados de forma inteligente, especialmente quando cortamos caminho. Para além dos nitros que possamos ter antes de começar a corrida, poderemos também encontrar outros espalhados ao longo do circuito, bem como símbolos da Route 66 que nos irão aumentar a pontuação no final.

O modo de jogo seguinte já é exclusivo desta versão PS2 e intitula-se Queen of Route 66. Aqui também teremos de escolher um camionista e iremos uma vez mais percorrer a estrada ao longo de todos aqueles estados Norte Americanos. A diferença é que participamos numa espécie de concurso em cada estado, onde teremos de cumprir uma série de objectivos para conquistar a miss lá do sítio. Esses objectivos podem ser coleccionar ou destruir um certo número de objectos espalhados pelos mapas, num determinado tempo limite, completar algumas corridas com tempos apertados sem destruir nada à nossa volta, participar em battle royales, ou seja, destruir os camiões adversários, entre outros. Aqui, com o dinheiro que vamos ganhando, poderemos também modificar o camião, ao comprar novas peças que lhe melhorem a sua performance, o que irá certamente ajudar para cumprir alguns objectivos. Finalizando este modo de jogo, desbloqueamos uma discoteca onde podemos ver as meninas a dançar com pouca roupa. Inclusivamente podemos vê-las só em bikini, se apanharmos emblemas da Route 66 suficientes neste, e noutros modos de jogo.

Um dos desafios do Route 66 challenge é o de destruir uma série de carros dentro de um tempo limite

O modo de jogo seguinte é o Route 66 Challenge, onde, sem qualquer narrativa manhosa por detrás, teremos uma vez mais de completar vários desafios diferentes, como coleccionar os tais símbolos da Route 66, destruir camiões ou carros ou escoltar outra camionista. Por fim temos também o Rival Chase, onde teremos alguns circuitos mais longos para competir contra outros camionistas. Para além disto temos naturalmente uma vertente multiplayer, que sinceramente nunca cheguei a experimentar.

A nível audiovisual, este jogo é muito especial nesse aspecto. Os gráficos como um todo não são nada do outro mundo, mas competentes para a altura em que o jogo saiu. Os circuitos em cada estado parecem-me representar bem as zonas por onde passam, desde pequenas cidades típicas do interior norte-americano ou outras localizações mais afastadas da civilização, diferentes condições atmosféricas, incluindo todas aquelas zonas mais áridas dos estados mais a sul. As personagens no entanto são muito bizarras, a começar pelos motoristas. E se por um lado esta faceta mais absurda é algo que me agrada, aquelas personagens supostamente mais “normais” também estão representadas de forma algo estranha. Já no que diz respeito ao som, bom a banda sonora agrada-me, sendo na sua maioria baseada em rock, mas com um cheirinho a country. e que assenta que nem uma luva ao estilo do jogo. O voice acting é terrível. Por um lado acho que a Sega se esforçou ao introduzir personagens com diferentes sotaques de cada região, algo bem notório no modo Queen, mas por outro lado temos muitas personagens com vozes irritantes, como é o caso do velhote Noisy Duck e de alguns dos antagonistas. A história como um todo é algo cringe, mas sinceramente isso também acaba por contribuir para o jogo ter um certo charme.

O interior dos camiões está top!

Portanto este The King of Route 66 acaba por ser uma interessante sequela do 18 Wheeler. Para quem gostou de jogar o original, irá certamente apreciar este jogo, pois a Sega esforçou-se en incluir muitos mais modos de jogo e desafios adicionais nesta versão doméstica. Mas não é um jogo que irá certamente agradar a todos, pois a sua jogabilidade é bastante peculiar e vai-nos obrigar a investir muitas horas para dominar a condução de cada camião. A sua história, voice acting e o design bizarro de várias personagens também poderá alienar algumas pessoas, mas sinceramente, por muito estranho que seja, até que gostei.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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