Altered Beast (Sega Master System)

Altered Beast foi um jogo que, apesar de não ter envelhecido lá muito bem, causou algum furor nas arcades devido ao seu conceito, onde os heróis se poderiam transformar em diferentes animais e ganhar super poderes. A versão Mega Drive foi um dos seus títulos de lançamento, tendo sido até inclusivamente distribuido com a Mega Drive em muitos mercados. Foi um jogo que até se revelou numa boa conversão face ao original e servia para mostrar o poder da consola de 16bit da Sega face à sua concorrente mais directa da altura, a NES. Eventualmente uma versão para a Master System foi também lançada, mas esta é muito mais modesta. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu no mês passado, por 5€.

Jogo com caixa e manual

Como já cá trouxe a versão Mega Drive, este vai ser mais uma rapidinha. Começamos por ver que esta versão é mais simplificada: aparecem menos inimigos no ecrã em simultâneo e os níveis foram altamente simplificados. As spirit balls, os power ups que nos deixam mais fortes até nos transformarem numa outra criatura, são agora necessários apanhar apenas duas, enquanto que precisavamos de 3 na Mega Drive. Os controlos consistem num botão para socos e outro para pontapés, sendo que temos de pressionar ambos em simultâneo para saltar (sim dava jeito outro botão no comando da Master System).

Rise from your grave! O homem não diz isso nesta versão mas eu ouço-o mentalmente

A nível gráfico, tal como referi acima esta é uma versão mais simplificada. Lembro-me particularmente do segundo nível, nas cavernas, possuir muito mais detalhe na versão da Mega Drive! O scrolling também não é fluído, nem as animações como um todo. As músicas não são desagradáveis de todo e o jogo até que vai possuindo algumas vozes digitalizadas – mas não o Rise from your grave do Zeus logo no início do jogo, o que é pena. De resto é uma adaptação algo fraca de um jogo arcade que sinceramente até envelheceu bastante mal. O seu tema da licantropia era certamente o que lhe dava mais fama mesmo na época!

PGA Tour 96 (Sega Mega Drive)

Continuando pelas rapidinhas, desta vez a mais um jogo desportivo, vamos fechar a série PGA Tour Golf na Mega Drive, com este título final na plataforma. Na verdade o desenvolvimento deste jogo até tem sido algo curioso, pois até à altura, foi o estúdio Polygames quem ficou responsável pela série, mas com este PGA Tour 96 a responsabilidade acabou de passar para a Hitmen Productions e a NulFX que tratou da conversão para a Mega Drive. A parte curiosa é que a Hitmen Productions tinha desenvolvido, em 1994, uma versão do PGA com gráficos em alta qualidade para o PC e no mesmo ano lançaram também o NBA Live 95 para a Mega Drive.  Então, escondido nesse cartucho, temos uma demo jogável muito simples que mostraria como um PGA Tour se tornaria na Mega Drive caso usassem o seu novo motor gráfico que tinha sido usado no PGA para PC, o que acabou mesmo por acontecer no ano seguinte com este PGA Tour 96. O meu exemplar foi comprado a um particular no mês passado, tendo-me custado uns 7€.

Jogo com caixa e manual

Já lá vamos aos gráficos novos, antes disso vamos comentar as novas mecânicas de jogo. Em primeiro lugar, toda a interface foi mais simplificada, tornando-a mais atractiva e funcional. Antes de efectuar cada tacada, temos na mesma de escolher o melhor taco para o efeito (o CPU geralmente já escolhe por nós), direccionar-nos de acordo com o vento e, no momento do disparo, temos na mesma uma barra de energia a 2 tempos, que nos permite escolher a potência da tacada e o seu efeito. A diferença é que a informação está toda no ecrã, mas de uma forma mais simplificada e conveniente. Isso foi um ponto muito positivo! Já no que diz respeito à variedade de circuitos, infelizmente esta versão já não inclui tantos quanto nos seus antecessores directos. No que diz respeito aos modos de jogo, estes continuam com a mesma diversidade. Temos os modo de treino que nos permitem practicar o driving range (tacada inicial) e o putting (quando estamos próximos do buraco), ou mesmo practicar buracos à escolha dos vários circuitos. Temos depois os modos mais a sério, com o Stroke Play que nos permite jogar um circuito inteiro (ou metade), o modo Tournament, mais completo ainda. No multiplayer temos o Match Play e Skins, que possui um sistema de pontuação algo diferente, mas confesso que estes nem cheguei a experimentar.

Até os menus iniciais estão visualmente bem mais apelativos!

Passando então para a parte dos gráficos e som e realmente o salto gráfico é muito interessante, mesmo considerando que o PGA Tour Golf III já possuía um grafismo bom. Este também possui sprites digitalizadas dos vários atletas disponíveis, com boa qualidade e animações. Os cenários possuem um óptimo nível de detalhe, com superfícies aparentemente em 3D e as sprites da natureza envolvente também com boa qualidade. O problema é que o jogo perde sempre uns 5 segundos ao renderizar os cenários, sempre que mudamos de posição. Isto era algo comum em jogos de golf mais antigos, mas no caso do PGA III, que também já possui sprites digitalizadas e cenários bem detalhados, mas uns furinhos abaixo deste PGA Tour 96, essas quebras já não acontecem, tornando o jogo bem mais fluído. Já no que diz respeito ao som, nada de especial a apontar, pois durante as partidas apenas ouvimos o som da natureza envolvente e o das tacadas. Já as músicas, essas apenas tocam no ecrã título e nos menus entre partidas. São músicas bastante agradáveis e relaxantes, no entanto.

As mecânicas de swing estão mais simplificadas visualmente

Portanto este PGA Tour Golf 96 é uma sequela que nos deixa com sentimentos algo mistos. Isto porque a simplificação dos menus e interface durante as partidas de golfe foram muito benvindas. Os gráficos são de facto muito bonitos, mas a demora da Mega Drive em renderizar o campo de golfe sempre que mudamos de posição deixa a experiência muito menos fluída que no seu antecessor, o PGA Tour Golf III. Aliás, este que já possuía bons gráficos e claro, bem mais circuitos onde competir também, o que também é um factor que pesa bastante no final.

Lemmings (Sega Master System)

Voltando às rapidinhas que já cá trouxe várias versões do Lemmings, esta da Master System até que acaba por ser uma conversão bastante interessante tendo em conta as limitações da plataforma. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu no mês passado de Julho por 5€.

Jogo com caixa e manual

Tal como nas outras versões deste jogo, o nosso objectivo é o de guiar os lemmings em segurança até à saída do nível em questão, onde teremos de ultrapassar muitos obstáculos e evitar armadilhas. Para isso teremos à nossa disposição uma série de diferentes habilidades como escalar paredes, cavar túneis, construir pontes, entre muitas outras, que deveremos assignar aos lemmings para os ajudar na sua travessia. Mas as coisas rapidamente começam a ficar desafiantes pois os lemmings a partir do momento em que entram num nível, eles começam a andar automaticamente da esquerda para a direita e, assim que encontrarem uma parede, voltam para trás e por aí fora. Portanto por vezes a primeira acção a fazer é mesmo colocar o primeiro lemming numa posição de parar o trânsito, obrigando os restantes a voltar para trás, prevenindo que caiam nalgum abismo.

Alguns níveis são exclusivos das versões Sega 8bit

Outras vezes teremos múltiplos pontos de entrada de lemmings que teremos de gerir ao mesmo tempo, já noutras situações poderemos ter um número muito reduzido de habilidades disponíveis para activar, pelo que teremos mesmo de resolver alguns quebra cabeças para finalizar certos níveis. Felizmente que, antes de começarmos cada nível temos a opção de o observar primeiro, ao pressionar o botão 1 que nos levará a uma preview. Outra coisa que recomendo vivamente é que joguem isto próximo da consola. Nalguns níveis por vezes teremos mesmo muito pouco tempo para seleccionar uma habilidade e levar o cursor para o lémingue em questão. Ao pressionar no botão de Pausa, todos os lémingues param no tempo, mas nós podemos mover o cursor na mesma e ir seleccionando as habilidades pretendidas. Como o botão de pausa na Master System fica na própria consola, dá jeito jogarmos próximo da mesma então.

Os blockers devem ser usados com critério, até porque tipicamente têm de ser sacrificados no final e poderemos não atingir a quota de sobrevivência

De resto temos aqui dezenas e dezenas de níveis, espalhados ao longo de diferentes níveis de dificuldade. Estes estão representados de uma forma mais simplificada que os originais, até porque temos um número máximo de 20 lemmings em simultâneo no ecrã. De resto, a nível gráfico em si, esta versão não fica muito atrás das restantes, pois já a versão original possui gráficos simples. Esta versão Master System possui é uns quantos níveis novos, que não existem noutras versões, sendo muitos deles dedicados à própria Sega, com o azul e branco do seu logotipo a ser predominante. Outra das coisas que me deixou agradavelmente surpreendido por esta versão é a qualidade das músicas. Estas, pelo menos a maioria, reconheci facilmente de outras versões do Lemmings e no geral, para além de serem músicas bastante agradáveis (sendo que, tal como no original, algumas são adaptações de músicas de compositores clássicos), soam mesmo bem! O que não é normal visto os jogos na Master System e Game Gear terem tipicamente um som mais fraco.

Portanto, apesar das suas limitações impostas pelo hardware, esta conversão do Lemmings até que se tornou numa agradável surpresa! Pena que a sua sequela nunca se materializou para a Master System

PGA European Tour (Sega Mega Drive)

Voltando às rapidinhas a jogos desportivos, ficamos agora com o PGA European Tour para a Mega Drive, que é basicamente o PGA Tour Golf II, mas exclusivamente com campos de golf europeus, nomeadamente britânicos, espanhóis, franceses e suíços. No mesmo ano a EA lançou ainda o PGA Tour Golf III, este já com uma interface e motor gráfico diferente. O meu exemplar foi comprado a um particular por cerca de 6€ se bem me recordo, no passado mês de Julho.

Jogo completo com caixa e manual

Começando pelo menu inicial, que ainda se assemelha bastante a um jogo da velha guarda do MS-DOS. No que diz respeito aos modos de jogo, temos os modos de treino Driving Range e Putting Green, que nos permite treinar precisamente as tacadas de abertura e o putting, onde já estamos próximos do buraco. Podemos jogar sozinhos um circuito de ponta a ponta no modo practice também, mas o grande desafio está mesmo no modo torneio onde já iremos competir contra todos os outros golfistas. O Skins Challenge, onde a pontuação é atribuida de forma diferente está também aqui presente, assim como outros dois modos de jogo, o “Match Play” e o “Shoot-Out”, que parecem ser modos de competição mais curtos. No que diz respeito às mecânicas de jogo, contem com o habitual. Teremos de ter em atenção a força do vento, a distância ao buraco, obstáculos naturais como água, poços de areia ou árvores e ter o cuidado seleccionar o melhor taco para cada situação. Antes de dar a tacada teremos portanto de ajustar a nossa direcção e quando o fizermos, temos os habituais “medidores de energia” que funcionam a dois tempos: primeiro seleccionamos a potência da tacada, depois o seu efeito.

Os grafismos e mecânicas de jogo são muito semelhantes às do seu predecessor, mas agora temos paisagens europeias para apreciar

Já no que diz respeito aos audiovisuais, tal como referi no início do artigo, este é basicamente o PGA Tour Golf II, mas com novos golfistas e circuitos europeus. Logo o menu inicial parece uma interface de um jogo antigo de PC com suporte ao rato, e de resto a nível gráfico, é mesmo muito semelhante ao seu predecessor. O que não é necessariamente uma má coisa pois continuamos com aqueles detalhes interessantes de ter conselhos dos vários golfistas quando transitamos de um buraco para outro, ou os comentários de um apresentador televisivo. As músicas, apesar de agradáveis, apenas se ouvem nos menus e entre partidas, pois durante as partidas em si, apenas ouvimos os sons da natureza e das tacadas.

Portanto este PGA European Tour, para quem já tiver jogado um dos PGAs anteriores, vai-se sentir bem em casa pois partilha as mesmas mecânicas de jogo. Prima precisamente por incluir alguns circuitos e golfistas europeus, algo que não acontecia nos PGA anteriores que se focavam nos Estados Unidos.

Sonic Spinball (Sega Master System)

O Sonic Spinball da Mega Drive é considerado por muitos como a ovelha negra na série na era dos 16bit. Sinceramente eu até que gostei do jogo, com as suas mesas gigantes, repletas de segredos para descobrir, incluindo todas as esmeraldas caóticas que somos obrigados a apanhar antes de nos deixarem defrontar o boss e passar para o nível seguinte. A Sega aproveitou também para desenvolver uma versão 8bit, cuja acabou sendo lançada para a Game Gear e para a Master System, visto esta ainda ser uma plataforma relevante naquela época, pelo menos na Europa e Brasil. O meu exemplar veio parar à minha colecção através de uma troca que fiz com um amigo meu, por um jogo repetido que tinha aqui por casa. É a versão normal, mas anseio por encontrar a versão portuguese purple a um preço apelativo, para fechar o meu set. Um dia que a encontre, este artigo será actualizado.

Jogo com caixa

Portanto este jogo é, na sua essência, muito similar ao original da Mega Drive, mas naturalmente bem mais simplificado devido às limitações da Master System. Temos na mesma 4 níveis principais para explorar, intercalados por níveis de bónus, com direito a um boss no final de cada nível. Cada nível possui uma temática diferente (as mesmas da versão Mega Drive) e teremos de explorar as diferentes mesas de pinball, ao abrir passagens secretas, interagir com interruptores, destruir inimigo e afins, para que consigamos apanhar todas as esmeraldas espalhadas por cada nível e assim avançar no jogo. Também teremos alguns pequenos segmentos de platforming, onde conseguimos controlar o Sonic normalmente, incluindo o seu spin dash.

E aquele robot gigante que nos tenta comer na versão Mega Drive?

Mas enquanto os níveis principais são parecidos aos originais da Mega Drive, quanto mais não seja pelas temáticas visuais, os níveis de bónus são completamente diferentes, o que se compreende, pois o efeito visual dos níveis de bónus na versão Mega Drive é de facto muito interessante e a Master System não conseguiria reproduzir da mesma forma. Aqui temos então níveis bem mais simplificados, também com mecânicas de pinball, onde teremos uma série de obstáculos para ultrapassar e itens para apanhar como tempo, vidas  ou continues extra. A ideia é apanhar a maior parte dos anéis e itens de bónus dentro do tempo limite, bem como desbloquear a saída do nível. Caso não o façamos a tempo, perdemos todos os bónus coleccionados!

A cutscene de abertura não é tão trabalhada como na versão 16bit

A nível gráfico, é um jogo colorido, embora naturalmente não tenha o mesmo nível de detalhe que a versão Mega Drive possui. As temáticas dos níveis são similares, começando pelo primeiro que é um nível tóxico e cheio de esgotos, passando por outro repleto de lava, culminando em dois níveis mais high-tech. Já as músicas, tal como na versão Mega Drive, até que me surpreenderam bastante pela positiva, pelo que são bem agradáveis.

Vamos sempre tendo muito que explorar aqui!

Portanto este Sonic Spinball é uma conversão que se tentou manter o mais fiel possível à original da Mega Drive, mesmo com as maiores limitações de hardware da Master System. Creio ser o único jogo minimamente pinball existente na plataforma (mais um mini jogo no Casino Games), pelo que também é necessário ter isso em conta. Mas sim, também é um jogo frustrante por vezes, quando queremos guiar a bola em passagens específicas, ou quando as físicas ganham vida própria.