NHL Powerplay (Sega Saturn)

Continuando pelas rapidinhas, agora a jogos desportivos e esperem por uns quantos ao longo deste mês, vamos visitar rapidamente a Sega Saturn com este NHL Powerplay, publicado pela Virgin e produzido pela Radical Entertainment. Um facto curioso é que a Radical Entertainment acabou por produzir também o NHL All Star Hockey 98 pela linha Sega Sports, que por sua vez acabou também sendo lançado pela Virgin para a Playstation como NHL Powerplay 98. Confusos? Eu às vezes também fico com estas jogadas de bastidores. O meu exemplar veio de um bundle que comprei numa feira de velharias a um bom preço, creio que cerca de 2€.

Jogo com caixa

No que diz respeito a modos de jogo, dispomos das habituais partidas amigáveis, passando por um modo temporada completo (bem como a opção de avançar directamente para os Play-offs finais) ou mesmo um torneio internacional. As equipas representadas são as da NHL na temporada de 1995-1996, bem como algumas equipas “All Stars” e selecções nacionais. Como o jogo possui a licença NHLPA, presumo que, pelo menos nas equipas NHL, os nomes dos jogadores estejam correctos. De resto, para além de algumas opções que nos permitem activar ou desactivar algumas regras específicas do desporto, não me pareceu ver a opção de editar equipas e contratar jogadores, algo que acabou por ser incluido no já referido NHL All Star Hockey 98. De resto a jogabilidade pareceu-me bastante fluída, o que a meu ver é o mais importante!

A câmara é bastante dinâmica e o jogo é bastante fluído

Visualmente é um jogo interessante, para um jogo de desporto desta geração, claro está. A câmara é dinâmica e agradável, mas não me pareceu haver nenhuma forma de alternar para outros ângulos de câmara, a menos que seja nas repetições. Músicas só nos menus e afins, já durante as partidas apenas ouvimos o ruído do público (bastante entusiasta pelo sinal) e dos próprios jogadores, com os comentadores a narrarem os golos e pouco mais. Mas os comentadores dizem o nome de todos os jogadores, o que já é algo interessante!

Double Switch (Sega Mega CD)

Voltando às rapidinhas, vamos agora ficar com mais um jogo baseado em full motion video para a Mega CD. Também produzido pela Digital Pictures, este Double Switch é uma espécie de sucessor do Night Trap pois partilha as suas mecânicas de jogo, na medida em que teremos uma série de divisões para vigiar e activar armadilhas sempre que necessário para afugentar intrusos. O meu exemplar foi comprado na CeX no passado mês de Agosto, tendo-me custado 20€.

Jogo com caixa e manuais

O jogo decorre num pequeno prédio de apartamentos onde somos recrutados por Eddie, um residente lá do sítio que montou um sistema de segurança, mas por algum motivo ficou lá trancado e não consegue sair. Eddie pede-nos inicialmente para controlar o sistema de segurança e estar atento não só ao bem estar dos restantes habitantes do prédio e activar armadilhas caso sejam importunados por bandidos, mas também para estar atentos a uma série de códigos de segurança que lhe permitam sair da cave. Ao contrário do Night Trap temos agora uma indicação visual no mapa do prédio que nos informa sempre que algum habitante, bandido ou outro invasor entra nalguma divisão, pelo que teremos de activar a câmara da divisão respectiva, preparar as armadilhas e, quando alguém passar junto das mesmas, activá-las para aprisionar as pessoas.

Para além da preocupação em rearmar as armadilhas, temos de activar a armadilha certa no momento certo

O jogo dá-nos alguma margem de erro para falha, quer ao aprisionar pessoas inocentes por engano, quer ao não aprisionar nenhum bandido. Há situações em que os bandidos apenas se passeiam por alguma divisão sem causar problemas e se os deixarmos escapar ocasionalmente não temos problemas. Temos é de garantir que capturemos inimigos vezes suficientes e, acima de tudo, evitar que eles interfiram com o sistema eléctrico ou telefónico, ou quando atacam directamente algum dos habitantes do prédio. Aí é mesmo game over. No segundo acto teremos também de ter em atenção uma outra pessoa que nos irá activar algumas novas armadilhas, que serão essenciais para conseguirmos finalizar o jogo no capítulo seguinte.

A nível audiovisual, bom, esta versão Mega CD apresenta um vídeo de baixa qualidade como é habitual na plataforma. O acting dos actores não é nada de especial (assim como a história em si que envolve tesouros egípcios, múmias estranhas e afins). Um dos apartamentos é habitado por uma banda de hard rock e eles a certa altura até começam a ensaiar uma música que era bem porreira, pena não existir na internet nenhuma versão completa!

Pausando o jogo podemos observar onde estão colocadas as armadilhas em cada divisão

Portanto, este Double Switch é um jogo que de certa forma refina a fórmula introduzida no Night Trap, mas ainda me deixa com algumas insatisfações. Tal como o Night Trap, como vamos ter de estar sempre a trocar de câmara e cada câmara está a transmitir em real time informação diferente, vamos perder sempre alguma coisa da história principal porque entretanto disparou um alarme noutro apartamento e lá teremos de ir ver o que se passa. Mas o facto de nos avisarem quais salas têm gente e se são habitantes e/ou intrusos já foi uma excelente ajuda! De resto, este jogo foi também relançado em 1995 para a Saturn e PC, com uma qualidade de imagem muito melhor. E bem mais recentemente tivemos direito a versões remasterizadas que sairam em mobile e posteriormente nas plataformas actuais, versões essas certamente com a melhor qualidade de imagem e som.

Heavy Nova (Sega Mega Drive)

Heavy Nova é um título curioso. Lançado originalmente no Japão para a Mega CD em 1991, acabou por receber também um lançamento norte-americano, mas para a Mega Drive, ou Genesis, como é por lá conhecida. Cá na Europa não tivemos essa sorte (e sinceramente também se perdeu pouco), mas acabamos por receber a sua sequela, o Black Hole Assault. O meu exemplar foi comprado no ebay algures no mês de Agosto, tendo-me custado 8 dólares mais quase o dobro em portes de envio…

Jogo com caixa e manual, infelizmente com um sticker manhoso mesmo no cartucho!

O jogo decorre no futuro, onde uma raça alienígena entra em contacto com a Terra e oferece-lhe tecnologia que os fazem avançar bastante como civilização. No entanto, embora eles não expliquem isso lá muito bem, tudo isto fazia parte de um plano para os aliens escravizarem a nossa raça, os humanos descobrem a tempo e lá os conseguimos derrotar. O jogo decorre anos após estes acontecimentos, onde os humanos desenvolveram uma série de mechas high tech para proteger o nosso planeta de ameaças externas e basicamente nós vamos encarnar num piloto prestes a cumprir o seu teste práctico final da academia militar.

Se ao menos a Micronet tivesse investido tanto na jogabilidade como na apresentação…

No seu modo single player, cada novo nível começa com um segmento de platforming, onde teremos de derrotar alguns robots e evitar obstáculos. No final desse nível é quando temos de derrotar o boss, com o jogo a assumir as mecânicas de jogo de um fighting game. Logo na primeira fase vemos que controlar os robots é algo lento e que exige muita paciência e quando somos levados para as lutas propriamente ditas… bom é aí que vemos que o jogo é realmente muito pobre. Temos 2 botões de ataque, um de socos e outro de pontapés, mas com ambos os botões poderemos desencadear uma série de diferentes ataques, que irão depender de vários factores: alguns golpes terão de ser desbloqueados ao coleccionar pontos de experiência nos níveis de platforming, e uma vez desbloqueados muitos acabam por depender também da nossa distância em relação ao robot inimigo, mas também do nível de energia disponível, que é medido numa barra de energia mesmo abaixo da barra de vida. Com essa barra de energia muito baixa nem nos conseguimos mover, com a barra bem alta poderemos desencadear alguns golpes mais poderosos. Isto tudo são muitas variáveis para dois botões apenas! E depois os controlos são lentos, não muito responsivos e, acima de tudo, as mecânicas de detecção de colisões são horríveis. E caso não derrotemos o robot inimigo no tempo disponível, mesmo que no fim do combate tenhamos mais vida, é na mesma game over e toca a gastar continues.

No modo história antes de combater o robot inimigo temos um pequeno nível de platforming para atravessar. Se ao menos o nosso robot fosse mais ágil!

A jogabilidade é portanto muito mal implementada e desnecessariamente complicada, mas pelo menos no factor audiovisual até achei o jogo bem competente. No início e fim temos uma cutscene bem animada e visualmente impressionante, já durante o jogo, apesar de os gráficos não serem a melhor coisa do mundo, não deixam de ser minimamente atractivos, bem como a música que também me pareceu bem conseguida. A versão Mega CD que, tal como referi anteriormente se ficou apenas pelo Japão, é em tudo idêntica à versão Mega Drive, com a diferença de incluir música em formato CD Audio (que também me pareceu muito interessante).

Os combates 1 contra 1 têm as mecânicas de jogo mais desnecessariamente complicadas de sempre

Portanto este Heavy Nova é um jogo que apesar de tecnicamente trazer alguns pontos bem interessantes, peca, e muito, na sua jogabilidade, com controlos lentos, imprecisos, uma detecção de colisão horrível e falta de variedade entre robots, pois todos partilham o mesmo skill set, embora existam alguns robots que não conseguem voar. Pelo que, no caso de jogar partidas a 2, não há motivo nenhum para escolher um desses mechas. O Black Hole Assault mantém a mesma identidade visual, uma vez mais com óptimas cutscenes, mas a jogabilidade, apesar de ligeiramente melhor, continua a deixar bastante a desejar.

Altered Beast (Sega Master System)

Altered Beast foi um jogo que, apesar de não ter envelhecido lá muito bem, causou algum furor nas arcades devido ao seu conceito, onde os heróis se poderiam transformar em diferentes animais e ganhar super poderes. A versão Mega Drive foi um dos seus títulos de lançamento, tendo sido até inclusivamente distribuido com a Mega Drive em muitos mercados. Foi um jogo que até se revelou numa boa conversão face ao original e servia para mostrar o poder da consola de 16bit da Sega face à sua concorrente mais directa da altura, a NES. Eventualmente uma versão para a Master System foi também lançada, mas esta é muito mais modesta. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu no mês passado, por 5€.

Jogo com caixa e manual

Como já cá trouxe a versão Mega Drive, este vai ser mais uma rapidinha. Começamos por ver que esta versão é mais simplificada: aparecem menos inimigos no ecrã em simultâneo e os níveis foram altamente simplificados. As spirit balls, os power ups que nos deixam mais fortes até nos transformarem numa outra criatura, são agora necessários apanhar apenas duas, enquanto que precisavamos de 3 na Mega Drive. Os controlos consistem num botão para socos e outro para pontapés, sendo que temos de pressionar ambos em simultâneo para saltar (sim dava jeito outro botão no comando da Master System).

Rise from your grave! O homem não diz isso nesta versão mas eu ouço-o mentalmente

A nível gráfico, tal como referi acima esta é uma versão mais simplificada. Lembro-me particularmente do segundo nível, nas cavernas, possuir muito mais detalhe na versão da Mega Drive! O scrolling também não é fluído, nem as animações como um todo. As músicas não são desagradáveis de todo e o jogo até que vai possuindo algumas vozes digitalizadas – mas não o Rise from your grave do Zeus logo no início do jogo, o que é pena. De resto é uma adaptação algo fraca de um jogo arcade que sinceramente até envelheceu bastante mal. O seu tema da licantropia era certamente o que lhe dava mais fama mesmo na época!

PGA Tour 96 (Sega Mega Drive)

Continuando pelas rapidinhas, desta vez a mais um jogo desportivo, vamos fechar a série PGA Tour Golf na Mega Drive, com este título final na plataforma. Na verdade o desenvolvimento deste jogo até tem sido algo curioso, pois até à altura, foi o estúdio Polygames quem ficou responsável pela série, mas com este PGA Tour 96 a responsabilidade acabou de passar para a Hitmen Productions e a NulFX que tratou da conversão para a Mega Drive. A parte curiosa é que a Hitmen Productions tinha desenvolvido, em 1994, uma versão do PGA com gráficos em alta qualidade para o PC e no mesmo ano lançaram também o NBA Live 95 para a Mega Drive.  Então, escondido nesse cartucho, temos uma demo jogável muito simples que mostraria como um PGA Tour se tornaria na Mega Drive caso usassem o seu novo motor gráfico que tinha sido usado no PGA para PC, o que acabou mesmo por acontecer no ano seguinte com este PGA Tour 96. O meu exemplar foi comprado a um particular no mês passado, tendo-me custado uns 7€.

Jogo com caixa e manual

Já lá vamos aos gráficos novos, antes disso vamos comentar as novas mecânicas de jogo. Em primeiro lugar, toda a interface foi mais simplificada, tornando-a mais atractiva e funcional. Antes de efectuar cada tacada, temos na mesma de escolher o melhor taco para o efeito (o CPU geralmente já escolhe por nós), direccionar-nos de acordo com o vento e, no momento do disparo, temos na mesma uma barra de energia a 2 tempos, que nos permite escolher a potência da tacada e o seu efeito. A diferença é que a informação está toda no ecrã, mas de uma forma mais simplificada e conveniente. Isso foi um ponto muito positivo! Já no que diz respeito à variedade de circuitos, infelizmente esta versão já não inclui tantos quanto nos seus antecessores directos. No que diz respeito aos modos de jogo, estes continuam com a mesma diversidade. Temos os modo de treino que nos permitem practicar o driving range (tacada inicial) e o putting (quando estamos próximos do buraco), ou mesmo practicar buracos à escolha dos vários circuitos. Temos depois os modos mais a sério, com o Stroke Play que nos permite jogar um circuito inteiro (ou metade), o modo Tournament, mais completo ainda. No multiplayer temos o Match Play e Skins, que possui um sistema de pontuação algo diferente, mas confesso que estes nem cheguei a experimentar.

Até os menus iniciais estão visualmente bem mais apelativos!

Passando então para a parte dos gráficos e som e realmente o salto gráfico é muito interessante, mesmo considerando que o PGA Tour Golf III já possuía um grafismo bom. Este também possui sprites digitalizadas dos vários atletas disponíveis, com boa qualidade e animações. Os cenários possuem um óptimo nível de detalhe, com superfícies aparentemente em 3D e as sprites da natureza envolvente também com boa qualidade. O problema é que o jogo perde sempre uns 5 segundos ao renderizar os cenários, sempre que mudamos de posição. Isto era algo comum em jogos de golf mais antigos, mas no caso do PGA III, que também já possui sprites digitalizadas e cenários bem detalhados, mas uns furinhos abaixo deste PGA Tour 96, essas quebras já não acontecem, tornando o jogo bem mais fluído. Já no que diz respeito ao som, nada de especial a apontar, pois durante as partidas apenas ouvimos o som da natureza envolvente e o das tacadas. Já as músicas, essas apenas tocam no ecrã título e nos menus entre partidas. São músicas bastante agradáveis e relaxantes, no entanto.

As mecânicas de swing estão mais simplificadas visualmente

Portanto este PGA Tour Golf 96 é uma sequela que nos deixa com sentimentos algo mistos. Isto porque a simplificação dos menus e interface durante as partidas de golfe foram muito benvindas. Os gráficos são de facto muito bonitos, mas a demora da Mega Drive em renderizar o campo de golfe sempre que mudamos de posição deixa a experiência muito menos fluída que no seu antecessor, o PGA Tour Golf III. Aliás, este que já possuía bons gráficos e claro, bem mais circuitos onde competir também, o que também é um factor que pesa bastante no final.