Superman: The Man of Steel (Sega Game Gear)

Continuando pelas rapidinhas, mas agora pela Game Gear, vamos ficar com um jogo que sinceramente me desiludiu bastante pois acabou por ser muito pior do que o que estava à espera. Nada mais nada menos que a versão Game Gear do Superman: The Man of Steel, um conjunto de 3 jogos de mesmo nome que foram desenvolvidos para as consolas da Sega. Este meu exemplar foi-me oferecido por um amigo no passado mês de Fevereiro.

Cartucho solto

O jogo leva-nos a controlar o Super Homem ao longo de 5 níveis distintos. Antes de começar cada nível vemos sempre a primeira página do jornal “Daily Planet” que nos relata algum problema que lá teremos invariavelmente de resolver, seja uma cidade atacada por bandidos, crianças raptadas ou mesmo o rapto da Lois Lane que irá acontecer nos últimos níveis.

O primeiro nível possui muito menos detalhe gráfico do que a versão Master System, o que sinceramente não se compreende

Os controlos são aparentemente simples. O botão 2 serve para distribuir socos, enquanto que o botão 1 serve para saltar e, caso o mantenhamos pressionado, poderemos voar também. À medida que vamos jogando poderemos ver símbolos do super homem vermelho ou azuis que poderemos apanhar. Os vermelhos restabelecem parte da nossa barrade vida, já os azuis dão-nos alguns poderes temporários, como a possibilidade de dar socos mais fortes ou disparar raios laser, embora isto apenas possa ser feito quando voamos. Até aqui tudo bem mas o jogo torna-se extremamente frustrante assim que o começamos a jogar. Os socos têm um alcance muito curto e todos os inimigos devem estar banhados em kryptonite pois para além de precisarem de vários golpes para serem destruídos, rapidamente nos causam dano considerável se não tivermos cuidado. E esta versão Game Gear é especialmente vulnerável a isso devido ao seu ecrã e resolução menores, pois o Super Homem até que é bastante rápido e os inimigos rapidamente surgem no ecrã, não nos dando grande tempo de reacção. A parte inicial do terceiro nível é especialmente frustrante, pois temos de voar num túnel de metro a grande velocidade, esquivando-nos de projécteis e tentando apanhar medkits pelo caminho para ir restabelecendo parte da barra de vida. Em suma não é um jogo muito divertido.

O início do terceiro nível é um exercício de frustração onde voamos num túnel a alta velocidade, tentando contornar obstáculos, projécteis inimigos e apanhar medkits

Graficamente até que é um jogo colorido e bem detalhado, embora a versão Master System seja superior nesse aspecto. Não só pelo seu ecrã e resolução maior, mas também pelo facto de, pelo menos no primeiro nível, a versão Master System possuir um maior detalhe gráfico no background. As músicas não são nada de especial.

Portanto estamos aqui perante um jogo de acção que poderia e deveria ser muito melhor. É um jogo frustrante e difícil particularmente se considerarmos que o Super Homem, que deveria ser quase invencível, é extremamente vulnerável. E tal como referi acima, a versão Game Gear, devido ao seu ecrã e resolução menores, ainda agrava mais este problema. Não é um jogo que recomende.

Mega Man: The Wily Wars (Sega Mega Drive)

Mega Man (ou Rockman no Japão), foi uma das séries mais populares da Capcom que surgiu originalmente em 1987 na NES. São tipicamente jogos de acção/plataforma em 2D com um setting futurista, não fossem os principais protagonistas, heróis e vilões, cientistas ou robots. A série foi tão popular que só a NES recebeu 6 jogos da mesma, entre 1987 e 1993. A partir desse ano começaram no entanto a surgir várias outras subséries dentro do mesmo universo como Mega Man X, Legends, Zero ou ZX, já para não referir os inúmeros Battle Networks. Por acaso nunca tinha trazido cá nenhum jogo da série original até agora, até porque todos o que possuo na colecção compilações, pelo por enquanto. Este The Wily Wars acaba também por ser uma conversão musculada dos primeiros 3 Mega Man da NES, mas com algum conteúdo adicional que irei detalhar mais à frente. Este artigo fará então uma análise muito breve aos jogos aqui incluídos e às novidades que foram sendo introduzidas a nível de jogabilidade de título para título.

Collectors Edition da retro-bit com inúmeros extras

Em relação ao The Wily Wars em si, este foi o primeiro lançamento da série Mega Man a chegar a um sistema da Sega, nomeadamente a Mega Drive. Aparentemente a Capcom terceirizou o seu desenvolvimento que acabou por se tornar bastante atribulado, o que levou a que o próprio Keiji Inafune (criador da série) a envolver-se pessoalmente no processo. Esta compilação acabou então por ser lançada em 1994 nos vários mercados, embora nos Estados Unidos o jogo tenha sido lançado exclusivamente no serviço do Sega Channel. Este era uma subscrição em que os consumidores de televisão por cabo poderiam ter acesso a vários jogos da Mega Drive que seriam descarregados para a consola. Era um sistema inovador para a época mas ainda muito primitivo, até porque os jogos descarregados seriam apagados sempre que a consola fosse desligada, por exemplo. Ora isso levou a que esta compilação se tornasse bastante coleccionável, particularmente pelos norte-americanos que não chegaram a ter acesso a este jogo por vias de retalho normal, inflaccionando bastante seu o preço nos círculos habituais. Felizmente que a empresa norte-americana retro-bit, que já há alguns anos que tem vindo a relançar, de forma legítima, certos jogos para sistemas retro, relançaram, no final de 2021, uma nova edição física deste título. Naturalmente, sendo devidamente licenciada pela Capcom, tornou-se numa óptima maneira de ter acesso a este lançamento de forma legítima e bem mais económica. O meu exemplar foi-me cedido por um amigo que por engano comprou 2 unidades. Custou-me 75€, sendo esta uma das edições limitadas da retro-bit que inclui muito conteúdo adicional.

Podemos escolher quais dos 3 Mega Man jogar em qualquer ordem. Uma vez terminado todos, desbloqueamos a Wily Tower

Os jogos da série Mega Man decorrem no futuro, algures nos anos 20XX, onde o brilhante cientista Dr. Light criou uma série de robots que ajudam a humanidade a progredir. No entanto, a certa altura todos esses robots passam a ser hostis para com os humanos, com o rival Dr. Wily a estar por detrás desse ataque. O Dr. Light cria então um novo robot super poderoso, o tal Mega Man, que iremos protagonizar. No primeiro jogo, teremos primeiro de enfrentar 6 Robot Masters, para depois enfrentar o próprio Wily em seguida. Esta trama vai-se repetindo de forma algo idêntica nas suas sequelas.

Num dos níveis do MM1 poderemos encontrar o Magnet Beam, que nos dará um jeitaço nalguns desafios

A jogabilidade é simples, com um botão para saltar e um outro para que Mega Man dispare com a sua arma, o mega buster. O jogo tem um progresso inicialmente não linear, pois podemos escolher livremente a ordem pela qual queremos jogar cada nível e enfrentar os seus robot masters no final dos mesmos. Outra particularidade chave é que, após derrotar um robot master herdamos as suas habilidades, nomeadamente as suas armas. Estas podem ser escolhidas através de um terceiro botão que lança um menu com o nosso inventário disponível no momento, onde poderemos escolher que habilidades equipar. O mega buster, a tal arma que temos por defeito, possui munições infinitas. Já qualquer outra das habilidades gasta energia, visível através de uma barra de energia no canto superior esquerdo e que pode ser restabelecida ao apanhar uns certos power ups para o efeito. Neste MM1 poderemos ainda encontrar o Magnet Beam, uma arma que não causa dano, mas permite-nos criar algumas plataformas temporárias, uma habilidade que nos dará imenso jeito em certas ocasiões.

Tal como as versões da NES, não esperem por sprites lá muito grandes.

Um detalhe interessante que é válido para todos os Mega Man presentes nesta compilação é o facto de os bosses serem susceptíveis ao dano inlfligido por uma arma específica de um outro boss. Por exemplo, a arma que herdamos do Elecman causa muito mais dano se a usarmos no Iceman, que por sua vez a sua arma causa bastante dano no Fireman. Portanto atacar os níveis por uma certa ordem pode ser muito vantajoso! Uma vez derrotados todos os Robot Masters teremos alguns níveis adicionais com novos bosses, inclusivamente os próprios Robot Masters que teremos de enfrentar novamente, algo que se repetirá nos jogos seguintes. Só mesmo no fim é que iremos enfrentar o Dr. Wily. De resto, por norma todos os Mega Man são jogos desafiantes, que exigem um platforming preciso pois os níveis estão repletos de inimigos e outros perigos que nos retiram uma vida imediatamente, como cair em abismos sem fundo ou tocar em espinhos nas superfícies. Segmentos como aqueles onde teremos plataformas que aparecem e desaparecem dentro de uma sequência própria sempre foram frustrantes!

A partir do MM2, podem contar com 8 Robot Masters em vez de 6. A ordem pela qual os atacamos continua ser inteiramente de livre escolha

O Mega Man 2 mantém a mesma jogabilidade base, aumentando o número de Robot Masters de 6 para 8, aumentanto portanto o número de diferentes armas que teremos acesso. Derrotando alguns Robot Masters específicos dá-nos também acesso a outros equipamentos adicionais, os Item 1, 2 ou 3. Estes permitem-nos criar diferentes tipos de plataformas, habilidades que darão imenso jeito para atravessar certas secções, ou apanhar alguns power ups que são de outra forma inatingíveis. A partir deste Mega Man 2 poderemos também passar a encontrar e armazenar Energy Tanks, capazes de restabelecer toda a nossa barra de vida. O Mega Man 3 leva-nos uma vez mais a enfrentar 8 novos Robot Masters. É aqui que é introduzido o Proto Man, um protótipo criado antes do Mega Man e que aqui surge como um rival, mas não necessariamente um vilão. O cão robot Rush também é introduzido e tal como os Item 1, 2 e 3 do jogo anterior, o Rush aparece como dando-nos habilidades adicionais como um jetpack, por exemplo. O Mega Man 3 introduz também a habilidade de slide, sendo activada ao pressionar baixo e o botão de salto, sendo uma habilidade que também dará muito jeito, particularmente no confronto contra os bosses.

Como é habitual nesta série, contem com vários desafios de platforming. Usar o equipamento que vamos encontrando de forma inteligente será também uma grande ajuda em certos momentos.

Uma vez terminados todos os jogos (e se jogarem em emulação tenham em conta que nem todos os emuladores suportam saves para EEPROM – algo que a versão original europeia do jogo contém, pelo que é melhor usarem uma ROM modificada) teremos então acesso ao conteúdo inteiramente novo, a Wily Tower. Esta é composta por 3 níveis com novos robot masters e posteriormente mais uma Wily Tower onde iremos percorrer mais alguns níveis e defrontar novamente o cientista maléfico. Não temos no entanto nenhumas armas ou equipamento novo para descobrir. O twist é que, antes de começar cada nível, poderemos escolher livremente um conjunto de 8 armas e 3 itens dos jogos anteriores!

Depois de derrotar os Robot Masters temos sempre a base do Dr. Wily para explorar que é naturalmente bem mais desafiante

No que diz respeito aos audiovisuais, não esperem que esta compilação seja um remake, pois acaba mais por ser uma conversão dos originais da NES com algum conteúdo extra à mistura. Com isto quero dizer que não esperem por sprites e cenários super bem detalhados como os Mega Man X da SNES, mas sim por sprites com mais ou menos as mesmas dimensões e detalhe dos lançamentos originais de NES, o que é pena. Os cenários estão mais coloridos e têm mais detalhe que os originais, mas a Mega Drive é capaz de muito melhor. É uma pena que este título não tenha sido mesmo desenvolvido pela própria Capcom e sim por um outro estúdio anónimo e subcontratado, pois a Mega Drive merecia melhor. Até a performance por vezes leva uma grande pancada, com muita lentidão quando há mais inimigos no ecrã do que é habitual. Aparentemente este lançamento da retro-bit corrige, ou atenua esse problema, mas lá está, eu usei mesmo a ROM PAL original para o jogar, pelo que não posso comentar. As músicas dos títulos originais estão também aqui presentes e, apesar de não serem más, eu sou um fã confesso das capacidades chiptune da NES, mas também das da Mega Drive, quando usadas devidamente, conseguem produzir algumas músicas avassaladoras. Infelizmente também não é esse o caso, mas as músicas não são más de todo e a Wily Tower traz também músicas novas.

Digam isso às inúmeras sequelas…

Portanto estamos aqui perante uma compilação interessante que inclui 3 clássicos absolutos da NES, mais a Wily Tower, um conjunto de níveis inteiramente novo. O pessoal mais purista não gosta muito destas versões da Mega Drive por existir algum input lag, ou a já referida lentidão ocasional (que aparentemente foi atenuada neste relançamento da retro-bit). O facto de a performance não ser a melhor e os audiovisuais, apesar de não serem maus, estarem muito aquém do que a Mega Drive consegue fazer, particularmente para um lançamento de 1994, não deixam de salientar uma oportunidade perdida de se fazer algo muito melhor. Ainda assim não deixa de ser um óptimo título, atenção.

Dr. Robotnik’s Mean Bean Machine (Sega Game Gear)

Continuando pelas rapidinhas mas apontando agora as baterias para a Game Gear, vamos ficar com uma das iterações 8bit do reskin de Puyo Puyo com personagens do universo Sonic the Hedgehog, nomeadamente com as personagens de uma das séries de animações do ouriço que me lembro de dar na TV portuguesa nos anos 90. O meu exemplar veio parar à minha colecção através de um amigo meu já no final do mês passado de Fevereiro.

Cartucho solto

E Puyo Puyo é uma série de jogos puzzle onde teremos de juntar uma série de slimes coloridas (aqui neste jogo chamadas de feijões) que descem no ecrã aos pares e cada vez que consigamos juntar conjuntos de 4 ou mais puyos da mesma cor, estes desaparecem e fazem com que os puyos que eventualmente estivessem acima de si desçam, potenciando eventuais combos. Combos esses que darão muito jeito pois fazem com que mandemos “lixo” para o nosso oponente, que são na verdade puyos transparentes que apenas desaparecem caso algum conjunto de puyos que lhes sejam adjacentes desapareça também. Naturalmente o nosso oponente também poderá fazer o mesmo.

No modo história teremos todos estes opontentes para enfrentar

Esta versão da Game Gear possui dois modos de jogo distintos. O principal é o Scenario Mode onde iremos defrontar vários dos robots do Dr. Robotnik e que apareciam nessa série de animação, até que enfrentaremos o próprio Robotnik também. O segundo modo de jogo é um Puzzle Mode, que nos apresenta uma série de desafios onde o ecrã já se encontra parcialmente preenchido com alguns puyos e que teremos de ultrapassar no menor número de jogadas possível. Por exemplo, limpar o ecrã de todos os puyos de uma cor, conseguir obter uma série de combos, entre outros. No que diz respeito ao multiplayer, esta versão Game Gear tem um modo para dois jogadores que obriga ao uso de um cabo de ligação para duas Game Gears e que naturalmente não cheguei a experimentar.

A jogabilidade é simples, porém viciante e é dos jogos que se adequam perfeitamente a portáteis

Graficamente é naturalmente um jogo muito mais simples que a sua versão Mega Drive. Ainda assim, sendo um puzzle game não é necessário grande detalhe gráfico e a Game Gear sendo uma portátil a cores já representa uma boa vantagem em relação à Game Boy clássica onde os Puyos teriam de ser representados em diferentes tonalidades de cinzento. Já no que diz respeito às músicas, bom a banda sonora não é muito extensa e devo dizer que também não é das mais agradáveis.

Para além do modo história, o modo puzzle oferece-nos uma série de desafios adicionais

Portanto este Dr. Robotnik’s Mean Bean Machine para a Game Gear é um óptimo puzzle game para quem estiver cansado do Columns. A Game Gear, no Japão, ainda recebeu ainda mais uns quantos outros jogos Puyo Puyo que infelizmente nunca chegaram a sair no ocidente, o que é pena.

Demons of Asteborg (Sega Mega Drive)

Videojogos homebrew para consolas retro não são uma coisa nova. Desde que vim a descobrir com mais atenção o admirável mundo novo da emulação no final da década de 90 e inícios dos anos 2000 que volta e meia me deparava com roms catalogadas como PD, ou Public Domain. Tirando uma ou outra excepção, como o caso do Zero Tolerance em que os seus autores decidiram tornar o jogo freeware, disponibilizando uma ROM para download no seu website, todos os outros eram pequenos títulos ou demos técnicas desenvolvidos por amadores. No entanto, com a crescente popularização do retrogaming, começaram a surgir pessoas que para além de criarem os seus próprios jogos, também começaram a produzir e comercializar cartuchos com os mesmos. No caso da Mega Drive, recordo-me de ver alguns lançados originalmente de forma não licenciada no mercado chinês nos anos 90, a receberem traduções para inglês e lançamentos em cartuchos, a começar no ano de 2006, com o lançamento de Beggar Prince. Mais alguns títulos chineses nos anos seguintes e em 2010 surge a infame Watermelon com o seu muito aclamado Pier Solar (que eu tenho mesmo de jogar um dia destes!). A pouco e pouco o comboio foi ganhando cada vez mais ímpeto e nos últimos 4 anos tivemos dezenas de novos lançamentos em formato físico para a Mega Drive. Este Demons of Asteborg, o primeiro jogo produzido pelos franceses da Neofid Studios, foi lançado em 2021 após uma campanha de kickstarter. E revelou-se numa excelente surpresa! O meu exemplar foi comprado a um particular por cerca de 20€, o que se revelou num excelente preço.

Jogo com caixa, manual e stickers. O postal, cartas e stickers restantes creio que seriam bónus para quem tivesse feito a pré-reserva, pois não é suposto virem junto do jogo base e realmente vieram embrulhados num saquinho à parte quando o jogo me chegou às mãos

Vamos começar pela história. Demons of Asteborg é um jogo de fantasia medieval, que decorre precisamente na terra de Asteborg, onde humanos e demónios há muito que se defrontavam numa guerra sangrenta. Eventualmente os humanos arranjaram forma de exilar os demónios numa outra dimensão, voltando a trazer a paz aos seus habitantes. Nós controlamos o Gareth, órfão que acabou por ser criado (e treinado) por Bohort, um importante e poderoso guerreiro. E quando Gareth já é crescido, eis que os demónios conseguem arranjar forma de escaparem da sua prisão e invadem novamente Asteborg, aterrorizando tudo e todos. Claro que nos caberá a nós o papel de os combater a todos!

As animações estão muito bem detalhadas!

Ora este é então um jogo de acção em 2D sidescroller que, apesar dos seus criadores dizerem que contém elementos de metroidvania, isso acaba por não ser bem verdade, pois o jogo é bastante linear (embora existam áreas de exploração um pouco mais aberta) e acima de tudo dividido em níveis. Mas não deixou de ser uma óptima surpresa a meu ver! Mas vamos começar pelo básico, ou seja, pelos controlos. O botão A serve para atacar com a espada, botão B para saltar e o C para usar magias que tenhamos eventualmente desbloqueado. Mas Gareth é um guerreiro bastante ágil, pelo que poderemos também saltar entre paredes, ou fazer uma espécie de roll com B e baixo, permitindo-nos desviar rapidamente de ataques inimigos. E caso tenhamos desbloqueado esse ataque, poderemos ao saltar, pressionando A e baixo, lançar um ataque inferior que nos faz ganhar alguma altura adicional ao atacar os inimigos e com isso alcançar zonas que de outra forma não conseguiríamos lá chegar. Mais perto do final do jogo iremos jogar momentanteamente com outras personagens e o próprio Gareth, sem querendo estragar a surpresa, irá também ganhar habilidades diferentes.Cada nível terá os seus desafios tanto de platforming com puzzles à mistura, como de combate, existindo zonas em que só nos permitem avançar caso derrotemos todos os inimigos no ecrã.

As magias que iremos desbloquear terão de ser usadas para progredir no nível, mas também no combate contra o boss.

Em cada nível vamos ter também acesso a diferentes magias que nos conferem habilidades distintas e essas terão de ser usadas não só na exploração dos cenários para resolver certos puzzles, mas também para defrontar o boss que iremos encontrar. Alguns exemplos: a primeira magia que encontramos permite-nos lançar um projéctil mágico de médio alcance e isso terá de ser usado não só para soltar algumas plataformas suspensas no ar, mas também para atacar o primeiro boss ao fazer com que uma guilhotina lhe caia em cima no momento certo. A segunda magia é um escudo momentâneo que, quando activado emite um campo de força capaz de repelir objectos. Os desafios de platforming que teremos pela frente vão-nos obrigar a usar esse escudo para redireccionar algumas bombas para locais específicos para que estas ao explodir, nos desbloqueiem o caminho. O boss, uma espécie de lobisomem, irá obrigar-nos a usar esta habilidade para reflectir as facas que ele nos atira directamente de volta para si mesmo. Outras magias são, por exemplo, o poder de lançar fogo, andar pelo ar, parar o tempo, ou até controlar temporariamente certos inimigos. Esta última achei bastante interessante pois para além de a termos de usar para ultrapassar certos obstáculos no platforming, quando chegamos ao boss, que é um esqueleto gigante, teremos de controlar uma das suas mãos e usá-la para dar murros na sua cabeça.

Ghouls ‘n Ghosts foi sem dúvida uma das inspirações deste nível

Usar as magias requer mana e, apesar de podermos ocasionalmente encontrar garrafas com um líquido azul que nos regeneram a barra de mana, esta acaba também por regenerar automaticamente com o tempo. Outros power ups incluem garrafas com líquido vermelho que nos regeneram a barra de vida, outras que nos dão invencibilidade temporária, vidas extra, ou itens com a forma de um raio que são na verdade ataques especiais que poderemos desencadear com baixo + C. Itens como pontos vermelhos dão-nos pontos e depois poderemos encontrar também várias moedas ou jóias que nos dão dinheiro. Entre cada nível podemos visitar uma loja que nos permite precisamente comprar novos itens ou habilidades novas como vidas extra, novos ataques e combos, a possibilidade de extender a barra de vida, regenerar a barra de mana mais rápido, entre outros. Portanto estavam aqui todos os ingredientes reunidos para se fazer um metroidvania, mas infelizmente isso não aconteceu. No fim de cada nível desaprendemos a magia e lá teremo s de encontrar uma nova no nível seguinte. É verdade que o jogo possui puzzles, desafios de platforming e confrontos contra bosses muito bem feitos que requerem estas habilidades, mas seria muito interessante poder-se fazer algumas misturas e poder alternar entre magias livremente. Antes de avançar, só um ponto que não gostei lá muito. A maior parte dos bosses são autênticas esponjas de dano e, mesmo depois de entendermos qual a estratégia a adoptar para lhes causar dano, vão demorar imenso tempo a morrer.

Para derrotar os bosses também teremos de usar as magias que aprendemos naquele nível. Pena que alguns sejam autênticas esponjas de dano!

No que diz respeito aos audiovisuais, devo dizer que gostei bastante do que a Neofid conseguiu implementar aqui. Por um lado o jogo possui visuais medievais algo sinistros e que muito fazem lembrar jogos como Ghouls ‘n Ghosts ou até o Castlevania (aliás o nível no castelo é mesmo uma grande homenagem a Castlevania, até as medusa heads e esqueletos que atiram os seus próprios ossos lá estão!). E essa direcção artística numa onda mais dark fantasy sempre foi algo que gostei. Mas para além disso, o jogo possui, na maior parte do tempo, gráficos muito bem detalhados, tanto nos níveis com as suas múltiplas camadas de parallax scrolling, como no detalhe e animações de personagens principais e certos inimigos. Há um ou outro nível se calhar menos trabalhado, mas no geral acho que a Neofid fez um óptimo trabalho na parte gráfica. É que também ao optar por tons mais escuros nos gráficos, acaba também por ser uma óptima maneira de camuflar as limitações da própria Mega Drive, cujo hardware não consegue apresentar, nativamente, mais do que 64 cores em simultâneo no ecrã. As músicas são também bastante variadas e agradáveis. Alguns dos temas fazem-me lembrar de forma imediata as músicas enérgicas, com melodias sonantes e ocasionalmente com alguns arranjos mais sinistros dos Castlevania, outras como o tema dos bosses ou quando apanhamos um power up de invencibilidade são bem mais rock. Ou a música super tensa, mas em crescendo, do nível da caverna! Há aqui uma boa variedade e criatividade e a Neofid conseguiu tirar bom proveito do chip de som da Mega Drive.

A escolha de cores em usar apenas tons mais escuros foi sem dúvida uma opção acertada

Portanto este Demons of Asteborg, apesar de não ser um jogo perfeito, acabou por se revelar numa excelente surpresa. Gostei de todas as mecânicas de jogo que a Neofid introduziu em cada um dos níveis e este acaba por se revelar num jogo de acção 16bit muito competente e que nada fica a dever aos bons títulos que a Mega Drive recebeu ao longo do seu ciclo de vida normal. Acho que este universo Asteborg tem margem para crescer e muito recentemente a Neofid anunciou que irá criar mais dois Kickstarters em breve para financiar dois novos jogos (uma vez mais com a velhinha Mega Drive no centro das atenções) neste universo. O primeiro será um roguelike para 2 jogadores chamado Astebros, já o segundo jogo será aparentemente um metroidvania no mesmo universo. E depois do que vi neste Demons of Asteborg, estou convencidíssimo que esta equipa conseguirá fazer um metroidvania bem competente se assim o quiserem. Os ingredientes já estão cá todos, é só juntar. Será uma campanha de kickstarter que irei acompanhar sem dúvida!

Alex Kidd: High-Tech World (Sega Master System)

O Alex Kidd foi uma das tentativas da Sega nos anos 80 de criar a sua própria mascote para fazer concorrência ao Mario da Nintendo. Enquanto que o seu primeiro jogo, Alex Kidd in Miracle World, era um jogo de plataformas competente e com alguma originalidade, não chegou a ter o mesmo sucesso que o Super Mario Bros. da concorrência. A série Alex Kidd veio a receber mais uns quantos jogos nos anos 80 e inícios de 90, curiosamente todos eles bastante diferentes entre si. Este High Tech World é de longe o mais diferente, sendo primariamente um jogo de aventura. E isto acontece porque na verdade, no Japão, este jogo foi lançado como sendo Anmitsu Hime, uma adaptação de um anime de mesmo nome. Como o anime não era nada conhecido fora do Japão, a Sega decidiu relançar o jogo no ocidente, trocando-lhe o protagonista pelo Alex Kidd e adaptando um pouco da sua história. O meu exemplar foi comprado a um particular no passado mês de Janeiro por 12€.

Jogo com caixa

Nós controlamos o jovem Alex Kidd que descobre que na aldeia mais próxima abre uma nova arcade com jogos da Sega. Cheio de vontade para ir jogar umas partidas de Out Run, Hang On ou Space Harrier, teremos de percorrer todo o castelo onde nos encontramos para obter um mapa que nos indique a posição da arcade, arranjar forma de escapar do castelo e viajar até à aldeia. Tudo isto tem de ser feito antes das 17:00, hora em que o centro arcade fecha. Começamos o jogo às 9:00 em ponto, pelo que teremos de nos despachar.

A exploração do castelo é como um jogo de aventura gráfica, onde teremos de interagir com inúmeros objectos, pessoas e resolver alguns pequenos puzzles.

O objectivo da primeira parte do jogo será então o de explorar o castelo, falar com os seus habitantes e explorar os cenários, de forma a que consigamos recolher as 8 peças do mapa. Por vezes teremos de realizar algumas tarefas como passar num exame escolar, adivinhar os nomes das criadas lá do castelo, telefonar e pedir uma pizza ou um item que restaura um papel queimado para a sua forma original. Mas o castelo tem também as suas armadilhas (como apanhar um choque eléctrico ou cair por umas escadas partidas), pelo que poderemos chegar a um game over caso nos descuidemos. Após completar o mapa teremos de arranjar forma de sair do castelo, o que nos obrigará a mais alguma exploração adicional. Quando conseguimos finalmente escapar, o jogo atribui-nos uma password e avançamos para a fase seguinte.

Uma das tarefas que temos de completar é um teste escolar. Algumas perguntas são de cultura geral, outras de cultura geral da SEGA!

O nível seguinte é um nível de platforming clássico, onde teremos de atravessar uma floresta repleta de ninjas e outras criaturas, com um dos botões faciais a servir para saltar, o outro para que Alex Kidd atire shurikens. Tal como no Miracle World, basta sofrermos dano uma vez para ser game over. Os inimigos que vamos matando vão largando dinheiro que poderemos e deveremos coleccionar pois assim que chegamos à aldeia vemo-nos perante mais uma zona de aventura. O objectivo aqui é o de arranjar um passe que nos permita atravessar um checkpoint de segurança. Pelo caminho podemos visitar várias casas e lojas, falar com os seus habitantes e comprar/vender itens. Haverá várias maneiras de arranjar o passe, incluindo algumas acções que nos levam a um game over. Por exemplo, na loja de livros podemos comprar um livro que nos ensina a falsificar um passe e na loja de penhores poderemos comprar uma impressora. Nas casas ao lado poderemos falar com um indivíduo algo suspeito que nos cria o passe falso mas se tentarmos atravessar o checkpoint os guardas apercebem-se que o passe é falso e prendem-nos, levando a um game over. Após esta fase teremos ainda mais um nível de plataformas e só depois é que chegamos ao final do jogo. Qualquer game over a seguir a sair do castelo obriga-nos a recomeçar desde o nível de plataformas na floresta, até porque essa é a única altura onde nos é atribuída uma password.

Entre as zonas de aventura teremos níveis de platforming

Graficamente este é um jogo muito simples. É curioso que tanto o castelo e a aldeia tenham um aspecto muito de Japão tradicional (o facto de temos ninjas a atacar-nos nos níveis de plataformas também) e isso deve-se ao jogo original, Anmitsu Hime, ter como protagonista uma princesa japonesa em tempos (creio eu) antigos. No entanto vamos poder ver TVs, computadores e claro, o tal centro arcade se conseguirmos chegar ao fim do jogo, o que é um contraste algo estranho. Por outro lado, as músicas também não são nada de muito especial, sinceramente e curiosamente este é mais um título em que mesmo a versão japonesa para a Mark III não possui suporte ao som FM.

Guardas inúteis que nem reconhecem o coitado do Alex Kidd que é só o príncipe lá do sítio

Portanto este é sem dúvida o jogo Alex Kidd mais bizarro que existe (pelo menos contando apenas com os que chegaram até ao ocidente). Como jogo de aventura é algo simples e vai-nos obrigar a muita tentativa/erro, pelo menos durante o nível do castelo, até entendermos qual a ordem dos acontecimentos que teremos de seguir para obter as peças do mapa. A maior não linearidade do nível da aldeia agradou-me mais como jogo de aventura. Entendo o porquê da Sega ter lançado o jogo no ocidente para diversificar o número de jogos de aventura no catálogo da Master System e o facto de terem substituído a personagem principal pelo Alex Kidd, para chamar um pouco mais à atenção. No entanto o produto final acaba por ser um pouco estranho. O Spellcaster é, a meu ver, um melhor híbrido entre um jogo de aventura e acção. Para quem quiser jogos puramente de aventura e ainda dos anos 80, temos uma conversão do primeiro King’s Quest ou Where in the World is Carmen Sandiego, embora nenhum tenha saído em solo europeu, infelizmente. O Japão também recebeu uns quantos exlusivos, que gostaria de cá trazer um dia.