Out Run Europa (Sega Game Gear)

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Voltando agora às rapidinhas, o jogo que cá trago é daqueles que destoam dentro de uma franchise bem conhecida e de sucesso. O Out Run original deveria dispensar quaisquer apresentações apresentações e após a U.S. Gold e Probe terem desenvolvido as conversões para a maioria dos microcomputadores populares na Europa, lá devem ter conseguido algum acordo com a Sega para desenvolverem um jogo inteiramente novo. O resultado final saiu em 1991, para uma panóplia de diferentes microcomputadores e para as consolas de 8bit da Sega. O meu exemplar da Game Gear custou-me 5€ e foi comprado há uns meses atrás na cash converters do Porto.

Jogo com caixa

Ao contrário dos OutRun mais convencionais, este jogo, tal como Battle Out Run, acaba por ser bem mais inspirado no Chase H.Q. embora tenha mais algumas influências do Out Run. Já passo a explicar. Basicamente a nossa personagem é o espião Simeon Kurtz, que persegue pela Europa uns criminosos de elite que roubaram documentos secretos. Até aqui tudo bem, vamos passeando ao longo de vários países europeus como Inglaterra, França, Espanha, Itália ou Alemanha, a bordo de diferentes veículos como uma moto, um Ferrari Testarossa, Porsche, ou mesmo um barco ao atravessar o Mediterrâneo.

Começamos por fugir de Londres numa moto, podendo dar pancada como no Road Rash!
Começamos por fugir de Londres numa moto, podendo dar pancada como no Road Rash!

A jogabilidade é algo estranha, mas já a passo a explicar. Olhando para o ecrã há 3 itens que devemos ter em consideração. O primeiro é o nosso escudo. Basicamente por cada tiro que recebemos ou colisão causada por carros inimigos, os nossos escudos diminuem. Ao passar por checkpoints ou no final de cada nível estes vão sendo restaurados em parte. Depois temos o número de balas e de turbos disponíveis, estes já podem ser apanhados como power-ups que vão sendo largados na estrada. Com estas 3 peças já estão mais ou menos a ver o que vos espera. Out Run Europa é então um jogo de corridas mas também com foco no combate. Carros inimigos e até carros da polícia vão tentar nos albarroar e/ou prender. O nível das motos até se comporta como uma espécie de Road Rash, pois podemos dar socos às motos dos nossos oponentes. Noutros podemos disparar tiros de pistola, onde muitas vezes um é suficiente para fazer explodir o carro adversário. Nos níveis onde atravessamos o mar podemos ter de enfrentar também helicópteros. E nem todos os veículos que se atravessam no nosso caminho são de maus da fita. Alguns são meros civis que apenas nos atrasam se batermos contra eles e não nos dão quaisquer pontos se forem destruídos. O melhor é evitá-los! Os turbos devem também ser aproveitados da melhor forma, pois também corremos contra o relógio e os obstáculos que enfrentamos ainda são bastantes. Por fim, às vezes teremos algumas bifurcações no caminho a escolher, um dos caminhos é mais curto mas difícil, outro mais longo mas com menor dificuldade.

Paris é atravessada à noite!
Paris é atravessada à noite!

Graficamente é um jogo que me deixa com alguns sentimentos mistos. Por um lado é extremamente bem detalhado. As estradas possuem àrvores ou casas grandes e bem detalhadas, por vezes temos até lagos de um lado e rochas do outro, os backgrounds vão sendo variados, identificando diferentes regiões de vários países europeus. É um jogo visualmente bonito, mas a custo de um framerate não tão bom. Fico bastante curioso em ver a versão Amiga a correr, pois nos screenshots parece ser excelente. As músicas, muito sinceramente gosto de duas, as restantes já não achei grande piada.

Out Run Europa é um daqueles jogos que por muitas vezes é considerado a ovelha negra da série. No entanto, e apesar de o achar realmente diferente do resto da série, acho que até acaba por ser um jogo esforçado. Simplesmente por vezes parece ser demasiado ambicioso para um sistema como a Master System ou Game Gear. Mas estou mesmo curioso com a versão Amiga.

Turbo OutRun (Sega Mega Drive)

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OutRun é um clássico que dispensa apresentações, uma obra prima de Yu Suzuki. E depois de inúmeras conversões para os mais variados sistemas, ou lançamento de várias sequelas espirituais para a Master System, podemos considerar este Turbo OutRun como a primeira verdadeira sequela do clássico das arcades, pois foi produzido também pela AM2. No entanto era uma experiência bem mais linear que o original e infelizmente a conversão para a Mega Drive também não foi propriamente a melhor, mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado a um particular no final de 2016, tendo-me custado 15€.

Jogo com caixa e manual. Curiosamente esta conversão nunca saiu nos Estados Unidos

Aqui o conceito do jogo leva-nos desta vez a participar numa viagem pelos Estados Unidos da América, começando por Nova Iorque e atravessando vários estados até chegar a Los Angeles. A primeira coisa que reparamos é precisamente na linearidade do jogo, não existindo mais bifurcações nos caminhos. Vamos no entanto fazer algumas pausas ao longo do trajecto, onde poderemos escolher um de 3 upgrades disponíveis para o nosso carro: melhor motor, melhores pneus ou um turbo superior. Turbo? Sim, o nosso Ferrari F-40 está equipado com um boost que nos permite atingir velocidades vertiginosas. Deve no entanto ser usado com prudência pois corremos o risco de entrar em sobreaquecimento e depois sermos penalizados a conduzir lentamente até o carro recuperar. Há também outros obstáculos que nos podem atrasar, como sinais de trânsito ou mesmo carros de polícia que se tentam atravessar no nosso caminho.

Abusar do turbo resulta em sobreaquecimento do carro. Mesmo na neve!
Abusar do turbo resulta em sobreaquecimento do carro. Mesmo na neve!

É então um jogo bem mais linear que o original, onde a única escolha que fazemos é qual o upgrade queremos escolher em cada pausa. Nem a música podemos escolher, pois cada segmento tem a sua própria música. Mas no entanto, mesmo sendo um jogo linear, não deixava de ser tecnicamente impressionante nas arcades. A sua técnica de sprite scaling foi mais uma vez bem usada, resultando em circuitos bem detalhados e uma excelente sensação de velocidade. Para além disso o jogo introduziu efeitos atmosféricos como chuva, neve ou tempestades de areia. Esta versão para a Mega Drive trouxe tudo isso, mas tal como na conversão do OutRun original tiveram de ser feitos alguns sacrifícios, pelo que os gráficos não são tão bons e as músicas infelizmente também não. A certas alturas até parece ser uma conversão que ficou uns furos abaixo da do OutRun original, algo que certamente é explicado por ter sido a Tiertex e não a Sega a tratar da conversão.

Apesar de tecnicamente esta conversão para a Mega Drive não ser a mais desejável, e mesmo este Turbo OutRun ser um jogo bem mais linear que o original, sem o mesmo apelo de uma viagem descontraída, não deixa de ser um bom jogo de corridas. E acreditem, no universo de OutRun há muito pior.

Olympic Gold (Sega Mega Drive)

47842_frontPara continuar com as rapidinhas, de forma a colmatar um pouco a minha inactividade nos últimos tempos, vou trazer cá mais um jogo desportivo. Na verdade este Olympic Gold, que era o videojogo oficial dos Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992 acaba por ser a segunda versão que venho a ter do mesmo jogo. A primeira tinha sido para a Master System e pode ser lida aqui. Esta versão Mega Drive possui o mesmo conteúdo, mas com gráficos e som muito superiores. O meu exemplar veio da feira da Vandoma no Porto, tendo sido comprado em bundle que acabou por me ficar por 2.5€ por cada jogo. Edit: Neste mês de Fevereiro de 2020 arranjei uma cópia completa numa feira de velharias por 2€.

Jogo com caixa e manual

Tal como referido acima, aqui temos as mesmas 7 modalidades para competir, entre as quais a corrida de 100 metros, ou 110m barreiras, 200m de natação, mergulho, tiro com flecha, salto à vara ou lançamento do martelo. E como seria de esperar desde o Track & Field, todos os eventos consistem em button mashing e combinações de outros botões no momento certo, como carregar para cima para saltar sobre as barreiras, ou carregar para baixo para pousar a vara e logo depois para cima de forma a saltar sobre a barra. O mergulho continua a ser de longe aquele que mais trabalho dá, embora seja possível assistir a algumas demonstrações para nos habituarmos aos controlos. Portanto para quem jogou o Track and Field ou outras versões deste mesmo jogo, já sabe perfeitamente o que esperar. De resto há suporte a multiplayer que pode ir até 4 jogadores e a hipótese de treinar ou escolher um número menor de provas a participar, se não quisermos jogar em todas as sete.

Graficamente é um jogo muito bem detalhado, e surpreendentemente as músicas são ainda melhores
Graficamente é um jogo muito bem detalhado, e surpreendentemente as músicas são ainda melhores

A nível gráfico este é um jogo muito bem detalhado e colorido, com os estádios bem animados e detalhados, assim como os atletas que possuem sempre sprites grandinhas. As músicas estranhamente são muito boas para um jogo deste género e depois aqueles pormenores como os hinos nacionais a tocarem de cada vez que ganhamos uma medalha de ouro também foram muito bem metidos.

Do ponto de vista técnico, esta versão é claramente superior à Master System. Do ponto de vista de jogabilidade, ambas partilham exactamente das mesmas mecânicas de jogo, se bem que sinceramente não tenho tempo de jogo suficiente tanto numa versão como na outra, de forma a poder afirmar qual sai a ganhar, pois não são jogos que aprecie assim tanto. Mas parece-me mesmo ser uma obra bem competente para quem gostar de videojogos relacionados com o atletismo e só é pena não haverem mais provas onde participar.

Shinobi II: The Silent Fury (Sega Game Gear)

48576_frontVoltando à Game Gear, o artigo que cá trago hoje é mais uma rapidinha, apesar de ser sobre um dos melhores jogos da plataforma, na minha modesta opinião. Shinobi II continua com a mesma tradição de confusão de nomes entre regiões e entre jogos completamente diferentes entre si. O “verdadeiro” Shinobi II seria o Shadow Dancer de Arcade/Master System, mas não vamos entrar nessa discussão. Este jogo é uma sequela directa do Shinobi da Game Gear, partilhando assim muitas das suas mecânicas de jogo, daí este artigo ser uma rapidinha. O meu exemplar foi oferecido por um ex-colega de trabalho há coisa de um ano atrás, juntamente com toda a sua colecção de jogos Game Gear. Edit: Recentemente comprei a um amigo um exemplar completo por 10€

Jogo completo com caixa e manual

A história leva-nos uma vez mais a controlar o ninja vermelho que tem de salvar outros 4 ninjas coloridos, bem como encontrar 4 cristais que dão acesso à area final. A ordem pela qual escolhemos os 4 níveis continua a ser opcional e podemos rejogá-los a qualquer momento, algo que até é necessário se quisermos avançar para o ultimo nível ou completar o jogo a 100%, pois os cristais ou outros power ups importantes como aqueles que nos extendem a barra de vida, geralmente estão bem escondidos, sendo necessário utilizar as habilidades de alguns ninjas específicos para os encontrar. As habilidades inatas e diferentes armas que cada ninja possui mantêm-se idênticas ao primeiro Shinobi da Game Gear, já os Ninjutsus é que me parecem haver algumas diferenças face ao primeiro jogo, mas continuam variados e com diferentes utilizações. De resto a jogabilidade continua excelente. A obrigatoriedade de rejogar os níveis de forma a encontrar os cristais escondidos aumenta a longevidade do jogo e assim que desbloquearmos o último nível, tal como na sua prequela teremos de o percorrer e defrontar os bosses anteriores novamente, bem como estar constantemente a alternar de ninja em ninja e usar os seus ninjutsus, de forma a conseguir atravessar os obstáculos que nos apareçam à frente. Mas ao contrário do primeiro jogo, nem sempre o fundo da sala é da mesma cor do ninja que temos de usar.

Graficamente é um jogo muito bem detalhado para a Game Gear
Graficamente é um jogo muito bem detalhado para a Game Gear

De resto, a nível gráfico e de som, é mais um jogo excelente. Os cenários estão ainda mais bem detalhados e o mesmo pode ser dito dos bosses. As músicas são bastante agradáveis e cativantes, e tudo isto juntando à excelente jogabilidade, dificuldade mais balanceada e maior longevidade do jogo, tornam-no, na minha opinião, num dos melhores jogos de acção para uma portátil de 8bit.

Laser Ghost (Sega Master System)

30832_frontDurante a década de 80, os videojogos seguiam muito as tendências daquilo que se fazia no cinema, daí termos jogos como Commando, Contra, Golden Axe, entre vários outros. E nessa década uma das franchises mais famosas do cinema era nem mais nem menos que Ghostbusters. E se por um lado os videojogos da série nunca foram assim tão bons, outras empresas tentaram pegar no conceito e aplicá-lo elas próprias. Foi o que aconteceu com a Sega e o Laser Ghost de arcade, onde controlavamos precisamente caçadores de fantasmas, disparando umas armas especiais para livrar uma cidade de todos os seus fantasmas e outras criaturas sobrenaturais que iam surgindo. A versão Master System acabou por ser uma conversão muito diferente, e o meu exemplar veio da cash converters do Porto, algures durante o mês de Novembro. Custou-me 15€.

Jogo com caixa e manual
Jogo com caixa e manual

O original de arcade era um light gun shooter visualmente impressionante, com gráficos 2D muitíssimo bem detalhados e acção non-stop. Foi lançado originalmente para o sistema System 18, uma arquitectura já muito à frente da Mega Drive, pelo que uma eventual conversão para a Master System sempre deixaria muito a desejar. Então a Sega decidiu fazer um jogo algo diferente. Aqui temos como objectivo proteger uma jovem rapariga que foi raptada pelos fantasmas da Ghost City, devendo-a escoltar ao longo de todo o jogo, derrotando também os inimigos que vão surgindo no ecrã. Sendo assim, esperem por um jogo algo similar a um Operation Wolf, com o ecrã apenas a fazer scroll para a esquerda ou direita, e lá teremos de defrontar todas as criaturas que vão aparecendo no ecrã, evitando a todo o custo que a pobre rapariga morra no processo.

Mesmo a própria história se mostra diferente da versão arcade
Mesmo a própria história se mostra diferente da versão arcade

Pelo meio podemos destruir também alguns objectos que podem guardar alguns itens que bem preciosos podem ser, especialmente se jogarem esta aventura com o comando e não com a Light Phaser. Isto porque por vezes há alguns inimigos que aparecem em grande número e são suficientemente rápidos para causar alguns estragos, como os morcegos, por exemplo. Assim, os power ups que encontramos como corações que vão restabelecendo alguma mda vida perdida pela rapariga, ou as munições especiais que causam dano a todos os inimigos no ecrã em simultâneo. Esse último power up pode ser também especialmente útil nos bosses que defrontamos sempre no final de cada nível.

Laser Ghost para a Master System é uma adaptação incomum, pois foge ao jogo original de forma a se adaptar ao hardware mais limitado da Master System. E mesmo assim o resultado não é mau de todo.
Laser Ghost para a Master System é uma adaptação incomum, pois foge ao jogo original de forma a se adaptar ao hardware mais limitado da Master System. E mesmo assim o resultado não é mau de todo.

No que diz respeito aos audiovisuais, esta adaptação para a Master System até que ficou bem conseguida, excepto nas músicas que sinceramente não as achei nada de especial. A nível gráfico os níveis vão sendo variados, com casas assombradas, florestas, cidades em ruína e afins. As sprites também vão sendo grandinhas e bem detalhadas. A apresentação no geral pareceu-me muito boa, pois antes de cada nível temos uma breve introdução àquilo que nos irá esperar.

Posto isto, apesar de não ser tão bom ou excitante quanto o Laser Ghost de Arcade, temos de ser realistas ao assumir que a Master System nunca conseguiria causar o mesmo impacto que o jogo original. Portanto, acho que a Sega até esteve bem ao converter este jogo para a Master System, transformando-o numa aventura completamente diferente. É um dos mais interessantes jogos de light gun da Master System e é também um exclusivo europeu.