Captain Planet and the Planeteers (Sega Mega Drive)

Por vezes a nostalgia prega-nos partidas. Quando era criança, um dos desenhos animados que mais gostava de ver eram os do Captain Planet and the Planeteers, onde uma série de jovens lutavam contra vários vilões que teimavam em poluir o mundo. Cada um possuía diferentes poderes elementais que, quando usados em conjunto, invocavam o Captain Planet, um super herói que salvava sempre a festa no fim do dia. Quando tive a oportunidade de comprar este jogo, que me custou cerca de 10€ numa das minhas idas à feira da Vandoma no Porto, a nostalgia levou o melhor de mim. Mas será que o jogo é bom? Sinceramente nem por isso.

Jogo com caixa e manuais

Acontece que a deusa da Terra, Gaia, e uma das planeteers foram feitas prisioneiras numa ilha remota pelos Eco-Villains, os vilões da série que sempre se aventuram em poluir cada vez mais o nosso planeta. Nós teremos de as resgatar, de forma a que consigamos depois unir os poderes e invocar o Captain Planet, para que consigamos derrotar uma vez mais os malfeitores.

Cada nível possui diferentes objectivos. Neste temos de fechar a válvula de várias condutas de esgoto

Inicialmente dispomos de um quadro de selecção de níveis, onde já sabemos de antemão qual o boss que iremos defrontar no final de cada nível. Isto fez-me lembrar os jogos clássicos da série Megaman, mas infelizmente as semelhanças acabam logo aqui. Isto porque a jogabilidade é terrível. No papel tudo é simples, com um botão para saltar, outro para atacar e um outro para usar ataques mais potentes, capazes de derrotar inimigos com menos tiros disparados. Infelizmente o problema está no design dos níveis e nas mecânicas de detecção de colisões, pois nem sempre nos conseguimos esquivar de levar com dano, ou nem sempre conseguimos de facto atingir os oponentes. Felizmente ocasionalmente alguns dos inimigos lá vão largando itens que nos regenerem parte da barra de vida ou munições para os ataques fortes, mas por vezes iremos presenciar alguns momentos frustrantes devido aos problemas referidos. Isso e por vezes o design dos níveis ser algo labiríntico e confuso, o que também não ajuda. Isto porque temos um tempo limite também para chegar ao fim do jogo. O último nível é sempre jogado com o Captain Planet, sendo uma luta contra um boss mais sofisticado, que terá várias fases.

Este é o verdadeiro Duke Nukem, tanto que que a primeira versão desse jogo até se chamava Duke Nukum

A nível audiovisual, este jogo infelizmente também não é grande coisa. Apesar de coloridos, os gráficos poderiam ser mais detalhados, a começar pelas sprites dos inimigos que geralmente são pequenas. O design dos níveis também não é dos mais aliciantes e as músicas, apesar de não serem más de todo, também não ficam na memória.

Portanto, este é um jogo algo mediano e que serve também para mostrar que a nostalgia nos pode pregar muitas partidas. Existe um outro jogo que nada tem a ver com este saiu anteriormente para a NES, Commodore Amiga e outros sistemas, mas também não é lá muito famoso, pelo que da próxima já terei as expectativas mais baixas.

Body Count (Sega Mega Drive)

Continando pelas rapidinhas na Mega Drive, o jogo que cá trago hoje é um dos mais interessantes shooters de light gun disponíveis para a Mega Drive. É também um dos mais apetecíveis por coleccionadores, em virtude de não ter saído em solo norte-americano, embora a Wikipedia indique que saiu por lá apenas através do serviço Sega Channel, uma espécie de serviço de jogos on-demand através da rede por cabo norte-americana. O meu cartucho foi-me oferecido por um colega de trabalho algures no mês de Outubro.

Apenas cartucho

A história é simples: uma força alienígena invade o nosso planeta e nós somos um dos mercenários escolhidos para a repelir! Ou seja, este acaba por ser um daqueles jogos onde vamos ter inúmeros inimigos a disparar contra nós e é muito difícil prevenir o dano que vamos invariavelmente sofrendo. Acredito que mesmo jogando com uma Menacer as coisas não ficam muito mais facilitadas, pelo que jogar com 2 jogadores seria certamente a melhor opção.

Para além de todos os inimigos a dispararem contra nós, muito do cenário é também destrutível

Para além de todos os inimigos que vamos enfrentando, podemos também destruir parcialmente os cenários, resultando por vezes em vários power-ups a “choverem” pelo ecrã, como munições, balas mais fortes, medkits, ou diferentes tipos de bombas que devem ser usados com inteligência contra grupos de inimigos, ou contra os bosses. Portanto, a jogabilidade é mesmo muito simples: atirar contra tudo o que mexa e também contra alguns objectos no cenário!

A nível audiovisual este é um jogo muito bem conseguido e a Probe está de parabéns por isso. Os gráficos são bem coloridos e muito detalhados, inclusivamente podemos até deixar buracos de balas marcados em vários pontos dos cenários, o que não é um detalhe muito usual nesta época. Os aliens largam litros de sangue a cada vez que são atingidos, já os cyborgs e outros robots soltam lascas de metal. Por outro lado, as músicas são bastante agradáveis e nada a apontar nos efeitos sonoros.

No final de cada nível temos sempre um boss esponja de balas para derrotar!

Portanto, apesar deste Body Count ser um jogo super simples e pick-up and play, por vezes frustrante devido à quantidade absurda de inimigos a disparar para nós em simultâneo, não deixa também de ser divertido e tecnicamente bastante competente. É o melhor light gun shooter da Mega Drive, na minha opinião.

Power Rangers the Movie (Sega Mega Drive)

Continuando pelas rapidinhas, o próximo jogo da lista é a adaptação para a Mega Drive do primeiro filme dos Power Rangers, que estreou nos cinemas algures na primeira metade dos anos 90. Acho que o fui ver ao cinema, mas sinceramente pouco guardei dessa experiência. Este jogo foi lançado para diferentes plataformas, sendo cada caso um jogo inteiramente diferente. A versão Mega Drive é um beat ‘em up à lá Streets of Rage e o meu exemplar foi comprado num dos meses passados na Feira da Vandoma no porto. Foi comprado em bundle, tendo-me custado algo abaixo dos 10€.

Jogo com caixa e manual

O jogo começa por decorrer um pouco antes dos acontecimentos do filme, onde uma vez mais surge uma nova criatura que ameaça a Terra. Vilões como a Rita Repulsa, o Lord Zedd e os seus minions marcam novamente o seu regress, mas agora temos também o Ivan Ooze com que nos preocupar. Se bem me lembro, é também neste filme que há a transição do ranger verde para branco, adquirindo novos poderes, e também novos Mega Zords!

O maior problema deste power rangers é mesmo a falta de variedade de inimigos

A jogabilidade é simples, onde poderemos escolher qual o Ranger que queremos jogar em cada nível. Temos um botão para salto, outro para atacar e um outro para usar um ataque especial que atinge todos os inimigos no ecrã, com o preço de nos roubar um pouco da vida. Podemos fazer alguns combos e ocasionalmente lá teremos alguns power-ups que nos regeneram a vida para apanhar. Tipicamente no fim do nível vamos lutar contra um boss em versão grande, pelo que o jogo nessa altura também nos dá a opção de escolher um Megazord para lutar.

Infelizmente o maior problema deste jogo é mesmo a pouca variedade. Só existem 2 variantes de inimigos para além dos bosses, que são os Putty cinzentos, ou as criaturas roxas do Ivan. E mesmo assim, cada nível possui apenas uma das variantes para enfrentar, o que não é lá muito bom para a diversidade.

Como não poderia deixar de ser, temos também lutas com o Megazord!

A nível técnico não há muito a dizer. Os níveis estão bem detalhados quanto baste, decorrendo tanto no nosso planeta como noutros. Entre cada nível vamos tendo várias cinemáticas que vão contando a história, algo que me agrada. Ainda assim, a versão SNES deste jogo, que apesar de ser diferente (e desenvolvida pela Natsume!), a nível gráfico parece-me estar bem superior, com cenários mais coloridos e ainda mais detalhados. Por outro lado as músicas são sempre a rockar, o que sinceramente me agrada bastante.

No fim de contas, esta versão Mega Drive do Power Rangers the Movie não é má de todo. É superior a meu ver ao primeiro jogo, também para a Mega Drive, mas possui algumas lacunas graves como a falta de variedade de inimigos. Fora isso, até que se joga bastante bem, pelo que os fãs da série ou de beat ‘em ups no geral poderão encontrar aqui algum entretenimento.

Samurai Shodown (Sega Mega Drive)

O extremo sucesso do Street Fighter II nas arcades levou a que surgisse um grande boom no género nos anos que lhe seguiram. A SNK, que continha também ex-funcionários da Capcom no seu lineup, foi uma das empresas que mais apostou nos jogos de luta 1 contra 1, da mesma forma que a Capcom, ao produzir series como Fatal Fury, Art of Fighting ou mais tarde o King of Fighters. Em 1993 lançaram um outro jogo com mecânicas de jogo diferentes dos restantes, o Samurai Shodown. Em vez do jogo ser passado nos tempos modernos como nos outros Fighters da altura, este remete-nos para o Japão Feudal, com vários guerreiros equipados com armas brancas. É portanto um dos primeiros fighters que dão especial ênfase ao combate armado.

Jogo com caixa

A maioria dos lutadores são orientais, sendo que dentro desses, a maioria são também japoneses. As grandes excepções à regra são a Charlotte, uma cavaleira francesa, ou norte-americano Galford, que luta acompanhado de um lobo. Ao contrário dos outros fighters da altura, aqui não há um grande foco em combos, mas sim em ataques certeiros, pois estamos a usar espadas e/ou outras armas brancas. No último round de cada combate é possível até fazer fatalities, onde conseguimos cortar o nosso oponente ao meio. Temos é uma barra de energia, a POW, que se encontra na parte inferior do ecrã e que vai enchendo à medida em que levamos pancada. Quando essa barra de energia estiver cheia (e curiosamente a cor da pele da personagem também vai mudando de cor), poderemos desencadear alguns golpes bastante poderosos.

A maior parte dos lutadores são japoneses, afinal o jogo leva samurai no nome

A nível gráfico este era um jogo excelente nas arcades. Os cenários eram incrivelmente detalhados, assim como as personagens. Tal como no Art of Fighting, aqui também há na versão arcade um sistema de zoom in e zoom out, que vai ampliando a acção à medida em que os lutadores se aproximam, ou fazendo zoom out quando se afastam. Nesta conversão para a Mega Drive não temos este mecanismo, com o jogo a apresentar os lutadores sempre próximos entre si. Nesse aspecto, acaba por levar a melhor sobre a SNES, pois esta apresenta os lutadores mais pequenos e com menos detalhe. No entanto, a versão Mega Drive possui algumas lacunas como menos uma personagem, menos alguns apetrechos gráficos e menos alguns golpes de várias personagens. Ainda assim deixa-nos jogar com o último boss no modo multiplayer sem ser necessário recorrer a códigos.

Apesar de não ser a melhor conversão da época, ao menos possui sprites grandinhas

A banda Sonora também foi algo que me impressionou neste Samurai Shodown. A mesma é bastante minimalista, usando muitos instrumentos folclóricos, especialmente os japoneses. Isto contribui bastante para uma atmosfera mais tensa nos combates! A música do nível da Charlotte é uma excepção à regra, com elementos de instrumentos mais clássicos. Naturalmente que, comparando com a versão original ou mesmo a SNES, as músicas em si têm menor qualidade na Mega Drive, mas no entanto ainda assim ouvem-se bem.

Os cenários vão sendo bem detalhados, embora eu prefira as localizações japonesas

No fim de contas, mesmo não sendo a melhor adaptação possível da arcade, esta versão para a Mega Drive deste classic da SNK acaba por se jogar bastante bem! Para além desta versão em cartucho, temos também uma versão Mega CD que acaba por ser superior a esta, na medida em que não há cortes nos golpes que faltavam, a cutscene de abertura e os finais dos lutadores estão mais fiéis à versão arcade, assim como a música que é idêntica. Mas infelizmente não é uma versão que seja muito fácil de aparecer.

Puyo Pop Fever (Sony Playstation 2)

A série Puyo Puyo, que para os fãs do retrogaming cá em Portugal é mais facilmente reconhecível pelas criaturas gelatinosas do Dr. Robotnik’s Mean Bean Machine, já há muito que existia em solo japonês, por intermédio da Compile. Desde a conversão do primeiro jogo da série que a Sega sempre teve alguma proximidade com a Compile e esta série em particular, tanto que quando infelizmente a Compile faliu, a Sega acabou por ficar com os direitos desta série. Este Puyo Pop Fever foi então produzido pela Sonic Team e lançado para uma grande número de plataformas, embora poucos foram os que chegaram aos USA. O meu exemplar foi comprado por 3.5€ na Cash Converters do Porto há uns anos atrás.

Jogo com caixa e manual

A jogabilidade é muito simples: tal como no Tetris e derivados, temos uma área de jogo onde vão caindo vários blocos coloridos, os tais Puyos, e o objectivo é juntar 4 ou mais blocos adjacentes entre si, que sejam da mesma cor, para os fazer desaparecer. A gravidade entra na equação, pelo que se uns puyos desaparecerem, os que estavam acima ou adjacentes caem para o “buraco” que se forma, podendo assim lanar várias chains que nos irão aumentar a pontuação, bem como dificultar a vida ao nosso oponente, pois acabamos por mandar “lixo” para a sua área de jogo, uns Puyos desprovidos de cor, que apenas desaparecem quando alguns Puyos coloridos adjacentes desaparecerem.

Quantos mais combos fizermos, mais “lixo” mandamos para o oponente

Os Puyos por sua vez podem vir em várias formas e cores distintas e este jogo em particular emprega uma nova mecânica: o Fever Mode. Este é alcanado ao preencher uma barra que aparece no centro do ecrã. Essa barra vai sendo preenchida à medida em que vamos contraatacando os combos do nosso oponente. Quando entramos no Fever Mode, os Puyos que estavam na nossa área de jogo desaparecem, sendo substituídos por uma série de outros Pyuos numa formação pré-determinada. O tempo conta e a ideia é que, com o mínimo de combinaões possível, consigamos desencadear a maior chain. Enquanto houver tempo de Fever Mode disponível, vão aparecendo puzzles novos para resolver, que potencialmente trará consequências adversas para o nosso oponente.

Como seria de esperar, se enchermos um ecrã de Puyos é sinal de Game Over

O principal modo de jogo de singleplayer é o modo história, onde poderemos diferentes cenários com diferentes personagens, todos eles passados num conceito de uma escola de magia, onde todos os alunos, professores e funcionários são incrivelmente chatos e infantis (mais lá para a frente explico melhor o raciocínio). Depois temos o Endless Puyo, que se divide em três vertentes: o clássico, onde não temos Fever Mode e jogamos unicamente com o intuito de sobreviver o máximo de tempo possível, temos também o Fever Mode, onde, conforme o nome indica, estamos sempre no Fever Mode e a ideia é limpar os puzzles e nunca deixar o tempo expirar, pelo que fazer combos é obrigatório. O outro modo de jogo é o Mission Mode, onde vamos tendo um timer e várias pequenas missões ao longo do jogo, como “constrói uma chain de 3 combos”, ou “destrói 2 grupos diferentes de Puyos em simultâneo”. Por fim temos o multiplayer que é bastante divertido. Existem alguns modos de jogo pré-definidos, sejam com regras clássicas ou com o Fever Mode, ou então temos também a possibilidade de customizar as regras um pouco ao nosso gosto.

Estas cutscenes são deprimentes. Muito deprimentes.

A nível audiovisual acaba por ser onde eu tenho mais razões de queixa. Por um lado, os gráficos são bastante coloridos e em 2D, o que sinceramente não me causa confusão nenhuma. As músicas são bastante festivas, o que apesar de não ser necessariamente um problema, também não são lá muito memoráveis. Por outro lado temos o horrível voice acting, que achei genuinamente mau e irritante. A história não tem interesse absolutamente nenhum e as interpretações dos voice actors deixam muito a desejar. Basicamente o jogo vale a pena pelo Endless Mode e pelo multiplayer que acaba por ser sempre divertido!