Two Crude Dudes (Sega Mega Drive)

Quando descobri o admirável mundo novo da emulação algures em 1998, foquei-me em jogar o máximo possível de jogos da Mega Drive, visto ser uma consola que sempre quis ter quando era mais novo e a emulação da mesma já estava algo avançada. Descobri muitos jogos interessantes assim e um dos que mais tinha achado piada na altura era este Two Crude Dudes, da Data East, um interessante beat ‘em up completamente 2D. O meu exemplar foi comprado há uns meses atrás a um particular no OLX, creio que me custou 14€.

Jogo com caixa

Two Crude Dudes, também conhecido como Two Crude, ou Crude Busters no seu lançamento original para arcade, é um jogo que decorre num futuro apocalíptico, onde a cidade de Nova Iorque foi completamente destruída por uma bomba nuclear. Alguns anos depois, as ruínas da cidade foram invadidas por um perigoso grupo terrorista. O governo norte americano decide então contratar uma dupla de mercenários conhecidos como “Two Crude Dudes” para limpar as ruas de Nova Iorque (ou o que restam delas) de toda a bandidagem.

Tal como no Shinobi, podemos alternar entre o chão e um plano mais elevado

Como já referi acima, este é um beat ‘em up completamente em 2D, ou seja só nos podemos movimentar para a esquerda ou direita. Diferencia-se no entanto de outros jogos do género pelos protagonistas serem pequenos gigantes extremamente fortes. Isto quer dizer que poderemos pegar em vários objectos no ecrã, como barris, barras metálicas ou mesmo carros destruídos e atirá-los contra os inimigos. Similarmente, podemos também agarrar alguns inimigos (ou no caso de jogarmos com 2 jogadores, o nosso colega também) e atirá-los contra os outros. De resto tanto nós como os inimigos temos uma barra de vida que quando se esvaziar já dá para entender o que acontece, os inimigos morrem e nós perdemos uma vida. A nossa barra de energia é possível ser restabelecida assim que encontramos umas vending machines de bebidas. Ao espetar-lhe com uns socos e pontapés, vão cuspindo várias latas de refrigerante (muito certamente contaminado com radiação) e são essas latas que nos vão restituindo a nossa barra de vida gradualmente. Vamos encontrando estas máquinas ocasionalmente ao longo dos níveis, ou entre cada nível, como um pequeno segmento de bónus.

A única maneira que temos de recuperar vida é a beber refrigerantes cuspidos por estas máquinas

A nível audiovisual é um jogo bastante interessante também. Os cenários são practicamente todos as ruínas de Nova Iorque, embora também tenhamos um ou outro mais futurista pela frente, lá mais na recta final. A versão arcade é naturalmente melhor neste aspecto, mas não desgosto de todo do detalhe que colocaram nos níveis. As sprites dos inimigos poderiam ser um pouco menos genéricas, no entanto. As músicas são também bastante agradáveis, sendo na sua maioria rock ou funk com agradáveis linhas de baixo.

Portanto este Two Crude Dudes acaba por ser um jogo interessante para quem gostar destes beat ‘em ups à moda antiga, completamente em 2D. Pelos vistos é um jogo que deve despertar ainda algum sentido de nostalgia nalguns jogadores, pois foi relançado para os serviços online da nintendo Switch.

Gynoug (Sega Mega Drive)

A Masaya (também conhecida por NCS) é uma das developers mais interessantes da era 16bit, embora muitos dos seus jogos se tenham ficado apenas em solo nipónico. Felizmente não é o caso de Gynoug (também conhecido por Wings of Wor em solo norte-americano), um shmup onde encarnamos no anjo Wor, numa batalha contra uma série de forças infernais. O meu exemplar foi comprado algures em Março a um particular no Reino Unido. Ficou-me por sensivelmente 20€ já com os portes.

Jogo com caixa e manual

Este é um shmup bastante frenético com inimigos a surgirem de todo o lado e projécteis a serem disparados constantemente, principalmente em níveis de dificuldade mais elevados. Felizmente que temos auto-fire e disparos que se espalham no ecrã por defeito, permitindo-nos também disparar consecutivamente. Como não poderia deixar de ser temos também uma série de power ups para apanhar e a primeira coisa que nos salta à vista é talvez as duas barras de energia coloridas que nos aparecem no ecrã. Estas são aumentadas à medida que vamos coleccionando uma série de esferas vermelhas ou azuis, sendo que umas aumentam o nosso poder de fogo, outras aumentam o leque de direcções em que os nossos disparos tomam. Temos também outras pedras coloridas para apanhar que variam o nosso padrão de disparo. Por defeito concentramos o fogo todo para a frente, mas podemos variar e tirar alguma potêcia da frente, de forma a que alguns dos nossos disparos saiam também para trás, ou dividir a potência de igual forma para ambas as direcções.

Temos um sistema de power ups interessante, onde as armas especiais têm diferentes usos

Como é habitual temos também algumas armas especiais. Estas são apanhadas quando encontramos pergaminhos com uma certa letra e que vão ocupando um dos 3 slots que temos para armazenar esses poderes. Estas armas especiais são distintas entre si, se bem que se tivermos dois ou mais slots ocupados com a mesma arma, então a sua potência é amplificada. Estas têm sempre uma duração limitada, seja por um tempo limite, ou por limite de munições.

Os bosses são visualmente muito apelativos

Agora que temos as mecânicas de jogo cobertas, passemos para os visuais. Apesar de ser um jogo lançado ainda relativamente cedo no ciclo de vida da consola (saiu originalmente no início de 1991 no Japão), é um jogo graficamente muito capaz, principalmente nos bosses e cenários que estão muitíssimo bem detalhados. Estes últimos estão  repletos de efeitos de parallax scrolling, e ocasionalmente alguns efeitos especiais de distorção ou rotação de sprites que me agradam bastante. Mas para além disso, os cenários em si, bem como os inimigos estão muito bem desenhados, indo buscar imensas inspirações diferentes, sejam cenários que nos remetam para antigas civilizações romanas ou gregas, o steampunk, ou mesmo aqueles designs sinistros e biomecânicos que H.R. Giger tão bem nos deu a conhecer. Face a esta variedade de temáticas nos cenários e inimigos, as músicas são também bastante ecléticas e agradáveis, oscilando entre temas de composição mais clássica, outros mais folk ou modernos.

Os cenários são variados, não faltando no entanto aqueles mais orgânicos e nojentos

Portanto este Gynoug é um óptimo shmup para a Mega Drive e recomendo vivamente a quem for fã do género. Quem for um bocado azelha como eu neste tipo de jogos vai passar alguma dificuldade, mas ao menos tem um jogo bem bonito para apreciar também.

Mega 6 Vol 3 (Sega Mega Drive)

Continuando pelas rapidinhas vamos agora para um artigo muito breve, para o último título da saga de compilações Mega Games. Ora recapitulando, os Mega Games do 1 ao 3, foram compilações de 3 jogos, todos diferentes entre si, onde a Mega Games 2 é notoriamente a melhor das 3. Anos mais tarde, em 1995 e já com a Sega Saturn à espreita, a Sega decidiu revivar as suas compilações Mega Games, agora com os Mega Games 6, que possuem 6 jogos por cartucho. Infelizmente o primeiro volume é uma compilação do Mega Games 1 e Mega Games 2, já o segundo volume é uma junção do Mega Games 1 (outra vez) e Mega Games 3. O que fizeram com o terceiro capítulo para além de lhe mudar o nome para Mega 6 Vol 3? Já veremos. O meu exemplar foi comprado por volta de 2013 se bem me recordo, veio com uma Mega Drive que tinha comprado por 13€ já com uma série de cartuchos.

Apenas cartucho

Ora esta compilação possui então os seguintes jogos: Revenge of Shinobi e Streets of Rage são excelentes, grandes clássicos mas já tinham sido lançados em 2 compilações anteriores. O Super Monaco GP também. Depois temos o Columns e Super Hang On, dois sobreviventes do Mega Games 1 que já é a quarta vez que saem nestas compilações. Por fim dois jogos diferentes: o primeiro Sonic, mais um bom clássico que é uma novidade nos Mega Games mas também já teve a sua própria compilação. O último é o Sega Soccer que… bom… afinal é o World Cup Italia 90, mais um jogo que é a quarta vez que sai nestas compilações. A razão para a mudança do nome prende-se muito provavelmente com a perda dos direitos que a Sega detinha sobre a licença dessa edição do campeonato do mundo.

Portanto esta acaba por ser mais uma compilação sólida por si só, o problema é mesmo no mesmo ano a Sega ter lançado 3 compilações de 6 jogos, com muitos repetidos entre si. Por algum motivo esta compilação é algo rara de se encontrar completa com caixa e manuais. Existe uma versão da Mega Drive 2 que possui uma caixa semelhante à capa desta versão (que por acaso também tenho), mas não tenho a certeza se a Sega apenas distribuiu o cartucho do jogo com esse pacote, ou também a caixa. A minha pelo menos não tinha, mas foi comprada usada.

Micro Machines Turbo Tournament 96 (Sega Mega Drive)

A saga Micro Machines, apesar de ter tido um início de vida conturbado na NES, com um lançamento não oficial que gerou alguma polémica nos Estados Unidos, foi na Europa e nas 16bit que a série viu mais sucesso. Só a Mega Drive recebeu 4 jogos diferentes, alguns exclusivos em solo europeu, como é o caso deste Turbo Tournament 96. Mas na verdade este Turbo Tournament 96 não é um jogo inteiramente novo, mas uma versão melhorada do Micro Machines 2: Turbo Tournament. Aqui temos novas pistas, outras pistas actualizadas, novos modos de jogo e um editor de pistas que anteriormente só estava disponível na versão MS-DOS do Micro Machines 2. O meu exemplar veio do Reino Unido, algures no mês de Maio e custou-me algo em torno dos 10€.

Jogo com caixa e manual

A nível de modos de jogo, se jogarmos sozinhos temos os seguintes: challenge – aquele modo de jogo mais tradicional onde vamos competir numa série de circuitos e o objectivo é finalizar nos 2 lugares cimeiros para avançar para o seguinte. Caso contrário perdemos uma vida e somos convidados a tentar novamente. Se por outro lado conseguirmos chegar em primeiro 3 vezes seguidas somos presenteados com um nível bónus onde poderemos ganhar uma vida extra se formos bem sucedidos. O Head-to-Head é outro dos clássicos do multiplayer mas também pode ser jogado sozinho. Aqui temos apenas 2 carros em pista e o objectivo é deixar o carro adversário para trás (fora do alcance da câmara) um certo número de vezes. Temos também o time trial que conforme o nome indica somos obrigados a completar os circuitos dentro de um tempo limite (e conhecer os atalhos ajuda e muito!). por fim temos também o League Mode, que são pequenos campeonatos de corridas por pontos e ganha quem tiver mais pontos no final. Por fim, podemos rejogar todos estes modos de jogo no modo Pro – um nível de dificuldade superior com circuitos mais sinuosos e repletos de obstáculos.

Os menus são bem detalhados e intuitivos como habitual

Como habitual, a grande piada do jogo está mesmo no multiplayer que, recorrendo à tecnologia J-Cart, podemos ter 4 comandos ligados à Mega Drive em simultâneo sem recorrer a hardware adicional. Para além disso, é possível ainda extender o número de jogadores para 8, sendo que cada jogador partilha metade de um comando da Mega Drive. Sinceramente nunca gostei muito dos controlos nesta versão, pois um jogador tem o D-Pad, o outro tem os botões A, B e C para controlar o seu veículo. Entre 1 a 4 jogadores, temos os mesmos modos de jogo da vertente single player, se bem que para 4 jogadores podemos também jogar com equipas de 2. Para 8 jogadores temos o modo torneio mas sinceramente nunca o experimentei.

As corridas são sempre feitas em locais inusitados como a cozinha, a banheira ou o jardim

Graficamente é um jogo excelente e bastante colorido. Sempre achei piada ao conceito de pistas improvisadas em qualquer divisão da casa ou mesmo nos exteriores, como os jardins ou praias e aqui mantemos o conceito. Desde corridas de barcos em torno de uma banheira, ou carros a correrem nas secretárias da escola, no cimento da garagem e com os objectos normais a esses ambientes a servirem de obstáculos, ou fazer mesmo parte integrante do circuito, como réguas a servirem de pontes entre as mesas dos alunos. Temos pistas com muitos obstáculos, mas já não são só os buracos que nos preocupam. Agora temos circuitos em cima de mesas de carpinteiros ou oficinas, cheias de ferramenta a trabalhar que nos destrói os carros se lá embarramos. Ou pistas no exterior com outros obstáculos naturais, como vento, pequenos tornados, ou mesmo a água do mar que por vezes se atravessa na pista. Portanto há aqui uma maior variedade de cenários e obstáculos, o que me agrada bastante. Creio que são mais de 80 pistas ao todo e ainda temos o editor de pistas que nos permite criar as nossas! Por outro lado nada a apontar aso efeitos sonoros e as músicas são também muito agradáveis.

Pelo menos numa das pistas a câmara está bastante distante, o que para mim é novidade

Portanto este Micro Machines 96 acaba por ser mais uma entrada bem sólida na série. É bastante desafiante se o jogarmos sozinhos, pois temos de conhecer bem as pistas onde corremos, os seus perigos e preferencialmente os seus atalhos para ganhar uma vantagem competitiva. Mas jogando com amigos, o divertimento é ainda maior por todo o caos que podemos causar!

The Terminator (Sega Mega Drive)

The Terminator foi um excelente filme de acção da década de 80. A sua sequela então nem se fala, é um dos meus filmes de acção preferidos. Naturalmente que, com o sucesso dos filmes não faltariam adaptações para os videojogos e pelo menos no caso das consolas da Sega foi a Virgin e a Probe que estiveram por detrás dos mesmos. A versão Master System já a cá tinha trazido antes, chegou agora a vez da versão Mega Drive. O meu exemplar foi comprado algures em Maio, veio do UK e ficou-me por algo próximo dos 5€.

Jogo com caixa e manual

A história é simples e toda a gente já a conhece. Algures no futuro a humanidade desenvolve uma poderosa inteligência artificial chamada Skynet que decide que a melhor solução para o planeta é exterminar os humanos. Após lançar um conflito nuclear que dizima a maior parte da população, produz uma série de cyborgs humanóides para exterminar os restantes. Ainda assim, com a resistência humana a dar luta, Skynet decide enviar um dos seus exterminadores para o passado, no ano de 1984, de forma a assassinar Sarah Connor, mãe do líder da resistência humana. Os humanos lançam então um dos seus soldados para o passado também, de forma a tentar proteger Sarah a todo o custo.

Graficamente não é nada do outro mundo mas devo dizer que até gostei deste segundo nível

Este jogo começa precisamente no futuro, onde encarnamos no papel de Reese, o humano escolhido para viajar ao passado. E começamos precisamente por nos esgueirarmos por entre os campos de batalha, trincheiras humanas e corredores repletos de exterminadores para procurar (e activar) a máquina do tempo que nos levará ao passado. Inicialmente munidos de granadas infinitas, ocasionalmente encontramos algumas bombas que devemos usar para limpar o ecrã de inimigos, e isto é algo que devemos fazer consistentemente, pois vamos tendo exterminadores e outros inimigos (nos outros níveis) a surgirem de todos os lados. Ao contrário da versão Master System, que tem um foco maior no platforming, esta versão Mega Drive é um sidescroller de acção puro e duro. Eventualmente lá encontramos uma metralhadora que dá mais jeito para combater os exterminadores e lá conseguimos viajar para o passado.

Polícias, exterminadores e bandidos, tudo nos quer matar!

Depois lá usamos uma caçadeira e temos de jogar com calma e ir limpando todos os inimigos que nos aparecem à frente. Ao contrário da versão Master System, aqui poderemos ter alguns power ups que nos restauram a vida e são extremamente úteis, até porque em níveis de dificuldade mais avançados é virtualmente impossível não sofrer dano. Tudo isto me parece muito bonito mas no entaanto temos apenas 4 níveis pela frenet, o que sabe a pouco.

A nível audiovisual, a versão Master System impressionava pelos ecrãs onde contava a história, mas esta versão Mega Drive por incrível que pareça é mais pobre nesse aspecto. Por outro lado as músicas são bem mais agradáveis!

Aqui não há cutscenes, só paredes de texto

Este The Terminator é então um jogo de acção que deixa um pouco a desejar e nalgumas coisas a versão Master System é surpreendentemente superior. No entanto existem outras versões também publicadas pela Virgin e que são jogos diferentes, como as versões NES, SNES e Mega CD que acaba por ser bastante superior à da Mega Drive. Mas isso seria tema para um outro artigo diferente.