Wonder Boy III: The Dragon’s Trap (Sega Master System)

wonder-boy-iii-the-dragons-trap-coverA Master System foi a minha primeira e única consola durante muitos anos. Andavam os meus amigos de volta de jogos como Daytona USA ou Final Fantasy VII para a suas Sega Saturn e Playstation, e eu ainda andava de volta de jogos como Sonic 2, Desert Strike ou até Phantasy Star. Ainda assim, haviam alguns jogos mais antigos da década de 80 que me despertavam o interesse mas não conhecia ninguém que os tinha e só os vim a jogar mais tarde. A série Wonderboy da Westone foi uma delas. Wonderboy foi um jogo simples de plataformas desenvolvido para as arcades de 1986. Pouco tempo depois viu conversões para as consolas da Sega SG-1000 e mais tarde Mark III/Master System (entre outras). Uma conversão para a NES também foi desenvolvida por parte da Hudson, contudo como a Sega mantinha os direitos da franchise “Wonder Boy”, pelo que o jogo sofreu algumas alterações das personagens e bosses, bem como um novo nome “Adventure Island”. Desde esse momento que as 2 série seguiram caminhos diferentes. A Hudson manteve o nome Adventure Island e lançou vários jogos com a mesma mecânica do original, já a Westone manteve o nome Wonderboy e evoluiu a série para o mundo “Monster World”, onde os jogos passaram a ser mais que meros jogos de plataforma. Para evitar confusões neste, existe um outro Wonderboy III desenvolvido para Arcade e Mega Drive que segue um pouco as raízes da série, sendo um jogo mais linear. Este artigo refere-se exclusivamente ao “The Dragon’s Trap”. O meu exemplar veio do Ebay, tendo-me custado à volta de 15 libras. Infelizmente possui a capa e manual em mau estado, pelo que eventualmente o substituirei.

Jogo com manual

 

Bom, a história deste The Dragon’s Trap começa onde o jogo anterior ficou (Wonderboy in Monster Land). Wonder Boy no castelo do maléfico Meka Dragon, equipado com todo o equipamento lendário, todos os “corações” e ataque e defesa no máximo. Enfrentamos assim um dos bosses mais fortes do jogo logo no primeiro encontro, mas com o Wonder Boy todo “pimped up” a batalha não é assim um grande desafio. Contudo, Meka Dragon antes de morrer amaldiçoa Wonder Boy, transformando-o num pequeno monstro “Lizard-Man”. Wonder Boy escapa depois do castelo transformado em monstro e todo o equipamento e “corações” que previamente tinha foram perdidos. Assim começa esta aventura, com Wonder Boy à procura da Salamander Cross, o item que lhe poderá restaurar a sua forma humana. A maior parte dos jogos da série Wonder Boy / Monster World são jogos não lineares, que misturam a exploração de jogos de plataforma como Metroid, aliando a características de RPGs de acção como os próprios Castlevania 2D modernos, com armas/ escudos e armaduras, e vários items que alteram o status da personagem. De facto, Wonder Boy é largado num “overworld”, sem muito sítio por onde ir inicialmente. À medida que o jogo vai progredindo vamos adquirindo novas habilidades transformando-nos noutros animais, abrindo assim hipóteses de percorrer caminhos ou alcançar items que de outra forma seriam impossíveis de obter. Existem também lojas espalhadas pelo jogo onde podemos adquirir items/equipamento, igrejas onde podemos fazer “save” do jogo  – na verdade apenas geram uma password com o progresso actual, e outras casas como uma onde poderemos alternar entre as várias formas de animais que vamos adquirindo ao longo do jogo. Como devem calcular, cada animal tem pontos fortes e fracos, a impossibilidade de utilizar algum equipamento, ou habilidades próprias, tais como imunidade a lava, voar, nadar, ou esgueirar-se por portas e entradas minúsculas. Os animais que vamos “adquirindo” ao longo do jogo são: Lizard-Man, Mouse-Man, Piranha-Man, Lion-Man, Hawk-Man e finalmente o “Hu-Man” – a forma humana que embora seja forte, não possui nenhuma habilidade especial. Tal como Zelda também existem pelo jogo “Heart Containers”, que aumentam os pontos de vida de Wonder Boy.

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Graficamente, para um jogo de 1989, posso dizer sem problema algum que foi um dos jogos mais bonitos da era 8-bit. As personagens carismáticas com sprites detalhadas (o mesmo para os inimigos e bosses), os “níveis” bem pensados, bastante coloridos e variados entre si, tornam este Wonder Boy numa boa experiência mesmo ao fim destes anos todos. Visitamos vários castelos, cavernas, selvas, templos, passagens sub-aquáticas, pirâmides e esfinges, muitas dessas zonas com vários caminhos a explorar e items a descobrir, consoante o animal que incorporamos. A nível de som, quem conhece a Master System sabe que o seu chip de som nunca foi lá grande coisa (culpa da Sega que não quis lançar a Master System já com o chip FM embutido no ocidente), mas neste jogo o pessoal da Westone conseguiu dar a volta ao problema e apresentar várias melodias agradáveis que concerteza fazem parte das memórias de muitos jogadores de Master System por esse mundo fora. Os controlos são óptimos para um jogo de plataformas, com precisão e inércia de movimento no ponto certo. O combate é simples – espada e escudo (ou não, dependendo do animal). A exploração e o grinding para obter dinheiro para comprar equipamento superior, tornam este jogo numa óptima experiência, um pouco viciante, até.

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Este “padre” tem um aspecto curioso

Existem algumas conversões deste jogo: em 1992 foi lançada uma conversão directa para a Master System portátil, ou seja, a Sega Game Gear. Apesar de o jogo em si ser o mesmo, foram feitas algumas modificações, principalmente a nível de artwork, tanto no title screen como nas lojas. Antes disso, em 1991 saiu para a TurboGraphX 16 / PC Engine da NEC uma conversão feita por parte da Hudson (os mesmos por detrás da série Adventure Island) que como se as séries Wonder Boy/Monster World e Adventure Island já não fossem confusas por si só, esta versão do jogo chama-se Adventure Island no mercado japonês e Dragon’s Curse no ocidente. É o mesmo jogo que na versão Master System, mas devido ao hardware melhorzinho da TG16 o jogo apresenta gráficos mais detalhados, embora tenham alterado mais uma vez o aspecto da personagem principal e bosses. Em 2007 na colecção SEGA Ages 2500 para a PS2 japonesa saiu uma compilação completa de todos os jogos da série Wonder Boy / Monster World, e na Nintendo Virtual Console existem tanto a versão Master System como a TG16 para download. Para quem gosta de jogos de plataforma e aventura, recomendo vivamente que joguem esta série. Em Wonderboy III: The Dragon’s Trap têm o melhor jogo da série na minha opinião.

 

Action Fighter (Sega Master System)

action-fighter-coverTempo de mais um post rápido de um jogo do fundo da gaveta (do fundo mesmo!). Action Fighter é um shooter vertical da Sega saido originalmente em 1986 para a Arcade e Master System (e posteriormente para vários computadores da época). É claramente inspirado por outro jogo famoso um pouco mais antigo, o Spy Hunter da Midway, porém tem algumas diferenças notáveis. Este jogo chegou-me às mãos através de um pack de 7 jogos que comprei no miau.pt há uns anos, na altura tinha-me ficado por 5€ o pack completo, mais os respectivos portes de envio. Apenas lhe falta o manual, infelizmente.

Action Fighter SMS
Uma das capas mais manhosas de sempre

Tal como em Spy Hunter, assumimos que o protagonista de Action Fighter é uma espécie de agente secreto. O jogo tem 5 níveis, cada um com um objectivo de destruir algumas armas de destruição massiva, tais como submarinos, tanques de mísseis, etc. As missões começam sempre com uma moto, num cenário urbano, com vários outros veículos na estrada. A moto é um veículo frágil, portanto um hit dos inimigos ou um despiste e lá se vai uma vida. É aí que entra a parte do shooter, apesar de a maior parte dos veículos que vão aparecendo na estrada não me parecerem inimigos (até ambulâncias lá andam), não existe qualquer penalização por destruí-los (ao contrário do que acontece em Spy Hunter). Agora vem a parte gira: ao destruir os “inimigos” que vão surgindo no ecrã, eles vão deixando várias letras. Ao coleccionar as letras de A até D transforma a frágil moto num carro desportivo mais robusto (não explode ao primeiro toque em inimigos) e com mais poder de fogo. Ainda na estrada de vez em quando surge um camião que diz “SEGA”. A ideia é conseguirmos entrar no camião em andamento (o pessoal old school lembra-se do Kitt a fazer isso), com o objectivo de ganhar mais poder de fogo.

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Briefing da primeira missão

Depois de coleccionar as letras E e F o carro é transformado num avião e aqui o jogo toma completamente uma proporção de shooter vertical. Tal como em vários outros shooters da época, pode-se disparar em 2 níveis diferentes: à altura da nave e largar bombas para inimigos que estejam no solo. Também é possível adquirir vários outros power-ups quando se está em voo. Enquanto se está no ar basta novamente 1 hit para voltar ao início da secção aérea. O esquema de vidas é que é curioso. No início de cada missão temos um timer. Enquanto esse timer não chegar a zero, podemos morrer as vezes que quisermos que não tem problema. Depois desse tempo já é a “doer”. Felizmente várias vidas podem ser adquiridas quer em powerups quer na pontuação corrente.

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"Easy right!"

Passando para o aspecto técnico da coisa e tendo em conta que o ano era 1986, Action Fighter não é muito mau. Não tem gráficos muito variados, é verdade, mas as sprites são detalhadas o suficiente e o jogo é bastante colorido, algo que nem muitas consolas da altura podiam dar-se ao luxo de fazer. Já o som é aquela eterna pedra no sapato. Para quem está habituado ao chip sonoro da Master System até que pode nem desgostar. A jogabilidade em si não é muito boa, principalmente na parte terrestre, onde é muito fácil perder o controlo do veículo, podendo ter consequências fatais. No final de contas, Action Figher não é um jogo que tenha envelhecido muito bem, e seja apelativo para jogar nos dias de hoje. Recomendo apenas a coleccionadores ou fãs do género.

Rastan (Sega Master System)

RastanO sucesso de filmes como Conan the Barbarian alastrou-se ao mundo dos videojogos, nos finais da década de 80, tal como toda a cultura “ninja”. Isso acabou por se traduzir em jogos como Golden Axe ou este Rastan. Rastan é um sidescroller old-school lançado originalmente para as Arcades através da Taito, durante a segunda-metade dos anos 80. Recebeu várias conversões para outras plataformas da mesma época, incluindo a que trago hoje, que saiu em 1988. Foi dos poucos jogos produzidos por uma third party para a consola da Sega durante os anos 80, devido às políticas altamente restritivas e monopolistas que a Nintendo então tinha. A minha cópia foi comprada algures em 2005/2006, num lote de uns 10 para a Master System que me ficaram por cerca de 7€ no total, no miau.pt. Um bom negócio!

Jogo com caixa e manual

Este será um post mais curto, visto que não há muito a dizer sobre este jogo. A história prende-se com o mercenário bárbaro Rastan que foi chamado por um rei para resgatar a sua filha da região de Semia, uma terra controlada por monstros e pelo vilão Karg. Sim, é mais um cliché do “salva a princesa do gajo mau”. O jogo em si é um sidescroller, mas ao contrário de muitos jogos do seu tempo, em Rastan os níveis decorrem ao longo de 4 direcções, existindo por vezes alguns pequenos caminhos alternativos, ao contrário da esmagadora maioria dos sidescrollers da época, onde a acção era sempre da esquerda para a direita. Um problema com Rastan é a sua jogabilidade travada que não cresceu bem ao longo do tempo. Os saltos que Rastan dá são difíceis de se controlar, e como o jogo tem várias partes em que skills de platforming são bem precisas, como saltar de corda em corda, podem tornar o jogo um pouco irritante. O jogo está dividio em 6 zonas, cada zona com 3 níveis sendo que no terceiro existe um boss. Felizmente, Rastan não é daqueles “1hit kills”, aqui existe uma barra de energia para o bárbaro. Ao longo do jogo Rastan irá encontrar vários items, desde diferentes armas, escudos, armaduras, items restaurativos ou até veneno que retira energia ao bárbaro.

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A preparar-se para desfazer mais 2 baddies

Graficamente o jogo não é nada de especial, mas considerando que é um jogo de 1988 não está nada mau e até é uma das melhores conversões do original da arcade. As sprites é que são bastante pequenas, e os níveis graficamente são algo simples. Os inimigos ainda são bastante variados e são o que se estaria à espera de encontrar num jogo com esta temática. Desde morcegos e cobras gigantes até vários monstros verdes com espadas ou machados, esqueletos “vivos”, feiticeiros, e outros bichos que tal. Algo controverso em Rastan é que este é um jogo violento e controverso tendo em conta a época em que saiu. Os inimigos são esquartejados e desfazem-se em poças de sangue, o manual inclui artwork dos inimigos, alguns com nudez feminina, etc. Embora nos dias de hoje isto seja algo não tão incomum, a verdade é que esses jogos levam logo um rating para idades mais adultas, mas naquele tempo não havia nada disso. Não que isso me incomode, já agora. A nível de som não esperem uma obra prima, a Master System não tem mesmo um bom chipset de som (se não contarmos com o FM japonês – isso é uma história completamente diferente).

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Exemplo da artwork polémica – isto é uma Gorgon

Rastan é uma série que viu 3 jogos ao longo dos anos (mais um ou outro cameo), mas talvez apenas este jogo viu algum sucesso. Foi convertido para vários computadores da época, como o Commodore 64, ZX-Spectrum ou o Apple IIgs. Não é um jogo fantástico, mas como sempre gostei desta temática creio que não custa nada vocês experimentarem-no um dia. Recentemente saiu para PC, PS2 e Xbox uma compilação de nome Taito Legends, Rastan está lá e é uma conversão perfeita do original Arcade. Eu diria que era a melhor versão para se jogar actualmente, a menos que prefiram a emulação.

Terminator 2: Judgment Day (Sega Master System)

t2-terminator-2-judgment-day-coverTerminator 2, um dos melhores filmes de acção dos anos 90. Como filme de sucesso, vários foram os jogos desenvolvidos para capitalizar sobre o filme. Só a Master System tem 2, este Judgment Day, conversão por parte da Acclaim/Flying Edge de um jogo igual produzido pela LJN para a NES, e o “Arcade Game” um shooter em primeira pessoa à moda de Operation Wolf ou, fazendo um paralelismo com jogos mais recentes, Time Crisis. O jogo de NES é muito mauzinho e esta versão não lhe fica muito atrás, pelo que este vai ser um post relativamente curto. A minha cópia custou-me uns 5€, foi comprada numa loja perto da minha escola secundária na Maia, cuja loja já fechou.

Terminator 2 Judgment Day SMS
Jogo completo com caixa, manual multilingue e pt

A história toda a gente deve conhecer, mas cá vai. Em 1997 o sistema de computadores do departamento de defesa norte americano “Skynet” adquire vontade própria e lança mísseis contra a Rússia, iniciando dessa forma uma nova guerra mundial e holocausto nuclear que elimina uma grande parte da raça humana. Skynet evolui, construindo elaborados Cyborgs para combater os humanos sobreviventes. Após ter tentado enviar um desses cyborgs ao passado para assassinar Sarah Connor, mãe de John Connor, líder da resistência humana no futuro e ter falhado a sua missão, Skynet envia um T-1000, novo modelo mais avançado para assassinar John na sua adolescência. Os rebeldes conseguem capturar e reprogramar um cyborg T800 e enviam-no para o passado com a missão de proteger John Connor.

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Primeiro nível, sem arma

O jogo é uma mistura entre plataformas e shooter horizontal (como Contra mas muito pior), onde tomamos o controlo do T-800 ao longo de vários cenários retirados do filme. Começamos num cenário à noite, num parque de camionistas e posteriormente num bar (onde o Arnold ia buscar roupas e armas – embora felizmente ele começa o jogo já com roupa). O primeiro nível é todo jogado sem qualquer arma, apenas podemos dar murros, que têm um fraco alcance. Em seguida, já devidamente armados vamos em busca de Sarah Connor no seu manicómio, onde temos o primeiro contacto com o T1000. Este nível está repleto de várias portas e elevadores, tendo um layout algo confuso. Os níveis seguintes são o assalto à Cyberdyne e o final na fundição. Pelo caminho ficou um nível referente à fuga de Arnold numa moto, sendo perseguido pelo T1000 num camião. Na NES esse era um nível especialmente frustrante, talvez por isso tenham decidido retirá-lo na versão Master System e Game Gear.

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Exemplo de uma das "cut-scenes" do jogo

A nível de jogabilidade, como a maioria dos jogos 8 bit, os controlos são simples. Botão direccional para movimento, um botão de salto e um outro de ataque. Infelizmente a jogabilidade é má. Existem níveis que exigem saltos muito precisos, e isto não é nenhum Super Mario Bros, nem para lá caminha. Arnold quando está desarmado apenas pode dar murros, que têm um alcance muito limitado. O jogo comporta-se em parte como um beat’ em up no primeiro nível, onde Arnold só pode progredir no nível derrotando os inimigos todos, desarmado. Se ao menos tivesse mais golpes… O facto de as sprites também serem muito pequenas não ajuda nada. Graficamente o jogo está bem mais colorido do que a versão NES, devido à maior palete de cores existente na Master System e Game Gear. Infelizmente não colocaram as sprites maiores, o que é pena. Ao menos os cenários têm mais detalhe, mas também não esperem nada de especial, estou apenas a comparar com a versão original. Este jogo tem vários diálogos ao longo do mesmo, explicando a história, acompanhados de algumas imagens. A versão NES pareceu-me mais variada nestas imagens. O som não é nada bom. O chip sonoro standard da Master System sempre foi o seu calcanhar de aquiles e em jogos de 3ª categoria mais vale deixar a TV no mute.

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O "reencontro" com Sarah Connor

Comprei este jogo apenas por motivos de coleccionismo, e por ter uma capa badass. Existem várias versões deste jogo espalhadas noutras consolas e computadores, as versões NES, Master System e Game Gear são praticamente o mesmo jogo, tendo servido também de base para as outras versões, até porque as produtoras são as mesmas. Mesmo tendo várias diferenças, todos os jogos são maus.

Desert Speedtrap (Sega Master System)

desert speedtrapO jogo que trago hoje é daqueles jogos que quando eramos pequenos gostavamos bastante, mas hoje pegando neles vemos que afinal não era nada de especial. Era o que dava, não ter muito mais o que jogar! Este jogo creio que me foi oferecido por uns tios meus algures em 1997, último ano em que me lembro de ver jogos de Master System novos nos hipermercados. Creio que custava 4 contos na altura. Está completo e impecável. Esta minha edição é uma das “Portuguese Purples” que já mencionei no post da minha Master System III. Em Portugal foi também lançado o jogo na sua versão original, com a capa em quadriculado branco. Edit: Recentemente comprei na cash converters uma edição normal por 15€.

Desert Speedtrap SMS
Jogo completo com caixa e manual PT

Desert Speedtrap é um jogo de plataformas produzido pela Probe, tendo saído já num ciclo avançado de vida para a Master System, em 1993. O jogo tem aquele feel “cartoon” que os desenhos animados do Roadrunner e Coyote tanto nos proporcionavam. Personagens a andar no ar  para depois se aperceberem e finalmente cair, muitas pancadas nas paredes, enfim, os clichés estão todos aqui. Apesar de haver alguma (pouca) variedade, os níveis são todos situados nos desertos da américa central. Uns mais industriais (refira-se: minas), uns outros em diferentes alturas do dia, mas a verdade é que os níveis parecem ser sempre mais do mesmo.

Jogo completo com caixa e manuais na sua versão PAL normal

O objectivo do jogo consiste em atravessar os níveis dentro de um tempo limite, derrotando ou evitando os inimigos presentes e, em último lugar, escapar à perseguição de Coyote. Nos níveis existem dezenas de estrelas espalhadas que ao serem coleccionadas, para além de aumentar a pontuação dão um boost no relógio. Ao derrotar os inimigos, estes podem deixar vários powerups diferentes. Desde invencibilidade, bónus de 30s, multiplicador de pontos por 10, etc. Roadrunner ataca os inimigos saltando para cima deles, e a sua “vida” divide-se em 4 hit points. Roadrunner pode recuperar vida ao comer alpista espalhada ao longo dos níveis. Alguns pratos apenas contém alpista para restabelecer apenas um ponto de vida, outros podem restabelecer até 3 pontos de vida. Ainda assim existem alguns pratos que podem ter sido armadilhados pelo Coyote, tirando 2 pontos de vida. Não há maneira de distinguir os pratos “bons” dos armadilhados, é uma questão de os memorizar. Perto do final de cada nível Coyote começa a perseguir-nos através de algum veículo. Sejam foguetes, autocarros ou até mini-helicópteros, nesta parte do nível o objectivo não é derrotar Coyote, mas sim evitar o seu contacto e procurar a tabuleta que diz “Exit”. Ao alcançar esta tabuleta, Coyote espalha-se sempre, tal como nos desenhos animados.

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Ecrã título do jogo

O jogo encontra-se dividido ao longo de 14 níveis, cada 2 dentro da mesma “zona” e com Coyote com o mesmo veículo. Acontece que se no ecrã das opções mudarmos a dificuldade para “easy” apenas temos acesso a pouco mais de metade do jogo. Isso não vem escrito no manual, e eu quando era mais novo jogava sempre em easy e sempre pensei que tinha acabado o jogo. Antes de cada nível é mostrado um mapa com a posição actual de Roadrunner e no “último” nível Roadrunner ainda se encontrava +/- a meio do mapa. Sempre achei isso estranho e a certa altura decidi voltar a jogar o jogo em “Normal”, aí sim acabei por chegar ao final real, apesar de o jogo não oferecer muito mais conteúdo “inédito”.

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Ecrã de introdução de um dos primeiros 2 níveis

O que menos gosto neste jogo é a jogabilidade. É difícil controlar a velocidade a que RR se desloca, podendo dar pequenos passos como uma corrida pouco tempo depois. Isso e o facto de RR sempre ficar um pouco suspenso no ar quando corre para fora de um desnível (mesmo que seja pequeno) e demorar algum tempo a cair, ficando susceptível de ataques inimigos. É engraçado uma vez ou outra, mas sempre cansa. O facto de RR também correr demasiadamente rápido e ganhar muita inércia (dificultando a travagem) é problemático pois muito facilmente podemos sofrer dano de algum inimigo. Ao menos em Sonic podemos rodopiar para de certa forma nos proteger do contacto inimigo. Os controlos são simples. D-pad para movimentar RR (cima e baixo para deslocar a câmara nessa direcção), botão 1 para saltar e botão 2 para comer alpista, quando perto de um prato.

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Ecrã de jogo, aquelas gotas também magoam o RR (!!!)

Visualmente, Desert Speedtrap até tem bons gráficos com sprites detalhadas e coloridas. O problema é mesmo a falta de variedade nos cenários. Sonoramente o jogo não é nada de especial, e mesmo a música tradicional dos Looney Tunes se torna irritante ao fim de algum tempo. Os instrumentos MIDI utilizados não foram os melhores… Ao menos sempre tem o característico som “bip-bip”. O jogo saiu também para Game Gear que, ao que saiba, é virtualmente idêntico, diferenciando apenas na menor resolução do ecrã e uma paleta com mais cores. Recomendo a sua compra apenas para coleccionadores (sendo a edição Portuguese Purple uma das mais cobiçadas).