Legend of Illusion (Sega Game Gear)

Tempo de voltar à Game Gear e às rapidinhas, com aquele que foi o último jogo da série Ilusion do Mickey, pelo menos até há poucos anos atrás a Sega ter desenvolvido um remake do primeiro clássico, o Castle of Illusion. E este Legend of Illusion é o follow up do Land of Illusion, um excelente jogo de plataformas lançado também para as consolas de 8bit da Sega. O meu exemplar foi-me oferecido por um amigo meu, já há algum tempo.

Apenas cartucho

A história por detrás do jogo leva-nos ao mundo da Disney, mas nos tempos medievais. Aqui, o vilão Bafo é rei e o seu reino é subitamente assolado por uma nuvem negra que destrói as colheitas. De acordo com uma lenda antiga, seria necessário o Rei ir à procura de uma água mágica, de forma a quebrar aquela maldição. Mas Bafo é um cobarde, pelo que torna o seu lacaio Mickey como rei honorário e envia-o para essa demanda. Pelo meio vamos visitando os reinos de Donald e Pateta que também atravessam problemas similares.

Em Legend of Illusion voltamos à idade média para defrontar um feiticeiro e um dragão. Só falta salvar uma princesa!

A nível de mecânicas de jogo, este Legend of Illusion é um pouco diferente dos restantes jogos da série, devido ao facto do ataque principal não ser saltar em cima dos oponentes, mas sim atirar-lhes com bolas de sabão (ou apanhar blocos e atirar-lhes). De resto é um jogo de plataformas clássico com um botão para saltar e outro para atacar. Pelo caminho vamos encontrando vários itens para apanhar, alguns que vão restaurando a barra de vida ou mesmo aumentá-la, vidas extra, ou simplesmente mais pontos. Ao contrário de Land of Illusion onde havia alguma não linearidade no progresso do jogo, que nos encorajava a explorar cada nível ao máximo de forma a descobrir todos os seus segredos, aqui as coisas são mais lineares. Os níveis são todos fantasiosos, desde castelos, florestas ou montanhas, existindo ainda um nível onde voamos numa libelinha gigante, com o jogo a ganhar mecânicas semelhantes às de um shmup. Existem ainda outros níveis interessantes, como a Crystal Forest que até inclui portais como os de Portal. No entanto este nível é uma excepção e não a regra, pois no geral, acho este Legend of Illusion um jogo com um design de níveis menos imaginativo.

Aqui a principal arma do mickey são bolas de sabão. O sabão devia ser mesmo tóxico na idade média!

Graficamente também não acho que seja dos melhores jogos da série, pois o Land of Illusion facilmente leva esse troféu nas versões 8bit. Acho que o jogo não possui cores tão vivas quanto os anteriores, e com isso os gráficos também sofrem um pouco. O bom daqui está mesmo nas cutscenes entre cada nível, repletas de imagens de alta qualidade. Já nas músicas infelizmente também não achei que fossem lá muito boas. Não deixa no entanto de ser um jogo interessante. Talvez não tão bom quanto o anterior, mas um jogo de plataformas bem competente de qualquer das formas.

Out Run Europa (Sega Game Gear)

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Voltando agora às rapidinhas, o jogo que cá trago é daqueles que destoam dentro de uma franchise bem conhecida e de sucesso. O Out Run original deveria dispensar quaisquer apresentações apresentações e após a U.S. Gold e Probe terem desenvolvido as conversões para a maioria dos microcomputadores populares na Europa, lá devem ter conseguido algum acordo com a Sega para desenvolverem um jogo inteiramente novo. O resultado final saiu em 1991, para uma panóplia de diferentes microcomputadores e para as consolas de 8bit da Sega. O meu exemplar da Game Gear custou-me 5€ e foi comprado há uns meses atrás na cash converters do Porto.

Jogo com caixa

Ao contrário dos OutRun mais convencionais, este jogo, tal como Battle Out Run, acaba por ser bem mais inspirado no Chase H.Q. embora tenha mais algumas influências do Out Run. Já passo a explicar. Basicamente a nossa personagem é o espião Simeon Kurtz, que persegue pela Europa uns criminosos de elite que roubaram documentos secretos. Até aqui tudo bem, vamos passeando ao longo de vários países europeus como Inglaterra, França, Espanha, Itália ou Alemanha, a bordo de diferentes veículos como uma moto, um Ferrari Testarossa, Porsche, ou mesmo um barco ao atravessar o Mediterrâneo.

Começamos por fugir de Londres numa moto, podendo dar pancada como no Road Rash!
Começamos por fugir de Londres numa moto, podendo dar pancada como no Road Rash!

A jogabilidade é algo estranha, mas já a passo a explicar. Olhando para o ecrã há 3 itens que devemos ter em consideração. O primeiro é o nosso escudo. Basicamente por cada tiro que recebemos ou colisão causada por carros inimigos, os nossos escudos diminuem. Ao passar por checkpoints ou no final de cada nível estes vão sendo restaurados em parte. Depois temos o número de balas e de turbos disponíveis, estes já podem ser apanhados como power-ups que vão sendo largados na estrada. Com estas 3 peças já estão mais ou menos a ver o que vos espera. Out Run Europa é então um jogo de corridas mas também com foco no combate. Carros inimigos e até carros da polícia vão tentar nos albarroar e/ou prender. O nível das motos até se comporta como uma espécie de Road Rash, pois podemos dar socos às motos dos nossos oponentes. Noutros podemos disparar tiros de pistola, onde muitas vezes um é suficiente para fazer explodir o carro adversário. Nos níveis onde atravessamos o mar podemos ter de enfrentar também helicópteros. E nem todos os veículos que se atravessam no nosso caminho são de maus da fita. Alguns são meros civis que apenas nos atrasam se batermos contra eles e não nos dão quaisquer pontos se forem destruídos. O melhor é evitá-los! Os turbos devem também ser aproveitados da melhor forma, pois também corremos contra o relógio e os obstáculos que enfrentamos ainda são bastantes. Por fim, às vezes teremos algumas bifurcações no caminho a escolher, um dos caminhos é mais curto mas difícil, outro mais longo mas com menor dificuldade.

Paris é atravessada à noite!
Paris é atravessada à noite!

Graficamente é um jogo que me deixa com alguns sentimentos mistos. Por um lado é extremamente bem detalhado. As estradas possuem àrvores ou casas grandes e bem detalhadas, por vezes temos até lagos de um lado e rochas do outro, os backgrounds vão sendo variados, identificando diferentes regiões de vários países europeus. É um jogo visualmente bonito, mas a custo de um framerate não tão bom. Fico bastante curioso em ver a versão Amiga a correr, pois nos screenshots parece ser excelente. As músicas, muito sinceramente gosto de duas, as restantes já não achei grande piada.

Out Run Europa é um daqueles jogos que por muitas vezes é considerado a ovelha negra da série. No entanto, e apesar de o achar realmente diferente do resto da série, acho que até acaba por ser um jogo esforçado. Simplesmente por vezes parece ser demasiado ambicioso para um sistema como a Master System ou Game Gear. Mas estou mesmo curioso com a versão Amiga.

Shinobi II: The Silent Fury (Sega Game Gear)

48576_frontVoltando à Game Gear, o artigo que cá trago hoje é mais uma rapidinha, apesar de ser sobre um dos melhores jogos da plataforma, na minha modesta opinião. Shinobi II continua com a mesma tradição de confusão de nomes entre regiões e entre jogos completamente diferentes entre si. O “verdadeiro” Shinobi II seria o Shadow Dancer de Arcade/Master System, mas não vamos entrar nessa discussão. Este jogo é uma sequela directa do Shinobi da Game Gear, partilhando assim muitas das suas mecânicas de jogo, daí este artigo ser uma rapidinha. O meu exemplar foi oferecido por um ex-colega de trabalho há coisa de um ano atrás, juntamente com toda a sua colecção de jogos Game Gear. Edit: Recentemente comprei a um amigo um exemplar completo por 10€

Jogo completo com caixa e manual

A história leva-nos uma vez mais a controlar o ninja vermelho que tem de salvar outros 4 ninjas coloridos, bem como encontrar 4 cristais que dão acesso à area final. A ordem pela qual escolhemos os 4 níveis continua a ser opcional e podemos rejogá-los a qualquer momento, algo que até é necessário se quisermos avançar para o ultimo nível ou completar o jogo a 100%, pois os cristais ou outros power ups importantes como aqueles que nos extendem a barra de vida, geralmente estão bem escondidos, sendo necessário utilizar as habilidades de alguns ninjas específicos para os encontrar. As habilidades inatas e diferentes armas que cada ninja possui mantêm-se idênticas ao primeiro Shinobi da Game Gear, já os Ninjutsus é que me parecem haver algumas diferenças face ao primeiro jogo, mas continuam variados e com diferentes utilizações. De resto a jogabilidade continua excelente. A obrigatoriedade de rejogar os níveis de forma a encontrar os cristais escondidos aumenta a longevidade do jogo e assim que desbloquearmos o último nível, tal como na sua prequela teremos de o percorrer e defrontar os bosses anteriores novamente, bem como estar constantemente a alternar de ninja em ninja e usar os seus ninjutsus, de forma a conseguir atravessar os obstáculos que nos apareçam à frente. Mas ao contrário do primeiro jogo, nem sempre o fundo da sala é da mesma cor do ninja que temos de usar.

Graficamente é um jogo muito bem detalhado para a Game Gear
Graficamente é um jogo muito bem detalhado para a Game Gear

De resto, a nível gráfico e de som, é mais um jogo excelente. Os cenários estão ainda mais bem detalhados e o mesmo pode ser dito dos bosses. As músicas são bastante agradáveis e cativantes, e tudo isto juntando à excelente jogabilidade, dificuldade mais balanceada e maior longevidade do jogo, tornam-no, na minha opinião, num dos melhores jogos de acção para uma portátil de 8bit.

Sensible Soccer (Sega Game Gear)

201396_frontUltimamente o tempo para jogar e escrever não tem sido muito, pelo que lá vai ter de ser mais uma rapidinha, novamente com um jogo de futebol para a Game Gear. E a escolha de hoje recai na conversão de um dos jogos de futebol mais famosos da década de 90, o Sensible Soccer, desenvolvido originalmente pela Sensible Software para o Commodore Amiga. Inspirado por outros jogos como Kick Off, Sensible Soccer mantinha uma perspectiva aérea, embora mais abrangente, e uma jogabilidade relativamente simples, mas frenética, sendo um jogo excelente para o multiplayer com amigos. Como esta versão se saiu? Já veremos. O meu exemplar veio de um bundle que comprei recentemente na feira da Vandoma no Porto por 5€ que continha vários jogos. Ficou-me muito barato assim sendo.

Apenas o cartucho, mais uma vez
Apenas o cartucho, mais uma vez

O Sensible Soccer possuía uma jogabilidade frenética, onde com um botão apenas se fazia tudo. Correr com a bola era uma arte e o botão de chuto era usado tanto para fazer passes como remates, com a intensidade do remate a variar mediante o tempo aplicado na tecla. O aftertouch, a capacidade de controlar a curvatura da bola, foi também modificado, sendo possível também controlar a altura ao usar as diagonais do d-pad. Nesta versão modificaram ligeiramente os controlos para haver um botão de passe e outro de remate, mas dá para alterar nas opções para manter os controlos fiéis ao original se assim entenderem. De resto a outra coisa boa deste Sensible Soccer é a grande variedade e customização de modos de jogo e de equipas. A começar pelas equipas temos 40 selecções, incluindo Portugal, e 64 clubes, incluindo o meu FC Porto, o que só por si já é de louvar. No que diz respeito a modos de jogo, podemos jogar partidas amigáveis, torneios, campeonatos ou outros torneios especiais.

Pode não parecer pelos modestos menus, mas o jogo oferece muitas possibilidades de customização
Pode não parecer pelos modestos menus, mas o jogo oferece muitas possibilidades de customização

Nos torneios normais, podemos customizar uma série de opções como a regra dos golos fora valerem mais, quantas equipas queremos, se pretendemos eliminatórias a 2 mãos ou uma única, entre outros. O modo campeonato permite fazer temporadas com até 20 equipas, a 1, 2 ou 3 voltas. O problema nestes 2 modos de jogo é que temos de o terminar de uma assentada só, pois o jogo não possui mecanismos de save game. As competições especiais são pré-definidas, consistindo em diferentes torneios ou campeonatos com equipas ou selecções, principalmente europeias. Aliás, todas as selecções e clubes desta versão são europeus, daí o título completo ser Sensible Soccer: European Champions.

É verdade que os jogadores são minúsculos neste ecrã, mas não é preciso muito detalhe em Sensible Soccer.
É verdade que os jogadores são minúsculos neste ecrã, mas não é preciso muito detalhe em Sensible Soccer.

Graficamente é um jogo bastante simples, assim como as versões amiga já o eram. E mesmo não sendo tão rápido quanto o original, não deixa de ter uma jogabilidade bastante frenética, que sinceramente me agrada e apesar de estranhar um pouco no início, logo se entranha. As músicas existem apenas nos menus e até que são engraçadas, mas passando para as partidas em si então são substituídas pelos barulhos do estádio. E o barulho do público é muito irritante nesta versão infelizmente, pois é apenas ruído branco, aumentando de intensidade quando alguém marca um golo… De resto graficamente é um jogo muito simples, mas o original também o era.

Posto isto, acho este Sensible Soccer um jogo de futebol muito interessante e a versão Game Gear, mesmo com as suas limitações, pareceu-me ser bem competente. Fiquei com pena por esta versão não ter qualquer tipo de licenciamento de equipas, pois as mesmas são apenas identificadas pela sua cidade. Sporting e Benfica são Lisbon e Lisboa, por exemplo. Creio que o original de Amiga tinha tudo direitinho!

Ultimate Soccer (Sega Game Gear)

ultimate-soccerContinuando pelas rapidinhas de jogos desportivos na Game Gear, o jogo que cá trago agora é mais um jogo de futebol e mais uma entrada numa série que assumiu diversos nomes mediante o sistema e a região em que os seus jogos foram lançados. Lembram-se da série Striker da Rage Software, cuja versão francesa da SNES se chamava Eric Cantona’s Football Challenge? Pois bem, as versões Sega desse mesmo jogo chamam-se Ultimate Soccer. O meu exemplar veio da Cash Converters de Belfast algures no mês de Novembro. Custou-me 2£.

Apenas cartucho
Apenas cartucho

Tal como as outras versões, esta também dispõe de diversos modos de jogo, desde partidas amigáveis para um ou dois jogadores, e competições de selecções, na forma de torneios ou campeonatos. Os torneios envolvem todas as 64 equipas presentes no jogo (Portugal ficou esquecido) e os campeonatos podem incluir até 16 equipas. É também possível practicar os penalties. O jogo toma uma perspectiva aérea semelhante ao World Cup Italia 90, com a jogabilidade a ser bastante rápida e fluída. No entanto, o ecrã pequeno da Game Gear também dificultaria um pouco as coisas, pois as sprites são bastante pequenas na versão Master System. Aqui lá tiveram de fazer um maior zoom ao relvado para se poder disinguir melhor o que está a acontecer no ecrã.

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Graficamente até que é um jogo bem detalhado, com o campo a ser bem definido.

As músicas são bastante festivas e ao contrário de outras versões dos Strikers, aqui também tocam durante as partidas. As animações dos golos são engraçadas! As das faltas são também bastante detalhadas, com o árbitro em grande destaque. De resto, tal como referi acima é um jogo com uma jogabilidade rápida e fluída, muito à imagem de vários jogos de futebol de sucesso de estúdios europeus da década de 90, como Kick Off ou Sensible Soccer. O efeito de aftertouch onde depois de rematar podemos controlar ligeiramente a curvatura da bola está também aqui presente, através do d-pad. Em suma parece-me ser um bom jogo de futebol para a Game Gear, mas considero as versões 16-bit bastante superiores.