Devilish (Sega Game Gear)

Voltando às rapidinhas, o jogo que cá trago hoje é uma interessante revisão do conceito de jogos como Arkanoid ou Breakout. É também notório por ser o primeiro videojogo que a Genki produziu, estúdio esse que nos trouxe mais tarde séries como Tokyo Xtreme Racer ou os RPGs Jade Cocoon. O jogo que estou a falar é nada mais nada menos que este Devilish, cujo meu exemplar foi comprado no mês passado por 10€.

Jogo com caixa

Este é então na sua essência um Arkanoid mais robusto e sidescroller, com uma temática de dark fantasy. Aqui controlamos não uma barra mas sim duas e o objectivo é ir destruindo os blocos/inimigos presentes no ecrã, através de uma bola que vai tabelando entre as nossas barras, as paredes e os blocos/inimigos que toque. Claro que no meio disto tem de haver uma história rebuscada, onde as duas barras que controlamos são na verdade um príncipe e uma princesa que foram amaldiçoados por um vilão que invadiu o seu reino…

Este é um arkanoid bem robusto, mas ainda tinha potencial para ser melhor.

Apesar de já ter descrito muito brevemente as mecânicas de jogo, há aqui algumas nuances a ter em conta: controlamos as 2 barras ao mesmo tempo, sendo que a inferior apenas se pode mover para a esquerda e direita. Por outro lado a outra barra pode-se mover em qualquer direcção, logo que não desça mais que a barra inferior. Para além disso, e como o scrolling vai alternando entre o horizontal e vertical, ao pressionar o botão 2 podemos usar as 2 barras numa formação especial de ângulo de 90º, o que pode dar jeito em algumas situações. Para além disso temos um curto intervalo de tempo para completar cada nível, pelo que temos de ir abrindo caminho para a saída do nível o mais rápido possível, não é necessário ter de destruir todos os blocos e inimigos que nos apareçam à frente. Felizmente existem também uma série de outros power-ups que nos podem ajudar, como é o caso de bolas de fogo que conseguem perforar todos os blocos que toque, em vez de fazer logo ricochete, ou outra bola “bomba” que rebenta uma série de blocos de uma vez. Outros power ups incluem tempo ou vidas extra, pelo que é sempre bom perder algum tempo a explorar cada nível. Mas não muito, pois cada nível está dividido em várias fases, incluindo lutas contra bosses, e o relógio nunca pára.

O que mais gostei no jogo é mesmo a sua direcção de arte. Fez-me lembrar o Dragon’s Fury!

Graficamente é um jogo bem detalhado, embora poderia ser um pouco melhor nas suas animações. Ainda assim, o setting de dark fantasy é algo que sempre me agradou e aqui não poderia deixar de ser diferente. As músicas, nada de especial a apontar, não ficam na memória, mas não desgostei de as ouvir.

Portanto este até que é um jogo original e interessante e pelos vistos teve sucesso suficiente para uma sequela, que acabou por sair antes para a Mega Drive, mas infelizmente não na Europa.

Chakan (Sega Game Gear)

Continuando pelas rapidinhas e pela Game Gear, este jogo que cá trago hoje é a adaptação para a Game Gear de um jogo de mesmo nome que tinha sido lançado para a Mega Drive, por intermédio da Sega of America. Por sua vez, ambos os jogos são baseados numa comic norte-americana do mesmo nome, que conta a história de Chakan, outrora um guerreiro poderoso, mas após um duelo com a morte, ganhou o presente envenenado da imortalidade, com o preço de ter de erradicar uma série de demónios antes de poder retomar à sua forma original. O meu exemplar foi comprado na Feira da Vandoma do Porto, algures no mês passado, tendo-me custado 5€. Edit: arranjei recentemente um exemplar completo.

Jogo com caixa e manual.

Este é um jogo de acção e plataformas inteiramente não linear. Somos largados numa espécie de hub world onde podemos encontrar 6 portais que nos levam para diferentes níveis, podendo estes serem jogados em qualquer ordem. Os níveis em si vão sendo algo labirínticos e repletos de inimigos, pelo que o desafio está sempre lá, até porque a jogabilidade exige alguma práctica. Isto porque Chakan pode atacar com as suas espadas em qualquer direcção, obrigando-nos a usar o d-pad em conjunto com o botão de ataque, se quisermos direccionar os ataques de outra forma. É possível também fazer um salto duplo e atacar durante esse mesmo salto duplo, o que é bastante útil pois estamos temporariamente invulneráveis emquanto rebolamos no salto duplo. Rebolar no chão é também uma possibilidade e será bastante útil em algumas circunstâncias. Depois os níveis também são algo labirínticos e cheios de passagens secretas, pelo que exigem uma abordagem cuidada. É certo que Chakan é imortal, mas ao esgotar-se a sua barra de vida somos levados de novo ao hub world e teremos de recomeçar o nível do zero.

Graficamente é um jogo excelente, com níveis e sprites muito bem detalhados para uma portátil 8bit

No final de cada nível temos sempre um boss para defrontar, e no caso de jogarmos na dificuldade máxima, acabamos por desbloquear um nível e boss extra. Ao longo dos níveis vamos encontrando também várias poções mágicas que podem ser usadas no sistema de alquimia do jogo, bem como algumas espadas elementais mais poderosas, muitas vezes muito bem escondidas. O sistema de alquimia usa as poções que vamos encontrando ao longo do jogo, cujas combinações nos podem atribuir alguns poderes temporários, como destruir todos os inimigos presentes no ecrã, invisibilidade, um escudo extra, duplicar o poder de ataque, entre outros, incluindo regenerar a nossa vida, que não regenera de outra forma, nem ao mudar de nível. São poderes que nos vão dar um jeitaço e devem ser usados com precaução!

Chakan apesar de ser imortal, sofre dano. E o jogo é desafiante!

De resto a nível audiovisual devo dizer que este é um jogo que me agradou bastante. As sprites são grandes, os níveis muito bem detalhados graficamente. Existe alguma variedade nos visuais entre os níveis, mas são todos sinistros e infernais, o que me agrada bastante. Os inimigos e principalmente os bosses também estão bem desenhados! O jogo possui também uma longa cutscene de introdução que está graficamente bem representada. As músicas por outro lado não são nada de especial, mas ouvem-se bem.

Fiquei agradavelmente surpreendido por este Chakan. A sua jogabilidade exige alguma práctica, e o jogo em si é desafiante. Mas tecnicamente parece-me excelente! Fico ainda mais curioso em um dia jogar a versão Mega Drive que um dia há-de vir cá parar à colecção.

Chuck Rock (Sega Game Gear)

De forma a compensar a minha ausência, irei publicar uma série de rapidinhas nos próximos dias. Começando pela Game Gear, o jogo que trago cá agora é a adaptação para esta consola do Chuck Rock, desenvolvido originalmente pela Core Design para computadores como o Commodore Amiga e Atari ST, tendo sido posteriormente convertido para uma série de outras plataformas 8 e 16 bit. Para as consolas da Sega, as primeiras conversões sairam precisamente na Master System e Game Gear, cuja minha cópia foi comprada algures no mês passado de Junho na feira da Vandoma do Porto por 5€.

Jogo com caixa e manual

Embora não seja propriamente notório nesta versão, a menos que eventualmente esteja explícito no manual, a história do Chuck Rock recai no cliché do costume, onde teremos de salvar a nossa mulher que foi raptada por um vilão qualquer da pré-história. O jogo usa as mecânicas clássicas deos platformers, com um botão para saltar e o outro para atacar. Se atacarmos enquanto estivermos a saltar, então o ataque sai um pontapé. Se por outro lado atacarmos enquanto no solo, o ataque é literalmente uma barrigada! Sendo um jogo da Core Design, é normal que haja aqui e ali algum sentido de humor, o que acontece principalmente na cutscene de abertura do jogo, que infelizmente não está aqui representada. De resto é um jogo de plataformas comum, onde temos também a possibilidade de carregar com rochas e usá-las para as atirar aos inimigos ou como plataformas para alcançar zonas de mais difícil acesso. Temos também uma série de itens para apanhar, e tal como em muitos platformers ocidentais desta época, a maior parte dos itens que podemos apanhar traduzem-se apenas em pontos, excepto os corações que nos restabelecem parte da nossa barra de vida.

As sprites até que são grandes nesta versão, mas em contra partida a área visível de jogo é muito reduzida

A nível audiovisual, esta versão do Chuck Rock decepciona um pouco. Na parte dos gráficos, as sprites até que são bem detalhadas, mas peca por ter os fundos todos negros, ao contrário das versões originais que possuem níveis bem mais bonitos e detalhados. Na parte dos efeitos sonoros, bom, esta é uma conversão muito semelhante às primeiras do jogo, pois não possuiam qualquer banda sonora, à parte da música título. Infelizmente a versão Master System também é muito semelhante a esta versão, melhorando apenas na resolução do ecrã.

Este Chuck Rock é então um jogo de plataformas bem decente, mas que nos deixa a saber a pouco, muito pouco, principalmente se depois virmos a versão Mega Drive (ou as originais para o Atari ST e Amiga) em movimento.

Defenders of Oasis (Sega Game Gear)

Durante a era 8 e 16bit, pelo menos no que diz respeito aos RPGs, a balança tendia muito mais para o lado da Nintendo, até porque as suas consolas tinham o apoio de muitos dos produtores de videojogos desses géneros, como a Enix ou a Squaresoft. As consolas da Sega também possuem alguns excelentes RPGs, mas em muito menor número, e muitos deles tendo sido desenvolvidos pela própria Sega. Este Defender of Oasis para a Sega Game Gear não é uma excepção. O meu exemplar veio da feira da Vandoma no Porto, custando-me 8€. Está infelizmente com a label gasta pelo Sol, pelo que planeio em breve trocar este cartucho por outro em melhor estado.

Cartucho com a label desgastada do sol. E é mais um exemplo da artwork da versão ocidental não ter nada a ver com o jogo em si.

A história leva-nos a uma versão fantasiosa e medieval do médio oriente e arábias, onde muitos anos antes da nossa aventura começar, um ser maligno foi trancado numa outra dimensão. Hoje em dia, com um grande e opressor império no poder, estão mais uma vez a tentar ressuscitar esse grande vilão. Nós somos um príncipe de um pacato reino vizinho que se vê no meio desta confusão e lá acabaremos por ser levados numa luta contra o império que invade o seu reino e contra o mau da fita que invariavelmente iremos defrontar no fim do jogo.

Graficamente é um jogo interessante, deixando-nos com pena da Game Gear não possuir muitos mais jogos deste género

Este é um RPG clássico com batalhas por turnos e aleatórias (por vezes até demasiado aleatórias, bastando dar dois ou três passos para activar uma nova batalha). Para além do príncipe e outras personagens que eventualmente se juntarão à nossa party, temos também um génio, que possui algumas particularidades. O génio é o único capaz de usar magias, que são aprendidas ao explorar as dungeons e ler uns murais que nos ensinam novos feitiços. O génio é também o único que não ganha pontos de experiência e sobe de nível, apenas o fortalecemos ao aprender as novas magias da forma que mencionei acima, e usando itens próprios para melhorar os seus pontos de vida, de magia e demais estatísticas.

Ocasionalmente lá vamos vendo algumas cutscenes que vão avançando na história.

De resto é um RPG simples na sua estrutura e história, até porque é pensado para uma consola portátil. Graficamente está um jogo competente, tendo em conta que é uma portátil de 8bit. Os cenários naturalmente têm todos visuais árabes, incluindo alguns monstros que me parecem retirados de lore dos contos das 1001 noites. As músicas possuem também muitas melodias árabes, que a meu ver resultam bem dentro da temática do jogo e são agradáveis de se ouvir.

Portanto, este é um RPG interessante. Não reinventa a roda, é um jogo simples, típico dos RPGs portáteis que se faziam na altura, e é original na temática que aborda, para além de possuir bons audiovisuais.

Streets of Rage II (Sega Game Gear)

Voltando às rapidinhas na Game Gear, o jogo que cá trago hoje é uma das adaptações 8bit do clássico da Mega Drive, e um dos melhores beat ‘em ups de sempre, Streets of Rage II. A outra versão 8bit seria claro a da Master System, que sinceramente até preferia arranjar devido a já ter o primeiro também para essa plataforma. Mas entretanto lá apareceu este cartucho para a Game Gear numa das minhas idas à feira da Vandoma no Porto e não pude dizer que não.

Apenas cartucho

Esta versão segue a mesma história do mesmo jogo para a Mega Drive, onde 1 ano após os acontecimentos do primeiro jogo, que viram o império do crime organizado ser derrubado pelo trio composto por ex-polícias, o Mr X, líder do gangue criminoso, volta à carga e rapta Adam, um dos heróis da aventura anterior. Axel, Blaze e as novas caras de Skate (irmão mais novo de Adam) ou Max juntam-se e lutam novamente contra o gangue, nas ruas da fúria 2.  Infelizmente Max não está nem nesta, nem na versão Master System.

Em relação à versão Master System, para além de possuir alguns níveis distintos, esta versão está ampliada para melhor se adaptar ao ecrã da Game Gear

A jogabilidade é muito superior à do primeiro Streets of Rage para a Game Gear, que tinha vários problemas. Aqui as coisas são mais fluídas e com uma dificuldade mais balanceada (algo que a versão Master System deste mesmo jogo é muito criticada) e a jogabilidade replica um pouco aquilo que vemos na Mega Drive. Os golpes especiais são também possíveis de ser executados aqui, mas ao contrário do original, não há qualquer penalização para o fazer. Existe também um modo cooperativo para 2 jogadores, que requer o cabo que serve para interligar 2 Game Gears, mas nunca o cheguei a testar.

Graficamente é um jogo colorido e bem detalhado, tendo em conta as limitações da consola e do seu ecrã. No entanto quando temos mais que dois oponentes no ecrã ao mesmo tempo o jogo sofre um pouco com quebras de framerate. Os níveis em si são em menor número e variedade que o original da Mega Drive, embora existam também alguns segmentos inteiramente novos. As músicas são muito boas, até porque mais uma vez o Yuzo Koshiro meteu aqui a mão. Alguns dos temas são logo reconhecíveis da versão Mega Drive e não ficaram nada mal.

Um dos níveis exclusivos desta versão tem um feeling muito alienígena

Streets of Rage II é facilmente o melhor jogo do género para a Game Gear, embora sinceramente a portátil da Sega nunca teve grande concorrência dentro desse género, no seu catálogo de jogos. Está longe do brilhantismo da versão Mega Drive, mas para uma portátil 8bit ficou muito bom.