Raystorm (Sony Playstation / PC)

Raystorm é o terceiro título da saga que se iniciou com o RayForce em 1993 nas arcades, mas é o primeiro da série a ser completamente em 3D poligonal. Foi lançado originalmente também nas arcades em 1996, tendo posteriormente recebido conversões para múltiplos sistemas (incluindo a Sega Saturn, sob o nome de Layer Section 2, no Japão apenas) nos anos seguintes. Na colecção tenho por cá uma versão manhosa de PC que comprei por 1€ a um vendedor numa feira de velharias há uns meses atrás, bem como uma interessante versão rental para a Playstation, que comprei a alguém no facebook por 10€ algures no passado mês de Junho. Será precisamente na versão Playstation que irei incidir este artigo.

Jogo com caixa, na sua versão rental.

A história coloca-nos a bordo de uma nave espacial toda poderosa e, sozinhos, iremos como é habitual enfrentar um exército inimigo que invadiu o planeta Terra. Ao longo de 8 níveis, iremos então percorrer diversas paisagens no nosso planeta, para depois combater em pleno espaço e, por fim, no planeta inimigo. Não é nada original, mas sinceramente também não interessa muito neste estilo de jogo, logo que a jogabilidade seja boa e se possível os visuais também! E felizmente, é um jogo que responde muito bem em ambos os campos.

Versão para PC, com caixa e papelada. Infelizmente é esta versão horrível da xplosiv, mas por 1€…

A nível de jogabilidade é um jogo simples, onde inicialmente dispomos de 2 modos de jogo distintos para escolher, com a conversão arcade, mas também o modo “extra”, onde este último parece ser apenas uma versão remix da versão arcade, com mais inimigos e diferentes padrões de movimento e disparo. Inicialmente podemos escolher uma de 2 naves, que possuem armas diferentes, mas com uma jogabilidade idêntica. Aqui temos 2 botões de disparo, um para disparar os raios laser com rapid fire, outro para fazer lock-on de inimigos e, quando o largamos, são lançados projécteis teleguiados que atacarão os mesmos. Para além de armas diferentes, o número de alvos que conseguimos fazer lock-on também varia de nave para nave. De resto temos ainda um outro botão usado para despoletar o special, um ataque bastante poderoso e que causa dano a todos os inimigos presentes no ecrã! Este não tem propriamente munições limitadas, simplesmente apenas o podemos usar quando a barra de special esteja cheia, o que vai acontecendo gradualmente, com cada ataque de “lock on” bem sucedido. E para fazer lock-on nos inimigos, não basta carregar no tal botão, temos também de guiar a nave para que a sua mira, que paira um pouco à sua frente, entre em contacto com os inimigos. Ora como essa mira não está assim tão longe da nave quanto isso, também nos obrigará a conduzir a nave para muito próximo das naves inimigas, o que é naturalmente bem mais arriscado.

Graficamente é um jogo muito bem conseguido, repleto de bonitos efeitos de luz e transparências

E claro, o jogo não é propriamente um passeio na praia, pois à medida que vamos avançando, teremos inimigos cada vez mais numerosos, com padrões de movimento mais agressivos e, principalmente os bosses, com imensos projécteis pelo ar e nós temo-nos de desviar pelos “pingos da chuva” como se nada fosse. Mas existe algum conteúdo desbloqueável para quem quiser aceitar o desafio. Ao terminar o extra mode podemos experimentar o “13 ships mode“, uma versão mais difícil do jogo, com 13 “vidas”, mas sem qualquer continue. Para quem conseguir vencer esse desafio desbloqueia também o shooting mode, que aparentemente apenas adiciona um contador de alvos falhados e abatidos. Algo decepcionante, sinceramente, mas deve ser bem útil para quem quiser practicar alguma run perfeita.

Como é habitual, no final de cada nível temos de enfrentar um boss e memorizar os seus padrões de fogo

A nível gráfico é um jogo muito bom. A versão Playstation não possui o mesmo nível de detalhe do original de arcade, com os cenários e as naves a serem renderizadas de uma forma mais pixelizada no geral, ainda assim o resultado final é bastante satisfatório, seja no design dos níveis, como no das naves, suas armas e as forças inimigas. Vamos tanto explorar paisagens urbanas, industriais, vales, oceanos, como autênticas batalhas colossais em pleno espaço. É também um jogo repleto de efeitos especiais de luz e transparências, como os submarinos que atacam debaixo de água, ou as naves inimigas que se escondem nas nuvens. Estou curioso para ver como a versão Sega Saturn se tenha safado nesta versão! As músicas são também bastante agradáveis, sempre com uma toada electrónica algo relaxante até, se não fosse por todo a cacofonia que vamos presenceando no ecrã. A versão PC sinceramente não cheguei sequer a experimentar pois temia que não funcionasse bem em sistemas operativos mais actuais. Ainda assim, pelo que vi, parece ser visualmente mais apelativa, ao suportar maiores resoluções e um detalhe gráfico mais nítido. De resto, parece ter exactamente o mesmo conteúdo da versão Playstation.

Gosto bastante do design de alguns dos inimigos!

Portanto este Raystorm é um shmup bastante agradável e que me deixou curioso para experimentar os restantes jogos desta série, caso um dia os venha a arranjar a um bom preço. Pelo menos o Galactic Attack, na sua versão Sega Saturn (conhecido como Layer Section no Japão, daí a versão nipónica deste Raystorm na Saturn ser chamada de Layer Section II por lá), não é um jogo lá muito comum, pelo que é capaz de demorar a chegar cá.

Quest for Glory III: Wages of War (PC)

O final do Quest for Glory II preparava-nos para a sua sequela, o Quest for Glory III Shadows of Darkness… mas o terceiro título tornou-se antes neste Wages of War, um jogo já desenvolvido de raíz para um motor gráfico mais recente, com suporte a maiores resoluções e cores VGA, para além de uma interface verdadeiramente point and click. O Shadows of Darkness ficaria para o quarto título da série. O meu exemplar digital, tal como a esmagadora maioria dos títulos da Sierra que tenho cá vindo a trazer nos últimos meses, foi comprado algures no ano passado através de um bundle que trazia dezenas dos clássicos da Sierra, a um preço muito apelativo.

O protagonista prossegue aqui a sua demanda para se tornar num verdadeiro herói, prosseguindo as suas viagens pelo mundo em busca de novas aventuras. Na prequela estivemos numa terra com fortes influências árabes, mas desta vez vamos prosseguir pelo continente africano e visitar civilizações de influência egípcia ou de tribos subsarianas. O nosso objectivo é o de prevenir uma guerra entre as tribos dos Simbani e dos Leopardmen, que por sua vez irá também arrastar a civilização de Tarna para uma guerra sangrenta. Então iremos tentar a todo o custo que haja paz entre todos, o que será um grande desafio e nos irá obrigar a conhecer bem os costumes de cada uma das civilizações e talvez até fazer um ou outro favor para que sejamos respeitados.

A história começa com um “recap” dos eventos narrados no último jogo e o pontapé de saída para a razão de irmos visitar o continente de Fricana

A nível de mecânicas de jogo este é, tal como os seus antecessores, um híbrido entre uma aventura gráfica point-and-click e um RPG ocidental. Ou seja, vamos tendo batalhas através de encontros aleatórios, mas com um sistema de combate point and click algo parecido com o introduzido no remake VGA do primeiro Quest for Glory. Para além disso o jogo vai tendo ciclos de dia e noite, a necessidade de descansar e comer periodicamente e todas as acções de combate e treino, vão melhorando os nossos stats. Existem várias classes que poderemos escolher ao criar a nossa personagem (ou mesmo importar a personagem utilizada em aventuras anteriores), sendo que cada classe possui habilidades únicas e que por sua vez dão-nos diferentes possibilidades de resolver alguns dos puzzles que o jogo nos colocará pela frente. Já no que diz respeito à aventura gráfica, esta é agora completamente point and click, com a possibilidade de seleccionarmos diferentes ponteiros do rato que por sua vez representem diferentes acções como mover, observar, mexer ou falar. E os diálogos estão também expandidos, com vários tópicos de conversa que podemos clicar para falar, bem como uma interface nova para marralhar nos preços quando tentamos comprar alguma coisa aos inúmeros comerciantes que iremos encontrar.

Depois de desbloqueada no jogo anterior, a classe dos Paladin pode ser usada neste jogo, que por sua vez traz uma série de desafios e quests adicionais

Uma das coisas que não gostei na sua prequela foi o facto de esse ter sido um jogo nos impunha uma agenda algo agressiva, onde certos acontecimentos chave aconteceriam dentro de poucos dias, não nos dando grande margem de exploração e preparação prévia. Aqui, felizmente, tirando os primeiros dias que também têm uma agenda fixa (mas nada de vida-ou-morte), ao longo de todo o restante jogo temos a liberdade para explorar o mapa à vontade. E acreditem, vamos ter de perder muito tempo a explorar o mapa e falar com pessoas para progredir na história, mas também a treinar e combater para ir melhorando os nossos stats. E nesse campo de exploração, há aqui uma certa falsa sensação de grandeza, pois temos um grande mapa-mundo para explorar, onde inclusivamente vemos as personagens em ponto minúsculo a deslocar-se no ecrã, mas a qualquer momento essa viagem pode ser interrompida (seja por nós, seja por alguma batalha aleatória), e sempre que isso acontece há uma transição para um ecrã mais genérico e “ampliado” da zona onde estamos, mas sem grande variedade entre si.

O jogo até que tem algumas personagens bem conseguidas!

Graficamente é um jogo muito bom, na minha opinião. O motor gráfico aqui usado permite uma maior resolução, mas não tão grande para que se perca aquele charme do pixel art muito característico das aventuras gráficas desta era. Os cenários e personagens estão também muito bem detalhados, com o jogo a apresentar um mundo fantasioso, mas também com fortes influências de civilizações africanas, o que não é um conceito lá muito comum nos videojogos. As músicas também vão tendo imensas influências tribais, principalmente na percurssão e no que diz respeito aos efeitos sonoros nada a apontar. Em comparação com os outros títulos da Sierra, só ficou mesmo a faltar o voice acting, que aparentemente já existe na sequela.

As batalhas são novamente travadas recorrendo a point and click de diferentes ícones para defesa e ataque

Portanto este Quest For Glory é uma boa sequela que acaba por corrigir alguns problemas introduzidos pelo seu antecessor imediato, nomeadamente na exploração, pois felizmente já não temos labirintos desnecessários para nos deslocarmos pelas cidades, e também no facto de já não termos uma agenda algo apertada para resolver os conflitos que o jogo nos vai apresentando. Ainda assim, continuo a achar que o sistema de combate não é o mais apropriado, mas tem sido um processo evolutivo. A ver como se safaram no Shadows of Darkness em breve!

Quest for Glory II: Trial by Fire (PC)

O primeiro Quest for Glory, apesar de ser um jogo que não envelheceu lá muito bem, não deixou de ser uma surpresa devido não só à sua não linearidade no seu progresso, mas também por ser um interessante híbrido entre um jogo de aventura gráfica e RPG. Mas desde cedo que equipa por detrás desse jogo que planeava lançar pelo menos 4 jogos (se bem que no final até foram cinco), pelo que não perderam muito tempo a lançar a primeira sequela, este Trial by Fire de 1991. O meu exemplar, tal como o seu predecessor e muitos outros jogos clássicos da Sierra que tenho vindo a trazer cá nos últimos meses, veio através de um bundle comprado para o steam algures no ano passado e que a muito bom preço ficou, tendo em conta que continha dezenas de jogos.

Enquanto que o primeiro jogo tinha uma temática de fantasia medieval europeia, decorrendo inteiramente numa região muito germânica, no segundo jogo o nosso herói viaja para a cidade de Shapeir, uma região árabe, quanto mais não fosse por estar no meio do deserto. Foi precisamente na primeira aventura que conhecemos os kattas (criaturas híbridas entre gatos e humanos) que nos relatavam os problemas que assolavam a sua terra e uma profecia milenar que descrevia que um certo dia iria aparecer um herói para salvar aquela população. Na verdade teremos de enfrentar desafios em duas cidades: Em Shapeir iremos ter de defrontar quatro criaturas elementais que vão causar o caos na cidade e eventualmente lá viajaremos para a cidade de Raseir, cujo governante foi afastado do poder por um feiticeiro e um líder militar, que governam aquela cidade com um pulso de ferro.

Infelizmente o sistema de combate não ficou grande coisa

A nível de mecânicas de jogo, este é também um híbrido entre uma aventura gráfica e um RPG. Inicialmente podemos criar uma personagem que represente uma de três classes: o guerreiro, ladrão ou feiticeiro, visto que cada classe poderá ter diferentes soluções para os mesmos problemas, mas também teremos alguns skill points adicionais que poderemos assignar livremente, podendo construir assim classes mais híbridas e que nos poderão dar acesso a conteúdo extra das diferentes classes. Na verdade, neste jogo é introduzida também a classe de Paladin, que poderá ser alcançada, no final do jogo, mediante as boas acções que possamos (ou não fazer). Mas poderemos também simplesmente importar a personagem que criamos no jogo anterior, herdando todos os seus stats e inventário. De resto, na parte de aventura gráfica este é ainda um jogo que usa uma interface de texto para as acções, apesar de já ter algum suporte ao rato, que pode ser usado para o movimento. Mas para todas as acções como abrir portas, falar com alguém, interagir com objectos, são todas acções que têm de ser escritas. A parte de RPG, bom, temos na mesma um ciclo de dia e noite, a nossa personagem tem de comer e descansar em intervalos regulares e à medida que vamos combatendo e/ou treinando vamos não só ganhar pontos de experiência, mas também ir melhorando aos poucos os nossos stats.

Felizmente ainda vamos tendo algumas personagens bem carismáticas e alguns momentos de bom humor

Mas há aqui algumas coisas que não gostei. Em primeiro lugar, o sistema de combate já no primeiro jogo não era nada de especial mas aqui acho que ficou um pouco pior, pois temos de usar as teclas numéricas para executar ataques/defesa/evasão altos, baixos ou médios. Infelizmente é um bocado clunky. E claro, para além da nossa barra de vida temos também de estar muito atentos à barra de fadiga. A segunda coisa que não gostei muito é a pressão que o jogo exerce enquanto exploramos a cidade de Shapeir. Como o jogo possui ciclos de dia e noite, os elementais surgem em dias certos e teremos de os enfrentar dentro de um tempo limite, antes que estes destruam a cidade. Mas para os derrotar teremos de primeiro obter alguma informação e itens necessários… e bom, na verdade até há tempo suficiente para isso tudo, mas em jogos com um grande foco na exploração, eu detesto ter a pressão de ter ali uns tempos limite a ter em conta para o que quer que seja. A última coisa que desgostei nesta sequela é precisamente a exploração. O primeiro jogo tinha uma cidade central pequena, mas com muita coisa para explorar à volta. Já este é precisamente o contrário. A cidade possui diversas praças espalhadas, mas para as explorar teremos de atravessar um desnecessário labirinto de túneis. Das primeiras preocupações que temos de ter é mesmo comprar uma bússola e um mapa para ajudar na exploração, pois a partir desse momento podemos fazer fast travel para pontos do mapa que já tenhamos descoberto anteriormente.

Movimentar pela cidade através de uma rede de túneis labirínticos também não foi uma boa ideia

A nível audiovisual, este jogo usa ainda a versão SCI0 do motor gráfico da Sierra. Ou seja, temos cenários com maior resolução e logo muito mais detalhe dos apresentados nos jogos que usavam o motor AGI, mas ainda um número muito limitado de cores, devido a usar ainda o sistema EGA. Já a nível de som, tal como no seu predecessor este jogo já suporta placas de som, pelo que vamos tendo algumas melodias para ouvir ocasionalmente, a sua maioria de influências árabes, naturalmente. Mas as músicas apenas tocam em certas alturas, pelo que ainda há muitos momentos de silêncio enquanto vamos explorando os cenários.

Portanto este segundo Quest for Glory confesso que me deixou um pouco desiludido pelos pontos que mencionei acima. O combate ainda não se tornou agradável (pelo contrário, ficou ainda mais desnecessariamente complicado), navegar pelos labirintos de Shapeir é uma seca e acima de tudo, a “pressão temporal” em resolver uma série de puzzles atempadamente retira muita da piada de explorar o jogo livremente, ao nosso ritmo. A ver em breve como evoluiram na sua sequela!

Quest For Glory I: So You Want To Be A Hero (PC)

Voltando aos clássicos da Sierra Online, há aqui uma série que eu desconhecia por completo, os Quest for Glory. São jogos de aventura com uma temática de fantasia medieval, mas ao contrário dos King’s Quest, estes são também um interessante híbrido entre uma aventura gráfica clássica, mas com vários elementos de RPG, o que lhes dá também uma não-linearidade na sua progressão que até é bastante interessante. Tal como os outros clássicos da Sierra que cá tenho trazido ao longo dos últimos meses, este meu exemplar digital veio de um humble bundle que comprei algures no ano passado por uma bagatela, tendo em conta que continha dezenas de jogos!

Este primeiro Quest for Glory decorre na terra fantasiosa de Spielburg onde o herói, um protagonista anónimo que criamos no início da aventura, está ansioso por se tornar um verdadeiro herói e após uma visita ao Adventurer’s Guild mais próximo, poderemos ver uma série de diferentes quests para completar, coisas simples como obter ingredientes para uma curandeira que vive nas imediações da cidade, bem como mais complexas, como investigar o desaparecimento dos filhos do barão local, derrotar a bruxa Baba Yaga ou o líder dos bandidos que têm vindo a aterrorizar a cidade. A piada é que o jogo é completamente não-linear e poderemos tentar resolver estas quests pela ordem que quisermos, algumas até são secundárias mas convém completá-las pois somos sempre recompensados com experiência e/ou dinheiro ao fazê-lo.

Para além de escolher a classe inicial, temos alguns skill points que podemos atribuir de forma livre. E à medida que vamos avançando no jogo, os nossos stats vão também melhorando.

Por um lado esta é uma aventura gráfica, com o lançamento original ainda a usar um parser de texto, ou seja, onde teríamos de escrever uma série de comandos para o protagonista executar, como “knock on door“, “talk to man“, “look at something“, entre outros. Como é habitual nos jogos de aventura gráfica deste tipo, teremos de falar com muitas pessoas, passar os cenários a pente fino em busca de objectos e usá-los com outros objectos ou pessoas para ir avançando na história. Mas então e toda a componente de RPG? Bom, para começar ao iniciar uma nova aventura teremos de escolher qual a classe que a nossa personagem represente como um lutador, feiticeiro ou ladrão. Cada classe possui as suas vantagens e desvantagens e uma vez escolhida, poderemos ainda assignar livremente alguns skill points nos diversos stats, criando assim personagens algo híbridas com atributos de diferentes classes, se assim o desejarmos. Como cada classe tem as suas particularidades, existem também diversas maneiras de concluir algumas das quests. Tipicamente os lutadores usam a sua força física, os feiticeiros podem ter acesso a feitiços específicos para resolver certos problemas e os ladrões, bom, esses têm acesso ao Thieves Guild e podem infiltrar-se em casas, roubar os seus pertences e revender como principal fonte de rendimento.

Mesmo com as limitações dos sistemas EGA, os cenários estão muito bem detalhados

Existem também outras características a considerar como o ciclo de noite/dia, que influenciam o tipo de inimigos que encontramos, os NPCs que poderemos falar e os estabelecimentos que estão abertos ou não. Ou a necessidade de comer em intervalos regulares e ir descansando / dormindo para restabelecer os níveis de fadiga ou de vida. E claro, os combates. Poderemos encontrar a vaguear pelo mapa tanto soldados inimigos como outras criaturas e, caso entremos em contacto é iniciado um combate. Aqui as coisas são um pouco estranhas, pois precisamos de usar teclas direccionais do teclado para atacar (cima), bloquear (baixo) ou evadir (esquerda/direita). Teremos então de estar atentos às animações dos inimigos para evadir ou bloquear os seus golpes com sucesso e aproveitar as janelas de oportunidade para atacar. A qualquer momento no combate podemos também fugir. Mas para além deste lançamento original, a série Quest for Glory, pelo menos no seu primeiro jogo, recebeu também um remake oficial para uma versão VGA no início da década de 90. Aqui, para além dos gráficos mais coloridos e detalhados, temos agora um interface verdadeiramente point and click, com ícones que representam diferentes acções, árvores de diálogo quando falamos com os outros NPCs e estas mudanças também se reflectiram no sistema de combate, que agora também possui ícones clicáveis.

A versão que vem incluída nesta compilação traz também o remake em VGA, que para além de ter uma interface point and click, possui um grafismo bem mais trabalhado e colorido

A nível audiovisual, o lançamento original ainda possuía um sistema de cores EGA, suportando apenas as tais 16 cores em simultâneo. Ainda assim, os cenários eram bastante bem detalhados tendo em conta as suas limitações. A versão VGA é muito mais colorida e detalhada, algo que se reflecte também nos diálogos, agora com caixas de texto com direito a um retrato mais detalhado da personagem com quem estamos a dialogar. Tanto uma versão como a outra possuem já no entanto suporte a placas de som, pelo que escusamos de ouvir os constantes beeps do PC Speaker como em títulos mais antigos. Não existe é qualquer voice acting, o que é pena, pois o jogo tem também a sua dose de bom humor (e referências a outros títulos da Sierra!).

Call of Duty: Advanced Warfare (PC)

Continuando pelas rapidinhas no PC, vamos ficar com mais um título da série Call of Duty, desta vez com o futurista Advanced Warfare. E porquê um artigo curto? Bom, tal como a maioria dos Call of Duty que joguei, apenas me dediquei à sua campanha, embora o jogo possua uma componente muito forte no multiplayer. E já não me lembro bem quando e onde comprei este meu exemplar. Tenho a ideia de ter sido numa worten e não me terá custado mais de 15€.

Jogo com caixa, papelada e 6 DVDs… não é por acaso que muitos jogos de PC actualmente estão disponíveis digitalmente apenas

Ora a campanha deste jogo decorre no futuro, entre os anos 2054 e 2061, onde controlamos o soldado Jack Mitchel (protagonizado pelo actor Troy Baker), outrora membro dos Marines e após uma missão algo falhada na Coreia, acaba por se alistar na Atlas, um grupo militar privado e liderado por Jonathan Irons (protagonizado por Kevin Spacey). Inicialmente o principal antagonista é o líder da KVA, um grupo terrorista que tem estado a semear o caos um pouco por todo o planeta. E à medida que a história vai avançando, a Atlas vai-se tornando cada vez mais poderosa, os conflitos vão escalando e já se está mesmo a ver onde as coisas vão parar!

Graficamente é um jogo que está muito bom

A nível de jogabilidade, esperem por um modo campanha curto, mas com a intensidade do costume. As missões vão alternando entre missões mais furtivas, com várias secções onde teremos mesmo de nos esforçar por passar despercebidos, mas também outras missões de guerra mais aberta. Tudo isto com uma forte componente tecnológica, não fosse o jogo decorrer no futuro. Para além de uma grande panóplia de diferentes armas que poderemos usar, em todas as missões teremos também o auxílio de um exo-esqueleto que nos confere também algumas habilidades adicionais, como a força sobre-humana, correr bem rápido ou saltar bastante alto. Mais tarde teremos também a possibilidade de nos tornarmos temporariamente invisíveis, o que será necessário nalgumas das missões furtivas. Há portanto um grande “piscar de olhos” aos Crysis nesse aspecto, mas as semelhanças ficam-se por aí, pois as missões aqui são bem mais lineares e contidas. Se bem que mesmo assim surpreendeu-me pela positiva, ao termos vários caminhos alternativos por onde podemos optar por seguir e melhor flanquear as forças adversárias! Um outro detalhe interessante é que, entre cada missão, vamos poder melhorar o nosso exo-esqueleto, à medida que vamos cumprindo certos pré requisitos, como alcançar um certo número de kills, outro de kills por granadas, outro por headshots e um outro para os documentos que poderemos encontrar espalhados pelos níveis.

Ocasionalmente também poderemos conduzir alguns veículos futuristas

De resto, para além do modo campanha que mais uma vez afirmo, é curto, mas extremamente competente e eficaz, o “grosso” deste Call of Duty estaria uma vez mais na sua musculada vertente multiplayer competitiva, que eu sinceramente não experimentei sequer. O que também é da praxe é o modo zombies e um outro co-op mais genérico. Este último é aqui intitulado Exo Survival, enquanto o modo zombies é chamado de Exo Zombies, mas uma vez mais, nem sequer os experimentei, pelo que não vale a pena estar-me a alongar nesse aspecto.

Existe uma grande variedade de cenários a explorar, incluindo a Grécia

Do ponto de vista técnico este é realmente um jogo excelente. Aparentemente foi desenvolvido com base num motor gráfico de última geração (para a altura) e isso é bem evidente no poderio gráfico. Teremos então cenários, personagens e efeitos visuais muito bem detalhados e a própria variedade de cenários foi muito benvinda. Para terem uma ideia até uma zona mais histórica da Grécia poderemos visitar! Tive um ligeiro calafrio quando há uma breve menção da minha cidade do Porto numa cutscene, seria interessante vê-la representada num videojogo deste calibre, mas por outro lado também não queria ver a Cidade Invicta em ruínas… De resto a nivel de som e voice acting nada a apontar, continua excelente. Foi interessante ver o papel do Kevin Spacey, embora aqueles plot twists tenham sido bastante previsíveis. A série Call of Duty continuou no futuro nas iterações seguintes, com o Black Ops III de 2015 a ser o próximo título que irei jogar, mas desta vez na PS4.