Quest for Glory III: Wages of War (PC)

O final do Quest for Glory II preparava-nos para a sua sequela, o Quest for Glory III Shadows of Darkness… mas o terceiro título tornou-se antes neste Wages of War, um jogo já desenvolvido de raíz para um motor gráfico mais recente, com suporte a maiores resoluções e cores VGA, para além de uma interface verdadeiramente point and click. O Shadows of Darkness ficaria para o quarto título da série. O meu exemplar digital, tal como a esmagadora maioria dos títulos da Sierra que tenho cá vindo a trazer nos últimos meses, foi comprado algures no ano passado através de um bundle que trazia dezenas dos clássicos da Sierra, a um preço muito apelativo.

O protagonista prossegue aqui a sua demanda para se tornar num verdadeiro herói, prosseguindo as suas viagens pelo mundo em busca de novas aventuras. Na prequela estivemos numa terra com fortes influências árabes, mas desta vez vamos prosseguir pelo continente africano e visitar civilizações de influência egípcia ou de tribos subsarianas. O nosso objectivo é o de prevenir uma guerra entre as tribos dos Simbani e dos Leopardmen, que por sua vez irá também arrastar a civilização de Tarna para uma guerra sangrenta. Então iremos tentar a todo o custo que haja paz entre todos, o que será um grande desafio e nos irá obrigar a conhecer bem os costumes de cada uma das civilizações e talvez até fazer um ou outro favor para que sejamos respeitados.

A história começa com um “recap” dos eventos narrados no último jogo e o pontapé de saída para a razão de irmos visitar o continente de Fricana

A nível de mecânicas de jogo este é, tal como os seus antecessores, um híbrido entre uma aventura gráfica point-and-click e um RPG ocidental. Ou seja, vamos tendo batalhas através de encontros aleatórios, mas com um sistema de combate point and click algo parecido com o introduzido no remake VGA do primeiro Quest for Glory. Para além disso o jogo vai tendo ciclos de dia e noite, a necessidade de descansar e comer periodicamente e todas as acções de combate e treino, vão melhorando os nossos stats. Existem várias classes que poderemos escolher ao criar a nossa personagem (ou mesmo importar a personagem utilizada em aventuras anteriores), sendo que cada classe possui habilidades únicas e que por sua vez dão-nos diferentes possibilidades de resolver alguns dos puzzles que o jogo nos colocará pela frente. Já no que diz respeito à aventura gráfica, esta é agora completamente point and click, com a possibilidade de seleccionarmos diferentes ponteiros do rato que por sua vez representem diferentes acções como mover, observar, mexer ou falar. E os diálogos estão também expandidos, com vários tópicos de conversa que podemos clicar para falar, bem como uma interface nova para marralhar nos preços quando tentamos comprar alguma coisa aos inúmeros comerciantes que iremos encontrar.

Depois de desbloqueada no jogo anterior, a classe dos Paladin pode ser usada neste jogo, que por sua vez traz uma série de desafios e quests adicionais

Uma das coisas que não gostei na sua prequela foi o facto de esse ter sido um jogo nos impunha uma agenda algo agressiva, onde certos acontecimentos chave aconteceriam dentro de poucos dias, não nos dando grande margem de exploração e preparação prévia. Aqui, felizmente, tirando os primeiros dias que também têm uma agenda fixa (mas nada de vida-ou-morte), ao longo de todo o restante jogo temos a liberdade para explorar o mapa à vontade. E acreditem, vamos ter de perder muito tempo a explorar o mapa e falar com pessoas para progredir na história, mas também a treinar e combater para ir melhorando os nossos stats. E nesse campo de exploração, há aqui uma certa falsa sensação de grandeza, pois temos um grande mapa-mundo para explorar, onde inclusivamente vemos as personagens em ponto minúsculo a deslocar-se no ecrã, mas a qualquer momento essa viagem pode ser interrompida (seja por nós, seja por alguma batalha aleatória), e sempre que isso acontece há uma transição para um ecrã mais genérico e “ampliado” da zona onde estamos, mas sem grande variedade entre si.

O jogo até que tem algumas personagens bem conseguidas!

Graficamente é um jogo muito bom, na minha opinião. O motor gráfico aqui usado permite uma maior resolução, mas não tão grande para que se perca aquele charme do pixel art muito característico das aventuras gráficas desta era. Os cenários e personagens estão também muito bem detalhados, com o jogo a apresentar um mundo fantasioso, mas também com fortes influências de civilizações africanas, o que não é um conceito lá muito comum nos videojogos. As músicas também vão tendo imensas influências tribais, principalmente na percurssão e no que diz respeito aos efeitos sonoros nada a apontar. Em comparação com os outros títulos da Sierra, só ficou mesmo a faltar o voice acting, que aparentemente já existe na sequela.

As batalhas são novamente travadas recorrendo a point and click de diferentes ícones para defesa e ataque

Portanto este Quest For Glory é uma boa sequela que acaba por corrigir alguns problemas introduzidos pelo seu antecessor imediato, nomeadamente na exploração, pois felizmente já não temos labirintos desnecessários para nos deslocarmos pelas cidades, e também no facto de já não termos uma agenda algo apertada para resolver os conflitos que o jogo nos vai apresentando. Ainda assim, continuo a achar que o sistema de combate não é o mais apropriado, mas tem sido um processo evolutivo. A ver como se safaram no Shadows of Darkness em breve!

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
Esta entrada foi publicada em PC com as etiquetas . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.