Konami Krazy Racers (Nintendo Gameboy Advance)

Vamos continuar pelas rapidinhas, agora com um clone do Super Mario Kart na Gameboy Advance, nomeadamente este Konami Krazy Racers que foi um título de lançamento desta portátil em todos os territórios. Lembro-me bem de ter lido algumas reviews a este jogo na altura! O meu exemplar foi comprado numa feira de velharias algures no mês passado de Outubro por 1€.

Cartucho solto

Ora tal como referi acima este é um clone do Super Mario Kart, mas em vez de termos as tradicionais personagens do mushroom kingdom, temos antes umas quantas personagens do universo da Konami, desde o Goemon, uma das estátuas das ilhas de Páscoa (típicas da série Gradius), o Dracula de Castlevania, o polvo vermelho de Parodius, entre outras. E este é um kart racer com controlos simples, com os botões faciais a servirem para acelerar e travar, ou os de cabeceira para saltar ou usar itens. Sim, porque sendo este um clone de Super Mario Kart, esperem por apanhar uma grande variedade de itens, power ups e armas que podem ser usadas nas corridas. Estes podem ser mísseis, bombas deixadas nas traseiras, raios eléctricos que atingem todos os oponentes em simultâneo, etc. Para além dos power ups poderemos também encontrar algumas moedas espalhadas pelos circuitos, moedas essas que podem ser posteriormente usadas numa loja para comprar alguns destes itens. A vantagem de comprar (e activar) alguns itens da loja, quando os apanharmos nalguma corrida, poderemos usá-los mais que uma única vez. Portanto esperem por corridas caóticas, não só pela agressividade de todos os power ups a serem usados, mas também porque as pistas vão tendo alguns obstáculos como buracos ou outros empecilhos como bolas de fogo a surgirem do nada.

O ecrã de selecção de personagens é engraçado, mas preferia que dessem os detalhes das características do kart de cada um

No que diz respeito aos modos de jogo temos aqui uns quantos. O modo free run serve para fazer umas corridas rápidas, ideais para practicar. O mesmo poderá ser dito do time attack, onde o objectivo é competir unicamente contra o relógio e tentar o melhor tempo possível. O principal modo de jogo single player é o Krazy GP onde, tal como no Mario Kart, vamos poder competir em diferentes campeonatos, de ordem de dificuldade crescente e cada um dos campeonatos tem 4 corridas diferentes. O objectivo é o de terminar cada campeonato em primeiro lugar e para isso temos também de terminar cada corrida pelo menos em terceiro lugar. Se chegarmos ao fim do campeonato em primeiro lugar, desbloqueamos o “teste de condução” que nos dará a possibilidade de competir nos campeonatos seguintes, que usam karts mais poderosos. Estes testes de condução são um conjunto de provas, desde um time attack onde teremos de terminar uma corrida abaixo de um determinado tempo, corridas contra um rival, ou uma corrida adicional normal, contra 7 oponentes. É um jogo surpreendentemente exigente, onde para venmcer teremos mesmo de memorizar cada circuito, fazer bem as curvas mais apertadas, evitar obstáculos e aproveitar bem os turbos e eventuais atalhos. E claro, temos também de ter uma pontinha de sorte devido aos power ups, é que os nossos oponentes não têm problemas em usá-los contra nós!

Como seria de esperar, o que não faltam são armas e power ups para semear o caos!

No que diz respeito aos audiovisuais, este até que é um jogo bastante colorido e bem detalhado. Todas as personagens e pistas têm um aspecto mais cartoonesco, até o drácula ou ninja do Metal Gear Solid, o que se adequa perfeitamente à atmosfera mais festiva que o jogo tenta passar. Os circuitos decorrem em cenários variados, desde praias, zonas geladas, outras repletas de lava e até umas quantas pistas que piscam mais que um olho à Rainbow Road dos Mario Kart! As pistas são representadas num efeito semelhante ao do Mode 7, mas ao contrário deste na SNES, os circuitos não são apenas planos achatados gigantes, também vamos ter algumas sprites que ajudam a dar-lhes alguma vida. As músicas são também bastante agradáveis, a começar pela música título que é extremamente viciante e é cantada, com voice samples bastante nítidas. As outras músicas são igualmente boas e como seria de esperar vamos também ouvir alguns remixes de músicas retiradas de certos jogos da Konami como a Beginning do Castlevania III, Antarctic Adventure, Parodius, entre muitos outros.

Portanto devo dizer que este Konami Krazy Racers até que é um jogo de karts bem divertido e desafiante, pelo que se forem fãs do estilo recomendo que o experimentem. O facto de ser igualmente uma homenagem às personagens introduzidas pela Konami ao fim de todos aqueles anos, também é um factor muito positivo. Ainda assim, se calhar trocava uma ou outra personagem pelo Sparkster, que a meu ver é uma ausência de peso neste elenco.

The Blues Brothers (Super Nintendo)

Lembro-me perfeitamente de, na escola, usar o computador da sala de estudo para “estudar”. Estudar videojogos que eu, e outros alunos, instalavamos por lá, claro. Um desses era um jogo de plataformas da Titus, o Blues Brothers, que curiosamente apenas joguei lá na escola, nunca o cheguei a copiar e jogar em casa. Este The Blues Brothers para a Super Nintendo é também um jogo de plataformas da Titus, mas também uma sequela ao Blues Brothers de 1991 que referi acima. Este novo jogo é conhecido noutras plataformas como The Blues Brothers: Jukebox Adventures. O meu exemplar foi comprado no mês passado numa Cash Converters, creio que me custou uns 15€.

Cartucho solto

E este é mais um daqueles videojogos genéricos onde uma empresa pega numa licença de um filme conhecido e produz um jogo que não tem nada a ver com o material original. Estamos aqui perante então mais um jogo de plataformas em 2D, mas que infelizmente não tem nada de realmente extraordinário e que o demarque dos demais. Podemos então controlar os irmãos Jake ou Elwood e os controlos são simples, com um botão para saltar, outro para correr e um outro para disparar projécteis, que neste jogo são discos de vinil que se encontram às dezenas espalhados pelos níveis. O objectivo de cada nível é o de encontrar uma jukebox, que sinaliza a sua saída. Teremos então 34 níveis de puro platforming, uns mais complicados que outros, ao exibirem vários obstáculos como abismos, espinhos em paredes, inimigos por todo o lado, plataformas móveis ou outras armadilhas como raios eléctricos. Nós temos uma barra de vida que é medida em corações e ao longo dos níveis poderemos encontrar inúmeros itens para apanhar, como os tais discos de vinil que servem de munição, corações para restabelecer a nossa barra de vida, vidas extra, extensões de tempo para terminar o nível, invencibilidade temporária, entre outros. Um dos power ups que podemos encontrar são fatias de bolo e estas transformam os irmãos em gajos todos musculados e que me pareceram capazes de saltar mais alto também.

Após o ecrã título, podemos escolher quais dos irmãos queremos controlar

Até aqui tudo bem, temos a receita para um jogo de plataformas algo genérico, mas também não esperem por grandes facilidades. Os níveis são curtos e muitos deles podem ser completados em menos de um minuto, mas cada vez vamos tendo mais obstáculos pela frente e a inércia em demasia que as personagens ganham não ajudam nada nos saltos mais precisos. Vai ser muito frequente a personagem não travar a tempo e escorregar de uma plataforma, sofrendo dano no processo ou perdendo mesmo uma vida. De resto, existe também um modo de jogo cooperativo (com menos níveis, aparentemente), onde as personagens jogam em simultâneo e teriam de cooperar entre si para atravessar alguns desafios de platforming. Não cheguei a experimentar este modo de jogo, até poderá ser divertido, embora as críticas que li digam que é muito frustrante devido ao sistema de colisões entre ambos os jogadores.

Graficamente não é o jogo mais excitante de sempre

Já no que diz respeito aos audiovisuais, infelizmente estava à espera de melhor. Não há uma grande variedade de cenários, temos uma floresta cheia de cogumelos que servem de molas para nos fazer saltar mais alto, uma espécie de uma fábrica e umas dungeons cheias de correntes que podem ser escaladas, bem como outros obstáculos. Os níveis vão alternando entre estras 3 zonas, pelo que não há mesmo grande variedade dos cenários. E os que existem, também não são propriamente dos mais bonitos que já viram numa SNES. As músicas também são uma desilusão. Sendo um jogo dos Blues Brothers, estava à espera que tivesse uma banda sonora à altura, mas infelizmente não foi o caso. Para além de haverem poucas músicas, e algumas até terem um cheirinho de blues, estas sinceramente nem fazem justiça ao filme, nem às capacidades do chip de som da SNES.

Portanto estamos aqui perante um jogo que apesar de não ser o platformer mais excitante que podem encontrar na Super Nintendo, também não é tão mau quanto isso, pois vai apresentando alguns bons desafios de platforming. Pena é que seja tão genérico, a todos os níveis.

Advance Wars (Nintendo Gameboy Advance)

O Advance Wars foi um dos jogos que mais me impressionou nos primeiros tempos de vida da famosa portátil da Nintendo. Os seus gráficos coloridos e cartoonescos aliados a um jogo de estratégia militar por turnos conferiam-lhe um charme inigualável dentro do género. Só mais tarde é que vim a descobrir que o Advance Wars era, na verdade, o último de uma já longa série de jogos da Nintendo, lançados desde o Famicom Wars em 1988, todos exclusivamente em solo japonês. O meu exemplar foi comprado algures em Fevereiro de 2016, creio que a um amigo meu, por um preço muito atractivo.

Jogo com caixa, manuais e papelada

Eu já estava para terminar este jogo há ANOS! Recentemente, a meio desta semana que terminou, descobri o meu antigo save num dvd com backups seguramente com mais de 10 anos! Visto que já tinha a campanha bastante avançada nesse save, decidi terminá-la de uma vez por todas. E neste Advance Wars, no seu modo single player principal, nós encarnamos num papel de conselheiro militar e iremos acompanhar uma série de COs (Commanding Officers) do exército de Orange Star ao longo de imensas batalhas. Inicialmente para repelir a invasão da nação vizinha de Blue Moon, para depois entrarmos também em conflito com as nações restantes que nos atacam sem sabermos muito bem o porquê… claro que eventualmente vamos descobrir a razão!

O botão R serve para ver informação das tropas, bem como dos terrenos

Mas antes de nos debruçarmos sobre a campanha temos direito a um extenso tutorial com uma série de outras batalhas onde, com os conselhos de Nell, uma CO sénior, vamos aprendendo TODAS as mecânicas de jogo, desde as mais básicas, passando pelas mais avançadas também. Uma vez terminado o tutorial, lá nos debruçamos sobre a campanha militar principal. E este Advance Wars é então um jogo de estratégia por turnos onde teremos de vencer uma série de batalhas ao cumprir um de dois objectivos: eliminar todos os inimigos presentes no ecrã, ou conquistar a base inimiga. Naturalmente que o adversário nos pode fazer o mesmo, perdendo nós a batalha. Ocasionalmente poderemos ter outras condições diferentes de vitória como a de conquistar uma série de edifícios ou sobreviver um certo número de turnos. Durante o nosso turno podemos posicionar as nossas tropas da melhor forma e atacar as tropas inimigas. Mas, mesmo sendo este um jogo todo colorido e de atmosfera ligeira, as suas mecânicas de jogo são bem mais complexas do que poderiam achar pelo seu aspecto. Afinal é a Intelligent Systems (os mesmos produtores de Fire Emblem) que estiveram por detrás desta série!

A capacidade de movimento depende de vários factores, como o tipo de unidade e o terreno que atravessa

Então temos uma infidade de detalhes a ter em conta. Iremos ter à nossa disposição (dependendo da missão), várias tropas terrestres (infantaria, tanques, artilharia, blindados, baterias anti-aéreas, etc), marítimas (diversos tipos de navios de transporte, combate e submarinos) ou aéreas (helicópteros de combate, transporte, caças e bombardeiros). Cada tipo de unidade tem diferentes características de ataque, defesa e agilidade. Cada tipo de terreno possui também diferentes características de defesa e mobilidade. Por exemplo, as montanhas (que não podem ser atravessadas por todo o tipo de unidades), conferem uma defesa superior (I have the high ground!!), porém reduzem bastante a mobilidade das unidades que as atravessam. Para além disso, detalhes como o combustível e munições de uma grande parte de unidades devem ser tidas em conta, pelo que teremos ocasionalmente que as reabastecer, seja ao estacionar unidades de transporte ao seu lado, ou levá-las para bases/cidades que tenhamos conquistado. As cidades conquistadas dão-nos dinheiro entre turnos, dinheiro esse que, caso tenhamos alguma fábrica, aeroporto, ou porto marítimo na nossa posse, pode ser usado para criar novas unidades militares também. Outros detalhes a ter em conta são as condições meteorológicas que afectam principalmente o movimento das tropas e o efeito de fog of war que ocorre em algumas missões, ocultando as movimentações inimigas.

Diferentes tipos de terrenos conferem também diferentes graus de defesa

Um outro detalhe a ter em conta são os COs que estão em batalha, pois cada um possui diferentes particularidades. Do nosso lado (Orange Star), inicialmente temos o Andy, uma criança equilibrada que não tem pontos fortes nem fracos. O seu poder especial (sim, os COs têm poderes especiais que podem ser usados quando uma barra de energia se preencher) consiste em que todas as unidades aliadas em campo regenerem dois pontos de vida. Mais lá para a frente é-nos apresentado o Max, um outro CO. Com o Max em campo, nativamente todas as tropas de confronto directo ganham bónus de ataque, mas em contrapartida as unidades de longo alcance (artilharia) perdem em alcance e poder de dano. O seu poder especial, quando activado, confere a todas as unidades de confronto directo bónus adicionais de ataque e movimento durante um turno! Por fim iremos também conhecer uma nova CO, a Sami. Com ela em campo, todas as tropas de infantaria ganham um bónus de ataque e defesa e os veículos de transporte têm maior mobilidade. Para além disso, as tropas de infantaria conseguem conquistar cidades/bases muito mais rapidamente! Quando o seu poder especial é activado, as tropas de infantaria ganham ainda mais bónus de ataque, defesa e mobilidade, ignorando o tipo de terreno. Portanto escolher que CO queremos levar para cada missão poderá ser também a chave para o sucesso! Naturalmente, os exércitos inimigos também vão tendo COs diferentes, que por sua vez possuem diferentes habilidades.

Algumas missões têm fog of war, que limita a nossa visibilidade das forças inimigas. Por outro lado, também nos poderemos esconder do inimigo

Já no que diz respeito à longevidade, essa é elevadíssima, pois uma vez terminado o modo campanha desbloqueamos o Advanced Campaign, que é uma versão mais difícil da campanha. Para além disso, temos muitos outros modos de jogo disponíveis, como o War Room, que apresenta uma série de desafios adicionais, o Battle Maps onde poderemos comprar desbloqueáveis, o Design Map que nos deixa criar os nossos próprios modos de batalha, bem como vários modos de jogo multiplayer que tanto podem ser jogados localmente ao passar a GBA de mão em mão, ou jogados através do link cable.

Controlar fábricas, portos navais ou aeroportos será indispensável nalgumas missões para criarmos mais tropas

A nível audiovisual este é um jogo que possui um charme muito característico. As personagens principais (os COs) possuem um aspecto anime e durante as batalhas vemos as animações das diferentes unidades a combaterem entre si. Todas têm um aspecto muito cartoon que de certa forma me faz lembrar a série Metal Slug. A banda sonora que nos vai acompanhando ao longo de toda a campanha é também muito agradável, com músicas que vão tendo influências de marchas militares, mas não só. Para terem uma ideia, a última fase da campanha onde defrontamos as forças de Black Hole já têm uma toada mais rock!

Atacar À distância é bastante útil para não sofrer nenhum fogo de volta. No entanto, unidades de artilharia não conseguem responder quando estão sob fogo directo

Portanto este Advance Wars é um excelente jogo da biblioteca da Gameboy Advance. O facto de ter tão bom aspecto visual, poderá surpreender algumas pessoas, pois por detrás de todo o aspecto colorido, diria infatil até, temos aqui um jogo de estratégia por turnos bastante complexo e com uma jogabilidade repleta de pequenos detalhes que teremos mesmo de ter em conta se quisermos assegurar uma vitória. O facto de ser um jogo da Intelligent Systems já deverá atenuar algumas dessas surpresas para quem conhecer o estúdio da Nintendo. Este Advance Wars foi um jogo de sucesso mesmo no ocidente, pois todos os seus sucessores directos (na GBA e DS também) acabaram por receber lançamentos no ocidente. Ainda assim, para quem os tenha falhado, a Nintendo está a preparar um relançamento de ambos os títulos GBA para a Switch para o início do próximo ano.

Fire Emblem: New Mystery of the Emblem (Nintendo DS)

Ora cá está um jogo que já joguei e terminei há alguns anos atrás através do meu flashcard da Nintendo DS, pelo que espero que a memória não me falhe na escrita desta análise. E porque só agora estou a escrever um artigo? Porque só no passado mês de Outubro é que comprei um exemplar para a minha colecção, claro. Foi comprado num site japonês e ficou-me por cerca de 40€ já a contar com despesas de portes e desalfandegamento.

Jogo com manual e papelada na sua versão japonesa

Este Fire Emblem New Mystery of the Emblem – Heroes of Light and Shadow, cujo nome nipónico é igualmente comprido (Fire Emblem: Shin Monshou no Nazo – Hikari to Kage no Eiyuu) é um remake do Fire Emblem Monshou no Nazo, o terceiro jogo a ser produzido nesta franquia e o primeiro a sair na Super Famicom, uma vez mais exclusivamente no Japão. Por sua vez esse lançamento original estava dividido em 2 partes: a primeira era um remake do primeiro Fire Emblem da Famicom, enquanto que a segunda era a sua sequela imediata. Visto que a Nintendo DS recebeu também um remake do primeiro Fire Emblem, este novo remake do Monshou no Nazo inclui apenas o conteúdo “novo”. Bom, na verdade inclui também um remake do BS Fire Emblem: Archanea Senki-hen, o que é uma excelente surpresa! Esse jogo é originalmente um dos vários lançamentos do Satellaview, o serviço de “streaming” por satélite que a Nintendo dispunha nos anos 90, exclusivamente no Japão. Ao longo do ano de 1997, a Nintendo disponibilizou quatro batalhas que decorriam no universo dos 2 primeiros jogos e essas estão também aqui representadas na forma dos capítulos adicionais New Archanea Chronicles, o que é uma surpresa muito agradável, pois os lançamentos originais de Satellaview são muito obscuros até pelas próprias características do serviço. E infelizmente, após este belo jogo ter saído em 2010 no Japão, a Nintendo decidiu não se dar ao trabalho de o converter para inglês e lançá-lo no ocidente, talvez por já ser um lançamento algo tardio no ciclo de vida da Nintendo DS e a 3DS estar aí à porta. Felizmente que um grupo de fãs chegou-se à frente e traduziu o jogo para inglês, disponibilizando um patch para o efeito.

Tal como no remake anterior, a narrativa foi expandida e é muito presente, até durante as batalhas!

No que diz respeito às mecânicas de jogo, este é mais um RPG táctico, onde as batalhas são travadas por turnos e no nosso turno nós temos de posicionar as nossas tropas cuidadosamente na área de jogo e usá-las para atacar forças inimigas, suportar os nossos aliados ou conquistar/libertar algumas aldeias onde poderemos inclusivamente recrutar novos aliados. Cada unidade que temos ao nosso dispor poderá ter diferentes classes, que por sua vez variam na sua capacidade de movimento, que tipos de ataques podem executar (físicos, mágicos, suporte, etc) e naturalmente têm também diferentes stats de agilidade, força, pontos de vida ou defesa. No que diz respeito ao dano físico, a série Fire Emblem tem também um interessante sistema de equilíbrio entre as armas brancas de curto alcance, como o facto das espadas terem vantagem perante os machados, os machados serem superiores às lanças e estas terem vantagem sobre as espadas. Para além disso, este é um jogo com muito conteúdo opcional, como algumas personagens inimigas poderem ser convertidas para o nosso exército, apenas se estas forem abordadas por alguma outra personagem chave do nosso lado. Laços podem ser fortalecidos entre certas personagens ao dialogarem entre si e capítulos opcionais podem também serem desbloqueados se certas condições forem preenchidas na batalha anterior. E tipicamente os Fire Emblem têm permadeath, ou seja, uma personagem do nosso exército que morra numa batalha, não voltará a ficar disponível para o resto do jogo. Todos estes factores contribuem para que cada batalha seja cuidadosamente preparada, principalmente para quem quiser obter todas as personagens adicionais e jogar os capítulos bónus.

Outro dos factores a ter em conta é que as armas e itens têm usos limitados, pelo que teremos de ter e procurar alternativas

Mas há também aqui muitas novidades que foram introduzidas no remake. A primeira volta-se mesmo para o permadeath, que pode ser desactivado antes de começar um jogo novo, ao escolher a opção casual, logo após a escolha da dificuldade. Com essa opção activa, as personagens que tenham morrido numa batalha ficam disponíveis na batalha seguinte! Isso naturalmente facilita muito as coisas, embora o jogo seja na mesma desafiante para quem o quiser completar a 100%. Outra das novidades é a inclusão de um avatar, uma personagem criada à nossa medida e que será o principal protagonista em conjunto com Marth, o príncipe de Altea e personagem principal dos dois primeiros jogos.

Antes de cada batalha devemos planear bem que tropas queremos levar

A nível audiovisual, se jogaram o remake do primeiro Fire Emblem na Nintendo DS contem com o mesmo nível de qualidade pois usa o mesmo motor de jogo. Temos então cenários coloridos e personagens em 2D com um bom nível de detalhe nas batalhas, bem como imensos diálogos, todos acompanhados de retratos em 2D igualmente bem detalhados. As músicas são tipicamente épicas, o que condizem bem com as batalhas. Algumas orquestradas, outras mais fast paced, é no geral uma banda sonora agradável.

O ecrã superior tipicamente mostra os diálogos, estatísticas e, no caso dos combates, mostra a acção propriamente dita

Portanto, se gostam de RPGs de estratégia por turnos e, particularmente se são fãs da série Fire Emblem, este é então um lançamento obrigatório. É uma pena que a Nintendo não o tenha trazido para o ocidente, pois para além de ser um remake bem competente de um jogo da Super Famicom, traz também de bónus um remake das batalhas que haviam sido emitidas no serviço Satellaview há muitos anos atrás. O jogo em si infelizmente não é dos mais baratos de importar, mas é 100% recomendado, nem que para isso tenham de recorrer apenas à emulação.

Dragon Quest Wars (Nintendo DSi)

Vamos a mais uma rapidinha, mas agora para a Nintendo DS, mais precisamente para a Nintendo DSi pois o jogo que cá vos trago hoje é um título digital que se encontrava à venda na loja DSiWare. Mas tal como os outros títulos DSiWare que tenho na minha Nintendo DS, não gastei um único tostão. Na altura, ao comprar jogos DS ou Wii, por vezes estes traziam alguns códigos que dava para redimir por pontos, pontos esses que poderiam ser usados na loja e que eu acabei por gastar ao comprar este Dragon Quest Wars.

Ora eu sabia pouco do jogo, mas tendo em conta que era um jogo de estratégia no universo Dragon Quest e até foi desenvolvido pela Intelligent Systems, a mesma empresa por detrás da série Fire Emblem, as expectativas até que eram algo elevadas. Mas, sendo um título digital numa plataforma ainda algo limitada como a Nintendo DS, o jogo é bastante simples.

Basicamente temos uma área de jogo que é uma grelha quadriculada, onde poderemos ir movendo as nossas “tropas” e nos diferentes modos de jogo a ideia é sempre a mesma: temos de escolher o nosso esquadrão com 4 dos monstros do universo Dragon Quest e o objectivo é o de derrotar a equipa adversária. As batalhas são por turnos (que por sua vez são limitados em número) e podemos vencer uma batalha através de diferentes condições: dizimar todo o grupo adversário, chegar ao final dos turnos com mais pontos, ou conseguir mover uma das nossas personagens para a base inimiga. De resto, há um número muito reduzido de criaturas que podemos escolher e essas criaturas por sua vez têm um número limitado de acções. Portanto, isto de RPG não tem nada, é puramente um jogo de estratégia por turnos. E o facto de haverem poucos monstros que podem ser usados, acaba também por ter uma importância estratégica maior, pois temos de conhecer bem quais as capacidades e limitações de cada monstro e de certa forma antecipar qual será a estratégia a ser usada pelo adversário. Por exemplo, os Hammerhood têm um ataque físico capaz de causar dano a uma linha de 3 quadrados à sua frente, os Golems são poderosos mas a cada ataque que executam sofrem também dano e os Healslimes, apesar de não terem nenhuma habilidade de ataque, possuem outras habilidades de curar e suporte que podem ser uma autêntica dor de cabeça.

Não temos uma grande variedade de monstros que poderemos escolher e estes também não possuem muitos golpes, pelo que temos de os conhecer bem ao delinear estratégias

No que diz respeito aos modos de jogo, temos um modo treino que serve de tutorial para nos ensinar as mecânicas base e temos posteriormente vários outros modos de jogo. O foco maior seria o multiplayer, que poderia ser jogado localmente por wireless, ou pela internet, mas foi algo que não experimentei sequer. Mas temos também o free battle, onde poderemos lutar contra o CPU, seja em combates versus, seja em combates survival, onde existem 4 equipas de 4 monstros cada a lutarem entre si e a ideia é a de vencer a equipa que conseguir sobreviver ao massacre. De resto, a nível de controlo é um jogo simples, todas as acções são feitas usando a stylus, desde o posicionamento das nossas unidades, bem como a escolha das acções que queremos executar. Ainda assim, por vezes a acção de arrastar uma unidade para a posição pretendida nem sempre corre bem, por vezes o jogo assume que queremos levar a nossa personagem para outro sítio, e o mesmo acontece por vezes ao escolher o alvo das nossas acções. De resto, nada a apontar, é uma interface simples.

O ecrã de cima serve para consultar o estado da batalha, que monstros ainda estão em campo e os seus pontos de vida

A nível gráfico este é um jogo simples. O ecrã inferior é onde decorre toda a acção e as arenas, bem como todos os monstros, são renderizados em 3D, com a mesma qualidade de jogos como o Dragon Quest IX. Já o ecrã superior é onde podemos consultar o estado das tropas na batalha, que monstros ainda estão disponíveis, qual a sua barra de vida, bem como as informações do que faz cada acção/golpe, quando os estamos a escolher. No que diz respeito ao som, a banda sonora é composta por músicas agradáveis que serão certamente familiares a que já tenha jogado Dragon Quests.

Portanto este Dragon Quest Wars é um jogo simples, mas que até é capaz de entreter. Mas caso joguemos sozinhos, e apesar de podermos escolher não só o nosso esquadrão, mas também o que será controlado pelo CPU, acaba por não ter lá muito conteúdo. Ainda assim é um conceito que teria potencial para um jogo bem mais completo, caso a Square-Enix eventualmente o decida ressuscitar.