Dragon Quest IX: Sentinels of the Starry Skies (Nintendo DS)

DQ IXDeixando temporariamente as infiltrações de Snake e companhia, é altura de voltar a falar numa das mais antigas e populares séries de RPGs do país do sol nascente. Os jogos principais da série Dragon Quest sempre saíram inicialmente para as consolas mais populares da altura. Foi assim com a NES, SNES, PS1 e PS2. Com o anúncio do nono jogo da série em produção já nos idos de 2006, numa altura em que apesar de a PS2 ainda vender muito bem, as novas consolas já estavam a ganhar muito terreno. Assim sendo foi com alguma expectativa que os fãs aguardaram o anúncio da plataforma escolhida, que acabou por, para  surpresa de todos, ser a Nintendo DS. Seria a primeira vez que um jogo principal da série saíria inicialmente para uma plataforma portátil, e as surpresas não se acabaram aí, com muitas mudanças na jogabilidade a serem anunciadas. A minha cópia do jogo foi comprada numa Mediamarkt no Porto, tendo-me custado uns exactos 14€.

Dragon Quest IX - Nintendo DS

Jogo completo com caixa, manual e papelada

A história do jogo coloca-nos no papel de um jovem Celestrian, um povo imortal e angelical (com asinhas, auréolas e tudo) responsável por observar e proteger a raça humana que vive no solo. O nosso herói, que pode ser criado e customizado da maneira que bem entendermos, ainda é um aprendiz da coisa, sendo que inicialmente somos guiados pelo nosso mentor Aquila, que nos ensina a combater e como proteger os mortais. O meu herói, com o querido nome de Baphomet, estava responsável por guardar a pacata aldeia de Angel Falls. Entretanto, na cidade dos Celestrians ansiava-se à muito que a misteriosa árvore Yggdrasil desse os seus frutos, provenientes das boas acções que a raça humana faria, com a ajuda dos Celestrians. Esses frutos, chamados Fyggs, abririam a porta do reino dos Celestrials para o paraíso, para que os mesmos se pudessem juntar ao Deus lá do sítio. Ora pouco depois de a aventura começar, Yggdrasil começa então a dar os seus muito ansiados Fyggs, mas algo corre muito muito mal e nessa altura solta-se uma grande força maligna que ataca toda a cidade dos Celestrians, atirando o nosso herói para o reino dos mortais, caíndo na aldeia de Angel Falls. O herói vê-se sem as suas asas e auréola, adquirindo uma aparência humana e se tornando visível aos restantes mortais. Por outro lado, não perde os seus poderes de Celestrian por completo, pois consegue falar com fantasmas e outros seres divinos como os seus colegas Celestrians. Este jogo tem também a sua “Navi”, uma fada que o herói conhece desde cedo e que o acompanha na sua aventura. Felizmente não é tão irritante como a do Ocarina of Time. E é isto, o resto da aventura progride com o herói a vaguear pelo mundo, procurando voltar ao reino dos Celestrians para perceber o que aconteceu. Apesar de ter alguns bons momentos, não foi um jogo que me tenha cativado muito pela sua história, principalmente até aquela recta final com uma série de vilões que não se percebe muito bem qual o seu papel na origem do conflito.

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Este é o primeiro jogo principal da série onde podemos customizar à nossa medida o herói da aventura.

Este jogo apesar de seguir a fórmula clássica dos sistemas de batalhas em turnos dos Dragon Quest, introduziu diversas mudanças à sua jogabilidade. A primeira é que as batalhas deixaram de ser aleatórias, com os monstros a surgirem no ecrã e, a menos que os monstros persigam o jogador, podemos sempre esquivar das batalhas se assim o desejarmos. Mas como é Dragon Quest, existe sempre um grinding necessário até porque este jogo é propositadamente mais difícil que os anteriores. Infelizmente não temos nenhum companheiro de armas como nos restantes Dragon Quest, aqui podemos recrutar personagens genéricas sem qualquer side story por detrás, podendo ter uma party de até 4 personagens em simultâneo. Isto foi introduzido pois este Dragon Quest tem uma vertente multiplayer muito forte, sendo possível jogar cooperativamente através da ligação WiFi da Nintendo. Neste modo podemos cumprir algumas quests cooperativas e lutar contra alguns bosses muito fortes. Para além de existir uma infraestrutura que nos permita vender alguns items a outros jogadores em qualquer parte do globo, para além de existir mais uma vez o sistema de “tagging” passivo, sempre que nos cruzarmos na rua com outras pessoas que tenham o mesmo jogo em standby.

screenshot

Fora do combate, o ecrã superior serve para mostrar o mapa, o inferior a acção

Uma das coisas que foram mantidas do jogo anterior foi o sistema de skills, que desta vez podem ser usadas em conjunto com um sistema de classes que marca também o seu regresso à série. Inicialmente dispomos de 6 diferentes classes que podemos escolher e ir alternando sempre que achemos necessário. Cada classe possui uma série de skills que poderemos evoluir. Sempre que ganhamos um nível, podemos atribuir alguns pontos às skills que temos disponíveis, ganhando novas habilidades para usar nos combates, ou ganhando uma maior aptidão para utilizar certos tipos de armas. Existem outras 6 skills mais avançadas, mas estas apenas podem ser desbloqueadas cumprindo algumas side quests específicas. Estas side quests dão outra vida ao jogo, existindo mais de 100 espalhadas ao longo do jogo, com mais algumas dezenas disponíveis para download gratuito utilizando as ligações Wi-Fi da consola. O que se pretende nas sidequests é algo já habitual em muitos MMORPGs, como coleccionar alguns items que certos monstros carregam, derrotar monstros específicos, ou executar algumas habilidades mais complexas num certo número. Algo que também regressa neste jogo foi o sistema de alquimia para se criar novos items, introduzido também no jogo anterior. Infelizmente desta vez não podemos carregar o caldeirão connosco na nossa aventura, ficando o mesmo alojado numa certa cidade, mas para compensar desta vez o processo de transformação de items é instantâneo.

screenshot

De vez em quando vemos algumas cutscenes bonitas em anime. Já agora este é o Krillin, digo,  Aquila, o nosso mentor.

Visualmente, para quem jogou o Dragon Quest VIII para a PS2, este jogo é um enorme retrocesso, pois a DS tem uma capacidade muito reduzida para elaborar bons gráficos 3D. Ainda assim, não deixa de ser dos RPGs 3D mais bem elaborados, juntamente com o Golden Sun Dark Dawn. De qualquer das formas, e por culpa também de a personagem principal e secundárias serem completamente personalizáveis/aleatórias, perde-se todo o carisma que muitas personagens dos Dragon Quest tradicionalmente possuem, até porque não existe qualquer voice acting neste jogo. O jogo anterior para a PS2 foi o supra-sumo da série neste campo até à data, e depois da aventura do King Trode, Angus e companhia, isto soube-me a pouco. Ainda assim podemos ver algumas cutscenes anime em certos pontos do jogo, cutscenes essas bastante agradáveis e, tendo o traço de Akira Toriyama, é impossível não recordar o saudoso Dragon Ball quando as vemos. Por outro lado, a banda sonora continua majestosa como sempre, para quem já é fã de Dragon Quest de longa data não se irá desapontar e, para um jogo de DS, não se pode efectivamente exigir muito mais neste campo. Uma outra coisa boa neste jogo, e voltando ao aspecto visual, é o facto de o equipamento que utilizarmos passar a ser completamente visível nas personagens, deixando as mesmas de andar com a mesma roupagem do início ao fim.

Concluindo, acho que neste Dragon Quest a Square-Enix avançou em certas coisas na jogabilidade e regrediu numas quantas. O facto de as batalhas já não serem aleatórias, a vertente acentuada multiplayer e online, as sidequests, o sistema interno de achievements, a alquimia, entre outras coisas, fazem deste jogo um RPG repleto de conteúdo e com muito para jogar e fazer após a aventura principal estar concluída. Infelizmente com esta vertente mais online, as personagens perderam todo o seu carisma e a própria história, apesar de ter um bom início, acaba por não satisfazer a longo prazo. De qualquer das formas, parece que esta nova maneira de se jogar Dragon Quest está aí para ficar, com o Dragon Quest X a tornar-se num jogo online, tendo saído para a Nintendo Wii no Japão, com já uma conversão anunciada para a nova WiiU.

 

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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