Continuando pelas rapidinhas e por jogos desportivos com o selo da Sega, Beach Spikers é mais um jogo com as suas origens nas arcades, tendo sido convertido unicamente para a Nintendo Gamecube. Acredito que, se a Dreamcast não tivesse tido uma morte prematura, talvez tivéssemos tido uma conversão para a última consola da Sega, visto este ser mais um jogo desenvolvido originalmente no sistema NAOMI. O meu exemplar foi comprado através de um particular e veio originalmente da CeX de Sintra, onde custou cerca de 3/4€ se bem me recordo.
Jogo com caixa, manual e papelada
Este é um jogo de voleibol de praia feminino de equipas de duas contra duas. E antes que s defensores dos bons costumes entrem em acção, é verdade que as jovens estão de bikini, mas este não é um jogo tão sexualizado quanto os Dead or Alive Xtreme Beach Volleyball, onde elas possuem bikinis super reduzidos e outros atributos corporais que não costumam ser muito comuns em atletas “a sério”.
A jogabilidade é óptima, excepto na parte da câmara que por vezes deixa-nos de fora do angulo de visão
De resto, tal como em muitas outras conversões arcade da Sega, o modo Arcade está aqui representado. Neste escolhemos uma de várias equipas disponíveis e vamos jogando diferentes partidas reduzidas onde não temos de marcar os 15 pontos para vencer, mas sim um número menor. É aqui que também temos a vertente tradicional do multiplayer que pode ser jogado com até 4 jogadores. Depois temos o World Tour Mode, onde já teremos muito mais para fazer. A jogabilidade em si é muito simples, com um botão para “passar” e outro para “rematar” a bola para o campo adversário. A intensidade dos nossos toques na bola aumenta consoante o tempo que deixamos o botão pressionado. Uma das coisas que não gostei muito é a câmara, pois esta é dinâmica demais. Mediante para onde vai a bola, a câmara vai rodando a perspectiva do camp, o que acaba por atrapalhar um pouco pois por vezes deixamos de ver a atleta que estamos a controlar.
Tal como um RPG se tratasse se escolhermos o modo de jogo World Tour podemos criar as nossas atletas
Mas para além do modo arcade, temos aqui também o World Tour, onde a Sega decidiu e bem incluir muito mais conteúdo. Inicialmente escolhemos a nossa equipa, a nossa atleta e a sua companheira de jogo, que por defeito é sempre controlada pelo CPU. Depois lá vamos jogando em diversos torneios ao longo do mundo, onde o objectivo é chegar o mais longe possível no torneio, para que no final da temporada a nossa equipa seja a que possui mais pontos. Inicialmente vamos ter muitas dificuldades pois a nossa colega de equipa é muito fraquinha, mas à medida em que vamos participando em partidas, poderemos melhorar os seus atributos, quase como um RPG se tratasse. Geralmente, na segunda temporada já temos um NPC bem aprimorado e que potencialmente joga ainda melhor que nós, o que nos dá mais chances de sucesso.
No que diz respeito aos audiovisuais, este é um jogo bem consistente. Por um lado a nível gráfico temos arenas de jogo muito bem detalhadas, embora às vezes até com um excesso de product placement nas publicidade. Por sua vez, as atletas também estão muito bem detalhadas e com boas animações. A música é que me desiludiu um pouco. Estou habituado àquelas jogos arcade da Sega do final dos anos 90 inícios de 2000, onde as bandas sonoras estão repletas de músicas rock e guitarradas orelhudas. Bom, elas aqui também existem, mas não me agradaram tanto desta vez.
E à medida que vamos jogando partidas ganhamos pontos de experiência que podem ser usados para melhorar os atributos da nossa colega de equipa, controlada pelo CPU
Concluindo, este jogo, tirando o problema da cãmara que me irrita um pouco por vezes, acaba por ser tanto um bom jogo arcade, como um bom jogo de voleibol de praia, principalmente pelo seu modo “campeonato”, onde poderemos inclusivamente desbloquear uma série de extras como diferentes penteados e trajes para as atletas.
Voltando à minha querida Gamecube, o jogo que cá trago hoje é mais um curioso spinoff da série Mario. Lançado numa altura em que spinoffs do Mario eram bastante comuns tanto para a Gamecube como a Gameboy Advance, na altura não lhe dei tanta atenção. No entanto até que possui uma jogabilidade interessante! O meu exemplar foi comprado algures no verão de 2017 na Feira da Vandoma no Porto. Se bem me lembro custou-me 7€.
Jogo com caixa, manual e papelada
Este é um jogo de futebol de 5 contra 5, onde poderemos jogar com várias personagens do universo Mario. Tal como noutros jogos desportivos do canalizador bigodudo como Mario Kart ou Tennis, poderemos usar habilidade especiais e power-ups para nos ajudar ou atrapalhar os adversários. Agora o que não estava nada à espera é que este fosse um jogo tão agressivo, principalmente se jogado em maiores níveis de dificuldade. Isto porque não há qualquer ábitro e podemos fazer faltas à vontade, aliás, até é algo encorajado porque se jogarmos num maior nível de dificuldade practicamente nem conseguimos manter a bola se não dermos uns encostos nos adversários. Depois ao longo do jogo lá vamos tendo vários power ups como diferentes tipos de carapaças de tartaruga, bombas ou cascas de banana que podemos lançar para os adversários e assim conseguirmos manter um caminho mais ou menos livre até à baliza adversária. Não há também foras, pois os estádios possuem uma barreira invisível e electrificada (que podemos usar para atacar os inimigos) que impedem as bolas de sair. Ocasionalmente também aparece o Bowser a lançar a confusão no estádio, atrapalhando ambas as equipas, o que contribui ainda mais para o caos!
Os estádios possuem uma barreira invisível e electrificada que não deixam as bolas saírem. Mas que também podemos usar para electrificar os oponentes!
Sobre a constituição das equipas: bom, as mesmas são compostas por um capitão de equipa e três minions mais um guarda redes que é sempre um crocodilo da série Donkey Kong Country. O capitão é uma personagem como Mario, Luigi, Wario, Peach e por aí fora. Os minions podemos sempre escolher entre toads, koopas, hammer bros ou as birdos de Super Mario Bros 2. Cada uma das personagens e minions possuem diferentes personalidades e estilos de jogo, mas infelizmente isso não está lá muito explícito no jogo. Depois, cada capitão possui também habilidades especiais, ou seja, ao preparar um remate, se tivermos tempo e nenhum oponente nos atacar, podemos preparar um Super Strike, uma habilidade que requer que pressionemos uns botões em intervalos de tempo bem precisos e, se bem executados, fazem com que os capitães executem um remate todo poderoso que se entrar na baliza vale por 2 golos.
Os power ups se usados na altura certa valem ouro!
No que diz respeito a modos de jogo, bom temos o Grudge Match que são partidas amigáveis podendo ser jogadas por um ou 2 jogadores. Depois temos os campeonatos que são mais interessantes. Tal como em jogos como Mario Kart, estes estão divididos em categorias que vão aumentando a sua dificuldade. Começamos com a Mushroom Cup, com 4 equipas e 3 confrontos, desbloqueando depois a Flower Cup que já tem 6 equipas e 5 confrontos. Desbloqueamos depois a Star Cup que possui 8 equipas e 7 confrontos. Por fim temos a Bowser Cup que é idêntica à Star Cup mas no fim temos uma fase de Knock Out para os primeiros 4 classificados. Em cada um destes campeonatos vamos ganhando 3 pontos por cada vitória, 0 por derrotas e 1 ponto em situações especiais que já detalharei em seguida. No fim vence quem tiver mais pontos, nitidamente! Cada jogo tem uma duração que pode ser pré-definida e chegando ao fim do tempo regulamentar se o resultado estiver empatado, o jogo entra automaticamente no prolongamento por morte súbita, ou seja, a primeira equipa a marcar ganha. No entanto a equipa que perder depois de um jogo em morte súbita ganha um ponto. Não faz muito sentido, mas tendo em conta que o jogo foi desenvolvido por uma equipa norte-americana acho que se desculpa.
Se já não houvesse caos suficiente, o Bowser pode sempre aparecer só para chatear!
Mas voltando aos modos de jogo, no fim da Bowser Cup desbloqueamos 2 coisas. A primeira é uma Super Equipa só com robots, com a peculiaridade que qualquer elemento da equipa (excepto o guarda-redes) poder executar um Super Strike, pelo que temos de estar sempre atentos e evitar que tenham a bola por muito tempo. Por outro lado desbloqueamos também o acesso às Super Cups, que são idênticas às Cups originais, mas que nos obrigam a jogar num nível de dificuldade superior e temos sempre um campeonato a “2 voltas” ou seja, temos o mesmo número de equipas participantes em cada campeonato, mas duas vezes mais partidas para jogar. Temos depois o Custom Battle, onde poderemos customizar várias regras e construir os nossos próprios campeonatos e uma espécie de modo de tutorial onde podemos practicar vários aspectos do jogo.
A nível de desbloqueáveis, este jogo está também repleto deles. Para além da já referida Super Team que desbloqueamos ao vencer a Bowser Cup, temos também outros estádios que vão ficando disponíveis quando vencermos os outros campeonatos. Para além disso, ao vencer as Super Cups vamos desbloqueando alguns cheats como power ups infinitos ou guarda-redes mais fracos (sim, porque os guarda redes aqui são melhores que o Buffon e o Casillas juntos no seu prime time). Outros desbloqueáveis surgem quando atingirmos alguns achievements internos, como marcar 300 golos ou 100 golos em Super Strike em partidas de campeonatos. Estes desbloqueáveis dão-nos acesso a alguns power ups especiais.
Se conseguirmos arranjar uns segundos sem ser incomodados, conseguimos desencadear um Super Strike que em caso de sucesso vale por 2 golos!
A nível audiovisual este é um jogo que deixa um bocadinho a desejar. Por um lado, a apresentação dos menus e afins poderia ter mais alguma informação sobre as habilidades de cada uma das personagens e minions. Depois, no jogo em si, acho que os estádios poderiam ter mais algum charme e detalhe. De resto, nada a apontar ao detalhe gráfico dos jogadores! As músicas misturam algum rock ligeiro e música electrónica, mas aquela música que entra quando uma partida vai para Sudden Death, é uma música bastante tensa que se adequa perfeitamente à atmosfera do jogo nessa fase final. Depois, há aqui algo de muito diferente de qualquer outro jogo da Nintendo com os Marios e família. Isto porque as personagens parecem estar sempre zangadas umas com as outras, o que não é nada habitual na Nintendo! E nas cutscenes de apresentação ou celebrações de golo de algumas personagens, há ali um ou outro detalhe ligeiramente mais obsceno que muito me surpreende que a Nintendo tenha deixado passar. Como o zoom do rabo do Wario quando se apresenta, ou o gesto pélvico de celebração de golo do Waluigi!
No fim de contas, este jogo acabou por ser uma bela surpresa pela sua jogabilidade arcade e, no caso de o jogarmos entre amigos ou sozinhos em graus de dificuldade mais elevados, proporciona uma experiência tão intensa e caótica que me diverte imenso. Poucos anos depois a Next Level Games desenvolveu uma sequela para a Nintendo Wii que planeio jogar em breve.
Voltando às rapidinhas e à Nintendo Gamecube, o jogo que cá trago hoje é a adaptação do primeiro Wario Ware da Gameboy Advance para a consola doméstica da Nintendo da época. A série WarioWare é sem dúvida a coisa mais bizarra que a Nintendo desenvolveu e pelo conteúdo de alguns dos seus micro-jogos consegue-se perceber perfeitamente o porquê. É curioso que foi um jogo que começou por ser desenvolvido às escondidas por alguns funcionários da Nintendo nos seus tempos livres, e quando estava numa fase avançada foi mostrado aos patrões que o aprovaram para ser aprimorado e depois lançado. Felizmente foi muito bem aceite pelo público, de tal forma que Satoru Iwata pediu que se tratasse o mais rápido possível de uma adaptação para a Gamecube, consola que sempre atravessou por algumas dificuldades em manter-se frente às concorrentes. E o resultado final foi um jogo que incluiu todo o conteúdo do original, mais uma série de modos multiplayer feitos exclusivamente a pensar nesta versão. O meu exemplar veio da CeX em Lisboa, algures durante o ano passado. Custou-me 15€.
Jogo completo com caixa, manuais e papelada
Portanto, para uma overview mais detalhada ao jogo original, recomendo que dêm uma leitura ao artigo da Gameboy Advance aqui. Aqui, para além de todo o conteúdo da versão GBA, tanto dos seus minijogos como aqueles modos extra que poderiam ser depois desbloqueados como o Time Attack e afins, temos também vários modos de jogo multiplayer, que envolvem colocar várias pessoas a jogar os micro-jogos de 5 segundos de forma alternada. Num deles enquanto um dos jogadores toma a acção, o outro possui uma sprite gigante que pode ser usada para atrapalhar. Noutro os micro jogos são jogados inteiramente às escuras e os outros jogadores podem usar os seus controlos para apontar lanternas e iluminar a área de jogo. Outros modos de jogo colocam os jogadores a jogar uma série de microjogos e ter de balancear tartarugas, só coisas bizarras! Mas sinceramente não são adições que valham assim tanto a pena, para quem já tenha jogado o original na Gameboy Advance. O Wario Ware que acabou por sair para a Wii já trouxe muito mais conteúdo original e foi um lançamento que acabou por fazer muito mais sentido.
Bom, como se devem ter apercebido, o blog tem estado mais inactivo. Isso se deve às minhas últimas semanas de trabalho que foram do mais intenso que tive, pois foram practicamente 3 semanas seguidas a trabalhar em grande. A minha vida também está a sofrer algumas mudanças (2 mudas de casa no mesmo mês ninguém merece), pelo que também por isso o tempo tem sido bastante escasso. Para compensar vou publicar este artigo que já o tinha aqui na gaveta. The Hobbit é uma obra de J. R. R. Tolkien que deveria dispensar todo o tipo de apresentações, até porque recentemente fizeram-se 3 filmes onde muitos chouriços foram enchidos e certamente muitos de vós os viram. Pois bem, antes desses filmes terem sido produzidos, este era o jogo licenciado pela empresa que detém a obra literária de Tolkien, cuja adaptação coube à Vivendi Universal, ao contrário da Electronic Arts que detinha os direitos das adaptações dos filmes do Lord of the Rings.
Jogo completo com caixa, manual e papelada diversa
Portanto, seria esperado que este jogo tivesse uma história mais próxima do livro, ao contrário dos 3 filmes do Hobbit que se fizeram nos últimos anos. E que história é essa? A da grande aventura de Bilbo Baggins, que acaba por se juntar ao anão Thorin Oakenshield e seu grupo, na viagem até à Lonely Mountain, de forma a recuperar a sua fortaleza da montanha que outrora foi o seu reino, até ter sido invadida por um voraz dragão. Já o tipo de jogo em si, bom, há aqui um grande foco no platforming em 3D, com alguns segmentos ocasionais de stealth e por vezes algum puzzle solving na forma de procurar certas alavancas ou botões para poder progredir no jogo em novas áreas.
O primeiro nível é jogado no The Shire e é uma maneira de nos habituarmos a practicamente todas as mecânicas de jogo.
Ao longo do jogo poderemos também encontrar diversos itens, os mais abundantes são as Silver Pennies e os Courage Points. Os primeiros são a unidade monetária do jogo, e ao transitar entre cada nível visitamos uma loja onde poderemos comprar alguns outros itens, como poções curativas ou upgrades às mochilas de forma a poder carregar mais poções ou pedras. Quem é que quer andar com calhaus na mochila? O Bilbo, claro, já que são para usar na nossa fisga. Os courage points são uma espécie de pontos de experiência. Para além de serem encontrados espalhados por todos os confins dos níveis, são também obtidos ao derrotar inimigos, cumprir quests (que podem ser obrigatórias ou opcionais para completar o nível) ou ao encontrar e abrir baús de tesouros (que por sua vez podem também conter silver pennies e/ou outros itens). A parte de abrir baús também pode introduzir alguns mini-jogos, já que muitos estão trancados e teremos de fazer algum lockpicking. Isto resulta numa série de cenários onde teremos de carregar no botão A na altura certa, facilmente identificada pela cor verde quando surge no ecrã. Caso falhemos geralmente somos castigados ao perder um pouco de vida ou ficar envenenados. Mas onde é que entra a parte dos “pontos de experiência” destes Courage Points? É que à medida em que os vamos coleccionando, acabamos por ganhar mais alguns pontos de vida, que ao contrário dos Zeldas, não estão aqui marcados como corações mas sim círculos vermelhos no canto superior esquerdo do ecrã.
Em cada nível teremos várias quests para cumprir. Mas nem todas são obrigatórias
De resto é um jogo com grande foco no platforming, especialmente se quisermos encontrar todos os baús de tesouro, courage points e silver pennies espalhados por aí. Saltos cirúrgicos entre plataformas, ou entre cordas são o prato do dia, acompanhados com algum combate e até algum stealth em certas alturas. Como quando temos de nos esquivar dos gigantes, ou de salvar os anões da sua prisão na cidade dos Elfos. Para o combate, inicialmente estamos apenas munidos de uma fisga (para disparar pedras) e um bastão, que pode até ser usado como vara para saltar mais longe. Pouco depois obtemos uma espada que acaba por ser a arma mais usada. Existem também outros power-ups temporário como pedras de fogo ou gelo, para a nossa fisga, que acabam por ser bastante úteis nos combates mais apertados. De resto, os controlos são bons, apenas senti algumas dificuldades na parte de saltar das cordas, pois temos de virar o Bilbo para a direcção em que queremos que ele salte, e convém colocar a câmara do jogo mesmo atrás do hobbit, caso contrário poderá saltar noutra direcção. Demorei algum tempo a atingir isto, devo confessar. De resto, o que não faltam são save points, pelo que nunca estamos muito tempo sem possibilidade de gravar o nosso progresso no jogo, pelo que mesmo que façamos uma ou outra gaffe (e se quiserem completar todos os níveis com 100% de tudo encontrado acreditem que vai acontecer muitas vezes), nunca será assim tão frustrante.
Graficamente é um jogo minimamente competente. Por um lado, acho que a caracterização das personagens, independentemente da sua raça, está algo cartoonizada, eu preferia algo mais realista. Mas os cenários são bastante vastos e com muita variedade, desde cavernas, belos prados, ruínas, cidades humanas, elfos entre outros. As músicas são também agradáveis, gosto especialmente daqueles temas mais folk, mas nos níveis que se passam em cavernas (e vão ser muitos), é muito usual ouvir temas mais minimalistas, com alguma percursão. O voice acting é também competente.
O bastão pode também ser usado como vara e assim conseguir saltar mais longe.
No fim de contas, este The Hobbit até que me surpreendeu pela positiva. Era um jogo que já tive para o comprar vezes sem conta para a Playstation 2 mas sempre acabava por não o fazer, por um lado pelo seu aspecto não me inspirar muita confiança, por outro lado pelas pontuações medíocres que tenho visto por aí. A versão Gamecube acabou por aparecer e desta feita lá o levei, até porque seria mais um jogo para falar no Crónicas Cúbicas. E não me arrependo de o ter comprado, pois não é um mau jogo de todo.
A franchise Splinter Cell é daquelas que já estava no meu backlog há muito tempo. Na verdade inicialmente nem tencionava coleccioná-la para a Gamecube, visto que principalmente o primeiro jogo, o que cá trago hoje, é uma conversão muito aquém do original de PC e Xbox. Mais detalhes nos parágrafos seguintes… mas entretanto como tinha comprado o Pandora Tomorrow num bundle de jogos de Gamecube, acabei por decidir-me em comprar os restantes 3 para a mesma plataforma. Este meu exemplar foi comprado no ebay, algures por aí em 2010/2011, tendo certamente custado menos de 5 libras.
Jogo completo com caixa, manual e papelada
Splinter Cell era visto como o grande rival de Metal Gear Solid, pois também figurava um agente secreto envolto em missões altamente furtivas e com tramas e conspirações políticas e/ou militares por detrás. Mas sem os floreados de Kojima. E aqui o herói é Sam Fisher, um agente da divisão fictícia da NSA chamada Third Echelon, especialista em black ops. A história leva-nos à Geórgia (país de leste europeu), cujo presidente foi assassinado e o poder ursurpado por um bilionário de nome Kombayn Nikoladze. A certa altura 2 agentes da CIA são enviados para verificar a actual situação naquele país e se algumas das normas estabelecidas pelas Nações Unidas haviam sido quebradas. Os agentes nunca voltaram e é aí que entra Sam Fisher. Mas claro, o que inicialmente seria apenas uma missão de resgate, rapidamente vai escalando para outros conflitos, inclusivamente com ataques ciber terroristas em solo norte-americano.
Deixar corpos mal escondidos acaba por resultar sempre num alarme.
A nível de jogabilidade, Splinter Cell era um jogo muito mais furtivo que o seu concorrente. Jogar com a iluminação ambiente passou a ter um papel muito mais relevante em passarmos despercebidos pelos inimigos, bem como fazendo o mínimo de barulho possível. Destruir lâmpadas, câmaras de vigilância, e caminhar silenciosamente pelas sombras é algo que iremos fazer vezes sem conta. O sigilo é crucial, e se por algum motivo formos vistos por alguém, temos de ser rápidos a reagir e eliminar essa ameaça (de forma letal ou não) antes que soem o alarme. É que há missões com tolerância zero para alarmes, e muitas outras onde teremos um limite de alarmes que não podem ser ultrapassado. Carregar os corpos dos nossos inimigos e mantê-los fora de vista também é algo que tem de ser constantemente feito, não vá alguma patrulha encontrá-los e soar o alarme. Sam Fisher é também bastante atlético, sendo capaz de saltar em paredes, pendurar-se em canos, descer slides, entre outros. É também muito importante haver uma gestão cuidada das nossas armas de fogo, pois as munições são escassas. Para além de uma pistola e de uma arma de assalto (ambas com silenciador) existem uma série de outras armas não letais, como granadas de gás de sono, ou outros projécteis incapacitantes.
Ser uma autêntica sombra, é o que temos de ser. Mas também temos de ter reflexos de ninja para silenciarmos as ameaças rapidamente assim que nos descobrem
Gadjets também é o que não falta, como um visor nocturno e térmico (ambos bastante úteis), pequenas câmaras que podem ser usadas para espreitar em frinchas das portas, microfones direccionais para escutar conversas alheias, ou mesmo pequenas câmaras que podem ser atiradas para um local e usadas para chamar a atenção de quem quer que esteja no nosso caminho, podendo depois soltar gás do sono para os incapacitar. O que não faltam são brinquedos e eventualmente lá teremos de os usar, quer queiramos, quer não.
Do ponto de vista técnico, bom, passemos primeiro para o audio. O voice acting é bastante competente, assim como as músicas quando existentes, que podem ser bastante contidas e tensas (afinal isto é um jogo de infiltração furtiva), ou bem mais épicas naqueles momentos em que não há mais nada a fazer a não ser abrir fogo. Na questão gráfica, bom, esse já é um outro assunto. O Splinter Cell original (para PC e Xbox) estava a ser desenvolvido pela Ubisoft Montreal, um dos seus estúdios principais. Para a PS2 e Gamecube o desenvolvimento passou para a Ubisoft Shanghai que acabou por fazer várias modificações ao layout dos níveis (tornando-os um pouco mais fáceis) e do ponto de vista gráfico, muitas coisas tiveram de ser sacrificadas. Muitas texturas de alta qualidade foram substituídas por outras mais simples, e acima de tudo os efeitos de iluminação sofreram um grande downgrade face à versão Xbox. Para terem uma noção, quando o Splinter Cell saiu para a Xbox, foi de longe o jogo graficamente mais avançado que havia sido lançado nessa consola até então. Infelizmente a versão Gamecube acabou por levar o mesmo tratamento da versão PS2, e sinceramente sempre achei que a consola da Nintendo conseguisse fazer algo bem mais próximo da versão original do que a PS2. Mas mesmo assim, com as suas desvantagens, continua um jogo bastante robusto tecnicamente, com os efeitos de iluminação a terem todo o destaque.
O visor nocturno e térmico acabam por dar um jeitaço tremendo. O térmico para além de detectar outros humanos, detecta também equipamentos electrónicos como minas ou câmaras de vigilância
De resto, para compensar esse downgrade gráfico, a versão PS2 incluiu uma série de videos de bónus (como pequenos making of) ou um nível inteiramente novo passado numa central nuclear. Infelizmente esse nível nunca chegou à Gamecube, talvez por falta de espaço nos seus pequenos discos de 1.5GB. Por outro lado a versão Gamecube ganhou um item novo (as sticky bombs – quem tiver jogado Shadow Warrior sabe o que é) e a possibilidade de interagir com a Gameboy Advance, ligando-a à Gamecube, onde poderemos ver um mapa com detalhes no ecrã da portátil. Sinceramente preferia o nível de bónus.
Embora os screenshots não façam justiça, mesmo com todo o downgrade esta versão não deixa de ser muito competente a nível gráfico.
No fim de contas, apesar desta versão Gamecube ser bastante sodomizada face à original, no ponto de vista técnico, não deixa de ser um óptimo jogo de acção, especialmente para aqueles que gostam de passar despercebidos em missões altamente furtivas. Mas se tiverem a oportunidade, joguem antes o original de Xbox, ou a versão PC que também saiu mais tarde na Playstation 3 numa compilação. De resto, só me resta mesmo deixar este rant final: como é que é possível um jogo com tanto “stealth” ter um personagem principal que tem um capacete a imitir aquelas luzes verdes gritantes?? E pior ainda, como é que os inimigos não as vêem? Bem-vindos à lógica dos videojogos.