Spider-Man: The Return of the Sinister Six (Sega Master System)

SpiderManReturnOfTheSinisterSix-SMS-PT-mediumDe volta para a consola 8bit da Sega e para mais uma análise rapidinha a um dos jogos que teve direiro a um lançamento “portuguese purple“, ou seja, edições lançadas exclusivamente em Portugal, numa parceria entre a Ecofilmes e a Tectoy (distribuidoras da Sega em Portugal e no Brasil respectivamente). Esses lançamentos são facilmente identificáveis pela sua capa em tons púrpura, e este Spider-Man foi um dos jogos que recebeu esse tratamento. Ora este jogo entrou-me na colecção há pouco mais de um mês, tendo sido comprado na feira da ladra em Lisboa, por uma quantia que rondou entre os 6 e os 8€.

Spider-Man Return of the Sinister Six - Sega Master System
Jogo completo com caixa e manual

E tal como o título do jogo indica, jogamos pelo homem-aranha na sua luta contra os Sinister Six, que correspondia a uma story-arc da comic norte-americana algures durante os anos 90, onde os Sinister Six não eram nada mais que 6 vilões clássicos do Spider-Man. Claro que estou a falar de tipos como o Electro, Sandman, Mysterio, Vulture, Hobgoblin e o “chefão” Dr. Octopus. O jogo está então dividido em 6 diferentes zonas de Nova Iorque, cada uma delas divididas em 2/3 níveis onde temos de defrontar um desses vilões no final de cada “zona”.

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Não posso negar que tenha gostado do ecrã título

A jogabilidade é simples, porém não muito funcional. Botão direccional para movimentar, um botão facial para disparar e um outro para saltar. Se pressionarmos ambos os botões faciais então o “aranhiço” solta as suas teias, permitindo-nos baloiçar entre outras plataformas. As habilidades especiais do Spider-Man não se ficam por aqui, pois podemos escalar edifícios e atacar os inimigos com “bolas” de teia. Essas bolas têm munições limitadas, no entanto lá vamos encontrando algumas munições que podemos coleccionar para restabelecer as teias.

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Se o jogo tivesse sprites maiores não seria má ideia

Estas características até seriam interessantes se os controlos não fossem uma porcaria. A movimentação do aranha é lenta e os controlos nem sempre correspondem aos nossos comandos, para além do ataque melee, quando não dispomos de teias ser muito pouco eficaz. Dispomos de uma pequena barra de energia que vai sendo consumida com cada golpe sofrido e apenas uma vida (embora tenhamos um ou dois continues para o jogo todo), e isso em conjunto com os controlos que não funcionam da melhor forma, estão reunidos todos os ingredientes para um jogo daqueles que o AVGN gosta de falar. A versão NES deste jogo até foi editada pela LJN, portanto se calhar até já falou dele mesmo. No entanto não posso deixar de comentar que nem tudo é assim tão mau. Em alguns níveis requerem mesmo uma interacção básica com o meio ambiente, seja simplesmente procurar uma simples chave para abrir uma porta, ou um punhado de dinamite para explodir com uma passagem, ou mesmo uns óculos com visão infra-vermelha para conseguirmos ver alguma coisa numa sala completamente às escuras.

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Antes de cada “zona” temos uma pequena introdução ao vilão que vamos enfrentar no final

Graficamente nota-se bastante bem que é uma conversão do mesmo jogo que saiu para a NES. Embora seja visualmente mais colorido, tirando assim partido da maior paleta de cores que a SMS disponibilizava, as sprites do aranhiço ou mesmo dos inimigos são bastante pequenas, e os níveis não são tão detalhados assim. A Master System é capaz de fazer melhor. As músicas e efeitos sonoros também não são nada de especial, mas isso já é normal na Master System, que tirando algumas excepções, o seu chip de som standard estava uns furos abaixo da concorrência.

No fim de contas este é mais um sidescroller para a consola da Sega que ficou esquecido no tempo, e face aos seus maus controlos e um restante jogo algo medíocre, é fácil perceber o porquê.

Sega Casino (Nintendo DS)

Sega CasinoMais uma “rapidinha” a um jogo que sinceramente não joguei assim tanto, pois não faz mesmo o meu género. Sega Casino é, tal como o nome indica, sobre jogos de casino e foi produzido pela Sega para a Nintendo DS. E daí talvez não, este é um dos imensos jogos e conversões que foram tomadas a cabo pela Tose, um dos developers que mais anda pelas sombras em toda a indústria de videojogos. Mas voltando ao jogo, Sega Casino foi-me oferecido por um amigo meu há vários anos atrás, penso que em 2006, muito antes de eu sequer ter comprado uma DS e quando o fiz, este foi o jogo que me entreteu durante vários dias.

Sega Casino - Nintendo DS
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Inicialmente dispomos de Blackjack, Roulette, Baccarat e a variante Texas Hold ‘Em do Poker. Esses 4 diferentes jogos podem ser jogados no free mode que como o nome indica é um modo de jogo meramente casual, ou então no Casino Mode, onde dispomos inicialmente de uma quantia e temos de ganhar o máximo de dinheiro possível para desbloquear outros jogos ou mesas de apostas mais elevadas. Posteriormente podemos então desbloquear várias modalidades de video poker, uma outra modalidade de poker (7 Card Stud), ou outros jogos de pura sorte como o Keno e variantes de jogos de dado. Obviamente que a piada está mesmo em jogos que necessitem de alguma estratégia e não se baseiam puramente em sorte, pelo que me dediquei um pouco mais ao Texas Hold ‘Em, nas viagens de autocarro que na altura fazia entre casa e a faculdade. Só que infelizmente a IA não é lá grande coisa, raramente faz bluff, portanto quando vemos alguns dos bots a apostar, é porque na maioria das vezes têm razões para isso.

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Os vários modos de jogo que podemos desbloquear.

Graficamente não é um jogo nada de especial, apresentando o mínimo indispensável. Alguns jogos, como a roleta por exemplo, lá apresentam mais algum detalhe, com alguns gráficos poligonais inclusivamente. Se não fossem mesmo os dois ecrãs e a interface touch-screen, diria que era um jogo de Gameboy Advance. Os efeitos sonoros e a própria música não acrescentam nada demais, pelo que também nem vale a pena perder muito tempo nisso. No que poderia realmente perder tempo, se não fosse algo que nunca cheguei a experimentar, seria mesmo a componente multiplayer deste jogo. Aqui é possível jogar localmente com até 5 amigos na mesma rede, bastando apenas um cartucho com o jogo. E seria mesmo na vertente multiplayer que poderíamos jogar o que mais piada teria: as duas variantes do poker e o Blackjack.

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A roleta é dos poucos momentos em que até vemos algum 3D no ecrã

Posto isto, Sega Casino é um jogo que recomendo apenas aos mais ávidos coleccionadores de produtos da Sega ou mesmo da Nintendo DS, pois como jogo de casino, o que não faltam por aí são outros jogos com essa temática bem superiores. Porque a Sega lançou isto? Talvez para colmatar uma lacuna inicial de jogos deste género na Nintendo DS, é a única desculpa que encontro.

Sonic the Hedgehog 2 (Sega Mega Drive)

Sonic 2Voltando à excelente consola de 16-bit da Sega, muito apreciada aqui no nosso Portugal, para um dos melhores jogos da plataforma, na minha opinião. Apesar de já ter analisado um Sonic 2 por aqui, a versão 8 bit não tem rigorosamente nada a ver com esta versão 16-bit, enquanto o primeiro jogo ainda tinha adaptado alguns níveis. E este Sonic 2 é exactamente tudo o que se poderia pedir de uma sequela de um jogo de sucesso, ao refinar a fórmula original e melhorá-la em todos os campos. Ora este jogo foi comprado recentemente a um particular por 5€ mais portes de envio, se não estou em erro. Está completo e em estado razoável, pecando pelo manual.

Sonic the Hedgehog 2 - Sega Mega Drive
Jogo completo com caixa e manual

Começando por uma curiosidade, este jogo não foi desenvolvido pela Sonic Team. É certo que Yuji Naka e outros nomes sonantes da Sonic Team estiveram activamente presentes no desenvolvimento deste jogo, mas foi o extinto estúdio norte-americano Sega Technical Institute (também responsável por coisinhas como Kid Chameleon, Comix Zone ou o infame Sonic X-Treme que nunca chegou a sair para a Sega Saturn). E que belo trabalho eles fizeram!

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Como é habitual, os primeiros níveis são sempre bastante coloridos

Este é também o primeiro jogo que vai buscar um “amiguinho” do Sonic, antes de terem descambado as coisas por completo com o Sonic Adventure. Neste caso estou a referir-me à raposa de duas caudas, Miles “Tails” Prower. A história continua simples: Dr. Ivo Robotnik, agora conhecido como Eggman como sempre o foi chamado no Japão, apesar de ter sido derrotado no jogo anterior continua com os seus planos maquiavélicos de dominação mundial. Para isso precisa de duas coisas: os indefesos animais para servirem de base aos seus robots, e o poder das sete esmeraldas caóticas para alimentar a sua estação espacial Death Egg – qualquer referência a Star Wars é mera coincidência. Assim sendo controlamos mais uma vez Sonic ao longo de diversos níveis nos mais variados ambientes, sempre com uma velocidade frenética mas nunca sacrificando a jogabilidade e o platforming, algo que a Sega parece ter esquecido como se faz nos últimos tempos.

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Com Tails a ter vidas infinitas, alguns bosses acabam por ser bastante fáceis se quisermos

É também o jogo que marca o nascimento da mais conhecida habilidade do ouriço azul, o spin-dash, que lhe permite enrolar-se sobre si mesmo e arrancar a velocidades estonteantes. É também o jogo que tem o nascimento do Super Sonic, indo buscar essa influência ao Dragon Ball Z. Quando Sonic possui as 7 esmeraldas – aliás, requisito necessário para se obter o melhor final do jogo mais uma vez – podemos escolher transformar Sonic numa espécie de super-guerreiro temporariamente, onde tal como Goku, torna o seu pêlo dourado e ganha uma “força” incrível, neste caso ganhando invencibilidade e grande agilidade. Esse efeito porém vai consumindo os anéis que adquirimos com o tempo, quando os mesmos chegam a zero, Sonic volta ao seu estado normal, e estando indefeso por não possuir nenhum anel. Falando nas esmeraldas, mais uma vez apenas podemos encontrá-las ao jogar os níveis bónus, que são desbloqueados sempre que passarmos num checkpoint com mais de 50 anéis. Desta vez esses níveis especiais têm um bonito efeito 3D, parece que estamos a correr numa enorme pista de bobsleigh, onde o objectivo é apanhar um determinado número de anéis e evitar as bombas que nos retiram alguns anéis.

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Provavelmente os níveis bónus mais memoráveis de toda a série. Apesar de simples eram graficamente impressionantes para a altura

Depois temos as mecânicas Sonic e Tails. Por defeito jogamos com Sonic, mas com Tails a acompanhar-nos, sendo controlado por uma fraquíssima inteligência artificial. No entanto, neste modo, podemos jogar com mais um jogador de forma cooperativa, bastando ligar um segundo comando na consola que podemos passar a controlar Tails. E dessa forma até se torna o jogo bem mais fácil, pois Tails para além de poder voar temporariamente e poder carregar o Sonic consigo, tem também vidas infinitas, o que pode ser explorado para facilmente derrotar uma série de bosses. No entanto, se optarmos podemos também jogar unicamente com Sonic ou Tails, bastando para isso aceder ao menu das opções do jogo e alterar a configuração que por lá aparece. Para quem tiver o Sonic & Knuckles, com a sua tecnologia “lock-on” que consiste apenas em ligar o cartucho do Sonic 2 no de S&K, pode inclusivamente jogar com Knuckles, tirando partido das suas habilidades para encontrar até algumas zonas secretas. Ainda assim, fica por faltar referir o modo multiplayer do jogo. Por acaso nunca joguei muito isto, mesmo com os amigos era bem mais divertido jogar o jogo principal de forma cooperativa. Mas no entanto consiste numa série de níveis jogados em split screen, um jogador com o Sonic, o outro com Tails, com o objectivo de chegar ao final do nível em primeiro lugar.

E segredos é coisa que não falta neste jogo, incluindo os níveis secretos “Hidden Palace”, que foram cortados do jogo principal por falta de tempo, mas no entanto, foram restaurados para as conversões recentemente lançadas para smartphones. Mas falando nos níveis, desta vez eles são bem mais variados, estando na sua maioria divididos em 2 actos apenas, com um boss no final do segundo acto. No entanto, nos últimos níveis essa fórmula já se mudou um pouco, com a Metropolis Zone se dividir em 3 actos e as restantes com um acto apenas. Contudo são actos bem cheios de emoções fortes, com Sonic a bordo do avião de Tails, a encaminhar-se para uma base aérea de Robotnik e posteriormente para a Death Egg em pleno espaço sideral, onde defronta Silver Sonic, o primeiro dos Sonics robóticos (que por acaso também aparece no jogo da Master System e Game Gear) e mais um embate épico com Robotnik e o seu “mechwarrior“.

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Um dos ecrãs finais do jogo, com o Super Sonic desbloqueado

No campo audiovisual, este é muito sinceramente um dos jogos mais bem conseguidos na consola da Sega. Para além de manter a mesma velocidade estonteante, os níveis apresentam mais uma vez visuais muito coloridos, e estão por sua vez muito bem montados. Quem não se lembra da primeira vez que jogou a Chemical Plant com os seus tubos e “rails” que nos mandavam a velocidades estonteantes ao longo de todo o nível? Ou de Casino Night e todas as suas luzes de Las Vegas? Ou os últimos níveis passados no ar e no espaço? Mas o melhor, é que não é apenas pelos visuais e excelente level design que Sonic 2 marca pontos neste campo, mas também pelas suas músicas. Aliás, só de escrever este artigo já me passaram quase todas as músicas da banda sonora deste jogo pela cabeça.

Posto isto, por todos estes pontos, é fácil de perceber o porquê de Sonic 2 ser um dos videojogos preferidos dos fãs de Sonic de longa data. Tal como referi num dos primeiros parágrafos, pegou em tudo o que era óptimo na fórmula original, melhorou e ainda acrescentou imensas novidades que no meu entender resultaram muito bem. Infelizmente, era 1992 e para mim o pico de criatividade da série foi atingido. Sonic 3 e Sonic & Knuckles continuam a ser óptimos jogos, as coisas a partir daí descambaram completamente. Mas quanto a esses 2 jogos, será coisa para um artigo futuro.

Tekken (Sony Playstation)

TekkenA Playstation foi a consola de eleição da Namco na segunda metade dos anos 90. Já há bastante tempo que a Namco estava com más relações com a Nintendo devido às suas políticas com as third parties. Desde os tempos da Mega Drive que evitaram lançar jogos para as consolas Nintendo e aproveitaram então a consola da Sony para encontrar de vez um novo parceiro estratégico. E com o enorme catálogo de títulos arcade que a Namco sempre teve, acabou por fornecer à consola da Sony alternativas muito fortes aos jogos arcade que a Sega lançava para a sua Saturn. Tekken é um deles, sendo a par de Virtua Fighter uma das franchises mais antigas e de sucesso deste género de jogos. Este jogo chegou-me às mãos há umas semanas atrás, tendo sido comprado a um particular, ficou-me a 3€ mais portes e está em estado razoável, excepto a caixa que tem os estalões habituais. É a versão Platinum, mas já devo ter dito algures que jogos Platinum na PS1 não me fazem comichão.

Tekken Platinum - Sony Playstation
Jogo com caixa e manual, versão platinum

A história é o cliché habitual, de existir um misterioso torneio de artes marciais com um mau da fita qualquer (neste caso Heihachi Mishima) por detrás do mesmo, e vários lutadores de todo o mundo se juntam para distribuir umas murraças e pontapés. Inicialmente dispomos apenas de 8 lutadores para escolher, se bem que podemos desbloquear outros 8 e ainda mais 2 lutadores especiais. Isto porque durante o modo arcada, eventualmente defrontamos um “mid boss“, que é diferente para cada lutador. Essencialmente são rivais das personagens principais, mas que lhes herdam os mesmos golpes e movimentos. Para podermos jogar com estas 8 personagens extra apenas temos de as derrotar no modo arcade. Uma das outras personagens que podemos desbloquear é o próprio Heihachi, sendo que para isso temos de o derrotar a ele e todos os lutadores antes dele sem ter utilizado nenhum dos continues.

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De todas as personagens do jogo, sempre achei piada ao Yoshimitsu

O outro lutador secreto é o Devil Kazuya, sendo que para o desbloquear temos de primeiro vencer um mini-jogo. Não é apenas em Tekken que a Namco colocou esta interessante maneira de passar o tempo enquanto o jogo faz loading, e aqui a Namco dá-nos a hipótese de jogar alguns níveis do clássico shooter das arcades, o Galaga. Para desbloquear Devil Kazuya temos de vencer os 8 níveis de Galaga, utilizando apenas um continue. Easier said than done. No entanto acho que foi uma boa jogada por parte da Namco incluir este minijogo, nem que seja para passar tempo, que também está presente noutros jogos da série e não só.

A jogabilidade em si tem logo algo de diferente em relação aos outros jogos de luta até então. Ao invés de existirem botões que diferenciam a intensidade dos golpes (pontapé forte/fraco por exemplo), os botões faciais aqui diferenciam qual o membro que usamos para lutar. Existe um botão para pontapé esquerdo, outro para direito e o mesmo para os socos. Agora o que é que isso contribui para uma boa mecânica de jogo? Não faço ideia, estes jogos para mim são jogados de uma forma meramente casual. Dito por outras palavras, sim, sou um button-masher. A jogabilidade parece-me sólida quanto baste, e não sendo algo horrível como o Shaq-Fu, por mim está tudo bem. De qualquer das formas para além da vertente arcade o jogo inclui também um modo versus para que 2 jogadores possam lutar entre si, algo habitual neste género de jogos. Sendo ainda um jogo de primeira geração da PS1 é natural que não tenha muito mais conteúdo extra que a versão arcade. Para além dos lutadores extra e do minijogo do Galaga, apenas podemos customizar um pouco os handicaps dos lutadores e pouco mais no menu das opções.

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Quando ligamos a consola somos presenteados com alguns níveis do Galaga para jogar se quisermos, enquanto o jogo faz loading.

Ainda assim, se compararmos com a conversão do primeiro Virtua Fighter para a Sega Saturn, este Tekken tem uma apresentação gráfica bastante superior. Sim, a conversão do primeiro Virtua Fighter deixou muito a desejar, mas é preciso considerar que mesmo o jogo original nas arcades saiu um ano antes de Tekken, num sistema mais obsoleto. Tekken já introduziu texturas nos seus lutadores e os próprios têm um maior número de polígonos, não sendo tão quadrados como Akira e companhia. Apesar de tudo, continuo a ter um carinho bem maior pelo Virtua Fighter, mas também sou algo suspeito. Mas pelo menos a nível de conteúdo, há que dar a mão à palmatória, este Tekken está bem mais servido. Seja pelo maior número de lutadores, ou mesmo pelos lutadores principais terem todos direito a uma pequena cutscene final quando derrotamos Heihachi. E neste caso Tekken parece-me ser uma série que leva bem mais a sério a sua história que decorre em background que muitas outras séries.

Mas se falarmos na questão das músicas, então Virtua Fighter para mim dá 15-0. A Sega desses tempos tinha óptimas bandas sonoras muito à minha medida, cheias de rockalhadas ou outras músicas excelentes e as músicas de Tekken não me agradaram. Aqui são na sua maioria faixas electrónicas, com sintetizadores manhosos, algumas com orquestrações ou que misturam melodias mais tradicionais de acordo com o local onde a luta está a decorrer. No entanto, achei-as muito desinspiradas e “sem sal”.

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O ecrã título e as suas fantásticas opções

No fim de contas, apesar de não gostar assim tanto do carisma dos lutadores, é inegável que Tekken é uma das maiores franchises do género. Eu continuo a preferir Virtua Fighter, mas esta conversão para a PS1 é bem mais fiel à arcade que o primeiro Virtua Fighter alguma vez o foi, e ainda tem o bónus de trazer alguns pequenos extras. No entanto ao ver a evolução que a série foi tomando ao longo dos anos, é óbvio que este ainda é um jogo um pouco cru. A outra possibilidade de se jogar este Tekken (pelo menos na sua versão Arcade) está no Tekken 5 da PS2, que o traz como conteúdo bónus, bem como os Tekken 2 e 3 também.

Ultimate Mortal Kombat 3 (Sega Mega Drive e Sega Saturn)

Ultimate Mortal Kombat 3

Hoje é dia de artigo duplo, mas mesmo sendo duplo será na mesma uma “rapidinha” pois o jogo que trago cá hoje é nada mais que um update a um outro jogo ja aqui analisado, o Mortal Kombat 3, embora para uma outra plataforma. Assim sendo este artigo vai-se insidir mais nas diferenças entre o Mortal Kombat 3 normal e este update, bem como as diferenças entre as versões Mega Drive e Sega Saturn. Ora a versão Mega Drive deste UMK3 chegou-me à colecção algures no ano passado, tendo-me sido vendida a um preço muito simpático por um amigo de infância. Já a versão Saturn custou-me 7€ salvo erro, na feira da Ladra em Lisboa, embora esta não traga manuais.

Jogo com caixa e manuais

Apesar de o Mortal Kombat 3 ter saído originalmente em 1995 para Arcades, a Midway basicamente decidiu de dar uma de Capcom e os seus Super Street Fighter II Hyper Fighting Megamix e no mesmo ano lançou igualmente para as arcades um update do Mortal Kombat 3, remendando algumas queixas que os jogadores tiveram com o jogo original. Para além de um melhor balanceamento de alguns lutadores, introduziram de novo uma data de lutadores favoritos que falharam o jogo anterior, tal como os ninjas Scorpion, Reptile e o Subzero original, ou outros como Mileena e Kitana, bem como mais uma ou outra palette swap dos ninjas – Ermac e Rain por exemplo. O jogo introduziu também um novo nível de dificuldade acrescido, onde regressam as Endurance Battles que podem ir até combater contra 3 inimigos consecutivamente.

Ultimate Mortal Kombat 3 - Sega Saturn
Jogo com caixa

Falando na versão Mega Drive, o jogo herda os mesmos controlos e mecânicas do Mortal Kombat 3, exceptuando uma ou outra questão. A nível de lutadores Sheeva deixou de estar disponível para ser jogada, alegadamente por falta de memória no cartucho. Em seu lugar introduziram as tais palette swaps dos ninjas masculinos – Rain e Noob Saibot são personagens jogáveis exclusivas desta versão do UMK3 (e da versão SNES também). Alguns golpes especiais e fatalities foram modificadas e nesta versão do jogo não existem as animalities, que são uns finishing moves que podem ser desencadeadas após um mercy (onde temos piedade do nosso oponente e damos-lhe mais um pouco de vida para lutar mais um pouco). Nas animalities os lutadores se transformam num animal e acabam com o adversário de formas sempre fofinhas. Mas em lugar das animalities entraram as brutalities, uns combos brutais que acabam por desfazer o oponente em pedacinhos. De resto as babalities e friendships continuam no jogo, embora mais uma vez algumas não sejam idênticas à versão arcade.

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A presença de Reptile e Scorpion é obviamente mais que benvinda!

A versão Saturn deste jogo infelizmente não é um port directo da versão Arcade, mas sim do Mortal Kombat 3 que tinha saído para a Playstation anteriormente e não para a consola da Sega. Por sua vez, este UMK3 não saiu na 32bit da Sony – que confusão! Mas obviamente que inclui também os extras desta versão Ultimate, nomeadamente os novos lutadores modos de jogo e graus de dificuldade, embora não inclua as brutalities e os lutadores exclusivos Mega Drive/SNES. Apesar de herdar várias coisas da versão PS1 do MK3, nomeadamente menus e afins, a jogabilidade e os próprios gráficos são naturalmente bem mais próximos da versão arcade que a versão 16bit. Infelizmente acho que tem um grande problema: os tempos de loading. Mesmo quando tentamos desempenhar uma fatality, temos sempre um delay de poucos segundos, o que estraga um pouco a coisa. As músicas são no formato red-book, pelo que têm muito mais qualidade que as mesmas nas versões 16-bit e afins. No entanto, as músicas das arenas estão trocadas com a versão original.

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Sim, a Eurocom nem se deu ao trabalho de trocar o logotipo deste ecrã (versão saturn).

A versão Mega Drive naturalmente não tem o poder técnico de ter os melhores gráficos ou som, até que muitos dos voice-samples presentes na versão arcade tiveram de ser cortados. E isso até que é natural, visto que os cartuchos têm uma capacidade de armazenamento muito limitada e este jogo, apesar de possuir várias palette swaps em lutadores (óbvio que me estou a referir aos ninjas masculinos e femininos), tem um alinhamento de lutadores gigante. Ainda assim, mesmo sem os animalities e Sheeva, continuo a preferir esta versão à de Saturn. O facto de não ter loadings torna o jogo bem mais fluído, e ter de esperar vários segundos só para fazer uma fatality tira a pica toda.

Naturalmente este jogo também faz parte da colectânea Mortal Kombat Arcade Kollection, que por acaso também a tenho na colecção digital e um dia talvez também lhe escreva uma rapidinha. Nessa colectânea encontramos uma conversão practicamente perfeita da arcade, pelo que seria a versão definitiva a comprar deste jogo. Ainda assim, a Midway não achou que este UMK3 fosse suficiente e no ano de 1996 lançaram mais um update ao update, com o Mortal Kombat Trilogy. Mas isso ficará para um eventual post futuro.