Medal of Honor Pacific Assault (PC)

Medal of Honor Pacific AssaultVoltando para os first person shooters que eu tanto gosto, para mais uma análise a um shooter da segunda guerra mundial, outro tema que eu também aprecio bastante. E este Medal of Honor é diferente dos demais, na medida em que se foca nas batalhas do pacífico, entre os norte-americanos e japoneses, algo que sinceramente nunca me interessou muito, talvez por não ser um conflito “nosso”. E este jogo entrou na minha colecção há uns meses atrás, após ter sido comprado na feira da Ladra em Lisboa, por 1 ou 2€, sinceramente não me recordo do valor ao certo, mas foi algo dessa fasquia que o vendedor disse que os “DVDs” custavam.

Medal of Honor Pacific Assault - PC
Jogo com caixa e manual.

Há algumas coisas neste jogo um pouco diferentes dos MoH anteriores, talvez até indo buscar influências ao primeiro Call of Duty. Neste jogo o foco nem é tanto as acções solitárias de infiltração e sabotagem por parte de agentes das OSS, mas sim o combate em esquadrões, onde assaltamos posições inimigas em conjunto. De facto até existe a possibilidade de usar as setas do teclado para dar comandos aos nossos colegas, coisas como “fall back”, “rally on me” ou “double time!” são algumas das expressões que podemos indicar aos nossos colegas, mas sinceramente foi uma opção mal aproveitada, pois passamos a maior parte do tempo a receber essas ordens, em vez de as dar. E apesar de estarmos integrados num esquadrão, quando é preciso limpar uma trincheira de soldados japoneses já sabemos quem é o escolhido, mas não me queixo disso. Queixo-me sim de esse esquema de luta em esquadrões ter sido areia atirada aos olhos, ao contrário do que vimos mais tarde com Brothers in Arms, até porque os nossos companheiros são imortais, o médico do esquadrão pode curar-se a si mesmo e curá-los aos outros sempre que for necessário e a nós só nos consegue curar umas 5 vezes, com os medkits a serem também muito escassos.

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Antes da acção propriamente dita, temos um pequeno tutorial passado na nossa recruta.

As missões em si também não me agradam particularmente. O jogo começa em Pearl Harbour (como não poderia deixar de ser) e depois passamos a maior parte do tempo a combater num “green hell” ou seja, em plena selva de ilhas remotas no pacífico. Vamos encontrar muitos japoneses entrincheirados e misturados no meio da vegetação, o que para mim acaba por ser bastante aborrecido. Outras missões como perseguições em carro, ou as habituais defesas de pontos estratégicos com várias waves de inimigos a surgirem também acontecem com alguma regularidade. Mas também podemos disparar em várias peças de artilharia pesada, incluindo uma missão algo irritante onde temos de abater uma série de caças japoneses enquanto nos destroem uma base aérea. Ah, e temos também uma missão em que conduzimos pelos ares um caça norte-americano, nós, um mero marine, incumbido de pilotar um avião e tomar a iniciativa em combates aéreos contra outros caças japoneses e suas forças navais. Mas pronto… para além disso existe também uma vertente multiplayer que eu sinceramente não cheguei a experimentar muito, mas vi que existem algumas variantes de deathmatch e também um sistema de classes como vemos noutros FPS modernos, com classes de artilheiros, médicos, infantaria ou engenheiro, cada um com as suas respectivas habilidades.

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A batalha de Pearl Harbour está espectacular, mas o jogo decai bastante de qualidade logo depois.

Graficamente é um jogo competente para os padrões de 2004, mas com tanta missão em selvas tropicais, o que mais se vê é verde e castanho, do chão e cabanas de madeira construídas pelos japoneses. Acho que deveria de haver uma variedade maior de cenários, até porque os conflitos entre os norte-americanos e japoneses não se ficaram só por ilhas tropicais no pacífico, e a colocar-nos a pilotar um avião assim do nada, ao menos que houvesse também uma coerência maior. Mas pronto, graficamente, apesar da pouca variedade, é um jogo competente tendo em conta a época. Certamente melhor que o seu “primo” lançado nas consolas – o Rising Sun. A nível de som, a conversa aí já é outra. É dada uma maior atenção à narrativa, especialmente do bem estar dos camaradas de armas dentro do seu esquadrão e o voice acting está no geral competente. Os sons de armas parecem-me bons, mas como sempre, não sou um especialista na matéria, nunca ouvi nenhuma daquelas armas a disparar na vida real. As músicas são bastante épicas e orquestradas como é habitual na série e é sempre um ponto extra.

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Infelizmente o esquema de squad based combat não ficou muito bem implementado.

Conteúdo bónus como pequenos vídeos estão prontos a serem desbloqueados e não só. Existe também uma opção que podemos activar que nos vai fazendo o pop-up de alguns factos sobre a segunda guerra mundial. Esse pop up pode ser intrusivo ou não, ou seja, pode pausar o jogo para lermos a mensagem ou simplesmente a mesma aparece no ecrã e quando bem entendermos fechamos a mensagem. Sinceramente quando vi essa opção, achei uma ideia muito boa, mas depois mudei logo de ideias. As mensagens aparecem constantemente e sinceramente muitos dos factos não são assim tão interessantes. Muitas vezes vi a acção em momentos bem tensos a ser interrompida com esses pop-ups idiotas e depois ao decidir deixar as mensagens aparecer sem pausar o jogo também era algo que me distraía bastante. Para além disso, o botão de “desligar” a mensagem é a mesma tecla de “usar”, pelo que pode também dar azo a algumas confusões. Por exemplo, eu todo entretido a disparar numa metralhadora pesada montada numa trincheira quando surge a mensagem. Carrego em F e para além de me fechar o pop-up, “largo” também a metralhadora, levando em seguida com uma série de balas nas trombas. Foi aí que decidi desligar essa opção como um todo.

Medal of Honor Pacific Assault é mais um FPS da conhecida série da Electronic Arts. Não é um mau jogo de todo, mas o esquema de usarmos um esquadrão acabou por não ter sido bem utilizado e sinceramente o teatro de guerra do Pacífico não é algo que me interesse particularmente, ainda por cima quando 80% do jogo é passado em selva, à procura de asiáticos atrás das moitas. Não era um jogo sobre o conflito do Vietname que estava à espera de jogar.

Syphon Filter 2 (Sony Playstation)

Syphon Filter 2

Após o merecido sucesso do primeiro Syphon Filter, uma sequela não levou muito tempo a surgir, mantendo as mesmas mecânicas base do primeiro jogo, mas no entanto com missões que a meu ver eram bem mais interessantes e uma história com mais plot twists e momentos marcantes. Como as mecânicas de jogo são similares, recomendo a leitura do artigo do primeiro Syphon Filter, já que este será mais ligeiro. E tal como o primeiro, este jogo foi comprado algures no verão do ano passado a um particular em Lisboa, com o preço a rondar os 5€.

Jogo com caixa, 2 discos e manual

A história continua exactamente onde o anterior acabou. Gabe Logan e Lian Xing (esta infectada com o vírus Syphon Filter) conseguiram com sucesso evitar a detonação de um míssil intercontinental no final do jogo anterior, fugindo de avião em seguida. Mas a agência para a qual os dois trabalhavam tinham-nos traído e queriam o Syphon Filter para os seus próprios fins então abatem com sucesso o avião onde ambos viajavam. O resto do jogo vai-nos levar a várias localidades no mundo onde Gabe e Lian irão enfrentar vários agentes da Agency e não só, de forma a obter os dados do vírus Syphon Filter e tentar arranjar uma vacina para Lian, tudo isto sempre com a Agency em perseguição.

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Neste jogo somos fugitivos da Agency, pois pelo que se viu anteriormente também se estavam metidos em coisas que não deviam.

A infiltração continua a ser um elemento central na jogabilidade. Em algumas missões é até algo obrigatório passarmos completamente despercebidos, pelo que iremos equipar muitas vezes armas com silenciadores, dar uso a sniper rifles para avater alvos à distância ou utilizar armas não letais para lidar com inocentes que não sabem onde se estão a meter. Mas muitas outras missões são também dignas de um filme de acção hollywoodesco, como os combates num comboio a alta velocidade, os tiroteios numa discoteca russa ou mesmo a infiltração num Gulag. A ajudar está mais uma vez o sistema de lock on aos alvos, mas é sempre recomendável que levemos o jogo de forma lenta e calculista, usando sempre que possível o zoom para obter headshots em inimigos que não suspeitem de nada. Claro que nem sempre isso será possível, mas para essas situações felizmente também temos armas apropriadas no nosso arsenal, como as fiéis shotguns ou metralhadoras de assalto para os close encounters. A exploração dos níveis é também necessária e mais uma vez vamos ver-nos a encontrar caminhos alternativos por condutas de ar, ou pendurar-nos nas superfícies para passar despercebidos por alguns guardas.

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Também jogamos várias com Lian, incluindo a sua fuga após ter sido aprisionada pela Agency

Graficamente é um jogo bem detalhado para uma Playstation. Os níveis continuam a ser muito “quadrados” é verdade, mas são bem mais variados visualmente que no jogo anterior, onde atravessamos cadeias montanhosas, cavernas geladas, áreas urbanas tanto na Rússia como nos próprios Estados Unidos, bem como as ja habituais bases militares, cadeias ou laboratórios. Em todo o level design parece-me ter havido uma boa evolução na sua variedade e também construção, embora ainda existam um ou outro nível mais labiríntico pela frente. As músicas são também bastante dinâmicas, mudando muito consoante a acção, tanto podem ser mais tensas naqueles momentos em que não podemos mesmo ser vistos, ou bem mais enérgicas em duros tiroteios. O voice acting também é bastante sólido para um jogo de 2000, e toda a temática de espionagem e conspiração fez-me muitas vezes lembrar séries como 24.

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Syphon Filter 2 tem muia mais acção, incluindo este excelente nível

Este Syphon Filter tem ainda um modo multiplayer para 2 jogadores que sinceramente não prestei atenção quase nenhuma, mas é sempre um bom extra. Várias personagens e arenas podem ser desbloqueadas durante o jogo normal, ao encontrar objectos secretos ou cumprir algumas missões dentro de algumas condições especiais. Finalizando, este Syphon Filter 2 é um jogo de acção/infiltração bem sólido, com missões mais interessantes e variadas. Quem gostou do primeiro, irá certamente passar um bom tempo com este. Agora resta-me procurar o Syphon Filter 3 que é o único da série que actualmente me falta.

Ultima V: Warriors of Destiny (PC / Commodore Amiga)

Ultima VA série Ultima de Richard Garriot (ou também conhecido como Lord British) é uma das franquias seminais de todo o género dos RPGs, onde em conjunto com Wizardry influenciaram toda uma série de RPGs ocidentais não lineares que fomos vendo ao longo das décadas, mas também serviram de inspiração para criações como o Dragon Quest, que por sua vez foi evoluindo para os RPGs japoneses que temos hoje em dia. E esta é uma série vou rejogando aos poucos, sendo agora tempo de escrever algo do Ultima V: Warriors of Destiny, lançado originalmente em 1988. E tal como todos os outros Ultimas que tenho no PC, este foi também comprado numa GOG sale, em conjunto com todos os outros jogos da série excepto o Ultima Online, tendo estado a um bom preço. Para além da versão digital, comprei mais recentemente na Feira da Ladra em Lisboa a versão em caixa, formato big box com todos os livrinhos e mapa em tecido. É uma beleza! Custou-me 5€ e é a versão para Amiga, sendo virtualmente idêntica a esta, não vale a pena criar um artigo novo. Segue a foto:

Ultima V
Jogo completo com imensos livrinhos, papeizinhos, um medalhão e mapa em tecido. Bastante bonito! Versão para Amiga, embora seja practicamente idêntica à versão PC.

O Ultima IV foi um jogo muito peculiar, na medida em que não tínhamos um megavilão com planos de dominar o mundo para derrotar, mas sim era uma espécie de aventura introspectiva, onde teríamos de alcançar o estatuto de Avatar, portador de 8 virtudes e modelo de pessoa a seguir por todos os Brittanians. Essencialmente não nos podíamos portar mal, como assassinar ou roubar inocentes, como o jogo sempre permitiu. Ultima IV marcou também uma nova Era para Britannia (outrora Sosaria) e a partir desse jogo iríamos ver uma boa evolução do mesmo mundo, cidades e personagens nos jogos futuros. E neste Ultima V também encarnamos no papel de Avatar, mas tal como em todos os outros jogos o Avatar somos nós mesmos, seres terrestres absolutamente banais do século XX, que por algum motivo somos chamados por Lord British ao seu mundo e enfrentar mais alguma quest árdua. Este jogo começa da mesma forma, embora o apelo para retornarmos a Britannia não tenha partido de Lord British. Quando lá chegamos encontramos o mundo num estado bem diferente do que o deixamos, com Lord British desaparecido, Blackthorn no poder, com um regime bastante opressor, mudando as 8 Virtudes para 8 Leis bastante rigorosas. Para além do mais, Britannia foi invadida pelos Shadowlords, seres místicos malignos que nos atacam e ao nosso antigo companheiro Shamino, logo no início da aventura.

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Mais uma vez podemos interagir com qualquer NPC e falar com eles sobre variados temas.

Poderemos encontrar os nossos antigos companheiros do Ultima IV espalhados pelas várias cidades e teremos mais uma vez muita coisa para explorar. E ao contrário do que possa parecer, o nosso objectivo não é propriamente derrotar Blackthorn, mas  sim reencontrar Lord British que ele depois trata do resto. Claro que teremos alguns vilões para derrotar, como os tais Shadowlords, mas a maneira como o fazemos também é algo original. Ao longo do resto do jogo teremos de ter em atenção que somos procurados por Blackthorn devido a ser “foras da lei”, podendo ser perseguidos por certos guartas fieis ao novo regime e mais uma vez teremos de ter algum cuidado em practicar as tais boas acções de forma a não perder a nossa “Avatarhood“. Mais uma vez teremos também os spells que podem ser construídos após comprar os reagentes necessários e desta vez temos também um esquema de ciclo de dia e noite, com a visibilidade do overworld a ficar cada vez mais reduzida conforme vai anoitecendo. As dungeons continuam um misto de primeira e terceira pessoa, com os corredores a serem atravessados numa perspectiva de primeira pessoa e a salas vêem-se numa perspectiva de “overworld”, servindo para combater criaturas geralmente mais fortes, mas também resolver alguns puzzles com passagens secretas.

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Mais uma vez teremos de meditar em certos locais para recuperar a nossa Avatarhood

Graficamente este é um jogo que apesar de me parecer utilizar o mesmo motor gráfico do anterior, é um grande salto de qualidade face aos restantes. As sprites possuem mais animações, estão bem mais detalhadas e coloridas. O mesmo pode ser dito de todo o mundo envolvente, as montanhas parecem montanhas, as florestas parecem florestas e as diferentes classes estão devidamente bem representadas. Foi também feito um esforço adicional nas “cutscenes” que contam a história, agora com uma artwork bem mais trabalhada. As dungeons em primeira pessoa, ao contrário dos jogos anteriores que tinham as suas paredes e inimigos representados com gráficos vectoriais, são agora representadas com diferentes texturas, o que lhes dá logo um aspecto mais agradável. Os inimigos também vão sendo vistos com sprites detalhadas, com a perspectiva a transitar da primeira pessoa para o top-down view quando entramos na batalha propriamente dita. Infelizmente para o PC, em 1988 ainda não era assim tão comum encontrar PCs com placas de som, pelo que a música foi mais uma vez sacrificada e os efeitos sonoros são os bips habituais da PC-Speaker. Felizmente que existem patches feitos por fãs que trazem a música de outras versões para esta de DOS.

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Agora as dungeons possuem texturas, em vez de vectores.

Ultima V é mais um bom RPG. A história é cada vez um aspecto mais trabalhado e os NPCs são capazes de conversar connosco sobre muitos mais temas. A não linearidade de um mundo vasto, aliada a controlos ainda obsoletos poderão continuar a alienar jogadores de RPGs modernos, mas nada que um pequeno guia não ajude. No Ultima VI, apesar de ainda decorrer nesta “Age of Enlightnement”, foram vistas muitas mais mudanças e evoluções, mas isso ficará para um artigo próximo.

Wii Sports (Nintendo Wii)

Wii SportsJá há algum tempo que comprei a minha Nintendo Wii sem ainda ter escrito nenhum artigo sobre a consola. A verdade é que por muito que eu goste da Nintendo, todo o conceito de motion controls não me agradam particularmente, ainda por cima quando o próprio Wiimote é bastante desconfortável. Sendo assim, apesar de já ter alguns excelentes jogos para a consola, a maior parte das vezes acabo por preferir voltar ao meu fiel companheiro PC ou alguma das consolas para jogatina mais “directa”. De qualquer das formas já era tempo de escrever algo sobre esta consola e porque não uma rapidinha ao jogo que colocou a Wii no mapa? Tal como a maioria dos donos da Wii, este jogo veio em bundle com a própria consola, entrando na minha colecção assim que a comprei há alguns meses atrás na cash converters do Porto.

Wii Sports - Nintendo Wii
Jogo em caixa de cartão mais manual e papelada.

Apesar de não ser de longe um jogo que me agrade particularmente, Wii Sports é um produto em que fazia todo o sentido ter sido incluído juntamente com as consolas, pois mostrava exactamente quais as “revoluções” de gameplay que a Wii oferecia, e sendo também um óptimo chamariz para conquistar o público casual, que a Nintento tanto assediou desde 2006. Nesse sentido, de um ponto de vista meramente de marketing, Wii Sports fazia todo o sentido em sair como pack in juntamente da consola, sendo uma óptima escolha de um videojogo para reunir a família ou para ser jogado em eventos sociais, sendo que nesses últimos eu prefiro sempre beber umas cervejas a fazer figuras tristes, mas isso sou só eu.

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Os vários modos de jogo existentes

Wii Sports é um conjunto de 5 simples simulações desportivas: Ténis, Basebol (esse desporto tão apreciado por nós meros europeus), bowling, golf e boxe. Cada um destes desportos tira partido do acelerómtro incutido no Wiimote, cujo não tem tanta precisão como o Motion Plus, mas ainda assim serve bem para o efeito. Existem modos de treino onde podemos praticar cada movimento requerido por cada desporto, os vários tipos de raquetadas, tacadas de golfe e por aí fora, para depois que possamos ser um show-off perante os avós que vêm a casa pelo Natal e acham piada à coisa. Cada modalidade exige que deixemos o wiimote numas posições específicas, de forma a melhor simular a modalidade. Sinceramente a única em que até achei alguma piada é o boxe, o esquema de ataque e defesa pareceu-me divertido. Mas como todos os outros jogos que exigem muitos movimentos, acaba por se tornar algo cansativo. De resto temos várias modalidades de single player e multiplayer, algumas até 4 jogadores, onde podemos também integrar os Miis que criamos. Mais uma vez parece-me uma óptima ideia para um jogo casual ou mais de “party” mas para mim não me diz grande coisa, até porque os Miis da Wii não oferecem assim tantas hipóteses de customização.

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Visualmente tem um aspecto muito clean e que até lhe fica bem

Visualmente é um título bastante simples, mas eficaz. Suporta progressive scan como alguns jogos da Gamecube e possui relvados até que bem bonitinhos e com efeitos de luz no geral. Mas mais que isso não esperem, pois é um jogo super simples, e o mesmo pode ser dito para as músicas e efeitos sonoros no geral.

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Nem precisas de me avisar duas vezes.

Para mim Wii Sports é um jogo que faz todo o sentido no âmbito do público alvo que a Nintendo procurou alcançar quando lançou a Wii. Tenho vários amigos que compraram uma Wii justamente devido a jogos casuais deste género e a Nintendo acertou na mouche ao incluir este Wii Sports como bundle, servindo de uma demo técnica avançada a mostrar o que o Wiimote seria capaz de fazer. No entanto, para mim continua a ser um título que pouco me diz.

Genji (Sony Playstation 2)

Genji PS2A Playstation 2, consola com tamanho sucesso que teve, no meio do seu imenso catálogo de videojogos, é perfeitamente natural nos escapar um ou outro do radar. E este Genji é para mim um perfeito exemplo disso, revelando-se depois num jogo que passei a adorar. Essencialmente é um hack and slash com alguns elementos de RPG e exploração, mas com óptimos controlos, ideias, visuais e um setting centrado em plena era feudal japonesa com os seus samurais e outros guerreiros, tema que eu sempre gostei. O jogo entrou na minha colecção algures no final do ano anterior ou início deste, tendo-me custado 3€, comprado a um familiar.

Genji - Sony Playstation 2
Jogo com caixa e manual

O jogo coloca-nos num Japão oprimido pelo rejime do exército Heishi, liderado por Taira no Kagekiyo, vencedor de um brutal conflito entre as facções Heishi e Genji que haviam decorrido uns anos atrás. Esses guerreiros possuiam as Amahaganes, umas “bolas de cristal” muito especiais, conferindo poderes mágicos aos seus donos. Os sobreviventes Genji, derrotados, acabaram por se escoder espalhados pelo Japão e encarnamos em Minamoto Yoshitsune, filho do antigo líder Genji que, em conjunto com Musahibo Benkei, iremos lutar contra os Heishi e restaurar a liberdade ao povo. Claro que também temos Amahaganes para nós próprios e o seu uso será essencial nos combates que nos esperam.

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Em Genji, os combos são muito importantes para ganhar mais pontos de experiência. Se usarmos o Kamui como deve ser, ainda melhor.

A jogabilidade mistura os hack and slashs repletos de combos à lá God of War, com a exploração e backtracking para procurar locais e items que anteriormente não conseguiríamos alcançar (ou apenas poderiam ser alcançados por Yoshitsune ou Benkei), bem como alguns elementos ligeiros de RPG, ganhamos ponto de experiência por cada combate que temos, podendo posteriormente subir de nível, comprar e equipar várias armas ou peças de equipamento ou mesmo items de suporte que podem facilmente ser utilizados ao mapeá-los para uma direcção do D-Pad. Outra maneira de aumentarmos alguns atributos específicos como a vida, ataque e defesa, consiste en encontrar fragmentos de cristais escondidos ao longo do jogo, podendo depois atribuí-los a um destes atributos e por cada 3 que juntarmos num atributo, subimos aí também de nível. Ao contrário do nível normal da personagem, cuja pool de experiência é partilhada entre as 2 personagens, esta aqui é independente.

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Yoshimitse é o típico guerreiro mais ágil, já Benkei é mais lento, mas com muito mais força bruta.

Os controlos são bastante agradáveis e fluídos. As batalhas decorrem deliciosamente e a ideia do Kamui foi muito bem conseguida. Kamui é o poder das Amahaganes, que essencialmente deixam toda a acção em câmara lenta e permite-nos dar fortíssimos contra-ataques a inimigos, muitas vezes matando-os com um só golpe e tirando também uma grande fatia de vida dos bosses. Esse Kamui pode ser utilizado sempre que enchemos uma barrinha de energia com os golpes normais e combos que vamos executando, podendo depois ao longo do jogo ganhar mais umas 3 dessas barrinhas, permitindo-nos utilizar Kamuis em cima de Kamuis, para resultados ainda mais espectaculares, se bem executados. E de facto executar bem os Kamuis é a chave para o sucesso deste jogo, para além de dar muito mais dano nos inimigos, também ganhamos muitos mais pontos de experiência no fim do combate.

A vertente mais de exploração resulta da maneira como o jogo está distribuído. Temos um overworld com várias localizações que vão sendo desbloqueadas à medida em que vamos progredindo na história. No entanto podemos ir visitando zonas anteriores, seja para combater e ganhar mais experiência, passar pelos mesmos locais com outra personagem de forma a aproveitar as suas habilidades para encontrar passagens secretas e/ou outros items, ou simplesmente para interagir com NPCs e lojas para comprar mais equipamento ou items. Tudo isto pelo menos dentro do capítulo em que estamos, pois ao longo dos 3 capítulos vamos mudar de zona e as áreas anteriores deixarão de poder ser visitadas.

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Inicialmente vamos lutar contra oponentes humanos, mas mais tarde entram também forças de outros mundos à disputa.

Visualmente é um jogo excelente. Os gráficos estão muito bem detalhados, pelo menos falando em relação às capacidades da Playstation 2 e tudo está muito bem caracterizado, sejam os nossos guerreiros, outros samurais ou criaturas místicas, ou mesmo as próprias paisagens naturais, repletas de cores vivas e as aldeias/castelos/templos japoneses, com uma arquitectura muito própria e aqui muito bem representadas. Uma outra coisa que eu gostei bastante é o facto de o jogo nos permitir ouvir o voice acting original em japonês, com legendas em inglês ou noutras línguas europeias. Sendo assim nem sequer toquei no voice acting inglês, portanto nada tenho a dizer do mesmo. Só tenho pena que em cada vez que fazia boot à consola com o jogo, ela pedia-me se queria fazer o display em 50 ou 60Hz e mudar as línguas do jogo e lá tinha eu de fazer sempre a mesma alteração. A meu ver estes settings deveriam ficar logo guardados no cartão de memória e pronto, se depois quiséssemos alterar bastaria ir ao menu das opções. E devo então dizer que gostei bastante do voice acting japonês, todas as vozes iam de encontro às minhas expectativas perante as personagens em questão e aqui não temos aquelas vozes fofinhas de muitos animes actuais. Gostei bem do trabalho e espero sinceramente um dia que compre o Genji da PS3 venha a ser agradavelmente surpreendido uma vez mais neste campo. Outro ponto a referir são as cutscenes, que tanto são num CG muito bem trabalhado, como podem também usar o próprio motor gráfico do jogo que, face à quantidade de detalhes que apresenta, porta-se mesmo muito bem.

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Por vezes é impossível ficar indiferente perante tal beleza nos cenários

No fim de contas, este é um jogo que recomendo a todos os donos de Playstation 2, em especial se preenchem pelo menos um destes requisitos: gostar de hack and slashs 3D e/ou gostar de samurais e temática afins. Nesses campos Genji é um excelente jogo. Convém também referir que temos algum conteúdo bónus se chegarmos ao fim do jogo em Normal e Hard, como as cutscenes ou bastante artwork das personagens principais, inimigos e cenários. Por fim, devo dizer que fiquei bastante curioso com o Genji “giant enemy crab” que acabou por sair para a Playstation 3, vamos a ver como se safaram.