Colecção de videojogos – alguns "rants" e análises
Autor: cyberquake
Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
Distraído como sou, não é que há mais de uma semana atrás gravei um vídeo com o grande Mike do Game-Chest e me esqueci de colocar aqui?
Para quem conhece o Mike sabe que ele tem um foco maior na sua colecção de PS2, e porque não sentarmo-nos um pouco para discutir o tema? Espero que gostem!
Recentemente escrevi para a PUSHSTART mais uma review a um jogo clássico, o Shadowgate, versão NES. É um jogo de aventura peculiar, quanto mais não seja pelo seu clima de terror e mortes violentas que não foram censuradas pelas políticas apertadas de “boas famílias” que a Nintendo apregoava na altura.
Jogo completo com caixa, manual e papelada
Apesar do texto (que pode ser consultado aqui) incidir sobre a versão NES, a versão que eu tenho na minha colecção é a Gameboy Color, lançada uns bons anos depois. É essencialmente o mesmo jogo, mas devido ao ecrã reduzido da Gameboy, a interface foi “encolhida bastante”, com o ecrã a fazer scroll enquanto navegamos nos menus ou exploramos a sala. A minha cópia foi comprada algures num dos meses passados na Cash Converters de Benfica por 6€, estando completa e em óptimo estado.
Entretanto também adquiri num Humble Bundle a versão original do jogo, emulada directamente das versões Mac. É essencialmente o mesmo jogo, alterando o interface que permite mais acções com o uso do rato e teclado. Existem 2 versões, uma a preto-e-branco do Macintosh e outra a cores do Apple II.
O artigo de hoje será mais uma “super rapidinha”, pois o tempo tem sido mesmo curto. R.C. Pro-Am é um jogo de corridas de carrinhos telecomandados, produzido pelo outrora gigante estúdio europeu da Rare, que nos habituou com o passar dos anos com lançamentos excelentes para as consolas da Nintendo e não só. E possivelmente este RC Pro-Am até que foi um dos primeiros sucessos da empresa para a NES, embora não seja um jogo que me agrade particularmente.
Apenas cartucho
O jogo apresenta-se numa perspectiva isométrica que veio mais tarde a influenciar outros videojogos que a utilizaram e os controlos são simples com o D-Pad a controlar o movimento do nosso carro, um botão para acelerar e um outro para utilizar armas. Sim, apesar de ser sobre carrinhos telecomandados podemos utilizar armas como mísseis para atacar os carros que vão à nossa frente, ou bombas para os que se ficam atrás. Essas armas são apanhadas ao longo dos circuitos e o número de munições mantém-se de pista em pista. Para além de armas podemos também encontrar peças que melhoram o nosso carro, como pneus, motor, turbo, itens como “escudos” que nos protegem contra o dano ou mesmo letras que vão formando a palavra Nintendo, e que por sua vez nos permite adquirir carros melhores.
As pistas estão cheias de powerups e obstáculos
O objectivo consiste em chegar pelo menos na 3a posição para avançar de circuito, existindo 24 circuitos diferentes, mas o jogo a repetir-se enquanto vamos “sobrevivendo”. Esses mesmos circuitos têm também alguns perigos como poças de água ou óleo, pequenas zonas onde se activa temporariamente o turbo, ou mesmo barreiras que nos param de uma vez. A jogabilidade é simples e entende-se o porquê de o jogo ter sido um sucesso, mas muito sinceramente acabo por preferir outro com um conceito não muito diferente: Micromachines.
Alguns powerups servem para aumentar a performance do carro
A nível de audiovisuais não é o melhor jogo de sempre. Não esperem por circuitos muito detalhados, nem músicas que nos fiquem para sempre gravadas na memória, até porque só existem pequenas melodias de transição de uma corrida para a outra. Os efeitos sonoros cumprem bem o seu papel. De resto, R.C. Pro-AM é um jogo que não é nada mau do catálogo da NES, mas pura e simplesmente não é de um género que me agrade particularmente.
O Outrun original foi um jogo brilhante que por alguma razão ainda anda fugido da minha colecção. Mas o Outrun 2006 Coast 2 Coast, o último jogo da série (e igualmente excelente) não me escapou! Na passada edição da Pushstart escrevi mais um artigo da rubrica “Old vs New”, onde escolhi desta vez comparar precisamente esses 2 jogos. Como para já apenas tenho o Coast 2 Coast na colecção, aproveito aqui o artigo apenas para este jogo. No futuro será apontado para ambos.
Jogo completo com caixa, manual e papelada
E o meu exemplar da PS2 foi adquirido por 5€ já há uns bons anos, numa loja do centro comercial Brasília no Porto, da qual já não me recordo o nome, mas não era a Prameta. Está completo e em bom estado! De resto poderão ler o artigo na íntegra aqui.
A série Mario Land foi bastante importante na biblioteca da Gameboy, pois apesar do primeiro jogo ser bastante simples, ainda assim provou que seria possível ter experiências nas máquinas portáteis muito próximas do que se fazia nas consolas domésticas. O Super Mario Land 2 já foi uma grande evolução a nível gráfico, com o jogo a tirar muito bem partido do hardware monocromático desta portátil lendária da Nintendo. Esse jogo em particular introduziu uma nova personagem no universo da Nintendo, o anti-herói Wario, que aparentemente foi bem recebido e a partir desde terceiro jogo da série o foco passou a estar todo em Wario. Este meu exemplar foi comprado na loja 1UP, custou-me quase 7€, um valor um pouco mais alto que eu costumo dar por um cartucho de Gameboy, mas visto ser um jogo pelo qual tenho um carinho muito especial, não me importei nada.
Apenas cartucho
As mecânicas de jogo são bastante parecidas aos jogos tradicionais de plataformas de Mario, mas ao mesmo tempo são diferentes. Saltar em cima dos inimigos ou pegar neles e arremessá-los para qualquer lado continua a ser possível, mas com Wario há um maior foco nas suas outras habilidades. Na sua forma “crescida”, Wario pode dar encostos de ombro nos inimigos, ou mesmo em blocos que podem ser quebrados dessa forma. Depois os outros power ups podem conter um de três diferentes capacetes, cada qual com as suas habilidades. O capacete de viking faz com que os “charge attacks” de Wario sejam mais poderosos, bem como ser possível fazer um “pound attack” como Mario em pleno ar, atarantando os inimigos que estejam nas proximidades. Um capacete com asas permite-nos voar, e efectuar esses charge attacks em pleno ar (ou água) e por fim temos a cabeça de dragão que cospe fogo capaz de destruir blocos e inimigos, mas perde o efeito do charge attack.
As passagens secretas para os tesouros estão sempre trancadas à chave
Ao longo do jogo vemos também imensas moedas, mas ao contrário de Mario onde servem unicamente para efeitos de pontuação ou de angariar vidas extra, aqui servem mesmo para a coisa mais óbvia: unidade monetária. Já as vidas podem ser ganhas cada vez que apanhemos 100… corações! Faz mais sentido, não? De qualquer das formas as moedas são muito importantes, para além de ser necessário pagar 10 para desbloquear a porta de saída da maioria dos níveis, o final que alcancemos dependerá muito do dinheiro que tenhamos na “conta”. Por um lado, no final de cada nível podemos sempre experimentar um minijogo onde apostemos moedas ou corações, mas uma outra fonte de dinheiro bem rentável consiste em explorar todos os níveis de cima a baixo, pois em alguns deles teremos passagens secretas que nos levam a tesouros escondidos. A exploração é algo que tem um foco muito maior na série Wario Land, como poderemos ver também nos jogos seguintes.
Este é o minijogo onde podemos ganhar mais moedas. Basta escolher o balde certo, o que não foi o caso.
Os níveis são muito bem detalhados, e sendo o jogo passado numa ilha em busca de tesouros, há um grande foco em temáticas inspiradas nos filmes de piratas. Aliás, os vilões do jogo são mesmo piratas e o objectivo é mesmo o de Wario conseguir chegar aos tesouros antes deles. Wario Land tem mais essa particularidade: a Nintendo, como bastião dos bons valores e costumes como sempre o foi, lança este jogo onde somos os maus da fita e o objectivo é mesmo o de fazer o máximo de dinheiro possível, dê por onde der. Mas voltando aos audiovisuais, as sprites também são muito bem detalhadas, tornando este jogo ainda mais delicioso de ser jogado. As músicas são fora do comum. Muitas delas são baseadas na mesma melodia, mas com “roupagens” completamente diferentes, algumas mesmo bastante minimalistas. Sinceramente gostei e é daqueles que nos deixa com as músicas presas ao nosso subconsciente pelos dias seguintes.
Como sempre temos alguns bosses para derrotar também.
Este é para mim um dos, senão mesmo o meu jogo preferido da Gameboy clássica. É um excelente jogo de plataformas, com uma óptima jogabilidade, níveis bem desenhados, boa exploração, excelentes gráficos tendo em conta o hardware onde corre, enfim, tudo é bom. E claro, é dos jogos de Gameboy que mais nostalgia me traz. Absolutamente recomendado.