Colecção de videojogos – alguns "rants" e análises
Autor: cyberquake
Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
Já há alguns dias que não trazia cá nenhum artigo novo por questões profissionais que simplesmente não me deram tempo para o fazer. Sim, mesmo ao fim de semana! Portanto para compensar conto hoje escrever duas rapidinhas aqui para o blogue. A primeira vai ser sobre mais um jogo da minha infância que joguei bastante na sua versão shareware. Estou a falar do Raptor Call of the Shadows, produzido pela Cygnus Studios e publicado pela Apogee. É um dos shmups exclusivos de pc que eu acho mais bem conseguidos e tal como todos os outros jogos da Apogee que tenho na minha conta steam vieram cá parar através de bundles bem baratos. Este veio também da 3D Realms Anthology.
A história coloca-nos como um mercenário solitário a lutar contra um poderoso império. Sim, o cliché do costume que na verdade resulta muito bem neste tipo de jogos e nada mais é preciso. Mas é na jogabilidade e mecânicas de jogo que este Raptor marca os seus pontos. Isto porque o mesmo está dividido em 3 capítulos diferentes, com 9 níveis em cada. E à medida que vamos destruindo os inimigos que nos apareçam à frente, ganhamos dinheiro que pode posteriormente ser utilizado para customizar o nosso avião, ao comprar diferentes armas, escudos ou outros. E tendo em conta que apenas temos uma vida (se bem que também podemos salvar o nosso progresso), ter sempre um ou outro escudo de reserva não é má ideia. É que em graus de dificuldade maiores, ou em níveis mais avançados, iremos ser invadidos por imensas outras naves que nos descarregam com imengos projécteis e é practicamente impossível nos desviarmos de todos.
A nível gráfico a única coisa que me chateia um pouco é a forma modular como os edifícios explodem
De entre as armas que podemos comprar, temos vários tipos de mísseis, armas que só atingem veículos voadores, outras que só atingem os tanques e bases terrestre que vamos atravessando, e outras que atingem tudo e mais alguma coisa, incluindo projécteis que perseguem os inimigos. Muitas dessas diferentes armas podem ser seleccionadas para funcionarem em paralelo com outras “principais”. E claro, temos também a mega bomba que destrói todos os inimigos presentes no ecrã, excepto os bosses que apenas lhes causa algum dano. Depois é só percorrer todos estes níveis e tentar destruir tudo o que nos apareça à frente! Simples, não?
Os escudos internos do nosso avião (barra da direita) podem ser lentamente regenerados enquanto não abrimos fogo. O ideal é ter um stock de escudos externos de reserva
Graficamente sempre achei este jogo muito capaz, estando repleto de pequenas cutscenes que sempre me pareceram bem animadas e depois aquele hangar onde podemos escolher uma série de coisas entre cada nível, ou o próprio interface de “loja online do mercado negro” onde podemos comprar as nossas armas e outros power ups também me pareceram muito bem conseguidos. Nos níveis em si acho que os veículos estão bem desenhados, a única coisa que não gostei muito foi da maneira como desenharam os edifícios a explodir, parece-me ser uma coisa bastante modular. Mas são só pequenas picuinhices. As músicas apesar de não serem propriamente más, acho que se tornaram bastante discretas para o jogo em questão, sendo completamente ofuscadas pelo barulho de balas a serem disparadas e explosões.
Apesar de não ser um jogo perfeito, sempre achei este Raptor bastante competente. E de todos os shmups que foram sendo criados de forma exclusiva para o PC durante o apogeu do DOS gaming, sempre achei este o mais interessante.
Hoje é mesmo mais uma super rapidinha que o trabalho tem vindo a apertar. E o artigo de hoje recai uma vez mais num outro jogo que veio junto da 3D Realms Anthology e eu ainda não o tinha analisado por cá. Ora este Wacky Wheels é nada mais nada menos que um clone de Super Mario Kart, mas para PC, e com uma forte componente multiplayer online que sempre foi um dos seus selling points, apesar de pessoalmente nunca a ter sequer experimentado.
As semelhanças com Super Mario Kart são bastantes, com a possibilidade de escolhermos a dificuldade pretendida e mesmo aí ainda teremos três diferentes “cups” para concorrer. E apesar dos bichinhos não correrem em karts mas sim máquinas de cortar relva, as semelhanças na jogabilidade permanecem, com a hipótese de utilizar certos itens que podemos apanhar como armas para tirar alguns dos nossos adversários da frente (se bem que as mesmas podem ser usadas contra nós). Existem também outros modos de jogo como o time trial, ou variantes multiplayer que nos permitem jogar contra os nossos amigos seja a correr, seja em pequenas batalhas em arenas como no Battle Mode dos Mario Kart.
Estão submersos em água ou lava? Não tem mal porque temos um periscópio!
A nível gráfico é um jogo bastante colorido e replica também o mode 7 utilizado no Super Mario Kart original da SNES. Apesar de achar que os gráficos em mode 7 não sejam a melhor coisa do mundo e sinceramente os PCs já conseguiam fazer melhor. As músicas e efeitos sonoros são bons, nada a apontar, com músicas bem alegres que acabam por ser bastante envolventes tendo em conta o estilo do jogo. Já a fluidez das corridas em si é que me pareceu deixar um pouco a desejar… mas também podem ser problemas com a emulação em dosbox (preguiça em ligar o velhinho pentium para tirar a prova dos 9).
Posto isto, Wacky Wheels era um bom clone do Super Mario Kart, numa altura em que o PC não era uma plataforma que tivesse muitos jogos deste género. Se vale a pena jogá-lo hoje em dia, sinceramente eu diria que não, mas quem for fã do género terá sempre alguma curiosidade.
O Commando foi um jogo interessante por parte da Capcom. Notavelmente influenciado por filmes como Rambo, esse era um daqueles primeiros jogos de acção em que sozinhos teríamos de defrontar um exército inteiro em cenários de guerra. O conceito pegou e naturalmente acabaram por surgir diversos imitadores, como Ikari Warriors, Jackal ou mesmo alguns jogos do próprio Rambo que acabaram por lhe seguir essas mesmas pegadas. Naturalmente a Capcom também não se deixou ficar quieta e mais tarde ou mais cedo lançam também este Mercs como uma sequela aprimorada. Das várias conversões existentes deste jogo, esta para a Mega Drive acaba por ser a mais interessante, pelas razões que irei referir ao longo deste artigo. Esta minha cópia, apesar de ser Genesis foi comprada cá em Portugal, tendo vindo de um bundle no OLX onde comprei 8 jogos de Mega Drive em caixa por 35€.
Jogo com caixa e manual, na sua versão americana
A história prende-se aos clichés habituais: o presidente norte-americano foi raptado aquando de uma visita a um qualquer país africano. Mas em vez de se envolver o exército por aparentemente desrespeitar tratados diplomáticos, o governo norte-americano decide antes contratar uma equipa de mercenários para que de forma “discreta” se possa resolver esse conflito. Sim, uma equipa até porque o lançamento original para arcade permitia multiplayer cooperativo de até 3 jogadores em simultâneo. Infelizmente na versão Mega Drive não tem qualquer multiplayer, sendo esse o seu principal defeito.
Aqui temos alguma liberdade de movimento, podendo explorar os níveis da forma como quisermos. Só não dá voltar para trás
De resto, Mercs tem também uma jogabilidade um pouco diferente de Commando. É quase um Contra com uma perspectiva diferente, ou mesmo um shmup com soldados em vez de naves espaciais ou aviões. Isto porque vamos tendo várias armas diferentes ao nosso dispor, desde a tradicional metralhadora, até lança-chamas, lasers ou mesmo o “spread shot” bem conhecido da série Contra. Para além disso, também existem outros power-ups que nos podem aumentar o poder de fogo, daí a minha comparação aos shmups tradicionais. Outras novidades estão também na eliminação do conceito de 1 hit kills, sendo o mesmo substituído por uma barra de vida, que inclusivamente pode ser regenerada caso encontremos power-ups para o efeito. A outra novidade está no facto de podermos conduzir alguns veículos como jipes, barcos ou tanques, o que torna a acção ainda mais interessante! E claro, para além das armas normais temos também as bombas que destroem todos os inimigos no ecrã, mas essas vêm em número limitado.
Estes caixotes podem conter uma grande variedade de itens… ou então barras de dinamite que explodem passado poucos segundos
Mas se por um lado a Sega teve o desplante de não ter introduzido a vertente multiplayer nesta conversão, por outro lado adicionaram um modo de jogo diferente, o “Original Mode”. Aqui os níveis são completamente redesenhados e algumas mecânicas de jogo alteram-se. Ao longo do jogo vamos encontrando tendas de campanha. Lá dentro temos uma loja onde poderemos trocar as medalhas que vamos encontrando no campo de batalha por power-ups, mas também poderemos encontrar outras personagens que podem ser recrutadas e jogáveis. Ao longo do jogo basta carregar no botão de pausa que poderemos alternar entre as diferentes personagens, sendo que cada uma dispõe de uma arma diferente. Os power ups que encontramos afectam apenas essa mesma personagem, pelo que temos de ter alguma estratégia ao apanhá-los. Não vale a pena apanhar um powerup de dano para a arma quando a mesma já está no máximo. Mais vale mudar para outra personagem, apanhar esse power-up e mudar de volta para a personagem anterior caso desejemos.
A tal loja que vamos encontrando no Original Mode
A nível de audiovisuais já nos sistemas arcade este jogo era um salto bem grande face ao Commando original. Notoriamente 16bit, o jogo apresentava umas sprites bem detalhadas, em níveis igualmente detalhados e bastante coloridos. As sprites gigantes para os bosses eram um eye candy e felizmente não houve grandes perdas de qualidade nesta transição para a Mega Drive, com os gráficos a ficarem muito próximos da versão arcade. As músicas são também bem inspiradas, acho que neste campo tanto a Capcom como a Sega fizeram um bom trabalho.
A apontar de negativo nesta conversão só consigo mesmo fazê-lo à falta da vertente multiplayer, nem que fosse para 2 jogadores apenas. De resto o Mercs é um óptimo shooter para quem gostar do género e esta conversão para a Mega Drive tecnicamente saiu muito bem na fotografia. O modo original foi sem dúvida uma adição muito benvinda e quase que faz esquecer a falta de multiplayer. Existe também uma conversão deste jogo para a Master System, que acabou por sair mais ou menos na mesma altura, tal como a Sega o fez com outros jogos da Capcom na mesma época (Strider, Ghouls ‘n Ghosts, Forgotten Worlds), estou algo curioso em ver como seria a versão Master System deste Mercs, mas esta versão enche-me as medidas.
Hoje é tempo de mais uma rapidinha a um jogo de PC. O Alone in the Dark original foi um jogo “muito à frente” no seu tempo e sem dúvida que influenciou outros jogos como os Resident Evil clássicos, até porque a fórmula era mais ou menos idêntica: ângulos de câmar fixos e gráficos pré-renderizados, os tank controls, poucas munições e a exploração e procura de itens para progredir nos cenários. Aqui nesta sequela as coisas já levaram um rumo mais para a acção. Este meu exemplar custou-me cerca de 2.5€ na Feira da Ladra há uns bons meses atrás, se a memória não me falha.
Jogo com caixa e manual embutido
A personagem principal é uma vez mais Edward Carnby, um detective privado especialista em assuntos sobrenaturais, desta vez com a missão de investigar o paradeiro da menina Grace Saunders, que aparentemente terá sido raptada e levada para a mansão “Hell’s Kitchen”, casa de uma notável família de gangsters. Mas claro, o sobrenatural vem ao de si e eventualmente são também traçadas algumas ligações ao primeiro jogo, mas deixo isso para quem o for jogar.
A câmara continua a ser fixa, algo muito utilizado numa nova geração de survival horrors que se seguiram
A nível de mecânicas de jogo é muito semelhante ao original, tal como referido no primeiro parágrafo a maior diferença está precisamente no maior foco dado à acção e não propriamente ao “survival horror” em si. Iremos defrontar muitos gangsters equipados com várias armas, onde poderemos posteriormente usá-las nós próprios, assim como outros objectos como se fossem armas brancas. Mas os combates propriamente ditos continuam muito chatinhos, devido a umas más mecânicas do sistema de detecção de colisões. Principalmente em inimigos mais acrobatas que se mexam muito, fica difícil de lhes acertar em cheio, quer estejamos a usar armas de fogo, ou uma tábua de partir carne. Eventualmente há um ou outro segmento do jogo em que jogamos com a pequena Grace Saunders, e nessa altura teremos de ter uma abordagem mais furtiva, pois basta um dos inimigos nos encontrar para sermos capturados. Mas isso não quer dizer que não possamos ripostar, pois podemos preparar algumas armadilhas para os tirar do nosso caminho. De resto no geral mantém mais ou menos as mesmas mecânicas de jogo do anterior, incluindo todo o lore que pode ser lido ao descobrir livros e várias anotações espalhadas pela área do jogo.
Pode não parecer, mas isto eram gráficos 3D bem avançados para 1993.
Graficamente é um jogo um pouco melhor que o original, embora ainda continue a ser um 3D muito primitivo, com modelos com pouquíssimos polígonos e com texturas simples ou nenhumas. Os cenários sendo pré-renderizados já apresentam mais algum detalhe. No entanto, mesmo sendo um jogo mais focado para a acção do que o survival horror, a Infogrames ainda não tinha acertado na ambiência sonora, usando músicas que pouco ou nada acrescentavam à atmosfera mais tensa que este jogo precisaria. Só na recta final do jogo é que ouvi umas melodias mais épicas que já se adequavam mais àquilo que estava a ser vivido.
Em jeito de conclusão, este Alone in the Dark 2 apesar de não ser um mau jogo tendo em conta a altura em que foi lançado e mesmo sendo uma sequela continuava a ser um videojogo muito único dentro do mercado. Ainda assim pareceu-me um pouco menos inspirado que o primeiro precisamente pelo foco maior na acção, parece que dá a entender que foi feito um pouco mais às pressas. Ainda assim deverá ter tido sucesso suficiente para receber uma conversão para a Playstation e Sega Saturn, cujas versões não cheguei a jogar.
Tempo para mais uma rapidinha a um jogo que continua a ser bastante divertido, mas sinceramente me decepcionou um pouco num ou noutro ponto. O Grand Theft Auto original era presença obrigatória no PC de toda a gente e passávamos imensas tardes só a criar o caos na cidade, as missões sempre ficavam para segundo plano. Mas hoje em dia, com o backlog gigantesco que tenho, acabo sempre por dar mais importância à história dos jogos mesmo que sejam sandbox, e infelizmente o GTA2 não traz grandes melhorias nesse ponto. Este meu exemplar veio da Cash Converters de Alfragide já há uns bons meses atrás. Não sei quanto me custou, mas não terá sido mais de 3€.
Jogo com caixa, manual e mapa
GTA2 utiliza a mesma fórmula base que o primeiro jogo e o GTA London introduziram: temos uma (ou mais) cidades para explorar livremente numa perspectiva vista de cima onde podemos fazer tudo e mais alguma coisa com os veículos e pessoas que por lá vão passeando. Ao fazer asneiras também ficamos com a polícia à perna, cujo conflito pode vir a ser escalado por mais asneiras que continuamos a fazer. Isto até levarmos o nosso carro a uma oficina onde lhe mudam a pintura e aí já fica tudo bem. Para além dessa liberdade temos uma série de missões a cumprir para um ou mais gangues, desde silenciar certas pessoas, transportar bens ilícitos, roubar alguns carros especiais, raptos, entre outras tarefas não muito dignas de um moço de recados. A diferença é que neste GTA2 temos apenas uma única cidade para explorar (se bem que dividida em 3 áreas distintas) e em cada uma dessas áreas temos 3 gangues rivais, onde vamos acabar por fazer missões para os três. Para isso incutiram um sistema de “respeito”. Apenas quando um gang nos respeita minimamente é que nos deixam fazer missões para eles. Como ganhar respeito? Bom, basta matar uns quantos membros dos gangues rivais!
Desta vez para salvar o jogo basta dirigir-nos a uma igreja e ter 50000$ no bolso!
E ao longo do jogo vamos fazendo sempre essa dança de gangue em gangue caso queiramos fazer todas as missões, o que não faz muito sentido, pois para sermos elegíveis a fazer as missões do gangue A, temos de matar vários membros do gangue B, mas depois para fazer missões do gangue B basta matar membros do gangue C, a nossa reputação em infernizar a vida desses bandidos quando trabalhávamos para o gangue anterior parece que não importa para nada. E esta lógica ainda se agrava mais sendo que o gangue Zaibatsu está presente nas 3 diferentes áreas da cidade. Mas isto sou eu a complicar demasiado as coisas, um videojogo não é suposto ter lógica, este em particular está repleto de humor negro e há missões bem divertidas, como usar um camião de bombeiros que na verdade tem um lança chamas acoplado em vez de um canhão de água. E os gangues no geral são bastante originais, incluindo um de rednecks, outro de esquizofrénicos, cientistas malucos, religiosos hindus ou até “comunistas” pró-soviéticos com direito a uma fábrica de hot dogs com carne de origem duvidosa.
Tal como no original, as missões são dadas ao atender telefones públicos. Mas só as podemos fazer se tivermos “respeito” suficiente pelo gangue em questão
O problema é que isto acaba por inviabilizar um pouco uma narrativa mais séria como a que a Rockstar passou a adoptar nos seus jogos. É claro que não estava à espera de uma narrativa à lá L.A. Noire, até porque mesmo nos GTAs que se seguiram sempre houve um pouco de bom humor, mas esperava que já houvesse alguma narrativa que conduzisse uma história com princípio e fim. Até porque o jogo começa logo com uma cutscene em full motion vídeo, repleta de acção e perseguições policiais, mas já o final… bom, é melhor não dizer nada.
De resto, para quem jogou o GTA original a jogabilidade mantém-se muito idêntica. É verdade que prefiro a versão PC a esta da Playstation devido aos controlos, mas talvez seja só uma questão de hábito. Continuamos a ter imensos veículos para conduzir, desde pequenos “mata-velhos” até tanques de guerra e as armas também são ainda mais variadas. Os conflitos policiais podem agora ser escalados de tal forma que temos carrinhas SWAT, agentes federais especiais ou até o exército norte-americano atrás de nós com tanques e soldados fortemente armados. Podemos também equipar os nossos carros com armadilhas como soltar óleo na estrada para despistar os polícias ou mesmo equipar metralhadoras. É uma novidade interessante, mas dado à fragilidade dos carros não me pareceu que compensasse muito. O conceito dos diferentes gangues também acrescenta algumas novas possibilidades, pois mediante as nossas relações com cada grupo, eles podem ser inofensivos e até ajudarem-nos nos confrontos com as forças da Lei, ou por outro lado também nos podem atacar. Outros extras como os Kill Frenzy ou mesmo algumas missões bónus também existem nesta sequela e aqui é possível fazer save game a qualquer momento, bastando para isso procurar uma igreja que costuma estar em território neutro no mapa e ter pelo menos 50000 dólares na nossa conta. É melhor que não haver save nenhum, e excepto as missões finais de cada capítulo, estas também as podemos repetir caso as falhemos à primeira.
Para nos auxiliar, existem vários marcadores com a direcção que devemos seguir. Se não estivermos com nenhuma missão de momento, os apontadores indicam a localização de telefones dos diferentes gangues.
A nível gráfico não é um jogo assim tão diferente do primeiro no aspecto, embora já usem polígonos em 3D para representar a cidade, as sprites estão um pouco mais detalhadas e existem alguns efeitos de luzes que são melhores notados caso estejamos a jogar a versão PC, onde podemos jogar durante a noite. Creio que a versão Dreamcast também permite jogar à noite, mas aqui na Playstation joga-se sempre de dia, o que a meu ver até dá outro brilho ao jogo, pois durante a noite as coisas ficam muito iguais. A banda sonora continua excelente, com cada carro a tocar diferentes músicas ou diálogos nos seus rádios, consoante a estação sintonizada. A música varia do country, jazz, pop, rock, electrónica e até gospel, mas o que mais piada achei foram precisamente naqueles pequenos detalhes nos diálogos das rádios patrocinadas pelos gangues: o sotaque sulista da rádio dos rednecks a falarem de bounties em prisioneiros que se escaparam da prisão, as dificuldades técnicas dos soviéticos em transmitir, ou bizarrices em japonês na rádio patrocinada pelos Yakuza.
O nível máximo de alerta aumenta consoante o nosso progresso no jogo. Na ultima área, até o exército pode ser chamado. E vai ser, mesmo se jogarmos as missões direitinhas
Em suma, este é um bom jogo para quem gostou do GTA original, na medida em que podemos continuar a causar o caos na cidade da mesma forma, simplesmente temos mais armas e veículos à nossa disposição para o fazer. Para quem quiser jogar de uma forma mais séria, cumprindo as várias missões da campanha, não gostei muito da introdução de gangues rivais, pelo menos não desta forma. Estava à espera que houvesse uma narrativa mais forte neste jogo, o que não aconteceu e seria difícil fazê-lo visto que podemos ir saltando de gangue em gangue à nossa vontade. Fora isso, continua a ser um jogo bem divertido e com um toque de humor negro como a Rockstar bem o sabe fazer.