Xenophage (PC)

Não é segredo nenhum que sempre fui um grande fã da Apogee. Joguei grande parte dos seus jogos DOS no meu velhinho Pentium e passava tardes a ler o seu catálogo de jogos no executável CATALOG.EXE, imaginando o quão fantásticos poderiam ser esses jogos só pela sua descrição. Nessa altura eu também tinha um gosto especial por tudo o que fossem videojogos sangrentos, fossem FPS como o Doom, jogos de luta como Mortal Kombat ou corridas como o Carmageddon. E este Xenophage tinha-me chamado à atenção precisamente por isso, por ser um fighter violento, uma espécie de clone de Mortal Kombat, como surgiram muitos na época. Mas nem todos os jogos da Apogee são bons e não é por acaso que este Xenophage acabou por ser descontinuado bem rapidamente… Felizmente quando comprei a 3D Realms Anthology no Steam veio este jogo de oferta, como forma de recompensar a falta dos Commander Keen e Wolfenstein 3D devido aos mesmos já estarem disponíveis nessa plataforma através da id software.

XenophageA história é simples e se calhar um pouco cliché pois coloca a humanidade num torneio organizado por deuses, de forma a defender a existência da sua civilização, em conjunto com criaturas de outros planetas que também participam com o mesmo intuito. E para isso foram escolhidos 2 personagens perfeitamente ao acaso para defender a Terra, como o lenhador Nick e a executiva Selena, com a sua camisinha e mini-saia. Os outros planetas tiveram direito a uma única personagem, sendo todos criaturas bizarras, o que sinceramente até me agradou precisamente pela diferença.

Alguns aliens também não são lá muito bonitos, mas os humanos batem todos os recordes
Alguns aliens também não são lá muito bonitos, mas os humanos batem todos os recordes

E logo pela cutscene inicial que explica essa história nos apercebemos que se calhar este Xenophage não é grande espingarda. Isto porque apresenta umas CGIs muito, mas muito más mesmo. Poderíamos dizer que em 1995/1996 a tecnologia ainda não permitia grandes coisas neste campo, mas até o D da Sega Saturn acaba por fazer um melhor trabalho neste campo… e olhem que as cutscenes do D são mázinhas! Infelizmente na jogabilidade pura e dura as coisas não melhoram muito, com o jogo a ter um framerate nada estável e fluído, o que corta logo a pica toda. Para além disso, apesar de o jogo possuir um sistema de combos, as mesmas não são lá muito fáceis de executar. De resto, e como bom clone de Mortal Kombat que é, também temos as fatalities que aqui se chamam de Meat e sinceramente não têm o mesmo carisma das originais. Fora isso, e tal como Mortal Kombat, cada murro dá para jorrar 3 litros de sangue, embora o nível de violência possa ser regulado nas opções.

As fatalities geralmente resultam na decapitação do adversário. Mas ainda deixa ali uns glitchs...
As fatalities geralmente resultam na decapitação do adversário. Mas ainda deixa ali uns glitchs…

Graficamente é um jogo com os seus altos e baixos. Se por um lado o design da maioria das criaturas possa ser aceitável, o dos humanos mete dó de tão mau que é. E usam sprites pré-renderizadas ao estilo do Donkey Kong Country que neste caso também não resulta lá muito bem. Os backgrounds lá acabam por ser mais bem detalhados e se calhar salvam um pouco este campo. Já as músicas são outra desilusão. Apesar da banda sonora estar cheia de guitarradas como eu bem gosto, as músicas acabam mesmo por ser muito desinspiradas.

No fim de contas, para mim este Xenophage acabou mesmo por ser um tiro ao lado. A Apogee tem muitos bons jogos no seu catálogo, quer produzidos ou apenas publicados pela mesma. Mas também tem algumas ovelhas negras e este Xenophage é certamente uma delas.

Taito Legends (Sony Playstation 2)

Taito LegendsTal como a Activision Anthology, também comprei há coisa de poucos meses atrás umas outras antologias de jogos bem antigos. Uma delas é esta Taito Legends que vai servir para a rapidinha de hoje. Esta compilação foca-se apenas no passado arcade da empresa, incluindo vários jogos da década de 80 e alguns dos inícios da década de 90 para serem jogados. Foi comprado a um vendedor da Feira da Ladra por 2.5€. Estava novinha e selada, tendo sido aberta muito recentemente.

Taito Legends - Sony Playstation 2
Jogo com caixa e pequeno manual

Infelizmente, ao contrário de todos os extras e cuidados de apresentação que foram tomados na Activision Anthology, aqui temos poucos extras. O jogo é seleccionado através de um menu normal, onde podemos ver uma réplica da máquina arcade em questão. Escolhendo o jogo, poderemos alterar algumas opções como a dificuldade, número de vidas, entre outros parâmetros, bem como ler uma descrição do jogo em questão, alguns truques e dicas se aplicável e na maioria dos mesmos, poderemos também ver um flyer com a artwork do jogo. Os extras que são realmente interessantes podem ser vistos nos Space Invaders, Puzzle Bobble, Rainbow Islands e mais um ou outro jogo, que incluem pequenas entrevistas aos criadores desses mesmos jogos.

O menu inicial poderia ser um pouco mais trabalhado, assim como o resumo da história da Taito aqui disponível
O menu inicial poderia ser um pouco mais trabalhado, assim como o resumo da história da Taito aqui disponível

E para além desses clássicos citados acima, temos outros jogos que para mim são bem conhecidos como o Elevator Action, Rastan, Qix, Space Gun, New Zealand Story, Operation Wolf e respectiva sequela. Todos os outros jogos foram para mim ilustres desconhecidos, mas infelizmente a maioria revelou-se uma desilusão, em vez de agradáveis surpresas. Se calhar jogos como o Gladiator ou The Great Swordsman foram obras muito à frente do seu tempo, mas envelheceram muito mal, ao contrário da simplicidade desafiante de um Space Invaders ou Puzzle Bobble. De resto, uma coisa que aconselho fortemente é reverem a sensibilidade do analógico para os jogos baseados em shooters de light gun, que ainda são uns quantos.

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Bom, não há como não dizer que este Operation Wolf é mais interessante que o meu na Master System…

No fim de contas, apesar desta compilação possuir alguns jogos interessantes, confesso que todos os mimos que nos deram na Activision Anthology fez com que este Taito Legends não me agradasse tanto. E numa companhia com o legado em arcades que foi/é a Taito Corporation, acho que mereciam uma compilação com mais goodies. As pequenas entrevistas foram uma excelente ideia, mas talvez pudessem ser mais aprimoradas. A ver como se safaram na Taito Legends 2, mas sendo ambos títulos budget também não espero nada fora do comum.

Hocus Pocus (PC)

Hocus PocusO artigo de hoje será mais uma rapidinha a um título da Apogee que fez parte da minha infância, isto porque a versão shareware já vinha instalada no meu primeiro computador, o velhinho Pentium a 133MHz que os meus pais compraram em segunda mão. Hocus Pocus é um dos vários jogos de plataformas que a Apogee lançou durante a primeira metade dos anos 90. Após ter jogado a versão completa por métodos não muito convencionais, acabei por tê-lo na minha conta steam após ter comprado a colectânea 3D Realms Anthology a um preço baratinho num bundle. Para além disso encontrei-o mais recentemente numa das minhas idas à feira da Ladra em Lisboa, numa edição que vinha em conjunto com o jornal Diário de Notícias algures durante os anos 90.

Hocus Pocus - PC
Jogo em caixa de jewelcase

No fundo, Hocus Pocus é uma história de amor. Um jovem aprendiz de feiticeiro apaixona-se por uma outra bela feiticeira chamada Popopa. Mas a única maneira que ele tinha de legalmente casar com ela, era a de fazer parte do Council of Wizards. Para isso, o chefe lá do sítio incumbe Hocus Pocus de percorrer uma série de diferentes mundos repletos de monstros e procurar uns cristais mágicos. Se for bem sucedido nessa demanda, fará parte do Council of Wizards e poderá casar com Popopa.

Em cada nível temos um número variado de cristais que temos de coleccionar
Em cada nível temos um número variado de cristais que temos de coleccionar

Bom, a jogabilidade é a típica de um simples jogo de plataformas, com Hocus Pocus a poder saltar e atacar os seus inimigos com um feitico em que solta raios eléctricos. Felizmente pelo caminho poderemos encontrar outros power-ups na forma de poções mágicas que nos garantem outras habilidades como saltar mais alto, rapid fire e invencibilidade temporária. De resto o objectivo está sempre em explorar o nível e procurar todos os cristais, sendo que para isso teremos sempre de encontrar algumas chaves para abrir portas e de vez em quando teremos também alguns pequenos puzzles com alavancas. Recentemente gravei um pequeno vídeo no meu canal onde joguei um pouco deste Hocus Pocus, podem ver para ter uma ideia da jogabilidade. Apenas me irritou um pouco o spawn dos inimigos acontecer quando estamos bem juntinho a eles, o que para quem gostar de fazer speedruns pode ser um problema.

Graficamente é um jogo bastante colorido e algo variado nos backgrounds. Gosto deste artwork fantasioso que foi usado, com aquelas florestas com cogumelos gigantes e afins. As músicas são também bastante agradáveis!

Hocus Pocus até que se torna bem mais variado nos seus backgrounds do que aquilo que eu me lembrava dos anos 90.
Hocus Pocus até que se torna bem mais variado nos seus backgrounds do que aquilo que eu me lembrava dos anos 90.

Para mim, este Hocus Pocus é um bom jogo de plataformas. É certo que não reinventa a roda, mas o PC nunca foi propriamente popular pelo seu contributo nos jogos de tradicionais de plataformas, embora tenha recebido uns quantos exclusivos ao longo dos anos. Para quem gostar do género, irá certamente passar um bom bocado com este Hocus Pocus.

Stargunner (PC)

O artigo de hoje é uma rapidinha que já a devia ter escrito há algum tempo. O Stargunner é um shmup inteiramente feito de raiz para o PC e foi o último jogo a sair com o selo da Apogee clássica, antes de a empresa começar a usar o nome 3D Realms para todos os seus videojogos, algures ainda em 1996. Ainda assim já há algum tempo que relançaram este Stargunner como freeware e apesar de eu já o ter na minha conta GOG há uns bons tempos, recentemente comprei a 3D Realms Anthology para o Steam, onde este jogo vem também incluído, em conjunto com a maioria dos jogos que a Apogee/3D Realms comercializaram até ao Shadow Warrior.

StargunnerComo devem calcular, este jogo tem uma história que assenta numa guerra galáctica. Em vez de ter o planeta Terra à mistura, o conflito aqui é entre duas civilizações, a do planeta Ytima e dos Zilions, uma civilização agressiva que começa um conflito com os habitantes de Ytima. Como habitual, nós somos a última esperança dos Ytima e com uma nave apenas iremos acabar por defrontar todas as forças militares de Zilion, seja no ar, debaixo de água ou em pleno espaço.

Estas pedrinhas verdes são créditos, podemos apanhá-las à vontade
Estas pedrinhas verdes são créditos, podemos apanhá-las à vontade

A jogabilidade é bastante simples, com um botão para disparar as armas normais e um outro para usar bombas nucleares capazes de destruir todos os inimigos presentes no ecrã. A diferença é que entre cada nível vamos tendo uma loja para visitar onde podemos gastar o dinheiro amealhado ao longo do jogo em outros power ups como novos motores que tornem a nossa nave mais ágil, ou escolher que armas e satélites (pequenas naves ajudantes) a equipar. Nesse campo é que existe uma grande variedade de itens a escolher. Também ao longo dos níveis, iremos encontrar imensos power-ups, desde bombas, dinheiro, novas vidas ou outros que nos regenerem os escudos.

No final de cada nível temos sempre um boss para enfrentar
No final de cada nível temos sempre um boss para enfrentar

O jogo está distribuído em 4 capítulos diferentes, sendo que cada um tem cerca de 8 níveis. Os níveis são bem detalhados, alguns deles com diferentes níveis de paralaxe o que lhe confere alguma profundidade adicional. Os níveis vão sendo também bem variados ao longo dos 4 capítulos, com níveis algo urbanos, industriais, várias zonas naturais como desertos, florestas e afins, e até debaixo de água. É um jogo bonitinho, embora em 1996 já os PCs estavam bem cientes do que poderiam fazer. A única coisa que eu não gosto muito é o facto de todas as naves e veículos inimigos serem sprites pré-renderizadas, à moda do que foi feito no Donkey Kong Country de SNES. Pessoalmente eu prefiro pixel-art! Depois há aquele piscar de olho à saga Star Wars, com os textos da história a fluírem de fora do ecrã para dentro em letras amarelas, sinceramente também é algo que não gosto assim tanto. A nível de música é um jogo bem competente nesse aspecto, felizmente, com temas a misturarem a electrónica de outros ritmos mais rock.

A loja tem muitas coisas que podemos comprar!
A loja tem muitas coisas que podemos comprar!

Apesar deste jogo não ter  sido desenvolvido pela Apogee, existem outro shmup bem mais interessante no seu catálogo, o Raptor: Call of the Shadows. Ainda assim, este Stargunner não deixa de ser um jogo interessante, até porque nessa época eram poucos os shmups feitos de raiz para o PC e que tivessem qualidade.

Activision Anthology (Sony Playstation 2)

Activision Anthology - Sony Playstation 2A rapidinha de hoje será sobre uma colectânea que sinceramente nunca pensei que me fosse divertir tanto. Esta Activision Anthology tal como o nome indica pega numa grande parte do catálogo da Activision (e não só) para a Atari 2600 e junta-o num só disco repleto de extras. Este meu exemplar foi comprado na Cash converters de Alfragide por 2.50€ algures durante o ano de 2015.

Activision Anthology - Sony Playstation 2
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Aqui podemos encontrar desde jogos bastante simples como Boxing e Checkers (jogo das Damas), a outros clássicos que ainda hoje se jogam bastante bem como Pitfall, H.E.R.O. ou o excelente shooter River Raid. Para além disso, ainda temos alguns jogos (em menor número) de outras empresas como a Imagic ou a Absolute Entertainment. O porquê desses jogos lá terem ido parar não sei, pelo menos esta últimafoi fundada por ex funcionários da Activision, já a Absolute foi fundada por ex-funcionários da Atari, tal como a Activision o foi.

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Nesta compilação temos um quarto para interagir e os jogos são escolhidos de uma rack como esta

E se o facto de termos aqui alguns clássicos que resistiram muito bem ao teste do tempo já seria uma boa desculpa para arranjar esta compilação, a quantidade de pequenos extras que lhe colocaram foram mimos ainda maiores! A primeira coisa que impressiona é que somos transportados para um quarto de um adolescente em plenos anos 80, com a sua TV, rádio com leitor de cassetes e uma “rack” onde estão guardados os cartuchos dos jogos que podemos escolher para jogar. E nessa altura além de o escolhermos como uma réplica do cartucho real, podemos também ver um modelo em 3D da sua caixa e uma adaptação do manual de instruções original, agora com os botões do comando da PS2 a substituirem as switches da consola e o joystick da Atari 2600.

Podemos ver o cartucho e caixa do jogo escolhido como um modelo 3D fiel ao original, para além de ler uma adaptação do manual de instruções
Podemos ver o cartucho e caixa do jogo escolhido como um modelo 3D fiel ao original, para além de ler uma adaptação do manual de instruções

Para além disso, em vários jogos temos alguns desafios para cumprir de forma a obter algum conteúdo extra, uma espécie de achievements se assim os quiserem chamar, como por exemplo fazer um certo número de pontos no Pitfall, ou levar 30 galinhas para o outro lado da estrada numa partida do Freeway. Esses desafios desbloqueiam uma série de coisas tais comos vídeos de anúncios da TV de alguns destes jogos, réplicas de patches reais que a Activision oferecia aos fãs que lhes submetessem fotos com o seu highscore, ou até outros modos de jogo que alteram o ecrã dos mesmos.

O Pitfall é sem dúvida um grande clássico desta era
O Pitfall é sem dúvida um grande clássico desta era

Mas os mimos não se ficam por aqui! Como sabem, os videojogos naquela altura não era habitual que tivessem música, então o que decidiram fazer aqui foi colocar uma banda sonora de vários artistas pop/rock da década de 80 que nos vão acompanhar (ou não, caso decidamos dessa forma) ao longo de todas as nossas partidas. Ouvir a We’re Not Gonna Take It dos Twisted Sister enquanto disparamos uns tiros pelo River Raid até que sabe bem! Outros temas sonantes são a Tainted Love dos Soft Cell, ou a Mexican Radio dos Wall of Vodoo – se bem que esta apenas conhecia pela cover dos Celtic Frost, mas adiante… Se bem me lembro apenas o Pitfall 2 e o River Raid 2 tinham músicas próprias.

Alguns jogos são um feito tecnológico impressionante, o que não é o caso deste Title Match Pro Wrestling
Alguns jogos são um feito tecnológico impressionante, o que não é o caso deste Title Match Pro Wrestling

Por estas razões achei que esta Activision Anthology tenha sido uma excelente surpresa, e ainda deu para conhecer uns quantos títulos que me surpreenderam bastante como o MOON QUALQUER COISA que é um shooter bastante fluído e que simula um 3D muito interessante. E falando em fluidez, o Decathlon também foi outro dos jogos que me impressionou tecnicamente, aquele conjunto de pixeis que formam o atleta também ficaram com óptimas animações. E é também interessante ver um bocadinho do que foi aquele crash de 83 no mercado Americano, pois também se notou que nesse período houve um grande número de jogos da Activision e a sua qualidade era bastante díspar, tendo obras primas e outros jogos sem grande cabimento a sairem em simultâneo.