Super Off Road (Sega Game Gear)

Voltando às rapidinhas e à Game Gear, hoje trago cá mais uma adaptação de um jogo arcade, cuja versão NES sempre foi a mais conhecida por ter sido convertida pela Rare. Mas existem muitas outras conversões que estiveram a cargo da Virgin Interactive incluindo para as consolas da Sega. O meu exemplar da Game Gear veio de um bundle de uma consola é vários cartuchos que comprei na feira da Vandoma do Porto por 10€, há uns meses atrás.

Apenas cartucho

Super Off Road, conhecido nas arcades como Ivan “Ironman” Stewart’s Super Off Road, por ter sido licenciado por um piloto do estilo, é um jogo de corridas num único ecrã, que faz lembrar jogos como Super Sprint da Atari. A diferença aqui é que os circuitos possuem obstáculos como rampas bem íngremes, poças de água ou pequenas colinas. Nunca fui o maior fã de jogos de corrida que decorrem apenas num único ecrã, sem qualquer tipo de scrolling ou afins. Isto porque por um lado os carros costumam ser bastante pequenos para o ecrã conseguir acomodar toda a pista, por outro lado também me costumo perder e baralhar todo em manter-me focado em qual é o meu carro e onde é que estou no meio da confusão. Felizmente a Game Gear, dado à sua natureza portátil, seria muito mais difícil, e potencialmente causaria miopia, manter todo o circuito no ecrã e deixar os carros microscópicos, pelo que aqui a câmara possui algum zoom e scrolling!

Apesar dos carros continuarem minúsculos, o facto de haver algum scrolling já é uma ajuda

Aqui o objectivo é chegar ao fim de cada corrida em primeiro lugar, sendo que recebemos prémios monetários ao chegar nos 3 primeiros lugares em cada circuito. Com esse dinheiro poderemos comprar alguns upgrades entre cada corrida, coisas como melhorar a aderência dos pneus ao terreno, os amortecedores, ou a capacidade de aceleração e/ou velocidade de ponta. Outros itens como nitros também podem ser comprados! Ao longo de cada circuito também vão surgindo alguns itens como dinheiro ou nitros extra em diversos pontos do ecrã, pelo que nos devemos esforçar para os apanhar também. De resto também é um jogo que pode ser jogado por 2 jogadores com recurso ao cabo de ligação entre Game Gears.

Graficamente não há muito a dizer, é um jogo simples, mas felizmente não perde muito em relação à versão Master System pela câmara possuir algum zoom e scrolling ao longo das pistas. Os carros continuam pequenos, mas ao menos agora é mais fácil não nos perdermos. A nível de som, sinceramente não acho que as músicas sejam muito boas, pelo menos não nas versões Sega 8Bit.

Entre cada corrida podemos visitar um ecrã de uma loja e comprar nitros ou upgrades para o carro.

Ainda assim é um jogo interessante para quem gostar do género, e o facto da versão Game Gear possuir algum scrolling na minha opinião é uma mais valia.

Sam and Max: Hit the Road (PC)

Voltando aos jogos de aventura gráfica do género point and click, há ainda uns quantos daqueles que são considerados grandes clássicos no género que eu nunca tinha ainda jogado e a série Sam and Max era uma delas. Até que chegou ao dia, há coisa de uns 2 ou 3 meses atrás, que vários clássicos da LucasArts estavam em promoção no GOG.com. Escolhi alguns seleccionados a dedo, paguei um preço muito reduzido, e lá comecei as aventuras dos “Freelancer Police” da dupla antropormófica Sam e Max. Edit: Recentemente comprei também na vinted uma compilação que traz nada mais nada menos que 10 aventuras gráficas clássicas da Lucasarts, incluindo uma versão DOS deste mesmo jogo! É um lançamento exclusivo do mercado holandês (apesar de os jogos em si estarem em inglês). É também apenas a jewel case de um pacote maior em big box, mas mesmo assim achei que seria uma boa compra visto todos estes jogos da Lucasarts terem preços proibitivos actualmente.

Compilação com muitas aventuras gráficas clássicas da Lucasarts, exclusiva para o mercado holandês. Infelizmente, tirando o Sam and Max que é o único jogo do segundo CD, todas as outras versões aqui disponíveis parecem ser as de disquete.

Essa dupla teve as suas raízes na banda desenhada, algures na segunda metade da década de 80. Os protagonistas são dois investigadores privados que vão resolvendo vários mistérios e crimes, mas de uma forma bem cómica e ironicamente sem grande respeito pela lei, acabando por causar ainda mais confusão. Ora é uma premissa perfeita para os jogos de aventura point and click bem humorados que a LucasArts produziu na década de 90. Aqui a dupla de investigadores é chamada a uma feira popular (daquelas com divertimentos) para investigar o desaparecimento de um Bigfoot gelado e de uma performer muito caricata por ter o pescoço mais comprido do mundo. Ora quem os recebe são os donos da feira popular, uns irmãos siameses unidos pelas costas e com personalidades completamente distintas entre si, o que dá para antever logo muita bizarrice e algum humor negro, o que eu aprecio bastante. Depois lá iremos visitar vários locais turísticos no interior dos Estados Unidos, para obter novas pistas e encontrar o paradeiro do Bigfoot desaparecido e da “mulher girafa”. Locais como o “maior novelo de linha do mundo”, ou um parque jurássico com robots enferrujados ou com pessoas a fazer bungee jumping em elásticos verdes a partir dos narizes dos presidentes americanos do Mount Rushmore, são apenas alguns dos locais que teremos de explorar.

À medida que vamos progredindo na história, desbloqueamos novas localizações para explorar

A jogabilidade é simples na sua essência, onde tal como na maioria dos videojogos deste género teremos de dialogar com as personagens que nos vão aparecendo, explorar os cenários, interagir com/e apanhar objectos, muitas vezes misturando-os no inventário. A maneira como vamos alternando estas acções consiste em mudar o tipo de cursor do rato. Mudando para um olho, podemos observar e comentar sobre outros NPCs e objectos do cenário ou inventário, ao mudar o cursor para uma boca permite-nos dialogar, existindo outros cursores para agarrar objectos, mover para determinado sítio entre outros, como o cursor do Max, que faz com que o Sam peça ao Max para fazer qualquer coisa, geralmente andar à porrada com alguém. Os diálogos são também tidos em conversas por tópicos, cujos tópicos estão também marcados com diferentes ícones. De resto, a aventura possui ainda uns quantos mini-jogos pela frente. Alguns obrigatórios para a progressão na história, como um Whack-a-Mole lá no parque de diversões, outros completamente opcionais, como uma variante do jogo de tabuleiro da Batalha Naval.

Logo pela cutscene introdutória, dá para entender que esta vai ser uma aventura muito especial

A nível técnico é um jogo excelente, tal como seria de esperar. Os gráficos são extremamente bem detalhados e animados, especialmente para quem gostar de pixel art. Os cenários são também bastante variados, atravessando os Estados Unidos de uma ponta à outra, sempre com boa disposição à mistura. O voice acting também é bastante agradável, assim como as músicas que possuem sempre um feeling muito jazzy, bem característico de filmes policiais, mas também com aquele toque de bizarrismo mais carismático de séries de animação.

Temos também vários minijogos para participar. Alguns são obrigatórios para progredir na história, como este.

No fim de contas é um jogo que considero um grande clássico da época. Tenho muita pena em não o ter jogado há mais tempo e sem dúvida que assim que me aparecer uma versão física à frente a um bom preço não vou perdoar! Infelizmente o segundo jogo da saga que seria desenvolvido pela LucasArts acabou por ser cancelado, e a licença da série em videojogos apenas passou de mãos para a Telltale já muitos anos depois. Em breve irei jogá-los!

X-Men: Gamesmaster’s Legacy (Sega Game Gear)

Continuando pelas rapidinhas e pelos jogos de plataforma, o título que cá trago agora é um regresso à Sega Game Gear para aquele que foi o único jogo dos X-Men exclusivo da Game Gear que acabou por sair na Europa. O Gamesmaster’s Legacy é o segundo jogo de uma série composta também pelo X-Men e Mojo’s World que acabaram por sair unicamente nos Estados Unidos. Sinceramente apenas conhecia o Mojo’s World pelo facto de ter sido convertido e comercializado para a Master System através da TecToy, pelo que quando vi este Gamesmaster’s Legacy na Feira da Ladra, algures na Primavera/Verão do ano passado, fiquei surpreendido e comprei-o por cerca de 3€.

Apenas cartucho

Mas infelizmente foi um jogo que acabou por me desiludir bastante pela sua jogabilidade, o que é pena pois até tinha potencial de ser um título bem sólido. Mas já lá vamos. Esta aventura leva-nos ao mundo dos X-Men, onde um poderoso vírus ameaça toda a raça mutante. O vilão Gamesmaster (não me lembro de ver este nas comics!) afirma ter uma cura e exige aos X-Men que viajem para vários locais diferentes. Gambit, Wolverine, Bishop, Rogue e Jean Grey fizeram-se então à estrada, mas nunca mais voltaram. Os X-Men restantes, nomeadamente o Cyclops e a Storm decidem então ir à procura dos seus colegas e descobrem que o Gamesmaster prometeu a mesma cura a vários dos maiores vilões dos X-Men, colocando-os lado a lado a combater pela sobrevivência.

Antes de cada nível somos recompensados com uma imagem de destaque de algumas personagens do jogo

Portanto este é quase um Megaman, onde temos a liberdade total para escolher a ordem pela qual queremos jogar os 5 primeiros níveis, onde em cada um desses níveis salvamos uma outra personagem dos X-Men, cada qual com as suas habilidades próprias e que podem posteriormente ser jogáveis nos níveis seguintes. Escolher o X-Men certo para cada nível/boss acaba por ser o maior desafio. Personagens como a Rogue, Jean Grey ou a Storm são bastante úteis pela sua capacidade de voar, embora possuam também outras características, sendo Rogue muito mais forte fisicamente do que as outras duas, no entanto estas últimas possuem ataques de longo alcancem, enquanto Rogue é uma lutadora de corpo-a-corpo. Personagens como o Wolverine para além de poderem usar as suas garras de adamantium têm também a habilidade de regenerar a sua vida, ou o caso do Bishop cuja habilidade é absorver os tiros e com isso não sofrer dano.

Graficamente é um jogo que até é muito bonito para um sistema como a Gamegear

Cada personagem possui então uma barra de vida que temos de ter em conta, bem como uma barra de poder, que serve pra podermos executar as habilidades mutantes de cada um. Aqui e ali vão existindo power ups para regenerar a vida ou o poder mutante, mas nem sempre isso nos ajuda, devido aos inimigos serem grandes esponjas e aguentarem com muita pancada, ou por muitos dos níveis serem bastante labirínticos, o que também não ajuda.

Felizmente, a contrastar com a jogabilidade que deveria ser muito melhor, este jogo possui bons gráficos, com sprites bem detalhadas e animadas, assim como níveis de backgrounds diversos, como ruínas antigas, pirâmides egípcias, ou mesmo glaciares de gelo. Infelizmente por outro lado a música não é mesmo naada de especial, aliás, devo dizer mesmo que é muito má, cheia de melodias mesmo muito poudo interessantes.

Astérix (Super Nintendo)

Até ao final dos anos 80, a presença dos intrépidos gauleses Astérix e Obélix sempre passou algo despercebida no mundo dos videojogos. Mas eis que chegam os anos 90 e estúdios como a Sega, Konami (nas arcades) ou a Infogrames fizeram maravilhas. Todas essas empresas tiveram a licença da personagem, com a Infogrames/Atari a detê-la até aos dias de hoje. E os primeiros jogos do Astérix lançados em consolas da Nintendo foram precisamente o Astérix, de 1993, com lançamento conjunto para a NES, Game Boy e esta versão Super Nintendo que cá trago hoje. O meu exemplar veio de uma troca que fiz com um amigo algures no mês passado.

Apenas cartucho

Em todas as versões, a história base é a mesma, com Obélix a ser raptado pelos Romanos enquanto dormia uma soneca e vamos passar toda a aventura a persegui-los para resgatar o nosso companheiro. Com isso vamos atravessando as florestas Gaulesas, as montanhas helvéticas, atravessar os oceanos até ao Egipto, a Grécia antiga, terminando finalmente em Roma. A jogabilidade é simples, sendo este um jogo de plataformas. Um botão para saltar, outro para atacar e ainda outro para correr. Mas apesar dos controlos serem simples, a sua execução infelizmente não é a melhor, pois por vezes a detecção de colisões deixa-nos ficar mal e lá ficamos com menos um coraçãozinho na nossa barra de vida. Felizmente o que mais há são power ups, mas na recta final os níveis começam a ficar mais complicados, com obstáculos ou inimigos mais resilientes e em posições mais chatas teremos mesmo de avançar mais cuidadosamente. Só não digo que é um jogo muito difícil porque felizmente também é possível ganhar muitas vidas, ao coleccionar moedas e apanhar power ups para esse efeito.

Como é habitual, há sempre uma pitada de humor em Astérix

Outros power ups incluem poções de invencibilidade temporária ou que nos permitem também voar, ou itens que chamam a ajuda de outras personagens do universo Astérix. Um osso faz com que apareça o cão Ideafix e morda o rabo do primeiro soldado romano que apanhar, uma harpa faz aparecer o bardo que, com as suas melodias desafinadas paralisam temporariamente todos os inimigos no ecrã, deixando-os expostos. O design dos níveis também é mais amplo do que o que habitualmente se via nos jogos de plataformas da época. Nem sempre temos de andar só para a esquerda ou direita e nem sempre a saída do nível é muito visível, pelo que ainda nos obriga de certa forma a explorar os níveis de uma forma mais atenta. Os níveis nas pirâmides do Egipto são especialmente desafiantes pela sua natureza labiríntica, assim como os da Roma antiga, onde muitos possuem montanhas russas gigantes e onde teremos de saltitar entre vários “mine carts” que percorrem diferentes pistas e um salto mal calculado faz com que percamos uma vida. Aliás, não fazia ideia que a Roma antiga possuia arranha céus de vários andares e montanhas russas por todo o lado!

PAF! O som universal que faz um romano a ir pelos ares

Graficamente é um jogo colorido, com boas músicas e cenários variados e minimamente detalhados. Acho que a Infogrames possui jogos de plataforma na SNES ainda melhores do ponto de vista gráfico, pois acho que as sprites poderiam ser um nadinha maiores. As músicas são também agradáveis, mas se vocês um dia tiverem a oportunidade de jogar a versão NES deste Astérix, irão ficar muito surpreendidos. Para além de possuir excelentes gráficos, melhor jogabilidade, melhor design nos níveis (e até tem bosses ao contrário desta versão!), mas as músicas são mesmo qualquer coisa de fantástico para a NES.

Estes segmentos podem ser um pesadelo!

Não deixa de ser algo curioso, pois esta versão SNES foi desenvolvida internamente pela Infogrames, e as versões NES e Gameboy tenham sido subcontratadas para outro estúdio mais pequeno. Mas a versão NES acaba por ser um jogo muito superior, tendo em conta a plataforma onde corre. Espero um dia poder escrever mais sobre essa versão.

Overcast: Walden and the Werewolf (PC)

Continuando pelas rapidinhas no PC, o próximo jogo é um excelente exemplo do porque não se deveria apoiar qualquer jogo no Greenlight do Steam, mesmo que os seus criadores oferecessem chaves do jogo a quem votasse positivamente no mesmo. Foi o que eu fiz, lá recebi o joguito de graça, mas o resultado final é mau, muito mau mesmo.

A história leva-nos a encarnar em Walden, um caçador que pelos vistos quando era mais novo foi vítima de um assalto que quase o matou. Desde essa altura que tem vivido uma vida solitária e a certo dia quando sai de casa o céu escurece. É aí que começamos a aventura e ao longe vemos uma grande seta verde a apontar para uma ponte que atravessa um rio. OK, deve ser para ali que temos de ir e quando tento atravessar a ponte surge uma mensagem no ecrã avisando-nos que antes de continuar devemos primeiro procurar a nossa espingarda e carregá-la de munições. Ok, olhando para os lados lá vemos uma casa de madeira, mas que mais parece feita de borracha, tal são as texturas de tão boa qualidade. Aí podemos encontrar a nossa espingarda, munições, e o primeiro de muitos sustos que vão ocorrendo regularmente ao longo do jogo.

Por vezes a câmara fica propositadamente desfocada, o que também não resulta muito bem

Depois lá atravessamos o rio e descobrimos a nossa aldeia em chamas, cadáveres dilacerados e após alguma exploração à procura de chaves lá encontramos um bilhete misterioso que nos desafia a ir às montanhas, acender uma fogueira, e defrontar o ser mais venenoso da região. Bom, não me vou alongar muito mais na história, pois a mesma é tão má que quase vale a pena experimentarem o jogo só para se rirem um bocadinho.

Mas infelizmente não é só na história, ou nos sustos regulares e baratos que o jogo nos tenta impingir (é que só pelo barulho altíssimo que fazem assustam mesmo, mas não acrescentam rigorosamente nada de valor à experiência), que o jogo seja mau. A nível técnico também deixa muito a desejar. A maior parte das texturas são muito más (a madeira parece borracha) e as animações são quase inexistentes. Só na cutscene de abertura dá para perceber que os bonecos estão quase estáticos porque não saberiam como os animar, e isso é perfeitamente notório em eventos como o combate contra o principal oponente, o lobisomem mencionado no título do jogo. Ou mesmo quando Walden tenta recarregar a arma, com a espingarda a desaparecer lentamente de vista e alguns segundos depois já aparecer recarregada. O que é muito chato visto ser preciso a recarregar em cada disparo. Depois a própria posição da espingarda na primeira pessoa… até parece uma bisnaga de água, tal é a sua leveza.

O combate é bastante lento devido ao tempo que demoramos a recarregar a arma depois de cada disparo

As músicas felizmente são um pouco melhores, recorrendo muitas vezes a ambiências sinistras, mas também algumas melodias acústicas que até soam bem, mas destoam bastante do resto do jogo, pois são bastante tranquilizadoras, quando o jogo nos tenta é assustar ou esgotar a nossa paciência.

Portanto volto ao que disse no início. Jogos como este Overcast no steam, mostram o porquê do Greenlight estar prestes a ser descontinuado, se é que já não foi. É para passar longe, ou para oferecer como partida a algum amigo!