Kileak: The Blood (Sony Playstation)

Continuando pelas rapidinhas, o jogo que cá vos trago agora é nada mais nada menos que um dos jogos de primeira geração da Playstation, um first person shooter futurista produzido pelos japoneses da Genki. Sinceramente não conhecia o jogo, e apesar de não ser nenhuma obra prima, longe disso, até que me surpreendeu bastante. O meu exemplar veio de uma feira de velharias algures durante este verão de 2017. Lembro-me é que foi bastante barato, custou-me apenas 50 cêntimos!

Jogo com caixa, manual e papelada

O jogo leva-nos a encarnar no papel de uma equipa militar de resgate, que invade uma base de investigação científica na antártica, após lhe terem chegado rumores que algo de errado se passava ali. À chegada são atacados, e a equipa dispersa-se, acabando nós por explorar a base abandonada sozinhos.

Os controlos são simples e visto que a geometria dos níveis não é muito complexa, os analógicos não fazem muita falta assim.

Este é um FPS com algumas peculiaridades na sua jogabilidade. Nós vestimos um fato fortemente armado e robotizado, quase que parece que estamos dentro de um mecha, até porque a nossa movimentação é algo lenta. Ora esse fato precisa de energia, pelo que para além da nossa barra de vida/armadura, temos de estar igualmente atentos à barra de energia. Qualquer um dos 2 que baixe para zero é sinónimo de game over.

Depois lá teremos vários níveis subterrâneos para explorar, repletos de pequenas salas separadas por longos corredores apertados, o que nem sempre é bom para o combate pois vamos estando demasiado expostos. Os inimigos (na sua maioria robots) demoram bastante tempo a serem destruídos, pelo que deveremos explorar os níveis ao máximo e descobrir os seus segredos, como novas e mais poderosas armas, ou upgrades de armadura que nos melhoram as defesas. Temos de ter também atenção às munições que carregamos, se bem que existem algumas armas que usam a energia do nosso fato espacial para serem disparadas. Felizmente existe em cada nível uma estação de regeneração da energia do fato, pelo que as devemos usar com alguma inteligência. Isto é, algures lá mais para a frente no jogo poderemos encontrar algumas armas que disparam projécteis de energia teleguiados, pelo que podemos estar na mesma sala que o carregador de energia e “spammar” disparos pelo corredor abaixo, logo que as portas estejam abertas, eventualmente os projécteis atingem os seus alvos.

Assinaladas como um ponto vermelho no mapa, estas são as estações que recarregam as nossas baterias.

Existem também computadores que podemos interagir para descarregar o mapa do andar em que estamos, bem como ver algumas gravações video das personagens do jogo. Por vezes temos também alguns pequenos puzzles com botões ou alavancas  de forma a desbloquear salas secretas, geralmente com alguma arma nova ou upgrades de armadura.

A nível audiovisual, este é um jogo da primeira geração da Playstation. E vendo as coisas por aí, até que nem está nada mau, pois todos os cenários e inimigos são totalmente poligonais, apenas os itens que vamos apanhando são sprites 2D. No entanto, as texturas usadas no jogo são muito simples e o design dos níveis composto por longos corredores e algumas salas quadradas não é lá muito apelativo. As músicas também vão sendo algo minimalistas e tensas, o que a meu ver se adequa ao jogo.

O maior problema do jogo é talvez pelos níveis serem compostos apenas de corredores apertados e pequenas salas quadradas.

Portanto, este Kileak é um jogo que não envelheceu muito bem, mas até que entretém. O seu maior problema é mesmo na falta de variedade de níveis, já o desafio de conservar a nossa energia e munições está bem lá. Parece um dungeon crawler, mas na primeira pessoa e sem elementos de RPG! No ano seguinte lançaram uma sequela, conhecida por cá como Epidemic. Infelizmente nunca o vi à venda por cá, a ver se em breve aparece.

Moon (Nintendo DS)

O jogo que cá trago hoje é um interessante título para a Nintendo DS. Dos mesmos produtores dos Dementium, que por sua vez já tinham impressionado por serem survival horrors em 3D bastante competentes dado as limitações de hardware da plataforma, eles aproveitaram o mesmo motor gráfico para fazer este Moon, um interessante first person shooter futurista passado inteiramente na nossa lua. O meu exemplar foi comprado algures durante o ano passado, numa das minhas idas à CeX do Porto.

Jogo com caixa, manual e papelada

O jogo decorre no futuro, onde os Estados Unidos estavam a ampliar a sua área espacial, com a construção de várias bases espaciais na Lua. Eventualmente lá descobrem umas bases alienígenas no subsolo lunar e enviam um esquadrão militar para investigar. Claro que as coisas não correm bem, e lá acabamos sozinhos por tentar desvendar o mistério. Tal como em jogos como Metal Gear Solid, vamos tendo várias conversas por intercomunicador com os nossos superiores e não só.

O que eu mais tenho pena é os inimigos serem na sua esmagadora maioria robots

Tal como o Metroid Prime Hunters, este é um jogo que tira partido das características únicas da Nintendo DS. O ecrã de cima é onde decorre a acção, já em baixo vamos vendo o mapa e temos alguns botões touch para aceder a alguns menus como o mapa completo ou o inventário. Movimentamo-nos com o D-Pad, usando a stylus no touchscreen para controlar a câmara. Para disparar, basta usar o botão L. Interagir com objectos é feito usando também o ecrã táctil, através de botões próprios que vão surgindo no ecrã. Em certos pontos do jogo poderemos também controlar um todo-o-terreno lunar, bem como um robot de controlo remoto.

Em certas partes poderemos também conduzir um rover lunar

O jogo não possui qualquer modo multiplayer, concentrando-se apenas no modo história. A acção é feita maioritariamente por combates, mas temos ocasionalmente alguns elementos de puzzle e exploração.Isto porque podemos controlar remotamente um robot cuja única arma é uma espécie de taser que paralisa temporariamente os inimigos, podendo mandá-lo por apertadas passagens que de outra forma não poderíamos atravessar e com isso conseguir por exemplo desbloquear outras portas ou barreiras de energia que nos impedem de progredir no jogo. Também ao explorar essas estreitas passagens poderemos encontrar alguns artefactos alienígenas que servem para desbloquear posteriormente algumas missões extra em realidade virtual, um pouco como as VR Missions de Metal Gear Solid.

Ao encontrar todos os artefactos num nível, desbloqueamos uma missão VR extra.

Graficamente é um jogo interessante, pois é um first person shooter inteiramente em 3D, com os níveis a apresentar um interessante nível de detalhe para uma Nintendo DS. Os níveis em si estão bem desenhados, sempre com um look futurista e algo alienígena, pecando no entanto no design dos inimigos que são na sua maioria robots. A história, dada através das cutscenes que vamos vendo nas conversas de intercomunicador vai progredindo também com a ajuda dos logs que conseguimos extrair através dos vários terminais. No entanto, sinto a falta de algum voice acting, algo que a Nintendo DS é bem capaz. As músicas também não irão certamente agradar a toda a gente pois são bastante minimalistas e ambientais, o que sinceramente até acho que se adequa ao clima de tensão e mistério que o jogo nos tenta passar.

Portanto, se gostam de FPS e têm uma Nintendo DS, este é sem dúvida um jogo a experimentar, pois tendo em conta as limitações da plataforma, a malta da Renegade Kid fizeram um excelente trabalho, apesar de ser um jogo que esteja longe da perfeição. Ainda assim deixou-me bastante curioso para ir espreitar os Dementium.

Contra 4 (Nintendo DS)

Algures durante a geração passada, houve um certo revivalismo de séries clássicas no seio do retrogaming. Mega Man, Double Dragon, Ghosts ‘n Goblins, Duck Tales, Sparkster/Rocket Knight, e felizmente a série Contra não foi esquecida. Desenvolvido pela Wayforward Technologies, os mesmos por detrás dos fantásticos Shantae e que posteriormente lançaram também o Aliens Infestation também para a Nintendo DS, acaba por ser uma grande homenagem aos clássicos da série que foram sendo lançados nas eras 8 e 16bit. O meu exemplar veio de um coleccionador privado, no início do passado mês de Agosto.

Jogo com caixa, manual e papelada. Versão norte-americana

A história decorre 2 anos depois dos eventos do Contra III: Alien Wars (a versão Americana, claro), onde a Humanidade vê-se uma vez mais vítima de uma invasão alienígena, desta vez a cargo do Black Viper. A missão de salvar a Terra recai desta vez não numa dupla de mercenários (ou robots se considerássemos antes as versões Probotector), mas sim quatro. Isto porque os criadores tomaram certas liberdades em usar elementos das duas diferentes cronologias, Americana e japonesa. Black Viper era o alien do primeiro Contra Americano, e os mercenários são Bill, Lance (da versão Americana) e Mad Dog e Scorpion (versão Japonesa).

Os níveis acabam por ser uma homenagem aos clássicos

Para além disso, o jogo é uma grande homenagem à série, até porque celebrava os seus 20 anos por alturas do lançamento deste Contra 4. Os níveis aqui presentes são todos inspirados nos Contras clássicos da NES, Gameboy e SNES, desde a chegada dos mercenários à selva, passando por aqueles níveis numa perspectiva pseudo-3D onde iríamos atravessando sala atrás de sala, a combates em cidades em ruínas que me fazem lembrar o Alien Wars, até àqueles níveis nas cavernas cheias de “gosma” onde os aliens depositaram o seu “ninho”. A jogabilidade é mesmo a típica de um Contra, pelo que se temiam por alguma coisa fora do baralho por o jogo ser exclusivo de uma plataforma como a Nintendo DS, onde o foco era completamente, então podem mesmo estar descansados.

Aqui a única característica da Nintendo DS que é mesmo usada mais extensivamente é mesmo o duplo ecrã, cuja acção decorre em ambos em simultâneo. O jogo usa então a mesma jogabilidade clássica, incluindo alguns perks de alguns jogos em específico na série, como a habilidade de usar 2 arma, alternando entre a arma principal e a de reserva, ou a possibilidade de fazer um upgrade às mesmas, apanhando o mesmo power-up duas vezes. O segredo para a vitória em jogos como o Contra é mesmo conseguir atingir em vários inimigos ao mesmo tempo, pelo que usar as armas e os seus upgrades de forma inteligente é muito importante. Seja o famoso spread shot que dispara 3 ou 5 projécteis em simultâneo, raios laser que trespassam vários inimigos em simultâneo, mísseis tele-guiados, entre outros. A habilidade de poder finalmente disparar parado é bastante útil também. Para além disso temos também a possibilidade de usar um gancho que nos permite elevar para superfícies altas.

Aqueles níveis intermediários, onde a perspectiva altera-se para algo pseudo 3D estão também aqui presentes.

Depois para além do modo campanha, temos outros desafios, nomeadamente o challenge mode onde somos levados a completar diversas “missões” como ultrapassar um nível com uma eficácia de tiro superior a uma determinada percentagem, enfrentar waves de inimigos, percorrer um segmento o mais rápido possível, entre outros. Ao terminar estes desafios vamos desbloqueando uma série de conteúdo extra para o Museu, que inicialmente apenas nos mostra uma breve overview da história da saga até à altura. Poderemos então desbloquear personagens outras jogáveis, como o Probotector, ou personagens de jogos da série como o Hard Corps ou o Shattered Soldier. Desbloqueamos artworks, bandas desenhadas, até uma pequena entrevista com um dos criadores da série. Mas os melhores extras felizmente são os mais primeiros a desbloquear: versões NES do Contra e Super C!

No que diz respeito aos audiovisuais, este é um jogo muito interessante pois remete-nos logo para a época dos 16bit, com cenários em 2D bem detalhados e tal como já referido acima, com os níveis a assemelharem-se bastante com os clássicos, assim como as músicas que também são excelentes e bem sonantes no ouvido.

Um dos vários extras que podemos desbloquear é nada mais nada menos que o Contra de NES!

Portanto este Contra 4 acaba por ser uma entrada bastante sólida na série, e mesmo por tendo saído originalmente numa plataforma que, pelas suas características especiais ficou bem mais conhecida pelos seus jogos casuais, este Contra 4 não deixa de ser uma experiência bastante hardcore. O jogo saiu posteriormente para telemóvel mas essa versão nunca cheguei a experimentar.

Home Alone 2 (Nintendo Gameboy)

Continuando pelas rapidinhas, o jogo de hoje leva-nos a uma das adaptações para os videojogos de um dos filmes mais vistos em todos os Natais desde o final da década de 80, o Home Alone 2, cujo o mesmo poderia ser dito também para o primeiro filme. Este meu exemplar foi-me oferecido por um particular algures durante o mês de Agosto, após ter feito uma outra compra a essa mesma pessoa.

Apenas cartucho

Bom, acho que todos sabemos a história deste filme, pela segunda vez consecutiva o pobre miúdo consegue passar o Natal sem a sua família, desta vez na cidade de Nova Iorque. E o jogo começa logo com o miúdo a fazer asneiras no hotel. Na verdade o jogo começa após os funcionários do hotel descobrirem que o miúdo estaria a usar um cartão de crédito que não o dele, pelo que inicialmente vamos andar a percorrer os vários andares do hotel a fugir dos seus funcionários, velhinhas, e objectos mortíferos como malas ou aspiradores. Eventualmente lá acabamos numa luta contra o cozinheiro local, até que conseguimos finalmente escapar para o Central Park. Ali somos atacados por uma série de bandidos que se escondem no meio da vegetação (não me lembro de ter visto isso no filme) e depois de uma curta passagem pelos esgotos lá chegamos a uma casa em ruínas (ou obras, sinceramente não consegui perceber), onde iremos passar aquele nível que tem uma maior vertente de exploração, pois teremos de encontrar diferentes chaves para abrir novas salas e conseguir avançar no jogo. O último nível é então jogado na árvore de natal gigante, onde finalmente combatemos a dupla de ladrões que nos persegue desde o primeiro filme.

Uma das “armas” que podemos usar é um colar de pérolas, cujas são espalhadas no chão para servir de armadilha

A jogabilidade também não é a mais interessante, infelizmente. Isto porque os controlos são um pouco maus, com algum delay, o que nos irá atrapalhar um pouco nalguns saltos ou ataques. Os movimentos em si são simples, com um botão para saltar, outro para atacar e uma combinação de 2 botões que faz com que o Kevin deslize, sendo um ataque bem mais eficaz do que as outras armas que vamos encontrando, como pistolas tranquilizantes ou bazookas com luvas de boxe.

Por vezes temos direito a pequenas cutscenes que nos vão enquadrando na história

Graficamente é um jogo simples, os níveis vão possuindo algum detalhe e geralmente até há muita acção a decorrer no ecrã (o que também causa algum slowdown), mas sinceramente sempre achei que os visuais poderiam ser um pouco melhores. As músicas e efeitos sonoros também não são nada de especial.

Space Channel 5 Part 2 (Sony Playstation 2)

Continuando pelas rapidinhas, a segunda parte desde Space Channel 5 foi um dos últimos grandes jogos da Sega a sair para a Dreamcast, embora essa versão se tenha ficado apenas pelo Japão. Felizmente pouco depois esse jogo foi também convertido para a Playstation 2 e prontamente lançado cá em solo europeu! A minha cópia já a tenho há alguns anos, após ter sido comprada numa das minhas idas à feira da Ladra em Lisboa, quando vivia na capital. Lembro-me que não foi caro, acho que me ficou em torno dos 3€.

Jogo com caixa, manual e papelada

Nesta segunda parte do Space Channel 5, a jovem repórter Ulala tem uma vez mais de salvar a galáxia, desta vez contra o Purge e eu seu exército robótico dos Rythm Rogues, que uma vez mais teimam em raptar pessoas e fazê-las dançar contra a sua vontade.

As mecânicas de jogo do original estão novamente aqui todas. Tal como o primeiro, iremos participar em inúmeras batalhas rítmicas e salvar o máximo de pessoas que pudermos. Existem no entanto algumas diferenças, mas já lá vamos. A maior parte das vezes vamos participar em batalhas de dança, onde teremos de imitar com precisão as coreografias dos adversários, o mesmo nas cenas de combate onde usamos os botões X e O para atacar aliens ou salvar pessoas. Aqui a diferença em relação ao primeiro jogo está no facto desta vez termos sons diferentes para cada botão: Chu para disparar e Hey para salvar humanos. Antes era Chu para tudo!

Ulala enfrenta uma nova ameaça, mas o objectivo é o mesmo: por toda a gente a dançar!

Também tal como no primeiro jogo não temos qualquer indicação visual da combinação de botões que temos de pressionar, pelo que devemos estar especialmente atentos ao ritmo e à coreografia. Assim que é a nossa vez de começar, o ícone no canto inferior esquerdo altera-se para o de Ulala e depois só temos de replicar a mesma sequência de botões na mesma ordem e tempo. De novo temos o facto de tocar em alguns instrumentos como guitarra ou bateria, ou por vezes sermos obrigados a prolongar uma nota ou movimento, tendo de deixar o botão pressionado mais tempo.

De resto, o jogo é maior e possui muito mais conteúdo. Para além do modo história que possui mais níveis, temos também um outro modo de jogo, o 100 Dance Trial, onde teremos de enfrentar desafios coreográficos cada vez maiores. Tanto um como o outro podem também ser jogados com 2 jogadores, ficando o primeiro jogador encarregue dos botões direccionais, e o segundo com os Hey e Chus. Para além disso, temos ainda muito conteúdo desbloqueável, desde imensas personagens e sua backstory no modo galeria, ou outros uniformes e acessórios para a própria Ulala, que poderão ser posteriormente trocados na Changing Room.

Uma vez mais não há muito espaço para falhas e convém manter as audiências televisivas no alto

No que diz respeito ao audiovisuais, este jogo é uma boa evolução do primeiro. Por um lado repete-se todo aquele visual retro-futurista típico de filmes de espiões dos anos 60, desta vez com gráficos mais bem detalhados, desde as personagens, passando pelos próprios cenários, que são incrivelmente coloridos e cheios de jogos de luzes, como se discotecas se tratassem. As músicas são mais variadas, não é só o swing e música de big bands que vamos ouvindo, mas sim também alguns laivos de música electrónica, rock, ou mesmo música clássica!

Para os interessados, ao contrário do primeiro jogo, este segundo acabou mesmo por ter sido lançado em diversas plataformas digitais, incluindo o Steam. Possui uns grafismos ligeiramente melhorados e achievements, mas infelizmente não traz qualquer outro extra.