Earthworm Jim 2 (Sega Mega Drive)

A rapidinha de hoje leva-nos de volta à Mega Drive para mais um dos grandes clássicos da era 16-bit. O primeiro Earthworm Jim já tinha sido um grande sucesso, tanto pela sua bizarrice e originalidade, tanto pela sua competência técnica, com uma vez mais David Perry a comprovar o seu talento. Felizmente a Shiny não perdeu muito tempo em preparar uma sequela e o resultado final não poderia ser mais satisfatório. O meu exemplar foi comprado há já uns anos na antiga Pressplay no Porto. Na altura custou-me cerca de 7€.

Jogo com caixa e manual

Uma vez mais encarnamos no herói mais doido de todos os tempos, a minhoca Jim que ganha os seus poderes através do seu fato robótico. Novamente a missão é a de salvar a princesa what’s her name, desta vez com o vilão Psy-Crow a ganhar mais destaque que no jogo anterior.

Como sempre os níveis exigem alguma interactividade

As mecânicas de jogo na sua base mantêm-se muito similares aos do seu predecessor, principalmente naqueles níveis mais tradicionais de plataformas. Teremos é mais armas ao nosso dispor, bem como o Snot na nossa mochila. O Snot é uma ranhoca verde, que tanto serve de gancho, agarrando-se a zonas viscosas de algumas superficies, permitindo-nos balancear de um lado para o outro. Ou então até nos serve de pára-quedas! De resto, para além dos tradicionais níveis de platforming, este novo Earthworm Jim trouxe muita mais variedade no gameplay. Logo no terceiro nível controlamos um diferente Jim, agora como uma salamandra voadora, num dos níveis mais bizzaros de sempre: túneis intestinais em que as paredes causam dano, com peças de pinball pelo meio e bonitas janelas de fundo. Sim, o jogo é mesmo bizarre, até porque pelo meio desse mesmo nível somos encaminhados para um pequeno concurso de perguntas e respostas completamente non-sense, como a minha preferida “if cigarretes cause cancer, what causes capricorn?“.

Este último nível é provavelmente aquele que possui diferenças gráficas mais acentuadas entre a Mega Drive e SNES

Temos também um nível onde as mecânicas de jogo mudam para um shmup em formato isométrico à lá Zaxxon, onde para além de nos termos de desviar de inúmeros obstáculos e inimigos, temos de escoltar uma bomba que servirá para destruir o boss do final do nível. Ocasionalmente teremos alguns níveis de interlúdio, onde o Psy-Crow se põe a atirar cachorrinhos e teremos de os salvar, fazendo com que eles saltitem num tambor que carregamos, até ficarem em segurança. Se deixarmos cair 4 cachorros, o seu pai ataca-nos. Estes níveis já foram desafiantes quanto baste, pois temos mesmo de ter reflexos rápidos para não os deixar cair ao chão.

A nível audiovisual, uma vez mais este jogo é uma obra prima. Os níveis para além de serem novamente incrivelmente variados, estão também muitíssimo bem desenhados, com excelentes gráficos cheios de detalhe, bizarrices e excelentes animações, como em muitos outros jogo em que o David Perry trabalhou. As músicas são igualmente excelentes e puxam as capacidades da Mega Drive para outro patamar, como a música título, onde ouvimos várias vozes. As músicas em si são agradáveis, possuindo não só músicas típicas de jogos de acção, mas também várias adaptações de temas bem conhecidos da música clássica, como a Moonlight Sonata de Beethoven que bem que soa aqui.

Também tal como no primeiro jogo, os powerups de vida são valiosos, pois a mesma não regenera de nível para nível

Portanto este Earthworm Jim 2 é mais um grande clássico, que acabou posteriormente por sair em mais umas quantas plataformas. Uma vez mais a versão Mega Drive foi a que foi usada inicialmente no desenvolvimento, mas desta vez não possui conteúdo adicional face à versão rival da Super Nintendo. Existem no entanto outras conversões para plataformas superiores com melhores gráficos e músicas em qualidade CD Audio, que também são muito benvindas, como é mais uma vez o caso da versão DOS, e agora também Saturn e Playstation.

Super Ghouls ‘n Ghosts (Super Nintendo)

Continuando pelas  rapidinhas, mas agora para a Super Nintendo, o jogo que cá trago agora é nada mais nada menos que Super Ghouls ‘n Ghosts, o terceiro capítulo da série principal do Sir Arthur contra as forças infernais que raptaram a princesa Prin-Prin. Mas ao contrário dos anteriores, este não teve as suas origens, tendo sido lançado originalmente para a Super Nintendo. O meu exemplar veio de uma loja na Irlanda do Norte, aquando da minha estadia por lá no ano passado. Custou-me 40 libras, estando em estado impecável.

Jogo com caixa e manual

O conceito do jogo é semelhante aos dos seus predecessores: Prin-prin foi raptada por mais uns demónios e cabe-nos a nós salvá-la, tendo assim de enfrentar mais um exército de forças infernais. As mecânicas de jogo são ligeiramente diferentes do seu predecessor, na medida em que já não é possível atacar para cima ou para baixo, retornando assim um pouco mais às raízes do Ghosts ‘n Goblins. Por outro lado, para colmatar essa falha, introduziram aqui a possibilidade de se dar um salto duplo, o que nos ajuda bastante nos momentos mais de puro platforming. Também tal como os anteriores, não chegamos ao fim do jogo de uma só assentada, pois o mesmo obriga-nos a rejogar tudo de forma a procurar uma arma difícil de aparecer, de forma a que tenhamos acesso ao último nível e boss. De resto temos também a possibilidade de usar os charged attacks, que dependendo da arma que tenhamos equipada são ataques mágicos com diferentes efeitos. Para usar os charged attacks temos de procurar a armadura dourada que nos permite executá-los, mas temos agora também uma armadura verde que nos permite usar versões melhoradas das armas que tenhamos apanhado.

Super Ghouls ‘n Ghosts tira todo o partido das capacidades da Super Nintendo ao apresentar gráficos bem detalhados

A nível audiovisual é um jogo bem conseguido, pois os níveis apresentam muito mais cor e detalhe, o que acaba também ser fruto das capacidades da Super Nintendo, existindo alguns níveis que usam bem os efeitos de sprite zooming e rotation. A nível de músicas, a Super Nintendo tem a particularidade de ter um chip de som poderoso, capaz de replicar de forma convincente (para a altura, claro) uma série de sons diferentes. Assim sendo, as músicas deste Super Ghouls ‘n Ghosts estão repletas de orquestrações que assentam que nem uma luva ao conceito do jogo.

Tal como no seu predecessor, podemos usar ataques mágicos

Super Ghouls ‘n Ghosts acaba por ser uma óptima maneira de terminar a trilogia clássica. É na mesma um jogo bastante desafiante, embora seja o menos difícil dos 3 devido a não ser originalmente um jogo arcade. Recomendado! Se não encontrarem esta versão SNES a preços convidativos, podem sempre tentar encontrar a conversão para a Gameboy Advance que inclui um novo modo de jogo, ou então através de compilações que infelizmente também não andam muito baratas.

Bone – Episodes I and II (PC)

Após o Texas Hold’Em, um interessante jogo de poker, porém bastante simplista, a Telltale Games abordou o tema pela qual é mais conhecida, os jogos de aventura! A primeira franchise escolhida foi a Bone, originalmente do mundo da banda desenhada. Este Bone: Out from Boneville, para além de ser uma adaptação do primeiro livro de mesmo nome, foi também o primeiro jogo da Telltale a ser lançado por episódios. O primeiro episódio foi lançado originalmente em Setembro de 2005, com o segundo a chegar às lojas apenas no ano seguinte, em Abril. Esta rapidinha vai compreender ambos os episódios, cujos entraram na minha biblioteca do Steam algures durante este ano, num dos vários Humble Bundles, por uma bagatela.

A narrativa segue a história de 3 estranhas criaturas, os primos Bones, cuja personagem principal é o Fone Bone, o mais sensato dos 3. Os Bones estavam a fugir da sua cidade natal devido aos esquemas manhosos do Phoney Bone, quando se perdem no deserto e acabam por entrar num vale misterioso com criaturas estranhas e um dragão. Ao explorar o vale vão se encontrar com a jovem Thorn e a história vai-se desenrolando, com uma conspiração a ser cozinhada por trás, que envolve misteriosas criaturas e um dragão que ocasionalmente nos ajuda na aventura.

É uma pena que a Telltale não tenha continuado com a série, pois a história começava a ficar interessante

As mecânicas de jogo são as tradicionais de um point and click, com alguns puzzles “a sério” e vários mini-jogos à mistura. Por exemplo, num dos puzzles teremos de encaixar um certo número de objectos numa caravana, noutro temos de guiar um insect a saltar de pedra em pedra até atravessar um rio. Os puzzles e mini-jogos são bastante frequentes, acabando por servir de quebra da repetitivade natural das mecânicas dos point and click.

No festival teremos vários minijogos para experimentar

De resto, este primeiro episódio não o achei muito bom sinceramente. As personagens não eram muito cativantes, mas no segundo episódio, “The Great Cow Race”, a narrativa já melhora, a história já possui momentos bem mais interessantes e é pena que a Telltale se tenha deixado ficar apenas por estes dois episódios. Pelos vistos a receptividade do público não foi a melhor, pelo que um eventual terceiro episódio para dar continuidade à história nunca foi em frente. É pena pois a série termina numa altura em que já me estava a cativar e fiquei com vontade de ver o desenrolar das coisas. É um dos “perigos” deste modelo por episódios, mas felizmente a Telltales tem vindo a fazer um trabalho interessante noutras séries, pelo que o risco de termos mais jogos cancelados a meio acaba por ser mais reduzido.

A nível audiovisual, estes dois Bones são também jogos ainda algo modestos. Os gráficos são num 3D não muito detalhado, mas o voice acting não está mau de todo, e o mesmo pode ser dito da banda sonora. É uma pena que não tenham dado continuidade à série, pois melhoraram substancialmente do primeiro episódio para o segundo!

Texas Hold’Em (PC)

Continuando pelas rapidinhas, o jogo que cá vos trago agora é nada mais nada menos que o primeiro jogo lançado pela Telltale Games, aquele estúdio que é um dos maiores entusiastas dos jogos de aventura neste milénio. E o meu espanto foi tanto que o seu primeiro jogo, tal como o nome indica, é um mero jogo de Poker, na sua variante Texas Hold ‘Em. O meu exemplar digital foi comprado num dos vários humble bundles por uma bagatela.

Bom, e como o seu nome indica, aqui podemos jogar o Texas Hold’Em, uma variante do poker onde começamos o jogo com 2 cartas na mão, e saindo depois uma pool de 3 a 5 cartas para a mesa, usadas por todos os jogadores que estão ainda em jogo. Depois é um jogo de apostas e bluffs, onde nem sempre quem tem as melhores cartas vence.

A piada do jogo está apenas nos diálogos que as personagens vão tendo durante as partidas

O que tem este jogo de diferente? Bom, jogamos contra um conjunto pré-determinado de personagens, onde podemos incluir um pequeno tutorial para quem não conhecer as regras do jogo. A parte engraçada é que as personagens, que possuem um design algo cómico, vão falando entre si durante o jogo, mantendo a partida sempre bem humorada. Gosto particularmente dos gostos musicais da avozinha, que ouve Beethoven, Mozart, Bach e o Reign in Blood de Slayer durante as festas. Fora isso, é um jogo de poker normal. Eu não sou grande jogador, mas consegui vencer um torneio logo à primeira, pelo que a inteligência artificial não deve ser grande coisa.

Dragon Quest V (Nintendo DS)

Voltando às rapidinhas da Nintendo DS, o jogo que cá trago hoje, tal como o Dragon Quest IV, foi um RPG que já o finalizei há algum tempo atrás, mas só muito recentemente o vim a ter finalmente na colecção. Por isso, e devido ao meu backlog ser gigantesco, vai levar com um artigo breve, apesar de merecer muito mais. O meu exemplar, tal como o anterior, deu entrada na minha colecção algures durante o Verão deste ano, através de uma troca feita com um outro coleccionador. É também a versão norte-americana.

Jogo com caixa, manual e papelada

O seu predecessor tinha saído originalmente na NES, tendo levado depois um remake para a PS1 que nunca saiu do Japão. Este saiu originalmente na SNES (deste vez apenas no Japão), sendo que em 2004 a Square Enix lançou um remake inteiramente em 3D (mas modesto) para a PS2, sendo que se ficou também pelo Japão. Finalmente, anos depois lançaram uma outra conversão para a DS, agora finalmente com lançamento global e aproveitando o mesmo motor gráfico do jogo anterior, que por sua vez era muito similar ao original do Dragon Quest VII para a Playstation.

A maior novidade é mesmo a possibilidade de recrutarmos monstros para a nossa party.

E também tal como o Dragon Quest IV, apesar deste RPG não reinventar a roda (afinal é um Dragon Quest), possui uma abordagem muito interessante à história. Isto porque vamos acompanhando o desenrolar da narrativa ao longo de várias etapas da vida do protagonista, desde o seu nascimento, a sua infância, adolescência, culminando finalmente na fase adulta, onde temos a oportunidade de casar com uma de várias noivas e a acção transitar também para a geração seguinte.

A nível de mecânicas de jogo não há muito a dizer, pois este é um Dragon Quest bastante tradicional, com o mesmo tipo de batalhas por turnos e as mesmas acções que podemos desempenhar. Este foi no entanto o primeiro jogo a incluir aquele conceito de “Monster Hunter”, onde poderemos recrutar monstros para combater ao nosso lado. Também incluido neste remake está a possibilidade de ter uma party com 4 membros em simultâneo, enquanto no original apenas eram 3, bem como a capacidade de automatizar as acções de todos os membros (excepto o protagonista principal) durante as batalhas. A versão DS trouxe também uma nova noiva para nos casarmos.

O motor gráfico é inspirado no de Dragon Quest VII para a Playstation

A nível audiovisual é exactamente a mesma coisa do DQ IV e DQ VI, visto que usa o mesmo motor gráfico, misturando as sprites 2D com cenários num 3D bastante rudimentar. A DS é capaz de melhor, mas visto que são remakes, e na europa não havia nenhum Dragon Quest V por cá, então é bem melhor que nada! As músicas continuam excelentes, como a série sempre nos habituou.