Colecção de videojogos – alguns "rants" e análises
Autor: cyberquake
Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
A super rapidinha de hoje é para mais uma conversão de um jogo que já cá analisei antes, desta vez a versão Mega CD do primeiro Ecco the Dolphin. É uma versão um pouco diferente, principalmente por ter uma série de extras, mas no geral é idêntica à original da Mega Drive, pelo que recomendo a leitura desse artigo para mais informação. O meu exemplar veio do UK, tendo sido comprado através de um amigo meu no mês passado. Creio que me ficou algo em torno dos 10€.
Jogo com caixa e manual
Como referido acima, esta versão possui tudo o que a versão original da Mega Drive contém. Controlamos na mesma o golfinho Ecco, que após um misterioso acontecimento onde a sua família, em conjunto com muita outra vida marinha é sugada pelo céu. À procura de respostas, rapidamente nos deparamos com uma história bem mais sinistra, que mete a descoberta das ruínas da atlântida à mistura, com viagens no tempo e uma batalha contra uma raça alienígena que estava por detrás destes acontecimentos.
As aparências enganam. Este não é um jogo fácil, apesar dos seus gráficos lindíssimos e pelo simples facto de controlarmos um golfinho.
A versão Mega CD possui alguns níveis redesenhados face ao original, bem como alguns níveis inteiramente novos, embora não tragam nenhumas mecânicas de jogo adicionais. Para além disso, a banda sonora, que já era excelente na Mega Drive, ficou aqui ainda melhor, visto que todas as músicas estão em formato CD Audio, agora compostas por Spencer Nilsen, um nome bem conhecido pelos fãs da Sega. Estas músicas são bastante atmosféricas e calmas como a imensidão dos oceanos, caindo que nem uma luva no jogo em questão. Para além disso, quando exploramos a biblioteca perdida da atlântida, conseguimos desbloquear um pequeno documentário em vídeo sobre golfinhos.
Para mim, no que diz respeito às consolas, esta é sem dúvida a versão definitiva deste jogo. Algo que pressinto muito fortemente que pode também ser dito da versão Mega CD do Ecco 2, mas isso seria tema para um eventual artigo futuro, se o conseguir arranjar para a colecção.
A série After Burner era uma das mais famosas da Sega no final dos anos 80, quanto mais não fosse pela incrível arcade cabinet rotativa, que sempre me despertou curiosidade em experimentar! Mas depois durante os anos 90, e após uma série de conversões para as consolas da Sega da altura, esta série acabou por cair no esquecimento. Isto pelo menos até ao ano 2006 onde a Sega ressuscitou a série com o lançamento de After Burner Climax, nas arcades e como título digital para a X360 e PS3, entretanto retirado de circulação. No ano seguinte, através da Planet Moon Studios, tivemos também este Black Falcon, exclusivo da PSP. O meu exemplar foi comprado algures no ano passado numa CeX do Porto, creio que me custou 3€.
Jogo com caixa, manual e papelada
Como referi acima, este é um jogo exclusivo da PSP, pelo que não se trata de nenhuma adaptação arcade, a primeira vez que algo aconteceu do género na série. Portanto esperem por um jogo mais robusto a nível de conteúdo, que foi o que essencialmente aconteceu aqui. E o jogo começa por levar-nos a escolher um de três pilotos de topo para representarmos. Temos o Bull, especialista em destruir tudo e mais alguma coisa, ou o Sonic, notável pela rapidez com que voa e atinge os seus objectivos. Por fim temos também a Shinsei, conhecida pelo seu perfeccionismo nas suas missões. A história em si leva-nos a defrontar os terroristas Black Falcon, composto por ex-membros da mesma unidade de pilotos que representamos e que roubaram uma série de protótipos de aviões militares de uma base da CIA. Ao longo do jogo teremos várias missões em diversos pontos do mundo para destruir alvos militares dessa organização terrorista, incluindo os tais aviões roubados. Agora os Black Falcon pelos vistos são uma força terrorista e pêras, a contar com o arsenal que dispõe! É que teremos dezenas de missões pela frente, onde em cada uma defrontamos dezenas mais de aviões inimigos, baterias antiaéreas, navios, porta-aviões, tanques ou subarinos! E mediante o piloto que escolhemos inicialmente teremos também alguns objectivos secretos para cumprir, como cumprir a missão abaixo de um limite de tempo, ou causar destruição até ultrapassar um certo valor, etc.
Se conseguirmos destruir mais que um inimigo seguido, ganhamos pontos de bónus
As mecânicas de jogo são simples. Um botão para disparar rajadas de metralhadora (que possuem munições infinitas), outros dois para disparar mísseis (sejam ar-ar ou ar-terra), sendo que para disparar os mísseis convém esperar que os alvos estejam trancados no ecrã, caso contrário é um desperdício de recursos. Por outro lado também temos de evitar levar com mísseis, pelo que teremos de fazer uns barrel-rolls sempre que isso aconteça. Nas laterais do ecrã temos também um medidor do After Burner, que vão esvaziando sempre que activamos os turbos, sendo depois restabelecidos automaticamente. Temos também, no canto inferior esquerdo do ecrã, a barra de “vida” do avião que se vai esvaziando à medida que somos atingidos e tipicamente temos 3 vidas em cada missão. Para além disso muitas vezes ao destruir aviões inimigos são largados pára-quedas de diferentes cores que podemos apanhar. Uns restabelecem os mísseis que temos disponíveis, outros dão-nos dinheiro extra (também recebemos dinheiro sempre que destruímos alguma coisa), outros restabelecem os escudos do nosso avião. Há também uns páraquedas rochos que nos dão um efeito matrix durante alguns segundos, onde tudo se move em câmara lenta e podemos aproveitar isso para conseguir lockar aviões inimigos, ou desviarmo-nos de mísseis inimigos em segurança.
Locks azuis para misseis ar-ar, locks verdes para mísseis ar-terra
Agora, esse dinheiro que recebemos em cada missão serve para quê mesmo? Bom, é que vamos poder comprar uma série de aviões, como o F14-Tomcat (típico da série After Burner!), F18, F4, entre muitos outros. Para além disso, cada avião pode receber vários upgrades, tanto na capacidade de mísseis, na potência do canhão, o número de mísseis que podem ser disparados em simultâneo, entre outros, como meras mudanças estéticas. Para além disso, convém também referir que o jogo possui também uma vertente multiplayer que infelizmente nunca cheguei a experimentar. Por um lado podemos jogar os níveis da história principal em cooperativo com outro jogador, o que me parece interessante. Por outro temos também alguns modos de jogo competitivos baseados em deathmatch e que suportariam até 8 jogadores em simultâneo. Este último confesso que não estou a ver como é que funcionaria, visto que estamos perante um jogo on-rails, teríamos de ter mais liberdade de movimento.
Ocasionalmente lá vamos tendo algumas cutscenes que mostram a história do piloto escolhido.
A nível audiovisual é um jogo competente para uma PSP. Apesar de agora termos missões concretas para cumprir, a acção continua com um feeling bastante arcade, os cenários são diversos, como ilhas tropicais, glaciares gelados, campos de arroz algures na ásia, desertos, entre outros. O problema a meu ver é que há muitas, muitas missões, tornando o jogo algo repetitivo pois os objectivos nunca variam assim tanto. É que ao contrário de outros jogos como Ace Combat, onde temos uma liberdade de movimentos muito maior, as coisas acabam por se tornar mais dinâmicas. Aqui apenas voamos em frente, podendo divergir um pouco para uma ou outra direcção, mas não deixa de ser um on-rails shooter como os clássicos da Arcade. Por outro lado, no som, os efeitos sonoros são competentes, nada a apontar. As músicas são na sua maioria de rock, algo que me agrada, mas confesso que também não são nada por aí além.
Portanto este After Burner é daqueles jogos que me provocam sentimentos mistos. Por um lado aprecio quando a Sega tenta ressuscitar alguma das suas antigas IPs, e o facto de termos aqui um jogo dividido em missões até resulta bem numa portátil. No entanto a jogabilidade acaba por se tornar muito repetitiva, algo que não acontece nos restantes pois são jogos arcade e é suposto serem curtos.
Continuando pelas super rapidinhas, hoje trago-vos cá mais uma adaptação de um jogo para a Master System. A versão SMS do Chuck Rock é idêntica à da Game Gear, que eu já cá trouxe anteriormente, pelo que não vai haver muita coisa a mudar nesta versão. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu por algo em volta dos 6€ no passado mês de Março.
Jogo com caixa e manual
Tal como já referi acima, esta versão é muito idêntica à da Game Gear, com as mesmas mecânicas de jogo de um simples jogo 2D de plataformas, onde com um botão Chuck salta, com o outro ataca os inimigos com a barriga. Podemos também apanhar rochas que tanto podem servir de arma de arremesso, como de plataforma para atingir locais de difícil acesso. A grande diferença está mesmo na resolução maior no ecrã, que nos permite ver mais do nível e evitar saltos de fé. De resto é o mesmo jogo que na Game Gear, onde os backgrounds não possuem qualquer detalhe e infelizmente a única música que existe é a faixa título, durante o jogo temos apenas os efeitos sonoros. Ao menos essa música é excelente, mesmo na Master System!
A rapidinha de hoje é sobre o Out Run Europa, um spin off da famosa série de jogos de corrida da Sega. Mas este Europa é diferente de todos os outros da série, até porque foi inteiramente desenvolvido pela U.S. Gold e não pela empresa nipónica. É um jogo interessante, mas longe dos Out Run clássicos. O mais próximo seria o Battle Out Run, pois neste jogo encarnamos num agente secreto que persegue uma série de bandidos pela Europa fora, para recuperar uns documentos secretos que tinham sido roubados. O meu exemplar foi comprado a um colega meu por cerca de 6€ se bem me recordo.
Jogo com caixa e manual
Recomendo que leiam o artigo que escrevi sobre a versão Game Gear, pois é essencialmente o mesmo jogo. Esta versão Master System tem a vantagem de ter uma resolução mais larga, havendo mais espaço para a interface com o jogador. Na parte inferior do ecrã, para além de indicadores dos nossos escudos, munições e turbo, temos no centro uma espécie de radar que indica as posições de outros veículos. De resto, é o mesmo jogo, com uns visuais excelentes para uma Master System, mas a custo de um framerate baixo.
Tirando uma ou outra partida de Destiny, já há algum tempo que não pegava na PS4, e eu com um backlog cada vez maior para essa plataforma. Então no mês passado lá me decidi a experimentar este Vampyr, jogo que tinha ficado com vontade de experimentar desde que o comprei. E quando foi isso? Foi nas promoções de Black Friday da Worten, que fez descontos na compra de packs de 3 jogos. Já não me recordo ao certo quanto este ficou, mas terá sido algo na volta dos 20€.
Jogo com caixa
Produzido pela Dontnod, os mesmos por detrás de Remember Me e Life is Strange (mais dois jogos que tenho em backlog), este é um RPG de acção muito interessante, passado em plena capital Britânica, algures em 1918, por alturas em que a primeira Guerra Mundial ainda se desenrolava, bem como o fortíssimo surto de gripe espanhola que ceifou muitas vidas em todo o mundo. A nossa personagem é o médico Jonathan Reid, que tinha acabado de regressar de França, após combater na Guerra. Mas eis que coloca um pé de volta em solo britânico quando é atacado, aparentemente mordido por alguém. A aventura começa precisamente com Jonathan a acordar numa vala comum repleta de cadáveres (Londres era uma cidade em quarentena devido à epidemia de gripe) e, bastante fraco e com a visão turva devido à sua sede de sangue, Jonathan acaba por inadvertidamente atacar a sua irmã, matando-a. Confuso e furioso consigo mesmo, Jonathan procura por respostas para o que lhe aconteceu, sendo que logo em seguida é acusado de ele mesmo ser um vampiro por umas milícias que por lá passavam.
Ao combater os inimigos também podemos medir a quantidade de vida e de stamina (barras cinzentas, abaixo) que lhes restam
Entretanto coisas acontecem e acabamos por ficar a trabalhar num Hospital, gerido por um médico que pertence a uma Ordem secreta que estuda precisamente os vampiros. Aí vamos começar a explorar a cidade à nossa volta, interagindo com uma série de personagens, de forma a descobrir quem nos transformou em vampiro e porquê, bem como resolver o problema da epidemia Londrina, que neste momento é bem pior que uma mera gripe, pois muitos dos seus habitantes estão também a serem transformados em Skals, uma espécie de vampiros mais fracos, fisicamente deformados, e tipicamente extremamente selvagens. Vamos conhecer pessoas de todos os estratos sociais, com diferentes personalidades, segredos a encobrir e claro, muitos mais vampiros londrinos também.
O jogo assenta numa premissa interessante: Se formos um vampiro bom e não sacrificarmos inocentes, a nossa personagem evolui de uma forma bem mais lenta, e saliento o beeeeem mais lenta. Se quisermos alcançar o melhor final do jogo teremos de seguir por esta via, o que nos vai levar muitas vezes a defrontar inimigos que estão num nível muito superior ao nosso, às vezes até 10 níveis acima. Isto obriga-nos a encarar cada combate de forma muito cuidada, estudando os inimigos, vendo como se movimentam e usar as nossas habilidades da melhor forma. O pior é contra os bosses, aí lá teremos muitas tentativas pela frente! Durante o combate, temos de ter em atenção às nossas 3 barras de energia que aparecem no canto superior esquerdo do ecrã: a primeira é a nossa barra de vida, a segunda é a barra de stamina, cuja esvazia sempre que atacamos, esquivamo-nos ou corremos, mas vai-se restabelecendo à medida em que paramos alguns segundos. A última barrinha corresponde ao nível de sangue que carregamos. O sangue é necessário para activar as nossas habilidades de vampiro, pensem como se mana se tratasse. Ao atordoar os inimigos podemos mordê-los, absorvendo parte do seu sangue para nós.
Ao pressionar o botão L3 activamos os sentidos de vampiro, que pressentem presenças à nossa volta
À medida que vamos avançando no jogo vamos poder então evoluir o Dr. Reid numa série de parâmetros. Podemos melhorar a nossa condição física, seja ao extender cada uma daquelas barras de energia, aumentar a quantidade de sangue que conseguimos absorver em cada mordida, ou mesmo a força da mordida. Podemos também desbloquear e evoluir várias habilidades vampíricas, desde habilidades ofensivas que tanto podem se focar em dano de luta corpo-a-corpo, dano de sangue ou sombra, sendo que os inimigos têm todos resistências e fraquezas para este tipo de danos. Temos habilidades defensivas como a criação de barreiras, ou a capacidade de nos mordemos a nós próprios e nos curarmos um pouco. Para ataques normais, podemos equipar uma série de armas brancas, sejam facalhões, bastões, machados ou mesmo uma grande ceifa, mas também podemos equipar algumas armas de fogo como revólveres e shotguns. Ao longo do jogo vamos encontrando também vários objectos que podem ser usados em crafting, seja para melhorar a performance das nossas armas (acreditem que faz uma diferença brutal), criar soros que nos regeneram a vida, fadiga ou nível de sangue, ou mesmo medicamentos. Hum? Medicamentos? Sim, Jonathan é um médico e aqui teremos também de cuidar dos cidadãos inocentes, o que me leva a abordar mais um ponto interessante deste Vampyr.
Por vezes sente-se a falta de algum mecanismo de fast travel entre localizações.
Ora vamos para os NPCs. Estes são personagens importantes, não só porque enriquecem o universo do jogo e a sua narrativa, até porque podemos (e devemos) dialogar com eles, descobrindo segredos do seu passado, inclusivamente desbloqueando algumas sidequests. Ocasionalmente também ficam doentes, pelo que devemos curá-los se pudermos. Isto é importante caso queiramos seguir pelo caminho do vampiro bom ou vampiro mau, por diferentes razões. No primeiro caso, porque ao descobrir os seus segredos, completar as suas sidequests e curá-los dá-nos pontos de experiência que são valiosíssimos a uma personagem que anda sempre a correr atrás do prejuízo. Para além disso, manter os cidadãos sãos, mantém os distritos onde habitam também livres de infecções. Se deixarmos as pessoas adoecer, as suas doenças podem evoluir para uma doença mais grave (por exemplo, constipação -> bronquite -> pneumonia) e os pacientes podem morrer. Isso pode tornar a classificação dos distritos como crítica, o que pode levar ao desaparecimento de todos os cidadãos sendo substituidos por criaturas perigosas.
No caso de sermos um vampiro mau e quisermos matar os cidadãos, fazer tudo o que referi acima também é importante porque isso melhora a sua qualidade do sangue, traduzindo-se em mais pontos de experiência. Agora para vocês perceberem bem a diferença entre matar cidadãos inocentes ou não, um inimigo comum, seja ele em nível 5 ou 32, dá-nos sempre 5 (cinco) pontos de experiência. Cumprir as quests principais ou sidequests pode dar algumas centenas (poucas) de pontos, curar cidadãos dá-nos 25 pontos de experiência. Mas matar um deles? Milhares de pontos de experiência. É de facto uma diferença gritante, e na minha opinião injusta. Até porque ao longo do jogo atacamos muitos inimigos humanos, porque raio esses só dão 5 pontos de experiência? E os pontos de experiência serem os mesmos sejam eles fortes ou fracos? É uma das coisas que para mim infelizmente não faz sentido.
Temos várias skills diferentes onde gastar os nossos preciosso pontos de experiência
Outras são também duras, e impactam mais quem está underleveled. Quando morremos, na verdade o jogo não recomeça apenas do último checkpoint como se nada fosse. Todas as munições e itens regenerativos que gastamos desde o checkpoint são perdidas, assim como o nível de sague. Isto é muito chato até porque as munições são escassas, assim como os ingredientes para produzir os soros, ou mesmo dinheiro para os comprar. No entanto se pensarmos que somos um vampiro, imortal, que na verdade está apenas a “acordar” de novo para a vida, é normal que assim seja. Outro aspecto a ter em conta, também ligado ao sistema de progressão de jogo é o ciclo de noites. Nós vamos ganhando pontos de experiência que ficam acumulados e a única forma de evoluir é passar a noite num abrigo. Aí podemos distribuir os pontos de experiência pelas classes que quisermos evoluir, sendo que também vamos subindo de nível, aumentando os nossos stat points no geral também. Acontece que ao dormir, o tempo avança para a noite seguinte, os inimigos que derrotamos fazem respawn, cidadãos ficam doentes, e os que já estavam doentes na noite anterior e ficaram por ser atendidos, correm sérios riscos da sua doença agravar, podendo até morrer se já tiverem uma doença das mais graves. Para além disso, algumas sidequests que ficarem por completar, nomeadamente as quests onde temos de salvar alguém, também falham automaticamente, matando o NPC em questão.
Interagir com as personagens e desvendar os seus segredos torna o seu sangue mais “valioso”, traduzindo-se em mais pontos de experiência se decidirmos matá-los mais tarde.
Portanto, de um ponto de vista de jogabilidade, este é um jogo onde temos de ser muito disciplinados, tanto na forma como combatemos os oponentes, principalmente se estamos a seguir o caminho bom, bem como na gestão do bem estar dos cidadãos comuns. Depois temos todos os diálogos onde algumas das nossas escolhas acabam por ser bastante importantes para o desenrolar da história. As decisões importantes são sempre marcadas com um ícone Y no centro das escolhas, pelo que temos de pensar bem no que responder. É que o jogo faz auto-save logo após a nossa escolha e caso queiramos voltar atrás, só mesmo recomeçando o jogo. Algo que eu tive de fazer pelo menos uma vez ao decidir o destino de uma certa Dorothy Crane… Isso ou habituem-se a fazer backups dos saves, o que para quem está a jogar isto numa PS4 não é assim tão cómodo quanto isso.
No que diz respeito aos audiovisuais, não me posso queixar muito. Visto que jogamos sempre à noite, não há uma grande variedade visual, mas gosto bastante da forma como representaram a cidade de Londes em 1918, parece-me muito próxima da realidade desses tempos. Tenho pena, no entanto, que as cutscenes ou usem o motor gráfico do jogo, ou apenas algumas imagens estáticas a ilustrar o que está a ser narrado. A produção poderia ser um pouco mais limada nesse aspecto. O voice acting no entanto, devo dizer que gostei bastante. As músicas são muito minimalistas, ambientais e muitas vezes dissonantes e desconcertantes, o que cai que nem uma luva à atmosfera que o jogo tenta transparecer.
Muitas vezes temos escolhas para tomar nos diálogos, mas apenas as que são marcadas com um Y no centro são escolhas importantes e que podem ter consequências diferentes
Portanto, mesmo com algumas falhas, ou escolhas de design que resultam numa experiência muito imbalanceada para quem quiser seguir o caminho “bom”, devo dizer que gostei bastante deste Vampyr. Ah, e para quem quiser seguir o caminho “mau” e limpar o sebo a toda a gente de facto torna o jogo muito mais fácil, excepto o boss final, que é tão forte consoante o número de inocentes que matamos. Yep, até esses jogadores merecem sofrer um pouco!