After Burner: Black Falcon (Sony Playstation Portable)

A série After Burner era uma das mais famosas da Sega no final dos anos 80, quanto mais não fosse pela incrível arcade cabinet rotativa, que sempre me despertou curiosidade em experimentar! Mas depois durante os anos 90, e após uma série de conversões para as consolas da Sega da altura, esta série acabou por cair no esquecimento. Isto pelo menos até ao ano 2006 onde a Sega ressuscitou a série com o lançamento de After Burner Climax, nas arcades e como título digital para a X360 e PS3, entretanto retirado de circulação. No ano seguinte, através da Planet Moon Studios, tivemos também este Black Falcon, exclusivo da PSP. O meu exemplar foi comprado algures no ano passado numa CeX do Porto, creio que me custou 3€.

Jogo com caixa, manual e papelada

Como referi acima, este é um jogo exclusivo da PSP, pelo que não se trata de nenhuma adaptação arcade, a primeira vez que algo aconteceu do género na série. Portanto esperem por um jogo mais robusto a nível de conteúdo, que foi o que essencialmente aconteceu aqui. E o jogo começa por levar-nos a escolher um de três pilotos de topo para representarmos. Temos o Bull, especialista em destruir tudo e mais alguma coisa, ou o Sonic, notável pela rapidez com que voa e atinge os seus objectivos. Por fim temos também a Shinsei, conhecida pelo seu perfeccionismo nas suas missões. A história em si leva-nos a defrontar os terroristas Black Falcon, composto por ex-membros da mesma unidade de pilotos que representamos e que roubaram uma série de protótipos de aviões militares de uma base da CIA. Ao longo do jogo teremos várias missões em diversos pontos do mundo para destruir alvos militares dessa organização terrorista, incluindo os tais aviões roubados. Agora os Black Falcon pelos vistos são uma força terrorista e pêras, a contar com o arsenal que dispõe! É que teremos dezenas de missões pela frente, onde em cada uma defrontamos dezenas mais de aviões inimigos, baterias antiaéreas, navios, porta-aviões, tanques ou subarinos! E mediante o piloto que escolhemos inicialmente teremos também alguns objectivos secretos para cumprir, como cumprir a missão abaixo de um limite de tempo, ou causar destruição até ultrapassar um certo valor, etc.

Se conseguirmos destruir mais que um inimigo seguido, ganhamos pontos de bónus

As mecânicas de jogo são simples. Um botão para disparar rajadas de metrelhadora (que possuem munições infinitas), outros dois  para disparar mísseis (sejam ar-ar ou ar-terra), sendo que para disparar os mísseis convém esperar que os alvos estejam trancados no ecrã, caso contrário é um desperdício de recursos. Por outro lado também temos de evitar levar com mísseis, pelo que teremos de fazer uns barrel-rolls sempre que isso aconteça. Nas laterais do ecrã temos também um medidor do After Burner, que vão esvaziando sempre que activamos os turbos, sendo depois restabelecidos automaticamente. Temos também, no canto inferior esquerdo do ecrã, a barra de “vida” do avião que se vai esvaziando à medida que somos atingidos e tipicamente temos 3 vidas em cada missão. Para além disso muitas vezes ao destruir aviões inimigos são largados pára-quedas de diferentes cores que podemos apanhar. Uns restabelecem os mísseis que temos disponíveis, outros dão-nos dinheiro extra (também recebemos dinheiro sempre que destruímos alguma coisa), outros restabelecem os escudos do nosso avião. Há também uns páraquedas rochos que nos dão um efeito matrix durante alguns segundos, onde tudo se move em câmara lenta e podemos aproveitar isso para conseguir lockar aviões inimigos, ou desviarmo-nos de mísseis inimigos em segurança.

Locks azuis para misseis ar-ar, locks verdes para mísseis ar-terra

Agora, esse dinheiro que recebemos em cada missão serve para quê mesmo? Bom, é que vamos poder comprar uma série de aviões, como o F14-Tomcat (típico da série After Burner!), F18, F4, entre muitos outros. Para além disso, cada avião pode receber vários upgrades, tanto na capacidade de mísseis, na potência do canhão, o número de mísseis que podem ser disparados em simultâneo, entre outros, como meras mudanças estéticas. Para além disso, convém também referir que o jogo possui também uma vertente multiplayer que infelizmente nunca cheguei a experimentar. Por um lado podemos jogar os níveis da história principal em cooperativo com outro jogador, o que me parece interessante. Por outro temos também alguns modos de jogo competitivos baseados em deathmatch e que suportariam até 8 jogadores em simultâneo. Este último confesso que não estou a ver como é que funcionaria, visto que estamos perante um jogo on-rails, teríamos de ter mais liberdade de movimento.

Ocasionalmente lá vamos tendo algumas cutscenes que mostram a história do piloto escolhido.

A nível audiovisual é um jogo competente para uma PSP. Apesar de agora termos missões concretas para cumprir, a acção continua com um feeling bastante arcade, os cenários são diversos, como ilhas tropicais, glaciares gelados, campos de arroz algures na ásia, desertos, entre outros. O problema a meu ver é que há muitas, muitas missões, tornando o jogo algo repetitivo pois os objectivos nunca variam assim tanto. É que ao contrário de outros jogos como Ace Combat, onde temos uma liberdade de movimentos muito maior, as coisas acabam por se tornar mais dinâmicas. Aqui apenas voamos em frente, podendo divergir um pouco para uma ou outra direcção, mas não deixa de ser um on-rails shooter como os clássicos da Arcade. Por outro lado, no som, os efeitos sonoros são competentes, nada a apontar. As músicas são na sua maioria de rock, algo que me agrada, mas confesso que também não são nada por aí além.

Portanto este After Burner é daqueles jogos que me provocam sentimentos mistos. Por um lado aprecio quando a Sega tenta ressuscitar alguma das suas antigas IPs, e o facto de termos aqui um jogo dividido em missões até resulta bem numa portátil. No entanto a jogabilidade acaba por se tornar muito repetitiva, algo que não acontece nos restantes pois são jogos arcade e é suposto serem curtos.

 

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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