Disney’s Goof Troop (Super Nintendo)

Durante uma parte dos anos 90, a licença para produzir videojogos da Disney para consolas estava dividida entre duas empresas. No caso das consolas da Sega, era a própria empresa nipónica que detinha os direitos, tendo daí resultado óptimos jogos de plataforma do Mickey ou Donald, por exemplo. Já no caso das consolas da Nintendo, esse papel estava ao cargo da Capcom, que para além de nos ter trazido alguns óptimos jogos de plataforma como os Ducktales, Darkwing Duck ou Chip ‘n Dale na NES, ou mesmo alguns jogos do Mickey, trouxe-nos também este Goof Troop, um jogo de acção/aventura mas também com muito puzzle solving à mistura. O meu exemplar foi comprado algures no passado mês de Julho, tendo-me custado uns 12€.

Cartucho solto

Ora este Goof Troop é baseado nos desenhos animados de mesmo nome, que protagonizavam aventuras do Pateta, seu filho Max, muitas vezes contra o Pete (Bafo de Onça nas BDs que me lembro de ler em criança) e o seu filho PJ. E aqui a história leva-nos precisamente a encarnar ora no Pateta, ora no Max (ou em ambos!) que vão tentar salvar Pete e PJ que acabaram por ser raptados misteriosamente por um bando de piratas.

Entre níveis vamos tendo direito a algumas pequenas cutscenes que nos vão contando a história

No que diz respeito à jogabilidade, pensem numa espécie de Zombies, mas com mais puzzles pelo meio e níveis divididos entre salas estáticas, ao invés de usar scrolling. Antes de começar a aventura podemos escolher se queremos jogar sozinhos e nesse caso controlar o Pateta ou Max. Se decidirmos jogar cooperativamente com um amigo, podemos também definir quem controla quem. O jogo está então dividido ao longo de 5 níveis, onde teremos de percorrer por várias salas repletas de inimigos, obstáculos e alguns puzzles para resolver, até que conseguimos encontrar uma chave especial que nos dê acesso à sala onde iremos defrontar um boss. Bom, isto dito assim parece mais a jogabilidade básica de um The Legend of Zelda dos clássicos, particularmente quando nos aventuramos nas suas dungeons. E na verdade essa é uma comparação que não está muito fora da verdade.

Antes de começar a aventura podemos escolher que personagem queremos representar, seja jogando sozinhos ou com alguém

A maior diferença está no entanto no facto de Pateta ou Max não poderem atacar os seus inimigos directamente. Espalhados ao longo das salas poderemos ter no entanto vários objectos como barris ou urnas que poderemos pegar e atirar. Eventualmente iremos encontrar inimigos que conseguem também fazer o mesmo! Para além disso poderemos encontrar diversos itens que poderemos equipar e que terão os mais variados usos, sendo muitas vezes necessários para completar alguns dos puzzles. Por exemplo, um desses primeiros itens que poderemos encontrar é uma pistola com um ganho e corda. Para além de atordoar os inimigos por breves momentos, permite-nos apanhar objectos que estão fora do nosso alcance, ou até construir uma passagem através de uma corda entre dois pontos assinalados para o efeito. Podemos encontrar tábuas cujo único propósito é para construir pequenas pontes, campaínhas que nos permitem chamar os inimigos para perto de nós, o que poderá ser útil em certas circunstâncias, entre outros. Se jogarmos sozinhos, temos 2 slots que podem ser preenchidos com estes itens, cuja selecção pode ser alternada usando os botões L e R. Se jogarmos com um amigo, então cada personagem pode carregar um item de cada vez apenas, pelo que terá de haver uma maior cooperação entre os jogadores. Enquanto vamos explorando podemos também encontrar outros itens como frutos que nos extendem/regeneram a barra de vida ou pedras preciosas que nos dão vidas ou continues adicionais.

Para além de inimigos e obstáculos, vamos tendo também uma série de diferentes puzzles para resolver

Já no que diz respeito aos audiovisuais, este é mais um jogo muito bem colorido e com um nível de detalhe bem aceitável para os padrões da época. Apesar de haverem apenas 5 níveis, estes representam locais completamente distintos entre si, desde áreas verdejantes, castelos assombrados, cavernas ou o próprio navio dos piratas. As sprites (a não ser a dos bosses) não são muito grandes, mas possuem um bom nível de detalhe e as músicas também são bastante diversificadas entre os níveis, sendo que a do último nível foi a que mais me agradou.

Portanto estamos aqui perante mais um jogo bem sólido da Capcom/Disney. A sua mistura entre a acção e a exploração e puzzle solving está bem conseguida e deve ser um jogo bem divertido de se jogar com um amigo. É também um jogo que teve o envolvimento de Shinji Mikami na sua produção, que viria mais tarde a criar a série Resident Evil ou trabalhar noutros títulos como Devil May Cry, God Hand ou Vanquish.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
Esta entrada foi publicada em Nintendo, Super Nintendo com as etiquetas . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.