Ghouls ‘n Ghosts (Sega Master System)

Apesar de já cá ter trazido a versão Mega Drive no passado, a Sega deu-se ao trabalho de desenvolver uma conversão para a Master System também e que até resultou num trabalho interessante pelas suas diferenças. O meu exemplar foi comprado numa feira de velharias algures em Agosto deste ano, tendo-me custado 4€. Infelizmente é um cartucho solitário, mas assim que encontrar um exemplar mais completo a um preço convidativo irei certamente o substituir.

Cartucho solto

Bom, no que diz respeito aos níveis, esta até que é uma versão bem mais fiel ao original do que estaria à espera, embora tenhamos muito menos inimigos no ecrã em simultâneo desta vez. O que realmente mudou aqui foram as mecânicas de jogo, pois começamos com a armadura cinzenta normal, com 2 pontos de vida e a arma é a lança que pode ser atirada tanto horizontalmente como verticalmente. À medida que vamos avançando nos níveis vão surgindo no ecrã aqueles baús de tesouro que tipicamente escondem um mágico que nos transforma temporariamente num pato ou velhote inofensivo. Pois bem, por vezes esses baús escondem portais para lojas onde poderemos comprar novas botas, armadura, capacete e armas. Ou para lojas onde poderemos regenerar a nossa barra de vida ou de saúde.

Nesta versão vamos poder entrar em lojas secretas e melhorar o nosso equipamento e armas

Ora por cada par de botas que compramos, melhoramos a agilidade do Arthur, por cada armadura aumentamos a sua barra de vida e por cada capacete desbloqueamos novos feitiços, que podem ser “equipados” no menu de pausa. Estas magias são bastante úteis, principalmente a do escudo que nos deixa temporariamente invencíveis e a de fogo que dispara 4 bolas de fogo em diferentes direcções, matando todos os inimigos por onde tocam. Isto deixa o jogo bem mais fácil, embora ainda tenha alguns momentos de maior desafio e claro, as armas e armadura mais fortes apenas ficam disponíveis na nossa segunda volta, algo que é tradição na série clássica. Portanto sempre que virem um destes baús de tesouro, destruam-no o mais rapidamente possível pois pode esconder um inimigo, mas também a porta de visita para uma loja ou a possibilidade de nos regenerar a barra de vida ou magia.

Visualmente até que é uma versão competente tendo em conta as limitações da Master System

A nível audiovisual este é um jogo bem competente tendo em conta que estamos a falar da versão Master System. Apesar de ter sido desenvolvida pela Sega no Japão, esta versão não possui qualquer suporte ao som FM, nem de forma escondida, pelo que apenas temos acesso à banda sonora normal do velhinho PSG. E devo dizer que as músicas até que ficaram bem melhores do que estaria à espera. Soam a Ghouls ‘n Ghosts sim senhor! Nos gráficos o jogo também tem um bom nível de detalhe, embora não seja tão bom como a sua versão 16bit como seria de esperar. Temos é poucos inimigos no ecrã em simultâneo como já referi acima, o que também contribui para esta ser provavelmente a versão menos desafiante deste jogo.

Portanto este Ghouls ‘n Ghosts é uma conversão interessante do original, quanto mais não seja pelas diferentes mecânicas de jogo que aqui introduziram. É verdade que é um jogo menos frustrante que o original, mas sinceramente não acho que isso seja necessariamente uma má notícia, pois a série Makaimura é por vezes demasiado desafiante e frustrante.

Wipeout 64 (Nintendo 64)

Wipeout 64 é o único jogo que a saudosa Psygnosis alguma vez desenvolveu para a Nintendo 64 (o Destruction Derby 64 acabou por ser desenvolvido e publicado por terceiros). Numa altura em que a mesma já era 100% controlada pela Sony, acho que este até foi um lançamento bastante surpreendente nesse aspecto. É também o primeiro título da série a suportar controlos analógicos, o que permitia um melhor controlo da nave, mas ainda assim as suas corridas eram desafiantes quanto baste. O meu exemplar foi comprado no passado mês de Setembro a um particular, tendo-me custado 10€.

Jogo com caixa, manual e papelada

Bom, aqui dispomos de vários modos de jogo, desde o single race e time trial que como habitual representam partidas “amigáveis” e outras de contra relógio onde o objectivo é o de fazer o melhor tempo possível. O principal modo de jogo está porém nos Challenges que estão agrupados em diferentes categorias, com seis circuitos cada. As corridas do tipo “Racing” são auto explanatórias e o objectivo é de chegar pelo menos em terceiro lugar em cada corrida. Já as Time Trial têm como objectivo finalizar cada corrida dentro de um tempo mínimo, independentemente da classificação. As weapon têm como objectivos destruir um certo número de oponentes durante cada corrida. À medida que vamos completando estes desafios, pelo menos com medalhas de bronze, iremos desbloquear uma pista e veículo secretos ou um upgrade para as armas. Uma vez finalizando as três categorias de desafios pelo menos com medalhas de bronze em todas as corridas, desbloqueamos a categoria Combo, que nos obriga a cumprir o desafio de terminar cada corrida pelo menos em terceiro lugar e de eliminar um certo número de oponentes, pelo que é um desafio bem mais exigente. Ao ganhar medalhas de ouro em todas estas categorias desbloquearíamos ainda os Gold Challenges, mas isso já é mesmo para os sádicos.

Outro dos modos de jogo aqui presentes é o multiplayer que nos permitia participar em corridas split screen com até 4 pessoas em simultâneo.

De resto contem com as mecânicas de jogo habituais de um Wipeout: corridas futuristas e bem rápidas, com circuitos repletos de curvas bastante exigentes, onde teremos de aproveitar ao máximo o uso do analógico (que é de facto uma mais valia comparando com os títulos anteriores) bem como o dos travões laterais. Contem também com uma série de diferentes armas que devem ser usadas de forma inteligente para atrasar (ou mesmo eliminar) a nossa concorrência. Tanto estas como os boosts estão representados como ícones visíveis na superfície das pistas, pelo que basta sobrevoar por cima deles para usar os boosts e apanhar as armas. Temos também de ter em conta o nosso escudo, que pode ser regenerado perto da meta, numa bifurcação que poderemos entrar.

Visualmente não é um mau jogo de todo, embora seja notório muito pop-in

A nível audiovisual, este é um jogo bem competente nesse aspecto. As pistas pareceram-me familiares e de facto são aproveitadas dos jogos anteriores na Playstation e Sega Saturn (Wipeout e Wipeout 2097). Estas até que possuem um bom nível de detalhe, comparando com as do F-Zero X e as de vários outros jogos de corrida da plataforma, sem grandes efeitos de nevoeiro, porém o pop-in de polígonos está bem presente. Comparações com F-Zero X seriam inevitáveis mas são jogos diferentes. Os circuitos de F-Zero X possuem menos detalhe é verdade, mas a acção ali é bem mais fluída e o número de veículos presentes no ecrã em simultâneo é estonteante. Aqui cada corrida tem 15 concorrentes, sendo que apenas um máximo de 3 costumam surgir em simultâneo no ecrã. Por outro lado o som é excelente, consistindo uma vez mais em várias músicas techno, algumas de artistas licenciados. Tendo em conta que isto corre num cartucho de 16MB, não deixa de ser impressionante a qualidade das músicas aqui presentes. É dos poucos jogos da Nintendo 64 que tem ecrãs de loading, necessários precisamente para descomprimir as suas músicas.

Em cada corrida temos de procurar alcançar pelo menos o objectivo mínimo de bronze. E mesmo esse vai exigir muita práctica.

Portanto este Wipeout 64, apesar de parecer uma espécie de remix dos títulos anteriores, acaba por ser uma entrada muito benvinda na série. A Nintendo 64 até que não estava mal servida de todo de racers futuristas, mas um Wipeout é um Wipeout e este acaba por ser um carimbo importante da Psygnosis na Nintendo 64, pois a sua liberdade nunca mais foi a mesma nos anos seguintes.

Quackshot / Castle of Illusion (Sega Mega Drive)

Vamos a mais uma super rapidinha, desta vez para a Mega Drive e vamos ficar com uma compilação de luxo, com dois dos mais icónicos jogos da Disney para a Mega Drive. É uma compilação que inclui nada mais nada menos que Quackshot e Castle of Illusion, os primeiros jogos do Donald e Mickey (respectivamente) que chegaram até à máquina de 16 bit da Sega. Curiosamente ou não, ambos foram desenvolvidos pela empresa nipónica. O meu exemplar foi comprado no passado mês de Outubro, tendo vindo de um bundle com vários outros jogos que me ficou a menos de 10€ por cada.

Jogo com caixa e manual

Ora ambos são jogos de plataformas clássicos da Mega Drive que recomendo vivamente que os joguem, caso sejam fãs de jogos de plataforma clássicos em 2D. No entanto, visto ser uma compilação que não traz nada de novo, recomendo que leiam os meus artigos de ambos os jogos em standalone. Basta seguir os links publicados no parágrafo acima.

Summer Games (Sega Master System)

Vamos a mais uma rapidinha, agora para a Master System a mais um daqueles jogos da Epyx que são uma compilação de diferentes eventos desportivos, todos eles com jogabilidade que requer combinações de botões em momentos precisos, o que irá exigir muita práctica. Desta vez a temática é a dos jogos olímpicos de verão. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu no passado mês de Outubro por 5€.

Jogo com caixa e manual

O jogo foi lançado originalmente em 1984 para o Commodore 64, com esta conversão para a Master System a ser lançada bem mais tarde, em 1990. E enquanto o original possuía 8 eventos diferentes a competir, esta conversão tem apenas 5, pelo que ficaram pelo caminho duas vertentes de corrida de estafeta e o tiro. Tal como os restantes jogos da Epyx deste género, temos a possibilidade de competir num evento, competir em todos os eventos, treinar um evento à escolha e ver os recordes existentes. A competição propriamente dita pode ser jogada com um máximo de 8 jogadores que representam diferentes nacionalidades sendo que todos jogam à vez e no final ganha quem atingir mais medalhas.

O sprint dos 100m é o que tem a jogabilidade mais simples mas ainda assim uns botões turbo davam jeito

Cada evento possui controlos muito próprios e com timings exigentes, pelo que uma leitura atenta do manual é bem recomendada e claro, muita práctica. No salto à vara começamos por correr automaticamente e teremos pressionar para baixo para pousar a vara e começar a saltar. Muitas vezes iremos fazê-lo tarde demais e o salto será desqualificado. Mas mesmo que consigamos plantar a vara no tempo certo, depois temos de manter pressionados o botão 1 e os direccionais cima e direita e esperar que tudo corra bem. O sprint dos 100m é bem mais simples, mas é cansativo pois depois da partida apenas teremos de pressionar os botões 1 e 2 de forma alternada, o mais rapidamente possível. O evento de ginástica obriga-nos a saltar para um cavalete e fazer algumas acrobacias, o que se traduz em usar o botão 1 para saltar (uma vez mais com timings certos) e o direccional para as acrobacias, sendo que teremos de ter a preocupação de aterrar em pé, caso contrário a pontuação que nos será atribuída será desastrosa. Os últimos dois eventos são aquáticos, começando pelo mergulho de 10m. Aqui teremos uma série de 4 saltos para executar, onde saltamos com o botão 1 e usamos o direccional para fazer algumas acrobacias. Uma vez mais temos de ter a preocupação de entrar na água de cabeça, pelo que é mais uma vez uma questão de práctica. O último evento é o sprint de 100m a nadar em estilo livre, onde teremos de manter pressionado o botão direccional na direcção a nadar e pressionar o botão 1 repetidamente até à exaustão.

Não convém fazer uma chapa na água, os juízes são muito exigentes

Graficamente até que é um jogo colorido e bem detalhado, principalmente se comparado ao original da Commodore 64. As músicas não são nada desagradáveis, e este é outro dos casos de um jogo ocidental ter suporte a músicas FM, mesmo com o mesmo não tendo um lançamento japonês. Isso aconteceu pois esta conversão para a Master System não foi produzida pela Epyx mas sim subcontratada a um pequeno estúdio pela Sega of Japan. Aparentemente o som foi todo programado pela Sega Japan, talvez por essa razão lá tenham introduzido músicas em FM.

Portanto, este Summer Games é mais um daqueles jogos que sinceramente não envelheceu lá muito bem. Os seus diferentes eventos possuem controlos que nem sempre são intuitivos, resultando em experiências bastante frustrantes, principalmente para quem não tiver o manual que os explique. Nunca fui o maior fã deste estilo de jogos e sinceramente nem sei como esta série da Epyx teve assim tanto sucesso nos anos 80.

Jimmy White’s Whirlwind Snooker (Sega Mega Drive)

Voltando às rapidinhas, mas agora na Mega Drive, vamos ficar com mais um jogo desportivo, este de snooker. Publicado pela Virgin, este foi um jogo de simulação lançado originalmente para uma série de computadores, entre os quais o PC e Commodore Amiga em 1991. Três anos depois, sai esta conversão para a Mega Drive. É um jogo com o endorsement do Jimmy White que, para além de figurar em 2 jogos de bilhar, desconheço completamente. O meu exemplar foi comprado numa loja física, algures em Setembro e custou-me menos de 5€.

Jogo com caixa

Este é então um simulador de snooker, que nos permite jogar partidas em modo treino ou simulação completa, tanto contra o CPU como contra algum amigo. A diferença entre o modo treino e simulação é que no primeiro poderemos anular a jogada anterior e o CPU também nos pode dar uma ajuda a indicar qual a melhor jogada a fazer. De resto temos também o modo Trick Shot, que nos permite construir cenários específicos para treinar, ou seja, poderemos espalhar as bolas de snooker pela mesa da maneira que melhor entendermos e practicar mais um pouco. De resto, começando uma partida temos acesso a um interface por ícones numa barra na parte superior do ecrã. Aqui poderemos escolher diversas opções como posicionar a câmara directamente atrás da bola branca, bem como fazer um tilt da mesma para o lado, definir a força a aplicar em cada tacada, em que zona da bola queremos atingir, activar linhas de direcção da tacada, entre outros. Uma vez definidos todos os parâmetros desejados, temos também um ícone para efectuar a tacada propriamente dita. Este é um jogo que suporta o rato da Mega Drive, pois usamos um cursor para activar todas estas opções, mas o comando também se adequa bem pois este é um jogo metódico e temos o tempo que quisermos para planear cada jogada.

Graficamente até que é um título impressionante pela sua mesa renderizada em 3D

Do ponto de vista audiovisual sinceramente até me impressionou pela sua fluidez de jogo. A mesa de bilhar é um objecto poligonal em 3D, naturalmente com pouco detalhe, mas ainda assim é um detalhe interessante. As bolas são sprites 2D, mas deslocam-se com fluidez pela mesa. Nada de especial a apontar aos efeitos sonoros, vamos tendo algumas reacções do público ocasionais, como aplausos ou assobios e as músicas apenas existem durante o ecrã título e menus, mas sinceramente não as achei nada de especial.

Portanto este Jimmy White’s Whirlwind’s Snooker até que é um jogo interessante na sua execução e dá bem para entreter. Pena que apenas tenha a modalidade de snooker e não outras modalidades como o “bilhar de café” que todos conhecemos.