Wonder Boy in Monster World (Sega Mega Drive)

Vamos ficar agora com uma rapidinha na Mega Drive, não porque este Wonder Boy não mereça um artigo mais extenso, mas sim porque já por cá abordei a sua versão Master System, onde acabei também por tocar nas suas diferenças perante a versão 16-bit. O meu exemplar foi comprado a um amigo no passado mês de Maio.

Jogo com caixa

Portanto este Wonder Boy é mais um título na saga Monster World / Monster Land, tratando-se de um jogo de plataformas 2D, mas com elementos de metroidvania e RPG. Infelizmente não reaproveitaram uma das melhores características do Dragon’s Trap que era a possibilidade do herói se transformar nalguns animais que lhe conferiam diferentes habilidades. No seu lugar vamos sendo acompanhados por algumas pequenas personagens, mas só enquanto exploramos algumas dungeons específicas, como uma fada que nos pode regenerar a vida, um anão capaz de encontrar ouro escondido ou outras criaturas que nos ajudam a atacar os inimigos. Mas eventualmente poderemo-nos transformar também numa forma de anão, que nos permitirá aceder a passagens estreitas e explorar novos segredos. E sim, tal como os outros Monster World, o mundo está repleto de tesouros escondidos, bem como teremos acesso a uma série de armas, armaduras e restante equipamento, bem como outros itens mágicos para comprar em diversas lojas. Pelo que por vezes teremos de grindar um pouco e ir derrotando vários inimigos para coleccionar dinheiro e poder ir equipando melhor a nossa personagem. As magias estão também melhor implementadas neste jogo, pois iremos adquirindo diversos feitiços distintos e poderemos mapear dois feitiços para acesso rápido, ao pressionar o botão A e em seguida o d-pad para a esquerda ou direita.

O tridente de Poseidon é o item que nos permite explorar debaixo de água

No que diz respeito aos audiovisuais, naturalmente que a versão Mega Drive está bem mais colorida, com gráficos mais detalhados, e melhores músicas do que a conversão da Master System. No entanto, não está muito longe dos Wonder Boy clássicos para a Master System, mantendo o mesmo estilo gráfico das suas sprites e cenários no geral. Mas é sem dúvida um jogo mais completo (até porque possui mais áreas para explorar!) e com uma melhor jogabilidade no geral. As músicas naturalmente que também são mais agradáveis que na versão Master System, embora seria curioso ver como as bandas sonoras se comparariam, caso a WestOne tivesse composto também uma banda sonora para o FM Unit.

Desta vez temos bem mais lojas para explorar e NPCs para interagir

Portanto, este Wonder Boy é mais um excelente jogo de acção/plataformas e os fãs da série certamente que o irão apreciar, embora considere que esteja uns furos abaixo que o fantástico Wonderboy III: The Dragon’s Trap da Master System. Mas possui também uma série de melhorias, nomeadamente no sistema de magias e o facto de termos mais cidades para explorar e NPCs para interagir. Por fim, nunca é demais agradecer o facto da WestOne se ter dado ao trabalho de converter este jogo para a Master System, numa altura em que a consola já há muito tinha deixado de ser o foco da Sega. Essa versão 8bit, apesar de não ser tão boa quanto a da Mega Drive, é também uma entrada sólida no catálogo Monster World. Pena que o Monster World IV nunca tenha chegado cá no seu tempo.

Assault City (Sega Master System)

Continuando pelas rapidinhas e em consolas da Sega, vamos agora ficar com um light gun shooter lançado para a Master System no início da década de 90. Assault City acabou inclusivamente por ser lançado em 2 versões distintas, uma que suporta apenas a light phaser, e outra, mais comum, que suporta apenas o comando normal ou o joystick. Porque não fizeram antes uma versão que suportasse ambos os periféricos sinceramente não consigo compreender. A minha versão suporta apenas os comandos normais, veio da Cash Converters algures no passado mês de Abril por 12€.

Jogo com caixa e manuais

Assault City decorre algures no futuro, onde as máquinas se revoltaram contra os humanos e começaram a atacá-los. Nós encarnamos num soldado que descobre uma pessoa gravemente ferida e que, antes de falecer, lhe entrega uma arma toda high-tech e lhe pede para viajar até ao centro de controlo, onde poderemos destruir o computador que gere todos os outros robôs e assim terminar este banho de sangue.

Graficamente nem é um mau jogo, pena que os inimigos possuam poucas animações

Como muitos outros light gun shooters da era 8bit, não esperem por um jogo tão dinâmico quanto isso. Começamos por um nível de treino que é uma galeria de tiro, onde vão surgindo no ecrã vários alvos humanos ou robôs e naturalmente devemo-nos focar apenas em atingir os robôs. Mediante a nossa performance nesse nível de treino, o nível de dificuldade do jogo em si rambém se irá adaptar às nossas habilidades. Depois lá começamos a aventura a sério, com o ecrã a ir fazendo scrolling automático da esquerda para a direita e o objectivo vai ser o de destruir todos os robôs que nos vão aparecendo no ecrã, sendo que num dos níveis teremos também alguns humanos que devemos evitar atingir.

Engrish fresquinho

No que diz respeito às mecânicas de jogo, este não difere muito de outros shooters similares da sua época, como o Operation Wolf, por exemplo. A primeira parte de cada nível é toda em scrolling automático da esquerda para a direita como já referi, e para além de todos os inimigos que vamos enfrentando, também temos de estar atentos a alguns power ups que podem surgir, sendo que para os coleccionar também teremos de lhes disparar. Estes podem ser medkits que nos regeneram parcialmente a barra de vida, enquanto outros são upgrades para a nossa arma, tornando os nossos disparos mais amplos ou mesmo activando o rapid fire, mas aqui temos de ter em atenção para que a arma também não sobreaqueça. No final de cada nível espera-nos também um boss, que vai possuindo padrões de ataque diferentes, bem como zonas que se tornam vulneráveis apenas temporariamente, pelo que temos de ter sempre alguma paciência quando os enfrentamos.

Temos de estar especialmente atentos aos bosses pois levantam as suas defesas por pouco tempo

A nível audiovisual é um jogo até algo interessante, tendo em conta as limitações da consola. Os níveis são coloridos e variados entre si, assim como os inimigos. Entre cada nível vamos tendo cutscenes muito simples (e cheias de engrish) que nos vão contando a história. O meu único senão é que, pelo menos nos primeiros níveis, os inimigos não possuem nenhuma animação quando são derrotados, mas sim temos algumas sprites de explosões a surgirem à sua volta. No entanto, com o sprite flicker, nem sempre me apercebo se realmente acertei nalgum inimigo ou não. Num dos últimos níveis, os inimigos  que lá surgem já possuem animações quando são atingidos, o que é estranho a Sega só se ter preocupado com isso nessa altura… De resto as músicas não são nada de especial.

Portanto este Assault City é um shooter simples, que provavelmente seria bem mais agradável de jogar com uma light phaser em vez de um comando tradicional. Ainda assim é um jogo que dá para entreter e não é dos mais penalizadores quando morremos, pelo que eventualmente lá conseguimos chegar ao final.

NBA Action (Sega Saturn)

Voltando às rapidinhas a jogos desportivos, deixo-vos cá agora uma breve abordagem ao NBA Action da Sega Saturn. Esta série já tinha começado uns anos antes na Mega Drive (embora nem todos tenham chegado cá à Europa) e apesar de possuirem a marca Sega Sports na sua caixa, na verdade a Sega tem vindo a terceirizar o desenvolvimento dos jogos desta série. Este primeiro título para a Saturn foi desenvolvido pela Gray Matter Software, o mesmo estúdio que desenvolveu também o primeiro NHL All-Star Hockey para a Saturn. O meu exemplar veio de uma feira de velharias no passado mês de Março e foi baratíssimo.

Jogo com caixa e manual

NBA Action é um jogo de basquetebol, devidamente licenciado pelas equipas da NBA na temporada 95-96, e que possui diversos modos de jogo, a começar pelo típico Exhibition, onde poderemos jogar uma partida amigável. Mas, sendo este um simulador, o grande foco do jogo está no seu modo temporada, onde teremos de jogar uma temporada inteira, tendo em conta eventuais lesões e poderemos também contratar/vender jogadores, bem como criar jogadores novos de raiz para a temporada em questão. O outro modo de jogo é o custom playoff, para quem não quiser jogar uma temporada completa. De resto teremos outras opções para customizar ainda mais as equipas existentes no jogo, algo que eu não cheguei a explorar, bem como observar todos os dados estatísicos oficiais da temporada anterior de 1994-1995.

Como simulador, este NBA Action até que possui um modo temporada bastante completo

A nível de mecânicas de jogo, quando estamos em modo ofensivo, o botão B passa a bola, o C tenta encestar, enquanto os restantes botões servem para outras acções que sinceramente não conheço tão bem o desporto para as explicar. Já no modo defensivo, o botão A tenta roubar a bola, o B leva-nos a alternar de jogador, enquanto o botão C serve para o jogador saltar e tentar interceptar um lançamento adversário. De resto, para além das inúmeras opções que poderemos customizar (desde as habituais de duração de cada partida, dificuldade, quais regras a activar), com o botão R e o X, Y ou Z poderemos alternar entre diversas estratégias ofensivas ou defensivas que tenhamos eventualmente mapeado.

No que diz respeito aos audiovisuais, sinceramente até gostei do que vi. Os jogadores parecem-me bem representados, para um jogo de 1996, e possuem caras diferentes, embora não faço ideia se são minimamente fidedignas em relação à realidade. Também estão bem animados e a acção flui de forma algo fluída! Por outro lado, no som, não acho que seja um jogo assim tão bom. Temos ruídos do público, que se tornam bastante repetitivos, com poucos cânticos e reacções e apesar de termos um comentador desportivo que nos acompanha nas partidas, também não possui falas assim tão emotivas quanto isso.

Infelizmente a perspectiva usada acaba por atrapalhar muitas vezes

Portanto, na teoria, e para um jogo de 1996, este NBA Action até me parece um título bastante completo. Mas na práctica as coisas não são assim tão fáceis. A câmara utilizada por defeito coloca-nos numa perspectiva com a câmara apontada para um dos cestos, pelo que a vista da acção acaba por se tornar bastante confusa, especialmente perto do cesto mais longínquo e o CPU não dá tréguas, pelo que acabamos sempre por levar “banhos de bola”. No ano seguinte a Sega lançou o NBA Action 98, desta vez tendo sido produzido pela Visual Concepts, estúdio que chegou a ser comprado pela Sega, tendo sido o responsável pela série NBA 2K que teve o seu primeiro lançamento na Dreamcast. Estou portanto bastante curioso com essa sequela, assim que a arranjar a um preço tão simpático como este.

Xblaze Code: Embryo (Sony Playstation 3)

Voltando às rapidinhas, desta vez para uma Visual Novel na PS3, o jogo que cá trago hoje é este Xblaze Code: Embryo, que comprei completamente às cegas numa das minhas idas à CeX. Já não me recordo ao certo quando o comprei, mas foi na CeX do Dragão. Comprei às cegas porque me pareceu uma visual novel, custava apenas 4€, e achei que pudesse ser alguma hidden gem. E esta foi uma das compras às cegas que deu certo, pois acabei por até gostar bastante do jogo.

Jogo com caixa.

Já depois de o ter comprado, fui pesquisar sobre o mesmo e reparei que o jogo é uma prequela no universo da série BlazBlue, uma série de jogos de luta em 2D da Arc System Works, que também nos trouxe Guilty Gear. Nunca joguei nenhum BlazBlue até aos dias de hoje, mas sendo uma prequela, sinto que não perdi muito. Basicamente o jogo coloca-nos no papel de mais um jovem japonês, um dos poucos sobreviventes de uma catástrofe que fez com que milhares de pessoas desapareceram sem deixar rastro. Touya Kagari, o tal protagonista, era apenas uma criança quando isso aconteceu, ficou órfão, e acabou por ser acolhido por duas irmãs que conheceu no orfanato, assim que a mais velha conseguisse ser a sua guardiã legal. Entretanto coisas acontecem e Touya repara que possui uma habilidade especial: consegue detectar ataques dos Unions, seres mutantes com super poderes, que surgiram após o tal incidente, pelo que Touya acaba por se ver envolvido com diversos outros protagonistas que combatem os Unions. Pelo meio, claro, vamos descobrindo uma trama maior que nos caberá resolver.

O que mais apreciei nesta VN é que a acção não é tão fluída como um anime, mas está longe das imagens estáticas de outros jogos do género

Tal como muitas outras visual novels, esta possui imensas ramificações na sua história que nos poderão levar a finais distintos. Mas não temos o poder explícito de decisão nas escolhas que nos irão levar a diferentes ramificações, pois essas dependem dos artigos que vamos lendo nos TOi. TOi é uma app de telemóvel, agregadora de notícias e outros conteúdos que serão supostamente interessantes para o utilizador e, à medida que vamos avançando na história, iremos receber imensas mensagens diferentes, que poderemos optar por ler, ou não. Quando lemos um artigo, podemos também ver quais dos nossos amigos também o leram, pelo que a ideia será pelo menos ir lendo os artigos que apenas algumas personagens específicas tenham também lido, para irmos caminhando em direcção ao final dedicado a essa personagem. Naturalmente também poderemos fazer algumas escolhas erradas que nos irão desencadear um final mau.

A maneira como progredimos na história é ditada pelas mensagens que escolhemos ler no telemovel

No que diz respeito aos audiovisuais, confesso que ia com expectativas algo baixas depois de ter jogado o Steins;Gate também para a PS3. Não que o SG tivesse uma má história, muito pelo contrário, mas sempre achei que, para uma VN na PS3, a parte visual, nomeadamante nas animações e afins, pudesse estar bem melhor. E realmente a Arc System Works é muito boa nas suas animações 2D pois este Xblaze, mesmo possuindo imagens algo estáticas como é habitual numa VN, estas até que estão cheias de detalhe e bem mais animadas do que eu esperaria. O voice acting é inteiramente em japonês e soou-me bem competente, já as músicas são bastante variadas consoante o contexto, possuindo temas mais calmos, melancólicos ou tensos, mas também algum rock e electro à mistura.

As funcionalidades típicas estão cá todas presentes, como avançar texto já lido noutras playthroughs ou consultar o que foi dito antes

Portanto, devo dizer que fiquei agradavelmente surpreendido por este Xblaze. É uma VN que se lê bem, não é nada enfadonha, e possui imensas ramificações que nos irão manter entretidos durante um bom tempo. É que mesmo depois de alcançar todos os finais possíveis da história principal, desbloqueamos uma história bónus, muito bem humorada, onde o nosso objectivo é o de procurar uma série de ingredientes lendários para fazer o melhor caril de todos os tempos. Conteúdo não falta e os visuais também estão muito bons! Sinceramente acho uma ideia muito interessante o que foi aqui introduzido: explorar a backstory de jogos de luta desta forma! Até gostava de jogar uma VN deste género para o Guilty Gear, que também possui um lore muito rico.