Konami GB Collection Volume 2 (Nintendo Gameboy Color)

Konami desde cedo que apoiou a Nintendo Gameboy, lançando vários jogos originais e adaptações das suas séries mais conhecidas das consolas e arcades, como é o caso das séries Gradius, Contra ou Castlevania. Com o lançamento da Gameboy Color a Konami decidiu relançar vários desses jogos antigos ao longo de 4 compilações diferentes, com todos os jogos desta vez a cores. O Volume 2 desta colecção (que na verdade no Japão corresponde ao volume 4) contém jogos como Frogger, Parodius, Track and Field e um misterioso “Block Game” que é na verdade uma adaptação do Quarth. O meu exemplar foi comprado algures no Verão passado na feira da Ladra em Lisboa. Está completo e custou-me apenas 2€.

Jogo com caixa, manual e papelada

Portanto, passando muito resumidamente por cada um dos jogos desta compilação, o Frogger é um clássico de arcades que dispensa apresentações. Aqui teremos de levar uma série de sapos a atravessar uma estrada, onde teremos de evitar os veículos que a atravessam em ambos os sentidos e a diferentes velocidades, para depois termos também de atravessar a margem de um rio, saltitando entre troncos ou tartarugas que por vezes submergem. Aqui temos de evitar ser levados pela corrente ou saltar para a água ou para um crocodilo, que nesta versão têm a mesma cor que um tronco. À medida em que vamos ajudando os sapos, a dificuldade também aumenta. É um conceito muito simples, mas que resulta bem.

Frogger é um clássico que dispensa apresentações

O Track & Field infelizmente é uma versão encurtada do original. Aqui temos apenas 5 eventos onde participar, o sprint de 100 metros, 110 metros barreiras, salto em comprimento, triplo salto e lançamento do dardo. O original de Game Boy inclui 11 eventos no total, como o salto à vara, lançamento do disco e martelo, entre outros, para além de suportar multiplayer. Ao menos a versão aqui incluida está a cores, mas não se entende o porquê de terem cortado tanto conteúdo.

O Block Game foi lançado originalmente como Quarth e é um clone muito original do Tetris, misturando conceitos de shmup. Aqui temos blocos de várias formas a descerem no ecrã, onde no fundo do mesmo controlamos uma nave espacial que dispara pequenos blocos quadrados. A ideia é formar formas quadradas ou rectangulares com as estruturas que vão surgindo no topo do ecrã, para que as mesmas depois desapareçam. Quanto maior for a estrutura rectangular que criamos e consecutivamente destruímos, mais pontos herdamos, mas também o risco é maior, pois se o ecrã ficar “cheio” é game over. À medida que vamos avançando no jogo, a velocidade e dificuldade aumenta, mas vamos também amealhando alguns power ups que nos podem ajudar, como deixar a nave mais rápida, por exemplo. É um conceito muito original.

O melhor jogo da compilação é de longe o Parodius que ficou bem bonito nesta versão

Por fim, deixei o melhor jogo, a adaptação do Parodius, que por sua vez é uma paródia à série Gradius, herdando muitas das suas mecânicas de jogo (e do TwinBee também). Aqui podemos jogar com várias “naves” diferentes, incluindo um polvo voador, pelo que logo desde cedo dá para entender que este é um jogo que não se leva muito a sério. E o design dos níveis assim o comprova, onde iremos defrontar bosses bizarros como animais gigantes, estátuas da ilha da Páscoa ou até uma bailarina em trajes de Cabaret. O jogo herda o mesmo sistema de power ups de Gradius, e do TwinBee, na medida em que podemos disparar várias vezes para sinos que depois, se os apanharmos nos podem dar pontos extra, vidas extra ou outros powerups adicionais, como invencibilidade temporária.

Portanto esta compilação para a Gameboy Color até que se mostrou muito competente e interessante, embora seja pena que a maioria dos jogos tenham sido capados, seja ao retirar a parte do multiplayer, seja mesmo a cortar grande parte de conteúdos do jogo, como aconteceu com o Track & Field. No entanto ainda assim não deixa de ser uma óptima compilação, quanto mais não seja pela versão a cores do Parodius.

 

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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