Phantasy Star Universe (Sony Playstation 2)

Phantasy Star Universe

A série Phantasy Star sempre foi uma das minhas preferidas e em especial o Phantasy Star IV para a Mega Drive, que juntamente do Chrono Trigger e Pokémon Yellow foi dos jogos que despertou o meu interesse em JRPGs há uma data de anos atrás. Entretanto a série clássica fechou mesmo com esse PS IV da Mega Drive, sendo que com o lançamento da Dreamcast, Phantasy Star se tornou num RPG mais de acção com uma componente online muito forte. Este Phantasy Star Universe foi lançado algures em 2005/2006, após o lançamento de várias iterações do Phantasy Star Online, tentando aproximar os elementos de RPG clássico dos velhos tempos com o “modernismo” trazido por PSO. A minha cópia foi o primeiro jogo que comprei para a PS2, algures em Janeiro de 2011, no ebay UK, não me tendo custado mais de 10€.

Phantasy Star Universe - PS2
Jogo completo (acho eu) com caixa e manual

Quando o jogo foi anunciado, a SEGA suscitou o interesse de muita gente, pois ao anunciarem o “U” de Universe ficou na dúvida se não seria antes um V, o que iria agradar a imensos fãs da velha guarda que há muito ansiavam por um RPG “a sério” desta série. Acabou por se tornar um misto dos 2 conceitos que não agradou completamente os fãs, mas já lá vamos. A história decorre no sistema solar de Gurhal, onde existem 3 planetas e uma colónia espacial. Cada planeta tem uma raça em específico em maior número, onde os humanos estão maioritariamente na colónia, o planeta de Parum onde a maioria dos CASTs (seres cibernéticos) habitam, Neudaiz, onde predomina a raça Newman – humanos geneticamente melhorados com grandes aptidões para o uso de magia e por fim o planeta Moatoob, que alberga uma nova raça – os Beasts – seres humanóides com traços animais, mais dotados para combate directo. O sistema solar esteve em guerra durante muitos anos, onde as 4 raças lutavam pela sua supremacia, até que as raças chegaram a um entendimento e passou-se a viver num clima pacífico durante vários anos. Até que a uma dada altura surge uma ameaça misteriosa, os SEED. SEED é uma espécie de arma biológica com origem desconhecida, que passou a atacar o sistema solar de Ruhgal, povoando-o de diversos monstros, mutando os animais já existentes e dizimando os recursos naturais dos planetas. O jogo coloca-nos no papel do jovem órfão Ethan Waber, que se vê apanhado no meio dos primeiros ataques da SEED, decidindo juntar-se aos Guardians, uma organização não governamental de caçadores de prémios, que tem o objectivo de auxiliar a população. A história vai-se desenrolando desta forma, com a mesma a adquirir alguns contornos políticos e religiosos, com a inclusão de uma Divine Maiden, que serve +/- o mesmo propósito do Papa da religião deles. Oficialmente não há ligação entre os universos de Phantasy Star, Online e Universe, mas através de algumas quests é possível verificar que a SEGA deixou alguns hints que de facto interligam as séries. Isso é um assunto muito interessante para mim, mas sai do âmbito deste artigo, pelo que para quem se interessar aconselho a lerem estes posts no blog Ultimecia’s Castle.

Screenshot
Peço desculpa por grande parte dos screenshots serem da versão japonesa do jogo, mas tem sido difícil encontrar screenshots da versão PS2 ocidental. De vez em quando o jogador pode usar outros veículos ou animais, este é um dos casos.

Inicialmente podemos experimentar dois modos de jogo: Story e Network. O Story é auto explanatório, onde vivemos a história que PSU tem para oferecer, já no segundo modo é algo semelhante ao Phantasy Star Online, onde temos a liberdade para criar uma personagem à nossa medida, e depois poderemos explorar o mundo à vontade, com uma party de até 4 jogadores. Sinceramente não cheguei a experimentar este modo, pois os servidores da PS2 estão desligados há muito tempo. Após algum tempo no modo história também desbloqueamos o extra mode, que a meu ver é algo semelhante ao network mode, mas offline. Criamos uma personagem e podemos fazer algumas quests que também existem no story mode. Agora se podemos usar essa personagem para o jogo online sinceramente não o sei, mas por uma questão de segurança a nível de hacks/cheats suponho que não seja possível. Sei que podemos importar a personagem do extra mode para o modo offline da expansão Ambition of the Illuminus, coisa que eu fiz e estou a jogar de momento. Uma diferença muito grande face ao PSO é que apenas podemos escolher a raça da nossa personagem, já a “classe” (Hunter para combate directo, Ranger para combate à distância e Force para uso de magias) é algo que podemos alternar sempre que quisermos. Outra diferença face ao PSO e que os fãs desgostaram é a exclusão do sistema de Mags, pequenos aparelhos que nos acompanhavam nos combates, que os poderíamos alimentar com diversos items, o que os faria ter características diferentes no auxílio à personagem. Aqui os Mags foram de certa forma substituídos pelas partner machines, uns robozinhos que estão no nosso quartinho que para além de servirem de storage de items, permitem também a criação de novos items, uma espécie de alquimia moderna, onde através do uso de boards e alguns items que podem ser encontrados no jogo ou comprados em lojas, permitem a criação de outros items ou equipamento. Essas partner machines também podem ser alimentadas à semelhança dos Mags, e chegando a um nível máximo podem vir a ser seleccionados na party, combatendo ao lado do jogador.

Screenshot
Alguns inimigos são bem chatos

De resto os combates são algo semelhantes ao PSO, na medida em que o jogo é um hack ‘n slash, e várias acções podem ser alocadas numa palete de acesso rápido no comando. Para quem esteve habituado ao PSO no comando da Gamecube durante muitos anos, a nova palete pode parecer algo confusa de início, mas acaba por ser mais útil pois podem-se alocar muitos mais items, equipamento e golpes especiais de uma vez só. A variedade de equipamento é, como em todos os RPGs online vastíssima, assim como alguns golpes/técnicas/magias especiais que podem ser alocados às armas seleccionadas. Para além de uma barra de energia, existe também uma barra de PP por cada arma, que é gasta sempre que se utiliza um desses golpes especiais. Esses golpes também vão sendo melhorados à medida em que os usamos, ou seja, têm um sistema de experiência próprio. O jogo está estruturado em capítulos, sendo os mesmos separados de uma maneira curiosa. A história do jogo é contada como se um anime se tratasse. No início de cada capítulo é apresentado um pequeno genérico que ilustra o mundo de PSU, seguido de uma música de abertura. Em contrapartida no final de cada capítulo é mostrado um outro genério e “cenas do próximo episódio”. O capítulo é dado como encerrado quando se completa a “Story mission” do mesmo. Antes de começar essas missões, o jogador tem liberdade de explorar as diferentes cidades, fazendo as compras que quiser, criar items, ou treinar cumprindo “Free Missions”, que podem ser repetidas indefenidamente. Infelizmente ambos os tipos de missões possuem secções chamadas “Trials”. A certo ponto da missão começa um temporizador a contar e o jogador tem de percorrer uma determinada área ou cumprir alguns objectivos. No final é atribuído um ranking, mediante o número de inimigos que derrotou e o tempo levado. Quanto melhor o ranking, melhor a recompensa, que pode passar por receber items/equipamento raros e dinheiro. Ora isto é muito bonito, mas o PSU sofre o mesmo mal do PSO, mesmo jogando online, é impossível pausar. E depois há uns trials específicos que de vez em quando surgem, em que o objectivo é purificar uma área das SEED, obrigando o jogador a vasculhar a área utilizando um visor em 1ª pessoa, após encontrar uns objectos invisíveis tem de mudar o inventário para uma ferramenta que inutilize essas SEED. Isto, no meio dos combates e da pressão do timer, acaba por ser uma experiência frustrante.

Screenshot
Existem 3 tipos de cutscenes: animadas em CG, com a engine do jogo e voice acting, ou com a engine do jogo e os diálogos em forma de balões de BD.

O post já vai longo, pelo que farei uma referência breve ao aspecto técnico. Não sei como são as versões PC ou X360, mas a versão PS2 apresenta imensos slowdowns, em especial quando usamos uma party de 4 personagens e o ecrã enche-se de inimigos. O framerate chega quase ao nível de um slideshow. Em relação aos gráficos, a versão PS2 não é muito superior ao PSO da Dreamcast, apresentando personagens muito pixelizadas, e texturas pobres. Excepção feita para alguns cenários que achei bem conseguidos, nomeadamente algumas secções do planeta Neudaiz, e dungeons mais futuristas, como as RELICs ou a dungeon final. A nível de som, não é muito diferente do Phantasy Star Online, apresentando uma banda sonora futurista, com muita música electrónica. Quem gostou das músicas do PSO, não irá desgostar deste. Outra novidade é a inclusão de algum voice acting em certas cut-scenes. Infelizmente as personagens não são carismáticas o suficiente, ou eu se calhar fiquei mal habituado depois de jogar o excelente Dragon Quest VIII umas semanas atrás.

Finalizando, acho que é de louvar o facto de a SEGA ter dado ouvidos aos fãs mais antigos que pediam um Phantasy Star com uma história mais concreta. Infelizmente, apesar de terem melhorado alguns aspectos da jogabilidade, nomeadamente a paleta de acções rápidas, deram uns passos atrás em muitas outras coisas. É um jogo que só recomendo a quem for realmente um fã acérrimo da série e gostar da ambiência que a mesma transmite. E recomendar por recomendar, acho que fariam melhor em comprar a versão PC, pois para além de parecer melhor tecnicamente, existem alguns servidores privados que podem ser usados para jogar o jogo online, tirando o máximo partido do mesmo. Se no entanto preferirem gráficos, a versão X360 parece-me ser a melhor escolha, pois a versão PC foi feita com a PS2 em mente. Ainda teria mais para dizer, mas fica para a expansão Ambition of the Illuminus.

Metroid Prime 2 Echoes (Nintendo Gamecube)

Metroid Prime 2 Echoes

O Metroid Prime original é dos jogos mais emblemáticos da consola cúbica da Nintendo. Pelo menos para mim foi um dos grandes motivos de ter mergulhado de cabeça na plataforma da Nintendo da geração passada. O Metroid Prime, a meu ver, foi um jogo que teve uma transição practicamente perfeita de uma jogabilidade 2D sidescroller para uma experiência em 3D, ainda por cima numa perspectiva de primeira pessoa, mantendo a vertente de exploração, o sentimento claustrofóbico e apresentando cenários variados e muito bem desenvolvidos. Uma sequela era inevitável e o Metroid Prime 2 teria uns sapatos bem grandes para calçar, face às inovações do anterior. O produto final é igualmente um jogo com muita qualidade, porém com uma ou outra inovação que arrancou reacções diferentes por parte dos fãs. A minha cópia foi adquirida algures em 2000 e troca o passo no miau.pt. Não me recordo quanto me custou, mas suponho que não terá sido acima dos 20€.

Metroid Prime 2 Echoes - Nintendo Gamecube
Jogo completo com caixa, manual e demais papelada

A história decorre logo após os eventos do primeiro jogo, em que a substância misteriosa Phazon continua a ter um papel crucial. Samus Aran recebe uma missão no planeta Aether, onde uma unidade de Marines lá tinha aterrado anteriormente por estarem em perseguição de um grupo de Space Pirates que se deslocou para lá. Quando os encontra, os Marines já estavam mortos, contudo voltam à vida possuídos por uma substância misteriosa e atacam Samus. Depois lá se vem a saber que o planeta Aether, originalmente habitado pela raça pacífica Luminoth sofreu um terrível acidente uns bons anos antes, em que um meteoro carregado de Phazon colidiu com o planeta, contaminando o mesmo com a substância misteriosa e abrindo uma espécie de rift inter-dimensional, para uma dimensão sombria do mesmo planeta e habitada por uma raça agressiva chamada Ing. Ora os Ing trataram de invadir o mundo dos Luminoth, e isso conjugado com a presença dos Space Pirates, Phazon (e Dark Samus), Metroids e companhia, está a receita completa para mais uma aventura.

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Menu inicial simples, mas estiloso

A jogabilidade segue os padrões estabelecidos no primeiro jogo. Embora os jogadores que estejam habituados a outros FPS em consolas possam estranhar o facto de se disparar não com um dos triggers, mas sim com um botão frontal, a verdade é que o esquema de controlo acaba por ser bastante intuitivo e bem agradável de se jogar. Muita gente se queixa que o comando da Gamecube com a sua distribuição de botões pouco ortodoxa não seja adequada, já eu pertenço à facção que acha o mesmo comando excelente, bastante ergonómico e com os botões bem posicionados, dando maior destaque às acções principais. Ora o joystick analógico esquerdo serve para movimentar Samus pelos cenários, embora não seja possível olhar em todas as direcções em movimento, sendo necessário para isso clicar no botão R quando Samus se encontra parada. Esse seria o ponto negativo nos controlos, mas a Retro Studios compensou ao incluir um mecanismo de lock-on, à semelhança do jogo anterior. É verdade que existendo esse lock-on torna o jogo bem mais fácil, mas prefiro isso a controlos menos dinâmicos ou precisos. Ainda assim, muitos inimigos têm padrões de comportamento diferentes, exigindo alguma técnica para os derrotar, o lock-on não basta. O analógico direito (C-Button) serve para escolher em tempo-real qual das armas poderemos usar. Começamos inicialmente apenas com o beam standard, mas com o decorrer do jogo iremos desbloquear mais 3. Os beams são importantes quer para abrir certas portas, quer para derrotar inimigos com fraquezas diferentes. Os visores são outra parte fulcral dos Metroid Prime, sendo seleccionados através do D-Pad. O visor normal é o visor de combate, onde podemos fazer lock-on aos inimigos. Metroid Prime 2, apesar de Samus ir interagindo com uma ou outra personagem de vez em quando, a sua complexa história é contada através de logs, que podem ser lidos pelo scan visor, pesquisando dessa forma o cenário ou os inimigos, coleccionando assim muita informação que pode ser acedida posteriormente nos menus. Os restantes 2 visores permitem a visualização de inimigos ou objectos que de outra forma não poderiam ser detectados. Items também existem em abundância, incluindo o regresso dos mísseis, salto duplo, a capacidade de Samus se enrolar sobre si mesma numa bola, podendo largar bombas e executar saltos precisos – jump bombing. Ao longo do jogo vamos obtendo vários outros items que expandem as capacidades de Samus, quer novas armaduras, expansões de munição ou energia, novas morph balls com habilidades diferentes (por exemplo a Spider Ball que permite que Samus role sobre paredes/tectos/superfícies específicas). O Metroid Prime 2 marca também o regresso do Screw Attack, a capacidade de Samus se enrolar sobre si mesma após um duplo salto, criando um poderoso ataque dessa forma. Também através dessa habilidade é possível executar saltos precisos escalando paredes, algo que será mesmo necessário nas partes finais do jogo.

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Já disse que os gráficos são muito bons?

Dessa forma Metroid Prime 2 Echoes herda grande parte das mecânicas do jogo anterior, oferecendo um inventário vasto que implica diferentes jogabilidades. Tal como todos os outros Metroid, também neste existe uma forte componente de exploração e backtracking. Muitas vezes vemos em salas portas ou secções que são de momento inacessíveis, obrigando-nos a retornar lá mais tarde quando adquirimos alguma nova habilidade. Mas o que realmente diferenciou este jogo do anterior foi a inclusão das 2 dimensões, algo como foi feito em The Legend of Zelda A Link to the Past para a SNES, com a inclusão de um Dark World. O mundo de Metroid Prime 2 é vasto, e existem 2 versões do mesmo mundo que temos de explorar, embora com pequenas diferenças. O Dark World é um mundo inóspito, repleto de criaturas hostis e tóxico para Samus Aran. Em grande parte do jogo temos de ter cuidado em não estar exposto à “escuridão” durante muito tempo, ou a energia disponível começa a baixar. Existem várias bolsas de luz espalhadas por Dark Aether, onde é seguro permanecer. Muitos fãs não gostaram desta mecânica de jogo, já eu gostei bastante, pois é a parte do jogo em que apresenta combates e puzzles mais desafiantes. Para além da exploração, a resolução de puzzles também é algo comum nos Metroid Prime e aqui não é excepção. Infelizmente o Metroid Prime original apresentava melhores incentivos ao coleccionar todos os logs e items escondidos pelo jogo, onde se incluia uma versão do Metroid original da NES para ser jogado. Aqui desbloqueamos uma série de artworks, bandas sonoras e alguns níveis para o multiplayer.

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As zonas com uma bolha clara são seguras, protegendo o jogador do ambiente tóxico de Dark Aether

A inclusão de multiplayer é outra das grandes novidades neste jogo, mas infelizmente a Nintendo não aproveitou a inclusão online que já se fazia sentir em grande força na Xbox, ou mesmo com o pioneirismo da Dreamcast e primeiros passos que se fizeram sentir na PS2 pela altura. O multiplayer é então em split-screen até 4 jogadores, algo que não cheguei a experimentar, pois do meu grupo de amigos de então, mais ninguém tinha o cubo da Nintendo. Mas apresentando brevemente, este modo de jogo conta com apenas 2 vertentes, um deathmatch tradicional e um modo Bounty, onde o objectivo é coleccionar moedas que podem ser espalhadas ao atingir os oponentes. Existem uma série de power-ups espalhados pelos níveis que podem ser utilizados, conferindo aos jogadores as mesmas habilidades do jogo normal. Infelizmente não existem muitas opções de customização, bem como existem poucas arenas (4 mais 2 secretas, desbloqueadas no single player). É uma pena a Nintendo não ter aproveitado o online nesta sua consola, mesmo sendo um jogo simples neste aspecto, poderia ser uma mais valia para quem o tivesse comprado.

O aspecto audiovisual continua grandioso. É impressionante como em pouco tempo a Retro Studios conseguiu mais uma vez apresentar um mundo vasto, repleto de pequenos detalhes, com uma estrutura complexa, oferecendo ao jogador a sensação de estar a explorar um mundo desconhecido, repleto de localizações épicas e hostis. Os gráficos são muito bons, dos melhores que a Gamecube tem para oferecer. Mais uma vez os loadings são quase imperceptíveis, sendo mascarados pela animação de abertura de portas, ou viagens em elevadores. Os inimigos têm um design muito bom, sendo bastante detalhados. Os bosses existem e como sempre apresentam-se bastante imponentes. Grande parte da dificuldade deste jogo está mesmo em derrotar os bosses, que exigem reflexos rápidos e reconhecimento de padrões de comportamento, mesmo à moda antiga. A banda sonora continua excelente, assentando perfeitamente nas diferentes atmosferas que o jogo proporciona. O mesmo pode ser dito para os efeitos sonoros no geral, que continuam com muita qualidade.

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Um dos imponentes bosses

No fim de contas, para quem gosta dos jogos Metroid, repletos de exploração, backtracking e conteúdo escondido, gostou do jogo anterior onde as novas mecânicas 3D foram apresentadas, certamente irá gostar deste jogo. A inclusão do Light/Dark World pode ser vista como um ponto negativo por algumas pessoas, mas a excelente jogabilidade que, apesar de intuitiva é muitas vezes exigente para a resolução de alguns puzzles, aliados a um aspecto audiovisual de excelente qualidade, tornam no Metroid Prime 2 num dos melhores jogos que a Gamecube tem para oferecer, tal como a sua prequela. Na minha opinião o ponto menos bom é a inclusão do multiplayer que, apesar de benvinda, apresenta bastantes limitações. Se não tiverem Gamecube não tem problema, pois o jogo foi relançado para a Nintendo Wii, permitindo os controlos de movimento que o Wiimote trouxe. Esta saga Prime é concluída precisamente na Nintendo Wii, sendo até aos dias de hoje um dos grandes incentivos que tenho para comprar a consola da Nintendo. Um dia.

Dustforce (PC)

O artigo que trago cá hoje foi originalmente publicado na PUSHSTART #26. Eu ainda sou um novato em toda a cena indie, mas com o surgimento de vários indie bundles que nos permitem adquirir uma série destes jogos por uma bagatela, tem-me vindo a abrir os horizontes para todo este mercado. Este Dustforce é mais um desses jogos, tendo feito parte do recente Humble Indie Bundle 6.

Dustforce

Dustforce é mais um dos jogos revivalistas dos jogos de plataforma old-school dos anos 90. Tal como o Super Meat Boy, este é mais um daqueles jogos exigentes que precisam de reflexos bem rápidos e com uma dificuldade elevada, contudo mantém aquele vício sádico de jogar, jogar e voltar a jogar o mesmo nível de forma a obter o melhor resultado possível. Neste jogo somos colocados no papel de uma equipa de 4 ninjas equipados com vassouras, com a missão de tornar o mundo num local melhor, limpando todo o lixo espalhado nas ruas, florestas e vários outros locais. Ok, são apenas varredores, mas têm um nível acrobático que me faz lembrar em certas alturas a jogabilidade de jogos como Strider ou os primeiros Ninja Gaiden, sendo possível saltar em paredes, saltos múltiplos no ar, correr nos tectos e usar as suas vassouras como armas melee para defrontar alguns inimigos e/ou obstáculos. Cada um dos 4 varredores tem habilidades ligeiramente diferentes, variando o alcance e potência dos seus ataques, e a altura que os seus saltos atingem. Um pouco como foi feito em Super Mario Bros 2, na minha opinião. Com isto em mente, o jogo tem então como objectivo limpar o lixo dos vários níveis que vamos percorrendo. Existe lixo espalhado ao longo de várias superfícies que o varredor limpa automaticamente à medida que vamos percorrendo as mesmas, existem também obstáculos e inimigos cobertos de lixo que podemos combater usando as vassouras. Existe um sistema de combos muito interessante que acaba por ser obrigatório dominar se querermos concluir alguns níveis mais desafiantes. Em conjunto com as habilidades de salto e percorrer paredes/tectos como mencionei anteriormente, ao acertar num inimigo mantemos o balanço e permite-nos dar mais um salto no ar, conseguindo dessa forma saltar sobre precipícios gigantes ou secções de níveis bastante complexas e repletas de armadilhas. Os controlos são simples, para além da movimentação apenas dispomos de um botão de salto, um de ataque leve e um outro de ataque forte. O ataque forte para além de ser mais lento deve ser usado com alguma discrição pois acaba por espalhar mais algum lixo no nível que teremos depois de limpar para manter uma pontuação elevada (mais informações no parágrafo seguinte). À medida em que vamos limpando o lixo de um nível e combatendo sucessivamente os vários inimigos, vamos enchendo uma barra de energia que, quando estiver cheia pode ser utilizada para realizar um ataque muito poderoso capaz de limpar uma área inteira. Mais uma vez é uma técnica que não deve ser desperdiçada pois por vezes é a única maneira de se limpar algumas secções dos níveis. Confusos? Experimentem o demo por algum tempo que depressa se habituam a estas mecânicas de jogo. Os controlos são eficazes, contudo com o nível de precisão de platforming pretendido é aconselhável utilizar-se um gamepad com um direccional analógico. Para além do mais, é um jogo em que a inércia tem também um papel crucial na jogabilidade, é importante saber-se utilizar correctamente as superfícies e os combos aéreos para se ganhar o balanço certo para ultrapassar alguns obstáculos.

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Os inimigos só são agressivos quando estão cobertos de lixo

Após um nível introdutório onde nos são explicadas as diferentes habilidades que o nosso varredor consegue fazer, somos então largados numa espécie de hub world, onde poderemos entrar em várias outras áreas com um conjunto diferente de níveis. Para além disso, podemos também entrar noutros modos de jogo através do hub world, tal como o editor de níveis. Os níveis em si estão muito bem construídos, oferecendo ao jogador várias possibilidades de percorrer o mesmo, utilizando as habilidades e a física do jogo da forma que achar melhor. Isto é um factor determinante se quisermos tirar partido do máximo que o jogo oferece, na medida em que no final de cada nível a nossa performance é avaliada em 2 factores: completion e finesse. O primeiro dá conta da quantidade de lixo que limpamos em cada nível, o segundo depende do número de combos consecutivos que conseguimos realizar. Obtendo boas pontuações em cada nível vamos desbloqueando uma série de chaves que nos dão acesso a níveis extra com dificuldades mais elevadas. Isto, aliando a um sistema de leaderboards compele-nos a re-jogar imensas vezes os níveis de forma a obter a melhor performance possível.

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A perícia é requisito constante neste jogo

Tal como referido anteriormente o jogo vem com um editor de níveis, onde podemos criar os nossos próprios níveis e partilhá-los com a restante comunidade Dustforce. Obviamente isto implica que podemos também jogar níveis feitos por outros utilizadores. Existe também um modo multiplayer, que infelizmente apenas pode ser jogado localmente até 4 jogadores. O modo de jogo é uma espécie de King of the Hill, onde temos de “dominar” uma série de pontos chave.

Passando para o audiovisual, Dustforce apresenta um aspecto da “velha guarda”, com as personagens em sprites e os cenários como se tivessem sido tirados de um jogo de plataformas da SNES. Apesar de tecnicamente simples, Dustforce não deixa de ser um jogo visualmente apelativo com o factor nostálgico de quem atravessou a fase dos 8 e 16bit. A banda sonora é muito bem conseguida, misturando de forma sublime os sons típicos de uma NES, porém com uma qualidade moderna. As músicas têm todas um feeling mais electrónico e adaptam-se perfeitamente à ambiência e dificuldade apertada do jogo. Podemos estar a repetir o mesmo nível pela enésima vez, mas a música acalma aquela vontade incontrolável de mandar o comando pela janela fora, tal como em muitos outros jogos.

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Ecrã inicial das batalhas multiplayer

Resumindo, Dustforce é um jogo de plataformas bastante interessante e muito desafiador, com uma mecânica de jogo simples de compreender, mas difícil de dominar. Quem gostou do Super Meat Boy e for fã de jogos de plataforma dos velhos tempos, aconselho vivamente que passem pelo Dustforce.

Torchlight (PC)

Mais um RPG para PC, mais um jogo indie. Desta vez trago cá o Torchlight, um interessante clone de Diablo, que apesar de simples é eficaz. A sua sequela, lançada neste ano tem sido bastante aclamada pela crítica, sendo considerado até superior ao seu rival, o Diablo III. Mas isso fica para outro artigo. O jogo fez parte do recente Humble Indie Bundle VI, o qual eu adquiri por uns modestos 7€, juntamente com outros bons jogos como Dustforce ou Rochard.

Torchlight

A história do jogo é possivelmente o aspecto que menos apreciei neste jogo. Somos levados até uma vila que serve como hub para os restantes locais do jogo, nomeadamente as dungeons. A vila prospera através da extracção mineira de embers, umas pedras/cristais misteriosas que conferem poderes mágicos, atraíndo aventureiros de todo o mundo. A personagem que encarnamos é um desses aventureiros que mal chega ao seu destino, é recrutado pela jovem aprendiz alquemista Syl, que pede ao jogador que se aventure nas cavernas de Torchlight em busca do seu mestre Aldric que havia desaparecido. Com o desenrolar da história vamo-nos apercebendo que as Embers corrompem as pessoas e um grande mal se encontra na raíz do labirinto de Torchlight. É uma história simples, porém eficaz. De qualquer das maneiras acho o lore de Diablo bem mais interessante.

Inicialmente dispomos de 3 classes para criar uma personagem: Destroyer, os habituais guerreiros bruta-montes especialistas em dano melee, Vanquisher, especialistas em dano “à distância”, através de revólveres, espingardas ou arco-e-flecha. Por fim sobram os Alchemists, dotados de poderes mágicos, contudo fracos a nível físico. As diferentes classes têm também 3 diferentes árvores de skills, cada árvore com uma especialidade respectiva, contudo o jogador pode assimilar skills de cada árvore, dependendo se a sua personagem tem o nível pretendido pela dita skill ou não. As skills são variadas quanto baste entre si, existindo activas, passivas, armadilhas, entre outras. Para além disso, todas as classes têm 4 slots livres para serem alocados spells à escolha, que podem ser encontrados durante o jogo. Os spells são livres de serem utilizados por qualquer classe e podem ser aprendidos e “esquecidos” livremente. Uma particularidade deste Torchlight é o facto de se utilizar também um animal de estimação, algo que não é propriamente novo em RPGs, mas aqui o animal tem características especiais. Em primeiro lugar podemos escolher se queremos ter como animal de estimação um canino ou um felino, posteriormente o animal também pode ser equipado com acessórios e um conjunto de 2 spells que os utiliza automaticamente, para além de ter também um inventário próprio.

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Aqui um screenshot parcial dos inventários e descrição de items

Para além do estilo de combate click-click-click habitual neste tipo de jogos, em Torchlight é também possível pescar, existindo uma variedade de peixes considerável. A grande maioria destes peixes servem para serem dados ao animal de estimação, que o transforma temporariamente noutra criatura, com diferentes habilidades, num intervalo de tempo variável. Existem também peixes que servem apenas para regeneração de vida, ou outros que transformam definitivamente o animal de estimação, contudo nunca cheguei a utilizar nenhum dos mesmos. A progressão da personagem é feita ganhando experiência do combate ou da realização de quests, bem como os pontos de fama. É possível ganhar pontos de fama ao completar quests e derrotar alguns inimigos mais poderosos (geralmente com o nome a amarelo). Sempre que o herói ganha um nível, pode dispender um certo número de pontos em melhorar os seus atributos, bem como aprender ou evoluir uma skill. Por outro lado, sempre que é ganho um nível de reputação pode-se também aprender /evoluir skills. Como o primeiro Diablo, Torchlight apenas dispõe de uma única dungeon principal, dividida em várias áreas com um respectivo waypoint, onde é possível regressar à vila livremente. Para além dos 35 níveis da caverna principal, existem também outras pequenas dungeons aleatórias que podem ser encontradas ao longo do jogo, ganhas a completar quests ou simplesmente comprar uma scroll a um determinado vendedor. Estas cavernas extra têm a particularidade de serem mais difíceis, pois os inimigos seguem o nível da personagem, enquanto que os da dungeon principal seguem uns níveis prédefinidos, dependendo do grau de dificuldade com que se joga.

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Um dos cenários que mais gostei de explorar

De resto Torchlight pouco oferece, a não ser a obsessão característica destes jogos em jogar-jogar-jogar de forma a evoluir a personagem e obter cada vez melhores items/equipamento. À semelhança de Diablo existe equipamento normal, ou encantado com alguns buffs positivos. Dentro do encantado existem items bem mais raros que outros, bem como existe também a possibilidade de, através de alquimia tentar melhorar as stats dos items já existentes, correndo também o risco de o encantamento falhar e o produto final ser pior que anteriormente. A grande falha deste Torchlight, para além de uma história algo fraca, é não incluir qualquer modo de multiplayer, algo que geralmente é obrigatório neste género de RPGs, retirando-lhe assim muito replay value. De resto, e para a versão PC do jogo, para quem gostar de comunidades modding, a Runic Games disponibilizou um editor do jogo para esse efeito, existindo por aí muito conteúdo criado por fãs.

A nível visual, tendo em conta que é um jogo indie de 2009, acho Torchlight competente neste quesito. A minha única queixa é para as personagens/inimigos estarem demasiado “cartoonish“, pois de resto as diferentes áreas da dungeon estão bem conseguidas, com cores vivas e cenários interessantes. No que diz respeito ao som, o voice-acting é pouco, mas faz completamente jus ao de Diablo, utilizando o mesmo estilo. É competente, mas nada de espectacular, tal como a história, como já referi. Os efeitos sonoros também são bons, mas também não haveria muito a dizer neste campo. A música segue também os gostos de Diablo, principalmente para a música da vila, que é mesmo parecida. De resto são sempre músicas ambientais, e o que acaba sempre por sobressair são os grunhidos dos monstros e o barulho das armas.

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É possível fazer zoom à acção.

Concluindo, para quem gostar de Diablo e já estiver farto de o jogar, este Torchlight é um jogo interessante, que embora não adicione muito à conhecida fórmula, acaba por ser um jogo eficaz. Perde na minha opinião pela pouca variedade de classes, bem como uma história pouco apelativa. Mas acima de tudo, o facto de não ter multiplayer retira-lhe muito do factor replay. Contudo deve-se entender que este Torchlight sempre foi um jogo low budget, pelo que se deve dar uma oportunidade. O Torchlight II já anda por aí, e a Runic Games pelos vistos corrigiu muitas destas falhas. Um dia eu compro.

PUSHSTART #26

A edição de Novembro da PUSHSTART já se encontra disponível para download!

Neste mês contribui com 2 análises, uma para o jogo indie Dustforce, que mais tarde acabarei por publicar aqui também, e uma outra para os recentes Pokémon Black/White 2 da Nintendo DS.

Podem também contar com diversas análises tanto a jogos modernos como o novíssimo Forza Horizon, NBA 2k13 ou o regresso da mítica saga dos PCs, X-COM, bem como a jogos indie e retro como habitual.

Confiram aqui.