F-1 World Grand Prix (Nintendo 64)

Continuando pelas rapidinhas pois infelizmente o tempo não tem dado para mais, o jogo que vos trago cá agora é um jogo de Fórmula 1 para a Nintendo 64. F-1 World Grand Prix foi desenvolvido pela Videosystem, uma empresa que já possuia algum histórico no desenvolvimento de jogos do género, tanto nas arcades como para a Super Nintendo. Este F-1 World Grand Prix foi algo revolucionário para a altura em que saiu, visto introduzir alguns elementos de simulação e por ser uma boa recriação do campeonato de F1 de 1997. O meu exemplar foi comprado algures em 2015 se a memória não me falha, num bundle para a Nintendo 64 que arranjei na Feira da Ladra, onde cada jogo me ficou a cerca de 3€.

Jogo com caixa, manual e papelada

O jogo possui uma licença da FIA, pelo que poderemos participar no modo Season com todas as equipas, pilotos e circuitos participantes nessa temporada. A excepção à regra está para o Jacques Villeneuve da Williams, que não cedeu os seus direitos de imagem para o jogo, sendo substituido por um piloto anónimo, mas em tudo igual ao piloto canadiano. Ao longo deste modo carreira, vamos poder participar em voltas de treino e qualificação antes da corrida a sério, sendo que podemos também customizar uma série de parâmetros no carro, incluindo o tipo de pneus, a quantidade de combustível ou o ângulo da asa, a suspensão, entre outros. Durante as corridas, temos também de ter atenção ao estado do carro e combustível restante, pelo que teremos que ir às boxes e também ter esse tempo de manutenção em conta.

Entre cada corrida podemos mudar os parâmetros de várias partes do carro

Para além do modo campeonato temos outros modos de jogo como o single race e time trial que dispensam apresentações, bem como uma versão multiplayer em split screen para 2 jogadores. É pena não dar para 4, mas talvez fosse demais para a pobre Nintendo 64 suportar. De resto temos ainda o modo Challenge que é bastante interessante. Tal como o nome indica, são-nos apresentados diversos desafios que temos de superar, como vencer uma determinada corrida com um piloto e carro mais fracos.

Visualmente era um jogo impressionante para a Nintendo 64, com a apresentação muito similar ao que víamos na TV

A nível audiovisual era um jogo muito impressionante para a sua altura. Isto porque o grafismo era practicamente idêntico às transmissões televisivas da prova, incluindo até os patrocinadores nas indicações visuais, como a TAG Heuer nos tempos. Os gráficos eram bastante realistas para o que a Nintendo 64 poderia apresentar, que tipicamente apresenta texturas fracas e um campo de visão algo reduzido. Aqui esses problemas não são assim tão notórios quanto isso. Existem ainda bastantes diálogos com a nossa box ao longo do jogo e os efeitos sonoros também não deixam nada a apontar. O jogo foi convertido nos anos seguintes para a Dreamcast, Playstation e PC, que naturalmente hão-de ter as suas vantagens, mas sinceramente nunca as joguei.

Portanto, para quem gostar de jogos de fórmula 1 nas consolas, este é sem dúvida um dos melhores da sua geração e também na Nintendo 64, que no ano seguinte recebeu uma sequela que acredito ser igualmente boa.

Aero Fighters Assault (Nintendo 64)

Aerofighters

A rapidinha de hoje vai incidir naquele que até agora é o último jogo da franchise Aero Fighters / Sonic Wings e coincidentemente é também o mais diferente. Enquanto os outros jogos da franchise são shmups 2D daqueles bem clássicos e desafiantes, neste Aero Fighters Assault houve uma transição para o 3D, com o jogo a lembrar bem mais outras séries como Ace Combat ou Aero Dancers. Este meu exemplar foi comprado como new old stock de uma loja em pleno coração da cidade do Porto, tendo-me custado cerca de 5€.

Jogo com caixa, manual e papelada.
Jogo com caixa, manual e papelada.

Apesar da mudança para 3D, a nível de história não houveram assim grandes alterações, onde mais uma vez poderemos encarnar num de diversos pilotos (alguns já bem conhecidos para quem jogou os Aero Fighters / Sonic Wings anteriores, e viajar pelo mundo de forma a derrotar uma grande ameaça terrorista. A nova organização maléfica têm-se vindo a entreter em derreter o gelo da Antárctida, o que está a provocar sérios problemas pelo planeta inteiro. Por exemplo logo no primeiro nível vemos uma Tóquio completamente alagada… A diferença no conceito dos níveis é que agora é que cada um é composto por uma missão própria, que consiste em abater algum alvo inimigo (os tais confrontos de bosses) ou outras missões de puro dog fighting ou mesmo de protecção de alguma infrastrutura do fogo inimigo. Antes de cada missão começar temos sempre direito a um briefing com o objectivo e inimigos que iremos enfrentar.

Algumas das caras conhecidas nos jogos anteriores dão aqui o ar de sua graça uma vez mais
Algumas das caras conhecidas nos jogos anteriores dão aqui o ar de sua graça uma vez mais

E com a mudança para 3D naturalmente que os controlos se complicaram para controlar a aeronave por nós escolhida, pois temos uma maior liberdade de movimentos, bem como botões próprios para o afterburner ou para virar rapidamente. No que diz respeito às armas, cada piloto/avião é diferente e possui armamentos distintos, mas tudo se baseia no mesmo setup: metralhadora pesada, projécteis teleguiados, armas defensivas e armas especiais. A metralhadora e os mísseis normais podem ser disparados sempre que as armas estejam prontas a disparar, algo que é visível no ecrã através de uns indicadores próprios. As armas especiais e defensivas já têm usos limitados e devem ser utilizadas com alguma cautela: é recomendável que se usem as especiais nos confrontos contra bosses quando possível, já as defensivas devem ser utilizadas nas dogfights, quando algum avião inimigo nos consegue “lockar” através dos seus radares. Para além do modo história, que traz também algumas missões especiais de bónus, acessíveis mediante a nossa performance, existem outros modos de jogo, tais como o Practice, que se divide em modos de treino de pilotagem das aeronaves e combates dogfighting, o Boss Attack, que deveria ser auto explanatório e por fim a vertente multiplayer, um modo deathmatch que nunca experimentei.

O laser nas nossas costas é o de algum avião inimigo que nos tenta lockar para disparar os seus mísseis teleguiados
O laser nas nossas costas é o de algum avião inimigo que nos tenta lockar para disparar os seus mísseis teleguiados

No que diz respeito aos audiovisuais, este é um jogo bem simples. Os cartuchos da Nintendo 64 não permitem lá muitos floreados, pelo que existem poucas vozes. Antes de cada missão temos um ligeiro briefing de quais os objectivos da mesma e é tudo passado em texto. A nossa “chefe” lá vai dizendo algumas palavras genéricas que se repetem nos outros briefings também. As músicas pareceram-me competentes, mas confesso que não me ficaram no ouvido. A nível gráfico é um jogo relativamente simples, com texturas pouco definidas, mas por outro lado são áreas bastante abertas, que poderão ser cidades em ruínas, desertos, ou batalhas meramente pelos céus, em diversas alturas do dia. Combater à noite traz sem dúvida algumas dificuldades acrescidas e nessa altura teremos de ter maior atenção ao radar para mostrar as posições inimigas.

Em suma, este é um daqueles títulos em que apesar de não ser um mau jogo, creio que se afasta em demasia da fórmula pela qual a série Aero Fighters / Sonic Wings sempre ficou conhecida. Mas para quem gosta de jogos do género de um Ace Combat, então tem aqui uma boa alternativa. Talvez a única se apenas fossem possuidores de uma Nintendo 64 na época.

Sonic Wings Special (Sony Playstation)

Sonic Wings Special

Hoje é tempo de uma super rapidinha para um shmup de uma série que eu já cá trouxe uma vez, a série Aero Fighter ou Sonic Wings. Tipicamente o nome ocidental é Aero Fighter e já por cá trouxe um pequeno artigo do Aero Fighters 2 para a Neo Geo. Este Sonic Wings Special tem esse nome cá na Europa pois foi trazido pela Phoenix e eles não sabem o que fazem. Ainda assim, este deve ser de longe o melhor jogo que a Phoenix alguma vez cá trouxe. E este meu exemplar veio de um negócio que podia ter corrido melhor no OLX. Infelizmente o que acabou por me chegar às mãos era um jogo cuja capa e contra capa foram impressas, não são as originais. Mas ao menos lá veio com o manual. Edit: Recentemente comprei um exemplar completo na Cash Converters por 9€.

Sonic Wings Special - Sony Playstation
Jogo com caixa, manual e papelada

No artigo do Aero Fighters 2 eu descrevi as mecânicas básicas de jogo. Este é um jogo simples, onde podemos escolher 1 de vários pilotos de diferentes nacionalidades e com aviões distintos. Cada avião possui armas com padrões de fogo diferentes e os power-ups que vamos encontrando servem unicamente para aumentar o poder de fogo ou servir de munições para os ataques especiais, capazes de causar dano em todos os veículos no ecrã ao mesmo tempo. Este Sonic Wings Special possui algumas diferenças, ao colocar um número maior de projécteis no ecrã em simultâneo, mas em contrapartida reduz também a “hitbox” do nosso avião. De resto, podemos considerar esta jogo como uma espécie de tributo à série, pois inclui conteúdo dos Sonic Wings 1, 2 e 3. Temos à nossa disposição 7 equipas diferentes, de onde poderemos escolher 1 de dois pilotos, que por sua vez possuem, na sua maioria, 2 aviões. Isso dá-nos margem de liberdade para escolher ao todo 26 diferentes aviões. Existem 17 níveis no total, embora em cada partida apenas percorremos 9, e a forma em como os jogamos é algo aleatória. O primeiro níveil é fixo, os restantes vão sendo atribuídos de forma aleatória e ocasionalmente também podemos optar qual o nível que queremos jogar. Isto claro, para além da variedade de escolha de personagens e naves que queremos jogar, aumenta bastante o factor de replayability.

Esta é uma série algo interessante também pelo design dos aviões e suas personagens, que vão buscar tanto coisas ao passado, como presente e também algo fantasioso
Esta é uma série algo interessante também pelo design dos aviões e suas personagens, que vão buscar tanto coisas ao passado, como presente e também algo fantasioso

De resto, a nível gráfico continua a ser um jogo com um 2D bastante competente. Os backgrounds vão sendo variados e bem detalhados, ao passarem-se em diferentes regiões do nosso planeta. Poderemos por exemplo visitar cidades como Paris e ver uma capital francesa durante a noite, completamente iluminada, inclusivamente com a Torre Eiffel em plano de destaque. As músicas são também cativantes como manda a lei neste género de jogos, mas é daquelas coisas que nem temos muito tempo para apreciar, tal é a demanda de atenção necessária para desviar dos projécteis inimigos.

Como muitos jogos arcade deste tempo, as suas personagens são bizarras e os diálogos também
Como muitos jogos arcade deste tempo, as suas personagens são bizarras e os diálogos também

De resto, é um excelente shmup para quem for fã do género. Para quem for fã da série Aero Fighters / Sonic Wings em especial, então poderá ser um jogo interessante na medida em que mistura várias coisas da trilogia original, bem como mudaram algumas pequenas coisas na jogabilidade.

Aero Fighters 2 (Neo Geo MVS)

Aero Fighters 2

Vamos lá a mais uma rapidinha para a Neo Geo MVS que aqui o tasco ficou um pouco desgovernado nos últimos dias. O jogo que trago hoje é um daqueles shmups com a fórmula clássica e eficaz, produzido pela Video System. Aero Fighters, ou Sonic Winds como ficou conhecido no Japão é uma série de vários jogos com origens na Arcade e posteriormente com várias conversões para consolas caseiras. O segundo Aero Fighters (e posteriormente o terceiro também) surgiram primeiramente nos sistemas arcade da Neo Geo e este foi um dos cartuchos MVS que tive a felicidade de encontrar a um preço muito reduzido na feira da Vandoma no Porto.

MVS Collection
Como os carts de MVS não são propriamente lá muito fotogénicos, acabei por tirar uma foto única com o bundle que comprei.

Como sempre, o jogo coloca-nos como uma espécie de piloto solitário na luta contra um poderoso exército opressor. Mas não somos tão solitários assim pois é possível jogar o Aero Fighters 2 de forma cooperativa. De qualquer das formas teremos um piloto de várias nacionalidades para jogar e o resto já sabem, é disparar para tudo o que mexa e fugir a sete pés de todos os projécteis inimigos. A jogabilidade é mesmo o back to the basics pois temos apenas um botão para disparar e um outro para a artilharia pesada capaz de danificar todas as naves no ecrã. Cada avião/piloto é diferente e por conseguinte possuem armas diferentes entre si, o que permite várias abordagens distinas aos inimigos que nos vão surgindo pela frente. E claro, temos vários power ups para apanhar, mas não são propriamente armas alternativas pois essas residem nos outros aviões que podemos pilotar. Aqui são essencialmente power ups que nos fortalecem o nosso poder de fogo e claro, poderemos adquirir munições para o nosso ataque especial. De resto é mesmo a fórmula de sempre, com combates contra bosses no final de cada nível. A única diferença é que quando chegamos ao “fim” do jogo, somos levados para o completar uma vez mais, desta vez com um grau de dificuldade bem superior. Uma espécie de Master Quest como se fazia no The Legend of Zelda. E sim, o jogo é bem difícil e exige de nós a máxima concentração e destreza pois apesar de não ser propriamente um bullet hell como muitos outros, os inimigos e os seus projécteis acabam por ser bastante rápidos e muitas vezes com diferentes padrões de fogo em simultâneo, obrigando-nos mesmo a passar um mau bocado para não levar com um projéctil em cima. É que aqui não há escudos e as vidas são limitadas… Mas claro que se tivessem outra moedinha lá podiam continuar a jogar.

screenshot
Como não poderia deixar de ser, estas personagens malucas acabam por ser um ícone de uma era de jogos arcade que não volta mais

Graficamente é um jogo bem competente. O sistema arcade da Neo Geo era um colosso no 2D, principalmente se tivermos em conta que utiliza tecnologia do início da década de 90 e foi-se aguentando relativamente bem por mais de 10 anos! Aqui as naves são todas muito bem detalhadas e os cenários até que vão variando um pouco do tradicional dos shmups, pois representam várias localizações da Terra e poderemos ver pormenores interessantes como a Estátua da Liberdade, por exemplo. Acabam por ser bastante detalhados se bem que por vezes nem temos assim muito tempo para os apreciar! A música e efeitos sonoros não me deixaram grandes memórias, mas pareceram-me bem adequados para o género do jogo em si.

screenshot
Os bosses também vão sendo bastante diferentes entre si, felizmente

Um bom shmup, digo eu!