Assassin’s Creed III (Sony Playstation 3)

Depois do fecho da trilogia de Ezio Auditore com o Assassin’s Creed Revelations, a saga da eterna luta entre as ordens dos Assassinos e Templários continua, agora com a Ubisoft a virar as agulhas para longe do continente Europeu e assentar-se na costa leste dos Estados Unidos, entre 1754 e 1783, atravessando então aquele período da Revolução Americana que acabou por levar as colónias britânicas a alcançarem a sua independência. O meu exemplar foi comprado usado há uns anos atrás, creio que por 7€. Infelizmente o código de DLC já tinha sido usado pelo que acabei por jogar a edição mais básica deste jogo – que mesmo assim já possuía conteúdo quanto baste!

Jogo com caixa, manual e papelada

Continuamos então a reviver os antepassados de Desmond Miles, em busca de mais artefactos da primeira civilização, começando por encarnar na personagem de Haytham Kenway, um aparente aristocrata britãnico que, após armar alguma confusão no seu país, parte para as colónias Norte-Americanas em busca de templos da Primeira Civilização. Entretanto coisas acontecem, a narrativa avança alguns anos e passamos a jogar antes com Ratonhnhaké:ton (Connor para os amigos), filho de Haytham e uma nativa de uma tribo do povo dos Mohawk. É com Connor que todas as novas mecânicas de jogo se revelam e iremos também acompanhar de perto a trama que levou ao povo Norte-Americano a revoltar-se, naturalmente com interferência de Templários e Assassinos.

Começamos por incarnar no papel de Haytham Kenway, pai do futuro protagonista principal

Mas então o que traz este jogo de novo? Na sua essência continua a ter um grande open world para ser explorado, repleto de missões opcionais e coleccionáveis que poderemos procurar. Entre as áreas de jogo a explorar temos Boston, Nova Iorque e a vasta floresta Norte-Americana, com algumas pequenas comunidades aqui e ali. Connor é ainda mais ágil que os seus antecessores, podendo agora saltitar entre os ramos de árvores como se nada fossem, bem como poderemos caçar animais e coleccionar alguns dos seus recursos como peles e carne. Ora isto abriu portas para muita coisa nova, pois nos Assassin’s Creed de Ezio nós iríamos renovar edifícios espalhados pelas diferentes cidades e os seus ocupantes nos pagariam uma renda. Aqui vamos montando uma própria comunidade à volta da nossa base de operações, onde cada novo habitante que “recrutamos” contribui com produtos agrícolas, alimentos, madeira, metais, entre outros. Podemos comprar os ingredientes que produzem, usar um sistema de crafting para construir novos itens, que podemos depois comercializar em caravanas ou mesmo em navios que os transportam para outras cidades. O crafting e respectivo comércio acaba agora por ser a nossa maior fonte de rendimentos, mas por outro lado também nos dá muito mais trabalho.

O sistema de combate foi ligeiramente alterado, mas as mecânicas base mantêm-se

Inicialmente este comércio é de risco moderado/elevado pois a nossa mercadoria está sujeita a imposto forçado pelas forças britânicas, bem como ser atacada pelas mesmas, pelo que por vezes teremos de defender as nossas mercadorias no terreno. Mas à medida que vamos atacando e libertando os fortes britânicos espalhados pelo jogo este risco e imposto vai diminuindo, tornando o comércio mais seguro e rentável. E se por um lado temos também imensas lojas onde podemos comprar e vender directamente os produtos que carregamos, bem como comprar novas armas, o sistema de crafting também nos permite criar novas armas e outros equipamentos para o próprio Connor, geralmente com melhores atributos do que os que podemos encontrar nas lojas.

Mais ou menos a meio do jogo podemos também desbloquear novos aprendizes a Assassinos, onde tal como nos jogos anteriores, podem ver as suas habilidades a evoluirem ao executarem missões em territórios vizinhos, mas também ao serem chamados ao terreno para nos auxiliarem directamente. Infelizmente apenas os podemos chamar nas cidades de Boston e Nova Iorque, tinha dado imenso jeito a sua ajuda para conquistar os fortes nas florestas. Isto também porque os soldados que combatemos são agora em muito maior número, patrulhando as cidades e zonas florestais em patrulhas com uns 6 ou 7 elementos, pelo que arranjar conflitos em zonas urbanas com maior concentração de soldados pode se tornar num grande desafio principalmente na primeira metade do jogo onde o nosso arsenal é muito mais limitado. Para além disso eles são mais organizados e atentos. Alguns juntam-se um pouco mais longe em fileiras de tiro enquanto outros (incluindo alguns soldados bem fortes no combate corpo a corpo) nos rodeiam. Usar os counters e movimentos de desarmamento ou quebra-defesas são imperativos nesses combates mais intensos. E mesmo aquele truque que antes usava de subir para telhados e executar um air assassination a um ou 2 soldados de cada vez agora é inútil pois a partir do momento que os soldados estejam com os seus olhos postos em cima de nós conseguem precaver esses ataques. Para além disso, em zonas mais fechadas, a câmara muitas vezes acaba por atrapalhar bastante nestes combates tão exigentes de reflexos rápidos aos movimentos dos nossos oponentes.

Mandar os assassinos em missões é bom para ganharem experiência e trazer alguns trocos extra.

Para além de tudo isto temos ainda pela primeira vez as missões navais, uma das outras grandes novidades introduzidas neste jogo, e exploradas ainda mais na sua sequela. Para além de algumas missões pertencentes à história principal, teremos também um grande número de sidequests para completar que tipicamente reduzem o risco de ataque em caso de enviarmos um navio com bens comerciais. Nas missões marítimas geralmente teremos de conduzir o navio, alternando entre diferentes configurações das velas para controlar a velocidade e ter melhor manobrabilidade quando precisamos de evitar alguns obstáculos à nossa volta como recifes. Mas também teremos de combater navios inimigos, onde podemos ordenar a nossa tripulação para gerir os canhões principais do navio e outros secundários, ideais para destruir barcos mais pequenos ou causar dano localizado em navios maiores. Também podemos comprar upgrades para o navio que melhoram não só o seu poder de ataque, como munições incendiárias ou correntes que se disparadas “à queima roupa” podem destruir os mastros de um navio oponente, imobilizando-o. Mas também podemos melhorar as defesas do navio, bem como comprar uma “cunha” que nos permite albarroar os navios dos nossos oponentes. Ainda nas mecânicas de jogo só me resta mesmo mencionar que uma vez mais temos aqui uma componente multiplayer que eu sinceramente nem toquei, pelo que não me vou alongar na mesma.

Demorei um pouco a habituar-me às mecânicas das missões navais, mas depois de algum tempo (e upgrades!) já era imparável nos oceanos.

Todas estas novidades nas mecânicas de jogo foram muito benvindas e deram de facto um novo fôlego à série, mas este Assassin’s Creed também possui um motor de jogo inteiramente novo. Graficamente é então um jogo superior aos seus predecessores, não só nas áreas urbanas, mas principalmente maior detalhe das zonas florestais onde todos os detalhes geográficos, a vegetação e vida animal estão muito bem implementados. Para além de ciclos de dia e noite, temos também ciclos de estações do ano e diferentes condições meteorológicas. Caminhar pela floresta coberta de neve é de facto muito diferente de o fazer na Primavera ou Verão. E para além disso, se atravessarmos um nevão, a visibilidade dos soldados inimigos também é reduzida, o que nos pode ajudar bastante se optarmos por uma jogabilidade mais furtiva. No entanto nem tudo são coisas boas, pois por vezes temos alguns problemas de performance, algo que já acontecia nos jogos anteriores. Mas este foi o primeiro Assassin’s Creed cujos bugs e glitches me afectaram directamente. Desde alguns glitches gráficos que deturpam toda a visibilidade do ecrã, se bem que temporariamente, ou outros que chegaram inclusivamente a crashar o jogo e deixar a Playstation 3 sem qualquer capacidade de resposta, obrigando-me a fazer reset. Outros bugs mais funcionais também me atrapalharam ocasionalmente, obrigando-me a por vezes a repetir alguma missão, ou voltar atrás nalgum checkpoint. De resto, a nível de apresentação como um todo, está realmente um jogo muito bom, pois sentimos que voltamos mesmo ao século XVIII  e conseguimos viver a experiência de como seria a vida das pessoas nas cidades coloniais, bem como nas florestas, repletas de vida animal e bonitas paisagens. O voice acting continua excelente e as músicas quando existem tendem a ser mais épicas ou tensas consoante o contexto do momento.

Neste capítulo temos muito mais atenção ao detalhe, especialmente nas florestas, repletas de vida selvagem.

Portanto este Assassin’s Creed III acabou por me agradar bastante principalmente pelas novas mecânicas que lhe introduziram. Achei-o também um jogo mais desafiante, pelos soldados mais bem equipados, em maior número e mais agressivos. Temos uma vez mais um grande número de sidequests, desafios e coleccionáveis para apanhar, pelo que se quisermos fazer o jogo a 100%, teremos mesmo de dispender muitas horas. Até porque agora para ganhar grandes quantias de dinheiro temos mesmo de usar bem as mecânicas de caça, crafting e trading, o que acaba por ser um processo mais moroso do que simplesmente esperar 20 minutos e receber uns milhares na conta automaticamente.

Depois este Assassin’s Creed III acabou também por receber um conjunto considerável de conteúdo extra na forma de DLCs. Infelizmente o código do meu jogo já tinha sido usado pelo que joguei a versão 100% vanilla, mas confesso que até fiquei com vontade de jogar pelo menos o The Tyranny of the King Washington. Claro que, à boa maneira da Ubisoft, os DLCs continuam à venda para a PS3, mas a full price. Ora numa plataforma já completamente obsoleta, não faria sentido eles baixarem o preço dos DLCs? Portanto, caso ainda não tenham experimentado este jogo, recomendo mesmo que joguem a sua versão remasterizada para as consolas de geração actuais, pois que eu tenha conhecimento é a única que traz todos os DLCs, com o bónus de trazer também o AC Liberation, que planeio jogar muito em breve. É que mesmo nas outras compilações que a Ubisoft lançou entretanto e que incluiram este AC III, nenhum dos DLCs vinha incluído, o que é simplesmente estúpido.

South Park: The Stick of Truth (Sony Playstation 3)

Para os fãs dos desenhos animados South Park, há muito que faltava um videojogo que fizesse realmente justiça à série de animação. Felizmente que alguém teve a brilhante ideia de fazer um RPG baseado na série e, após alguns problemas no seu desenvolvimento, em 2014 este Stick of Truth acabou realmente por sair para o mercado, através da Ubisoft. Produzido pela Obsidian Entertainment, um estúdio com bastante experiência no género, e com uma colaboração fantástica por parte dos criadores da série, o resultado foi um RPG relativamente simples a nível de jogabilidade, mas extremamente divertido. O meu exemplar foi comprado algures em Setembro do ano passado, aquando de uma viagem minha para a Polónia. Custou-me algo próximo dos 5€, e era a versão britânica, visto que aqui em Portugal é bem mais comum encontrarmos a versão espanhola La Vara de la Verdad.

Jogo com caixa e manual

A criançada de South Park estava a fazer um pouco de role play de fantasia, dividindo-se em duas facções distintas: os humanos liderados pelo grande feiticeiro Cartman e os elfos, que mais tarde vimos a descobrir que são liderados por Kyle. Ambas as facções procuram manter o seu domínio do Stick of Truth, um artefacto mágico capaz de controlar todo o universo. Nós controlamos um miúdo novo que acabou de se mudar para South Park e, sendo vizinho do Butters, depressa nos tornamos amigos dele e somos envolvidos para a brincadeira, juntando-nos ao KKK de Cartman – Kingdom of Kupa Keep. Aí somos convidados a escolher uma classe – guerreiro, ladrão, mago, ou judeu, especialista em jew-jitsu. Tendo em conta o humor particular de Cartman em relação aos judeus, claramente que ia escolher essa classe. Cada classe possui diferentes habilidades melee e de longo alcance, que podem ser evoluídas sempre que subimos um nível. No entanto, a nível de equipamento não existe qualquer restrição de classes, sendo um RPG bastante simplificado nesse aspecto. Até porque todas as classes possuem habilidades diferentes entre si, mas que de certa forma possuem o mesmo tipo de efeitos sobre os oponentes.

Claro que a primeira coisa a fazer é criar a personagem à nossa medida

O poder do peido é também uma pedra basilar neste Stick of Truth. Visto como magia – e os nossos MPs podem ser restaurados a comer comida como Burritos, vamos também aprender a dar peidos bastante poderosos que podem ser usados em batalha ou mesmo fora delas. Mas já lá vamos. As batalhas não são aleatórias pois os inimigos estão presentes no ecrã, no entanto são por turnos. Apesar de virmos a ter muitos amigos que passam a ser nossos companheiros nos combates, em batalha apenas temos um companheiro ao nosso lado, que pode ser mudado no seu turno. Portanto em cada turno podemos optar por atacar usando as nossas armas (sendo melee ou de longo alcance), usar skills, itens ou, quando as desbloquearmos, as magias flatulentas.

Ao pressionar o botão select podemos aceder a uma série de menus, todos eles bastante intuitivos

Existem vários estados que podemos vir a sofrer, ou causar aos nossos oponentes, como o enojado, a arder, a sangrar, que acabam por causar de certa forma algum dano agravado no final de cada turno. Alguns inimigos também possuem uma armadura muito alta, pelo que teremos de jogar um pouco com as habilidades que diminuem a armadura dos nossos oponentes e se possível causar algum estado nocivo para causar algum dano agravado adicional. Depois, tal como em jogos como a série Mario & Luigi, para os nossos ataques terem sucesso teremos de pressionar alguns botões, ou efectuar outras acções com os analógicos no momento certo, incluindo para nos defendermos de golpes inimigos. No início pode parecer um pouco estranho, mas depois acaba por ser mais intuitivo.

Graficamente é um jogo competente, muito fiel à série de animação

Agora fora das batalhas também vamos poder usar muitas outras habilidades. Muitas vezes até podemos manipular os cenários de forma a criar algumas armadilhas para derrotar os nossos oponentes sem entrarmos em combate, ganhando na mesma os pontos de experiência. Vamos tendo também várias sidequests para cumprir e podemos inclusivamente customizar o equipamento que encontrando com alguns patches que lhe conferem novas habilidades. Portanto, como um RPG, este South Park é algo simples na sua estrutura, principalmente na customização da nossa personagem. No entanto possui muita variedade na sua jogabilidade, incluindo inclusivamente alguns mini-jogos que por vezes teremos de jogar, mantendo a jogabilidade algo refrescante. Habilidades como o fast travel para vários pontos de South Park são também adições benvindas, embora a cidade não seja tão grande quanto isso.

As batalhas são por turnos, sendo que apenas podemos ter um companheiro activo de cada vez

Mas o que realmente faz a diferença neste jogo, tal como na série de televisão, é mesmo o seu sentido de humor extremamente ofensivo. Jogar este Stick of Truth é quase como se estivéssemos a ver uma série de episódios. Temos imenso toilet humor, até porque podemos atirar um cagalhão em batalha para enojar os inimigos, e muitas situações bizarras, incluindo uma batalha épica contra gnomos enquanto os pais do New Kid estão entretidos na cama a fazer outras coisas. Infelizmente a Ubisoft decidiu censurar a versão europeia, mesmo com o PEGI a não se queixar. Algumas cenas /mini-jogos foram retiradas desta versão, como o “aborto” e outras situações que envolvem o pai de Stan, tendo sido substituídas por um ecrã que ironicamente descreve ao detalhe o que nós europeus estamos a perder. O jogo começa também a dar um certo protagonismo a zombies nazis, que proferem discursos de ódio sempre que abrem a boca, algo que apenas foi censurado na Alemanha, o que se compreende visto eles terem leis para tal. De resto, o restante conteúdo que foi censurado acho que a Ubisoft foi cautelosa demais e se o organismo Europeu que faz este tipo de controlos não se opôs, acho que a Ubisoft deveria ter deixado as versões europeias o mais intocadas possível. Claro que no PC existem patches para remover este conteúdo censurado, mas nas versões para consolas isso não acontece.

Também desbloqueamos alguns summons que podem ser usados em batalhas contra não-bosses. Como o Mr. Hankey, por exemplo. Hooowdy-oh!

A nível audiovisual, nada de especial a apontar. Os desenhos de South Park nunca foram extremamente complexos e o jogo representa perfeitamente um cartoon. Tudo está bem detalhado dentro do estilo da série. Os diálogos estão excelentes e as vozes são as mesmas dos desenhos animados, pelo que se forem fãs da série televisiva não vão notar nenhuma diferença. Na versão PS3 só notei alguns slowdowns ocasionais, especialmente quando o jogo está ocupado a fazer saves automáticos. Em relação a estes saves automáticos, o jogo tem por defeito os 3 últimos checkpoints sempre gravados, o que pode ser interessante caso queiramos restaurar o jogo para algum ponto (não muito) atrás no tempo. Temos também a possibilidade de fazer save do último checkpoint em ficheiros de save à parte,

Infelizmente a versão europeia tem alguma censura

Portanto, se forem fãs da série South Park e também gostarem de RPGs, aproveitem pois apesar de este Stick of Truth não ser perfeito, é extremamente divertido. Claro que se não gostarem de humor negro e se ofenderem facilmente com piadas xenófobas, gay, sexistas e outras, então passem longe do jogo. As mesmas produtoras envolvidas neste Stick of Truth (excepto a Obsidian que foi substituída por um estúdio interno da Ubisoft) lançaram em 2017 a sequela The Fractured but Whole que me deixa bastante curioso. Essa sequela geralmente traz também um código digital para o Stick of Truth, pelo que pode ser também uma alternativa para experimentarem este jogo.

Assassin’s Creed Revelations (Sony Playstation 3)

Voltando à saga Assassin’s Creed, terminei recentemente o quarto capítulo da saga, terceiro com o protagonista italiano Ezio Auditore, o Assassin’s Creed Revelations, lançado originalmente em 2011. Este meu exemplar é uma das muitas “edições limitadas/coleccionador/whatever” deste jogo, esta incluindo um cd bónus com a banda sonora e o primeiro Assassin’s Creed incluído no disco do Revelations. A razão pela qual o primeiro Assassin’s Creed vem incluído neste Revelations torna-se notória à medida que vamos avançando no jogo, pois iremos por várias vezes explorar o passado de Altair, descobrindo ultimamente como ele passou os seus últimos dias. Mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado já nem sei quando, mas creio que foi comprado na CeX do Porto já há uns aninhos e não me terá custado mais de 7.5€ na altura.

Jogo completo com caixa, papelada, manual e CD com banda sonora

Como sabem na série Assassin’s Creed vamos descobrindo os eventos de um confronto secular entre duas organizações, os Templários e os Assassinos. Aparentemente ambos pretendem obter a paz eterna entre na Terra, mas enquanto os Templários pretendem alcançá-lo ao manter a população humana sob o seu controlo, os Assassinos lutam pela liberdade absoluta. Por um lado o protagonista principal é o jovem Assassino Desmond Miles, mas que ao submeter-se ao Animus, um aparelho que permite explorar as memórias dos seus antepassados, permite-nos “viajar no tempo” e reviver os conflitos entre ambas as organizações ao longo dos séculos. Mas à medida que vamos jogando ficamos com mais questões pois estranhos artefactos de outras civilizações vão ganhando cada vez mais protagonismo. Neste capítulo em si a história leva-nos uma vez mais a explorar o passado de Ezio, agora já na sua meia idade, ao explorar a cidade de Istambul/Constantinopla em busca de uma série de chaves que lá foram escondidas por Niccolo Polo (filho de Marco Polo). E a que dão acesso essas chaves? À biblioteca de Altair em Masyaf e aos seus bem guardados segredos. Pelo meio contem também com tramas políticas com o conflito entre os Otomanos e Bizantinos pelo controlo da capital turca, estando assim lançados os dados para mais uma aventura.

Como no Brotherhood temos sempre um objectivo secundário em cada missão principal, que não é obrigatório

Naturalmente que o jogo traz de volta muitas das mecânicas dos seus antecessores, com um grande foco na agilidade e furtividade dos assassinos. Tal como no Brotherhood vamos poder conquistar territórios aos templários, para depois poder comprar uma série de lojas que por sua vez nos vão retribuindo com uma renda de 20 em 20 minutos. Vamos também poder treinar outros assassinos que nos podem ajudar nas nossas missões a abater alguns alvos, para além dos já habituais mercenários, ladrões e jovens moçoilas para distrair os guardas. Os nossos Assassinos podem também ser enviados para outras cidades e fazer algums missões que por sua vez nos trazem mais dinheiro e outras matérias primas. As matérias primas servem para criar uma série de bombas diferentes, esta que é uma das grandes novidadades introduzidas por este Revelations.

Tal como nos outros 2 jogos com Ezio, podemos comprar lojas e renovar alguns edifícios notáveis, algo que contribui positivamente para a renda que vamos recebendo

Podemos criar bombas explosivas, de fumo, de mau cheiro para atordoar os inimigos, de veneno, ou até aquelas sticky bombs que se podem agarrar a qualquer superfície (incluindo soldados inimigos!). Há de facto muitas possibilidades de diferentes bombas a criar. A outra novidade aqui introduzida está nos mini jogos de tower defense, algo que sinceramente já não gostei muito. Basicamente aquelas torres que libertamos e passam a ser bastiões assassinos, podem vir a ser atacados por templários algo que pode acontecer caso o nosso nível de notoriedade ultrapasse o máximo. Caso isso aconteça, vamos ter de posicionar assassinos e outros recursos como barreiras ao longo da nossa base, enquanto enfrentamos várias ondas de ataques templários. Tirando uma vez em que somos obrigados a experimentar este mini jogo algures no início da história, nunca mais deixei que uma das minhas bases fosse atacada.

Agora temos também uns slides que podemos usar para nos movimentarmos na cidade

De resto, para além do modo história que uma vez mais é em mundo aberto, repleto de missões secundárias e coleccionáveis para encontrar que nos rendem umas valentes horas de jogo, temos também uma vertente multiplayer que sinceramente não cheguei sequer a experimentar, embora acredite que até talvez viesse a gostar das pequenas campanhas cooperativas que incluiram pela primeira vez.

A nível audiovisual não há muito a dizer, é um jogo competente, a cidade de Istambul está muito bem detalhada, mas desta vez temos menos localidades adicionais para explorar, apenas o castelo de Masyaf e sua aldeia, bem como uma outra cidade subterrânea que nunca tinha ouvido falar. Banda sonora e voice acting nada a apontar uma vez mais.

Mais uma vez podemos recrutar e treinar um pequeno exército de assassinos que nos podem ajudar directamente, ou podemos mandá-los para missões noutras cidades mediterrânicas

Portanto este é mais um jogo agradável na série, embora as novidades que tenha trazido em relação aos anteriores não tenham sido tão interessantes quanto isso, para mim. Para além das brincadeiras que podíamos fazer com as novas bombas, fiquei bem mais contente com facto de termos muito menos daquelas missões secundárias chatas, como aquelas onde temos de correr de um lado para o outro dentro de um tempo limite apertado. Ainda assim, creio que a Ubisoft também já se estava a aperceber que andava a esticar um pouco a corda e decidiu reinventar a série no próximo capítlo. Mas isso será tema para outro artigo!

Astonishia Story (Sony Playstation Portable)

Voltando aos RPGs da PSP e depois de ter terminado o Star Ocean First Departure, resolvi experimentar um outro RPG que tinha lá em fila de espera há já muito tempo. Este Astonishia Story, publicado pela Ubisoft no Ocidente, tem as suas origens na primeira metade da década de 90, tendo sido desenvolvido pelo estúdio coreano Sonnori para o PC. Em 2002 este título foi refeito para a GP32 (lembram-se dessa portátil??) e anos mais tarde convertido para a PSP, versão essa que cá trago hoje. O meu exemplar foi comprado numa CeX algures em Maio de 2016, tendo-me custado 6€.

Jogo com caixa e manual

Quando o comprei não fazia ideia se o jogo era bom ou mau, fiquei com a ideia que seria um pequeno indie RPG e só por isso já me tinha suscitado o interesse. Mas depois quando o comecei a jogar, a minha primeira impressão foi: “uau, este jogo é muito mau”. Mas por vezes possui momentos tão bizarros e originais que até lhe dão alguma piada. É uma espécie do “The Room” dos videojogos, e já passo a explicar o porquê. Simplificando as coisas, a história coloca-nos no papel do honrado cavaleiro Lloyd Von Rolental que se preparava para escoltar o bispo lá da terra e um valioso artefacto, quando é emboscado, toda a gente à sua volta morre e o artefacto é roubado por militares de uma nação vizinha. No encalço dos responsáveis pela emboscada, vamos conhecendo outras personagens e a história vai-se desenrolando. Mas tal como o The Room, para além de muitas vezes termos diálogos que não fazem sentido, por vezes são referidas algumas coisas que nunca mais são faladas novamente na história. Por exemplo: a certa altura, quando derrotamos um vilão qualquer, no seu leito de morte ele amaldiçoa uma das personagens da nossa party, que naturalmente fica preocupado. Mas nunca mais no jogo este tema é sequer mencionado! Os diálogos na sua maioria são muito maus, sem sentido e por vezes contraditórios, No entanto quero-me acreditar que são o resultado de más traduções e o original já seja mais coerente. Depois o jogo está constantemente a quebrar a quarta parede, e referir-se ao próprio com um videojogo e com bugs, o que até é algo original.

A cutscene inicial não fazia nada prever o quão low budget o jogo é.

Mas vamos para a jogabilidade propriamente dita. Este é um strategy RPG bastante simplificado, com batalhas aleatórias e por turnos. Vamos tendo várias personagens para controlar, cada qual com as suas respectivas características. Temos um anão incapaz de usar magia, mas com algumas skills úteis, vários feiticeiros diferentes, uns capazes de usar magias de fogo, electricidade, outros de gelo e healing. Temos um monge praticante de artes marciais, ou um elfo que usa arco e flecha. No entanto há personagens que são bem mais overpowered que outras, poucos são os inimigos que têm fraquezas para o arco e flecha ou para os punhos do monge. Mas as falhas de design não se ficam por aqui: no início do jogo vamos pulando de localidade em localidade (e sem hipótese de regressar aos locais anteriores) e algumas dessas novas aldeias que visitamos não possuem estalagens para descansarmos ou lojas para comprar provisionamentos. Isto numa fase inicial de jogo, onde ainda temos pouco dinheiro e as personagens pouco evoluídas, é simplesmente mau design.

A jogabilidade é a de um RPG estratégico simples

Indo agora para os audiovisuais, devo dizer que o jogo começa muito bem, com uma cutscene bem animada que não faz de todo antever a trapalhada que viríamos jogar minutos mais tarde. No que diz respeito ao jogo em si, bom, pensem nisto como um RPG clássico com visuais de 16bit, mas da primeira geração. Ainda assim, ocasionalmente vemos algumas animações nas sprites que não estava nada à espera e já não são tão básicas assim. As músicas são agradáveis e os efeitos sonoros competentes. Não há qualquer voice acting.

Não, isto não é uma cilada…

Portanto este Astonishia Story é um jogo que não consigo recomendar a não ser com algumas ressalvas. Por um lado é um RPG medíocre, mas por outro, dentro de tudo o de mau que tem, há ali qualquer coisa que até me agradou até ter chegado ao fim do mesmo. No entanto a história não se ficou por aqui e pouco tempo depois foi lançada uma sequela, também na PSP. Foi lançado nos Estados Unidos como Crimson Gem Saga e infelizmente não saiu aqui na Europa. Mas como todos me dizem que é muito melhor que este jogo, até estou curioso em dar-lhe uma oportunidade.

Assassin’s Creed Brotherhood (Sony Playstation 3)

A saga Assassin’s Creed era bastante original na altura em que saiu. Conta-nos o conflito secular entre a ordem secreta dos templários que tentava controlar toda a população e por outro lado os Assassinos, que pregavam a liberdade absoluta. Por um lado o jogo decorre nos tempos de hoje, onde controlamos Desmond Miles, que, através da tecnologia Animus, conseguíamos reviver as memórias dos seus ancestores asassinos que estavam alojadas no seu ADN, vivendo as suas experiências em diversas fases da nossa História. Começamos na idade média, no tempo das Cruzadas e com o assassino Altair, já no segundo jogo principal da série revivemos as histórias de Ezio Auditore da Firenze, no período dourado do Renascimento, em pleno século XV e XVI, na Itália.

Jogo com caixa e manual

Este AC Brotherhood continua a história exactamente do ponto onde o jogo anterior nos deixou, e vamos mais uma vez reviver as memórias de Ezio, desta vez com o jogo centrado na cidade de Roma, desde o pequeno distrito do Vaticano, passando para a cidade “moderna” e todas as suas ruínas do Império Romano. Ocasionalmente lá visitaremos outras localidades, como pequenos flashbacks em Florença ou algumas missões secundárias noutras localizações, como o monte Vesúvio. Mas já lá vamos. Sinceramente não me recordo bem onde e quando foi comprado o meu exemplar, creio que foi numa Cash Converters ou CeX, certamente antes de 2016 e não deve ter custado mais de 7€.

Uma das coisas que mais gostei neste jogo (e no anterior também) eram estes momentos trivia sobre algumas personagens e localidades notáveis que visitamos

O jogo herda as mesmas mecânicas do seu antecessor, apresentando um mundo em open world (embora nem todas as áreas do jogo estejam abertas logo no início), onde poderemos fazer várias missões, algumas obrigatórias para progredir na história, outras meramente opcionais mas que também dão jeito quanto mais não seja para ganhar dinheiro ou desbloquear alguns extras. Também tal como os seus predecessores, há aqui um foco numa jogabilidade furtiva, onde teremos de passar despercebidos por entre os guardas, Aliás, muitas das missões obrigam-nos mesmo a não ser detectados de forma alguma. Para isso temos algumas artimanhas como andar misturados nas multidões ou escondidos em fardos de palha, poços ou outros lugares menos suspeitos. Assassinar os guardas por trás (mesmo à traição!) e depois esconder os seus corpos também pode ser uma opção, mas convém que seja num local reservado senão de outra forma a população também entra em pânico e chama à atenção dos restantes guardas.

Lembram-se da cidade de Monteriggioni que tão carinhosamente reconstruiram no jogo anterior? Pois, é reduzida aqui em ruínas.

Se formos apanhados podemos fugir e aí o parkour ganha especial relevância pois teremos de escalar paredes, saltar entre telhados o mais rápido possível para perder os guardas de vista. Caso decidamos combater, o jogo mantém o mesmo tipo de armas que tínhamos antes, desde a lâmina escondida, veneno, pequenas facas que podem ser atiradas, ou armas mais pesadas como grandes espadas ou machados, passando também por armas de fogo algo primitivas. As habilidades base como o contra-ataque ou a possibilidade de desarmar os inimigos também se mantêm aqui. As grandes novidades estão no facto de podermos equipar um pára-quedas (desbloqueado algures a meio do jogo, por intermédio do grande Leonardo DaVinci), a de formar um pequeno esquadrão de assassinos que nos podem ajudar – daí o jogo ter o sobrenome de “Brotherhood”, ou as tarefas de renovação da cidade de Roma.

Tanto exploramos a Roma moderna e renascentista, como as ruínas do seu império

Mais detalhes destes últimos: a cidade de Roma está dividida em pequenas regiões, cada uma com uma torre comandada por um capitão do exército de Borgia. Nós somos encorajados a assassinar esses capitães e posteriormente destruir as suas torres. Quando o fizermos, poderemos abrir uma série de lojas como bancos, ferreiros, comerciantes de arte, médicos ou alfaiates e comprar alguns monumentos históricos, renovando assim a cidade de Roma, e ao mesmo tempo ir ganhando algum dinheiro de 20 em 20 minutos mediante a quantidade de lojas/monumentos que renovamos. Para além disso, a certa altura do jogo ganhamos a habilidade de recrutar candidatos a assassinos. Basicamente por cada torre de Borgia que destruimos, poderemos recrutar mais um candidato. Depois podemos mandá-los em missões para que ganhem experiência (e dinheiro para nós), para que subam de nível e fiquem mais fortes. Os assassinos que estejam em standby podem-nos ajudar sempre que desejarmos. Ao pressionar o botão L2, lá aparece um ou outro assassino que esteja livre e começa a combater com os guardas que estejam à nossa volta, criando manobras de diversão perfeitas para quando temos alguma missão em que tenhamos de passar despercebidos. Por outro lado, quanto mais fortes forem os nossos assassinos, melhor se safam no combate. E para além disso, se tivermos 6 assassinos em standby, podemos também usar a habilidade Arrow Storm que, como o nome indica, é uma chuva de flechas que atinge todos os inimigos visíveis no ecrã.

Os assassinos que recrutamos podem ser evoluídos à medida em que os mandamos fazer algumas missões pela Europa fora, Lisboa incluida.

Para além disso temos outras facções com as quais colaboramos como os ladrões de La Volpe, os mercenários de Bartolomeo ou as “acompanhantes de luxo”, que podem ser contratados também para distrairem os guardas, para além de nos presentearem com um número considerável de missões opcionais e outros desafios. Portanto este Assassin’s Creed possui imenso conteúdo para quem não se quiser restringir apenas à história principal e nem sequer referi os DLCs que não cheguei a jogar (só mais tarde é que me apercebi que supostamente o DLC Copernicus Conspiracy é gratuito). Temos ainda uma vertente multiplayer que sinceramente também não experimentei, pelo que não me vou alongar.

Saltos suicidas? Yep, continuamos a fazer disso.

Na parte técnica, este jogo usa o mesmo motor gráfico do seu predecessor, pelo que podem contar com o mesmo detalhe gráfico. No entanto, se no Assassin’s Creed II poderiamos viajar livremente entre diferentes cidades, aqui o jogo passa-se principalmente em Roma, possuindo um mapa bem maior. Acredito que isso se traduza em mais carga para processamento, pois desta vez vi várias quebras de framerate bem notórias e por muitas vezes. Ainda assim, para quem jogou o Assassin’s Creed II, já dá para ter uma ideia com o que contar. A cidade de Roma está bem ilustrada e é muito interessante ver o contraste entre uma cidade no centro do Renascimento, com as ruínas de um antigo e imponente império. Mais uma vez nada a apontar ao voice acting que é bem competente e a banda sonora que é dinâmica, alternando entre melodias bem atmosféricas e outras mais tensas ou épicas quando a acção aperta mais.

Portanto, este é mais um jogo sólido na franchise Assassin’s Creed. Neste ponto (ainda não joguei os seguintes), consigo perceber o porquê da Ubisoft ter entrado numa onda de lançar um AC novo a cada ano. Até à altura têm sido jogos bem executados e com uma boa evolução na história e na jogabilidade. A ver em breve como se safou o AC Revelations, que fecha a trilogia de Ezio.