PGA Tour Golf (Sega Master System)

Depois do lançamento do primeiro PGA Tour Golf na Mega Drive, algures em 1991, a Tengen achou uma boa ideia comprar a licença à Electronic Arts e produzir uma versão 8bit desse mesmo jogo para os sistemas 8bit da Sega, o que acabou por acontecer já perto do final de 1993. Nesta altura a Master System já tinha uns quantos jogos de golf, incluindo um outro da Sega lançado no mesmo ano, o Sega World Tournament Golf. Portanto acredito que o impacto já não tenha sido o mesmo, embora ainda não tenha jogado esse outro jogo da Sega.

Jogo com caixa e manual

Portanto este é um simulador de golfe, que nos permite jogar numa série de diferentes campos de golf, cada um com 18 buracos. Tal como vários outros jogos do género, temos diferentes modos de jogo que nos permitem treinar as mecânicas de jogo ou participar em torneios completos, que acaba por ser o principal modo de jogo. Aqui temos as habituais mecânicas de jogo típicas de simuladores, onde temos de nos preocupar com a direcção e força do vento, quais tacos usar ou mesmo o relevo do campo. Tendo essas variáveis em conta, teremos de ajustar a direcção e a força da nossa tacada, mas curiosamente não temos a opção de ajustar em que posição da bola de golf queremos atingir.

Tal como noutros simuladores, temos de ter em conta a distância, o taco a usar e a força e direcção do vento

A nível audiovisual, o jogo até que possui algumas músicas bem mexidas no ecrã título e alguns menus, mas durante as partidas em si, é tudo muito mais silencioso, tendo apenas os efeitos sonoros das tacadas e da bola quando bate no solo ou entra no buraco. A nível gráfico, o ecrã do menu inicial usa parte daquela imagem de fundo de uma loja de produtos de golfe que também vemos na versão da Mega Drive, mas com um sistema de menus diferente que, apesar de não ser propriamente bonito, já é mais adequado a uma consola. Durante as partidas de golfe em si, o jogo tem mesmo um aspecto de simulador, até porque demora alguns segundos a renderizar todo o cenário à nossa volta sempre que mudemos de posição. Temos também a opção de ver uma grelha em 3D para observar os desníveis do solo, quando nos aproximamos do buraco. Isso é tudo muito interessante, mas sinceramente até prefiro o look mais simplista do Golfamania, por exemplo.

Os menus apesar de feios, são mais funcionais que na versão de Mega Drive

Aliás, como um todo esta parece-me ser uma simulação bem sólida do desporto, tendo em conta as capacidades mais limitadas de um sistema 8bit. Ainda tenho aqui para experimentar o World Class Leaderboard, mas para já devo dizer que, como um todo, acabo por preferir o Golfamania, não só pelos seus visuais de certa forma mais simples, mas também funcionais, mas também pelos elementos RPG que ali encutiram.

Klax (Sega Master System)

It’s the nineties and there’s time for Klax! Esta era a catchphrase que víamos em cada iteração deste jogo, que foi lançado originalmente pela Atari Games nas arcades em 1990. Começou por ser um follow up do Tetris, cujo licenciamento na altura estava envolto em grande polémica. Entretanto 30 anos se passaram e sinceramente Tetris continua a ser um jogo amplamente superior pela sua simplicidade. Ainda assim, nos anos 90 foram saindo imensas versões caseiras deste jogo, entre as quais esta para a Master System, que deu entrada na minha colecção após ter sido comprada a um amigo no passado mês de Janeiro.

Jogo com caixa e manual

Deixem-me lá ver se consigo explicar bem o conceito do Klax. Temos uma passadeira roalnte onde vários blocos coloridos vão rebolando desde o fundo do ecrã até ao final da mesma, com um abismo no fim onde as peças caem, a menos que as apanhemos com uma plataforma que se move horizontalmente no final da passadeira. Essa plataforma recebe então os blocos e, através de qualquer dos botões faciais do comando da SMS, podemos largar o mesmo na área de jogo no fundo do ecrã, que é basicamente uma grelha com capacidade de 5 por 5 blocos. A ideia é então formar linhas (os tais Klax!) com 3 ou mais blocos da mesma cor, sejam estas horizontais, verticais ou diagonais. A plataforma que apanha os blocos, pode aguentar também com até 5 blocos empilhados, sendo que os últimos a serem apanhados, ficam no topo da pilha e são também os primeiros a serem depositados na grelha de jogo. Esta é uma mecânica interessante se quisermos esperar por receber um bloco de determinada cor, antes de o depositar na grelha de jogo. O d-pad possui ainda outras funcionalidades, ao pressionar para baixo aceleramos o ritmo das peças a rolar, ao pressionar para cima atiramos as peças que temos na plataforma de volta para a passadeira. Isto não é assim tão recomendado a menos que saibam bem o que estão a fazer, pois as peças atiradas desta forma rebolam de volta muito mais rápido e se deixarmos cair demasiadas peças no abismo temos um game over.

Infelizmente a escolha das cores para os blocos deixa muito a desejar

Ao todo, Klax tem 100 níveis, onde cada nível possui diferentes desafios. Uns pedem-nos para formar um certo número de Klax para limpar o nível, outros obrigam-nos a alcançar um número mínimo de pontos, outros são o modo Survival, onde nos obrigam simplesmente a encaixar um certo número de peças, tendo de fazer alguns Klax para manter a área de jogo o mais limpa possível. Por fim temos desafios que nos obrigam a fazer um certo número de Klax horizontais e o mais difícil, fazer Klax diagonais. Alguns destes desafios são mesmo complicados, pois as peças facilmente começam a acumular e temos um game over quando deixamos cair um certo número de blocos no abismo ou enchemos a nossa área de jogo, como no Tetris. Felizmente o jogo ocasionalmente nos deixa avançar uma série de níveis, mas mesmo assim é muito desafiante chegar até ao nível 100. Eu não tive paciência para tanto.

A nível audiovisual, a área de jogo vai mudando os seus backgrounds ocasionalmente. Começamos por uma zona com um parque de estacionamento e lojas em plano de fundo, outra no espaço, outra com uma mão humana gigante a segurar a passadeira rolante. Nas opções temos a possibilidade de alterar a paleta de cores dos blocos, mas sinceramente todas elas são más. Não sei o que se passou aqui, a Master System consegue fazer jogos bem mais coloridos que isto, e num jogo onde é importante que as peças sejam facilmente distinguíveis entre si, é um grande fail. Os efeitos sonoros não são nada de especial e por defeito a música está desactivada. Se a activarmos nas opções também não ganhamos nada de especial com isso.

Ao longo do jogo os backgrounds vão mudando

Portanto este Klax até que é um jogo de puzzle interessante, mas é bastante desafiante. É possível fazer combos e tal, mas requer muito mais esforço e uma curva de aprendizagem (e domínio) bem maior que muitos outros puzzle games que surgiram após o Tetris, como Columns ou Puyo Puyo. Acho que a simplicidade acaba por ser bem mais importante num puzzle game deste género. De resto, existem imensas versões deste Klax, e a da Mega Drive do ponto de vista audiovisual é bastante superior, pelo que se quiserem mesmo experimentar o Klax, recomendo antes essa versão pois é também de fácil acesso.

Hard Drivin’ (Sega Mega Drive)

Quando comecei a conhecer melhor o catálogo da Mega Drive através de emulação, algures no final dos anos 90, este Hard Drivin’ sempre foi daqueles que me deixava confuso, pois para além de não entender o conceito do jogo e a sua jogabilidade, também achava que tinha gráficos horríveis. Bom, hoje em dia sei que temos de olhar para este Hard Drivin com uns óculos de 1989, onde o jogo se apresentou nas arcades como um dos primeiros jogos de corridas inteiramente poligonais e, ao contrário de muitos racers no mercado, este apresentava-se como possuindo uma jogabilidade muito mais realista, mais próximo de um simulador. O meu exemplar foi comprado na loja Play ‘n Play algures no mês de Outubro, creio que por 12€.

Jogo com caixa e manual

Na verdade o conceito deste Hard Drivin’ é muito simples. Temos um único circuito por onde competir, que a certa altura se diverge entre a speed track, e stunt track, esta já repleta de obstáculos como saltos, curvas inclinadas ou mesmo um loop que temos de atravessar. Apesar de este ser um suposto simulador, pois as curvas não são fáceis de fazer se estivermos a acelerar como desalmados e facilmente podemos ter acidentes, não deixa também de ser um jogo arcade, na medida em que temos tempo limite para completar o circuito, cujo vai sendo incrementado à medida que vamos passando por checkpoints. Se conseguirmos manter uma boa performance, eventualmente somos desafiados para competir directamente contra um carro controlado pelo CPU.

Este vidro vai rachar mais vezes do que as que conseguem contar

Mas a jogabilidade não é a mais intuitiva, pois a aceleração e travagem não é são lá muito precisas baixo framerate do jogo também não ajuda. Por exemplo, na primeira vez que vão fazer o salto, se acelerarem demais, o carro destrói-se quando aterra, Para além disso, temos trânsito, carros a conduzir em sentido contrário que também nos causam dificuldades e caso colidirmos, ficamos com o carro destruído e o jogo coloca-nos de volta na pista, mas geralmente mais atrás, junto do último checkpoint que tenhamos atravessado, o que nos pode dificultar também a vida ao restar pouco tempo disponível. Por isso é importante que no início joguemos muito o modo Practice, precisamente para ter uma boa percepção da pista e de como atravessar os seus obstáculos. E mesmo quando estivermos mais habituados, há sempre o risco de colidir com um carro aleatório, nem sempre temos tempo de reagir oportunamente.

Se sairmos fora da pista, temos 10 segundos para regressar, caso contrário somos penalizados

Graficamente, bom, o original arcade era um jogo impressionante para a sua época visto ser um dos primeiros racers completamente poligonais, ainda que com muitos poucos polígonos em simultâneo no ecrã. É verdade que não envelheceu nada bem, mas em 1989 devia ser impressionante vê-lo nas arcades. A versão Mega Drive possui gráficos poligonais sem qualquer recurso a hardware adicional para isso, mas naturalmente que os gráficos são ainda mais modestos que o original e o framerate muito mais lento. Envelheceu ainda pior portanto, mas para a época, existem conversões muito piores. No som as coisas poderiam ser diferentes, mas infelizmente as músicas são practicamente inexistentes e as poucas que há não são propriamente vulneráveis. Os efeitos sonoros também deixam algo a desejar.

Um detalhe interessante são os instant replays que somos presenteados sempre que fazemos asneira

Portanto este Hard Drivin é um jogo que não envelheceu nada bem. Por um lado a jogabilidade não é grande coisa, mas quero acreditar que o original arcade fosse muito melhor nesse aspecto. Por outro, o seu grafismo em 3D poligonal primitivo, por muito impressionante que fosse em 1989, um bocadinho menos em 90/91 na Mega Drive,  também envelheceu bastante mal, pelo que este Hard Drivin’ hoje em dia acabe por ser mais uma curiosidade do que propriamente um jogo divertido.

Pit-Fighter (Sega Mega Drive)

Continuando pelas rapidinhas para a Mega Drive, o jogo que cá trago hoje é mais um publicado pela Tengen, o braço da Atari Games (que inicialmente se focava apenas no ramo das arcades) para publicar os seus títulos em consolas. O jogo que cá trago hoje é o Pit-Fighter, um clássico de arcade pré-Street Fighter II, já com personagens e arenas digitalizadas, práctica que veio mais tarde a ser bem mais popular com o Mortal Kombat. O meu exemplar foi comprado no mês passado a um particular por 5€.

Jogo com caixa e manual

Neste jogo podemos escolher um de três lutadores disponíveis, para participar numa série de combates, aparentemente ilegais. Temos o Bill Chase, um antigo wrestler profissional, Marc Williams, um campeão de kickboxing e Glenn Fraticelli, um cinturão negro, mas que não especificam a sua arte marcial. Escolhendo o lutador, visto que cada um possui diferentes atributos físicos (por exemplo o Bill é o mais forte, mas também mais lento), somos largados numa série de combates violentos contra outros oponentes, estes que já seguem uma ordem fixa. Para além disso, a cada 2 ou 3 combates vamos tendo também alguns combates bónus, os Grudge matches. Estes colocam-nos a combater contra um clone do nosso lutador onde o objectivo é atirá-lo ao chão 3 vezes. Se perdermos esse combate bónus, nada acontece, no entanto se o vencermos ganhamos mais dinheiro, que se traduz em mais pontos.

A versão Mega Drive não é graficamente impressionante com o original arcade foi em 1990, mas não está má de todo.

A jogabilidade é simples no papel com um botão para dar socos (ou apanhar itens), outro para pontapés e um outro para saltar. Ao usar combinações dos vários botões podemos dar pontapés aéreos, defender, ou agarrar os oponentes. Ao pressionar os 3 botões faciais em simultâneo, despoletamos um golpe especial. Tanto o jogador como os oponentes possuem uma barra de vida e o objectivo é reduzir a barra de vida dos adversários a nada, se bem que tipicamente os adversários possuem uma barra de vida maior. A jogabilidade faz no entanto lembrar a de beat ‘em ups como Streets of Rage, pois a arena é um plano em pseudo 3D onde podemos (e devemos) movimentarmo-nos livremente pela mesma. Nos combates em si vale tudo, pois muitas vezes temos objectos como facas, barris, ou mesmo bancos espalhados pela arena e que podem ser usados como arma, tanto por nós, como pelos oponentes. Ocasionalmente também temos alguns membros da plateia que se tentam intrometer e dificultar-nos a vida também. Mas no fim de contas, a nível de jogabilidade este jogo ainda está muito longe do que Street Fighter II viria a introduzir. É verdade que cada personagem possui diferentes ataques especiais, mas no fundo este é um button masher. O original arcade deixava-nos jogar com até 3 jogadores em simultâneo, mas este só deixa jogar com 2. No entanto, com 2 jogadores acabamos por ter de defrontar sempre mais oponentes em cada combate.

Ocasionalmente temos algumas rondas bónus que nos dão mais pontos se conseguirmos derrotar o nosso clone

A nível técnico é uma conversão com muitos sacrifícios face ao original. As sprites não estão de todo tão bem detalhadas, assim como as suas animações poderiam ser mais fluídas. O original arcade tem umas mecânicas de zoom (algo parecidas com o Art of Fighting) que não existem aqui, onde temos sempre quase toda a arena visível. As arenas em si são armazéns, bares, garagens e afins, sempre rodeados de gente a assistir aos combates. Mas o púlbico, por norma, está muito mal caracterizado, quase sempre a preto e branco (embora também seja assim na versão arcade), e com muito menos detalhe. As músicas sinceramente não as acho nada de especial. Por um lado têm uma toada rock que me agrada, por outro confesso que as melodias não são nada de especial e a versão Mega Drive não ganhou em nada. As vozes, infelizmente também têm muito má qualidade nesta conversão. Mas para mim não é o mais importante, de longe.

Portanto este Pit Fighter é daqueles jogos que para mim é um pouco difícil de classificar. Quando era mais novo joguei-o e não achei piada nenhuma. No entanto, hoje em dia, olhando para as coisas de outra forma, continuo a achar tecnicamente um jogo mauzinho, mas por outro lado é tão cheesy, que até se torna bom. E o multiplayer até se torna divertido!

 

Pac-Mania (Sega Mega Drive)

Voltando a mais uma super rapidinha na Mega Drive, hoje trago cá mais uma conversão, cuja outra versão já cá trouxe. Estou-me a referir ao Pac-Mania, uma sequela do Pac-Man, originalmente lançada nas arcades em 1987, com versões para consolas domésticas e outros sistemas a não tardarem em sair. A versão que eu já cá analisei foi a da Master System, publicada pela TekMagik algures em 1991, já a versão Mega Drive foi publicada pela infame Tengen. A Tengen, que na verdade era um braço da Atari Games, que por sua vez era uma subdivisão da Atari Corporation focada apenas nos jogos arcade. Como jogos para consolas e computadores estavam a cargo da Atari Corporation, a Atari Games para entrar no mercado das consolas criou então esta sua subsidiária. Como na altura era a Atari Games (não a Corporation) que detinha direitos de distribuição de videojogos do Pac-Man, faz sentido que tenha sido a Tengen a empresa responsável por publicar esta conversão. O mundo do licenciamento nos videojogos é tão confuso e divertido… Mas pronto. O meu exemplar foi comprado no mês passado, num pequeno bundle de jogos de Mega Drive que me ficaram a 5€ cada, num negócio a um particular.

Jogo completo com caixa e manuais

Portanto este é o mesmo jogo que eu já analisei aqui na Master System, pelo que recomendo a leitura desse artigo para mais detalhe. Ou seja, este jogo é uma evolução do Pac-Man original, agora numa perspectiva pseudo 3D. E com uma dimensão adicional, podemos agora saltar, se bem que por sua vez temos também alguns fantasmas que saltam ao mesmo tempo que nós, dificultando a nossa tarefa em desviarmo-nos deles. De resto os objectivos são os mesmos, ou seja, comer todas as bolinhas amarelas no nível e evitar que os fantasmas nos apanhem. Para além das bolas amarelas grandes que nos tornam temporariamente invencíveis e podemos nós comer os fantasmas, temos também outros power ups, que nos aumentam temporariamente a velocidade ou nos atribuem mais pontos.

Por incrível que pareça, acho a versão Master System mais agradável a nível de gráficos

A nível audiovisual vou ser sincero: achei a versão Master System com cores mais vivas! Aqui na versão Mega Drive são demasiado escuras. Por outro lado, as músicas na versão 16bit são mais agradáveis. Portanto, esta acaba por ser uma conversão competente de um clássico arcade que por si só acaba por ser uma evolução interessante do original. Mas sim, acaba também por se tornar um pouco repetitivo ao fim de algum tempo.