Valis (Sega Mega Drive)

Bom, vai ser um pouco difícil abordar a série Valis da forma correcta. Isto porque a mesma teve a sua origem no MSX e posteriormente noutros computadores nipónicos e consolas. Mas muitas dessas versões são consideravelmente diferentes entre si e o caso desta versão Mega Drive é curioso pois é na verdade um remake do primeiro jogo, tendo inclusivamente sido lançado depois de algumas das suas sequelas na própria Mega Drive. Este lançamento da Mega Drive foi originalmente publicado nos Estados Unidos pela Renovation algures em 1991 e, como a esmagadora maioria dos títulos que essa empresa publicou em solo norte-americano, não houve qualquer outro lançamento europeu. Isto pelo menos até à Retro-Bit ter anunciado no ano passado um relançamento físico dos 3 Valis que sairam para a Mega Drive, algo que eu acabei por comprar de presente de aniversário para mim próprio algures em Junho deste ano.

Edição de coleccionador da Retro-Bit com os 3 lançamentos da Mega Drive, sleeve exterior de cartão e um extra com uma gravura em acrílico

A história leva-nos a controlar Yuko, uma jovem aluna de uma escola secundária japonesa e que de repente, num dia chuvoso, se vê atacada por monstros. Nos últimos instantes, Yuko é salva por uma espada que lhe confere poderes mágicos, espada essa que lhe foi atribuída por Valia, líder de um povo pacífico de uma outra dimensão e que lhe pede ajuda para derrotar as forças do mal, lideradas pelo vilão Rogles, até porque este já havia corrompido uma das suas amigas de infância para lutar do lado das forças do mal.

Jogo com sleeve exterior, manual a cores e multilíngua inglês/japonês, postais e papelada diversa

E este é então um 2D sidescroller de acção/plataformas como muitos outros jogos da sua época. A jogabilidade é, em teoria, simples com um botão para saltar (C), outro para que Yuko ataque com a sua espada (B) e um outro para activar uma habilidade de slide (A) que nos permite esquivar rapidamente de alguns perigos. Se quisermos no entanto saltar mais alto teremos de pressionar o botão B e cima em simultâneo, o que pode ser algo chato em certas alturas. À medida que vamos explorando poderemos também encontrar toda uma série de itens e power ups, desde itens que nos regenerem a nossa barra de vida ou magia, vidas extra ou outros que mudam/melhoram o poder de ataque da nossa espada. Isto porque a espada começa também a disparar projécteis, mas sempre que apanharmos um power up que melhore o seu poder de fogo, passaremos a disparar projécteis em mais direcções, ou então usar outros ataques completamente distintos, como raios laser penetrantes ou flechas teleguiadas. A barra de magia serve precisamente para isso, para usar magias. Estas são adquiridas após derrotar certos bosses e podem ser desencadeadas através da combinação de botões de ataque (B) e cima. Diferentes magias poderão ser seleccionadas no menu de pausa e podem causar dano em vários inimigos no ecrã em simultâneo de maneiras diferentes.

Um exemplo das bonitas cut-scenes que poderemos ver

O que me chamou imediatamente à atenção da primeira vez que joguei este jogo há muitos anos atrás em emulação foram mesmo as suas cut-scenes anime que decorrem em certos pontos chave do jogo. Apesar de possuírem ecrãs algo estáticos, são cenas muito bem detalhadas. Já o jogo em si possui cenários algo genéricos infelizmente. Começamos por explorar uma zona urbana e com Yuko ainda vestida com o seu uniforme escolar, já os níveis seguintes são passados nesse tal mundo fantasioso e onde iremos atravessar montanhas, cavernas, florestas ou edifícios decadentes. Apesar de não achar um jogo propriamente mau a nível gráfico, confesso que poderia ser um pouco melhor. A banda sonora por outro lado considero-a bem agradável de se ouvir!

Apesar do cliché, os cenários urbanos do primeiro nível foram os que achei mais piada

Portanto estamos aqui perante um interessante jogo de acção que apesar de estar longe do nível de outros clássicos desta geração como os Castlevania ou Rocket Knight Adventures não deixa de ser um jogo interessante, quanto mais não seja pelas suas óptimas sequências animadas. O que vai ser mais curioso daqui para a frente é que irei abordar os restantes jogos desta série pela sua ordem. Na Mega Drive temos mais dois, o Syd of Valis que é também um remake com personagens cabeçudas do Valis II e posteriormente o Valis 3, que sai nesta consola antes de ambos esses lançamentos. E então quando chegar aos de PC Engine ainda mais confuso se vai tornar.

Gaiares (Sega Mega Drive)

Vamos agora voltar à Mega Drive para mais um dos seus vários shmups. Produzido pela Telenet Japan e lançado originalmente no Japão em 1990, Gaiares foi um dos muitos títulos nipónicos que a distribuidora norte-americana Renovation conseguiu lançar nos Estados Unidos, neste caso um ano mais tarde. Aparentemente, pelo menos de acordo com o Sega Retro, a certa altura a Ubisoft esteve para lançar vários dos jogos publicados pela Renovation para a Mega Drive na Europa, mas isso infelizmente nunca chegou a acontecer. Também de acordo com o Sega Retro, algumas distribuidoras acabaram por importar a versão japonesa e lançá-la no nosso continente, mas terá sido certamente em reduzidas quantidades. Felizmente em 2022 a Retro-Bit conseguiu obter os direitos necessários para o relançar, versão essa que acabei de comprar no passado mês por 45€. E vem com muitos extras!

Jogo com sleeve de cartão, caixa com capa reversível (se bem que não sei quem possa preferir a capa americana), manual a cores, papelada diversa e ainda trouxe uma t-shirt igual à que o jovem da foto tem vestida

A primeira coisa que chama à atenção no jogo é a sua longa cutscene de abertura (mais de 6 minutos!) repleta de visuais anime. A história é rebuscada, mas basicamente o que interessa conter é que o jogo decorre no ano de 3008 e a Terra, com toda a poluição que sofreu ao longo de séculos, há muito que está em ruínas. No entanto um poderoso império promete ajudar a regenerar o planeta, logo que um voluntário decida pilotar a sua nave topo de gama e combater um outro exército poderoso que são naturalmente os maus da fita. E nós iremos encarnar no Dan, o tal piloto que se voluntariou para tal árdua tarefa.

Antes de iniciarmos a aventura, temos direito a uma cutscene anime prolongada

E árdua tarefa é dizer pouco, pois este é seguramente um dos shmups mais difíceis que iremos encontrar na Mega Drive. No entanto possui algumas mecânicas de jogo únicas e interessantes! Mas antes disso, os controlos são simples com o botão A a servir para alternar a velocidade com que a nossa nave se desloca pelo ecrã, o botão B para disparar e o C serve para usar o satélite que voa connosco, logo desde o início do jogo. E esse satélite é precisamente o factor diferenciador deste jogo, pois ao pressionar o seu botão, o mesmo é lançado em frente, na esperança de se agarrar a alguma nave inimiga. Quando o faz, rouba a sua arma para que nós a possamos usar! Poderemos ter então vários tipos de projécteis, mísseis ou raios laser com padrões de fogo distintos. Caso roubemos uma arma igual, então esta passa a ser mais poderosa, existindo assim vários níveis de poder de fogo para cada arma. Caso alternemos para uma arma diferente e eventualmente voltamos para a que tínhamos anteriormente, mantemos o nível dessa arma. Isto claro, se não perdermos nenhuma vida entretanto, o que será extremamente difícil. De resto, ocasionalmente iremos também encontrar alguns itens que nos dão um escudo, ou outros capazes de causar dano a todos os inimigos presentes no ecrã.

Apanhar, evoluir e acima de tudo manter boas armas é extremamente importante para contrapor a dificuldade absurda do jogo

Mas como referi acima, o jogo é extremamente desafiante, não só pela grande quantidade de inimigos que teremos de enfrentar, bem como o facto de alguns serem bem rápidos e surgirem de múltiplas direcções. Acho que a partir do terceiro nível a dificuldade escala bastante e claro, caso sejamos atingidos por um inimigo ou raspemos nalguma superfície lá perdemos uma vida e todos os power ups coleccionados até ao momento. Todos os níveis têm também um mini boss e boss para enfrentar, estes últimos no final dos mesmos. Os últimos níveis são claro uma maratona de mini bosses e bosses também.

Os níveis vão sendo bastante variados entre si, incluindo este segmento que parece retirado de algum jogo de fantasia medieval

Visualmente é um jogo muito colorido e extremamente bem detalhado para uma Mega Drive, com bonitos efeitos de parallax scrolling em vários dos níveis (logo a cintura de asteróides do primeiro nível é um óptimo exemplo disso). Os bosses são gigantes e extremamente detalhados e os níveis também vão sendo bastante variados entre si. Aliás, mesmo em cada nível vamos tendo interessantes (e por vezes inesperadas) variações de cenários, embora haja um grande foco entre o combate em pleno espaço e em estações espaciais gigantes. Para além disso, como já referi no segundo parágrafo, o jogo tem uma cutscene de abertura anime muito bem detalhada e colorida, que se prolonga por mais de 6 minutos, e uma outra mais curta no final do jogo. Aparentemente a Telenet Japan incialmente tinha planos para que o jogo ocupasse uma ROM de 4Megabits (equivalente a 512KB), mas, já algo avançados no desenvolvimento do jogo, a Sega deu-lhes o aval de usarem um cartucho com o dobro do espaço, espaço esse que foi precisamente utilizado para todas estas cutscenes. Por outro lado a banda sonora, apesar de não ser propriamente má, ficou muito aquém das expectativas. Para um jogo de acção frenética como este Gaiares, estava à espera de uma banda sonora bem mais pujante.

Os bosses são grandes, desafiantes e muito bem detalhados!

Portanto este Gaiares é um shmup bastante interessante do catálogo da Mega Drive. Visualmente é dos melhores do seu género na plataforma, contendo também algumas mecânicas de jogo bem originais. É no entanto difícil como cornos. A Renovation publicou muitos jogos medianos que nunca chegaram até nós, mas também publicou muitas outras hidden gems (da minha colecção até ao momento tenho o Elemental Master ou Syd of Valis como exemplos) e é uma pena que muitos desses jogos tenham passado completamente ao lado da maior parte dos jogadores europeus. Estes relançamentos em formato físico de jogos perdidos no tempo por parte da Retro-Bit e outras empresas similares é extremamente benvindo!

F1 Team Simulation: Project F (PC Engine CD)

Vamos a mais uma rapidinha a um exclusivo japonês da PC Engine CD. Comprei este jogo num pequeno lote algures em Junho deste ano, tendo-me este custado algo em volta dos 10€. Mas foi um jogo que comprei um pouco às cegas, para ver se conseguia um desconto maior no lote. Com um carro de Formula 1 na capa, esperava que era um jogo de corridas normal, mas não é o caso. Este é então um simulador puro, onde apenas gerimos uma equipa de F1.

Jogo com caixa, manual embutido com a capa, spine e registration card.

Depois de uma cutscene com uma música bem hard rock e repleta de guitarradas, lá somos levados ao ecrã título onde podemos escolher entre começar uma partida nova, uma demonstração, ou continuar uma partida previamente gravada. Ao começar uma nova partida, começamos por definir o nosso nome, nome da equipa e nacionalidade. Ao escolher a nacionalidade vemos que diferentes nacionalidades possuem diferentes stats em categorias como management, technical e political. Segue-se nova cutscene, agora repleta de texto em japonês onde assumo que nos estejam a apresentar o nosso papel de gestor da equipa de F1 que iremos representar. Depois temos um menu com imagens e textos em inglês onde nos aparecem as seguintes opções: management, technical, driver, test e save.

Ao menos os menus estão em inglês

No management aparentemente podemos escolher que patrocinadores nos representam, no technical escolhemos o chefe dos mecânicos, a sua equipa e todas as peças relevantes para o nosso carro. Em driver escolhemos quais os nossos pilotos e escusado será dizer que todas estas escolhas custam dinheiro, que teremos de gerir inteligentemente. Test é a opção onde poderemos dar voltas de teste e avaliar a performance dos nossos carros e por fim, ao pressionar em exit leva-nos à primeira corrida, onde começamos por acompanhar a fase de qualificação e eventualmente competir. Durante as voltas de qualificação e práctica apenas vemos os nossos pilotos a percorrerem o circuito, enquanto que durante as corridas em si, lá vamos vendo também todos os outros oponentes. Ocasionalmente o jogo decide mostrar algumas pequenas cutscenes da acção em pista, como os nossos carros a fazerem curvas apertadas ou a fazerem/sofrerem ultrapassagens. Temos também de manter um olho no desgaste das várias peças e o consumo de combustível, pelo que ocasionalmente lá teremos de indicar aos nossos pilotos para irem às boxes. As corridas em si são extremamente demoradas, é o preço a pagar de um simulador.

O jogo não tem qualquer licença da FIA, no entanto os pilotos são quase todos caras conhecidas

Tecnicamente até acho o jogo bem competente. A cutscene de abertura é muito boa e durante as corridas em si vamos ver constantemente pequenas cutscenes, porém bem feitas, que mostram os momentos mais emocionantes da corrida. No final da mesma também temos direito a outras pequenas cutscenes mediante a posição final dos nossos pilotos. A banda sonora é também excelente, uma vez mais a começar pela música hard rock da introdução. Durante o jogo em si vamos poder ouvir músicas mais calmas com um feeling mais jazzy, mas também outras mais rock, particularmente durante as corridas em si. Confesso que sempre ajudam a passar melhor o tempo!

Durante as corridas em si, para além de uma vista aérea do circuito e posições dos pilotos, vamos vendo também algumas cutscenes de acção. E sim, o jogo tem alguns erros de inglês. O circuito do Bragil é um deles.

Portanto este é um jogo que até parece interessante, principalmente para quem gosta da ideia de gerir toda uma equipa de fórmula 1, o que não é o meu caso, infelizmente. A barreira linguísta também pode ser um impedimento, mas o jogo possui imensos menus em inglês, o que é uma excelente ajuda para se ter uma melhor noção das mecânicas de jogo.

Golden Axe (PC-Engine CD)

De volta à PC-Engine vamos ficar com mais uma adaptação de um clássico arcade da Sega que acabou por sair neste sistema. Nenhum deles foi desenvolvido pela própria Sega, que apenas licenciou o uso da sua propriedade intelectual, pelo que o resultado final destas conversões é tipicamente algo díspar. O Space Harrier nem foi mau de todo, já este Golden Axe infelizmente foi uma oportunidade desperdiçada. Esta conversão ficou a cargo da Telenet Japan, uma empresa que até tem uns bons nomes no seu reportório (a série Valis, por exemplo), mas aqui não se esmeraram de todo, o que é pena. O meu exemplar foi comprado a um particular no passado mês de Janeiro, tendo-me custado uns 18€.

Jogo com caixa e manual embutido

Pouco há mais a falar do Golden Axe. É um excelente beat’ em up da Sega com uma temática de guerreiros bárbaros (certamente inspirada pelos filmes do Conan nos anos 80), lançado nas arcades e com conversões para inúmeros sistemas. Naturalmente a versão Mega Drive é sem dúvida a mais badalada das conversões caseiras e com razões para isso, pois manteve a excelente jogabilidade do lançamento original arcade, com apenas alguns sacrifícios na componente audiovisual. É um jogo onde 1 ou 2 amigos poderão jogar em conjunto, encarnando em 3 diferentes guerreiros: Ax Battler, o esteriótipo do guerreiro bárbaro todo musculado, Gillius Thunderhead, outro esteríótipo de um anão barbudo e munido de um machado gigante e claro, Tyris Flare, o esteriótipo final da guerreira amazonas que luta de bikini. Cada personagem possui os seus pontos fortes e fracos, com Ax Battler a ser o mais equilibrado, Gillius é mais forte físicamente mas mais fraco com as suas magias e Tyris é o seu reverso.

Apesar de manter as 3 personagens, esta versão inexplicavelmente não possui qualquer modo multiplayer

Ora infelizmente o campo onde esta conversão da PC Engine mais sofre é, a meu ver, precisamente na jogabilidade. A começar pelo facto deste não possuir qualquer multiplayer, o que num sistema onde o uso de multitaps sempre foi encorajado, é uma grande falha. A jogabilidade em si também deixa muito a desejar, com o jogo a ser mais travado, com imensos problemas de detecção de colisão (por vezes é difícil acertar nos inimigos, obrigando-nos a alinhar quase perfeitamente com os mesmos) e atacar mais que um inimigo em simultâneo, mesmo que tenhamos na nossa posse uma espada ou machados gigantes, nem sempre acontece, o que nos deixa muito mais vulneráveis a ataques. Para além disso, estão em falta várias animações de ataque, o que deixa os combates um pouco mais repetitivos.

Infelizmente a jogabilidade deixa muito a desejar e graficamente também não é a versão mais apelativa

Graficamente é outro ponto que o jogo deixa muito a desejar. As sprites são muito pequenas para um sistema como a PC-Engine e as animações também não estão lá grande coisa, com algumas inclusivamente a faltar, como já referi anteriormente. Os cenários também não têm tanto detalhe como a versão da Mega Drive, o que é pena. Por outro lado, o que esta versão tem de bom do ponto de vista gráfico são as várias cutscenes anime e narradas em japonês que estão bem feitas. Cada personagem tem o seu próprio conjunto de cutscenes, completamente diferentes entre si! Já no som, estamos perante mais uma faca de dois gumes pois por um lado a banda sonora foi toda refeita, agora com qualidade CD Audio e está muito boa. Por outro lado, os efeitos sonoros são maus e faltam muitas dos clipes de voz, como os inimigos quando morrem. Uma vez mais, tendo em conta que este é um jogo lançado num formato de CD, é mais uma oportunidade desperdiçada.

Ao menos temos cutscenes anime bem detalhadas e com uma aparente boa narração. Digo aparente porque é em Japonês

Portanto este Golden Axe da PC-Engine CD acaba por ser um jogo que desilude imenso. As suas óptimas cutscenes anime e banda sonora de qualidade CD audio, em virtude de ser um jogo no formato CD são os seus pontos fortes, mas estão longe de compensar a má jogabilidade, o facto de não ter multiplayer e os gráficos e efeitos sonoros medianos. É uma pena, esta versão poderia ter sido bem mais especial.

Super Albatross (PC-Engine CD)

Vamos voltar às rapidinhas, ficando agora com mais um jogo desportivo, desta vez para a PC-Engine CD. Este Super Albatross é no entanto mais do que um simples jogo de golf, pois possui também umas quantas sequências anime com voice acting inteiramente em japonês. Ou seja, sem qualquer patch de tradução existente, foi um jogo que eu fui experimentando aos poucos, passo a passo, até entender minimamente como as coisas funcionam. O meu exemplar veio num grande bundle que incluiu uma PC-Engine Duo RX mais quase duas dezenas de jogos.

Jogo com caixa e manual embutido na capa

Ora no ecrã título temos umas quantas opções para seleccionar do menu principal. A primeira diz respeito à criação de uma personagem ao nosso gosto a começar pelo seu nome, a idade e o sexo, o que irá ditar a aparência do avatar (abençoado google lens para traduzir isto on the fly). De seguida podemos experimentar um modo de treino que nos permite practicar em diversos circuitos. A última opção dá-nos a possibilidade de jogar um torneio completo, mas confesso que não perdi tempo com essa. Por fim, a penúltima opção é de todo a mais interessante, pois consiste no modo história.

Para definir a potência da tacada temos de ter em atenção a animação que surge no canto superior direito do ecrã

E neste modo não usamos a personagem que poderíamos ter criado num dos passos anteriores, mas sim o jovem rapaz que figura na capa do jogo. E a história começa de uma forma bastante dramática com a sua mãe a morrer no hospital e as suas últimas palavras tinham alguma coisa a haver com golfe, pois o rapaz larga tudo e vai ter com um velhote que deve ser algum sensei do desporto. Ao longo do jogo iremos defrontar uma série de oponentes todos distintos entre si, incluindo um cyborg, sendo que teremos de obter uma melhor pontuação que eles nas partidas que vamos jogando. As cutscenes são todas do estilo anime e com voice acting em japonês, pelo que não percebi rigorosamente nada do que estava a acontecer.

Quando nos aproximamos do buraco, o jogo apresenta uma vista ampliada da área. Os controlos mantêm-se nesta fase.

Indepentendemente do modo de jogo escolhido, a jogabilidade infelizmente não é a melhor. Começamos por escolher qual o taco que queremos usar naquela jogada e, a menos que sejam profissionais do desporto, dava jeito saber qual seria o alcance máximo de cada taco para ter uma melhor ideia de qual utilizar. Depois de seleccionado o taco podemos também definir qual a zona da bola queremos atingir, para lhe dar algum efeito ou não. Em seguida temos de definir a direcção e aqui surge um cursor que podemos apontar para onde quisermos no cenário e definir o ponto alvo que tentamos alcançar, mas temos também de ter em consideração a força do vento e sua direcção. Por fim estamos prontos para fazer a tacada e aqui surge uma imagem da personagem a preparar o swing. Se quisermos dar uma tacada com toda a potência, temos de manter o botão pressionado até à personagem levantar o taco por completo no ar e largar o botão em seguida. Se quisermos dar uma tacada mais soft, teremos de largar o botão mais cedo.

No modo história, a narrativa começa de uma forma bastante dramática. Pena que não entenda patavina do que estão a dizer.

Já no que diz respeito aos audiovisuais, as partidas de golfe não são nada de especial, com os courts de golfe a terem um aspecto algo genérico, mas com os obstáculos do costume: árvores, água e areia. Já as cutscenes, que têm um aspecto bastante anime como referi acima, parecem-me bem conseguidas. Não têm necessariamente muitas animações, até porque este também é um jogo que usa a arquitectura básica CD-ROM², em vez de usar o upgrade de memória dos jogos Super CD-ROM². Mas dão um aspecto bem mais interessante e aposto que a história é tão bizarra que tenho mesmo pena de não ter entendido nada do que ali se passa. Já as músicas são bastante alegres, às vezes até demais.

Também no modo história, entre cada cutscene temos esta apresentação do nosso adversário. O que é um Bio-Operation Level? Não faço ideia mas deve ser importante

Portanto estamos aqui presentes a uma curiosidade por parte da Telenet Japan, um jogo que não viu qualquer lançamento fora do Japão e é fácil entender o porquê. Como simulador do desporto deixa muito a desejar, mas a sua história bizarra e dramática deixam-me com pena de não entender nada do que estava para ali a acontecer.